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7.12.07






A gorda Mrs. Rooney (essa blogueira) em algumas cenas da peça radiofonica de Samuel Beckett "Todos os que caem", apresentada no Teatro SESC-Tijuca, no Rio de Janeiro.

Todos os que caem
é a peça radiofonica de Samuel Beckett (1906-1989) na tradução primorosa da Fátima Saadi que será apresentada no
sabado dia 8 às 17hs. e
domingo, dia 9, em duas sessões às 17 e às 20hs.
Entrada franca mediante convite,
no Teatro do SESC-Tijuca II

Essa montagem é o resultado do final de curso do meu grupo de estudos de Beckett, durante o ano todo no SESC-Tijuca. O curso "O jôgo de Beckett" destinado a atores, diretores e estudantes de artes cênicas, foi ministrado pela atriz, diretora e doutora em artes cênicas, Isabel Cavalcanti, dentro do Projeto do CEAE - Centro de Estudo Artístico Experimental, coordenado pela Ana Kfouri.
O CEAE, no seu sétimo ano atividades, é um espaço dedicado à experimentação e à investigação artística.

"Todos os que caem", escrita em 1956, a pedido da BBC, é a primeira peça radiofonica de um dos mais importantes e singulares autores do século XX, e um dos mais estudados no mundo todo.
Esse texto é peculiar, dentro da vasta obra beckettiana ( peças teatrais, romances, contos, novelas, peças para radio, poesia, ensaios, tradução e um roteiro para cinema "The film" com Buster Keaton no papel principal ), pelo virulento tom de protesto, existencial e religioso, começando pelo título da peça derivado de um salmo bíblico, alvo de escárnio pelo casal de protagonistas, Mrs Rooney - a personagem que eu interpreto, e o seu marido, Mr. Rooney (o velho cego Dan).
A minha personagem, a Mrs Rooney, num dialogo com o marido, respondendo à sua pergunta sobre o título do sermão de domingo, responde:

"O Senhor sustém todos os que caem e eleva todos os que estão prosternados." (Silêncio. Caem ambos numa gargalhada selvagem...) Entre parentesis, a rubrica do Beckett.
Sentiram a responsa? Mrs. Rooney é um raro presente para uma atriz.

UP DATE: Se alguem tiver agenda livre, passe um mail ou me telefona. Eu tenho ainda alguns convites para qualquer um dos dias.

19.11.07

O Olhar que não vê diferenças, vê pessoas.

Reportagem á pagina 15 do jornal NA LUTA - Informativo para pessoas com deficiência, traz a Mestra Angel Vianna, professora e fundadora da faculdade que leva o seu nome, falando sobre sua trajetoria que a tornou referencia na dança e na formação de professores de recuperação motora. São entrevistadas ainda três professoras de recuperação motora formadas pela FAV.
Eu sou a de macacão verde na foto da matéria.
Esse é o primeiro numero do jornal que tem como patrono o músico HERBERT VIANNA. Nas páginas de 6 a 11, traz uma entrevista com o líder do Paralamas, falando da sua experiência e da sua luta.

16.11.07

Slide-show do Coletivo Liquida Ação, com cenas na piscina da Casa da Gloria e da apresentação no Circo Voador - MOLA 2007.
ARTE À VENDA
O Coletivo Líquida Ação está em cartaz com a performance ARTE À VENDA, criação de Eloisa Brantes e Guto Macedo (o mesmo diretor de ESTADO BECKETT) sempre aos sábados e domingos às 18h hs. na CASA DA GLÓRIA, Ladeira da Glória, 98 - atrás do Outeiro da Glória, até o dia 16 de dezembro.
A performance que acontece dentro da piscina da Casa da Gloria, é um trabalho de pesquisa de linguagem, num ambiente aquático, fala da fragilidade dos laços humanos, sobre consumo e relacionamento na sociedade hoje. Performers: Ana Lima, Carlos Borges, Diogo Benjamin, Jéssica Barbosa, Juliana Sansana, Luciana Franco, Pedro Moraes, Raoni Garcia.

É importante fazer a reserva pelo celular 021/8284-7040, porque o espaço disponível é para 40 (quarenta) espectadores.

Atenção. Se chover não haverá espetáculo.

- CASA DA GLORIA, Ladeira da Gloria, 98 (atrás do Outeiro da Glória subindo pelo Amarelimho. Metrô Glória - tem estacionamento próximo e gratuito)
- sábados e domingos às 18h, até o dia 16 de dezembro.
- 20 reais (inteira) e 10 reais (meia-entrada)
- 40 lugares; reservas e informações no celular (21) 8284-7040 (falar com Jéssica ou Pedro)

15.11.07

Cena do filme de Rogerio Sganzerla, "O Signo do Caos". Daesquerda para a direita, Otávio Terceiro, Eduardo Cabús e Helena Inês.
Alquimias do afeto: a rosa lilas no meu camarim

Tenho um amigo muito especial, desses cavalheiros á moda antiga, um perfeito gentleman, pródigo em gentilezas às suas amigas. Esse raro espécime da raça, numa estréa teatral minha, ele compareceu levando de presente uma rosa plantada e cultivada por ele no jardim da sua casa em Botafogo. Mas não era uma rosa de cor comum - branca, vermelha, rosa ou amarela. Nada disso. A cor foi pesquisada, nessas alquimías loucas que só ele sabe fazer, criando uma rosa de cor lilas.

