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3.11.07

Dica de teatro: A rua do inferno
Assistí ontem a estréia no Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea), a peça A rua do inferno, do dramaturgo e escritor de Andaluzia, ANTONIO ONETTI, e recomendo entusiasmada pela excelente qualidade do espetáculo, pela interpretação das três atrizes, ótimas, numa bela fase de amadurecimento artístico, e pela direção segura e competente do Tuninho Guedes.
O texto de Antonio Onetti, presente ontem na platéia do espetáculo, um dos mais celebrados autores espanhóis contemporâneos é montado pela primeira vez no Brasil, em comemoração aos 16 anos do TEATRO DO PEQUENO GESTO, com a versão brasileira e dramaturgia de FÁTIMA SAADI, e direção de ANTONIO GUEDES, criadores da companhia.
O texto foi escolhido pelas atrizes do espetáculo, ANA ALKIMIM, FERNANDA MAIA e VIVIANA ROCHA que se conheceram ao participar do coro de Medéia, montada pela companhia em 2002, e estreitaram a amizade em Peer Gynt, peça da qual esta escriba
participou.
-- A história é quase uma fábula urbana que explora as tragédias humanas, mas sem deixar de lado a comicidade de determinadas situações - conta Guedes numa entrevista à Arliete Rocha, na revista Programa do JB.
-- A Rua do inferno despertou-nos interesse pela fluencia que o autor trabalha a estrutura narrativa, construindo um dialogo do qual o espectador é inserido como um interlocutor permanente, sem que no entanto, rompa-se a armação ficcional.
O carater ficcional foi reforçado pela não adaptação do texto ao contexto brasileiro. A ação se passa numa Sevilha cênica, que não reproduz a cidade espanhola, mas alude à sua existência, à sua Feira, cuja rua principal é, efetivamente a Rua do Inferno, com seu burburinho, suas atrações e seus concursos de sevilhana, dançada aos pares, e extremamente popular. A música foi especialmente composta e mescla evocações espanholas a uma ressonância brasileira, falou Antonio Guedes no programa da peça.

A movimentação cênica é pontuada por passos de dança sevilhana, com a preparação corporal e coreografias de Clara Kutner e Eliane Carvalho, num desempenho afinadíssimo das três atrizes. A Ambientação cênica com projeção de vídeos e fotos - um espaço abstrato, múltiplo, e mais do que revelar um lugar conhecido, serve às necessidades cênicas da trama assim como a música composta por Paula Leal, do grupo As Chicas, a dança apenas sugerida e os figurinos, caracterizam o clima dramático e não realista da peça..
Vale destacar um trecho da fala do autor autor no programa da peça:
-- As pessoas da minha geração escolheram dois caminhos.Uma parte se dedicou a um tipo de trabalho que procurava um teatro poético, da imagem...Um outro grupo de escritores, entre os quais eu me incluía, tentou trabalhar a partir das suas idiossincrasias, do seu estilo, em busca de um novo realismo. Queríamos um realismo que não era o realismo americano de Miller ou Tennessee Williams...Reconheciamos que existia Fernando Arrabal, conhecíamos Beckett, conhecíamos Brecht. Tentávamos recuperar o que tínhamos aprendido com esses autores.

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