Seguidores

16.5.11

ENCONTROS SOBRE CORPO ARTE E DANÇA - Compartilhando,roubando e emprestando simultaneamente outros modos de criação e colaboração artística.
Amanhã, dia 17 às l6,00 hs.na FAV e Escola Angel Vianna à Rua Jornalista Orlando Dantas , 2 - Botafogo, palestra de Micheline Torres sobre o tema.
Eu assistí a performance "Carne", no MAM, com a Micheline e recomendo com entusiasmo ao povo da dança, do teatro, aos performers e ao publico em geral.

Haverá transmissão ao vivo pela internet através do site www.angelvianna.com

15.5.11


Em homenagem aos 50 anos de carreira do professor, escritor, tradutor, ator e dramaturgo Ivo Bender, vai acontecer em Porto Alegre, de 23 a 29 de maio, a SEMANA IVO BENDER, em uma feliz e oportuna parceria da Secretaria Municipal de Cultura e do SESC-RS. Serão espetáculos, uma exposição "Senhor das Letras" (gostei desse título)leituras dos seus textos, debates com os nomes mais importantes do teatro no Rio Grande do Sul como o diretor Luiz Paulo Vasconcellos, a atriz e diretora Debora Finocchiaro, e as primeiríssimas atrizes Araci Esteves e Sandra Dani, entre outros. E, esta atriz e blogueira com a maior alegria posta aqui no blog a notícia dessa homenagem ao mais importante dramaturgo contemporâneo do Rio Grande do Sul, e um dos melhores dramaturgos do País. IVO, vivo, muito vivo e bem disposto mora em Porto Alegre.
Ivo Bender é o maior dramaturgo gaúcho ainda vivo. Para homenageá-lo, o projeto Semana Ivo Bender prevê uma série de sessões comentadas de leituras dramáticas de seus textos e apresentações do novo espetáculo do Grupo Experimental de Teatro de Porto Alegre. Além disso, será montada no Foyer do Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues uma exposição de fotografias do escritor e de espetáculos seus já encenados. Toda a programação ocorrerá nos Teatro Renascença e na Sala Álvaro Moreyra, no mês de maio de 2011, quando o dramaturgo completa 75 anos de idade e 50 de carreira.

- Pequenas Leituras dramáticas
Com Marcelo Adams e Raquel Pilger
23/05
Local: Teatro Renascença
Horário: 20h

- Leitura Dramática
Direção de Décio Antunes
Colheita de cinzas 1941 (1988)
24/05
Local: Teatro Renascença
Horário: 20h
Primeira parte da Trilogia perversa. Em 1941, durante uma grande enchente que assola o Rio Grande do Sul, Ereda e Ulrica, duas mulheres descendentes de alemães, vivem sós em uma fazenda. O pai de Ereda foi assassinado por Ulrica, fato presenciado pela filha, que aguarda a chegada de Orestes, seu irmão, prestes a voltar do seminário onde estudava. A chegada de Orestes e a revelação do crime, feita por Ereda, leva o rapaz a matar a própria mãe, sufocada com um travesseiro. Versão do mito grego dos Átridas, a peça reproduz os principais eventos da Electra, de Sófocles, ambientada no contexto da colonização alemã no Estado.

- Leitura Dramá tica com sessão comentada
Direção: Luiz Paulo Vasconcelos
Com Graça Antunes, Sandra Dani e Araci Esteves
Sexta-feira das paixões (1975)

25/05
Local: Sala Álvaro Moreyra
Horário: 20h
Em uma casa de retiro para mulheres sós, na cidade de Puerto Amaro, capital de um país fictício da América Latina, vivem Maria Amparo, a dona do lugar, Amanda e Teresa. O país está em convulsão, pela ação dos rebeldes que querem tomar o governo. No sótão da casa, Teresa, a Estigmatizada, está amarrada a uma cama, pois na época da Páscoa, anualmente, em seu corpo surgem chagas. As outras duas
mulheres esperam a chegada de Urânia, atriz e amiga de Amanda, que não a vê há alguns meses. A preparação para a ceia da Sexta-feira Santa é a principal ação do texto, que tem seus principais conflitos na relação explosiva entre Urânia e Maria Amparo. O assassinato de Teresa por Amparo, como o sacrifício ritual da Sexta-feira da Paixão, é a culminância da peça.