A rosa lilas enfeitando o meu camarim, foi um sucesso de público, tâo comentada quanto a peça representada em francês, MADAME BOVARY, de Gustave Flaubert do grupo Les Nouveaux Comediens de L'Orangerie, com a adaptacion et e mise en scene de Savas Karydakis, e da qual eu integrava o elenco, nos anos noventa, no Teatro da Aliança Francesa de Botafogo.

Por essas e outras, o meu amigo Eduardo Cabús é especial para mim. Além desse talento de alquimista e jardineiro, é um connaisseur da cozinha francesa, e, especialmente da cozinha baiana, sendo também um emérito cozinheiro. Os jantares chez-lui são memoráveis. Quem foi convidado uma vez para esses seletos ágapes, sai de lá implorando aos deuses para ser convidado novamente.

Afetos e Perceptos - Eduardo Cabús e O Rei da Voz

Diretor teatral, ator, professor com formação pela UFBaia, tendo estudado e morado na Europa nos anos setenta. Estudou teatro em Paris e Lion, em Roma na Academia Silvio D'Amico, em Madri, e em Nova Delhi estudou na Academia de Teatro e no Instituto Asiatico de Cultura e Teatro Oriental. Uma vez, na sua casa, ele me mostrou diplomas, certificados, cartazes e o escambau desses aprontos dele na Europa.

Trabalhamos juntos em várias ocasiões, inclusive no cinema, quando contracenamos no filme de Rogerio Sganzerla o O Signo do Caos, onde ele interpretou um dos personagens principais. No nosso métier, a gente convive algum tempo durante um determinado trabalho, vira quasi uma família, e depois cada um segue para outras cenas em outros palcos da vida, mas a amizade e o carinho quasi sempre permanecem.

Pois é, esse querido andava sumido da minha vida, há algum tempo. E eu não sabia o que ele andava aprontando. E, finalmente agora foi explicado o seu sumiço. Ele está ensaiando há vários mêses a peça musical Francisco Alves - O Rei da Voz, que estréia dia 7 de dezembro no TEATRO BIBI FERREIRA, do CENTRO CULTURAL EDUARDO CABÚS. Bien sûr.
Slide de cenas da performance ESTADO BECKETT, apresentada na escadaria do casarão da UNAI, em Santa Teresa, no Chave Mestra/2007 - Santa Teresa de Portas Abertas.

14.11.07

Anjos do Picadeiro 6
Esse ano, será em Salvador, de 10 a 16 de dezembro, e o tema do Anjos 6 é REDES: modos de fazer, usar e pensar.
Já estão abertas, e encerrando no dia 25, as inscrições para as 8 oficinas.
Inscrições e informações direto no site:
www.anjosdopicadeiro.com.br>

13.11.07

VII MOSTRA DE TEATRO DA UFRJ
Dez Projetos Experimentais em Teatro dos formandos em Direção Teatral da ECO e o Projeto Final de Artes Cênicas do Colégio de Aplicação da UFRJ dirigido por alunos diretores.
Os espetáculos acontecem de 9 de novembro a 16 de dezembro, sempre às 20 hs.
Sala Oduwaldo Vianna Filho da Escola de Comunicação.Av. Pasteur, 250 - Fundos - Urca - Informações pelo tel. 3873-5067
Entrada franca com distribuição de senhas uma hora antes dos espetáculos. Traga 1kg de alimento não perecível.
CAP - 9 de novembro Arkhangel, criação coletiva
Direção Amanda Giugni, Gabriela Martins e Marília Lattaro
Uma Vida e Seis Continue: isto pode virar uma peça, texto de Leonardo Rego Ferreira, com colaboração do elenco Direção Joana Mendes
Direção Teatral / ECO
13, 14 e 15 de novembro, às 20h
Amém, a roleta russa dos salmos, de Felipe Barenco
Maria decorou o livro dos salmos e quer vingança. Bia fugiu do rebanho e foi pra Índia. Clara tem mania de limpeza e arrasta uma máquina de lavar. Lola é uma noiva destruída. Vera leva choques de Deus. Gilda é uma puta assassinada. Todas presas numa igreja.
Direção Felipe Barenco
Orientação Eleonora Fabião

16, 17 e 18 de novembro, às 20h
Alice e o que ela encontrou por Ali, adaptação do Grupo Ruína livremente inspirado em Lewis Carrol e Jan Svankmajer
Montagem inspirada no texto de Lewis Carrol, apoiada na perspectiva sombria do diretor de cinema Jan Svankmajer, Alice e o que ela encontrou por Ali é uma pesquisa sobre o espaço, a simplicidade, o estruturalismo e sobre o medo que temos em relação aos sonhos que se repetem. Para ver Alice é necessário usar os olhos.
Direção Nathalia Caetano
Orientação Adriana Schneider e Joana Lebreiro

