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26.6.03

Transparencia é tudo

Outro motivo para eu prestar mais atenção no Arnaldo Antunes. O Mestre Serjones publica no Catarroverde uma belíssima poesia erotica do livro Et eu tu e divulga o prêço: 79 reais. Gente, eu fui lá no CCBB no lançamento desse livro e divulguei aqui o seu prêço: 139 reais. Não comprei por causa do prêço, e nem conseguí assistir ao show do ex-Titãs porque os ingressos já estavam esgotados, para os dois únicos shows de lançamento do livro, e agora ainda pago esse mico.

Caracoles! Vestí a carapuça. Não adiantou esconder a minha cara.
Vergonha tamanha minha cara não suportou, foi ao chão e não voltou,
e sem ninguém para acudir, ela rolou, rolou, ralou e rolou, rolou ralando,
rolando e ralando foi parar aqui em baixo da mesa do computador.
Até hoje está encarapuçada, e ainda escondida.
Só sai daqui usando disfarces para não verem que é a minha cara. Eu não tô nem aí pra ela. Quem mandou. Eu não sou uma pessoa de confiança, sou uma irresponsável, etc e tal.
Mas eu não quero a minha cara escondida assim, e urge providências. Esse post aqui é uma providência.

25.6.03

Já ouviu alguma coisa do DUO TASTO? Pois devia...

Um dia, um amigo me manda um e-mail dizendo que o seu filho estaria se apresentando no "cabaret" da Maria Pompeu no Teatro Glaucio Gil. Fui conferir. Não imaginava tanto. Aquele menininho era muito mais do que um jovem e talentoso músico mandando beleza nos teclados de um piano. Aquele garotinho, era um senhor compositor de música erudita. Dirigia um coral, o Conjunto Rio de Janeiro formado por músicos e instrumentistas também eruditos, cantando um repertório de clássicos da música popular brasileira com uma leitura contemporânea -- um dos pontos altos do espetáculo da Maria

Alguns mêses depois, no início de maio desse ano, outro convite do meu amigo para assistir na Sala Villa Lobos da UNIRIO, Laura Rónai e Tom Moore, interpretando uma obra para duas flautas barrocas. Essa música fora especialmente composta pelo seu filho em homenagem a esses dois grandes artistas de prestígio internacional.

E o pai, disfarçando o seu orgulho me informava "apesar da ausencia do Sergio que estará em Boston - EUA para a estréia mundial de sua peça "A Linha e o Ponto" para flauta e violino, num evento da Handel and Haydn Society), sua obra "Faces", para 2 flautas barrocas, estará tendo sua estréia brasileira, interpretada pelos flautistas que a estrearam no exterior e para quem a obra foi dedicada: LAURA RÓNAI e TOM MOORE". Uau!...

Amei a notícia e o honroso convite. Me agendei e jurei que iria, é claro. Dois queridos vizinhos blogueiros, concertistas da maior responsa e o Sergio Roberto de Oliveira, de quem eu já era uma fã inconteste, não tinha êrro. Acabei não comparecendo por razões alheias à minha vontade.

Agora, do mesmo pai e do mesmo filho, outro convite para amanhã (já é hoje) dia 25 de junho às seis e meia no Conservatorio Brasileiro de Música. Serginho, ainda no show da Pompeu tinha falado do lançamento desse CD e me convidara. Estou agendadíssima para ir amanhã. Imperdivel.

O Duo Tasto, formado pelos premiados compositores SERGIO ROBERTO DE OLIVEIRA e MARCIO CONRAD, lança na próxima 4ª feira seu primeiro CD Tasto - Dois Compositores ao Piano. O lançamento é também o primeiro do selo A CASA DISCOS. Depois do concerto, os pianistas estarão confraternizando com o público.

O Tasto é um duo pianístico que dedica seu trabalho à música contemporânea erudita, sendo influenciado tanto pelas técnicas avançadas de composição como pela música popular. Esse trabalho do duo tem um grande enfoque no que consideram composição em tempo real, ou seja, a improvisação em diversos níveis.

