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28.10.03

O Festival de Outono em Paris começou no dia 23 de setembro e vai até o dia 22 de dezembro deste ano. Obrigatório para quem vai à Europa nesse período. O melhor do mundo no teatro, na dança, na música, os melhores videos de dança e teatro e importantes exposições de artes, são apresentadas nesse evento que é o mais importante festival de artes da Europa. Esta é a 32a. edição do Festival d'Automne à Paris que acontece anualmente durante os três mêses do outono europeu, e que é um dos eventos multi-culturais mais importantes do planeta, foi criado em 1972 com o soutien de Georges Pompidou, o então presidente da França.

Em 1994 eu estava morando em Paris, e tive o privilégio inenarrável de assistir durante três mêses quasi todos os espetáculos de teatro e de dança, além de uma programação antologica de videos de dança no Centre Pompidou durante todo o festival. Essa vivência marcou profunda e definitivamente as minhas preferências estéticas e os meus valores artísticos.

Entre os espetáculos de teatro que mais me impressionaram estão o do Bob Wilson, peça de Dostoievski Une femme douce; um espetáculo maravilhoso do diretor alemão Peter Stein só com atores russos a tragedia de Esquilo Orestia; o espetáculo do diretor americano Peter Selars O mercador de Veneza de Shakespeare, e o do enfant terrible italiano, o famoso diretor Giorgio Barbieri Corsetti Descrição de uma Batalha três textos de Kafka adaptados por ele para o teatro. E em dança um espetáculo da bailarina contemporânea americana Trisha Brown que eu só conhecia de vídeo. A bailarina e coreografa carioca Lia Rodrigues também estava lá assistindo nesse dia.

Estudante pobre em Paris eu batalhava quasi diariamente pela compra de ingressos mais baratos. Os kiosques nas estações do metrô abriam às 11 hs da manhã, e para conseguir os ingressos por menos da metade do preço normal, eu chegava as oito horas, e algumas vezes não conseguia. Eram disponibilizados sòmente 30 desses ingressos por sessão, e teve uma vez que eu já estava na fila há mais de três horas, e os ingressos acabaram justo na minha vez. Eu nem me abalava, e voltava lépida e fagueira no dia seguinte. E nessa ambience dos teatros, eu me enturmei com uns estudantes da Sorbone, e acabei amiga de um casal -- uma japonesa estudante de artes plasticas e um francês estudante de arquitetura -- e eles que conseguiam os ingressos bem mais baratos, e passaram a comprar pra mim lá na Universidade. E vou parando por aqui porque bateu agora a maior saudade dessa época da minha vida. Voilà.

25.10.03

Isto é a Super Maria
Aqui na íntegra, o "release-convite" para as comemorações do aniversário da atriz Maria Pompeu.

Pompeu COMEMORANDO
Pois é, ainda não é desta vez que estarei “reabrindo os salões”, mas vou oferecer várias oportunidades de você vir comemorar comigo mais um aniversário - de vida ( 27.10.) - e de profissão (12.11).
A grande comemoração será no dia 12 de novembro, às 19 horas, no “Memórias do Rio”, nova casa da Lapa que fica na Avenida Gomes Freire 289. Vamos fazer uma edição de “Cabaré, Café, Sarau e etc. e tal” em homenagem a Ary Barroso, com a participação de vários dos cantores e músicos que trabalharam comigo no Café do Teatro Gláucio Gill. O couvert de R$ 10,00 será distribuído por todos os artistas e não há consumação mínima.

Mas antes, há mais, MUITO MAIS:
No dia 28 de outubro , terça-feira, às 18 horas, estarei lendo contos de escritores italianos contemporâneos, com Rogério Froes e Amaury de Lima, com direção de Maria Helena Kühner. Será no Instituto Italiano de Cultura, na Av. Pres. Antonio Carlos 40 / 4o. Andar. A entrada é franca, mas leve sua carteira de identidade, porque será pedida na entrada. De lá, pretendo ir até o Rio Scenarium, Lavradio 20, para ouvir ( e dançar?) Paulo Moura. Lá começa às 21 horas, o couvert é de R$ 15,00 e o cardápio do Rodolfo Bottino não exige consumação mínima.

No dia 31 de outubro, sexta-feira, às 15 horas, no Teatro Raimundo Magalhães Júnior da Academia Brasileira de Letras, estarei recebendo o Diploma de Personalidade Cultural ( com outros premiados). Todos os amigos serão benvindos para manifestações de apoio ( vaias, não).