20, 21 e 22 de novembro, às 20h
O Veredicto, uma história para a Senhorita Felice B., numa livre inspiração, ironicamente sombria em Kafka, adaptação de Liliane Xavier, Márcio Newlands e Marise Nogueira da obra de Franz Kafka
... não minta, você realmente tem esse amigo em São Petersburgo?
Ao receber sua sentença de morte, Georg Bendeman tenta escapar do terror que o assombra saltando sobre o rio. O que é ficção, o que é realidade para alguém condenado a escrever para seu próprio fantasma?
Direção Liliane Xavier
Orientação Carmem Gadelha

23, 24 e 25 de novembro, às 20h
Dias felizes, de Samuel Beckett
base, jogo, riso, ritual.re-criação, des-criação, desfazimento, ação.essência, estéril, estático.humano,presente.(pausa)."Falar é fazer durar" .ciclos.silêncio.Além do nada... Dias Felizes.
Direção Dani Lossant
Orientação Eleonora Fabião

27, 28 e 29 de novembro, às 20h
Judite, de Theo Fellows
O espetáculo faz uma releitura da história bíblica de Judite, a heroína judia que salva seu povo assassinando o general assírio Holofernes. As múltiplas faces do feminino, as conflitantes ordens sagradas, a violência e a sedução se confundem para tentar responder ao silêncio de Deus.
Direção Theo Fellows
Orientação Adriana Maia

30 de novembro, 01 e 02 de dezembro, às 20h
Dos tais laços humanos, baseado nos contos: "Natal na barca", "Apenas um saxofone" e "Uma branca sombra pálida" de Lygia Fagundes Telles, adaptação do Grupo 6 Marias e meia
Cinco mulheres. Três histórias. Já: fuga, escolha, cores. Fé, flores, força, fumo. Amor. Perda, memória. Teia. Borboleta, peito, quente. Dor, gozo. Morte. Vazio, só...
Direção Luciana Barboza
Orientação Eduardo Vaccari

04, 05 e 06 de dezembro, às 20h
Senhora dos afogados, de Nelson Rodrigues
O mar! Quer levar toda a família principalmente as mulheres. Basta ser uma Drummond que ele quer logo afogar. E depois das mulheres será a vez dos homens. E quando não existir mais família, a casa! Então o mar levará a casa, os retratos, os espelhos, tudo.
Direção Sunshine Pessanha
Orientação Joana Lebreiro

07, 08 e 09 de dezembro, às 20h
Uma temporada no inferno, de Arthur Rimbaud, adaptação de Débora Paganni e Marcos Bassine
Arthur Rimbaud, gênio da poesia do século XIX. Um relâmpago verdejante cortando o horizonte. Aqui, no "Cabaret Verde", o encontro de Rimbaud com sua obra cria um novo universo, onde tudo é permitido. Então, respire fundo e mergulhe. Bem-vindo!
Direção Débora Paganni
Orientação Adriana Schneider

11, 12 e 13 de dezembro, às 20h
Sarapalha, adaptação do conto de João Guimarães Rosa
Embrenhados nos confins de Minas Gerais, dois primos são acometidos pela malária e encontram-se em fase terminal da doença. Isolados, entre delírios e calafrios, relembram, com particular poesia, os dias passados e transitam pelo universo do imaginário.
Direção Luciana Brumm
Orientação Marcellus Ferreira

14, 15 e 16 de dezembro, às 20h
Mundo grampeado, uma ópera tecno-tosca, de Marcus Galinha
É hoje. É agora. É o Brasil. É o teatro. É maluquice e verdade. É Realismo Repugnante. É Realismo Telefônico. Entrem... e não desliguem os seus celulares. O show polifônico vai começar!
Direção Marcus Galinha
Orientação José Henrique Moreira
Ciclo de Debates Dramaturgia Hoje

O curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação da UFRJ em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, promove dentro da VII Mostra de Teatro da UFRJ, o Ciclo de Debates Dramaturgia Hoje, sempre às quartas-feiras, das 17h30 às 19h30, no Salão Moniz de Aragão. Esta escriba recomenda com entusiasmo pelos temas abordados e pelos convidados. Amanhã, é absolutamente imperdível, e, antes das 17 hs, já devo estar na fila das senhas. Estou me agendando aqui para assistir a todos os debates.
14/11 - Teatro e Performance
Convidados: Enrique Diaz e Michel Melamed
Mediadora: Eleonora Fabião

21/11 - Teatro e Literatura
Convidados: Moacir Chaves e José da Costa
Mediador: Denílson Lopes

28/11 - Teatro e Política
Convidados: Dudu Sandroni e Luiz Fernando Lobo
Mediadora: Carmem Gadelha

Distribuição de senhas a partir das 17h,
Salão Moniz de Aragão, Fórum de Ciência e Cultura,
Palácio Universitário da Praia Vermelha, segundo andar
Av. Pasteur 250, Urca
Maiores informações: 2295-1595 (Difusão Cultural)
8836-2016 (Ramón Sampaio)

