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16.5.06

A MOCHILA DO MASCATE
Dirigido com emoção e reverência por Gabriela Greeb a pedido de Antonia Ratto, A Mochila do Mascate, obra filmada em seis semanas a partir da autobiografia de mesmo título, apresenta 70 minutos de puro deleite, descobertas, resgatando a história de um ilustre e insubstituível patrimônio ítalo-brasileiro.

Assim como foi o polonês Zbigniew Ziembinski nos anos 50, no Brasil.
Em depoimento poético sem perder a acuidade técnica, Gianni Ratto (1916-2005) nos transporta para a sua Itália de Norte a Sul , sob pretexto de rever amigos, cenógrafos, diretores, técnicos com quem trabalhou nos anos 40 e 50 , acaba oferecendo a um extasiado espectador, uma preciosa aula de Teatro.

Tendo fundado com o italiano Giorgio Strehler o Piccolo Teatro di Milano, ainda hoje uma das instituições de maior respeito na Europa, Gianni Ratto radicou-se no Brasil em 1954 não sem antes ter revolucionado a concepção cenográfica na Itália.

Cenógrafo de incontáveis óperas (mais de 20 delas com Giorgio Strehler) como a inesquecível montagem de Lucia di Lammermoor, com música de Donizetti e
regência de Herbert Von Karajan, ou de peças como Ralé de Maximo Gorki,Ratto não nega seu fascínio tanto pela Arquitetura, esta para ele, a verdadeira Arte, como pela música, aliando todas as artes em suas criações extremamente pessoais. Em momento de humor, Ratto descreve com perplexidade a feiúra arquitetônica de São Paulo, com peculiar simpatia.

O cunho Gianni Ratto é reconhecido desde o teatro Carlo Felice de Genova , ao Teatro alla Scala de Milão , passando por Nápoles, Rio de Janeiro, São Paulo e sua modéstia só o torna mais grandioso. Se o edifício ideal para o fazer teatral é a praça pública, fórmula que segundo Ratto hoje não mais funciona, é no cinema que encontraremos o depoimento real de sua trajetória.

Pontuado por belos testemunhos de atores como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Dario Fo, é na precisa e sensível condução do dramaturgo Aimar Labaki que se descobre que Ratto é o verdadeiro autodidata, intuitivo e técnico, emotivo e pragmático, unindo aparentes paradoxos numa dialética própria, sempre um passo adiante do seu tempo.

Habituado às ovações, Gianni Ratto compartilha com um informado e consistente Labaki, a ilustração de uma frase que traduz a humildade dos grandes de espírito: assim diz ele, comi muito Teatro e fui comido por ele, para depois finalizar o pensamento dizendo que um fracasso inteligente vale mais que um sucesso relativo.

Se a Itália nos trouxe Adolfo Celi, Ruggero Jacobi, Luciano Salce, Alberto D'Aversa, Lelia Abramo na mesma época que nos deu Gianni Ratto, estes tanto colaboraram com o teatro como com o Cinema brasileiro, Gianni Ratto continua nos oferecendo um exemplo de talento, perseverança e vitalidade.

Um artista completo que representa um ensinamento para as novas gerações que perseguem um caminho na Arte.

Um documentário conciso, delicado e extremamente amoroso. Assim como são ou
deveriam ser os filhos com seus pais.

Este belo texto-depoimento sobre o filme é da autoria da atriz, sociologa, escritora Tuna Dwek, e foi postado ontem, segunda dia 15, lá no forum de teatro.

A Mochila do Mascate
(Brasil - 2005 - 73 min.) Direção: Gabriela Greeb
Argumento e roteiro: Antonia Ratto e Gabriela Greeb.

Em cartaz no Rio, São Paulo e Brasilia. Aqui no Rio, no Museu da Republica e Instituto Moreira Salles, em cartaz até o dia 25 de maio. É só rolar o cursor - para baixo - e encontrará nesta página os dias e horários e preços.

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