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30.11.03


Márcio Libar na pele de "O Pregoeiro" na Lapa

Respeitável Pregoeiro
O Márcio Libar, arrebentando na primeira página do Caderno B, numa entrevista com o ótimo reporter Lula Branco Martins. Só não concordo com o Lula, quando referindo-se ao cargo do Libar -- Coordenador do Teatro de Rua e Circo da RioArte -- estabelece um paralelo de atuações com o coordenador dos teatros da Prefeitura: "é uma espécie de Miguel Falabella ao ar livre". Nada a ver. O Falabella joga em outro time. Tá mais pra Bozo e Ronald Mac Donald's do que para o palhaço Cuti-Cuti.

29.11.03

Peça de Beto Lima e Beto Andretta no Carlos Werneck
Amanhã, às 11hs. a peça dos dois Betos como são conhecidos os autores da peça que revolucionou nos anos 80 a linguagem do teatro de bonecos, O Vaqueiro e o Bicho Frôxo. A peça junta recursos do teatro de mamulengo, teatro de rua e seguindo uma estética que privilegia a ingenuidade e riqueza das cores luminosas da Arte Naïf. A peça segue pelo viés do musical e faz referências ao folclore brasileiro e a personagens míticos.
Nessa nova versão, a peça tem a direção, figurinos e voz de Alzira de Andrade que também é interprete com o Aluizio Augusto. Direção musical e arranjos do Mauricio Durão.
O Teatro Carlos Werneck é localizado no Aterro do Flamengo, altura do numero 300.
Sempre aos domingos às 11 hs. e de gratis. Com raras exceções, vem apresentando espetáculos de qualidade.
PSP.(Post Scriptum Post) Estou destacando esta peça, porque eu conheço o trabalho dos Beto. Fui testemunha do sucesso desses dois grandes artistas bonequeiros, (adoro eles) no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Chalesville-Mezzières, na França, quando eles ainda integravam o Grupo XPTO de São Paulo -- a vanguarda da vanguarda do teatro de bonecos no País.
Ah, eu deveria colocar aqui uma foto linda do espetáculo, mas o blog publica quando ele quer. Como diz a Cora Rónai "Computador, a gente sabe, não é ciência, é macumba."

Cortejo Brincante Abayomi

Festa para o lançamento do Calendário Abayomi 2004
Na próxima quinta-feira, dia 04 de dezembro, às 19 horas, na CASA MERCADO 45,
rua do Mercado, 45 - Praça XV, o lançamento do Calendário Abayomi 2004.
Vai lá comprar os seus presentes de natal e assistir um show de chorinho com o grupo "Peixe à Passarinho" e cantoria com as maravilhosas artistas- artesãs da Cooperativa Abayomi.

O que é a Cooperativa Abayomi
A Cooperativa Abayomi, nasceu a partir do trabalho de LENA MARTINS; artesã nascida em São Luiz, estado do Maranhão, educadora popular, militante do movimento de mulheres negras; que na busca de um artesanato que utilizasse um mínimo de ferramentas associado a preocupação com o excesso de lixo cria uma técnica de fazer bonecas com sobras de pano sem utilizar na sua feitura cola ou costura.
Acreditando na retomada do hábito de criar objetos artesanais com matéria prima oferecida pela natureza, na reciclagem do lixo urbano, na utilização da arte popular como instrumento de conscientização e socialização do indivíduo, outras mulheres se incorporaram ao trabalho, formando a COOPERATIVA ABAYOMI, fundada em dezembro de 1998.
Este é o objetivo das nove mulheres que hoje compõe a Abayomi, LENA MARTINS, SONIA SANTOS, FLÁVIA BERTON, REGINA OLIVEIRA, MARIA ANGELICA GOMES, SHIRLEY BRITTO, MARIA JOSÉ GARCIA, LUIZA BORBA E CRISTIANI FERRAZ, educadoras, psicólogas, artistas populares, terapeutas, atrizes e circenses, que além da contribuição decisiva na estética e organização do grupo, levam o seu trabalho artístico, social, criativo e humanitário, através de oficinas, cursos, palestras, exposições e do Cortejo Brincante Abayomi a um número incalculável de pessoas.

