Seguidores

30.5.06


Da esquerda para a direita, Paolo Grassi, Bertolt Brecht e Giorgio Strehler
Trio punk num agito dos anos 50
Esta foto histórica reuniu Bertolt Brecht (1898-1956), ao centro, ladeado da esquerda para a direita pelo Paolo Grassi (1919-1981), co-fundador em 1947, do Piccolo Teatro de Milão juntamente com Giorgio Strehler (1921-1997), este, considerado um dos maiores diretores do mundo, e o responsável pela renovação do teatro italiano conhecido mundialmente pelos seus memoráveis espetáculos, especialmente o "Arlechino" em cartaz há mais de cincoenta anos. Esse espetáculo esteve aqui no Rio, há uns quatro anos no Teatro Municipal, e cujos cenários foram concebidos pelo Gianni Ratto. Paolo Grassi, ator, produtor e agitador cultural, foi também diretor mais de vinte anos do Scala de Milão, onde o Giani trabalhou muitos anos como cenografo e vice-diretor artístico. O Piccolo, atualmente tem três espaços, o historico endereço na Via Rovello, hoje chamado Sala Grassi, o estudio experimental chamado Teatro Studio e o mais novo espaço, o Teatro Strehler.

E o alemão B.B., Eugen Berthold Friedrich Brecht , nascido na Baviera, considerado por alguns estudiosos o maior dramaturgo do século 20, (há controvérsias...) diretor teatral, escritor, poeta, contista, que mudou o rumo do teatro no mundo com as suas revolucionarias teorias sobre teatro e politica. Fugindo do nazismo, ele e sua familia deixam a Alemanha, em 1933, e iniciam um longo exilio de doze anos. Primeiro circulam em várias capitais da Europa, e em seguida vão para os Estados Unidos, e instalam-se na California, onde B.B. trabalhou na produção de roteiros para Holywwood, e colaborou entre outros, com o genial cineasta Fritz Lang (1890-1976).

Sem maiores detalhes da foto acima, eu acredito que esse histórico flagrante, de raríssima oportunidade, foi produzido em alguma das turnês do Berliner Ensemble pela Europa, em 1954, excursões essas generosamente subvencionadas pelo govêrno da Alemanha Oriental que também subvencionava o grupo. O Berliner Ensemble, foi criado logo depois de sua volta do exílio em 1949, junto com a atriz Helene Weigel (1900-1971), companheira de Brecht, desde o início das suas atividades nos anos 20, e interprete de inumeros personagens das peças brechtianas, como Mãe Coragem, Os fuzís da Senhora Carrar e A Mãe, entre outras.

Herança genética
Ah, e agora uma notícia de fonte fidedigna, o italiano Paolo Grassi tem parentesco com um ator brasileiro. Fácil, fácil de saber - pelo sobrenome. Só podia ser o Antonio Grassi, ator de teatro, cinema e televisão, e atual presidente da FUNARTE. Esse italiano morenão de bigode não lembra aquele personagem que o Grassi fez na novela do Gilberto Braga, "A fôrça do desejo", ou é viagem minha? Voilà. Ça va sens dire.

Fontes de pesquisa: Histoire des spectacles, Encyclopédie de la pléiade, Paris, Gallimard 1965, e o programa da apresentação de Arlechino - servitore de duo padroni, do Piccolo Teatro de Milão, em excursão ao Brasil, em junho de 2002 no Theatro Municipal, do Rio, e Teatro Alfa, de São Paulo.

28.5.06




UM HOMEM É UM HOMEM
Assistí nesta semana, "Um homem é um homem" uma adaptação livre do texto de Bertolt Brecht, com a produção do Galpão, e recomendo o espetáculo embora faça algumas ressalvas, mas vale pelo coletivo desse grupo mineiro com uma respeitável trajetoria de 23 anos de existencia e 16a montagem, com reconhecimento de público e crítica, tendo conquistado os mais importantes prêmios teatrais do País, e é claro, pelo texto do BB.
Mas vale também ressaltar pela bagagem artística do meu conterraneo, o ator e diretor Paulo José , que trabalha com o grupo pela segunda vez, tendo assinado a direção em 2003, de "O Inspetor Geral", de Gogol. Na atual montagem, ele assina a direção e a adaptação, além da concepção cenografica do espetáculo juntamente com os cenografos Alexandre Rousset e Tereza Bruzzi.
Na adaptação do texto para os dias de hoje - no original, se passa na Índia, Paulo Jose diz no programa da peça " E as armas de destruição em massa que Sadam Hussein teria, mas não tinha, foram o argumento definitivo para a invasão do Iraque. A farsa Bush, Blair et caterva motivou nossa adaptação da comedia ou tragicomedia de "Um homem é um Homem", ambientando-a num pais imaginário, o Urbequistão, em cuja capital Dagbá estão aquartelados cem mil soldados ocidentais".

