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31.12.03




Os três reis magos no desfile de Natal de Gramado

No último post do ano as imagens de um dos espetáculos mais belos e emocionantes que eu tive o privilégio de assistir com a m inha família no domingo passado em Gramado, o 18o. Natal Luz que há dois anos tem o apoio luxuoso -- na concepção -- do
Joãozinho Trinta.
Nunca imaginei um desfile de Natal com carro alegorico, desfile, tema etc. Este ano o tema foi o "Natal sob o olhar de uma criança", e a cidade mobiliza-se o ano todo para essa festa.
Op's tenho que parar por aqui ... o povo aqui tá animado, o Arthur (meu sobrinho de dois anos incompletos), sequestrou lá da cozinha uma garrafa de champanha fechada e trouxe até aqui para eu abrir, e a Isabella tá andando por aqui com duas taças de champanha para um ''brinde para Tia Ruth". Deu prá mim... vou para a farra...
Ponto alto do desfile, esses anjos em patins.

Carro alegorico do desfile de Natal projetado pelo Joãozinho 30,
em Gramado (RS), espetáculo belíssimo que atrai turistas na=
cionais e internacionais.

20.12.03


O palhaço PIRULITO e outros personagens do Teatro Infantil de Marionetes -- o TIM de Porto Alegre que está comemorando meio século de atividades em 2004.

Bah, Tchê!
Desde terça-feira, estou aqui no Rio Grande do Sul. Já estive em Porto Alegre e
participei de alguns eventos culturais, revi amigos, parentes etc e tais. Agora estou em Osório, a cento e cincoenta quilometros da capital, onde mora a minha mãe. Atualização do blog só quando eu sair do colinho de mamãe e o Arthur e a Izabella (meus sobrinhos
de dois e quatro anos) permitirem.







14.12.03

Diretor faz greve de fome para "salvar" o seu teatro
Um ator, diretor e proprietário de teatro, entrou em greve de fome para "salvar" o seu teatro, segundo ele, "ameaçado de morte pelo Ministério da Cultura que dividiu por dois a sua subvenção este ano, e a cortou para o próximo ano". Isso tudo está acontecendo num país de primeiro mundo onde os teatros são subvencionado pelo govêrno. Mais precisamente, na França. O diretor grevista Christian Le Guillochet, é proprietário do Teatro Lucernaire (Paris 6e.), um prédio que abriga duas salas de 120 e 130 lugares, 3 cinemas, um bar e um restaurante. Pobrinho ele, não? Protestando de barriga cheia, o talzinho esse.
Não satisfeito com a greve de fome, ainda colocou em cartaz no teatro de sua propriedade, uma peça com o sugestivo título "Subvençao". Esta peça escrita por um amigo dele, tem no seu enredo duas funcionárias do Ministerio da Cultura que tentam convencer um diretor de teatro a parar com uma greve de fome que dura vinte e três dias, e nessa negociação de uma hora, no fim o diretor cai morto.
O espetáculo é dirigido pelo próprio que alterna o papel principal com outro ator, e o grevista da fome pretende seguir esta greve até o esgotamento, mas o Ministério da Cultura está fazendo jôgo duro e diz que não vai ceder a pressões.

12.12.03

Cortejo lírico circense no Jardim Botânico
Amanhã, dia 13, às 17 hs, encerrando a semana que comemora o Dia do Palhaço e o Dia da Declaração dos Direitos Fundamentais do Homem, um encontro lírico-circense promovido por artistas e moradores do Jardim Botânico -- crianças e pais frequentadores da Pracinha Pio XI, e com o apoio de escolas do bairro.
O encontro contará com a apresentação de palhaços, mímicos, bonequeiros, pernas-de-pau e circenses em geral. Partindo do Colégio Cap/ UFRJ, o cortejo circense seguirá pela rua Conde Afonso Celso até a Praça Pio XI. Para compor o espaço do circo, foi criado o Projeto Cadeira Cativa -- banquinhos que começaram a ser pintados a cada encontro com as crianças na pracinha, aproveitando caixas de verdura do comércio local.
Á frente da organização e do projeto, Susana Fuentes, que eu conhecí no sabado lá na Praça dos Correios, assistindo a apresentação dos Arturos.

10.12.03

Hoje Dia do Palhaço uma homenagem ao palhaço Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do mundo, e considerado por muitos entendidos o "Rei dos Palhaços" do Brasil. Nasceu em Minas em 1870, e faleceu no Rio em 1954. Benjamin foi vaiado nas suas primeiras apresentaçõesEstreou como palhaço no Circo Frutuoso Pereira, em Sampa pelos idos de 1889.