28.11.03

Última chance para ver "Medéia" do Teatro do Pequeno Gesto
Em cartaz desde maio no Teatro Maria Clara Machado, o Teatro do Pequeno Gesto fará as aúltimas apresentações de "MEDÉIA", nos dias 2 e 3 de dezembro (terça e quarta da próxima semana), as últimas apresentações de 2003. O espetáculo já se apresentou nos festivais São José do Rio Preto (SP), Fenart - João Pessoa (PB) e Pira em cena - Piracicaba (SP). Eu vou rever. Comentei aqui.
Reescritura do clássico grego, o espetáculo explora a fronteira entre o épico e o dramático. “Medéia” texto original de Euripedes, com direção de Antonio Guedes, conta a história de uma mulher preterida por seu marido que escolhe uma nova esposa. Inconformada com a situação, ela parte para a vingança. No desenrolar do espetáculo, são colocados em questão os direitos de homens e mulheres uns em relação aos outros e os limites do desejo que um longo casamento impõe.
Elenco: Alexandre Dantas, Ana Alkmim, Cristine A’Gape, Cibele Jácome, Fernanda Maia, Luiza Baratz, Mariana Oliveira e Viviana Rocha.
TEATRO MARIA CLARA MACHADO (Planetário)
Padre Leonel Franca, 240 - Gávea Tel.:2274-7722
dias 2 (terça) e 3 (quarta) de dezembro às 21:00h
Ingressos: R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia)
R$ 5,00 (compra antecipada para grupos a partir de 15 pessoas - 9607-5845)
Na foto ao alto, Alexandre Dantas e Cybele Jácome numa cena de "Medéia".

26.11.03

"O Signo do Caos" premiado em Brasilia
O juri do 36o. Festival de Cinema de Brasilia deu o prêmio de Melhor Direção e Melhor Montagem para o "Signo do Caos". Subiu ao palco para receber os dois troféus Candango, a atriz Djin Sganzerla, filha do diretor Rogério Sganzerla com a atriz Helena Ignez.
O Candango de Melhor Ator e Ator Coadjuvante foi pra dois queridos conterrâneos: o Paulo César Peréio no filme do Maurice Capovila, e o Ênio Gonçalves no filme do Carlão Reichenbach. Eles merecem. Aqui na Folha, a relação dos premios.

25.11.03

24.11.03


Não precisa clicar. Aí em baixo, o relato na íntegra.