3.11.07

Dica de teatro: A rua do inferno
Assistí ontem a estréia no Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea), a peça A rua do inferno, do dramaturgo e escritor de Andaluzia, ANTONIO ONETTI, e recomendo entusiasmada pela excelente qualidade do espetáculo, pela interpretação das três atrizes, ótimas, numa bela fase de amadurecimento artístico, e pela direção segura e competente do Tuninho Guedes.
O texto de Antonio Onetti, presente ontem na platéia do espetáculo, um dos mais celebrados autores espanhóis contemporâneos é montado pela primeira vez no Brasil, em comemoração aos 16 anos do TEATRO DO PEQUENO GESTO, com a versão brasileira e dramaturgia de FÁTIMA SAADI, e direção de ANTONIO GUEDES, criadores da companhia.
O texto foi escolhido pelas atrizes do espetáculo, ANA ALKIMIM, FERNANDA MAIA e VIVIANA ROCHA que se conheceram ao participar do coro de Medéia, montada pela companhia em 2002, e estreitaram a amizade em Peer Gynt, peça da qual esta escriba
participou.
-- A história é quase uma fábula urbana que explora as tragédias humanas, mas sem deixar de lado a comicidade de determinadas situações - conta Guedes numa entrevista à Arliete Rocha, na revista Programa do JB.
-- A Rua do inferno despertou-nos interesse pela fluencia que o autor trabalha a estrutura narrativa, construindo um dialogo do qual o espectador é inserido como um interlocutor permanente, sem que no entanto, rompa-se a armação ficcional.
O carater ficcional foi reforçado pela não adaptação do texto ao contexto brasileiro. A ação se passa numa Sevilha cênica, que não reproduz a cidade espanhola, mas alude à sua existência, à sua Feira, cuja rua principal é, efetivamente a Rua do Inferno, com seu burburinho, suas atrações e seus concursos de sevilhana, dançada aos pares, e extremamente popular. A música foi especialmente composta e mescla evocações espanholas a uma ressonância brasileira, falou Antonio Guedes no programa da peça.

A movimentação cênica é pontuada por passos de dança sevilhana, com a preparação corporal e coreografias de Clara Kutner e Eliane Carvalho, num desempenho afinadíssimo das três atrizes. A Ambientação cênica com projeção de vídeos e fotos - um espaço abstrato, múltiplo, e mais do que revelar um lugar conhecido, serve às necessidades cênicas da trama assim como a música composta por Paula Leal, do grupo As Chicas, a dança apenas sugerida e os figurinos, caracterizam o clima dramático e não realista da peça..
Vale destacar um trecho da fala do autor autor no programa da peça:
-- As pessoas da minha geração escolheram dois caminhos.Uma parte se dedicou a um tipo de trabalho que procurava um teatro poético, da imagem...Um outro grupo de escritores, entre os quais eu me incluía, tentou trabalhar a partir das suas idiossincrasias, do seu estilo, em busca de um novo realismo. Queríamos um realismo que não era o realismo americano de Miller ou Tennessee Williams...Reconheciamos que existia Fernando Arrabal, conhecíamos Beckett, conhecíamos Brecht. Tentávamos recuperar o que tínhamos aprendido com esses autores.

2.11.07

Não seja palhaço por acaso, conscientize-se!
Conhecer a sua própria comicidade é ultrapassar medos e inseguranças.
O objetivo da oficina é desvendar o clown de cada participante dando-lhe nome, indumentária, sentimentos e atitudes para a realização de um número.
O principal fundamento da linguagem do palhaço está na disponibilidade para a comunicação através do erro. É preciso se permitir errar para obter o humor. Por meio da exposição, o ator desenvolverá a percepção para o ritmo de uma "gag": elemento básico para a revelação do clown. Não seja palhaço por acaso, conscientize-se!
Oficina de palhaço com Ana Luísa Cardoso (a Palhaça MARGARITA) de 7 a 28 de novembro.
Esta escriba recomenda com entusiasmo. Ana Luísa é uma das minhas mestras dessa difícil arte.
E não fosse a minha estréia na peça radiofonica de Becket no início de dezembro no Teatro do SESC-Tijuca, eu iria correndo fazer essa oficina. Fico na torcida para ela repetir a oficina, em outra ocasião.

Onde: Lona do Crescer e Viver
Rua Benedito Hipólito, s/nº, Praça Onze (bem em frente ao metrô)
Quando: de 7 a 28 de novembro
Segundas e quartas: das 10h às 13h - Valor R$ 200,00 - Vagas limitadas.
Inscrições: (21) 3972-1391
www.crescereviver.org.br
roberta@crescereviver.org.br


Sobre ANA LUÍSA CARDOSO
Atriz, diretora e palhaça, Ana Luísa Cardoso iniciou sua pesquisa na interpretação com o nariz vermelho em 1987, realizando estágios no exterior com Guillermo Angelelli (BsAs), Mario Gonzalez (Paris), Philippe Gaulier (Londres), Massaroca (Rio), Nani Colambaione (SP) e Biriba.
De 1991 a 2001, participou do grupo de palhaças As Marias da Graça, com o qual atuou, criou e produziu os espetáculos: Tem Areia no Maiô, Disque Marias para Dançar e Pra Frente Marias.
Também foi integrante do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, dirigido por Aderbal Freire Filho no Teatro Glaucio Gil. Ana Luísa é formada pela C.A.L (1984). Dirige a Cia d'Os Melodramáticos e participou da direção do espetáculo Vida de Artista, em cartaz na lona do Crescer e Viver. Como palhaça Margarita, apresenta o espetáculo Margarita vai à luta, exibido, recentemente, no Festival Esse Monte de Mulher Palhaça.
Foto da autoria e risco desta escriba durante a apresentação de Margarita vai à luta em dezembro do ano passado no Anjos do Picadeiro 5.

