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19.12.04


E este é o Ricky, Ricardo Pucetti, no encerramento do Festival.
Anjos do Picadeiro 4

No encerramento do Festival na Fundição Progresso, Nego da Bahia arrasou geral. Leo Bassi aplaudiu em pé. E o Márcio Libar estava feliz com o sucesso do seu pupilo.










11.12.04


O Mestre Dácio Lima, ao centro, numa foto tirada em janeiro de 1999, depois do espetáculo "Cult Clown! Novos Narizes", realizado na conclusão do nosso último módulo do curso de clown. Adivinhem quem abraça o Dácio.

Clown! palhaço de teatro
Ontem, dia 10 de dezembro, foi a data comemorativa do Dia do Palhaço, e esse blog homemageia -- in memoria -- o Mestre Dácio Lima, diretor teatral e educador que marcou definitivamente a cena contemporânea. Um dos pioneiros no Brasil do trabalho com técnicas de clown e máscaras. A Palhaça Sassá (Sassá c'est moi) começou os seus sassaricos clownescos, a partir das aulas com o Mestre Dácio Lima.

De origem circense, o clown corresponde ao nosso palhaço. Mestre Dácio levou o palhaço para a sala de teatro, apresentando um novo estilo de jôgo, um meio para o estudo dos mecanismos do riso, com base nas técnicas apreendidas nas escolas de Philippe Gaulier e Jacques Lecoq, em Paris, onde estudou.

Desfile de Palhaços na Praia do Flamengo. Foto pèssimamente copiada da revista "Anjos do Picadeiro 3" por esta paspalha. Na primeira fila, os palhaços do Teatro de Anonimo -- produtores e realizadores do maior evento circense do País: Shirley Britto, Márcio Libar e João Carlos Artigos, o de óculos escuros e de chapéu.
E atenção Senhoras e Senhores! Muita atenção para o seguinte: atrás do João, uma cabeça depois, a palhaça de chapéu de coco preto, e quasi de perfil, é a Palhaça Sassá, sassaricando em grande estilo. Quem é a Sassá? C'est moi, mes enfants! A Sassá c'est moi! C'est moi!

8.12.04

Anjos do picadeiro

Começa nesta sexta dia 10 e vai até domingo, dia 12, o evento circense mais importante (e o mais aguardado) do País: a quarta edição do encontro internacional de palhaços, ANJOS DO PICADEIRO 4, com espetáculos, performances circenses, piquenique circense na Quinta da Boa Vista, foruns de discussão e muitos aprontos circenses do Grupo LUME, do Anonimo, do Teatral ETC & Tal, As Marias da Graça, da Intrépida Trupe, Parlapatões, Patifes e Paspalhões e do surpreendamental palhaço espanhol Leo Bassi, do palhaço italiano André Casaca, entre outras atrações nacionais e internacionais.

O evento acontece em vários locais: na Fundição Progresso, sexta às 21hs tem Leo Bassi (imperdível),aprontos mís na Cinelandia, e encerramento no domingo na Quinta da Boa Vista o dia inteiro, Teatro Carlos Gomes e um espetáculo de gala no sábado na Escola Nacional de Circo.
Veja abaixo a programação completa:

Sexta feira 10/12 - Dia do Palhaço
9h - Recepção e cadastramento na Fundição Progresso
10h às 13h - Fórum de discussão no Teatro Carlos Gomes
15:30h - Concentração para o Cortejo na Fundição Progresso
16h - Cortejo dos artistas (todos) até a Cinelândia
16:30h às 19h - Roda com números de rua e cômicos na Cinelândia
Apresentador: Marcio Libar
Convidados: Javi Javiche / Niño Costrini / Chico Simões
Palhaço Dudu / Lume / Carroça de Mamulengos

19h - Gargalhada do Século na Cinelândia

21h - Espetáculo "La Revelación", Leo Bassi, na Fundição Progresso

23h - Canja da Madrugada na Fundição Progresso (números cômicos)
Apresentadores: Ale Roit + Os Charles
Números: Roman Roman / Cabaré Volante / Daniela Carmona
Seres de Luz / Barracão Teatro / Anônimo / Valdevinos de Oliveira
Intrépida Trupe / Etc e Tal / Circo Volante

1h - Faixa de Gaza(es) - Abertos aos dispostos a tudo!
Apresentador: Sergio Machado

Sábado 11/12
20:30h - Espetáculo de Gala na Escola Nacional de Circo
Apresentadores: Marcio Moura + Alvaro Assad
Convidados: Tomate / Teatro de Anônimo / Escola Nacional de Circo / Niño Costrini / Fernanda Ledesma / Parlapatões, Patifes e Paspalhões / Intrépida Trupe

Domingo 12/12
10h às 13h - Espetáculos e rodas na Quinta da Boa Vista
10h - Ouverture com Grupo Batida
11h às 13h - Udi Grudi / Artetude / Jogando no Quintal / Lume / As Marias da Graça / Roman Roman / Javi Javiche
18h - Tranquilli!!! André Casaca

5.12.04

UM ATO DE RESISTÊNCIA

O povo sabe das coisas e foi à luta (sem eufemismo) das senhas desde as dez horas da manhã, enfrentando horas de fila e uma chuva fina que caiu durante toda a tarde de ontem, para ouvir música barroca composta há quasi trezentos anos pelo músico francês Joseph Bodin de Boismortier (1689-1755), resgatado graças à pesquisa do músico americano Tom Moore, integrante do grupo "Le Tromphe de l"Amour". Essas músicas foram gravadas pelo grupo nos EUA, e A Casa Discos foi responsavel pelo lançamento aqui no Brasil, em primeira mão, ontem, no Museu da Republica. E no próximo ano, o disco será exportado daqui pela A Casa Discos, para os EUA

Cheguei antes das sete, não conseguí lugar, o Salão Nobre do Museu da República, já estava com a lotação esgotada, mas haveria uma segunda sessão, e esta seria realizada na varanda do Museu. Não estava sòzinha, nessa espera, pois até a mãe do Serginho -- músico produtor do concerto, não conseguira lugar. Costumo chegar bem cedo em eventos dessa importancia, e com entrada franca, mas eu fui informada que o concerto seria ao ar livre, nos jardins. Portanto, eu pensei que teria lugar suficiente. Ledo engano.

As senhas começaram a ser distribuidas antes das seis, e já tinha gente na fila de antes das duas horas. E ainda soube por uma funcionária do Museu, que algumas pessoas que leram no Globo estavam lá as dez horas da manhã, formando fila para assistir o concerto. Desestimulados da longa espera, foram onvidados a voltar á tarde, e informados que as senhas seriam distribuidas a partir das seis horas -- uma hora antes do espetáculo.

Um concerto extra

Entre o público da segunda sessão, tinha alguns convidados especiais, mostrando o convite impresso, e que não conseguiram entrar. Só entrou quem esperou horas na fila. E mesmo assim, algumas pessoas reclamavam que enfrentaram a fila desde cedo, na esperança de sobra eventual de algum lugar, e l'ambience ficou tenso.

Para acalmar os ânimos desse público que esperava em pé e enfrentando uma chuvinha fina no patio em frente á varanda, teve um concerto de flauta de um jovem e talentoso aluno da Laura Rónai, o Márcio (esquecí o sobrenome dele, anta que sou) que interpretou lindamente os concertos de Telleman. Agradou a galera. Foi aplaudídissimo.

Uma celebração à arte, à vida, e à paz

Mais de duas horas em pé e na chuva não significam nenhum esfôrço diante do momento raro e emocionante que foi o privilégio de ouvir aqueles músicos maravilhosos,
competentíssimos, (a Laura Rónai é feríssima -- tem o sôpro da alma) com pleno domínio do seu métier proporcionando ao seu público -- crianças, adultos, adolescentes (até eles, concentrados e com as carinhas maravilhadas) das mais variadas classes sociais, todos ali irmanados em um momento de beleza, de vida e de humanidade.
Um momento de paz, de serenidade, nessa cidade cada vez mais violenta.
Através da arte, uma forma de resistir à violência cotidiana -- um verdadeiro ato de resistência.

4.12.04

Do Serginho, por e-mail, dando notícias do seu sêlo A Casa Discos, responsável pelo
grande acontecimento artístico-musical, hoje às 19 hs., no Museu da Republica.

"Esse disco foi gravado nos EUA, com músicas nunca antes gravadas
do compositor barroco Joseph Bodin de Boismortier, com participação da
flautista brasileira Laura Rónai.
O prazer maior é percorrer a via inversa:
eu peguei um produto de qualidade deles e estou lançando aqui em primeira
mão (o CD só deve ser lançado lá no ano que vem, exportado pelo meu
selo...).
É música erudita da mais alta qualidade. E os americanos, junto
com a Laura Rónai, estarão aí para tocar no lançamento. Ou seja, imperdível!"



É Hoje !

28.11.04

TEATRO, SADDAN E O DOUTOR DAS FLORES

Clovis Levi, autor e diretor teatral brasileiro, residindo atualmente em Coimbra, participou como juri do l6o. Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo, (de 18 de setembro a 4 de outubro, deste ano) e gentilmente mandou esse relato para o Forum de Teatro, autorizando a publicação nos blogs de teatro dos colegas forenses.

