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19.9.04

O cinquentenário grupo de marionetes, o TIM, é homenageado pelo POA Em Cena
Se eu não fosse gaúcha, e, não tivesse participado e acompanhado a trajetoria nacional e internacional do TIM-Teatro Infantil de Marionetes de Porto Alegre, não acreditaria nessa incrível, extraordinária, surpreendamental, fenomenal façanha artístico-existencial.
É difícil crer que em nosso País, algum grupo com pretensões artísticas chegue a completar cincoenta anos de atividades ininterruptas. Além de todas as dificuldades inerentes à qualquer atividade artística, um grupo de teatro infantil (não tem nem camarim nos teatros, os atores dividem o camarim com o teatro para adultos), e de marionetes -- arte rara e difícil, e, completando o inusitado fato: fora do eixo Rio-São Paulo.
O POA EM CENA, na sua 11a. edição, oportunamente, presta a devida e merecida homenagem aos intrépidos integrantes do TIM. O diretor do grupo, o Antonio Carlos Sena, é pai do Cacá Sena (ex-integrante do Cem Modos e atual diretor do grupo Bonecos Gigantes de POA) e da Inês Sena, bonequeira e produtora. Parabéns ao TIM, e especialmente, à talentosa bonequeira do TIM que deu um lar a esses artistas: a minha irmã RENEIDI MEZECK DE SENA. Aqui, fotos da família Mezeck-Sena na terra de Molière.
HISTÓRIAS BONEQUEIRAS
Provavelmente o mais antigo grupo de marionetes da América Latina em atividade ininterrupta, o Tim - Teatro de Marionetes, grupo gaúcho que completa 50 anos no próximo dia 25, está sendo homenageado pelo Em Cena com uma exposição gratuita no mezanino da Usina do Gasômetro das 10h às 23h e apresentações hoje, amanhã e dias 25 e 26 no mesmo local, às 18h. Zero Hora conversou com Antônio Carlos de Sena, 63 anos, filho da fundadora do grupo, para relembrar algumas histórias dos 50 anos do grupo.
Da Escola ao Palco
O Tim - nome que antes correspondia à sigla Teatro Infantil de Marionetes e que depois virou nome mesmo - começou como experiência didática, em 1954, quando a então professora de artes do Colégio Duque de Caxias Odila Cardoso de Sena aprendeu em um curso a confeccionar marionetes para usar em aula. Os três primeiros, utilizados em breves esquetes na própria sala de aula, logo passaram a "atuar" em festas da família Sena e da vizinhança, no bairro Azenha, em que moravam na época.
Odila, hoje com 91 anos, continuou fazendo marionetes e logo o filho Antônio, 14 anos na época, e alguns amigos completavam a primeira formação do grupo. Os "atores", hoje em número de 80, foram todos confeccionados por Odila. A cabeça, esculpida em uma massa formada por serragem e cola artesanal. O corpo, moldado em arame e forrado com algodão e tecido. Detalhe: todos os 80 bonecos ainda usados pelo Tim são os mesmos feitos por Odila entre 1954 e 1961.

Rumo a São Paulo
A profissionalização do Tim se deu em 1958, quando Antônio Carlos e os três amigos viajaram a São Paulo em uma aventura artística. Sem nada agendado, puseram os bonecos na mala e rumaram à capital paulista para batalhar espetáculos e apresentações. Tiveram sorte. O amigo na casa de quem ficaram hospedados conhecia um produtor da TV Tupi, e o grupo foi parar na telinha, novidade recente no Brasil. A visibilidade da tevê ajudou a garantir um teatro para o grupo se apresentar por duas semanas, sempre com casa cheia.
- TV era algo de que a gente aqui só havia ouvido falar. Fomos conhecer o que era já dentro do estúdio, sendo entrevistados - conta Antônio.

Seu "Mário"
Ainda no começo dos anos 60, Antônio Carlos de Sena e os amigos que também formavam o grupo aproveitaram uma excursão pelo interior do Estado para divertirem-se em um baile.
Na manhã seguinte, o grupo faria um espetáculo em um cinema da cidade, e o jovem Antônio procurou o locutor do clube e se apresentou como "diretor do Teatro Infantil de Marionetes", pedindo para dar um recado sobre o show.
O locutor pediu a atenção de todos, chamou Antônio ao palco e anunciou com toda solenidade:
- Este é o Senhor "Mario Netes", diretor do Teatro Infantil que se apresenta amanhã.

Antônio e os amigos seguraram o riso e, elegantemente, evitaram corrigir o homem.

- O homem passou o baile todo querendo saber se Netes era um sobrenome italiano ou espanhol - relembra Antônio.

Na TV Piratini
A experiência na TV Tupi, em São Paulo, garantiu que o Tim fosse chamado em 1960 para um programa semanal na recém aberta TV Piratini, Canal 5. Nos heróicos tempos sem videoteipe, a cada semana o grupo tinha a missão de levar ao ar uma história diferente, aprendendo enquanto fazia. Antônio diz que data dessa época o real aprendizado do grupo em termos de roteiro e dramaturgia. Para o programa, dona Odila confeccionou novos personagens
Um dos integrantes do grupo era o hoje assessor especial para Assuntos Internacionais do governo Lula, Marco Aurélio Garcia. Antônio lembra, divertido, que foi Garcia o responsável pela "demissão" do grupo da Piratini em 1962, ao criar um roteiro que contava, com marionetes, a fracassada invasão americana à Baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar Fidel Castro do poder.