28.10.07

LAGARTA VOLTA À LAPA E NÃO CAI DO TRAPÉZIO
Fotos da performance beckettiana no Circo Voador, no encerramento da terceira edição do MOLA 2007 - Mostra Livre de Artes. As fotos são da autoria da Soraya Jorge -bailarina, coreografa, professora de dansa na pós graduação da FAV-Faculdade Angel Vianna, e fotografa por amor.
Eu e o Guto na primeira cena da performance, entrando na pista do Circo Voador. Esse estranho e inusitado casal dansando uma valsa ao som de um pop rock da banda Kassin+2 no meio daquela gallera teen foi algo surreal, paranormal e surpreendamental.
A cena é uma RE-PARADA VOADORA - um devir deleuziano da atriz Ruth Mezeck, debaixo das palmeiras imperiais plantadas no Dia da Árvore, em setembro de 1982, quando aconteceu a Surpreendamental Parada Voadora 2 (a 1 foi no Arpoador), no centro do Rio com destino aos Arcos da Lapa, onde estava sendo armado o Circo Voador.
O Ernesto filmando uma cena no pátio do Voador, sendo refletido no espelho que o personagem Willie (Guto Macedo) carrega o tempo todo nas suas costas.
O personagem Willie (Guto) numa cena no topo da escada do lado esquerdo do Circo Voador.
Essa sequencia de duas fotos é uma cena na escada, quando eu passo batom nos labios - ça va sen dire. Na primeira foto, dá para ver os labios pintados da Winnie no saco de papel.
Cena no topo da escada, quando a Winnie (Eu) examina o Willie (Guto), dos pés à cabeça com uma lupa.
No meio da escada Willie (Guto Macedo) coloca um chapéu de plumas na cabeça ensacada Winnie (Ruth Mezeck).

22.10.07






Fotos do ESTADO BECKETT no casarão da UNEI no Santa Teresa de Portas Abertas.
ESTADO BECKETT NO MOLA 2007

No Circo Voador, na próxima quinta-feira, dia 25, no encerramento da terceira edição do projeto MOLA 2007 - Mostra Livre de Artes, vai acontecer a performance ESTADO BECKETT - um work in process de "Dias Felizes" de SAMUEL BECKETT, com a atriz-bailarina Ruth Mezeck e o coreografo, bailarino, ator e diretor teatral Guto Macedo.

Um homem com um grande espelho nas costas passeia com uma mulher pelo corredor de palmeiras imperiais. Ela tem um saco de papel de pão enterrado na sua cabeça e uma grande bolsa a tira-colo. Ele a conduz a uma escada espiralada, na lateral esquerda do Circo Voador, deixando-a ali sozinha sentada nos degraus.

A performer trabalha com os olhos vendados para despertar no corpo os seus poderes de hiper-percepção e transformá-lo em máquina de pensar e articular palavras. Cria o presente se relacionando com todos os acontecimentos externos com o que lhe resta de percepção e constrói em si própria esse "fulgor puro que se extrai do acontecimento como sendo o sentido do acontecimento que só a ele pertence."(Deleuze, Logique du Sens.)

Ela age calmamente como se enxergasse tudo e estivesse fazendo os preparativos preliminares de uma saída ou de uma chegada. São longas paragens em contraste com pequenos movimentos bruscos que dissolvem os estratos temporais e produzem o presente dessa criatura de corpo paradoxal.

É uma alusão às avessas a personagem Winnie de Dias Felizes de SAMUEL BECKETT que tem o corpo enterrado num monte de terra e apenas a cabeça está à vista do público. As distâncias e as contradições entre a imagem e a ação constituem o motor da performance em que o cômico da superfície vai aos poucos cedendo a violência que se impõe a nós, cada vez que imaginamos o porquê da face oculta de Winnie. Surgem nos espectadores as ponderações ético-políticas povoadas de lugares-comuns.

O tempo da performance é marcado pela música eletrônica experimental How to destroy Angels do artista Belga Coil.

No final, Winnie sobe ou desce as escadas e desaparece.

Uma pesquisa de linguagem

A performance ESTADO BECKETT foi criada dentro do curso Teatro em Tempo Real, coordenado por GUTO MACEDO, durante três mêses de abril a junho desse ano no Casarão do Cosme Velho. E em julho, o trabalho foi apresentado em dois finais de semana (de sexta a domingo) no casarão da UNEI no projeto Chave-Mestra do Santa Teresa de Portas Abertas, ça va sen dire, digo Arte de Portas Abertas.

ESTADO BECKETT é parte da pesquisa de linguagem desenvolvida por Guto Macedo e que busca dilatar o mapa dos movimentos (comportamentos) do corpo concreto, do corpo sensório-motor portador de pensamento através de procedimentos híbridos de dois sistemas, o Movimento Autêntico e o Contato Improvisação e utilizá-los como elementos impulsionadores em processos de criação de performances.

Essa performance é o encontro dessa pesquisa com a experiência da atriz-bailarina RUTH MEZECK e o seu interesse na obra de Samuel Beckett.

18.10.07


Camarins sem porta do Théatre du Soleil no SESC-Belenzinho

Ator mirim e ator adulto varrem o palco no intervalo de Les Éphemères

Juliana Carneiro da Cunha nos agradecimentos ao final.

