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21.11.06


O guri da foto é o marchand Renato Rosa

Festejando a vida e a arte

O prestigiado e respeitado marchand gaúcho Renato Rosa, comemora os seus bem vividos sessenta anos, organizando uma coletiva de 28 artistas, com o sugestivo título VISÃO 6.0, que abre hoje na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.

Renato Rosa, querido amigo desde os meus tempos de estudante de teatro no Instituto de Arte Dramática da UFRGS, e um dos integrantes do Cacho (grupo de jovens estudantes da UFRGS, que nos anos sessenta agitou todas na city) mora atualmente no Rio, e trabalha aqui na Bolsa de Arte, em Ipanema.

A Zero Hora de hoje dedicou várias páginas ao evento, e numa entrevista à Joana Saraiva ele afirma que Visão 6.0 é uma forma de recontar um pedaço de sua história. O revival começa com uma pintura do recém-falecido Henrique Fuhro, primeiro artista com o qual Rosa trabalhou, e segue com outros tantos nomes. Fragmentos de textos de Lya Luft, Ivo Bender e Walmir Ayala, nas paredes, traduzem angústias e dúvidas do homem das artes aos 60 anos e, de alguma forma, ilustram também algumas das obras. A relação da exposição - que traz trabalhos em pintura, gravura, objeto e fotografia - com seu título não é um mero acaso.
- São artistas e obras que batem com a minha visão de mundo, são coisas que eu gosto - define Rosa.

5.11.06


Cena de "O sonho de Andersen", espetáculo do Odin Teatret
Odin Teatret Festival
Até o dia 27 de novembro, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta um dos mais importantes grupos de teatro contemporâneo do mundo o Odin Teatret, com 42 anos de atividades ininterruptas, fundado em Oslo, na Noruega, em 1964, por Eugenio Barba. O grupo está no Rio para uma série de eventos intitulada Odin Teatret Festival, que inclui cinco espetáculos, seis demonstrações de trabalho, conferências, três workshops e 11 mostras de vídeo.
Criado e dirigido por Eugenio Barba, um dos maiores pesquisadores e diretores de teatro em atividade no mundo, o Odin Teatret ocupa um lugar de relevância não só pela sua produção teatral, mas também pelos métodos de trabalho, fundamentos da ISTA - International School of Theatre Anthopology, criada em 1979 pelo diretor.

O Sonho de Andersen espetáculo inédito nas Américas
Uma das maiores atrações do Festival Odin é o espetáculo O Sonho de Andersen,a mais recente montagem teatral do grupo, estreiado em 1994, e que está sendo apresentado pela primeira vez nas Américas.
A peça é falada em cinco idiomas (dinamarquês, inglês, espanhol, italiano e português) e traz os 14 atores do grupo em cena, e está em cartaz até a próxima sexta-feira, dia 10, na Casa França Brasi/
As 11 toneladas do cenário do espetáculo, só caberiam no espaço cênico da amplitude da Casa França Brasil. Os outros espetáculos serão apresentados nos Teatros I, e III do CCBB.
Os ingressos estão esgotados, mas tem uma cota diaria de vinte e dois ingressos colocados à venda na bilheteria do CCBB para o mesmo dia, desde as 10 hs. da manhã. Mas é bom ficar esperto e madrugar.
Na quinta feira, eu cheguei as nove da manhã para comprar ingresso para a demonstração de "Ecos do Silencio" com a atriz Julia Varley, e quasi fiquei de fora da festa. Tinha gente desde as seis e meia da madrugada, na fila para comprar ingressos da cota para o mesmo dia e para as demonstrações.
Eventos gratuitos com distribuição de senhas, uma hora antes.
Mostra de vídeos , de 01/11/2006 a 26/11/2006 sempre às 16:00 hs.
Palestra de Eugenio Barba dia 04/11/2006 às 14:00
Conferencia s com Lluís Masgrau de 31 a 3 das 18 às20hs;

Espetaculos
Sonho de Andersen , de 01/11/2006 a10 /11/2006 às 20:30 na Casa França Brasil
Judith , monologo da atriz Roberta Carreri dias 12, 15, 16, 17 e 18/11 sempre às 19 hs. Teatro III do CCBB
Itsi-Bitsi , com a atriz Iben Nagel Rasmussen, Kai Bertholt e Jan Ferslev
de 16/11/2006 a 19/11/2006 sempre às 19:00 Teatro I do CCBB
Branca como o Jasmin , com a atriz Iben Nagel Rasmussen de 22/11/2006 a 23/11/2006 sempre às 19:00 Teatro I do CCBB
Sal , com Roberta Carreri e Jan Ferslev de 23/11/2006 a 25/11/2006 às 19:00 Teatro III CCBB