26/05
Local: Sala Alvaro Moreyra
Horário: 20h
Direção: Marcelo Adams
Quem roubou meu anabela? (1972)
Comédia com ingredientes fantásticos. Duas primas, Valéria e Genciana Marcoso, vivem uma relação conturbada. Valéria é casada com Umberto, mas trai o marido com Jasmim, um rapaz que entrega horóscopos a domicílio. Genciana é satanista, e vive invocando os demônios Astaroth e Asmodeu. O título faz referência a uma das últimas ações da peça, quando Valéria, já pronta para a recepção na casa do governador, procura seus sapatos modelo Anabela, não os encontrando. Valéria é assassinada por Umberto, que sai para a recepção acompanhado por Jasmim, calçando os sapatos anabela.

Apresentações do Grupo Experimental de Teatro da Secret. Mun. de Cultura de P.Alegre
Direção: Maurício Guzinski
Cabaret do Ivo
27, 28 e 29/05
Local: Sala Alvaro Moreyra
Horário: 20h
Resultado do módulo montagem sobre a obra de Ivo Bender do Grupo Experimental de Teatro/SMC. A coordenação é de Maurício Guzinski e a preparação de corpo e voz é de Laura Backes. No elenco: Amanda Novinski, André Gazineu, Dinorah Araújo, Juçara Gaspar, Naiara Harry, Paula Souza, Samanta Sironi e Silvana Ferreira.

O Macaco e a Velha
Direção: Deborah Finocchiaro
Com Arlete Cunha e Heloisa Palaoro
28 e 29/05
Local: Sala Álvaro Moreyra
Horário: 16h
O Macaco e a Velha do gaúcho Ivo Bender, é baseada num conto do folclore afro-brasileiro que trata da difícil relação entre um macaco muito esperto e a dona do Bananal onde ele vive. Na briga pelo usufruto deste paraíso, ambos descobrem que, só unidos, poderão defender o seu tesouro. A peça é apresentada na forma de uma leitura com dinâmica de contação de história. Os personagens ganham
vida através da caracterização da voz da atriz. E para garantir a atmosfera de cada história, a leitura conta com trilha executada ao vivo, são canções com ritmos variados, além de efeitos sonoros.

Exposição Ivo Bender - O Senhor das letras
23/05 a 16/06
Local: Saguão do Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues A exposição Ivo Bender – O Senhor das Letras fará parte do evento em celebração aos 50 anos de carreira do escritor, dramaturgo, tradutor e professor gaúcho. O objetivo é abarcar a diversidade de sua obra na qual é possível verificar a fluência de sua escrita que
transita, com liberdade, tanto pelo texto dramático nas diferentes fases experimentadas pelo autor – tragédia e comédia, realismo fantástico e teatro político, musical e teatro infantil –, quanto pelo ensaio e pela prosa. Registros fotográficos das montagens de suas peças, depoimentos de artistas, amigos e críticos literários farão parte desta amostra do universo criativo de Ivo Bender.

Fonte: site do SESC-RS

11.5.11

POA EM CENA ARRASA GERAL!
A 18a. edição do festival que vai acontecer de 6 a 27 de setembro deste ano, traz BOB WILSON como ator e diretor em A ultima gravação de Krapp, e ainda PETER BROOK, o musico PILIPE GLASS e encerrando o festival, em dezembro, ARIANE MNOUCHKINE com o seu Theatre du Soleil.
AUTOENTREVISTA DE FERNANDO ARRABAL

“Há domadores de leões. Nenhum de lulas?

Um dos nomes mais importantes do teatro mundial, o dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, 78 anos, fez a conferência de abertura do 6º Festival Palco Giratório Sesc-RS, no domingo passado, às 19h, no Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665, entrada franca, com retirada de senha uma hora antes do início).
Radicado em Paris em 1955, Arrabal foi um dos dramaturgos enquadrados pelo crítico Martin Esslin sob a denominação de “teatro do absurdo”. Mas, como os demais, está além dos rótulos. Inspirado pelo surrealismo, foi um dos fundadores, em 1962, do Movimento Pânico (o nome faz referência ao deus Pã da mitologia grega). Trocou farpas com o diretor Gerald Thomas quando ambos participaram do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre, em 2008.
– Esse sujeito só fez uma peça. E copiada – disse Thomas.
O espanhol não deixou por menos:
– Não o conheço, nunca ouvi falar dele.
Arrabal aceitou conceder a seguinte entrevista por e-mail. A reportagem foi avisada que ele costuma reescrever perguntas. Dito e feito: o dramaturgo criou uma “autoentrevista”. Confira, a seguir, Arrabal por Arrabal:



Fernando Arrabal – Onde está a vanguarda na arte?
Fernando Arrabal – Quando a solteirice é cada vez mais hereditária?