9.12.03


Alexandre Dantas e Marcos França em "Navalha na Carne"

Navalha na Carne em sessão especial
O Teatro do Pequeno Gesto convida a classe teatral para uma sessão exclusiva de "Navalha na Carne", de Plínio Marcos, com direção do Antonio Guedes, amanhã, quarta-feira, dia 10, às 21,00 hs.
Quem ainda não viu trate de ficar esperto, e ir logo assistir um dos melhores espetáculos do ano, como já disseram os críticos. Antonio Guedes (Tuninho Guedes que eu tive o privilégio de ser dirigida por ele em Peer Gynt) ousa todas com o talento e a competencia de quem conhece o seu métier, e o elenco afinadíssimo não fica nada a dever aos melhores atores que já interpretaram essa peça. Alexandre Dantas interpretando o cafetão Vado, a Helena Varvaki a prostituta Neusa Suely e o Marcos França no Veludo, conquistaram um público cativo e apaixonado que já assistiu várias vezes o espetáculo.
O espetáculo continúa em cartaz na Casa Rosa até o dia 20 de dezembro, sempre às sextas às 21:00h e aos sábados às 20:00h. No sábado, o ingresso dá direito a entrar na festa "Pessoas do século passado". A CASA ROSA fica Rua Alice n. 550, em Laranjeiras.
Lotação: 25 pessoas. Reserva esperta pelo tel: 9679-8077

8.12.03


Iemanja cubana.

Salve Cuba e a cultura yoruba!

En honor de los hermanos cubanos -- e meus queridos amigos do SOM3, Fatima Patterson a maior atriz cubana, Ramiro Herrero e Andrés Caldas e todos os integrantes do Cabildo Teatral da cidade de Santiago de Cuba, o gaiabero Faustino Ramos, a maravilhosa cantora Helena Burke, e ao "inenarrável" Carlos (da província de Camanguay), entre outros amigos cubanos -- estou postando aqui no aniversário do blog, a Yemaya de Yoruba, homenageando a cultura afro - cubana, e a afro-brasileira.




Parabéns, parabéns pelo seu aniversário!
Este blog foi criado no dia 8 de dezembro de 2001, e por incrível que pareça, até então nenhum maluco tinha postado nada sobre teatro, dança, circo etc & tal, em weblogs -- o hoje popular blog.

7.12.03

Las cosas aca se quedan mui peludas
Esse blog ta aprontando todas comigo. Esteve fora do ar o dia todo. Para completar, os teclados n'ao obedecem aos comandos digito um til sai um ponto, digito aspas sai um til e assim por diante.
Tenho um mont'ao de coisa pra postar, mas n'ao ta dando.
Ah, amanha, dia 8 de zembro, este blog completa dois anos de idade. Em termos de blogosfera, um blog veterano, e uma blogueira, idem.
Uma incensada de leve para melhorar o astral!

6.12.03

Viva a arte e a cultura afro brasileira
Estou em estado de graca. Meninos, eu vi -- ao vivo e a cores -- o cortejo ritual dos Arturos, da Comunidade dos Arturos da cidade de Contagem (Minas Gerais) que realiza uma das mais importantes manifestacoes culturais banto-catolicas do Brasil. o congado. Eles vieram ao Rio para se apresentar no evento Arte da Africa - Brasil, hoje na Praca dos Correios.
Vi ainda, a famosa performance tribalista da atrizVia Negromonte. no foyer do CCBB. Cantos, dancas e ritmos percussivos africanos, com a direcao, concepcao e voz da Via Negromonte. Uma artista da melhor qualidade. Adorei.
E completando os estados alegria, beleza e bem estar ao meu dispor naquela area do CCBB e Praca dos Correios, assisti o espetaculo do Marcio Libar, O Pregoeiro e o puro encantamento de ver o palhaco Cuti-Cuti.

2.12.03

Peça "perdida" de Ésquilo encontrada numa múmia egipcia
Uma tragédia grega de Esquilo, que se acreditava ter sido destruída quando houve o incêndio da biblioteca de Alexandria, no ano 48 AC, foi encontrada por arqueologos. Um autor grego trabalhou durante dez anos no projeto de adaptação e montagem, e a estréia mundial deverá acontecer em junho do próximo ano, no Chipre e na Grécia.

