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13.3.09

BECKETT, ISABEL CAVALCANTI E UM GRANDE ATOR

A Revista de Teatro da SBAT n. 520 setembro/outubro/2008 que ainda está nas bancas ou pode ser adquirida também na sede da SBAT ou pela internet, publica o excelente artigo da diretora Isabel Cavalcanti (uma das maiores autoridades em Beckett no País). Nesse artigo intitulado "Beckett, Rembrandt e um grande ator" ela relata os processos da direção das duas peças de Samuel Beckett A ultima Gravação de Krapp e Ato sem Palavras I, interpretadas pelo ator Sergio Britto, atualmente em cartaz no SESC Ginastico.
Reproduzo aqui algumas partes dessa entrevista:

"Certa vez, Beckett afirmou só haver um tema em sua vida:"De um lado para o outro na sombra, da sombra de fora para a sombra de dentro. De um lado para o outro, entre o inatingível ser e o inatingivel não-ser". O espetáculo segue este percurso.

Durante os ensaios observei que o corpo de Sergio Britto era um corpo sem vaidades, desarmado, sem defesas. Um corpo com um sentido de desproteção muito forte. Como as personagens de Beckett. A vida sem disfarces. Meu intuito, então, era alcançar uma sutileza de interpretação tão intensa e sem excessos quanto o despojamento daquele corpo. Trazer a sua interpretação para o rés do chão, abandonar uma possivel solenidade para que a humanidade do teatro de Beckett aparecesse. Seria necessário ao ator desfazer-se de composições, artificios, truques...

Foi aí que a magica se deu: o grande ator revelou-se o grande artista, capaz de desaprender. Porque a genialidade do grande artista é a habilidade extrema em desaprender. Sergio aceitou todos os desafios sem resistencia. Atirou-se ao processo de criação com desprendimento e paixão raros. Foi abandonando pelos caminhos suas redes de proteção. Trabalhamos arduamente para alcançarmos a simplicidade. E creio que chegamos a ela."

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