Para os interessados em participar do CIFET: o festival é realizado pelo
Ministério da Cultura do Egito, sempre em setembro; os promotores se
responsabilizam por hotel e transporte dentro da cidade para grupos de
até 15 pessoas; as companhias pagam suas próprias passagens e o
transporte de cenário. Endereço para informações (em árabe, inglês ou
francês) Ministry of Culture, Cairo International Festival for
Experimental Theatre (CIFET),
Foreign Cultural Relations, 44, Misaha
str., Dokki, Cairo, telefones 3487703, 3485599, fax 3486715 e e-mail:
cifet@idsc.net.eg

O Brasil já esteve lá, em 1999, com o Tá na Rua "Men and Women" e, naquele ano, o festival contou, no júri, com a participação do ator-diretor Antonio Pedro. Em 2000, Caíque Botkay , como jurado, foi o representante brasileiro; e, em 2001, a Companhia de Plástico foi selecionada com a montagem de "Divertimentos in Bequardo".

O interessante relato continúa aqui no Artimanhas.
"Onde não se responde"-- Literatura Brasileira e Internet

27.11.04

PULSAR
Passando rapidinho aqui para um dica importante: hoje e amanhã ultimas apresentações da Pulsar Cia. de Dança no SESC Tijuca-Teatro II às 20 horas.

A Pulsar, dirigida pela coreografa Teresa Taquechel, é composta por bailarinos e atores com e sem deficiência, a Pulsar busca uma singularidade na diferença. A identidade de cada intérprete é fonte de criação, um estimulo ao olhar em relação à multiplicidade do individuo.

A companhia representou o Brasil este ano no Very Special Art, em Washington-USA, com grande sucesso de público e de crítica.


Uma cena de "Pulsar", e em primeiro plano a bailarina Andréia Chiesorin.

20.11.04

SAMWAAD - rua do encontro

Meninos, eu vi. Ontem, fui ao SESC Tijuca, aqui no Rio, para ver o espetáculo do bailarino e coreógrafo Ivaldo Bertazzo, Samwaad - rua do encontro, criado com mais cincoenta adolescentes de sete ONGs paulistanas, resultado do Projeto Dança Comunidade. Durante dezeseis mêses, esses jovens tiveram aulas de dança, canto, capoeira, etc. e o espetáculo é a prova final desses estudos.

Samwaad, palavra de origem indiana que significa harmonia e dialogo, traduzindo a idéia do Bertazzo quando pensou em unir a cultura oriental e ocidental. O maestro indiano Madhup Mudgal, foi o responsável pela trilha sonora e direção musical com a colaboração de sambistas brasileiros, ritmistas e percussionistas e de um mestre-sala, Paulo Roberto Hilário Matias que arrasa nos seus volteios, tendo como partenaire a bailarina convidada, a indiana Sawani Mudgal. Os dois são responsáveis por um dos melhores momentos do espetáculo.

O samba indiano do crioulo cabeça

Com todo o respeito e a admiração pela trajetoria artística do Ivaldo Bertazzo,em quasi três décadas de uma carreira profícua e talentosa, tendo criado espetáculos antologicos como Mãe Gentil e a Dança da Maré, quando criou o Corpo de Dança da Favela da Maré, e, também pelo seu respeitabilíssimo trabalho como terapeuta corporal, criador da Escola de Reeducação do Movimento em São Paulo, sendo o responsável pela vinda ao Brasil de Madame Béziers, a maior autoridade mundial em organização motora. Por toda essas contribuições à arte e a cultura do nosso País, o atual trabalho ficou aquém das suas outras realizações.

Li uma matéria sobre o espetáculo na revista "OCAS", onde o Ivaldo dizia:
-- Quando falei em escola de samba e indianos, me falaram: você tá maluco!, mas deu certo. Porque exigiu-se do sambista, sentar, ficar em silêncio elaborando uma harmonia musical que era proposta. Então ele foi tratado como músico erudito e adorou ser tratado com respeito,com serenidade.

Para mim, essa fusão Brasil-India, não rendeu o que o Bertazzo esperava. O decantado maestro indiano privilegiou o fundo musical com sons de musicas indianas e a música e o ritmo brasileiro do espetáculo sairam prejudicados. Ficou aquele som monocórdio de mantras, cítaras que cansaram os meus preciosos ouvidos.

E em alguns momentos, o espetáculo é muito cansativo. O espetáculo tem momentos belíssimos, os jovens bailarinos dão um show de uso corporal, de qualidade e sincronismo de movimentos, e receberam vários aplausos em cena aberta. Mas são momentos isolados, por que o todo não me agradou. O público aplaude com entusiasmo ao final do espetáculo.

Recomendo com reservas. O espetáculo merece uma ida ao Teatro do SESC na Tijuca. E também pelo fato de que é uma falha no nosso curriculo cultural não assistir um espetáculo do Ivaldo Bertazzo. Precisa ver, até para falar mal dele. Não se acanhe.
Esse final de semana os ingressos estão esgotados, mas hoje e amanhã as bilheterias do SESC-Tijuca estarão vendendo ingressos antecipados para a próxima semana.





Ivaldo Bertazzo e seus alunos nos ensaios de "Samwaad".
Reparem na qualidade da sua expressão corporal. Um mestre.


19.11.04

Um querido Pepê

Outro espetáculo que eu preciso ver urgentemente é SOPPA DE LETRA, em cartaz no Teatro do Leblon, e rever uma pessoa muito querida, e, com a qual tive o privilégio conviver no ínício de sua carreira: o ator PEDRO PAULO RANGEL.
Anos 1970, em cartaz no Teatro Princêsa Isabel, o musical paulista Castro Alves pede passagem, com texto e direção de Gianfrancesco Guarnieri, produção de Othon Bastos e Martha Overbeck, e esta escriba como promoter e divulgadora da temporada aqui no Rio. No elenco, tinha o belo do Antonio Fagundes que fazia o amigo do poeta que era interpretado pelo Zanoni Ferrite (saudosa memória), e o Pedro Paulo Rangel, um jovem ator que gostava também de cantar nas horas vagas.

Depois do espetáculo, ou de algum ensaio extra, elenco e técnicos se dispersavam, e o Pepê pegava o microfone, tomava conta do palco, e atacava de Beatle's, tendo esta escriba, de platéia, aplaudindo embevecida. Adorava essa performance do Pepê, e tanto que é a imagem que eu guardei dele, dessa época.
Nossas vidas continuaram percorrendo seus caminhos, e nunca mais nos vimos. O teatro tem dessas coisas, a gente convive intensamente um determinado tempo, e depois nunca mais se vê. Hoje, o Pedro Paulo Rangel, é um ator respeitado, premiadíssimo, tendo o seu talento reconhecido no teatro, cinema e televisão. Ele está arrasando geral nos "Aspones".

E agora ao invés de cantar, ele recita no palco as letras do repertorio de jóias da nossa MPB, em Soppa de Letra, dirigido pelo Naum Alves deSouza e com músicas especialmente compostas pelo Maestro Radamés Ignatali. Esse trio por si, confirma a excelência de qualidade desse espetáculo. Merece uma ida ao Teatro do Leblon.

Vizinho blogueiro
Num domingo de agosto deste ano, a coluna do Xexéu, entregava a novidade: o Pepê tinha um blog falando sobre a montagem de uma peça. Corrí lá, e pude constatar um blog muito bem feito, e um Pedro Paulo Marques Rangel desenvolto, como se fora um veterano blogueiro, e postando não só da montagem da peça, mas os fatos do seu cotidiano de artista.

Continuei visitando o querido vizinho blogueiro, e tinha vontade de deixar um comentário, mas tinha medo de ser esnobada. Com o sucesso, a gente nunca sabe como anda a cabeça das pessoas. Um dia tomei coragem e me apresentei lá num comentário. E não é que ele veio aqui me visitar, gentil e educado, deixou de imediato um comentário aqui no blog. Fiquei muito contente e lisongeada com a sua visita. Muito querido. Pepê for ever!


Pedro Paulo Rangel no teatro, em "Soppa de Letra",
cartaz do Teatro Leblon.

18.11.04

Palhaço Cuti-Cuti, o Pregoeiro e o Márcio Libar do Anônimo

O título acima, é tudo uma coisa só, digo uma entidade só na pessoa do ator, do palhaço, do artista popular, um dos criadores do grupo Teatro de Anônimo, o Márcio Libar. E este post é pra dizer que eu preciso ir à Fundição Progresso para rever pela décima quinta vez (exagêros á parte, dá quasi isso, ou mais, pelas vezes que eu programei e não deu para ir), "O PREGOEIRO", espetáculo solo do Márcio Libar.

Quem não viu não sabe o que está perdendo, e quem viu volta sempre como esta que vos tecla -- humm... vos tecla! Ça va sens dire! O espetáculo já foi visto por mais de vinte mil pessoas em quasi todos os estados brasileiros, (aqui no blog tem posts a respeito de sua excursão pelo País) e acaba de prorrogar sua temporada, em novos dias e horários: sempre às sextas e sábados às 21 hs. até o dia 4 de dezembro. Fiquem espertos porque só tem mais três finais de semana.

Ah, e para quem chegar mais cedo, no Espaço do Teatro de Anônimo, tem um bar espertoO OriginalBar que abre as portas do teatro as 20 horas, com seus drinks maravilhosos, e aquele maneiríssimo caldo de feijão e petiscos no capricho. Se preferir continuar no ambiente para mais degustações, o OriginalBar também fica aberto após o espetáculo.
O PREGOEIRO Criação, atuação e direção: Márcio Libar. Libar usa sua experiência como artista de rua para mostrar a gênese de um palhaço. Fundição Progresso (Sala Teatro de Anônimo): Rua dos Arcos 24, Lapa ? 2524-2324. Sex e sáb, às 21h. R$ 15. 60 minutos. Até 4 de dezembro.