Conservatório Brasileiro de Música -- Sala Lorenzo Fernandez
Av. Graça Aranha, 57 - 12o. andar (próximo ao metrô Cinelândia)
25 de Junho de 2003, às18:30 hs -- ENTRADA FRANCA

24.6.03

A foto da Barbara, é para lembrar do curso que ela está dando lá na EMERJ (ver alguns posts abaixo) e que vai terminar no dia 3 de julho. Essa foto eu ganhei da minha vizinha blogueira, a Angela Scott,
e deveria ter sido postada aqui junto com o post do curso, mas eu ainda não tenho prática de postar imagens. Voilà.
Tia Bárbara é fortíssima. Gostaram da foto meninos?

Ganhei essa gif animada da grife Matusca. Presente do próprio artista.
Valeu, Matusca!

ATENÇÃO GALERA: JONGO DA SERRINHA NO TEATRO CARLOS GOMES

O grupo Jongo da Serrinha está em cartaz todas as segundas, terças e quartas-feiras de junho e julho no Teatro Carlos Gomes, às 19 e 30 horas,
50 artistas da comunidade do Morro da Serrinha, de 04 a 83 anos de idade, apresentam a dança do jongo, danças afro-brasileiras e sambas de terreiro e de partido-alto da Serrinha e da Escola de Samba Império Serrano. Imperdível!

O Jongo é uma dança de roda que veio de Angola com os escravos para as fazendas de café do sudeste do Brasil e é considerado um dos pais do samba carioca.

Atualmente o jongo está em processo de reconhecimento como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN e vem sendo utilizado pelo Grupo Cultural Jongo da Serrinha como instrumento de arte-educação e capacitação profissional de 650 crianças e jovens em comunidades de baixa renda na cidade do Rio de Janeiro.

Teatro Carlos Gomes
Praça Tiradentes
Ingressos: R$ 5,00 e R$ 1,00 às segundas, terças e quartas de junho e julho/2003
Para todas as idades

www.jongodaserrinha.org.br

O combate sem fim de Antunes Filho

Com Prêt-à-Porter 5, o diretor prossegue sua busca por uma teatralidade voltada para o homem. Em entrevista ao Estado, Antunes diz considerar a montagem um trabalho com "mais densidade dramática e de interpretação"

Em 1998, o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), tendo à frente o diretor Antunes Filho, inaugurou a Nova Teatralidade. A partir de uma severa crítica à situação dramática da interpretação no teatro, na televisão e no cinema brasileiros, nascia a primeira versão do projeto Prêt-à-Porter, visando a limpar o ator dos vícios e estereótipos mortuários da arte de representar. Desde o início, foi feito para poucos espectadores, por poucos atores e em espaços alternativos - com um mínimo de luz e cenário.

Antunes, em 52 anos de carreira, marcou a cena brasileira com espetáculos antológicos como Macunaíma, Nova Velha História e Paraíso Zona Norte, mas continua em busca de um novo teatro - novo que nada tem a ver com a superficialidade da novidade nem com a factualidade do modismo.

Atualmente, sobre sua mesa na sala de recepção no 7.º andar do CPT, no Sesc Consolação, encontra-se o livro de Robert Kurz Os Últimos Combates - que analisa sob lâmina crítica os tempos atuais, tão avessos às teorias com pretensão explicativa e a qualquer aparato teórico-conceitual, para manter a chamada "democracia de mercado", que rebaixa a história e a filosofia a meros objetos de uso capitalista.

O encenador critica com ferocidade o atual estado de coisas. "O fato de vivermos numa cultura mediada transforma nosso grau de realidade em coisa indireta. Mas como encontrar a coisa real se hoje a arte mais parece um catálogo de mercadorias e o artista virou objeto de lances estéticos?"

