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30.10.04

Grupo LUME em temporada relâmpago no Rio
O Lume está apresentando desde ontem, seu novo espetáculo SHI-ZEN, 7 Cuias, criação do Grupo Lume com Tadashi Endo, no TEATRO CARLOS GOMES, (tels. 2224-3602 e 2232-8701) hoje às 21 hs, e encerra temporada amanhã, domingo, às 19 hs. Imperdível é pouco. Corram, e fiquem espertos porque amanhã, em todos os teatros da prefeitura, é cobrado um real, o prêço do ingresso. O espetáculo, estreiou na Alemanha em janeiro e tem participado de vários festivais nacionais. Esteve em temporada em São Paulo, onde recebeu três indicações para o Prêmio Shell (Iluminação, Música e Prêmio Especial para o grupo LUME pela continuidade da pesquisaem Teatro no Brasil).SHI = indivíduo ZEN = por exemplo SHI-ZEN = natureza
A encenação de "SHI-ZEN, 7 Cuias" é um jogo com as muitas possibilidades do teatro, da dança, da música e com a intersecção sutil destas distintas artes. Um jogo tocante, divertido e cheio de encantamentos e contrastes: sim e não, rápido e lento, feliz e triste, ruído e silêncio, luz e sombra. É também um jogo com contrastes culturais; a vitalidade brasileira e o minimalismo japonês, o teatro expressivo e a profunda emocionalidade arcaica da dança expressiva japonesa. É o encontro do Butoh com a teatralidade do trabalho desenvolvido pelo Lume.
É um espetáculo sobre o indivíduo e seu mundo interior e sobre como as relações são construídas com o que está fora, e sobre como a vida detodos os seres está conectada à natureza. "SHI-ZEN, 7 Cuias" éum espetáculo que fala do respeito à vida.
Sem texto, sem cenários, apenas os atores em cena, seus corpos pintados de branco, quase nus, contracenando com a luz e asombra, se equilibrando e desequilibrando, "SHI-ZEN, 7 Cuias" se vale deimagens e movimentos para compor um poema visual que se desenrola frenteaos olhos do espectador, levando-o a percorrer uma viagem de formas,cores, sons e sensações.


Ricardo Pucetti numa cena de "Shi-Zen 7 Cuias".
Um dos espetáculos mais belos que eu vi na vida.
O LUME é o LUME... n'est ce pas?

26.10.04

SEMANA NELSON RODRIGUES
A monumental obra de Nelson Rodrigues, o mais completo dramaturgo brasileiro do século XX, será objeto de investigação em cinco encontros, na Fundação Biblioteca Nacional, de 25 à 29 de outubro de 2004, com a curadoradoria da competente Suzana Vargas e produção do Estação das Letras. Durante a Semana Nelson Rodrigues, críticos, pesquisadores, atores, diretores de teatro e cineastas estarão mergulhados no universo daquele que é considerado marco da modernidade teatral brasileira. Serão analisadas suas principais peças ? classificadas como ?psicológicas?, ?míticas? e ?tragédias cariocas? ?, bem como suas transposições para o cinema.

Este evento foi produzido para o lançamento da nova edição do teatro completo de Nelson Rodrigues que, agora, tem seus 4 volumes apresentados por diferentes diretores que trabalham com o universo rodriguiano: Luiz Arthur Nunes (peças psicológicas), Aderbal Freyre-Filho (peças míticas), Marco Antônio Braz (tragédias cariocas I) e Antonio Guedes (tragédias cariocas II).

PROGRAMAÇÃO DE ABERTURA
Palestra sobre o autor e a sua obra, por Victor Hugo Adler Pereira;
Exibição de documentário sobre a vida e a obra do autor;
Exibição em avant première do trailer de Vestido de noiva, com direção de Joffre Rodrigues;
Coquetel de relançamento da obra dramática do autor.