15.11.04

Sem tempo, para acompanhar a programação do Panorama de Dança/2004, selecionei alguns poucos espetáculos. Além de La Ribot, assistí mais dois trabalhos performáticos de meia hora cada, no Teatro Carlos Gomes:

Transobjeto
na criação e interpretação do mineiro WAGNER SCHWARTZ. Numa miscelânea cultural, onde mistura tendencias e referências -- de Helio Oiticica e Lygia Clark a Pina Bausch, abre o espetáculo tendo como único figurino um parangolé do Helio e em uma das mãos segura um dos objetos relacionais de Lygia Clark.

Segue-se um ritual onde ele faz suco de frutas esmagando com as mãos entre outras frutas tropicais, abacaxis melancias, e vai bebendo a gororoba resultante no melhor estilo bufão, em muitos copos e taças cuidadosamente dispostos no chão. Desfila ainda pelo palco em variadas performances de referência à Carmen Miranda, e ainda completamente nu, desce até a platéia para pedir um cigarro.

Consegue um doador sentado no meio da terceira fila, e vai até lá apanhar o cigarro na mão do doador, esgueirando-se entre o exíguo espaço das poltronas dessa fila, e quasi encostando a sua genitalia na cara dos atônitos espectadores sentados nesse trajeto. Volta ao palco, e senta de costas para a platéia em frente a uma sombrinha de praia, e nessa posição vai fumando lentamente o cigarro doado, e assim termina a performance.

Nesse trabalho, deve-se ressaltar a coragem e a audácia desse mineiro que colocou muito próximo quasi encostando na cara do espectador, a sua genitália desnuda. O trabalho não correspondeu ao tamanho da ousadia.

O samba do crioulo doido
Na mesma noite, ainda no Carlos Gomes, outro trabalho solo com concepção, direção, interpretação, cenário e iluminação do veterano artista LUIZ DE ABREU, onde a bandeira nacional é o cenário e figurino. Mais de mil daquelas bandeirinhas de festas patrióticas decoram o espaço cênico, e duas ou três delas em alguns momentos servem de figurino, numa contundente crítica à imagem do corpo negro brasileiro, mostrando os estereótipos criados através da história como a mulata-exportação, etc.

O veterano bailarino dança nu, calçando apenas umas botas de cano alto, e dá um show de competencia no uso corporal dentro dos objetivos propostos pela sua performance, com a segurança de quem conhece o seu "métier". Os efeitos de iluminação do início, quando abre o espetáculo e ele adentra o palco, é realçada sòmente a sua silhueta no escuro, lembra a figura de um índio, e o som e a sua movimentação compassada causam um forte impacto visual e auditivo.

Esse início prometia muito desse trabalho, mas depois caiu na obviedade, na minha avaliação, mas o público que lotava o Teatro C. Gomes, aplaudiu de pé no final. Com ou sem obviedades, é um trabalho sério e consequente.

A dança do bilau no samba do crioulo doido
Em todos esses longos anos de militância artístico-cultural, eu nunca tinha visto tantos malabarismos de genitália como nesses dois trabalhos. Especialmente, no trabalho do Luiz de Abreu, a performance com aquele órgão do corpo humano, vulgarmente chamado bilau, é inacreditável.

Ora faz movimentos giratorios como se fosse uma pá de ventilador rodando no meio das suas pernas, e, em outra cena, na interpretação do travesti, pega o dito cujo, e, numa habilidade manual respeitável, com movimentos rápidos e certeiros vai embutindo e embutindo -- e bota embutido nisso, até o documento revelador masculino desaparecer por completo. Um espanto.

13.11.04

Espontâneos, Live Art, La Ribot, Sebastião e os novidadeiros
Sem abordar questões conceituais do espetáculo de La Ribot, eu penso que entre a proposta e a realização há uma distância considerável. A linha de trabalho da artista que inclui passagens pela " Live Art " ( mistura de teatro, artes plásticas, vídeo, dança e outras formas expressivas), privilegiando a pesquisa, questionando os conceitos da dança, etecetera, tinha tudo para esta escriba aplaudir em cena aberta, mas saí frustrada. E, não direi mais nada, porque eu fiquei pdavida por não ter podido voltar para ver com outro público, outras reações, etc. tal...
No dia seguinte, às 15 hs. no Teatro Sergio Porto, quando fui ver "Os Novíssimos" ( a melhor coisa que eu ví do Panorama), fiz uma rápida enquete entre os bailarinos amigos e conhecidos que assistiram "40 espontâneos". E, quasi todos disseram que eu fiz uma leitura errada, que eu vacilei em não ter participado. E, entre estes, os mais novidadeiros, repetiam entusiasmados: "é Live Art! Live Art ". E todos deram a maior fôrça para eu voltar às 17 hs. para o Centro Coreografico.
Na saída, chovia a cantaros, e ainda tive que ir batalhar o conserto de um pneu do carro que estava totalmente arriado. Mas a sorte me sorriu, e descobrí um gentil Sebastião do posto de gasolina ao lado do Teatro Sergio Porto que trocou o pneu para mim. A estas alturas, sair do Humaitá e ir para a Tijuca, no Centro Coreografico, nem com asas para voar eu chegaria a tempo de assistir o espetáculo. Voilà. Qu'est ce qu'on va faire?

7.11.04

40 espontâneos
Selecionei alguns espetáculos entre os destaques nacionais e internacionais do PANORAMA DE DANÇA/2004. Só conseguí ver três espetáculos. Hoje ví o espetáculo da La Ribot -- bailarina e performer espanhola radicada em Londres, "Os 40 expontâneos", com a participação de 40 cariocas sem experiencia de palco que trabalharam numa oficina com ela e seus assistentes durante uma semana. La Ribot diz lá no programa:
"estou interessada no significado dos expontâneos na linguagem das touradas, um expontâneo é o que rouba a cena dos toureiros quebrando as regras do jôgo e adicionando uma overdose de perigo desnecessária para essa celebração. (...) me interessa a transgressão ... o questionamento do que é arte".

O espectador, descalço, adentra o salão de ensaios do Centro Coreografico, e os "espontaneos" já estão espalhados pelo espaço cênico se movimentando e rindo, mas rindo muito, sem parar, até o final do espetáculo. E como inexiste um texto, o espectador que se vire para descobrir o motivo das risadas -- estas nem sempre muito espontâneas. Como o elenco não tem experiência nehuma de palco, arrisco-me a concluir que a inexperiência dos intérpretes deveria estar servindo à proposta cênica da Maria Ribot. Detalhe: o espetáculo não tem trilha sonora, nem iluminação especial - branca o tempo todo, e só no final aquele efeito conhecido, isto é a diminuição de luz lenta e gradual.
Como cenário, várias cadeiras de madeira clara e algumas poltronas colocadas aleatoriamente pelo salão, e, ocupando o centro, uma montanha de panos coloridos. O público foi se acomodando no chão, nas laterais, no espaço em volta das paredes, e uns poucos, (entre esses saidinhos, esta escriba) se arriscaram a sentar nas cadeiras. Algum tempo depois fomos retirados dali, e as cadeiras foram empilhadas, depois desempilhadas e usadas nas suas funções de cadeiras pelos "espontaneos".
Uma atividade lúdica?
Os espontaneos intérpretes -- sempre rindo muito -- movimentam-se em vários tempos pelo espaço cênico, com muitas quedas e rolamentos. Podem não ter experiência de palco, mas na sua maioria, pela expressão corporal dá para ver que são estudantes de dança. Os panos de várias cores e texturas diferentes vão sendo retirados daquele montão, e enrolados em vários partes do corpo, da cabeça aos pés dos "expontâneos", formando um figurino dos mais estranhos. Alguns panos vão sendo estendidos no chão como tapetes.
Comentário entreouvido durante o espetáculo "ah, entendí agora... é uma atividade lúdica!"
Com tanto pano colorido pelo chão, com a movimentação dos interpretes pelo espaço, parecia que estavamos assistindo uma grande atividade ludica, e dava vontade de interagir com a cena, deitar e rolar -- literalmente -- naqueles tapetes coloridos.Mas ao mesmo tempo, dava para sentir que o trabalho tinha uma estrutura fechada. Não dava espaço para esse tipo de interferencia. Ou será que eu fiz uma leitura errada da cena?
Um espontaneo rouba a cena dos "40 espontâneos"
Um jovem bailarino que não fazia parte da encenação, conseguiu interagir e roubar a cena, quebrando as regras do jôgo. Ou não. Quando uma das interpretes deitou no chão próximo dele, ele começou a interagir contando piadas para a moça que continuava impassível, mas as pessoas próximas começaram a rir muito, chamando a atenção para aquela cena, e daí eu corrí para aquele lado, e boa partedo publico também. A "espontanea" levantou dali, a cena acabou e o espontâneo rapaz foi aplaudido entusiasticamente.
Como você prefere morrer?
A performance continúa na mesma agitação, com algumas paradas para os abraços entre dois ou mais intèrpretes, e para interagir com o espectador, em vários momentos, fazendo uma pergunta que se constituía na única fala do espetáculo:Como você prefere morrer ? Assassinado? Doente ou Naturalmente?
No final, grandes papelões envolvem as cadeiras e os intérpretes deitam em silêncio e permanecem nessa posição até o final. Pretendo assisstir novamente, amanhã, porque eu quero entender qual é a desse trabalho da La Ribot apresentada aqui como um dos destaques internacionais. Considero-me uma pessoa bem informada, mas não tinha a menor referência dessa artista. Peut-être... voilà.