Pensaram que acabou? Para aqueles que perderam o “Cabaré” no Café do Gláucio ou que querem repetir a dose, mas estarão ocupados no dia 12 de novembro, teremos com Celina Lago e Ricardo Guimarães, dentro do “Paixão de Ler” da Prefeitura, a versão Ary Barroso do Cabaré, nos seguintes horários e locais:
Dia 10 de novembro, 2a. feira, às 15 horas – Biblioteca de Botafogo
( em frente à Universidade Santa Úrsula)
Dia 11 de novembro, 3a. feira, às 18,30 horas – Centro Cultural IBEU
(Eu estava com saudades da Av. Copacabana 690, 11o. andar)
Se você quiser comparecer a TODAS, eu vou adorar!
Beijos Pompeu

24.10.03

Maria Pompeu


Maria Pompeu e Teuda Bara -- duas atrizes da pesada!

Esse post é uma homenagem a duas atrizes brasileiras no auge da sua arte, e em plena forma física. Maria Pompeu comemora o seu aniversário de nascimento, dia 27 deste, e de carreira, dia 12 do próximo mês, trabalhando em vários espetáculos, e recebendo da ABL o título de Personalidade Cultural, e a atriz mineira Teuda Bara, do grupo Galpão, acaba de ser contratada pelo Cirque du Soleil, e embarca em novembro "viajo com o coração apertadinho" para o Canadá.
Elas estão aí, gloriosas, para atestar do alto de seus sessenta e tantos anos que a maturidade é um bem maior.


Teuda Bara em "Rua da Amargura", espetáculo do grupo Galpão.
Bom de Boneco: MANOEL KOBACHUK
Dentro da programação do IV Festival Bom de Boneco este blog tem o prazer de recomendar o Teatro de Bonecos Dr. Botica, de Curitiba, com o espetáculo de marionetes intituladoMúsica Maestro, dirigido pelo premiadíssimo (inclusive o Prêmio MINC-Troféu Mambembe) bonequeiro Manoel Kobachuk, no próximo domingo, dia 26, no Teatro Carlos Werneck.

Música Maestro é um musical apresentado com marionetes altamente requintadas, criadas e manipuladas por alguém que conhece o seu métier. O publico terá a oportunidade de apreciar diferentes manifestações musicais
-- da musica regional brasileira aos classicos de jazz e rock, além de dança, vocais e jazz, estão presentes nesse espetáculo para a alegria e o encanto das crianças e adultos.
Acompanho a carreira do Kobachuk, desde quando ele ainda morava aqui no Rio. Depois mudou-se para Curitiba e continuou lá o seu trabalho com teatro de bonecos, conseguindo realizar a incrível façanha de sobreviver da sua arte.
Manoel Kobachuk dirige o espetáculo e manipula juntamente com os marionetistas Bernardo Sicuro e Jorge Miyashiro.

TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11 hs.,
SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.

22.10.03

Sob o signo de Ventura
Blogueiro, jornalista, e dos bons, o Mauro Ventura assina aqui em O Globo, uma bela e marcante entrevista com o Rogério Sganzerla.

21.10.03

Aqui no blog da jornalista Auricelia, o Cinemania, detalhes da ficha técnica do Signo do Caos que nem eu sabia. Vale dar uma passada lá, porque a danadinha da Auri entende mesmo do métier e dá umas dicas ótimas de cinema em "Filmes pra lá de bons" e "Filmes inesquecíveis".

Signo do Caos estreiou ontem em São Paulo

Rogerio Sganzerla, em entrevista à Folha de São Paulo: Nós não temos um cinema à altura de nosso século -- e regional --Aqui em São Paulo, perdeu-se a sintaxe do cinema e perdeu-se também até a dignidade do cinema .

18.10.03

Ói nóis aqui no BACANTE. Aproveita a visita para ler um ótimo texto sobre Bertolt Brecht (clica lá em cima à esquerda, em Bastidores) da autoria do dono do blog -- o Fabio Rodrigues, um expert nesse autor alemão que revolucionou o teatro moderno.