25/10 ? NELSON RODRIGUES:O HOMEM E A OBRA
A presença de Nelson Rodrigues na vida pública como cronista, dramaturgo e alvo de polêmicas. Sua participação em momentos cruciais para a definição dos rumos da vida cultural brasileira e aspectos gerais de sua monumental obra e biografia serão o tema deste primeiro encontro, que terá como conferencista o professor e crítico Victor Hugo Adler Pereira.

26/10 ? REALISMO E ANTI-REALISMO NOS DRAMAS PSICOLÓGICOS DE NELSON RODRIGUES
As formas de relativizar a realidade, a estilização, a deformação e a desconstrução como procedimentos dramáticos e o caráter revolucionário do realismo rodriguiano serão objeto de estudo neste encontro, que contará com as participações do professor e diretor teatral Luiz Arthur Nunes (UniRio) e do crítico e professor Flávio Aguiar (USP). Haverá também debate com parte do elenco do filme Vestido de noiva.

27/10 ? LIBERDADE IMAGINATIVA E UNIVERSALIDADE DAS TRAGÉDIAS CARIOCAS
As tragédias cariocas, analisadas em seu conceito histórico e geográfico, serão objeto desta mesa, que traz à discussão a universalidade e contemporaneidade do teatro rodriguiano, cujas peças têm uma cor local que se projeta para além da época em que foram escritas, permitindo encenações criativas na atualidade. A mesa será composta por Marco Antônio Braz e Antonio Guedes, ambos diretores com freqüentes incursões pelo teatro de Nelson Rodrigues. Haverá ainda a exibição de fragmentos de montagens dos dois diretores.

28/10 ? AS DORES DO MUNDO: O NELSON MÍTICO
As questões relativas às concepções de verdade e de subjetividade e sua relação com a construção do mito são os assuntos desta mesa. As principais influências na elaboração dos diálogos, derivadas da psicanálise, da filosofia e de uma nova concepção de montagem dramatúrgica, serão aqui elencadas. Para comentar tais aspectos do teatro de Nelson Rodrigues, estarão reunidos o diretor teatral Aderbal Freire-Filho e a professora Ângela Leite Lopes (UniRio).

29/10 ? NELSON RODRIGUES E O CINEMA
No encerramento da semana, uma seleção de adaptações da obra de Nelson Rodrigues para o cinema será comentada pelo crítico José Carlos Avellar. Nesse dia, teremos a participação especial da atriz Odete Lara, protagonista de Boca de Ouro, que falará sobre sua experiência ao interpretar os textos do dramaturgo.

Local:
Fundação Biblioteca Nacional
Espaço Cultural Eliseu Visconti - Auditório
Rua México, s/nº - Cinelândia
De 25 a 29 de outubro, às 18h

Interessados em receber certificado de participação devem ligar para (21) 3237 3947

24.10.04


Hebréia a musa de Castro Alves
Na proxima terça, dia 26 às 19 hs, na Sinagoga Beth-El, á Rua Barata Ribeiro, 489 em Copacabana, Rio de Janeiro, com entrada franca, um luxuoso evento poético-musical-literário
em homenagem ao poeta baiano Castro Alves (1847-1871), um dos principais nomes do romantismo brasileiro e porta-voz literário da abolição da escravatura.
Abertura do evento: A pesquisadora Anna Bents vai falar sobre Hebréia;
Moisés, o primeiro abolicionista da história, é o tema de Elias Haim Negri;
Judeus e negros no olhar poético de Castro Alves, por Sara Cavalcanti;
Mery Roberta Amzalak - a musa de Castro Alves, por Luiz Benyosef.
Navio Negreiro, performance dos atores Ida Gomes, Felipe Wagner, Fernando Reski e Isio Ghelman.
Os musicos Leon Rousseau (bandolim) Edson Cordeiro (violão e voz) interpretam "Hebréia" na partitura original especialmente composta pelo Maestro Carlos Gomes(ele mesmo, o compositor da ópera "OGuarani") para a poesia do Castro Alves, até então completamente inédita no Rio e outras capitais.