Intervalo de dez minutos na primeira parte do espetáculo para um rápido lanche
de pães, biscoitinhos e água mineral. Essa carinha loira conversando com o rapaz (de costas) é a grande atriz brasileira Denise Stocklos.

A diretora Ariane Mnouchkine, ao centro, nos agradecimentos.


O divino Jean-Jacques Lemêtre, compositor e intérprete das produções de teatro
e de cinema do Théatre du Soleil.

Juliana Carneiro da Cunha e a sua esquerda a atriz Shaghayegh Beheshti - a inesquecível fole Madame Perle.
Hotel Maksoud Plaza o passaporte para Os Efemeros

Eu assistí no domingo, dia 14, a versão integral da peça, (tô chapada até hoje e nem sentí o tempo passar). Soube nas internas lá Maksoud Plaza que haverá um espetáculo extra ( já com lotação esgotada ) no dia 24 de outubro.
Os ingressos foram colocados á venda na internet e nas bilheterias do SESC-SP e se esgotaram em menos de duas horas. O SESC divulgou só na véspera, a venda pela internet.
Eu já tinha comprado até passagem para São Paulo, e estava me preparando para amanhecer em Sampa na fila da bilheteria.
Com a perspectiva da venda on-line, resolvi comprar pela internet. Fiquei de plantão uma hora antes do site entrar. Não passsei do segundo passo, entre os cinco que acessavam o sonhado ingresso. Como eu conseguí ? Uma longa história que acabou me levando para uma hospedagem nunca imaginada no HOTEL MAKSOUD PLAZA, adquirindo assim o precioso ingresso para assistir o Soleil. Valeu..

O andante Soleil
Doze contêineres vindos da França, com arquibancadas, cenários, figurinos, piso de palco e até uma cozinha completa com todos utensílios necessários para produzir e servir refeições ao público, desembarcaram na America Latina, para a primeira apresentação, em 43 anos de existencia do Théatre du Soleil com o espetáculo Les Éphemères (Os Efêmeros).
A primeira parada foi em setembro, em Buenos Aires, no Festival Internacional de Teatro, depois em Porto Alegre no POA em Cena, e agora na futura unidade do SESC Belenzinho, desde o dia 12 de outubro, indo até dia 23 de outubro, da próxima semana.

Em todos os locais da apresentação foi reproduzida-adaptada-contruida uma réplica da sede Théatre du Solei.l, uma antiga fabrica de armamentos nos arredores de Paris. Em São Paulo, a futura unidade do Sesc Belenzinho uma área de 3.100 m2, foi preparada, onde o público (lotação com 600 lugares) irá conhecer o ritual de preparação dos artistas - os camarins não têm portas.
Quem tiver fôlego para assistir à versão integral (sete horas e meia) poderá ainda comer pratos preparados e servidos por eles. A peça também será encenada em duas partes.

Caravana Mnouchkine
O Théâtre du Soleil tem à sua frente a diretora Ariane Mnouchkine, ( foi criado em 1964, em Paris, a partir de um grupo de nove amigos universitários) e uma trupe de mais de 60 pessoas. No Soleil, convivem em harmonia pessoas de cerca de 30 nacionalidades, que se entendem em 22 idiomas, entre eles os artistas brasileiros Juliana Carneiro da Cunha, trabalha há mais de quinze anos como atriz dos principais espetáculos do Soleil, Pedro Pinheiro Guimarães (um mixto de ator produtor,fotografo, cozinheiro, tradutor e o que pintar, Naruna Bonfim de Andrade, tradutora, bilheteira, relações publicas, entre outras funções no Soleil. As funções se confundem e o salário é igual para todos os integrantes da companhia.
LES ÉPHEMERES, está em turnê pelo mundo desde a sua estréia em 27 de dezembro de 2006, na Cartoucherie (Paris), reúne dois espetáculos, de aproximadamente mais de três horas, sobre a essência humana. Trata daquilo que nos tece, nos liga uns aos outros, de palavras que salvam a vida, covardias invisíveis, atos de coragem de que não podemos nos vangloriar, obsessões por demais constantes para serem conscientes.

A ação transcorre em palcos móveis e circulares,( uma espécie de praticável redondo onde pode funcionar um consultorio, uma sala de estar, uma cozinha, um quarto, etc...e tudo funciona), que os atores manejam com a elegancia e uma expressão corporal perfeita. É absolutamente fascinante o uso corporal dos atores empurrando os praticáveis. Quando não estão em cena estão empurrando os praticáveis.

A companhia também traz a São Paulo uma programação paralela que inclui encontros com Ariane e mostra de filmes do Théatre du Soleil, workshop com Jean Jacques Lemêtre - compositor e interprete das produções teatrais e cinematográficas do Soleil.
Fonte de pesquisa: programa-catalogo da peça

Degustação à la Soleil - Chef Pedro Pinheiro Guimarães
O menu do dia que eu assistí, domingo dia 14 de outubro, foi carne de cordeiro, arroz integral, banana assada, cenoura cozida no vapor, salada de rucula e alface. Delicieux e ao preço camarada de R$ 15 (quinze reais).