Ricardo Pucetti do Lume

LUME no México
O grupo Lume, da UNICAMP, embarcou ontem para o México, onde representará o Brasil no Festival Internacional de Teatro de Zacatecas, com os espetáculos "Parada de Rua" e "La Scarpetta" e um curso de "Voz e Ação Vocal".
LUME no Crato (CE)
De 15 a 22 de novembro o Lume estará participando do Festival do
Crato, no Ceará.
Workshops de fevereiro na sede do LUME
Estão abertas as inscrições para os 7 workshops que serão ministrados pelos atores do Lume em fevereiro de 2004, na Unicamp. Os formulários de inscrição serão aceitos até o dia 02 de novembro de 2003!!!
Se você tem interesse em participar, não deixe para a última hora.
Todas as informações necessárias sobre a inscrição nos workshops
podem ser encontradas em www.unicamp.br/lume clicando em AGENDA.

17.10.03



Bons de Boneco para a alegria das crianças de todas as idades
Bonecos gigantes, mini bonecos, marionete, bonequeiros de várias procedencias e tendências, nacionais e internacionais, estarão reunidos no Rio, a partir do próximo domingo, dia 19, até o dia 16 de novembro para um dos maiores eventos de teatro de bonecos já realizados na city. Tudo isso para a realização da IV Festival BOM DE BONECO e a II Mostra Internacional de Teatro de Animação que trará ao Rio grupos vindos da Argentina, Chile e Uruguai.

O Festival tem a participação de 23 espetáculos espalhados em vários locais de Santa Teresa e em outros teatros da cidade. O Festival não ficará restrito aos espetáculos, incluirá cursos, oficinas e workshops gratuitos com artistas bonequeiros nacionais e internacionais, além de palestras e exposições. Confira toda a programação, aqui nesse sítio.

A abertura do evento acontece no domingo às 18hs. no Largo das Neves com uma festa aberta ao público com exibições circenses e a performance de vários artistas bonequeiros, entre eles os famosos atores bonequeiros Gabriel Bezerra e Emmanuel Santos.

Boa de Boneco
"A mostra é um momento de encontro de pessoas que desenvolvem o mesmo trabalho, em que os bonequeiros trocam experiências. A idéia desse projeto surgiu da necessidade dos bonequeiros do Rio se encontrarem", diz Susanita Freire, a produtora e idealizadora do evento.
Sou testemunha do empenho, da dedicação e das lutas dessa artista bonequeira, uma ferrenha batalhadora pela arte bonequeira no Brasil. Já nos cruzamos em muitas batalhas pela arte e cultura nesse País. Susanita foi presidente da Associação Rio de Teatro de Bonecos -- ARTB, quando foi uma das principais articuladoras da movimentação da classe pela reabertura do espaço permanente para teatro de bonecos, o Teatro Carlos Werneck no Aterro do Flamengo, que esteve fechado vários anos. E quem lê esse blog vê anunciado sempre aqui os espetáculos de bonecos que se apresentam lá. Aquele espaço é uma conquista de toda uma classe de artistas.
Compañera Susanita, meus efusivos parabéns e muita merda para o IV Festival Bom de Boneco e a II MOstra Internacional de Teatro de Animação.

15.10.03

Professora Maria da Vitória, uma aula de amor ao próximo

A vida seria mais fácil de ser vivida e o mundo seria melhor, se houvessem mais pessoas como essa professora aposentada entrevistada aqui pelo Edney Silvestre. Com um trabalho voluntário, sem ajuda oficial, a professora Maria da Vitória não se deixa vencer. Ela enfrenta a pobreza, a violência e a falta de escolas para alfabetizar jovens e adultos numa comunidade carente de professores e de escolas.
Triste Dia do Professor

As comemorações do Dia do Professor não tiveram motivos para manifestações alegres e festivas. Em quasi todo o País, a data foi lembrada com atos de protestos contra os baixos salários, greves, mobilizações por uma escola pública de qualidade, etc.
E nós, os professores da FUNLAR, aqui no Rio, não tivemos a menor chance de qualquer tipo de comemoração, pois tivemos que abandonar às pressas a instituição (e bota pressa nisso), logo depois do almoço. Pelo telefone, o chefe do tráfico, gentilmente, avisou à direção que estava prestes a acontecer outro confronto entre policiais e a rapaziada lá do Morro dos Macacos, acusados de matar dois policiais na madrugada desta terça.