A musa do poeta e seus descendentes - judeus de origem sefaradi
Salvador, 1866. As famílias Alves e Amzalak eram vizinhas e amigas. A riqueza dos Alves era o talento de seu filho Antônio, que veio a ficar conhecido pelo nome poético de Castro Alves. O maior orgulho dos Amzalak, judeus de origem sefaradi, era a beleza exótica de suas três filhas, Ester, Simy e Mery Roberta. Castro Alves tinha apenas 19 anos e se apaixonou, platônicamente, como convinha à época, por uma das três irmãs, a quem dedicou um de seus mais belos poemas: Hebréia. Perguntado à qual das três se referia, o poeta, delicadamente, respondeu: à mais bela.
Quase um século e meio depois esse mistério pode ser finalmente desvendado por uma incansável pesquisadora, que além de identificar o nome da musa do poeta, conseguiu localizar seus descendentes. Para surpresa, descobriu-se, também, que Hebréia havia sido musicada por Carlos Gomes, tendo virado modinha popular no interior da país.
Os que lutam

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.

Bertolt Brecht


Este poema de Brecht é uma homenagem ao ator e diretor AILTON AMARAL idealizador e organizador da Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua, em Paraty, o mais importante festival de teatro de rua do País. Este ano, na sua terceira edição, o festival esteve ameaçado de não se realizar, chegando a ser adiada a sua relização, motivada pela retirada do apoio oficial.
Ailton foi á luta e conseguiu por o seu festival na rua, com "pequenos apoios de alguns empresários da cidade e também com o esforço consciente da nova secretária de cultura do município, Srta. Maritza Bonn, refiz a programação da mostra e ela acontecerá nos próximos dias 22, 23 e 24", como ele conta no seu blog o ParaisoParaty.
"Pois é isso, os governos passam mas a gente fica e nossa arte e profissão e, principalmente, nosso público já tão carente e necessitando de prazeres e motivos para refletir, não pode ficar a mercê de mandos e desmandos de governos...". Falou Ailton!

22.10.04

O homem do baú e o Zé no mesmo palco?Eu não vou me surpreender se o Sílvio Santos daqui há pouco estiver trabalhando como ator no palco do Oficina com o Zé, além de abraçar os projetos todos do Oficina. O convite para trabalhar no Oficina já foi feito pelo Zé. "Quis saber quanto custa o projeto. E o convidei para atuar. ... a partir de hoje mudou a relação", com Sílvio Santos. Conheço muito bem o poder de persuasão do Zé. Meu encontro com ele nos anos setenta mudou definitivamente o rumo da minha vida.
VAMOS COMER ZÉ CELSO
- Tudo que se chama de mix, tudo o que se vê de imigração que contorna cidades e devora a cultura ocidental, é a própria cultura, que está comendo e vai comer o mundo. Os povos devoram e vomitam o moralismo, a noção do bem e do mal, da cultura puritana, as utopias e as igrejas
- É necessário sempre pegar as forças do arcaico para ser contemporâneo. Vai acabar essa coisa de ir sempre em frente, sempre negando, essa coisa ?moderna? e niilista. A cultura brasileira é uma espécie de helenismo antropofágico que incorpora o Oriente, o Ocidente, o hindu, abrange tudo. É uma geração como essa que vem por aí. Há um ressurgimento do paganismo, e um retorno ao Oswald.
- O Sílvio Santos, que queria fazer um shopping ali, topou a idéia de abrigar essa Grécia carnavalesca. Vão fazer estacionamentos, bares, livrarias, mas vai virar um trans-shopping , no sentido do trans-homem , e não do super-homem, essa péssima tradução de Nietzsche. Vamos fazer uma oficina de florestas, e transformar a sinagoga que há no conjunto numa universidade de cultura brasileira de mestiçagem. Um shopping que vai sair dessa coisa enclausurada. Estamos trabalhando com crianças pobres que antes arrombavam os carros da redondeza, e é esse processo de inclusão que vai garantir a segurança do lugar para a burguesia consumir a sua cultura. O Sílvio Santos entendeu tudo direitinho. Afinal, ele é um artista, ele é um palhaço, como eu sou, e me orgulho de ser. Tenho certeza que vamos atuar juntos no palco dia desses.
Zé detonando todas entrevista ao Arnaldo Bloch. Texto completo aqui em O Globo de hoje.