A propósito da estréia de Prêt-à-Porter 5, que ele considera um trabalho com mais densidade dramática e de interpretação, o diretor deu seu depoimento ao Estado, fumando vez ou outra seu indefectível cachimbo.
Sou apenas aquele que aponta caminhos
Encenador sustenta que ator tem de ser proprietário do que faz, sem intermediários

ANTUNES FILHO
Especial para o Estado

Outro dia entrei num grande dilema: deveria voltar a fazer o teatro-show, perfumaria, ceder a tudo e fazer o que as pessoas querem ver? É claro que não, não pode ser por aí. Veja o caso de Prêt-à-Porter - as pessoas já conseguem perceber que tem algo a mais; que ali, além do encontro de um ser com outro ser humano, há mil outras coisas mais. Porque o que se vê hoje é o teatro que se alienou não somente do homem-humano, como também do filosofar social. Prêt-à-Porter tenta ser contra esse estado de coisas, não apenas porque os atores aprofundam a densidade dramática e de interpretação, mas porque propõem o contato humano, restabelecendo a linha direta perdida.

Olha o exemplo da televisão. A televisão é uma mídia que terceiriza os acontecimentos. Outro dia assisti à transmissão de um casamento e o que vi foi um show. Tudo virou show, simulacro; o show está no lugar do ritual, o objeto, no lugar do homem. No teatro é a mesma coisa. A cenografia neutraliza as possibilidades humanas; são cenários faraônicos, muita tecnologia, a decoração sufocando o homem; a luz, então, incide como sobre um 'mostruário de mercadorias'. Tudo é grifado. Mas Prêt-à-Porter é quase criptografado. Por mais que o ator ainda não tenha uma linha de conduta espiritual, que ainda esteja no início de sua formação, ele, no entanto, está pleno. Ele convida o espectador a sair desse tipo de percepção-mercadoria.

As platéias de hoje ficam impressionadas com o show, com o teatro de choque, e isso sabe o que é? É a globalização da excrescência. Iguala tudo a um nível rasteiro. E nem estou dizendo que é o caso de o teatro mudar o homem, mas simplesmente de o teatro novamente se voltar para o homem. É o humano que me interessa. O teatro de aparato mercadológico não.

Por isso ando muito desconfiado do palco italiano. Ele está me parecendo no momento autoritário e impositivo. Santo Deus, estamos vivendo uma época cheia de dúvidas, revisando os clássicos, criticando o Modernismo com seus malogrados ideais, o Iluminismo sendo checado, de olho nas mínimas diferenças - como pode alguém ter a coragem de subir num palco ou num palanque e ditar regras seja lá do que for? Prefiro estar no mesmo patamar e dialogar, discutir democraticamente, olho no olho - procurar algum consenso.

E quando acendem freneticamente os refletores? Que mercadoria, que automóvel, que megashow vão apresentar? Fica-se excitado, atento, fora de si com essa terrível blindagem de luz - nada propicia a uma relação problemática humana. Perco a minha simplicidade de sensações, a minha tranqüila e cordial percepção de animal humano. O Prêt-à-Porter tenta legitimar o estado de não alienação do homem.

Além do aspecto negativo do diretor autoritário, quero agora me referir aos seus comandados: os atores. Nem percebem que apenas servem para servir. Têm autonomia mínima no processo de conhecimento e nas determinações do fazer, mas têm o máximo de autonomia no "espalha-brasa": pular, gesticular, correr, gritar, grunhir, saltar e dançar até cair. É o sal da terra e nunca esquecer que Deus é brasileiro.

O ator primário é fácil de ser dirigido - basta esquentá-lo, com palavras ou exercícios. Nem precisam fazer escola de teatro - embora existam muitas escolas de teatro primárias. Não lhes dão acesso à cultura nem a uma correta e assistida "progressão continuada", não precisam de técnica nem de uma expressão exata de um bem localizado conteúdo. Basta solicitar as reações primárias: amor, ódio, vingança, alegria - e lá estão eles preparados ao máximo para o que der e vier! É lastimável. O público e alguma crítica adoram esse folclore: "São tão naturais", "Esse espetáculo é uma festa."

O ator é outra coisa, gente! O ator tem de ter muita cultura, vivência, técnica para poder se expressar corretamente - e, sobretudo, tem de usar muito o racional para poder organizar a trilha psíquica da personagem, os atalhos, as passagens, e fazer disso tudo um trampolim para se alcançar uma imaginação mais ampla e um senso crítico superior.

Eles têm de ser usinas, produtores e proprietários do que fazem, sem intermediários e sem assistencialismos. Não precisarão de cestas básicas. Plantarão e comerão andando com as próprias pernas.