Arrabal – O mundo perdeu toda a direção?
Arrabal – E parou de ser masoquista. Gozava demais.

Arrabal – A asfixia intelectual e o conformismo levam ao entorpecimento cerebral?
Arrabal – Diríamos coisas interessantes se disséssemos o contrário do que pensamos?

Arrabal – O desterrado/exilado respira melhor na França?
Arrabal – Ainda não aprendi que a elipse existe.

Arrabal –Você se considera um apátrida ou um patriota do Desterro?
Arrabal – Ao fim de seis dias Deus criou a bandeira e descansou.


Arrabal – Paris é o local onde gostaria de morrer? Você voltou a nascer aí, como Frankenstein, já crescidinho?
Arrabal – Tempo incerto. Espaço Indeterminado – As ideias só podem ser ambíguas


Arrabal – Como é possível que depois de quase sessenta anos morando na França você ainda conserve suas manias de estrangeiro desterrado?
Arrabal – Toda formosura dorme?


Arrabal – Seu sotaque não é castelhano, como Borges dizia?
Arrabal – Todos são puro pleonasmo?


Arrabal – Continua pensando que nunca será um escritor de ofício?
Arrabal – Paradoxo: referir-se com realismo à utopia, com ódio ao amor e com gravidade ao humor.


Arrabal – Você se classifica no personagem que habita?
Arrabal – Nem sua circunstância molda a manicure apaixonada pela Vênus de Milo?


Arrabal – Por que imagino que antes de ir dormir, quando se olha no espelho, você não vê o mesmo Fernando Arrabal que o resto do mundo vê?
Arrabal – Os camicases põem capacete antes da missão suicida.


Arrabal – Quanto de Hamlet, quanto de Quixote e quanto de Patafísica há em Arrabal?
Arrabal – Jarry era mais erudito que Shakespeare ou Cervantes, obviamente. Mas igualmente homossexual.


Arrabal – Alguma vez já se sentiu usado? Você acha que de alguma forma já foi possível instrumentalizá-lo em algum momento de sua vida?
Arrabal – Escrevo com duplo sentido para chegar à metade?


Arrabal – O mais sério é rir-se de si mesmo?
Arrabal – Presunçoso como o falcão que tenta passar por trás da Lua.


Arrabal – E o mais triste? Levar-se a sério?
Arrabal – Há domadores de leões. Nenhum de lulas?


Arrabal – Quantas vezes por dia você mata Deus?
Arrabal – Piolhos majestosos. Místicos da decadência?


Arrabal – Como anda sua memória histórica?
Arrabal – Perdi a esperança – Evitando a angústia?


Arrabal – Sente rancor de Franco?
Arrabal – Os buracos são cheios de buracos?


Arrabal – É casualidade ou uma piada do destino que o carrasco de seu pai tivesse o sobrenome igual ao de seu amigo e de Houellebecq, Beigbeder?
Arrabal – A História joga cara ou coroa?


Arrabal – A experiência o ensinou a desconfiar dos aduladores?
Arrabal – O terráqueo se alimenta de seus terrores?


Arrabal – Alguma vez parou para contar quantas pessoas se dedicam a forjar sua identidade nas chamadas redes sociais?
Arrabal – Os quadros estão presos nos museus?


Arrabal – Que tipo de vida miserável pode ter um indivíduo que finge ser quem não é para ter amigos e ganhar e um afeto que não lhe correspondem?
Arrabal – É possível retirar presunto das bolotas sem passar pelo porco?


Arrabal – Crê que o temam nas academias do poder cultural?
Arrabal – Há quem corra atrás da arte: aposto na arte.


Arrabal – Por falar em redes, Facebook, Twitter...
Arrabal – Preservativos serão vendidos com seu certificado de antecedentes penais?


Arrabal – O que lhe dá mais vergonha nesta vida?
Arrabal – Apunhalar com a chama de uma vela.


Arrabal – E o que lhe inspira compaixão?
Arrabal – Os homens de letras mortas.