13.10.03

A tradição da corda no Círio de Nazaré

Os fotógrafos gaúchos Fabio Del Re e Lucas Moura estiveram no ano passado na Festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará. Não se preocuparam em registrar o evento em si, e quiseram antes perceber o que acontecia pela cidade, como ela se transformava, como reagiam seus moradores e turistas. Esse trabalho resultou em uma exposição com 50 fotos em preto-e-branco, expostas durante todo o mês passado na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

A festa do Círio de Nazaré se realiza há mais de duzentos anos. Está vinculada a uma lenda, de raízes lusas, sobre uma imagem da Virgem que, à noite, misteriosamente, se transportava sozinha de um ponto a outro. A romaria ocorria à noite - daí o círio ("vela", do latim cereus). Na metade do século 19, depois de uma chuva que apagou as velas e deixou todo mundo no escuro, a marcha foi transferida para o dia.

A tradição da corda surgiu na festa em que atolou a carroça que conduzia a imagem da santa. O carro teve que ser puxado por uma corda de embarcação. Desde então, a corda se integrou à festa.

Para conseguir um lugar na corda, os primeiros romeiros chegam à Catedral da Sé por volta das três da madrugada. A procissão, que só se inicia pela manhã, consiste em caminhar - em um empurra-empurra, de pés descalços - em fila indiana, sem soltar a mão da corda, homens e mulheres suados, ao longo de horas, roçando os corpos uns nos outros. No final da marcha, a corda é destruída e cada pessoa leva consigo um fiapo.

- A igreja não gosta - conta Del Re. - Já tentaram proibir, mas o povo insiste.
Lucas e Del Re não pegaram na corda, mas tiveram direito a fios que sobraram.

- As pessoas são muito generosas, diz Del Re, durante a festa, as portas ficam sempre abertas e as pessoas te convidam para almoçar.

- É uma festa onde a gente se envaidece de ser brasileiro - entusiasma-se Lucas.

Este post é uma homenagem à professora paraense Maria Elisa Guimarães.

12.10.03



Hoje tem criançada ? T e m ... e marmelada também

O grande mestre PICASSO sabia das coisas. Não foi atoa que ele pintou uma
criança segurando delicadamente o símbolo da paz. É de sua autoria, aquela famosa frase proferida quando ele já tinha completado quasi noventa anos de vida e sabedoria: Como custa ser criança!.

E o melhor do mundo são as crianças, falou outro grande da poesia e da literatura, o FERNANDO PESSOA.

11.10.03



Pirandellianamente falando, "Assim é, se lhe parece..."
é a tradição da corda no Círio de Nazaré -- a grande festa
religiosa comemorada hoje, em Belém.
Essa foto do Fábio Del Re, foi tirada no ano passado,
e fez parte de uma exposição do fotógrafo
gaúcho na galeria da Usina do Gasometro, em Porto Alegre.


Ronaldo Correia Júnior um exemplo
raro de luta, tenacidade e coragem.
Como tratar com naturalidade e respeito o seu semelhante em cadeira de rodas

Hoje, 11 de outubro é o Dia do Deficiente Físico, e como não poderia deixar de ser, esse blog não poderia deixar passar a data em brancas nuvens. Quem lê o meu blog sabe o porquê. Sobre o assunto falei aqui no mês passado, num post intitulado "Coisas do Destino". Trabalho com portadores de lesão medular e outras dificuldades especiais na Fundação Lar Francisco de Paula - FUNLAR, e vejo o meu trabalho como instrumento de evolução, dando outros parâmetros para me situar no mundo, com outro olhar para a vida e para a arte.

Aproveito para dar algumas dicas de como abordar e agir com uma pessoa deficiente, seja no trabalho, estudo, lazer ou relações pessoais.
O deficiente físico com uma lesão medular, é uma pessoa normal como qualquer outra, com a mesma personalidade, forma de pensar, agir e desejos, como antes da lesão.

* Trate naturalmente, converse com naturalidade, fale a respeito de todos os assuntos, mesmo aqueles em que o deficiente não pode atuar fisicamente, como algumas modadlidades esportivas, danças, etc...