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
MANIFESTO ANTROPOFÁGICO, postado na íntegra aqui no Artimanhas.
Oswald de Andrade (1890/1954)


17.10.04

Uma fábula moderna, aqui no Artimanhas.
Denise Stoklos em temporada relâmpago no Rio
Na próxima terça, depois de amanhã, dia 19, e na outra terça, dia 26,
em dois horários às 18 hs. e às 21 hs., no TEATRO GLORIA, o mais recente
espetáculo da Denise Stoklos, Calendário de Pedra. Preços populares, informações pelo tel. 2555-7262.
Fiquem espertos e corram para reservar o seu ingresso e ter o privilégio
de assistir essa atriz maravilhosa.

"Hoje acordei com vontade de mudar o mundo. Voltei pra cama e passou ..."
Do blog do Flavio, "um cara que parece um avestruz e que gosta de sorvete de ego".
Dica de livro solicitada por uma amiga para a sua dissertação de mestrado intitulada "Corpo no ritual", e de mais dois livros importantíssimos sobre o Método Laban.

"EM NOME DO CORPO" de Nízia Villaça e Fred Góes (Editora Artemídia Rocco)
Este livro é o resultado de uma pesquisa de cinco anos desenvolvida pelos autores, a partir de cursos ministrados na Graduação e Pós graduação da Escola de Comunicação da UFRJ. embasados nas teorias de F.Guattari "As três ecologias", em Gilles Deleuze, Michel Foucault, Walter Benjamin, Michel Maffesoli, Pierre Levy, José Gil, entre outros pensadores modernos. Os autores traçam um panorama bem abrangente, nessa complexidade de se nomear o corpo, de inventar uma identidade cultural a partir de intervenções em si mesmo e na natureza. Os autores focalizam experiências de intervenções corporais - do "body building" ao "body modification", cartografias corporais, metacorpo, etc... E um capitulo inteiro do livro vai te interessar de perto: ESPAÇO E PROXEMIA: RITUALIZAÇÃO DO CORPO.

LABAN- O MESTRE DO MOVIMENTO (Reflexões sobre o pensamento e a prática de Rudolf Laban por Maria Mommensohn e Paulo Petrella (Summus Editorial)
Os autores reunem artigos que contam experiencias do método na dança, teatro e terapia, a partir dos fundamentos universais da arte do movimento elaborados pelo Mestre.
Laban é o nosso grande mestre no estudo do movimento, nas potencialidades dinamicas do corpo, e é a técnica que mais tem a ver com nosso trabalho na dança e no teatro.

O MOVIMENTO EXPRESSIVO de Regina Miranda, pesquisa da bailarina e coreografa, publicada pela FUNARTE. É um dos mais completos estudos sobre a técnica de Laban, é o be-a-bá da técnica. É daqueles que temos de ter sempre por perto. A edição está esgotada, e se interessar a alguém, posso xerocar o meu.

12.10.04

"Eu te oferecí miojo e você preferiu macarrão".
Neologismos do meu sobrinho Ernesto.

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A criança é o objeto de consumo da modernidade
Quem falou assim foi o psicomotricista argentino ESTEBAN LEVIN, uma das mais importantes autoridades internacionais em psicomotricidade infantil, num Seminario do qual eu participei, no início do ano, aqui no Rio. Nunca refletí tanto sobre isso.

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Voltei a postar no meu outro blog, o Artimanhas. Tem novidades lá.