Antes do espetáculo, degustei aqueles queijinhos divinos e vinho. Queijos e vinho pelo precinho amigo de R$ 20 (vinte reais). Adorei. Essa foi uma dica da atriz Cristina Aché que estava lá ajudando a servir na cozinha.

O maître da cozinha e do bar é um brasileiro, o Pedro Pinheiro Guimarães, que acumula as funções de produtor, ator, fotografo, tradutor entre outras atividades no Soleil.,um querido que eu conheço desde a primeira vez que eu fui à Cartoucherie. Aliás eu já conhecia ele daquela vez que a Ariane fez uma oficina de máscaras no Teatro Sergio Porto, aqui no Rio. Ele e outra brasileira, a Naruna Bonfim trabalham há muitos anos com o Théatre du Soleil, Encontrei-a degustando o café da manhã no Macksoud Plaza, bem como toda a trupe Mnouchkine que estava hospedada lá.

MOLA mostra livre de artes - CIRCO VOADOR, todas as quintas de outubro
teatro, exposições, vídeos, intervenções e surpreendamentais performances.


Hoje dia 18, entre outras apresentações musicais, teatrais e que tais,tem a apresentação da performance do Coletivo Liquida Ação em "BANHO PÚBLICO", com direção da Eloisa Brantes e do Guto Macedo (ele é o diretor e ator de ESTADO BECKETT que será apresentado na próxima quinta, dia 25).
Para quem não sabe ESTADO BECKETT é a performance desta escriba, um work in process de "Dias Felizes" de Samuel Beckett.

O MOLA 2007, em sua terceira edição, teve cerca de 600 trabalhos inscritos, entre pilhas de cds, peças teatrais, vídeos-arte, fotografias, obras de artes, entre outras expressões.

A partir das 18h venha ao CIRCO VOADOR conferir tudo numa boa que a entrada rola gratuita até as 20h. Assim ninguém fica de fora!

Foto de Ariane Mnouchkine (créditos: site do Théatre du Soleil)

Anta fotografa
Anta que sou perdí a minha melhor foto do Soleil: Ariane carregando uma fileira de pratos e talheres no intervalo da peça. Ela estava ajudando a retirar os pratos e talheres das mesas. Quando me viu fotografando a cena, pousou dando até uma paradinha e um largo sorriso para para mim. Ao passar da digital para o computer. Cadê a foto? Que-sais-je? Voilà. Tenho que me conformar. Eu não merecí essa graça.

Trechos do encontro com o público - Théâtre du Soleil - 20 de outubro de 2006

Ariane Mnouchkine, a respeito de "Les Ephémères":


Primeiro dia

-(...) Sim, houve um primeiro dia (...)

Quis, confusamente, fazer um espetáculo que falasse dos salvadores... dos instantes salvadores. A gente não se mata o tempo todo, a gente se salva, apóia, cuida, educa também. Os seres humanos conseguem, apesar de tudo, viver juntos. Antes de falar com os atores, eu tinha me dado conta de que para fazer um espetáculo sobre a beleza dos homens e das mulheres era preciso que eu imaginasse seu desaparecimento. Foi com isso que começamos a trabalhar, com o desaparecimento próximo e certo de todos, de todos nós.

O tempo reencontrado

-(...) Acontece que estamos fazendo um espetáculo que fala de instantes... Do presente que já não é o presente no momento em que digo a palavra "presente". Talvez da beleza dos seres, da dificuldade que temos em apreender essa beleza, e quando, às vezes, nos damos conta do quanto esse instante era belo, puxa, ele já passou. É um espetáculo feito dos instantes que nos fizeram.

"A aposta da semelhança"

(...) Ás vezes nós mesmos não sabemos muito bem no que vai dar o espetáculo que estamos fazendo. O espetáculo é algo que a gente faz, é claro: a gente se levanta todas as manhãs para ir trabalhar durante longas horas. Mas o espetáculo também chega a nós em partes! Chega por meio de Shakespeare, de Sihanuk, de Gandhi ou de Nehru, de médicos desonestos que vendem sangue contaminado, ou de Tartufos, ou de refugiados, de imigrantes, que contam suas histórias. O que é difícil de confessar, às vezes de admitir, é que o espetáculo, que está chegando, chega por meio de "nós". E, portanto, de "vocês". De nossas semelhanças (...)

Esperamos que - ou temos certeza de que - os instantes que nos fizeram são muito próximos dos instantes que fizeram vocês. Que os lutos que vivemos, são muito próximos dos lutos que vocês viveram.

Que os abandonos que sofremos são próximos dos abandonos que vocês sofreram, e que nossos amores, nossas paixões, nossas esperanças, são também as de vocês (...) Trabalhamos a partir do concreto, evidentemente, o concreto de nossas vidas, o concreto de nossas mães, de nossos pais, de nossos avós, da ausência deles, dos momentos em que eles nos fizeram bem, e dos momentos em que nos fizeram mal. Dos momentos em que também nós lhes fizemos bem ou mal! A partir da fratria, da brutalidade que muitas vezes exercemos contra as crianças, a maior parte do tempo sem querer, às vezes querendo, infelizmente (...)

Edmond Jabès escreveu em Le Livre des ressemblances [O Livro das Semelhanças] que a aposta de Deus é aposta de semelhança. "A que eu me assemelho?" seria talvez a pergunta fundamental do Homem a Deus e a seu prosaico semelhante?.