* Olhe nos olhos;

* Nunca converse ao lado da pessoa ou atrás, pelas costas, fora da linha de visão;

* Não tente ajudar o deficiente sem que ele peça ajuda - "não avance o sinal" - isso pode significar pena ou super proteção;

* Nunca empurre sua cadeira de rodas, sem que ele peça;

* Nunca pegue ou mexa em sua cadeira de rodas sem o seu consentimento, a não ser que você tenha uma grande proximidade pessoal ou uma relação estreita;

* Nunca pegue no braço de alguém usando bengalas, muletas ou andadores, pois isso poderá derrubá-lo;

* Quando o deficiente estiver acompanhado por uma ou mais pessoas e você pretender perguntar algo a ele, dirija a palavra diretamente a ele, nunca pergunte sobre ele para pessoas que o estão acompanhando;

* Caso tenha curiosidade sobre o defeito físico, pergunte com naturalidade, sem ficar se lamentando sobre o que gerou o defeito físico ou o que isso traz de dificuldades no dia a dia.

10.10.03

Dan Stulbach já interpretou Peer Gynt no teatro

Assistí Novas Diretrizes em Tempos de Paz, em março desse ano, numa apresentação especial no Auditorio da EMERJ -- Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Após o espetáculo, houve um debate com o autor Bosco Brasil, com o Dan, o Tony Ramos e a diretora Ariela Goldmann. Fiz umas anotações rápidas com lápis de sobrancelha (anta que sou, justamente nesse dia eu esquecí a caneta) e ficou uns borrões quasi indecifráveis. Copiei o que era inteligível e guardei aqui com o Arakem (my computer), mas quando procurei para fazer um post especial sobre esse debate aqui no blog, o arquivo das anotações tinha sumido. Sobre o espetáculo Novas Diretrizes em Tempos de Paz eu comentei aqui no outro blog, o a®timanhas.

O Arakem vive aprontando dessas gracinhas comigo, some misteriosamente com os arquivos mais preciosos, e faz aparecer tempos depois através de outras manhas e artes que não têm nada a ver com as propaladas conquistas da tecnologia. Está mais para as artes da feitiçaria ou sei mais lá o quê.
E ontem, quando eu estava procurando uns textos antigos, apareceu saltitante na telinha o arquivo que continha as preciosas anotações do debate em questão. E sobre o Dan Stulbach, anotei lá o que o próprio -- ao vivo -- falou sobre a sua carreira:

DAN STULBACH - Foi acompanhar uma amiga num teste para a montagem de Peer Gynt, de Henrik Ibsen, e foi convidado pelo diretor Roberto Lage para fazer um teste, e acabou ficando com o papel de protagonista do espetáculo. Foi no papel de "Peer Gynt" a sua estréia no teatro profissional, em 1991. E de lá para cá, não parou mais de trabalhar no teatro. É um dos produtores de "Diretrizes". Gosta de trabalhar em grupo porque é um trabalho mais consequente. Nunca cursou nenhuma escola de teatro, mas estuda muito. É um predestinado. Essa última frase estava lá no final das minhas anotações, impressionada com a trajetoria do ator.

Ganhou o Premio Shell e APCA de Melhor Ator em São Paulo, no ano passado, pela sua interpretação em Novas Diretrizes em Tempos de Paz, e atualmente excursiona pelo País com o espetáculo. O ator ainda encontra tempo para trabalhar em novela, na ótima performance do Marcos, o marido ciumento da novela "Mulheres Apaixonadas".


Dan Stulbach em "Novas Diretrizes em Tempos de Paz".
A mão que segura o livro é do Tony Ramos.

8.10.03

Algumas montagens e intérpretes de Peer Gynt

Peer Gynt, de Henrik Ibsen, é a saga do anti-herói nórdico, que dos 17 aos 76 anos vive fantásticas aventuras em vários continentes, saindo pelo mundo em busca de si mesmo. Embora escrita na metade do seculo 19, a peça é atualíssima, com uma contemporaneidade e transcendência admiráveis. O musicista Edvard Grieg, contemporâneo e amigo de Ibsen compôs as músicas de Peer Gynt.

Em 1971, em São Paulo, foi apresentada no Teatro Itália, numa montagem e produção do genial diretor ANTUNES FILHO, com STENIO GARCIA no papel de Peer Gynt. E olhem que elencaço:
Ariclê Perez, Ivete Bonfá, Analy Alvarez, Jonas Bloch, Carlos di Simoni, Ricardo Blat, Clemente Viscaíno, Isa Kopelman, Clarice Piovesan, Ciro Correa e Castro, Ewerton de Castro, Isadora de Faria, Paulo Hesse, Lucia Capuani, Roberto Frota, Norberto Fayon.
Figurinos da artista plastica Maria Bonomi, cenarios de Laonte Klawa e músicas do Maestro Diogo Pacheco. O Antunes bancou essa produção, o SESC ainda não tinha entrado nesse circuito.
Tenho inveja de quem viu esse espetáculo.