A Loucura do Rei George
Londres, 20/11/2003 - Estou acabando de chegar da passeata anti-Bush no centro de Londres. Marcada para as 14h, ela acabou sendo atrasada de propósito pela polícia só para confundir todo mundo.
“The madness of King George” é uma peça e um filme belíssimo de autoria de Allan Bennett, que relata até que ponto (alegoricamente, é claro) o poder pode criar alucinações e criar o isolamento. Pois, quem está em
Londres por esses dias não deve estar acreditando que isso aqui não é um estado policial: são dezoito mil policiais da Metropolitan Police, fora o que tem de Scotland Yard disfarçado de mendigo, e de MI5, MI6, SAS, e as "agencies" americanas, que já estão em solo há uma semana, como os Secret Service Agents, a CIA operational, os Tactical Marines, o NSA, e vai lá uma longa lista que nem mesmo o Pentágono sabe mais listar. E tudo isso a um custo de cinco milhões de libras!!!!!
Vendo o banquete que a rainha ofereceu a George Bush ontem à noite (e a total falta de modos com que o cowboy se comportou nessa histórica “state visit” que lhe dá direito a morar dentro do Buckingham Palace), e tomando o inesperado speech de Tony Blair de que a Grã Bretanha “não viraria” o 51º estado dos EUA (porque ele disse isso, se ninguém perguntou?), eu só posso supor que Bush deve estar em total síndrome de loucura, assim como o Rei George e, quem sabe, quer sim anexar a Grã Bretanha. Afinal, Adolf anexou a sua nativa Áustria (em Graz) à Alemanha. Não, claro que não. São delírios teatrais.
Mas quais serão os delírios de George Bush? Afinal, até agora as perguntas cruciais não foram respondidas. Onde estão as armas de destruição em massa? Onde estão os laboratórios de armas bioquímicas?
Saddam era um ditador, sem dúvida. Tratava seu povo tremendamente mal, assim como é proprio dos ditadores. Mas isso seria para o Tribunal de Haia julgar, assim como estão fazendo com Slobodan Milosevic, não é? Será que George W. tem um feudo oedipiano a disputar com o pai, George Bush senior, que não conseguiu capturá-lo? É uma briga de família então? Será que ele – Bush filho, não entende a retórica que rola entre os próprios países árabes e que Saddam podia estar blefando sobre ter ou não ter armamentos poderosos, sá pra se ganhar perante aos outros?
Esse jogo é delicado e faz parte de uma cultura que entendemos pouco. Ou melhor, entendíamos. Graças a política invasora, guerreira de Bush, agora ela será um pesadelo constante em nossas vidas, pois está se criando (pelo menos) mil homens-bomba por dia nos países árabes.
Na marcha de hoje conversei com atores, gente que veio até da Alemanha e Itália. E, no que diz respeito aos milhares de britânicos que estavam lá aos urros mais profundos de ódio pela presença de Bush no país, um grupo fantasiado de prisioneiros talibãs, algemados, encapuzados e amordaçados (foi dificil falar com algum deles no meio daquelas cem mil pessoas, mas falei!), deixaram bem claro que eles não estavam lá somente para protestar contra Bush, mas também contra Blair.
Se a Inglaterra é aquela terra de loucos para onde o Príncipe da Dinamarca (Hamlet) é levado quando pira, ela ficou mais louca ainda essa semana com a presença de um cowboy despreparado, cujo único interesse, sabidamente é o lucro, o petróleo, o domínio total geopolítico e um sadismo que se lê em todas as suas expressões (está no seu sorrisinho macabro quando termina uma frase e espera que a claque o aplauda). É macabro.
Vê-lo aqui, na terra em que Cromwell e Disrealy e Shakespeare e Marlowe e Churchill e Chaplin e Orwell e Huxley criaram o que criaram a partir de um “problema” tão profundo e tão existencialista, é triste ver um idiota com sotaque texano trazer respostas tão simplórias e tão sangrentas.
Gerald Thomas

O site oficial do Plinio Marcos está prá lá de imperdível. Obrigatorio.

23.11.03

Deu no Le Monde, ontem
Com o título Todas as facetas de Caetano Veloso, cantor de invenção brasileira
uma crítica das mais elogiosas ao lançamento de um livro autobiografico e um CD duplo, que está sendo lançado na França. Muito chique o Caetano.

22.11.03


Uma cena de "O Judas em Sábado de Aleluia" pelo Grupo Tramedia

O Grupo Tramédia patrocinado pelo Prêmio Estímulo Carlos Miranda, estréia nesta segunda-feira, dia 24, às 20,00 hs. -- em única apresentação -- na Sala Dina Sfat do Teatro Ruth Escobar, O Judas em Sábado de Aleluia, seu segundo trabalho. O espetáculo faz parte do projeto "Origens da Comédia Brasileira - Martins Pena", da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
O ingresso para a estréia será 1 kg de alimento não perecível, e toda a arrecadação será doada ao Programa Fome Zero.