O aprendizado é um processo gradativo. E eu sou apenas aquele que aponta caminhos. Não sei se as pessoas conseguem nos entender. Sinceramente? Se alguém disser que existe algum preconceito contra o CPT, não saberei dizer se é por ciúmes ou por não entendimento. Mas não vou desistir. Vou continuar me colocando contra todo esse aparato mercadológico que está aí!
O Estado de São Paulo 17/fevereiro/2003

Ecos da temporada relâmpago aqui no Rio

De acordo com o diretor, não se trata apenas de um espetáculo, mas de um evento. E olha que a ele coube apenas o papel de coordenador: todo o trabalho de dramaturgia, atuação e direção nesta versão, que fica em cartaz até domingo, foi levado a cabo pelos atores.

— Eu não poderia ter feito minhas últimas três tragédias ( “Fragmentos troianos”, “Medéia” e “Medéia 2” ) se eles não tivessem montado “Prêt-à-porter”. Foi esse espetáculo que levou os atores a um tipo de interpretação que me fez entender o caminho para se montar uma tragédia grega — diz Antunes. — É diferente de uma peça, pois a ação está centrada nos personagens, em como um muda o outro. Não há interferência externa.

“Prêt-à-porter 5” é dividida em três esquetes: “Uma fábula”, em que duas mulheres se encontram numa festa a fantasia e revivem, sem saber, um conto de fadas; “Mulher de olhos fechados”, que mostra como uma jovem escultora é surpreendida pela visita de uma estranha senhora; e “O poente do sol nascente”, em que uma garota de programa tenta desesperadamente se comunicar com um entediado cliente.

— São situações urbanas pois nascem das experiências dos atores — diz Antunes, para quem o sucesso do “evento” tem a ver com a temática escolhida, a solidão. — As pessoas gostam de ver porque se reencontram, porque percebem que o homem ainda existe.

O Globo 15/junho/2003 (Roberta Oliveira)

22.6.03

Festival de Performance, esse ano será em Nova Iorque

Algum festivaleiroi de plantão por aí? Quem se habilita ? Ainda estão abertas as inscrições (agora só para assistir) o Festival que esse ano vai acontecer em Nova York na New York University, e o tema é religiosidade. O cartaz (no post abaixo) é lindo.
Eu já participei desse festival, quando ele aconteceu aqui no Rio, em julho de 2000, foi o I Encontro e Congresso de Performance e Política das Américas na UNIRIO, organizado no Brasil pelo professor e diretor teatral Zéca Ligiéro. Durante duas semanas aconteceram performances de teatro, de dança, oficinas, palestras, vídeos, espetáculos teatrais e de dança, seminários com artistas e intelectuais de todas as partes do mundo, mas em sua grande maioria provenientes dos EUA e da América Latina.

A performance aqui não era vista como uma simples variação do teatro, mas como um híbrido entre arte, antropologia, politica e cultura. Com performances da Mãe Beata de Iemanjá (de São João de Merití), dos índios da tribo Kariri Xocó de Sergipe, da transformista Rogeria aos convidados internacionais, visavam oferecer novos caminhos para a reflexão e compreensão das relações entre essas expressões culturais e artísticas (reunidas sob o termo performance) e os movimentos politicos.

Esse evento, foi sem dúvida. o maior acontecimento artístico cultural do ano e passou quasi despercebido pela mídia e até mesmo pela classe artística.
Eu aproveitei o máximo que foi possível. Eu, pràticamente dormia e acordava na UNIRIO. Saia de madrugada de lá, e voltava de manhã cedo. A programação era ininterrupta até a noite, às vezes mal dava tempo para almoçar porque as palestras começavam as 12,45hs.

As oficinas e os vídeos começavam as nove horas da manhã, palestras e debates á tarde e a noite os espetáculos. Eu fiz até a oficina de dança indígena
com Mestre Tídio e seu filho Tkaynã da tribo Kariri Xocó, aprendí a dançar o toré - dança ritual indígena que acabou fazendo parte do encerramento do festival. Aprendí nessa oficina a fazer aqueles trançados de palha (da palha ouricuri, trazida diretamente de Alagoas pelo Mestre Tídio) e fiz uma saia de palha para dançarmos no final da oficina e também uma tiara para a cabeça. Essa tiara está enfeitando o espêlho do meu carro, até hoje.