A gente se faz essa pergunta incessantemente "a gente se parece"? E a aposta é "sim"! (...)

Na Desordem

-Onde se passa?

- Na França. Isso também é espantoso! Passa-se na França, na nossa casa, hoje, ainda que inegavelmente haja relatos, lembranças, visões, do passado. E é um espetáculo vivido por gente de hoje.

-Quem são les Éphémères?

-Os seres humanos! Somos nós "Les Ephémères".

-Há um texto escrito?

-Não.

-Há uma trama única?

-Não há trama única. É um espetáculo feito, como já disse, de aparições, de cada um dos atores, de nós, de todos, que se entrelaçam, que se tecem (...)

Penso que há um fio condutor. Mas quando ele se torna visível demais, transforma-se em amarra, em garrote. É preciso que esse fio, no trabalho, seja como um fio de teia de aranha (...)

Há uma unidade, mas não há roteiro, não há ligação. As visões dos atores são como uma coletânea: relacionadas, mas autônomas. Quando se lê uma coletânea de contos, quando do mesmo escritor, eles têm uma cor em comum, mas são autônomos, e a gente pode e deve lê-los como sendo contos distintos. São em si um começo, um meio e um fim (...)

Quando digo que não é roteirizado, não é mesmo, não há amarração, é como coisas que sobem à superfície (...) são camadas que se sucedem (...)

Onde está o teatro?

-Você fala muito de experiência, de concreto, de vivência, de transmissão, tem-se quase a impressão que se está unicamente no real. E o imaginário e o sonho dentro dele?

-Muitas vezes me fiz essas perguntas em determinado momento de nosso trabalho. Aliás, eu as tinha feito também quando de nosso espetáculo anterior "Le Dernier Caravanserail": o medo do real. "Atenção! Onde está a poesia, onde está o teatro?" Depois em acalmei. Não, trata-se de teatro. Mas com este espetáculo há uma relação com a precisão do instante vivido (vamos talvez dizer "vivido", em vez de "real") pois, afinal de contas, há no vivido uma parte, eu diria, de sonho, nem sempre, mas há, em todo caso, uma parte de imaginário, de fantasmático e de mitologia (...)

Somos dignos de ser heróis e heroínas de teatro? Também me fiz essa pergunta. Durante esse trabalho, às vezes, depois de uma improvisação particularmente forte, a gente se dizia "eu não sabia que era possível contar isso no teatro!" Era um instante extremamente real! Nós nos dissemos isso muitas vezes e ainda dizemos! "Eu não sabia que era possível contar isso, desse jeito, no teatro". Mas no teatro, veja bem. (...)
Fonte: Programa da peça editado pelo SESC-SP, especialmente para a temporada na futura unidade SESC-Belenzinho.

17.10.07





Foto no camarim do ótimo ator Maurice Durozier. (fiquei na dúvida do nome.Voilà.)

Fotos da Fernanda Chemale, do POA EM CENA. COloquei aqui para mostrar como os dois espaços (de P.Alegre e Sampa são um cópia fiel dos camarins da Cartoucherie.Mais adianatevou colocar as fotos que eu tirei em Sampa.

Cena de "Uma noite no hospital" com a Juliana Carneiro da Cunha e Shaghayegh Beheshti. É uma das cenas mais eu gostei do espetáculo pelo trabalho das duas atrizes e pelo texto dessa cena. Uma aula de teatro. Eu pesquisei a foto dessa cena aqui no site do
Festival da Argentina


Théatre du Soleil está aqui. E eu fui a Sampa assistir "Les Éphemères". Bien sûr! E nem me caibo de tanta emoção!

"Nós estamos muito felizes e emocionados com esta primeira turnê pela America do Sul, pois existimos há 43 anos e só agora nos apresentamos neste continente. Reconheço e agradeço o esforço, em particular do Danilo Miranda, para efetivar essa nossa vinda a São Paulo, que se deu graças à união do Brasil e da Argentina, mais precisamente das cidades de Buenos Aires e Porto Alegre , e do SESC.(...)
"Existem momentos em que as pessoas fazem pequenos gestos sem nenhuma intenção politica, mas que acabam tendo repercussão politica. Durante a guerra, por exemplo, muitas vidas foram salvas por pessoas que assim agiam, não por ideologia, mas simplesmente por amor ao homem. Porque eram humanos.
Creio que Les Ephémères é um espetáculo de vivencias e de momentos muito íntimos. Curiosamente, mesmo esse íntimo sendo muito íntimo, o espectador nele se reconhece.
Poderíamos dizer que existe um íntimo coletivo. (...)
Espero que o público brasileiro nos compreenda e nos ame. E sobretudo, que se reconheça na nossa proposição."


(Trechos da entrevista coletiva com ARIANE MNOUCHKINE no SESC de São Paulo, em 27 de agosto de 2007)

Fonte: Programa da peça "Les Éphemères organizado e editado pelo SESC-SP.

14.7.07



Esta escriba e o diretor Guto Macedo em ESTADO BECKETT, apresentado no casarão da UNEI à Rua Monte Alegre, 294 em Santa Teresa, no Arte de Portas Abertas.