E aqui no Rio, no Teatro Glória, há uns sete ou oito anos atrás -- nunca conseguí entender porque os programas das peças não têm data -- Peer Gynt teve a tradução e adaptação da Clara Góes, e foi produzida pelo seu irmão MOACYR GÓES, tendo o JOSÉ MAYER como protagonista.
E mais os atores Antonella Batista, Floriano Peixoto, Gaspar Filho, Ivone Hoffman, Leon Góes, Letícia Spiller, Patrícia França, Paula Lavigne, e em participação especial o Italo Rossi.
Eu vi essa montagem e não gostei da concepção do espetáculo, apesar da produção caprichosa com música do Maestro Wagner Tiso, cenários e figurinos dos premiadíssimos José Dias e Samuel Abrantes. Eram oito ou dez atores fazendo vários personagens. E eu só lembro do trabalho do outro irmão, o Leon -- ótimo -- e da Ivone Hofman, na Aase, a mãe do Peer Gynt.

Nos anos quarenta, uma interpretação de Peer Gynt, comentadíssima pelos experts foi a do famoso ator inglês, RALPH RICHARDSON, em 1944 no Old Vic, em Londres. No mesmo ano e no mesmo teatro em que Laurence Olivier também brilhou na sua inesquecível interpretação de "Hamlet".

Em 1994, cincoenta anos depois, na França, em Charleville-Mézières, teve uma apresentação por um grupo irlandês, de Peer Gynt em teatro de bonecos, no 10e. Festival Mondial des Théâtres de Marionettes. Eu estava lá e não vi. Pois é, ora vejam só, eram dezenas de espetáculos por dia, a função começava as nove da manhã e ia até a meia noite.

POST SCRIPTUM: Por favor se alguém viu alguma outra montagem de Peer Gynt aqui ou no estrangeiro, comente aqui no "Comente", no livro de visitas ou pelo meu e-mail.

7.10.03



Henrik Ibsen -- textos e montagens no Brasil
Dramaturgo norueguês (1828-1906). Um dos maiores representantes do realismo no teatro, tendo exercido à sua época, uma grande influencia no teatro europeu. Natural de Skien, uma pequena cidade marítima do sul da Noruega. Filho de abastado comerciante, que faliu quando Ibsen tinha apenas sete anos. Em virtude disso, Ibsen foi á luta desde muito jovem, conseguindo trabalho como aprendiz de farmacêutico, e estudou sozinho para entrar na Universidade.

Em 1850, de namôro com a literartura escreve poesia e, lança sua primeira peça, Catilina, inspirada nas revoluções européias de 1848, e nos escritos do romano Cícero. Segundo alguns biografos, por essa época, ele dirige o Teatro de Bergen, segunda cidade mais importante do país. E em 1857, assume a direção do Teatro Norueguês de Oslo.

Escreve três outras peças conhecidas como a trilogia lírico-filosofica, recuperando os ideais românticos e o estilo de vida escandinavo. A Comédia do Amor em 1862, Brand em 1866 e Peer Gynt em 1867.
Seguem-se depois em 1869 União dos jovens, Imperador e Galileu e As colunas da Sociedade.

Em 1879, escreve Casa de Bonecas, a sua peça mais conhecida e a mais encenada no mundo, tendo como uma das suas primeiras intérpretes a grande atriz italiana Eleonora Duse. Aqui no Brasil foi montada várias vezes -- de Tonia Carrero a Ana Paula Ariosio. A peça aborda a emancipação feminina e a personagem principal, a Nora, é considerada a precursora do movimento feminista. Se a minha memória funciona, a peça teve também adaptações para o cinema e a ópera. E se não foi adaptada para ópera, o que eu não tenho certeza, Grieg contemporâneo de Ibsen e seu amigo, deve ter pelo menos pensando no assunto.

Depois seguem-se outros textos dramáticos Os Espectros, O inimigo do povo, O pato Selvagem (este último drama, o Paulo Autran montou aqui há uns dez ou quinze anos atrás) Romosmersholm e A Dama do Mar.