Carlos Miranda
Não posso deixar de parabenizar a Secretaria de Cultura do Estado pela iniciativa desse projeto e pela homenagem ao querido e saudoso Carlos Miranda. Nada mais apropriado do que um prêmio de estímulo ao teatro levar o seu nome. Eu tive o privilégio e a honra da convivencia pessoal e profissional com o Carlos no Serviço Nacional de Teatro/FUNDACEN/IBAC/FUNARTE, e sou testemunha da sua dedicação e trabalho em prol do teatro e da arte brasileira. Viva o Carlos Miranda!

O Signo do Caos detonando no Festival de Brasilia
O nosso filme (tô é muito exibida) abriu ante-ontem, a mostra competitiva do 36o. Festival de Cinema de Brasilia, um dos mais importantes do País e famoso pelas conhecidas e temidas vaias do público brasiliense. O Signo do Caos, um dos filmes mais esperados do festival, "não foi
aprovado pela platéia de Brasilia", segundo OGlobo houve gente saindo antes do fim da sessão, mas os experts estão elogiando o filme e a Helena Ignez já está concorrendo ao Candango de Melhor Atriz, e o Otavio Terceiro de Melhor Ator. Ator. Rogério, convalescendo, não poude comparecer mas mandou uma carta, lida pela Helena, e nesse trecho aqui ele antecipa a reação de determinado público:

“Existem várias maneiras de ver e viver o cinema. Essa é uma divina comédia às avessas”.

Na foto ao alto: Helena Ignez, Otávio Terceiro e Sálvio do Prado, numa cena do filme.

18.11.03

Ativa ou não, eis a questão
Vai um remédinho aí? Tem também em spray sub-lingual que será lançado ainda este ano por um laboratorio farmacêutico britânico. E a Holanda, desde o início deste ano, foi o primeiro país que disponibilizou a cannabis -- mediante receita médica -- para algumas doenças graves. Pacientes da Grã-Bretanha, dos EUA e do Canadá já estão reinvidicando os mesmos direitos.
MARTHA GRAHAM, a grande bailarina e coreógrafa norte-americana, uma das maiores do mundo, falou tudo nesse texto sobre a criação artística do bailarino, do ator, do performer ou de qualquer outra interpretação cênica:
" Existe uma vitalidade, uma energia, uma vivacidade que é traduzida em ação por seu intermédio, e como em todos os tempos só existiu uma pessoa como você, essa expressão é única. Se você a bloquear, ela jamais voltará a se manifestar por intermédio de qualquer outra pessoa, e se perderá."

16.11.03

Aviso aos navegantes
Desde ontem estou de banda larga. Uma semana confusa e tumultuada por conta da instalação do bicho. Nem acredito que eu posso navegar e blogar á vontade sem me preocupar com a conta do telefone.
E, nessa faina toda, além de outras providências inerentes, eu tive que mandar reformatar o computer. E cada vez que isso acontece, os técnicos instalam um monte de penduricalhos e somem com os meus arquivos mais importantes. Desta vez foi a minha pasta de arquivos pessoais com os e-mails todos que eu recebí e enviei e os não enviados que estavam separados para responder. Peço desculpas aos amigos que me mandaram e-mails e estão ainda sem resposta. Estou tentando recuperar essas pastas. Voilà.

Tenho muita coisa para postar aqui, mas não tá dando. Tô aqui enroladíssima.
E haja hoje para tanto ontem, como versejou o poeta Leminski. E eu ùltimamente não estou cabendo em mim de tanto ontem que ficou para hoje.
C'est tout par aujourd'hui. À demain, mes enfants.

15.11.03


Regina Oliveira numa cena de "Guardados"

Guardados
É o nome do espetáculo que estréia hoje (quinta) só para convidados, lá na Fundição Progresso, e eu não vou perder por nada. Já confirmei a presença da minha pessoa. Guardados é um trabalho da multi-artista REGINA OLIVEIRA -- trapezista, atriz, palhaça, artesã e brincante do Teatro de Anônimo -- no seu primeiro espetáculo solo dirigida pela mestra JULIANA JARDIM. Essa dupla promete -- muito.