30.10.04

Grupo LUME em temporada relâmpago no Rio
O Lume está apresentando desde ontem, seu novo espetáculo SHI-ZEN, 7 Cuias, criação do Grupo Lume com Tadashi Endo, no TEATRO CARLOS GOMES, (tels. 2224-3602 e 2232-8701) hoje às 21 hs, e encerra temporada amanhã, domingo, às 19 hs. Imperdível é pouco. Corram, e fiquem espertos porque amanhã, em todos os teatros da prefeitura, é cobrado um real, o prêço do ingresso. O espetáculo, estreiou na Alemanha em janeiro e tem participado de vários festivais nacionais. Esteve em temporada em São Paulo, onde recebeu três indicações para o Prêmio Shell (Iluminação, Música e Prêmio Especial para o grupo LUME pela continuidade da pesquisaem Teatro no Brasil).SHI = indivíduo ZEN = por exemplo SHI-ZEN = natureza
A encenação de "SHI-ZEN, 7 Cuias" é um jogo com as muitas possibilidades do teatro, da dança, da música e com a intersecção sutil destas distintas artes. Um jogo tocante, divertido e cheio de encantamentos e contrastes: sim e não, rápido e lento, feliz e triste, ruído e silêncio, luz e sombra. É também um jogo com contrastes culturais; a vitalidade brasileira e o minimalismo japonês, o teatro expressivo e a profunda emocionalidade arcaica da dança expressiva japonesa. É o encontro do Butoh com a teatralidade do trabalho desenvolvido pelo Lume.
É um espetáculo sobre o indivíduo e seu mundo interior e sobre como as relações são construídas com o que está fora, e sobre como a vida detodos os seres está conectada à natureza. "SHI-ZEN, 7 Cuias" éum espetáculo que fala do respeito à vida.
Sem texto, sem cenários, apenas os atores em cena, seus corpos pintados de branco, quase nus, contracenando com a luz e asombra, se equilibrando e desequilibrando, "SHI-ZEN, 7 Cuias" se vale deimagens e movimentos para compor um poema visual que se desenrola frenteaos olhos do espectador, levando-o a percorrer uma viagem de formas,cores, sons e sensações.


Ricardo Pucetti numa cena de "Shi-Zen 7 Cuias".
Um dos espetáculos mais belos que eu vi na vida.
O LUME é o LUME... n'est ce pas?

26.10.04

SEMANA NELSON RODRIGUES
A monumental obra de Nelson Rodrigues, o mais completo dramaturgo brasileiro do século XX, será objeto de investigação em cinco encontros, na Fundação Biblioteca Nacional, de 25 à 29 de outubro de 2004, com a curadoradoria da competente Suzana Vargas e produção do Estação das Letras. Durante a Semana Nelson Rodrigues, críticos, pesquisadores, atores, diretores de teatro e cineastas estarão mergulhados no universo daquele que é considerado marco da modernidade teatral brasileira. Serão analisadas suas principais peças ? classificadas como ?psicológicas?, ?míticas? e ?tragédias cariocas? ?, bem como suas transposições para o cinema.

Este evento foi produzido para o lançamento da nova edição do teatro completo de Nelson Rodrigues que, agora, tem seus 4 volumes apresentados por diferentes diretores que trabalham com o universo rodriguiano: Luiz Arthur Nunes (peças psicológicas), Aderbal Freyre-Filho (peças míticas), Marco Antônio Braz (tragédias cariocas I) e Antonio Guedes (tragédias cariocas II).

PROGRAMAÇÃO DE ABERTURA
Palestra sobre o autor e a sua obra, por Victor Hugo Adler Pereira;
Exibição de documentário sobre a vida e a obra do autor;
Exibição em avant première do trailer de Vestido de noiva, com direção de Joffre Rodrigues;
Coquetel de relançamento da obra dramática do autor.

25/10 ? NELSON RODRIGUES:O HOMEM E A OBRA
A presença de Nelson Rodrigues na vida pública como cronista, dramaturgo e alvo de polêmicas. Sua participação em momentos cruciais para a definição dos rumos da vida cultural brasileira e aspectos gerais de sua monumental obra e biografia serão o tema deste primeiro encontro, que terá como conferencista o professor e crítico Victor Hugo Adler Pereira.

26/10 ? REALISMO E ANTI-REALISMO NOS DRAMAS PSICOLÓGICOS DE NELSON RODRIGUES
As formas de relativizar a realidade, a estilização, a deformação e a desconstrução como procedimentos dramáticos e o caráter revolucionário do realismo rodriguiano serão objeto de estudo neste encontro, que contará com as participações do professor e diretor teatral Luiz Arthur Nunes (UniRio) e do crítico e professor Flávio Aguiar (USP). Haverá também debate com parte do elenco do filme Vestido de noiva.

27/10 ? LIBERDADE IMAGINATIVA E UNIVERSALIDADE DAS TRAGÉDIAS CARIOCAS
As tragédias cariocas, analisadas em seu conceito histórico e geográfico, serão objeto desta mesa, que traz à discussão a universalidade e contemporaneidade do teatro rodriguiano, cujas peças têm uma cor local que se projeta para além da época em que foram escritas, permitindo encenações criativas na atualidade. A mesa será composta por Marco Antônio Braz e Antonio Guedes, ambos diretores com freqüentes incursões pelo teatro de Nelson Rodrigues. Haverá ainda a exibição de fragmentos de montagens dos dois diretores.

28/10 ? AS DORES DO MUNDO: O NELSON MÍTICO
As questões relativas às concepções de verdade e de subjetividade e sua relação com a construção do mito são os assuntos desta mesa. As principais influências na elaboração dos diálogos, derivadas da psicanálise, da filosofia e de uma nova concepção de montagem dramatúrgica, serão aqui elencadas. Para comentar tais aspectos do teatro de Nelson Rodrigues, estarão reunidos o diretor teatral Aderbal Freire-Filho e a professora Ângela Leite Lopes (UniRio).

29/10 ? NELSON RODRIGUES E O CINEMA
No encerramento da semana, uma seleção de adaptações da obra de Nelson Rodrigues para o cinema será comentada pelo crítico José Carlos Avellar. Nesse dia, teremos a participação especial da atriz Odete Lara, protagonista de Boca de Ouro, que falará sobre sua experiência ao interpretar os textos do dramaturgo.

Local:
Fundação Biblioteca Nacional
Espaço Cultural Eliseu Visconti - Auditório
Rua México, s/nº - Cinelândia
De 25 a 29 de outubro, às 18h

Interessados em receber certificado de participação devem ligar para (21) 3237 3947

24.10.04


Hebréia a musa de Castro Alves
Na proxima terça, dia 26 às 19 hs, na Sinagoga Beth-El, á Rua Barata Ribeiro, 489 em Copacabana, Rio de Janeiro, com entrada franca, um luxuoso evento poético-musical-literário
em homenagem ao poeta baiano Castro Alves (1847-1871), um dos principais nomes do romantismo brasileiro e porta-voz literário da abolição da escravatura.
Abertura do evento: A pesquisadora Anna Bents vai falar sobre Hebréia;
Moisés, o primeiro abolicionista da história, é o tema de Elias Haim Negri;
Judeus e negros no olhar poético de Castro Alves, por Sara Cavalcanti;
Mery Roberta Amzalak - a musa de Castro Alves, por Luiz Benyosef.
Navio Negreiro, performance dos atores Ida Gomes, Felipe Wagner, Fernando Reski e Isio Ghelman.
Os musicos Leon Rousseau (bandolim) Edson Cordeiro (violão e voz) interpretam "Hebréia" na partitura original especialmente composta pelo Maestro Carlos Gomes(ele mesmo, o compositor da ópera "OGuarani") para a poesia do Castro Alves, até então completamente inédita no Rio e outras capitais.

A musa do poeta e seus descendentes - judeus de origem sefaradi
Salvador, 1866. As famílias Alves e Amzalak eram vizinhas e amigas. A riqueza dos Alves era o talento de seu filho Antônio, que veio a ficar conhecido pelo nome poético de Castro Alves. O maior orgulho dos Amzalak, judeus de origem sefaradi, era a beleza exótica de suas três filhas, Ester, Simy e Mery Roberta. Castro Alves tinha apenas 19 anos e se apaixonou, platônicamente, como convinha à época, por uma das três irmãs, a quem dedicou um de seus mais belos poemas: Hebréia. Perguntado à qual das três se referia, o poeta, delicadamente, respondeu: à mais bela.
Quase um século e meio depois esse mistério pode ser finalmente desvendado por uma incansável pesquisadora, que além de identificar o nome da musa do poeta, conseguiu localizar seus descendentes. Para surpresa, descobriu-se, também, que Hebréia havia sido musicada por Carlos Gomes, tendo virado modinha popular no interior da país.
Os que lutam

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.