30.11.03


Márcio Libar na pele de "O Pregoeiro" na Lapa

Respeitável Pregoeiro
O Márcio Libar, arrebentando na primeira página do Caderno B, numa entrevista com o ótimo reporter Lula Branco Martins. Só não concordo com o Lula, quando referindo-se ao cargo do Libar -- Coordenador do Teatro de Rua e Circo da RioArte -- estabelece um paralelo de atuações com o coordenador dos teatros da Prefeitura: "é uma espécie de Miguel Falabella ao ar livre". Nada a ver. O Falabella joga em outro time. Tá mais pra Bozo e Ronald Mac Donald's do que para o palhaço Cuti-Cuti.

29.11.03

Peça de Beto Lima e Beto Andretta no Carlos Werneck
Amanhã, às 11hs. a peça dos dois Betos como são conhecidos os autores da peça que revolucionou nos anos 80 a linguagem do teatro de bonecos, O Vaqueiro e o Bicho Frôxo. A peça junta recursos do teatro de mamulengo, teatro de rua e seguindo uma estética que privilegia a ingenuidade e riqueza das cores luminosas da Arte Naïf. A peça segue pelo viés do musical e faz referências ao folclore brasileiro e a personagens míticos.
Nessa nova versão, a peça tem a direção, figurinos e voz de Alzira de Andrade que também é interprete com o Aluizio Augusto. Direção musical e arranjos do Mauricio Durão.
O Teatro Carlos Werneck é localizado no Aterro do Flamengo, altura do numero 300.
Sempre aos domingos às 11 hs. e de gratis. Com raras exceções, vem apresentando espetáculos de qualidade.
PSP.(Post Scriptum Post) Estou destacando esta peça, porque eu conheço o trabalho dos Beto. Fui testemunha do sucesso desses dois grandes artistas bonequeiros, (adoro eles) no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Chalesville-Mezzières, na França, quando eles ainda integravam o Grupo XPTO de São Paulo -- a vanguarda da vanguarda do teatro de bonecos no País.
Ah, eu deveria colocar aqui uma foto linda do espetáculo, mas o blog publica quando ele quer. Como diz a Cora Rónai "Computador, a gente sabe, não é ciência, é macumba."

Cortejo Brincante Abayomi

Festa para o lançamento do Calendário Abayomi 2004
Na próxima quinta-feira, dia 04 de dezembro, às 19 horas, na CASA MERCADO 45,
rua do Mercado, 45 - Praça XV, o lançamento do Calendário Abayomi 2004.
Vai lá comprar os seus presentes de natal e assistir um show de chorinho com o grupo "Peixe à Passarinho" e cantoria com as maravilhosas artistas- artesãs da Cooperativa Abayomi.

O que é a Cooperativa Abayomi
A Cooperativa Abayomi, nasceu a partir do trabalho de LENA MARTINS; artesã nascida em São Luiz, estado do Maranhão, educadora popular, militante do movimento de mulheres negras; que na busca de um artesanato que utilizasse um mínimo de ferramentas associado a preocupação com o excesso de lixo cria uma técnica de fazer bonecas com sobras de pano sem utilizar na sua feitura cola ou costura.
Acreditando na retomada do hábito de criar objetos artesanais com matéria prima oferecida pela natureza, na reciclagem do lixo urbano, na utilização da arte popular como instrumento de conscientização e socialização do indivíduo, outras mulheres se incorporaram ao trabalho, formando a COOPERATIVA ABAYOMI, fundada em dezembro de 1998.
Este é o objetivo das nove mulheres que hoje compõe a Abayomi, LENA MARTINS, SONIA SANTOS, FLÁVIA BERTON, REGINA OLIVEIRA, MARIA ANGELICA GOMES, SHIRLEY BRITTO, MARIA JOSÉ GARCIA, LUIZA BORBA E CRISTIANI FERRAZ, educadoras, psicólogas, artistas populares, terapeutas, atrizes e circenses, que além da contribuição decisiva na estética e organização do grupo, levam o seu trabalho artístico, social, criativo e humanitário, através de oficinas, cursos, palestras, exposições e do Cortejo Brincante Abayomi a um número incalculável de pessoas.