"Um Homem é um Homem", fica em cartaz sòmente até o próximo domingo, dia 4, no Teatro Carlos Gomes, aqui no Rio. De quinta a domingo às 19,30hs.

Depois do Rio, Alemanha,
"Um Homem é um Homem" estreou em outubro de 2005, em Belo Horizonte, e já esteve em cartaz em São Paulo, em Ribeirão Preto, passou por algumas cidades do nordeste, no Festival de Curtiba, entre outros lugares, e mais recentemente fez uma apresentação em Nova Iguaçu.

O espetáculo abriu nesta quarta feira, dia 24, a pré-estréia da 5ª Semana de Artes Cênicas da Baixada Fluminense (de 8 a 24 de junho), O Encontrarte, no ginásio da Vila Olímpica, em Nova Iguaçu, sendo assistido por cerca de três mil pessoas.

O Galpão foi convidado para apresentar o espetáculo na Alemanha, e no início do mês de agosto o diretor e o grupo viajam para lá, onde vão apresentar o espetáculo em praça pública, na cidade de Berlim. O convite foi feito por produtores alemães que assistiram "Um Homem é um Homem" no Instituto Goethe, quando o espetáculo estava em cartaz em São Paulo.

23.5.06


Cena da peça O Cristo Proclamado de Francisco Pereira da Silva que levou pela primeira vez para o palco do Teatro Copacabana Palace retirantes nordestinos, montagem do Teatro dos Sete, em 1960, com direção e cenários de Gianni Ratto, e direção musical de Geni Marcondes. A peça ficou uma semana em cartaz. Foi um iluminado fracasso, declarou o sábio diretor.

Na foto, Fernanda Montenegro, Sergio Brito e Italo Rossi.
Fernanda Montenegro estreou no teatro sob a direção de Gianni Ratto, na peça de Jorge de Andrade A Moratoria. No documentário, ela dá um contundente depoimento sobre o diretor:
- Pegou a mim como uma massa bruta, sem exibicionismo, sem codificar uma técnica para safar a onça, sem domesticar, me abriu para vida, me educou para o teatro. Isso eu devo a ele, professor de interpretação, sociologia, antropologia, história do teatro, e um homem prático de carpintaria de teatro.

Cena da historica montagem de O Mambembe de Artur Azevedo, estreada dia 12/11/1959 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção e cenários de Gianni Ratto. Figurinos de Napoleão Monis Freire. Produção do Teatro dos Sete, do qual Gianni foi um dos fundadores.
Da esquerda para a direita, os atores, Yara Côrtez, Labanca, Fernanda Montenegro, Italo Rossi, Sergio Brito e Grace Moema.
Update: Recebí um e-mail da escritora e dramaturga Maria Inez Almeida, corrigindo a minha informação sobre a peça de estréia da atriz Fernanda Montenegro. Informa a minha amiga e conterranea, na sua abalisada intervenção:
- Ela fazia teatro desde 16 anos, como Cacilda, estreou na peça As alegres canções da montanha.
Valeu,Inezinha!

22.5.06


No Rio, com Millôr Fernandes. Não vou contar a piada do Millor e a resposta do Gianni. Vejam o filme para saber.

Esta cena foi filmada no exato momento, quando Gianni Ratto lê sob intensa emoção uma carta do seu pai. Durante as filmagens na Italia, o celular de sua filha Antonia, que o acompanhava, tocou. Era um primo italiano que tinha visto uma foto dele nos jornais e queria vê-lo. O encontro com esse primo que ele nem sabia existir, resultou em uma das maiores emoções, senão a maior dessa viagem, quando entre outras relíquias familiares trazidas por esse parente está essa carta.
- Foi tudo surpresa. Nem a gente sabia o que podia acontecer. O espírito do filme era estar sempre atento e filmar as primeiras impressões, emoções de Gianni - diz Gabriela Greeb, a diretora do filme, numa entrevista para a Roberta Oliveira, em "O Globo".

Gianni conversa com Antonia - Terminal Grociere, em Gênova.

