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20.11.04

SAMWAAD - rua do encontro

Meninos, eu vi. Ontem, fui ao SESC Tijuca, aqui no Rio, para ver o espetáculo do bailarino e coreógrafo Ivaldo Bertazzo, Samwaad - rua do encontro, criado com mais cincoenta adolescentes de sete ONGs paulistanas, resultado do Projeto Dança Comunidade. Durante dezeseis mêses, esses jovens tiveram aulas de dança, canto, capoeira, etc. e o espetáculo é a prova final desses estudos.

Samwaad, palavra de origem indiana que significa harmonia e dialogo, traduzindo a idéia do Bertazzo quando pensou em unir a cultura oriental e ocidental. O maestro indiano Madhup Mudgal, foi o responsável pela trilha sonora e direção musical com a colaboração de sambistas brasileiros, ritmistas e percussionistas e de um mestre-sala, Paulo Roberto Hilário Matias que arrasa nos seus volteios, tendo como partenaire a bailarina convidada, a indiana Sawani Mudgal. Os dois são responsáveis por um dos melhores momentos do espetáculo.

O samba indiano do crioulo cabeça

Com todo o respeito e a admiração pela trajetoria artística do Ivaldo Bertazzo,em quasi três décadas de uma carreira profícua e talentosa, tendo criado espetáculos antologicos como Mãe Gentil e a Dança da Maré, quando criou o Corpo de Dança da Favela da Maré, e, também pelo seu respeitabilíssimo trabalho como terapeuta corporal, criador da Escola de Reeducação do Movimento em São Paulo, sendo o responsável pela vinda ao Brasil de Madame Béziers, a maior autoridade mundial em organização motora. Por toda essas contribuições à arte e a cultura do nosso País, o atual trabalho ficou aquém das suas outras realizações.

Li uma matéria sobre o espetáculo na revista "OCAS", onde o Ivaldo dizia:
-- Quando falei em escola de samba e indianos, me falaram: você tá maluco!, mas deu certo. Porque exigiu-se do sambista, sentar, ficar em silêncio elaborando uma harmonia musical que era proposta. Então ele foi tratado como músico erudito e adorou ser tratado com respeito,com serenidade.

Para mim, essa fusão Brasil-India, não rendeu o que o Bertazzo esperava. O decantado maestro indiano privilegiou o fundo musical com sons de musicas indianas e a música e o ritmo brasileiro do espetáculo sairam prejudicados. Ficou aquele som monocórdio de mantras, cítaras que cansaram os meus preciosos ouvidos.

E em alguns momentos, o espetáculo é muito cansativo. O espetáculo tem momentos belíssimos, os jovens bailarinos dão um show de uso corporal, de qualidade e sincronismo de movimentos, e receberam vários aplausos em cena aberta. Mas são momentos isolados, por que o todo não me agradou. O público aplaude com entusiasmo ao final do espetáculo.

Recomendo com reservas. O espetáculo merece uma ida ao Teatro do SESC na Tijuca. E também pelo fato de que é uma falha no nosso curriculo cultural não assistir um espetáculo do Ivaldo Bertazzo. Precisa ver, até para falar mal dele. Não se acanhe.
Esse final de semana os ingressos estão esgotados, mas hoje e amanhã as bilheterias do SESC-Tijuca estarão vendendo ingressos antecipados para a próxima semana.

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