Bertolt Brecht


Este poema de Brecht é uma homenagem ao ator e diretor AILTON AMARAL idealizador e organizador da Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua, em Paraty, o mais importante festival de teatro de rua do País. Este ano, na sua terceira edição, o festival esteve ameaçado de não se realizar, chegando a ser adiada a sua relização, motivada pela retirada do apoio oficial.
Ailton foi á luta e conseguiu por o seu festival na rua, com "pequenos apoios de alguns empresários da cidade e também com o esforço consciente da nova secretária de cultura do município, Srta. Maritza Bonn, refiz a programação da mostra e ela acontecerá nos próximos dias 22, 23 e 24", como ele conta no seu blog o ParaisoParaty.
"Pois é isso, os governos passam mas a gente fica e nossa arte e profissão e, principalmente, nosso público já tão carente e necessitando de prazeres e motivos para refletir, não pode ficar a mercê de mandos e desmandos de governos...". Falou Ailton!

22.10.04

O homem do baú e o Zé no mesmo palco?Eu não vou me surpreender se o Sílvio Santos daqui há pouco estiver trabalhando como ator no palco do Oficina com o Zé, além de abraçar os projetos todos do Oficina. O convite para trabalhar no Oficina já foi feito pelo Zé. "Quis saber quanto custa o projeto. E o convidei para atuar. ... a partir de hoje mudou a relação", com Sílvio Santos. Conheço muito bem o poder de persuasão do Zé. Meu encontro com ele nos anos setenta mudou definitivamente o rumo da minha vida.
VAMOS COMER ZÉ CELSO
- Tudo que se chama de mix, tudo o que se vê de imigração que contorna cidades e devora a cultura ocidental, é a própria cultura, que está comendo e vai comer o mundo. Os povos devoram e vomitam o moralismo, a noção do bem e do mal, da cultura puritana, as utopias e as igrejas
- É necessário sempre pegar as forças do arcaico para ser contemporâneo. Vai acabar essa coisa de ir sempre em frente, sempre negando, essa coisa ?moderna? e niilista. A cultura brasileira é uma espécie de helenismo antropofágico que incorpora o Oriente, o Ocidente, o hindu, abrange tudo. É uma geração como essa que vem por aí. Há um ressurgimento do paganismo, e um retorno ao Oswald.
- O Sílvio Santos, que queria fazer um shopping ali, topou a idéia de abrigar essa Grécia carnavalesca. Vão fazer estacionamentos, bares, livrarias, mas vai virar um trans-shopping , no sentido do trans-homem , e não do super-homem, essa péssima tradução de Nietzsche. Vamos fazer uma oficina de florestas, e transformar a sinagoga que há no conjunto numa universidade de cultura brasileira de mestiçagem. Um shopping que vai sair dessa coisa enclausurada. Estamos trabalhando com crianças pobres que antes arrombavam os carros da redondeza, e é esse processo de inclusão que vai garantir a segurança do lugar para a burguesia consumir a sua cultura. O Sílvio Santos entendeu tudo direitinho. Afinal, ele é um artista, ele é um palhaço, como eu sou, e me orgulho de ser. Tenho certeza que vamos atuar juntos no palco dia desses.
Zé detonando todas entrevista ao Arnaldo Bloch. Texto completo aqui em O Globo de hoje.

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
MANIFESTO ANTROPOFÁGICO, postado na íntegra aqui no Artimanhas.
Oswald de Andrade (1890/1954)


17.10.04

Uma fábula moderna, aqui no Artimanhas.
Denise Stoklos em temporada relâmpago no Rio
Na próxima terça, depois de amanhã, dia 19, e na outra terça, dia 26,
em dois horários às 18 hs. e às 21 hs., no TEATRO GLORIA, o mais recente
espetáculo da Denise Stoklos, Calendário de Pedra. Preços populares, informações pelo tel. 2555-7262.
Fiquem espertos e corram para reservar o seu ingresso e ter o privilégio
de assistir essa atriz maravilhosa.

"Hoje acordei com vontade de mudar o mundo. Voltei pra cama e passou ..."
Do blog do Flavio, "um cara que parece um avestruz e que gosta de sorvete de ego".
Dica de livro solicitada por uma amiga para a sua dissertação de mestrado intitulada "Corpo no ritual", e de mais dois livros importantíssimos sobre o Método Laban.

"EM NOME DO CORPO" de Nízia Villaça e Fred Góes (Editora Artemídia Rocco)
Este livro é o resultado de uma pesquisa de cinco anos desenvolvida pelos autores, a partir de cursos ministrados na Graduação e Pós graduação da Escola de Comunicação da UFRJ. embasados nas teorias de F.Guattari "As três ecologias", em Gilles Deleuze, Michel Foucault, Walter Benjamin, Michel Maffesoli, Pierre Levy, José Gil, entre outros pensadores modernos. Os autores traçam um panorama bem abrangente, nessa complexidade de se nomear o corpo, de inventar uma identidade cultural a partir de intervenções em si mesmo e na natureza. Os autores focalizam experiências de intervenções corporais - do "body building" ao "body modification", cartografias corporais, metacorpo, etc... E um capitulo inteiro do livro vai te interessar de perto: ESPAÇO E PROXEMIA: RITUALIZAÇÃO DO CORPO.

LABAN- O MESTRE DO MOVIMENTO (Reflexões sobre o pensamento e a prática de Rudolf Laban por Maria Mommensohn e Paulo Petrella (Summus Editorial)
Os autores reunem artigos que contam experiencias do método na dança, teatro e terapia, a partir dos fundamentos universais da arte do movimento elaborados pelo Mestre.
Laban é o nosso grande mestre no estudo do movimento, nas potencialidades dinamicas do corpo, e é a técnica que mais tem a ver com nosso trabalho na dança e no teatro.

O MOVIMENTO EXPRESSIVO de Regina Miranda, pesquisa da bailarina e coreografa, publicada pela FUNARTE. É um dos mais completos estudos sobre a técnica de Laban, é o be-a-bá da técnica. É daqueles que temos de ter sempre por perto. A edição está esgotada, e se interessar a alguém, posso xerocar o meu.

12.10.04

"Eu te oferecí miojo e você preferiu macarrão".
Neologismos do meu sobrinho Ernesto.

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A criança é o objeto de consumo da modernidade
Quem falou assim foi o psicomotricista argentino ESTEBAN LEVIN, uma das mais importantes autoridades internacionais em psicomotricidade infantil, num Seminario do qual eu participei, no início do ano, aqui no Rio. Nunca refletí tanto sobre isso.

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Voltei a postar no meu outro blog, o Artimanhas. Tem novidades lá.

19.9.04

O cinquentenário grupo de marionetes, o TIM, é homenageado pelo POA Em Cena
Se eu não fosse gaúcha, e, não tivesse participado e acompanhado a trajetoria nacional e internacional do TIM-Teatro Infantil de Marionetes de Porto Alegre, não acreditaria nessa incrível, extraordinária, surpreendamental, fenomenal façanha artístico-existencial.
É difícil crer que em nosso País, algum grupo com pretensões artísticas chegue a completar cincoenta anos de atividades ininterruptas. Além de todas as dificuldades inerentes à qualquer atividade artística, um grupo de teatro infantil (não tem nem camarim nos teatros, os atores dividem o camarim com o teatro para adultos), e de marionetes -- arte rara e difícil, e, completando o inusitado fato: fora do eixo Rio-São Paulo.
O POA EM CENA, na sua 11a. edição, oportunamente, presta a devida e merecida homenagem aos intrépidos integrantes do TIM. O diretor do grupo, o Antonio Carlos Sena, é pai do Cacá Sena (ex-integrante do Cem Modos e atual diretor do grupo Bonecos Gigantes de POA) e da Inês Sena, bonequeira e produtora. Parabéns ao TIM, e especialmente, à talentosa bonequeira do TIM que deu um lar a esses artistas: a minha irmã RENEIDI MEZECK DE SENA. Aqui, fotos da família Mezeck-Sena na terra de Molière.
HISTÓRIAS BONEQUEIRAS
Provavelmente o mais antigo grupo de marionetes da América Latina em atividade ininterrupta, o Tim - Teatro de Marionetes, grupo gaúcho que completa 50 anos no próximo dia 25, está sendo homenageado pelo Em Cena com uma exposição gratuita no mezanino da Usina do Gasômetro das 10h às 23h e apresentações hoje, amanhã e dias 25 e 26 no mesmo local, às 18h. Zero Hora conversou com Antônio Carlos de Sena, 63 anos, filho da fundadora do grupo, para relembrar algumas histórias dos 50 anos do grupo.
Da Escola ao Palco
O Tim - nome que antes correspondia à sigla Teatro Infantil de Marionetes e que depois virou nome mesmo - começou como experiência didática, em 1954, quando a então professora de artes do Colégio Duque de Caxias Odila Cardoso de Sena aprendeu em um curso a confeccionar marionetes para usar em aula. Os três primeiros, utilizados em breves esquetes na própria sala de aula, logo passaram a "atuar" em festas da família Sena e da vizinhança, no bairro Azenha, em que moravam na época.
Odila, hoje com 91 anos, continuou fazendo marionetes e logo o filho Antônio, 14 anos na época, e alguns amigos completavam a primeira formação do grupo. Os "atores", hoje em número de 80, foram todos confeccionados por Odila. A cabeça, esculpida em uma massa formada por serragem e cola artesanal. O corpo, moldado em arame e forrado com algodão e tecido. Detalhe: todos os 80 bonecos ainda usados pelo Tim são os mesmos feitos por Odila entre 1954 e 1961.