De Ionesco bufão a Peer Gynt, de Ibsen -- exercícios de estilo de uma palhaçatriz.
Da Mestra Juliana Jardim, eu falei dela, várias vezes nos dois blogs. Fiz o curso de bufão com ela nos cursos de extensão -- Nucleo do Ator, na UNIRIO, durante o ano passado. Desse curso iria resultar a montagem de um texto de Ionesco, em linguagem de bufão, que começamos a trabalhar em fevereiro deste ano, e deveria estreiar em agosto na Fundição, mas o trabalho foi interrompido no final de março porque o patrocínio para a montagem do espetáculo, não rolou.
A tristeza só não foi maior porque eu pensava trabalhar simultâneamente com outro grupo que eu namorava há um tempão. E foi assim que eu comecei a trabalhar extamente no dia 1o. de abril, com o grupo de estudos do Tuninho Guedes, e rolou o Peer Gynt, de Ibsen, espetáculo que ficou em cartaz durante todo o mês de outubro no SESC-Tijuca.
Se o espetáculo de bufão tivesse estreiado em agosto na Fundição, não sei como eu ia me virar com os ensaios do Peer Gynt com estréia marcada para outubro, considerando os dias da semana que eu trabalho como professora de expressão corporal, em horário integral na Fundação Lar Francisco de Paula. Nesse nosso métier artístico tem que ter mil mãos para segurar as oportunidades quando elas surgem. A gente investe num trabalho durante mêses, anos, e não rola nada.
Um belo dia rola tudo ao mesmo tempo aqui agora. E haja hoje para tanto ontem, como diria o poeta Leminski.

8.11.03



"Velhinhos de castigo" -- uma homenagem à terceira idade ???!!!
No final da tarde, desta quinta-feira, fui ver a falada performance do 12o. Panorama de Dança, idealizada pela artista plastica e coreógrafa alemã Angie Hiesl. Grudados nos prédios, amarrados a um cinto de segurança em cima de uma cadeira de aço branca presa com potentes parafusos, os intrépidos artistas ficam suspensos durante uma hora e meia, executando gestos e movimentos ligados à sua rotina como ler um livro ou jornal, se espreguiçar, maquiar, e até depenar uma galinha. A performance no seu segundo dia já tinha se incorporado ao cotidiano daquela área, entre Praça Tiradentes e Lavradio. e já era motivo de piadas.

Fingindo não saber do que se tratava, representei a paspalha curiosa e fui direto à Rua Luiz de Camões esquina do prédio do Centro Cultural Helio Oiticica. Uma senhora de cabelos brancos vestido estampadão escuro, lia tranquilamente o seu livro, pendurada no prédio em frente ao Centro Cultural. Do outro lado da esquina um rapaz (esse aparentava no máximo uns quarenta) se contorcia na cadeira como quem acaba de acordar, e se espreguiça. No mesmo prédio dessa esquina, um senhor tirava do bolso de um avental ou algo parecido umas contas ou sei lá o quê. Acho que ele estava catando grãos de feijão.
As moças frequentadoras daquela esquina, disseram que ele era alemão, mas não souberam informar o significado do gestual. Uma morenona que parecia ser a porta voz do grupo, quando eu perguntei o significado de tudo aquilo, respondeu de pronto:
-- É uma peça de teatro dos gringos, vieram mostrar aqui no Rio.

Fui saindo de fininho, sem mais delongas, não pegava nem bem atrapalhar as meninas no cotidiano do seu trabalho.
Em frente ao Helio Oiticia, perguntei a um senhor idoso que passava por ali, completamente indiferente à l'ambience, e ele de pronto respondeu
-- Botaram eles aí de castigo pra não incomodar os outros.