Croqui de A tempestade de Shakespeare, no lago do Jardim de Boboli, em Florença.

Gianni comtempla o lago no Jardim de Boboli, em Florença, espaço cênico da montagem de A tempestade, de Shakespeare, em 1952. Dá para imaginar o impacto que causou a apresentação desse mesmo espetáculo que já tinha sido apresentado no Piccolo
Teatro de Milão.

"Não é um elogio, é mais do que um elogio - é um presente da sua alma", diz Gianni, agradecendo os elogios no emocionado e emocionante encontro na casa de Nina Vinchi Grassi, em Milão - administradora do Piccolo à época de Gianni, e depois esposa do Maximo Grassi.

Encontro emocionante em Gênova, no Teatro Carlo Felice, com Dario Fo, ganhador do Prêmio Nobel, dramaturgo, ator, quando diz emocionado para Gianni Ratto: "você é um mito".

Gianni, olhando os croquis que fez para o Scalla de Milão, diz com a modéstia dos grandes de alma: agora vejo que eram bons mesmo.

Uma das primeiras imagens do filme, Gianni Ratto e sua filha Antonia, chegando no
Piccolo Teatro, em Milão, do qual foi um dos fundadores.

16.5.06

A MOCHILA DO MASCATE
Dirigido com emoção e reverência por Gabriela Greeb a pedido de Antonia Ratto, A Mochila do Mascate, obra filmada em seis semanas a partir da autobiografia de mesmo título, apresenta 70 minutos de puro deleite, descobertas, resgatando a história de um ilustre e insubstituível patrimônio ítalo-brasileiro.

Assim como foi o polonês Zbigniew Ziembinski nos anos 50, no Brasil.
Em depoimento poético sem perder a acuidade técnica, Gianni Ratto (1916-2005) nos transporta para a sua Itália de Norte a Sul , sob pretexto de rever amigos, cenógrafos, diretores, técnicos com quem trabalhou nos anos 40 e 50 , acaba oferecendo a um extasiado espectador, uma preciosa aula de Teatro.

Tendo fundado com o italiano Giorgio Strehler o Piccolo Teatro di Milano, ainda hoje uma das instituições de maior respeito na Europa, Gianni Ratto radicou-se no Brasil em 1954 não sem antes ter revolucionado a concepção cenográfica na Itália.

Cenógrafo de incontáveis óperas (mais de 20 delas com Giorgio Strehler) como a inesquecível montagem de Lucia di Lammermoor, com música de Donizetti e
regência de Herbert Von Karajan, ou de peças como Ralé de Maximo Gorki,Ratto não nega seu fascínio tanto pela Arquitetura, esta para ele, a verdadeira Arte, como pela música, aliando todas as artes em suas criações extremamente pessoais. Em momento de humor, Ratto descreve com perplexidade a feiúra arquitetônica de São Paulo, com peculiar simpatia.

O cunho Gianni Ratto é reconhecido desde o teatro Carlo Felice de Genova , ao Teatro alla Scala de Milão , passando por Nápoles, Rio de Janeiro, São Paulo e sua modéstia só o torna mais grandioso. Se o edifício ideal para o fazer teatral é a praça pública, fórmula que segundo Ratto hoje não mais funciona, é no cinema que encontraremos o depoimento real de sua trajetória.

Pontuado por belos testemunhos de atores como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Dario Fo, é na precisa e sensível condução do dramaturgo Aimar Labaki que se descobre que Ratto é o verdadeiro autodidata, intuitivo e técnico, emotivo e pragmático, unindo aparentes paradoxos numa dialética própria, sempre um passo adiante do seu tempo.

Habituado às ovações, Gianni Ratto compartilha com um informado e consistente Labaki, a ilustração de uma frase que traduz a humildade dos grandes de espírito: assim diz ele, comi muito Teatro e fui comido por ele, para depois finalizar o pensamento dizendo que um fracasso inteligente vale mais que um sucesso relativo.

Se a Itália nos trouxe Adolfo Celi, Ruggero Jacobi, Luciano Salce, Alberto D'Aversa, Lelia Abramo na mesma época que nos deu Gianni Ratto, estes tanto colaboraram com o teatro como com o Cinema brasileiro, Gianni Ratto continua nos oferecendo um exemplo de talento, perseverança e vitalidade.

Um artista completo que representa um ensinamento para as novas gerações que perseguem um caminho na Arte.

Um documentário conciso, delicado e extremamente amoroso. Assim como são ou
deveriam ser os filhos com seus pais.