- Naquela época, TV ao vivo e tal, a gente aprontava as coisas e com muita liberdade. Quando a direção viu, o programa já estava no ar.

Íntegra da reportagem publicada no jornal ZERO HORA de 18/setembro/2004.


O TIM na TV Piratini nos anos 60.O último da esquerda para a direita, esse gurizinho abusado de terno e gravata é o meu cunhado Antonio Carlos Sena, e atrás dele esse outro guri cheio de estilo, com o dedão no bolso, é o famoso ortopedista Dr Nelson Menda (diretor-proprietário do Centro Ortopédico de Ipanema). Ele conta sempre que a sua carreira de médico ortopedista começou nessa época, quando começou a manipular os bonecos de marionetes. Da manipulação das articulações -- as dobradiças do corpo humano, como diz a Mestra Angel Vianna -- dos marionetes, às dobradiças dos humanos, foi só a continuação da brincadeira.

10.9.04

Excepcionalidades e Marias do Brasil
No final da semana passada, saindo do meu recesso teatral, fui ao Teatro Villa Lobos, para acompanhar os nossos alunos da FUNLAR -- crianças e adolescentes com dificuldades especiais, que foram convidados pela produção do espetaculo " MARIAS DO BRASIL - a nossa história transformada em fábula ", espetáculo paulista, em cartaz aqui no Rio.

Um espetáculo para crianças que merece ser visto por todo o mundo, e especialmente os militantes da arte de representar. Texto e direção ótimos, musicas lindas do Chico César e a fantástica performance musical-corporal dos meninos do Barbatuques tirando sons do corpo, elenco competente mandando ver todas as linguagens cênicas -- e que atrizes maravilhosas! Imperdível.

Imaginem o encantamento e beleza dos nossos alunos, cada um a seu modo, nas suas multiplas dificuldades, expressando a alegria de estar ali naquele momento assistindo um espetáculo teatral, e alguns pela primeira vez na vida. No final, quando o elenco sai pela platéia, uma linda e comovente confraternização com os atores. Acredito que o elenco se enriqueceu, e muito, nesse contato direto com esse público tão especial.

E sabe aquela conhecida frase: não cabia em si de contentamento, acho que agora eu descobrí mais sobre a sua dimensão e o seu real significado. Sentí isso, observando a reação de todos os nossos alunos, e especialmente, através da expressão corporal, do rosto iluminado e do olhar pleno de alegria de um aluno nosso -- um rapaz tetraplégico e paralisado cerebral, na saída do espetáculo.

Ah, e o espetáculo fica em cartaz aqui no Rio, só mais duas semanas, aos sábados e domingos às 17 hs. no Teatro Villa Lobos até o dia 19 deste mês.
Fiquem espertos.
Não vá ou se arrependerá para sempre ...

5.9.04


Na frente do Teatro Cacilda Becker, uma cena da performance atendendo a pedidos de admiradores. Da esquerda para direita, Priscila, Joselaine, Charles, Daniele, Iara, Leydiane. Faltou a Beatriz que teve uma súbita dor de cabeça, e recusou-se a posar para os fotógrafos.
E no mais, é como observou a Joselaine:
- "É tanto cumprimento que só falta pedirem autógrafo pra gente".






Qual é o parangolé ?
Os meus amigos e leitores desse blog desculpem as pausas e interrupções dos posts aqui. Prometo que a partir de agora terá pelo menos uma postagem semanal. Certo?
E aproveito para comunicar que agora estou um pouco menos acelerada porque um dos meus projetos profissionais para este ano, o Parangolé da Vila, estreiou esta semana na mostra de dança Dialogando com a diferença, no Teatro Cacilda Becker -- uma promoção da Faculdade Escola Angel Vianna. Já temos convites para várias apresentações em outros espaços. Sorry. Depois eu conto.

"PARANGOLÉ DA VILA", é o título de uma performance corporal com os meninos e meninas do PETI (Comunidade do Morro dos Macacos) na FUNLAR de Vila Isabel , com a concepção, direção, e coreografia desta escriba. Este trabalho faz parte do projeto anual das minhas aulas de expressão corporal -- um work-in-progress baseado nos famosos "parangolés" criados pelo artista plástico Helio Oiticica. É uma homenagem ao Helio pela comemoração dos quarenta anos de criação dos "parangolés", em julho de 1964. E não por acaso, o nosso planejamento de trabalho no ano em curso, dentro do Projeto Angel Vianna na FUNLAR, teve como referência os objetos relacionais criados pela artista plástica Lygia Clark.

Agitação súbita ou alegria inesperada, era o significado de parangolé na gíria dos morros cariocas nos anos 60. Era tanto o burburinho de uma roda de samba quanto o susto de uma batida policial. Mas para Oiticica, parangolés eram capas de seda, algodão ou náilon, criadas por ele, e apresentadas pela primeira vez em 1965, no MAM do Rio de Janeiro, com a participação especial dos passistas e sambistas da Mangueira. Essa apresentação foi um ato de protesto do artista, quando à época, foi proibido de expor suas obras nesse espaço.

Aproveitando o parangolé, uma homenagem a dois grandes artistas da nossa MPB : ADRIANA CALCANHOTO e MARTINHO DA VILA. A performance corporal é realizada ao som de Parangolé Pamplona do disco Maritimo da Adriana, e no final o samba no pé e no coração, com Canta, canta minha gente do da Vila.