Andei mais um pouco e passou uma moça tipo secretária executiva, e ela disse que tinha visto a chamada na televisão:
-- É uma divulgação da arte de uma artista alemã. Ela apresenta essa arte dela pelo mundo.
Chegando na esquina da Gonçalves Ledo com Luiz de Camões, rolava o maior pagode com caixas de som a todo volume, mesas no meio da rua e nas calçadas. E o povo na maior animação não dava a menor para esse velhinho da foto aí em cima. Sei que era ele porque o JB pulicou essa foto do ensaio geral na Gonçalves Ledo. Ele bebia uma cerveja em lata e se agitava na cadeira, imitando um rebolado som do pagode. Nesse momento eu temi pela sua integridade física. E se ele não estivesse bem amarrado?

E em outro prédio na mesma esquina do outro lado, uma senhora loura, aparentando uns sessenta e poucos anos, com um vestidinho leve, estampado claro toda diafana fazia e refazia a sua maquiagem se olhando em um espelhinho de mão. Fiquei olhando para cima, e como não tinha ninguém por perto resolvi chamar a atenção dela, e gritei várias vezes Hello Madame, e nada. Fingiu não ouvir.
E nisso, passa um casal de namorados, sem parar e sem olhar para cima, respondem prontamente à minha pergunta:
-- Não temos a menor idéia do significado dessa maluquice.

Cheguei do outro lado da esquina para fazer a pergunta ao pipoqueiro, e antes que ele respondesse um senhor aparentando mais de setenta anos, apressou-se na resposta:
-- Botaram eles aí de castigo.

E um outro, na mesma faixa etária, respondeu muito sério e convicto:
-- É propaganda do centro antigo do Rio.

Depois dessa, continuei andado e mais adiante pergunte para uma pagodeira de responsa, toda produzida para a naite, e ela capricou na resposta:
-- São uns gringos que vieram mostrar a cultura deles aqui no Brasil.

Continuei e fui andando dali até a Rua do Lavradio. E no paredão no início da rua, estava "instalada" uma senhora que enrolava uns paninhos. E ao primeiro passante que eu perguntei -- um jovem -- respondeu:
-- Foi o genro dela que botou ela aí. Tava incomodando muito em casa ...

Dito isso saiu andando rindo a passos largos, rindo da própria piada.
Andei mais um pouco e em frente ao Cenarium tinha outra pendurada essa de uma altura bem mais baixa dava para ver o cinturão que amarrava , depenava uma galinha. Na Rua do Lavradio, no final da tarde, as pessoas passavam apressadas, e nem sequer olhavam as inusitadas performances.
Perguntei a um senhor bem vestido, de terno, que estava no restaurante ao lado, e a sua resposta veio pronta:
-- Botaram elas aí de castigo. Tem outra lá no final...

Andei mais uma quadra e na Lavradio com a Rua do Resende, "a Outra", já estava acabando a sua performance, amparada por dois jovens que seguravam uma escada branca. Essa, uma senhora bem mais jovem, de vestido estampadinho bem ao estilo verão do Rio.
As exigências da coreógrafa na escôlha dos seus velhinhos
A coreógrafa e artista plastica Ingie Disl vem apresentando há mais de dez anos esse trabalho em vários paises, agregando pessoas da Colômbia, Suriname, Holanda, Alemanha, entre outros países, com idades entre 63 e 74 anos, e todas com disposição para colocar o pé na estrada e, volta e meia, enfrentar intempéries climáticas. A artista faz apenas apenas duas exigências aos seus intrépidos artistas: ter um certo preparo físico para subir as escadas que levam às cadeiras, e que sejam eles mesmos.
Quando entrevistada pelo JB, sobre o porquê dos velhinhos nessas performances, a explicação foi essa:
-- É uma maneira de homenagear a terceira idade.

5.11.03


Rachel, suas belas mãos e a sua expressividade
corporal transmitida por inteiro nesta foto.