Demonstrações de Trabalho no Teatro I do CCBB
O Eco do Silêncio , dia 02/11/2006 às 10:30
Os Caminhos do Pensamento , dia 03/11/2006 às 10:30
Irmão Morto , dia 04/11/2006 às 10:30
O Diálogo entre Dois Irmãos , dia 05/11/2006 às 10:30
O Tapete Voador , dia 08/11/2006 às 10:30
Carta ao Vento , dia 11/11/2006 às 19,00 hs.

Workshops - vagas limitadas (Inscrições encerradas)
Torgeir Wenthal , de 10/11/2006 a 12/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.
Torgeir Wenthal e Jann Ferslev , de 15/11/2006 a 17/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.
Roberta Carreri - A Dança das Intenções , de 26/11/2006 a 28/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.

4.11.06


A Pedra do Reino, adaptado do texto de Ariano Suassuna, por Antunes Filho.
A Pedra do Reino, em abril, aqui no Rio
A Pedra do Reino, em cartaz no SESC Consolação, Rua Dr. Vila Nova, 245 Tel. 011/3234-3000, grande sucesso de publico e crítica, virá ao Rio em abril do próximo ano, segundo a CAL, disse Antunes respondendo a perguntas da platéia. Espetáculo absolutamente imperdível, fica em cartaz até o dia 17 de dezembro. Os ingressos esgotam rapidamente, nas bilheterias do SESC.
Quando estive lá estavam esgotados, mas eu conseguí através de um ator do espetáculo, o Geraldo Mário, mais conhecido como Geraldinho tel. 9413 - 0967. Dica esperta da blog com o consentimento do Geraldinho. Podem telefonar sem susto.

A Pedra do Reino, é um espetáculo inspirado no Romance d'A Pedra do Reino de Ariano Suassuna, adaptado e dirigido por Antunes Filho - um projeto acalentado há mais de vinte anos pelo diretor. Lançado em 1971, o romance A Pedra do Reino segue o espírito do Movimento Armorial, criado pelo próprio Suassuna . A ação da peça se passa durante a ditadura do Estado Novo no País, em 1937, mas salta de forma livre no tempo. Bem de acôrdo com as idéias de tempo explanadas por Antunes no debate do CCBB, comentado aí em cima nesse blog
Ví quase todos os trabalhos de Antunes, mas esse é um dos mais belos e surpreendentes espetáculos que eu vi do diretor. Vou ler A Pedra do Reino até abril. Em alguns momentos, lembra muito Macunaíma. O espetáculo não tem cenário, mas a beleza das manifestações culturais populares está no colorido das bandeiras das cavalhadas, dos bois de reisados, na música especialmente composta e instrumentos tocados pelos próprios atores, um elenco afinadíssimo, num espetáculo marcadamente brasileiro.


Fotos do Antunes Filho no final do debate. Cliquei o pulo final, na foto aí em cima.
Momentos Decisivos do Teatro Brasileiro
Uma série de debates "Momentos decisivos do teatro brasileiro" aconteceu no CCBB do Rio, durante todas terças feiras de outubro. Um momento decisivo foi relembrado, analisado por personalidades que o vivenciaram. Barbara Heliodora falou sobre Vestido de Noiva; Nicette Bruno falou de Dulcina; Walmor Chagas do TBC; o Boal do Arena e Oficina; Antunes Filho de Macunaíma e encerrando os cinco encontros, o Hamilton Vaz Pereira falando do Asdrubal e a Influência no Teatro Contemporâneo. Só assistí aos dois últimos.

A performace corporal e vocal de Antunes Filho

E com vocês o maior diretor do mundo, assim foi anunciado pelo mediador do debate, a entrada do diretor Antunes Filho, no palco do Teatro I do CCBB. Contrariando a expectativa, ele desceu e se colocou de costas para o palco, em pé no corredor entre a primeira fila da platéia e o palco, por onde circulou muito á vontade durante quase duas horas.

O público que superlotava o Teatro I do CCBB assistiu uma surpreendamental performance corporal e vocal do diretor de Macunaíma. E a platéia, composta na sua maioria por jovens, atores e estudantes de teatro, e alguns atores nem tão jovens, (gente que eu não via há um tempão), intelectuais e mais o público curioso que circula pelo CCBB.