Rumo a São Paulo
A profissionalização do Tim se deu em 1958, quando Antônio Carlos e os três amigos viajaram a São Paulo em uma aventura artística. Sem nada agendado, puseram os bonecos na mala e rumaram à capital paulista para batalhar espetáculos e apresentações. Tiveram sorte. O amigo na casa de quem ficaram hospedados conhecia um produtor da TV Tupi, e o grupo foi parar na telinha, novidade recente no Brasil. A visibilidade da tevê ajudou a garantir um teatro para o grupo se apresentar por duas semanas, sempre com casa cheia.
- TV era algo de que a gente aqui só havia ouvido falar. Fomos conhecer o que era já dentro do estúdio, sendo entrevistados - conta Antônio.

Seu "Mário"
Ainda no começo dos anos 60, Antônio Carlos de Sena e os amigos que também formavam o grupo aproveitaram uma excursão pelo interior do Estado para divertirem-se em um baile.
Na manhã seguinte, o grupo faria um espetáculo em um cinema da cidade, e o jovem Antônio procurou o locutor do clube e se apresentou como "diretor do Teatro Infantil de Marionetes", pedindo para dar um recado sobre o show.
O locutor pediu a atenção de todos, chamou Antônio ao palco e anunciou com toda solenidade:
- Este é o Senhor "Mario Netes", diretor do Teatro Infantil que se apresenta amanhã.

Antônio e os amigos seguraram o riso e, elegantemente, evitaram corrigir o homem.

- O homem passou o baile todo querendo saber se Netes era um sobrenome italiano ou espanhol - relembra Antônio.

Na TV Piratini
A experiência na TV Tupi, em São Paulo, garantiu que o Tim fosse chamado em 1960 para um programa semanal na recém aberta TV Piratini, Canal 5. Nos heróicos tempos sem videoteipe, a cada semana o grupo tinha a missão de levar ao ar uma história diferente, aprendendo enquanto fazia. Antônio diz que data dessa época o real aprendizado do grupo em termos de roteiro e dramaturgia. Para o programa, dona Odila confeccionou novos personagens
Um dos integrantes do grupo era o hoje assessor especial para Assuntos Internacionais do governo Lula, Marco Aurélio Garcia. Antônio lembra, divertido, que foi Garcia o responsável pela "demissão" do grupo da Piratini em 1962, ao criar um roteiro que contava, com marionetes, a fracassada invasão americana à Baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar Fidel Castro do poder.

- Naquela época, TV ao vivo e tal, a gente aprontava as coisas e com muita liberdade. Quando a direção viu, o programa já estava no ar.

Íntegra da reportagem publicada no jornal ZERO HORA de 18/setembro/2004.


O TIM na TV Piratini nos anos 60.O último da esquerda para a direita, esse gurizinho abusado de terno e gravata é o meu cunhado Antonio Carlos Sena, e atrás dele esse outro guri cheio de estilo, com o dedão no bolso, é o famoso ortopedista Dr Nelson Menda (diretor-proprietário do Centro Ortopédico de Ipanema). Ele conta sempre que a sua carreira de médico ortopedista começou nessa época, quando começou a manipular os bonecos de marionetes. Da manipulação das articulações -- as dobradiças do corpo humano, como diz a Mestra Angel Vianna -- dos marionetes, às dobradiças dos humanos, foi só a continuação da brincadeira.

10.9.04

Excepcionalidades e Marias do Brasil
No final da semana passada, saindo do meu recesso teatral, fui ao Teatro Villa Lobos, para acompanhar os nossos alunos da FUNLAR -- crianças e adolescentes com dificuldades especiais, que foram convidados pela produção do espetaculo " MARIAS DO BRASIL - a nossa história transformada em fábula ", espetáculo paulista, em cartaz aqui no Rio.

Um espetáculo para crianças que merece ser visto por todo o mundo, e especialmente os militantes da arte de representar. Texto e direção ótimos, musicas lindas do Chico César e a fantástica performance musical-corporal dos meninos do Barbatuques tirando sons do corpo, elenco competente mandando ver todas as linguagens cênicas -- e que atrizes maravilhosas! Imperdível.

Imaginem o encantamento e beleza dos nossos alunos, cada um a seu modo, nas suas multiplas dificuldades, expressando a alegria de estar ali naquele momento assistindo um espetáculo teatral, e alguns pela primeira vez na vida. No final, quando o elenco sai pela platéia, uma linda e comovente confraternização com os atores. Acredito que o elenco se enriqueceu, e muito, nesse contato direto com esse público tão especial.

E sabe aquela conhecida frase: não cabia em si de contentamento, acho que agora eu descobrí mais sobre a sua dimensão e o seu real significado. Sentí isso, observando a reação de todos os nossos alunos, e especialmente, através da expressão corporal, do rosto iluminado e do olhar pleno de alegria de um aluno nosso -- um rapaz tetraplégico e paralisado cerebral, na saída do espetáculo.

Ah, e o espetáculo fica em cartaz aqui no Rio, só mais duas semanas, aos sábados e domingos às 17 hs. no Teatro Villa Lobos até o dia 19 deste mês.
Fiquem espertos.
Não vá ou se arrependerá para sempre ...

5.9.04


Na frente do Teatro Cacilda Becker, uma cena da performance atendendo a pedidos de admiradores. Da esquerda para direita, Priscila, Joselaine, Charles, Daniele, Iara, Leydiane. Faltou a Beatriz que teve uma súbita dor de cabeça, e recusou-se a posar para os fotógrafos.
E no mais, é como observou a Joselaine:
- "É tanto cumprimento que só falta pedirem autógrafo pra gente".






Qual é o parangolé ?
Os meus amigos e leitores desse blog desculpem as pausas e interrupções dos posts aqui. Prometo que a partir de agora terá pelo menos uma postagem semanal. Certo?
E aproveito para comunicar que agora estou um pouco menos acelerada porque um dos meus projetos profissionais para este ano, o Parangolé da Vila, estreiou esta semana na mostra de dança Dialogando com a diferença, no Teatro Cacilda Becker -- uma promoção da Faculdade Escola Angel Vianna. Já temos convites para várias apresentações em outros espaços. Sorry. Depois eu conto.

"PARANGOLÉ DA VILA", é o título de uma performance corporal com os meninos e meninas do PETI (Comunidade do Morro dos Macacos) na FUNLAR de Vila Isabel , com a concepção, direção, e coreografia desta escriba. Este trabalho faz parte do projeto anual das minhas aulas de expressão corporal -- um work-in-progress baseado nos famosos "parangolés" criados pelo artista plástico Helio Oiticica. É uma homenagem ao Helio pela comemoração dos quarenta anos de criação dos "parangolés", em julho de 1964. E não por acaso, o nosso planejamento de trabalho no ano em curso, dentro do Projeto Angel Vianna na FUNLAR, teve como referência os objetos relacionais criados pela artista plástica Lygia Clark.

Agitação súbita ou alegria inesperada, era o significado de parangolé na gíria dos morros cariocas nos anos 60. Era tanto o burburinho de uma roda de samba quanto o susto de uma batida policial. Mas para Oiticica, parangolés eram capas de seda, algodão ou náilon, criadas por ele, e apresentadas pela primeira vez em 1965, no MAM do Rio de Janeiro, com a participação especial dos passistas e sambistas da Mangueira. Essa apresentação foi um ato de protesto do artista, quando à época, foi proibido de expor suas obras nesse espaço.

Aproveitando o parangolé, uma homenagem a dois grandes artistas da nossa MPB : ADRIANA CALCANHOTO e MARTINHO DA VILA. A performance corporal é realizada ao som de Parangolé Pamplona do disco Maritimo da Adriana, e no final o samba no pé e no coração, com Canta, canta minha gente do da Vila.

29.8.04

... continuando as histórias do Voador, aqui vai a foto da capa do Expresso Voador número zero criado, editado e batalhado pelo poeta Chacal. Ele conseguiu na lábia rodar o jornal de graça nas oficinas do saudoso Jornal do Brasil. Ele segurou essa onda do Arpoador, semanalmente, até a última semana de março, quando o circo foi levado pelo "rapa" na calada da noite.
Imaginem o susto do Perfeito Fortuna, chegando às sete da madruga para assinar o ponto na praia em frente, e o circo tinha sumido. E o meu espanto, no café da manhã, antes de sair para o trabalho, ao telefone ele me contava a fantástica história num dia primeiro de abril de 1982. Isso é uma longa história, e contarei depois. Voilà.






UP DATE: Dei um tempo nesses posts do Voador, porque além da trabalheira toda de mexer nos meus alfarrábios, e o escasso tempo para essa façanha, a poeira desses guardados me incomoda. Vou deixar baixar as poeiras todas e voltarei ao assunto. Prometo. Tenho a pretensão de contribuir de alguma forma para a memória cultural do nosso País. Helàs! Excusez-du-peu. Mijoter? Moi? Ça va sens dire. Voilà.

15.8.04

Continuando a fantástica história do circo que voa...

Uma semana depois daquele domingo quando aconteceu a surprendamental parada voadora, desfilando pelas ruas de Ipanema, Praça Na. Sa. da Paz e Av. Vieira Souto, o Circo Voador baixou no Arpoador, estreiando numa sexta-feira do dia 15 de janeiro de 1982.
Esta escriba, mandava assim no primeiro press-release do Circo Voador.
( Copiarei aqui na íntegra, no mesmo estilo e diagramação, a primeira página das quatro que foram para a imprensa. E nem vou contar o tamanho da façanha de fechar a programação toda, entre as dezenas de grupos e mais uma centena de artistas participantes ).
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C I R C O V O A D O R 1 9 8 2

A R P O A D O R R I O B R A S I L T E R R A

ASDRUBAL TROUXE O TROMBONE -- V E R Ã O V O A D O R 82


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( ...)
Grave-se isso: o circo está ai.
Voando, voador como uma gaivota no arpoador.
O circo tá aí para ser vir de ninho
para seus ovos mais ousados.
Para servir de helioporto
para seus vôos mais cascudos.
O circo está aí. Vai lá e pede
licença.