Este belo texto-depoimento sobre o filme é da autoria da atriz, sociologa, escritora Tuna Dwek, e foi postado ontem, segunda dia 15, lá no forum de teatro.

A Mochila do Mascate
(Brasil - 2005 - 73 min.) Direção: Gabriela Greeb
Argumento e roteiro: Antonia Ratto e Gabriela Greeb.

Em cartaz no Rio, São Paulo e Brasilia. Aqui no Rio, no Museu da Republica e Instituto Moreira Salles, em cartaz até o dia 25 de maio. É só rolar o cursor - para baixo - e encontrará nesta página os dias e horários e preços.

14.5.06

BISCOITO FINO

A mochila do mascate é absolutamente imperdível, não só para quem faz ou estuda teatro e outras artes cênicas, mas também para designers, arquitetos, estilistas, artistas plasticos, etc. e o público em geral.

Assistí o filme ontem (sabado, dia 13) no Museu da Republica e ainda estou sob o impacto da grandeza dessa realização, cuidadosa nos mínimos detalhes, com um apuro estético digno do homenageado, da música às imagens belissimas - dos desenhos, arquivos de imagens com direito a voz e imagem da Maria Callas cantando no Scala de Milão, entre outras raridades. Biscoito fino para o privilegiado espectador.

O que os artistas contemporaneos andam inventando como aquela badalada montagem de um texto de Beckett a beira do lago do Itamaraty em Brasilia, no ano retrasado,
no início da decada de cincoenta, na Itália, Gianni Ratto montou A tempestade de Shakespeare, a beira de um lago artificial, em Florença. Aliás é uma das cenas mais tocantes do filme. Ele mostrando o local dessa encenação para a Antonia, sua filha, produtora e roteirista do filme, quando ele olha de repente para o céu, e naquele momento a camara filma um céu que parecia extraído de um cenário.

E não por acaso, ele era considerados um dos sete maiores cenógrafos do mundo, quando o sábio casal Sandro e Maria Della Costa foi à Itália especialmente para convidá-lo para dirigir o espetáculo de estréia do teatro deles em São Paulo. Ela aparece no filme, linda, contando esse fato.
Tem muito mais coisa.
Continúo depois.

Agora vou para o Centro Coreografico assistir o encerramento da "11 Mostra de Dança Faculdade Angel Vianna" , e o debate com o público; "Em busca de um repertório na dança contemporânea". A noite promete.

12.5.06


A mochila do mascate

GIANNI RATTO


Um Homem de Teatro no Cinema

Sinopse:

Documentário sobre o cenógrafo e diretor teatral Gianni Ratto, nascido na Itália em 1916 e radicado no Brasil desde 1954. Acompanhado de sua filha Antonia, Gianni refaz o percurso geográfico de sua vida, passando por Gênova, Milão, Florença, São Paulo e Rio de Janeiro, visitando lugares e pessoas que marcaram sua trajetória, entre elas, Fernanda Montenegro, Dario Fo, Maria Della Costa e Millôr Fernandes. A cada encontro vivido, no decorrer do percurso, Gianni fala seus trabalhos e revela as idéias de quem não só executa, mas pensa o teatro sob a perspectiva de um humanista.

O filme estréia dia 12 de maio nos cinemas:
São Paulo

Cine Bombril
Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073- Cerqueira Cesar
(11) 3285-3696
www.cinebombril.com.br


Brasília

Academia de Tênis
Setor de Clubes Esportivos Sul - Trecho 04 - Conj 05 - Lote 1B
(61) 3316 6373
www.academiaresort.com.br


Rio de Janeiro, em cartaz até o dia 25 de maio.

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476- Gávea
(21) 3284-7400
www.ims.com.br
De terça a domingo 14,00 15,30 17,00 e 18,30 hs.

Update: Dias 23, 24 e 25 - última semana, em novo horário: às 14 e 16 hs.


Museu da República
Rua do Catete, 153 - Catete
(21) 2558-6350
www.museudarepublica.org.br
De terça a domingo 14,00 15,30 17,00 e 18,30 hs.

UPDate: Dias 23, 24 e 25, não haverá a última sessão às 18,30hs
Terça, quarta e quinta feira, às 14,00 l5,30 e 17,00 hs.

O que não foi pertence a tempo nenhum e o que foi - se algum valor já teve - hoje só vale se o amanhã for um comêço e não uma continuação, um prolongamento, uma cadeira de balanço. Gianni Ratto