Nesse tempo que durou o debate, ele conseguiu reduzir idéias altamente sofisticadas das suas pesquisas no CPT aos termos mais cotidianos, utilizando outras referencias de comunicação, com o auxílio de sua expressão corporal e vocal, como giros de corpo, torções, saltos, pulos alternados com vozes e gestuais inusitados.

Intelectuais presentes, como a diretora teatral Ana Maria Taborda e a atriz e antropologa Solange Padilha preocupadas com o bom entendimento das idéias colocadas assim, digamos de forma tão inusitada, pedem um aparte, complementando a explanação do diretor. E entre agradecido e divertido, ele diz: mas é isso... isso mesmo, muito obrigado. E continúa no mesmo tom. Quem entendeu, entendeu. E quem não entendeu, entendesse...

Falando sobre a sua técnica de ressonância, ele diz: A ressonancia não deu certo nesse País por causa do trabalho de corpo e mais as condições teóricas que exige, e a seguir ilustra a sua teoria da ressoncia com movimentos do tronco e emite sons próximos aos de uma galinha cacarejando, entre outros sons muito estranhos.

Um ator, um clown, um bufão, tudo ali ao mesmo tempo agora.

E a performance continúa com muitas divagaçõses sobre espaço e tempo cósmico: O tempo é um só. O dia de ontem talvez seja amanhã. Será que eu lembrarei de mim daqui há 3000 anos?
Esse relogio aqui (apontando para o seu relógio) eu uso no tempo que eu quiser, onde eu quiser.
Encarnar um personagem é caso clínico. Tudo está lá dentro. Você é o todo. Nós somos uno. Eu represento o Bush eu não sou o Bush, embora no fundo eu seja também um pouco do Bush em outra dimensão.


Outras inesperadas peformances, mais divagações e uma demonstração prática sobre a teoria da realidade desdobrada. Pegou uma colherzinha de pau e pingou uma gota de um líquido e colocou num recipiente pequeno e girou, girou e girou para um lado, e depois voltou a girar muitas vezes em sentido contrario, voltando à posição inicial, diz enfático: Isto é a realidade desdobrada. Todas as dimensões devem estar aqui.
E a platéia boquiabrindo e boquifechando, como diria o Milor, num mixto de espanto e admiração.
O que me assusta é a alienação de todos nós. Vivemos alienados do nosso verdadeiro eu que é o todo.

Dito isso, dá por encerrado o debate, e finaliza com mais pulos, saltos, giros e contorções, e, mudando o tom de voz e a expressão corporal, pergunta com a maior singeleza: Será que eu correspondí pra vocês?. É aplaudido de pé.

Nem só de aplausos...
Nunca tinha assistido nenhum debate, aula, conferencia ou coisa que o valha do diretor Antunes Filho. A única vez que eu o ví em público, foi final dos anos 80 numa entrega do Prêmio Mabembe, em São Paulo, quando ele foi vaiado pela classe teatral ao receber o prêmio, mas subiu e desceu do palco abaixo de vaias e xingamentos como se nada de anormal estivesse acontecendo. Foi demais.
Antunes, para mim, está entre os cinco melhores diretores do mundo, ao lado dePeter Brook, Ariane Mnouchkine, Peter Stein e Bob Wilson. Já postei sobre isso aqui nesse blog.
Mas depois desse debate, eu não sei dizer se eu gostaria de trabalhar com ele. Eu não sei se eu sobreviveria nessa utopia (até rimou! rs)

Antunes Filho e Macunaíma
Macunaima mudou a vida do diretor Antunes Filho, vindo do TBC, onde trabalhou como assistente de direção de Ziembinski e Adolfo Celi. Macunaíma foi a primeira grande ruptura na carreira do diretor, até então com uma bem sucedida trajetoria no teatro comercial, seus atores eram premiados Eva Vilma e Raul Cortez, entre outros. E o Manuel Carlos (o autor de Paginas da Vida) também trabalhou com Antunes na sua época de teatro amador.
Um dia percebí que o teatro comercial era bom, mas não me satisfazia espiritualmente. Então eu disse: Basta! Vou fazer outra coisa, vou me dedicar aos jovens, quero um teatro que valha a pena, que tenha um sentido espiritual. Tudo o que eu estava fazendo não tinha nenhuma coerência. Era bom, mas não era isso.Foi aí que começou Macunaíma, lembra Antunes no programa do CCBB.