CHACAL poetando no EXPRESSO VOADOR -- Edição extra número zero, dando a partida para os eventos do ENCONTRO DE VERÃO.
O EXPRESSO VOADOR, vai circular semanalmente dizendo das atividades culturais e artísticas abrigadas pelo CIRCO VOADOR neste verão de 82 coordenadas pelo ASDRUBAL TROUXE O TROMBONE.

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ESPETÁCULOS DE ESTRÉIA DO VOADOR

Estréia do dia 15 (sexta-feira) às 21 horas:
"PÁRA QUEDAS DO CORAÇÃO" apresentação do Corpo Cênico Na. Sa. dos Navegantes grupo do PerfeitoFortuna.
(Up date: nesse grupo chamava a atenção um jovem com dezenove anos de muita manha e arte, o ator-músico-cantor que atendia pelo codinome de Caju -- o então estreante Cazuza).

"FAZENDO BONITO" com o grupo Vivo muito vivo & bem disposto do Hamilton Vaz Pereira.
(Up date: do grupo do diretor do Asdrubal, tinha o poeta, jornalista e escritor Fausto Fawcett, as atrizes Bia Junqueira, Carina Cooper e a Karen Acioli, o Robertinho Berliner -- antes da TVZero, e outros que eu não lembro mais).

"O QUE ME MATA É A MINHA TIMIDEZ" apresenta o GrupoSem Vergonha, do Luiz Fernando Guimarães -- Férds para os íntimos.
(Update: eu não consigo lembrar de ninguém do grupo do Férds).

"ESPETACLINHO", espetáculo do Grupo Banduendes por acaso estrelados do Evandro Mesquita e da Patricia Travassos.
(Up date: desse grupo, eu lembro do Ricardo que foi para a Escola Nacional de Circo e depois foi fazer carreira circense na Europa. O grupo Banduendes durante muito tempo fez as performances de abertura dos shows da Blitz).

Estréia do dia 16 (sábado) às 21 horas: apresentação do espetáculo do "ABRACADABRA" -- grupo circense e "CORINGA" -- grupo de dança, e outros.
(Up date: O grupo Abracadabra era dirigido pelo Breno Moroni e a Malu, jovens artistas circenses que tinham acabado de voltar de Londres, onde estudavam. E o Coringa era o grupo de danças da Graziela Figueiroa, bailarina e coreografa uruguaia que trouxe uma importante contribuição à nossa dança contemporânea).

Estréia do dia 17 (domingo) às 21 horas: apresentação dos grupos MANHAS & MANIAS ( dirigido Zé Lavigne -- atual diretor dos Casseta e Planeta, e nesse grupo, tinha o Chico Diaz, a Debora Bloch, Marcio Trigo, Felipe Tenreiro, entre outros), SEM VERGONHA, grupo do Luiz Fernando Guimarães e COBRA CORAL. ( Esse último, se não me falha a memória era o grupo de canto dirigido pela Stella Miranda -- a mesma que dirigiu Diogo Vilella no espetáculo apresentado no CCBB, há alguns anos atrás sobre a vida do Nelson Gonçalves).

REGINA CASÉ vai coordenar as apresentações dos espetáculos dos três dias de estréia.

O prêço do ingresso é a camiseta com o logotipo do CircoVoador -- criado por Maurício Sette -- que está sendo vendida ( dois mil cruzeiros ) no local á tarde.

1.8.04

Tombei, tombei, tornei tombá
A brincadeira já vai começá.
Ô, raia o sol, suspende a lua
Olha o palhaço no meio da rua


E nesta panoramica parcial da surpreendamental, adivinhem quem mostra a sua cara exibidinha de óculos escuros, aí no canto esquerdo da foto? Adivinhou quem falou Evandro, o Mesquita.


E, aqui no canto direito da página o perfil satisfeito do Perfeito (Antonio Perfeito Fortuna Serra Lopes), apesar de varar as madrugadas, dias e noites, sem dormir, alimentado só da brisa do Arpoador, cuidando da aterrisagem do Voador.
E a gostosona com cara de bailarina do Faustão, desfilando fagueira á frente do carro alegórico é a surpreendamental atriz Regina Casé.


Panorâmica da festança, com o Férds (Luiz Fernando Guimarães) lá em cima no canto direito de óculos de piscina, e em baixo dá pra ver a Regina (Casé) e o Evandro (Mesquita), e mais as carinhas da Alice Andrade, Katia B,Hamilton Vaz, Bebel Gilberto e etcs...


Alguém aí arrisca um palpite? Esta bela quem é ela? Acertou quem pensou na Regina Casé.


A linda e expressiva morena é a musa do Voador, a inspiração do Perfeito e a paixão de todos nós, a Alice Andrade. A linda loura é a atriz e cantora Katia Bronstein que agora é a Katia B.


Gente, até ele deu as caras lá, o asdrubal-mór, o genial Hamilton Vaz Pereira, filosofo, diretor, autor, ator e tudo mais do grupo "Asdrubal trouxe o trombone". E à esquerda, esse cara com cara de zorro, é o Ivo Setta, que me assessorava na divulgação e imprensa, já na fase do Voador na Lapa.


As 3 graças, são as maravilhosas atrizes do ex-grupo Manhas & Manias que era dirigido pelo atual diretor dos casseta&planeta da Globo, o José Lavigne, ex Zé Lavigne. A graça da esquerda é a Karina Cooper, a graciosa do meio eu não lembro do seu nome, e a gracinha à direita é a ex-Debinha do Manhas, a ótima atriz Débora Bloch que também atende pelo nome de Madame Olivier Hanquier.





Alice Andrade e Ruth Mezeck do nucleo fundador do Voador com Perfeito Fortuna, Marcio Calvão e Maurício Sette, foto publicada no Caderno B do JB de 13/feveireiro/1982
O CIRCO VOA ...
Não se espantem os meus distintos leitores, mas esta escriba tá na área pra vos apresentar através de registros fotográficos e textos na mídia impressa, e mais alguns textos do fenomenal poeta profeta Chacal, a performance blogueira intitulada "A verdadeira história do circo que voa ou arquivo bom é arquivo morto".
O porquê disso? Pra melhor informar e divulgar os aprontos de algumas dezenas de pessoinhas aladas que sem um tostão -- sem uma verba, apoios oficiais ou similares -- conseguiram armar um surpreendamental circo na Praia do Arpoador no verão de 1982, um marco definitivo na arte e na cultura brasileira. Eu estava lá, viva, muito viva e bem disposta, atuando com alarde na divulgação e lançamento do Voador, como participante do nucleo fundador do Circo Voador no Arpoador. Ave aves voláteis, como diria o profeta poeta Chacal.

6.6.04

É só uma pausa ...
A vida necessita de pausas, assim falou Carlos Drummond de Andrade.
E parodiando o poeta, eu digo que este blog fez uma pausa nos posts porque a blogueira que posta aqui está a mil por hora, minuto, segundo, exagerada que só... e sem nenhum tempo disponível para blogar. Simples assim.
Acontece que entre as muitas invenções e reinvenções de mim (Mim, quem? Tem muitas outras em mim, que eu não sei, e plagiei aqui o Paulo Leminski, em "Catatau"), tenho nesse momento outras prioridades na minha vida. Enquanto isso, este blog repousa em paz. Enquanto isso eu vou até ali na esquina, e já volto, viu ? Até mais. Je revien mes enfants. Bien-sûr.

14.5.04

Pulsar Cia. de Dança e o projeto "Humaitá para todos" no Sergio Porto
Exposição de fotos do fotografo cego Egven Bavcar, espetáculos de música e dança, organizados pelo Programa Arte Sem Barreiras, da Funarte, em parceria com a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. De 7 a 9 - apresentação da pianista Miriam Esteves e da Pulsar Cia. de Dança.
De 7 a 16 - exposição de fotos Nus femininos, de Evgen Bavcar.
De 14 a 16 - apresentação do pianista Paulo Romário e da Cia. Pulsar de dança.
Sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Espaço Cultural Sérgio Porto, rua Humaitá, 163. Humaitá, RJ.
A Pulsar Cia de Dança, grupo carioca que mistura bailarinos com e sem deficiência motora, criada em 2000, no Rio de Janeiro, e dirigida pela bailarina e coreografa Teresa Taquechel, integrante do Núcleo Coreográfico da Escola e Faculdade Angel Vianna, vem propondo um novo olhar dentro da estética da dança.
A Pulsar Cia. de Dança, pesquisa o seu novo espetáculo "Por trás da cor dos olhos", e se prepara para representar o Brasil, no próximo mês, participando do International VSA Arts Festival, em Washington.
Composta por bailarinos e atores com e sem deficiência, a Pulsar busca uma singularidade na diferença. A identidade de cada intérprete é fonte de criação, um estimulo ao olhar em relação à multiplicidade do individuo.
No ano passado, Rogério Andreolli, integrante da Cia. tornou-se o primeiro bailarino profissional em cadeira de rodas no Brasil. Uma conquista pessoal e da Cia., abrindo um caminho para que outros bailarinos com deficiência possam obter o seu registro profissional.
Numa apresentação da Cia. no ano passado em Brasilia, numa estrevista ao Jornal do Brasil, Rogerio comentou:
- Perdi o medo de sair da cadeira. A dança aumenta e ajuda muito a sua auto-confiança, sua auto-estima - contou Rogério. "Vítima de pólio quando bebê, ele tem as pernas finas, com pouca mobilidade, mas maleáveis de maneira fora do comum. Parece borracha, comentava-se entre a platéia. Mais que aprimorar a sua arte, o bailarino usou a dança para melhorar sua vida", comentava o entusiasmado reporter do JB.
Ainda no JB,o relato surpreendente: "depois da apresentação, o grupo se reuniu para responder perguntas da platéia. O bem-humorado bailarino lembrou que, em um dos ensaios, torceu o dedão do pé e teve que ir ao médico. Quando chegou lá, teve que explicar a contusão: se eu contar, você não vai acreditar, avisou. Ao dizer me machuquei dançando, o médico não evitou as risadas incrédulas.