A escritora Rachel de Queiroz, respondendo à pergunta de um reporter sobre como era viver a vida ao completar noventa anos de idade:
Quase todos os amigos já morreram. Mas é bom viver. Me interesso por qualquer pessoa que chegar aqui me contando histórias.
Lá na fazenda, escuto as histórias dos caboclos, tomo parte dos problemas. Gosto da humanidade. É o que me mantém viva.

Rachel de Queiroz
*17/11/1910
+04/11/2003

4.11.03

JESUS a.C. na mais perfeita "tradução" do poeta LEMINSKI

Falando em símbolos crísticos, o livro V I D A publicado pela Editora Sulina, reunindo em um único volume, as biografias de Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski, é dessas leituras imprescindíveis para quem quer entender melhor a contemporaneidade. Foi o primeiro livro que eu lí do Leminski, e foi um presente de aniversário que eu ganhei do meu irmão mais velho, o Ruy. Esse livro está sempre aqui em cima da minha mesa de trabalho, ou perto dela, para eventuais consultas.
"Vida", de Paulo Leminski, é um banquete raro com a competência literária aliada à militância zen-marxista desse grande poeta, considerado pelos experts, o mais completo escritor de sua geração.
Vale a pena transcrever aquí na íntegra, o prólogo sobre a vida de JESUS, chamado de Carta de Intenções. Essas intenções foram alcançadas com o brilho de quem traduziu os textos evangélicos diretamente do original grego, além de outros textos em latim, francês e inglês..

CARTA DE INTENÇÕES
Este livro é dirigido por vários propósitos.

Entre os principais, primeiro, apresentar uma semelhança o mais humana possivel desse Jesus, em torno de quem tantas lendas se acumularam, floresta de mitos que impede de ver a árvore.

Outra, a de ler o signo-Jesus como o de um subversor da ordem vigente, negador do elenco dos valores da sua época e proponente de uma utopia.

Outra ainda, seria a intenção de revelar o poeta que Jesus, profeta, era, através de uma leitura lírica de tantas passagens que uma tradição duas duas vezes milenar transformou em platitudes e lugares-comuns.


2.11.03


Assim é se lhe parece
Pois é, glauberianamente falando, assim não é o que lhe parece. Se você lançar um olhar mais esperto verá que além da sugestão cristica (eu disse cristica) há no conteúdo desse desenho a figura de uma mulher e alguns simbolos masculinos. Sou fascinada por esse desenho e a sacação do genial Glauber Rocha.

1.11.03


Diga lá meu santo!
Procissão de Todos os Santos -- a fé de todas as religiões

A Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, dirigida pela Ligia Veiga está convidando a população do Rio e a comunidade artística carioca para participar da Procissão de Todos os Santos, saindo do Condomínio Cultural, à Rua Luiz de Camões n.2 no Largo de São Francisco, as 11 hs. da manhã. A procissão percorrerá diversas ruas de especial significado na vida cultural do Centro da cidade do Rio de Janeiro, até chegar à Praça XV.

Trata-se de uma grande procissão não somente de santos católicos, mas também dos cultuados nas mais diversas tradições e religiões -- africana, indígena, budista, hinduísta, entre outras. A participação é aberta a todos os que queiram acompanhar ou participar vestindo uma roupa do seu santo predileto ou coisa que o valha. Uma banda de músicos vai acompanhar a procissão.
Soube ontem lá na Angel que essa procissão idealizada e produzida pela atriz e musicista Ligia Veiga -- diretora da Cia. Brasileira de Mysterios e Novidades e criadora do Condominio Cultura junto com a Lia Rodrigues -- já vem sendo realizada há dois anos. As meninas lá da Faculdade e Escola Angel Vianna estavam entusiasmadíssimas decidindo a escôlha de roupas e acessorios dos seus santos prediletos. Tem de anjo a Santa Barbara. Fiquei afim, mas não sei se terei coragem para pagar o mico de me fantasiar de santa. Blogando na madruga, nem sei a que horas vou dormir e acordar para estar lá às 11 hs. Voilà.