Arrabal – Você se aborrece que sempre façamos perguntas parecidas?
Arrabal – Gostaria que viessem com croquetes de felpas


Arrabal – E que me diz do tom acadêmico?
Arrabal – Filosofar é diurético?


Arrabal – O que fará com o naco de celebridade com que esta entrevista o brindará?
Arrabal – Quando não penso no que digo, digo o que penso... Como todos.


Arrabal – Esta é a pior entrevista que já lhe fizeram?
Arrabal – Já Eva preferiu Adão ao Éden.

Fonte: Jornal Zero Hora de Porto Alegre- Caderno CULTURA online, 30/04/2011

5.5.11


Assistí em Porto Alegre, onde estive recentemente, uma apresentação informal do TIM - Teatro de Marionetes. Da esquerda para a direita, os artistas manipuladores Reneidi Mezeck de Sena, Antonio Carlos de Sena e Inês Mezeck de Sena.

4.5.11

A LUZ E O CINEMA DE ROGERIO SGANZERLA

O SIGNO DO CAOS

No próximo domingo, dia 8, às 19 hs. no cinema 1 da Caixa Cultural, Av. Almte. Barroso, 25, encerrando a programação de A luz e o cinema de Rogério Sganzerla apresentação do ultimo longa do diretor, “O Signo do Caos” nessa mostra retrospectiva de seus filmes

No elenco, esta escriba que vos tecla, Helena Inês, Camila Pitanga, Djin Sganzerla, Giovanna Gold, Otávio Terceiro protagonista no papel do censor, Sálvio do Prado como jornalista, Eduardo Cabus que interpreta o Dr. Lourival Fontes, Gilson Moura e Freddy Ribeiro, entre outros.

De hoje a domingo dois filmes às 17,30 hs. e às 19 hs. Veja a programação aqui.

Rogerio Sganzerla fala sobre o seu filme em entrevista à Folha de São Paulo, em maio de 2003.
O enredo trata de "censura arbitrária", atalho para ele brandir contra a censura econômica e consequentemente estética, como enxerga na voga do cinema nacional. "É preciso dar um corte nessa produção vagabundérrima, nesses novelões, eleitos em detrimento das verdadeiras obras de arte", afirma.

O diretor de "O Bandido da Luz Vermelha" (68) diz que seu novo filme "está pronto, falta apenas colocar os créditos e comercializar a obra".

É aí, segundo ele, que mora o problema. "Passei os últimos anos tentando uma parceria para a produção executiva e a pós-finalização, mas ainda não consegui."

"Não apareceu ninguém porque as pessoas preferem perder dinheiro com abacaxi a arriscar em um filme que é contra a segregação, que oferece uma defesa do que há de melhor no cinema." Depois do Rio, ele tenta obter recursos em São Paulo e se diz mais otimista para fazer o lançamento até o final do ano.

Rodado no centro histórico do Rio, no entorno da praça 15, o roteiro de "O Signo do Caos", também assinado por Sganzerla, trata da atuação dos censores no país, sobretudo a do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), lançado durante o governo Getúlio Vargas (1937-45), que controlava as idéias antagônicas aos interesses políticos do momento.

Dr. Amnésio (Otávio Terceiro) é encarregado de destruir os filmes subversivos, mergulhando-os na baía de Guanabara ou atirando-os do Pão de Açúcar. O censor entra em conflito com o repórter Morel (Sálvio Prado), que discorda da intervenção na obra de arte.

Segundo Sganzerla, o filme é um libelo aos projetos inacabados ou deixados de lado, ontem por questões ideológicas, hoje por questões financeiras. Cita, como emblema, "It's All True" ("É Tudo Verdade"), filme inconcluso que o norte-americano Orson Welles rodou no país em 1942.

"Meu filme prova que Welles é o Napoleão do cinema", afirma o diretor. Sganzerla dedicou uma trilogia a Welles ("Tudo É Brasil", "A Linguagem de Orson Welles" e "Nem Tudo É Verdade"), influência velada na sua obra.

Entre os artistas brasileiros "que também foram ignorados", menciona Anselmo Duarte ("O Pagador de Promessas", 1962) e Alberto Cavalcanti ("Simão, o Caolho", 1953), ainda que não os cite diretamente em seu novo filme.

"Quero projetar verdade humana, mais luz sobre a existência da obra de arte cinematográfica em relação à cultura, definindo seus direitos e obrigações com relação ao espectador sensível" diz.