Teresa Taquechel, Renata Souza e Andréa Chiesorin da "Pulsar Cia. de Dança", só até amanhã no Espaço Cultural Sergio Porto, no Humaitá.

25.4.04


A matéria com o Zé na Caros Amigos está imperdível. Grande momento do entrevistado e dos ótimos entrevistadores.
O Homem do Baú e Zé Conselheiro

Baú, baú da felicidade...
Depois de mais de vinte anos de espera, finalmente aconteceu o encontro mais aguardado do teatro paulista. Sílvio Santos foi ao Teatro Oficina encontrar o José Celso Martinez Corrêa. "O Silvio veio sozinho, sem paranóia, chegou na hora, isso é importantíssimo", disse um emocionado -- e bota emoção nisso -- Zé Celso à reportagem da Folha. O encontro que pode mudar os destinos da cultura e do teatro brasileiro teve as participações especiais do brilhante Contardo Calligaris em "Carta Aberta a Sílvio Santos" -- um artigo seu publicado na Folha, e a mediação do nobre senador Senador Eduardo Suplicy, presentes no encontro do Oficina. O lindão do Supla também esteve presente acompanhando o seu pai.
Eu não vou me surpreender se o Sílvio Santos daqui há pouco estiver trabalhando como ator no palco do Oficina com o Zé, além de abraçar os projetos todos do Oficina. O convite para trabalhar no Oficina já foi feito pelo Zé. "Quis saber quanto custa o projeto. E o convidei para atuar. ... a partir de hoje mudou a relação", com Sílvio Santos.
Conheço muito bem o poder de persuasão do Zé. Meu encontro com ele nos anos setenta mudou definitivamente o rumo da minha vida. Ainda vou contar isso aqui. Prometo.

19.4.04

Mensagem (discreta) pro LULA -- do Gerald Thomaz
A grandiloquencia não significa nada fora do palco. Aliás, significa sim. Dá um certo mal estar, por estar fora de contexto, sendo ela, a grandiloquencia uma imagem velha e publicamente podre (usada pelos padrões mais antigos do teatro antigo, antiquado, canastrão).
(...) Suje suas maos de novo, assim como elas ja estiveram, sujas de orgulho e metal e ferrugem. Essa seria uma imagem eloquente...
(...) Não queremos desistir de Lula. Não eh essa a questao. Mas não queremos vê-lo preso como uma mosca numa teia onde ele nao consegue se mexer - fazendo de conta (como se fosse um grande ator da velha escola francesa) que está num espetáculo da Comédie Française.
O post completo está aqui no blog do Gerald.

6.4.04

A t r i z
A morte emendou a gramática.
Morreram Cacilda Becker.
Não era uma só. Era tantas.
Professorinha pobre de Piraçununga
Cleópatra e Antígona
Maria Stuart
Mary Tyrone
Marta de Albee
Margarida Gauthier e Alma Winemiller
Hannah, Jelkes a solteirona
a velha senhora Clara Zahanassian
adorável Júlia
outras muitas, modernas e futuras
irreveladas.
Era também um garoto descarinhado e astuto: Pinga-Fogo
E um mendigo esperando infinitamente Godot.
Era principalmente a voz de martelo sensível
Martelando e doendo e descascando
A casca podre da vida
Para mostrar o miolo da sombra
A verdade de cada um nos mitos cênicos.
Era uma pessoa e era um teatro.
Morrem mil Cacildas em Cacilda.

Carlos Drummond de Andrade

Walmor Chagas e Camila Amado -- moment tendresse dos dois amigos -- na Exposição Cacilda Becker, e ao fundo a famosa foto de Cacilda numa cena do espetáculo "Esperando Godot", de Beckett. Ela interpretava Estragon, e Walmor o Wladimir.
O espetáculo estreiou em abril de 1969, em um dos períodos mais acirrados da ditadura militar, e Cacilda declarava à época:

"A angústia está em todos nós e Beckett não fez mais do que trazê-la á tona. Todos nós estamos à espera de Godot. Wladimir acredita que ele venha e Estragon, não."

A temporada de "Godot" foi interrompida 28 dias depois da estréia, quando no intervalo da peça, ela teve um derrame. Foi operada, mas não sobreviveu, falecendo em 14 de julho de 1969." E no mas, é como disse o poeta Carlos Drummond de Andrade, num poema em homenagem à atriz: Morreram Cacilda Becker

Numa visita à Exposição Cacilda Becker, depois do debate no palco, Walmor Chagas troca idéias com uma estudante de teatro no foyer do Teatro Glauce Rocha


No Teatro Glauce Rocha lotado nesta segunda feira para uma conversa com o ator Walmor Chagas e o lançamento do projeto "Laboratorio do Ator" oficina de reciclagem para atores profissionais em todo o País.
Sentados no palco, a atriz Cristina Pereira -- Coordenadora de Teatro, Dança e Ópera da FUNARTE, e a minha outra conterrânea, a atriz Suzana Saldanha que colaborou na implantação desse projeto; Emilio de Mello e Camila Amado -- os dois atores ministram as oficinas inaugurais no Rio e o ator três emes dentro dos padrões globais como ele mesmo falou: milionário, mulherengo e mau carater, o famoso e respeitado ator Walmor Chagas.


Exposição Cacilda Becker aberta ao público na Sala Aluisio Magalhães do Teatro Glauce Rocha, no Rio.

3.4.04

Isso é Super Maria!
Ela sempre surpreende os amigos. Esta eu soube pelo jornal OGlobo. Panfletrar na porta dos teatros, era o que faltava para o curriculo da Super Maria -- alcunha (huumm... alcunha!) que eu dei à atriz Maria Pompeu, o meu maior PR (ponto de referencia) aqui no Rio. Nos conhecemos quando ela fazia uma excursão teatral pelo sul do País, e eu ainda cursava arte dramática na UFRGS, em Porto Alegre. Mas esse post é pra dizer que à essa época, eu fui a espectadora privilegiada do melhor trabalho de interpretação dessa atriz: um monólogo de Tenessee Williams intitulado Retrato de Madona. E, aproveitando o meu blogar, inicío agora uma campanha para a remontagem da peça Retrato de Madona pela atriz Maria Pompeu. Viu Maria, ainda não mudei de opinião. Bien-sûr.

28.3.04

Bob Wilson quem diria ... acabou na Comédie!
Decididamente, o Mundo não é mais o mesmo, o diretor americano Robert Wilson a vanguarda da vanguarda do teatro mundial foi convidado e aceitou dirigir um espetáculo para a Comédie-Française -- o templo sagrado dos clássicos do teatro francês, e o que há de mais conservador e tradicional no teatro europeu.
Para colaborar com a Maison de Molière, como é chamada a Comédie pelos francêses, Bob escolheu doze textos das fabulas de Jean de La Fontaine -- tesouro sagrado da literatura francêsa para o povo francês, entre eles "A Cigarra e a formiga", "A raposa e as uvas" e "Os companheiros de Ulisses", entre outros, que ele adaptou para o teatro no espetáculo intitulado Fables de La Fontaine em cartaz até maio na Salle Richelieu da Comédie-Française.
O espetáculo é um sucesso de público e de crítica. Os doze atores do elenco interpretam cada um pelo menos dois animais com auxílio de máscaras, e estão encantados com o diretor e os seus métodos nada ortodoxos de trabalho. Felizardos.

Uma cena de "Fables de La Fontaine" , dirigida por Bob Wilson.

27.3.04


Benjamin de Oliveira, o palhaço que inventou o circo-teatro, no século 19, levando Shakespeare para o picadeiro, entre outros clássicos.

Hoje Dia do Circo e Dia Mundial do Teatro, este blog homenageia BENJAMIN DE OLIVEIRA, o palhaço que inventou o circo-teatro, adaptando e representando textos de Shakespeare e outros classicos da dramaturgia universal, reservando para si os principais papéis masculinos. Ficou famosa a sua adaptação de "Otelo" para o picadeiro entre outros textos do bardo. Representava o papel de Cristo, na Semana Santa, com o rosto pintado de branco, já que era negro. Esse multi-artista do século 19, atuava ainda como cantor, nos entreatos, executando ao violão os grandes sucessos da época: lundus, chulas e modinhas, principalmente as de seu amigo Catuloda Paixão Cearense. Benjamin de Oliveira é considerado o Rei dos Palhaços do Brasil. Nasceu em Minas em 1870, e faleceu aos 84 anos, no Rio em 1954.