A Dama do Mar foi montada aqui no Rio, há uns cinco anos, pela louvável ousadia da Cristiana Guinle que bancou a produção e fez o personagem principal. Na direção, o diretor paulista Ulysses Cruz que protagonizou uma inusitada performance, quando barrou a crítica Bárbara Heliodora na estréia dessa peça. A montagem ganhou uma ambientação especial no pier da praia do Flamengo. Essa eu marquei. Não vi, mas gostaria de ter assistido.

Em 1890, Hedda Gabler , intepretada por grandes atrizes a começar pela Eleonora Duse no teatro e Ingrid Bergman no cinema. E aqui que eu lembre a Dina Sfat no teatro. Eu não tenho certeza se foi uma leitura da peça ou montagem. Ah, e o Grieg compôs música para essa peça.

Em 1892, Solness, o construtor. A primeira peça dele que eu li para um trabalho na escola de teatro. E não consigo lembrar quem montou aqui no Rio, nos anos oitenta. Desconfio que foi o Eduardo Tolentino, do grupo TAPA.

E, é de l899, sua ultima peça Quando nós os mortos acordamos que eu tive o privilégio de assistir numa montagem antologica do Antonio Guedes (é ele mesmo, o Tuninho Guedes, diretor da atual montagem de Peer Gynt) com uma ambientação cênica e uma iluminação belíssimas, no Teatro Sergio Porto, há não sei quantos anos atrás. Acho que uns dez ou mais. Ah, e lembro do pai do Pedro -- o Dudu Sandroni, ótimo como ator.

POST SCRIPTUM: Se alguém viu alguma uma dessas peças do Ibsen aqui ou no exterior, por favor colabore com esta escriba, postando aqui no "comente" ou por e-mail ou no livro visitas.

5.10.03

Já rolou o primeiro bilhete de fã do espetáculo

Hoje, depois do término do espetáculo, uma moça desconhecida entregou ao Antonio Guedes, o nosso diretor, um bilhetinho escrito atrás do ingresso. Aqui na íntegra, o seu conteúdo:

O que seria da vida, se não houvesse em nós, um pouquinho de "PEER GYNT"?
Vocês deram um show! Parabéns !!!
Eu, como aluna de teatro (Marília Martins e Isabel Cavalcanti, do SESC), fico encantada por ver tantos novos talentos.
Valeu a pena ter vindo ao SESC, numa noite de domingo. Valeu mesmo!!!
Um beijão,
IRACEMA
Rio, 05/10
"Primaverão de 2003"

EM TEMPO: IBSEN aprovou, com certeza.


Peer Gynt de Ibsen -- estudo para montagem, já está em cartaz .

Estreiamos ontem. Uma emoção inenarrável, quando o público levantou no final e aplaudiu legal. Pela primeira vez nessa minha vida de atriz -- bissexta --uma estréia normal e um ensaio geral sem estresse.
No ensaio geral, quando costumam acontecer todas as maluquices, ninguém teve os pitís costumeiros, e até desculpáveis da ocasião, e eu estava estranhamente bem comportada. Não briguei e nem impliquei com ninguém, e nem tive dor de barriga.
Ontem á tarde, quando demos uma repassada na iluminação do espetáculo, eu já saí de casa um tanto estranha. Voltei do elevador para ir ao banheiro, pela décima quinta vez no dia. Cheguei ao SESC, ví que não era a única, um colega tomava remédio para os intestinos, outra estirada no palco com dor de cabeça, outro com dor de estomago, e outros disfarçando o nervossimo -- eu inclusive, atacavam o lanche com bolo de baunilha e chocolate, sucos e cafézinho -- uma cortesia especial do SESC.
E o Antonio Guedes, o nosso inacreditável diretor estava rouco. O inacreditável é por conta do seu alto grau de equilíbrio, sabedoria, elegância e bom humor. Durante esses sete mêses de trabalho até o dia da estréia, nunca -- eu disse nunca - eu vi o Tuninho (para os íntimos), siquer alterar o som da sua voz.

3.10.03


Com as bençãos da Santa Elenora Duse, uma das maiores interpretes de Ibsen, hoje é o ensaio geral de Estudo para montagem - Peer Gynt de Ibsen, no Palco de Experimentação do Teatro do SESC da Tijuca.