Um mês depois, a minha saia de palha mofou e eu acoloquei na janela para secar ao sol, e quando me dei conta do fato ela tinha caido daqui do nono andar. Olhei lá para baixo e nem sinal. Perguntei a todos os funcionários funcionários do prédio -- do guardião da piscina aos porteiros, e ninguém soube dizer do paradeiro da minha linda saia de palha. Mistério total até hoje.

16.6.03

CONSEGUÍ ! Conseguí !
Cinco horas da tarde, e eu era a terceira pessoa da fila de desistência na bilheteria do Teatro do SESC-Copa, e assim conseguí alcançar a suprema graça de assistir ao vivo o trabalho dos atores do Antunes Filho em "Pret-à-Porter 5".
Simplesmente genial. Simplesmente inovador de tudo -- da interpretação e texto dos próprios atores ao despojamento cênico. Tudo com a chamada naturalidade natural, iludindo o espectador com a "fingida" naturalidade dos atores ... é isso e muito mais. Comentarei mais em outro dia.
Estou chegando agora e ainda sob o impacto do espetáculo.
À demain, mes enfants!

15.6.03

* Agora, estou saindo para Copa. Vou ao Teatro do SESC-Copacabana batalhar na porta algum ingresso para a sess?o das 17h30 ou das 20h00hs.
Vou aprontar todas, me aguardem, para descolar um ingresso para ver Pret-à-Porter o espet?culo do Antunes Filho -- um dos cinco maiores diretoresa do mundo.

14.6.03



A ousadia de expor a essência do dialógo
'Prêt-à-Porter 5' reflete sobre como romper a incomunicabilidade e chegar ao
outro


MARIANGELA ALVES DE LIMA
Especial para o Estado

Na quinta rodada de apresentações públicas dos exercícios para atores do
Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, a postura pedagógica do núcleo se
reafirma nos mesmos termos. Para poder interpretar é preciso que o ator
domine o mecanismo de construção da obra dramática com os seus problemas de estrutura, de organização verbal, de disposição temporal e espacial. Ao
mesmo tempo em que se instrumentalizam para integrar elencos de grandes
espetáculos, os atores exercitam internamente o mecanismo de construção de
peças. A dramaturgia criada pelos intérpretes é assim um primeiro passo para
o resgate do lugar central que o ator, de acordo com a filosofia do diretor
Antunes Filho, deve desempenhar na construção do espetáculo. O ator
virtuose, aquele que expressa com habilidade o desígnio alheio, seja o do
diretor ou o do dramaturgo, não poderia corresponder às exigências maiores
de uma obra de arte coletiva. Com esse objetivo em vista, os exercícios
apresentados são resultado do trabalho dos intérpretes para forjar
personagens e travar o primeiro embate que, em uma perspectiva clássica, dá
origem à criação dramatúrgica.

Tal como nas versões anteriores, o atrativo peculiar dessa comunicação
pública de um método de aprendizagem é a ascese da encenação que dispensa os recursos cenográficos, a iluminação matizada e os diversionismos que
permitem a fuga para outros tempos e espaços imaginários. As três histórias
são só isso: narrativas concentradas em um presente cênico, circunscritas
pelo embate de duas personagens à procura de um contato eficaz. Três peças
curtas, apresentadas em seqüência, se referem a uma única situação em que
uma das figuras em cena procura eludir a solidão através de uma tentativa
dialógica. O que interessa mais nessas cenas não é, portanto, o núcleo
temático, que se repropõe de um modo semelhante nas diferentes histórias,
mas a densidade dos confrontos e a pureza cênica com que se apresentam. Uma
vez mais os freqüentadores da série de exercícios apresentada pelo centro de
pesquisas silenciam sob o magnetismo da representação densa, feita em vozes
que não se exaltam, restritas a um espaço diminuto e, ainda assim, capazes
de criar no seu entorno uma concentrada expectativa.

É uma expectativa que não se apazigua no tempo da representação. Toda a
tensão projetada nas narrativas se encaminha para uma faísca de interação,
um breve momento em que se rompe o abismo da solidão sem que se possa saber das conseqüências desse contato momentâneo. O esforço repetido, o malogro do diálogo, as fugas intermediárias para o território defendido dos hábitos constituem a maior parte da matéria dramática e funcionam como elemento de propulsão das cenas. Em grande parte o inatingível, aquilo que não se consegue apesar da vontade e da ação, constitui a ferramenta expressiva que
substitui a peripécia da organização clássica do drama. Nas três narrativas
há um ritmo polarizado: alguém que fala muito enquanto outra figura, no seu
resistente mutismo, parece obstruir ou neutralizar o fluxo do entendimento.

Como todos os artistas que refletem sobre a sua vocação e o seu ofício, os
intérpretes do CPT exprimem, pela constância com que se referem ao assunto,
a preocupação com a eficácia dos recursos do teatro para romper a
incomunicabilidade e chegar ao outro. E o público é, no sentido figurado, a
alteridade radical. Há, assim, um componente metafórico que se desprende do
conjunto de cenas representadas desde o primeiro Prêt-à-Porter até este, 5.

Não basta ao intérprete equipar-se tecnicamente, mas é preciso deslindar
internamente, no âmbito da personalidade, o nó da essência dialógica. Em
resumo, na formação do intérprete não são suficientes a competência técnica
e intelectual para a expressão. O alvo, como em toda a relação interpessoal,
é a interação eficaz que produz mutações simultâneas no artista e no
público. É o caráter transitivo da arte do teatro que parece assombrar os
participantes desse grupo de pesquisa. Entreter ou mesmo esclarecer são, ao
que parece, objetivos desdenhados por esse propósito essencialista.

Por ter a ousadia de expor, com franqueza e de modo ascético esse âmago
angustiado que afeta toda a aspiração ao diálogo, as criações dos atores do
CPT provocam também a incômoda sensação de que nós, os espectadores,
sentados passivamente na outra ponta do circuito, não os alegramos com a
nossa presença expectante. Eles não nos lisonjeiam, e a formalização das
cenas não admite sedução. Alguma coisa deveríamos ter feito além de estar
ali. Cumpre, por dever de delicadeza, dar uma resposta a esses jovens tão
graves e exigentes consigo mesmos. Sentimos que a reação mecânica dos
aplausos não basta. Mas o que fazer? Somos os outros, a porta fechada contra
a qual se esfolam os nós dos dedos dos artistas.

Prêt-à-Porter 5. Apresentação de três espetáculos criados e desenvolvidos
pelos atores e coordenados por Antunes Filho.

UP-DATE: Na quinta, fui ao Teatro do SESC-Copa batalhar ingressos para Pret-a-porter espetáculo do Antunes Filho, que só fica no Rio esse findi, e já estava com lotação esgotada todos os dias. Não teve divulgação na classe, e soube por acaso nesse mesmo dia por uma matéria no jornal "O Globo".

7.6.03

Belô tem FESTIN em julho

Bruno Motta, esteve aqui visitando o blog e pediu a divulgação dêsse evento, do qual é um dos organizadores. Resistir quem há de, um site de divulgação do festival que tem um blog, também, além da simpatia e o charme do Bruno. E além disso, essas iniciativas têm todo o meu apoio. Então, vai lá:

As Inscrições para o 8º FESTIN Novos Horizontes estão abertas até o dia 7 DE JUNHO. Não deixe seu talento fora dessa. O FESTIN!, é um Festival de Teatro Intercolegial independente que surgiu em 1996, no Colégio Municipal Marconi. Tem o objetivo de formação de público-- único na cidade.
Não é realizado, oficialmente, por nenhum colégio ou reunião de colégios - sua “intercolegialidade”, por assim dizer, dá-se através da diversidade de colégios representados pelos grupos inscritos no festival.
Sua primeira edição foi realizado no Colégio Marconi e no Teatro do MAI, no ano seguinte, no Teatro da Assembléia, e a partir de 2000 tem seu encerramento no Teatro Alterosa. Neste encerramento contamos com a presença de artistas como Pedro Paulo Cava, Leila Ferreira, Tutti Maravilha, Carlos Nunes, Dudu, Luiz Artur, Wilson Oliveira, Saulo Laranjeira, Dadá Maravilha, Wilson Sideral...