A historia da humanidade recriada com máscaras

"A mais Bela História de Adeodata" é o espetáculo solo da atriz e bailarina Rosane de Almeida que está em cartaz em São Paulo no Teatro Brincante, na Vila Madalena. Rosane que é casada com o músico, bailarino e ator Antonio Nóbrega, conta através de máscaras e sob o ponto de vista feminino a evolução da humanidade. Torço para que o espetáculo seja mostrado aqui no Rio. O público carioca merece esse presente.

2.10.03



Hoje tem marmelada?
O Teatro Carlos Werneck no Atêrro do Flamengo iniciou na semana passada uma série de apresentações, homenagenando o circo. Passou por lá a Carroça de Mamulengos da família Gomide, um espetáculo absolutamente imperdível. Se eles estiverem ainda no Rio vale conferir.
No próximo domingo, 5 de outubro tem o grupo Metamorfaces outra companhia familiar e itinerante um casal e seus dois filhos traz o espetáculo CLOWN SHOW onde utiliza as técnicas de marionetes e mímica. A peça conta a história de Clown, personagem que através da mímica conta para as crianças o começo da sua vida nos picadeiros do circo. De sua mala Clown vai tirando diferentes objetos que lembram passagens de sua infância junto a seu pai, e de como foi aprendendo o seu ofício de palhaço. O espetáculo é estruturado em vários quadros cômicos.
E no domingo próximo vindouro, 12 de outubro é a vez do Circo Navegador uma companhia paulista de repertorio com dois espetáculos:
11hs. HOJE TEM MARMELADA
12hs. LAVOU TÁ NOVO
Com premiações de melhor espetáculo e melhor ator coadjuvante," Hoje Tem Marmelada" propõe um misto de resgate e homenagem aos palhaços do circo tradicional. A dupla de palhaços Dum-Dum e Surubin (Fernando Mastrocolla que assina também o roteiro e a direção, e Luciano Draetta) brindam o público com números tradicionais de circo -- acrobacia, malabares, mágicas e perna-de-pau. "Lavou Tá Novo", com direção musical de Celso Nascimento, é o resultado de uma pesquisa com a musicalidade espontânea nas situações cotidianas com elementos como vassouras, marmitas, baldes, e ainda, o sapateado e a percussão corporal. Os personagens são dois varredores de rua que ao criarem dificuldades na realização de suas tarefas diárias propõem a reflexão da automatização e mecanização das relações humanas.
TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
Lotação: 300 LUGARES
PROGRAMAÇÃO GRATUITA
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11H, SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.

UPDATE: O professor, diretor, ator e autor teatral, Carlos Cartaxo, leitor desse blog, e uma autoridade em cultura popular, mandou hoje ao forum de teatro, o email que eu transcrevo na íntegra:

Eu moro em João Pessoa, mas gostaria de estar no Rio de Janeiro, nesse
domingo 5, para assistir ao trabalho de bonecos que será apresentado pelo
grupo da Valéria. Parabéns pessoal! Mais um grupo que explora uma linguagem
tão rica.
Porém, me pergunto porque insistem em denominar Clown? Será se nosso idioma Latino perdeu forças, ou nos fazemos colonizados? Pallhaço, além de soar bem faz parte da raiz latina do nosso idioma.
Alguns me respondem: Se toque cara é a internacionalização, você precisa se tornar globalizado. Eu continúo com a dúvida: globalizado ou colonizado?
Como trabalho o popular, como essência de identidade cultural, fico
entristecido quando transformam nossos palhaços em ......bom quando eu
estiver em um pais de lingua inglesa pronunciarei...aqui continuo com os
lindos e charmosos PALHAÇOS.


1.10.03



Mostra Rio/SP de Teatro de Rua em Paraty

Sexta, sabado e domingo vai acontecer na paradisíaca Paraty a II Mostra Rio São Paulo de Teatro de Rua tomando conta das praças e do Centro Histórico de Paraty. Vale a pena ir passar o findi lá aproveitando essa deixa para assistir os melhores grupos de teatro de rua (veja programação aqui) e de brinde ainda vai ter o privilégio de assistir o poalhaço Cuti-Cuti em "O Pregoeiro" e Roberto Berindelli com a peça de Dario Fo "Il primo Miraccolo", e mais oficina de clown com o Márcio Libar do Teatro de Anonimo e o ator, diretor e professor teatral Fabio Rodrigues que vai dar aulas de Brecht.
No comando da festança o curador da Mostra, o ator e diretor teatral Ailton Amaral.


Grupo Fuzarca da Lyra - RJ