10 espetáculos serão selecionados para se apresentar durante o FESTIN! Novos Horizontes, que acontecerá de de 17 a 27 de julho no Teatro da Assembléia. Em sua oitava edição o Festival contará com diversas palestras e oficinas, se encerrando na tradicional Festa de Premiação no Teatro Alterosa. Todos os inscritos, selecionados ou não, poderão participar das oficinas e assistir às palestras e espetáculos do Festival gratuitamente.

Os grupos inscritos têm até o dia 15 de junho para a apresentação de um projeto do espetáculo para a seleção. A melhor peça será premiada com um final de semana num dos teatros participantes. Monte seu grupo e inscreva-se!

Não se esqueça que este ano, após a inscrição, você terá uma semana para entregar o Projeto de seu espetáculo. Para fazê-lo siga as instruções do formulário que está aqui no site.

QUEM SE INSCREVE?

O FESTIN! tem o objetivo de formar público. Assim, os grupos inscritos têm desde alunos de 5ª série, com 12 anos, até alguns alunos de faculdades, na faixa dos 24 anos. Isso garante ao festival um aspecto diversificado, com propostas que vão desde a comédia de costumes de Martins Penna ou espetáculos de pura experimentação de linguagem, entre textos clássicos e originais dos próprios alunos.
FESTIN! Novos Horizontes - BH/MG - Contato: (31) 9114-3574 ou por email: contato@festin.com.br
www.festin.com.br

5.6.03

"Shakespeare, a Justiça e a Cidadania" -- curso com a Bárbara

Falou no mestre bardo e falou Bárbara, só pode ser ela: a BÁRBARA HELIODORA. É o óbvio ululante como diria o nosso Shakespeare: Nelson Rodrigues. Pois é, esse lance é imperdível. Sabe-se lá quando na vida teremos uma oportunidade como essa.

Durante quatro semanas, sempre às quintas feiras, dias 5, 12, 26 de junho, e dia 3 de julho, das 18h30 as 20h30, curso livre e gratuito com a professora de teatro, crítica teatral do jornal "O Globo" e a maior autoridade em Shakespeare do País. O curso é uma promoção do Departamento Cultural da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, sob a competente coordenação da atriz e psicologa Sílvia Monte que há dois anos vem desenvolvendo uma programação de atividades artísticas e culturais, visando estimular o diálogo entre o pensamento jurídico e as diversas áreas do conhecimento e da arte.

Foi lá no auditorio do EMERJ, no final do mês de março, que eu assistí "Novas diretrizes em tempos de paz", dentro da programação cultural dessa instituição, conforme eu já comentei aqui no blog.

Shakespeare, a Justiça e a Cidadania
O tema será desenvolvido em quatro encontros de duas horas com a seguinte programação:

5/6 – Introdução: a presença da idéia da justiça na obra de Shakespeare.
12/6 – Justiça e Misericórdia: a letra e o espírito da lei.
26/6 – A aplicação da lei e a participação do cidadão.
3/7 – A transgressão da lei natural na tragédia.
INSCRIÇÕES GRATUITAS

Bárbara Heliodora

Crítica teatral, doutorada em Artes pela Universidade de São Paulo, é professora titular aposentada da Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO. Desde 1980 é orientadora de alunos candidatos a Mestrado e a Doutorado da Universidade de São Paulo. É professora emérita da Universidade do Rio de Janeiro.
Especialista em Shakespeare, conceituada internacionalmente, desenvolve atividades diversificadas: docência, crítica teatral, ensaios, conferências em congressos internacionais e tradução da obra do dramaturgo.

Obras publicadas: A Expressão dramática do homem político em Shakespeare (1978) e Falando de Shakespeare (1997).
Tradução de mais de vinte peças do dramaturgo.

Inscrições e informações pelo tels. 2588-3368 e 2588-3366
EMERJ - Departamento Cultural
Av Erasmo Braga 115, 4o. andar - Centro - Rio de Janeiro

emerjcultural@tj.rj.gov.br