28.11.03

Última chance para ver "Medéia" do Teatro do Pequeno Gesto
Em cartaz desde maio no Teatro Maria Clara Machado, o Teatro do Pequeno Gesto fará as aúltimas apresentações de "MEDÉIA", nos dias 2 e 3 de dezembro (terça e quarta da próxima semana), as últimas apresentações de 2003. O espetáculo já se apresentou nos festivais São José do Rio Preto (SP), Fenart - João Pessoa (PB) e Pira em cena - Piracicaba (SP). Eu vou rever. Comentei aqui.
Reescritura do clássico grego, o espetáculo explora a fronteira entre o épico e o dramático. “Medéia” texto original de Euripedes, com direção de Antonio Guedes, conta a história de uma mulher preterida por seu marido que escolhe uma nova esposa. Inconformada com a situação, ela parte para a vingança. No desenrolar do espetáculo, são colocados em questão os direitos de homens e mulheres uns em relação aos outros e os limites do desejo que um longo casamento impõe.
Elenco: Alexandre Dantas, Ana Alkmim, Cristine A’Gape, Cibele Jácome, Fernanda Maia, Luiza Baratz, Mariana Oliveira e Viviana Rocha.
TEATRO MARIA CLARA MACHADO (Planetário)
Padre Leonel Franca, 240 - Gávea Tel.:2274-7722
dias 2 (terça) e 3 (quarta) de dezembro às 21:00h
Ingressos: R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia)
R$ 5,00 (compra antecipada para grupos a partir de 15 pessoas - 9607-5845)
Na foto ao alto, Alexandre Dantas e Cybele Jácome numa cena de "Medéia".

26.11.03

"O Signo do Caos" premiado em Brasilia
O juri do 36o. Festival de Cinema de Brasilia deu o prêmio de Melhor Direção e Melhor Montagem para o "Signo do Caos". Subiu ao palco para receber os dois troféus Candango, a atriz Djin Sganzerla, filha do diretor Rogério Sganzerla com a atriz Helena Ignez.
O Candango de Melhor Ator e Ator Coadjuvante foi pra dois queridos conterrâneos: o Paulo César Peréio no filme do Maurice Capovila, e o Ênio Gonçalves no filme do Carlão Reichenbach. Eles merecem. Aqui na Folha, a relação dos premios.

25.11.03

24.11.03


Não precisa clicar. Aí em baixo, o relato na íntegra.

A Loucura do Rei George
Londres, 20/11/2003 - Estou acabando de chegar da passeata anti-Bush no centro de Londres. Marcada para as 14h, ela acabou sendo atrasada de propósito pela polícia só para confundir todo mundo.
“The madness of King George” é uma peça e um filme belíssimo de autoria de Allan Bennett, que relata até que ponto (alegoricamente, é claro) o poder pode criar alucinações e criar o isolamento. Pois, quem está em
Londres por esses dias não deve estar acreditando que isso aqui não é um estado policial: são dezoito mil policiais da Metropolitan Police, fora o que tem de Scotland Yard disfarçado de mendigo, e de MI5, MI6, SAS, e as "agencies" americanas, que já estão em solo há uma semana, como os Secret Service Agents, a CIA operational, os Tactical Marines, o NSA, e vai lá uma longa lista que nem mesmo o Pentágono sabe mais listar. E tudo isso a um custo de cinco milhões de libras!!!!!
Vendo o banquete que a rainha ofereceu a George Bush ontem à noite (e a total falta de modos com que o cowboy se comportou nessa histórica “state visit” que lhe dá direito a morar dentro do Buckingham Palace), e tomando o inesperado speech de Tony Blair de que a Grã Bretanha “não viraria” o 51º estado dos EUA (porque ele disse isso, se ninguém perguntou?), eu só posso supor que Bush deve estar em total síndrome de loucura, assim como o Rei George e, quem sabe, quer sim anexar a Grã Bretanha. Afinal, Adolf anexou a sua nativa Áustria (em Graz) à Alemanha. Não, claro que não. São delírios teatrais.
Mas quais serão os delírios de George Bush? Afinal, até agora as perguntas cruciais não foram respondidas. Onde estão as armas de destruição em massa? Onde estão os laboratórios de armas bioquímicas?
Saddam era um ditador, sem dúvida. Tratava seu povo tremendamente mal, assim como é proprio dos ditadores. Mas isso seria para o Tribunal de Haia julgar, assim como estão fazendo com Slobodan Milosevic, não é? Será que George W. tem um feudo oedipiano a disputar com o pai, George Bush senior, que não conseguiu capturá-lo? É uma briga de família então? Será que ele – Bush filho, não entende a retórica que rola entre os próprios países árabes e que Saddam podia estar blefando sobre ter ou não ter armamentos poderosos, sá pra se ganhar perante aos outros?
Esse jogo é delicado e faz parte de uma cultura que entendemos pouco. Ou melhor, entendíamos. Graças a política invasora, guerreira de Bush, agora ela será um pesadelo constante em nossas vidas, pois está se criando (pelo menos) mil homens-bomba por dia nos países árabes.
Na marcha de hoje conversei com atores, gente que veio até da Alemanha e Itália. E, no que diz respeito aos milhares de britânicos que estavam lá aos urros mais profundos de ódio pela presença de Bush no país, um grupo fantasiado de prisioneiros talibãs, algemados, encapuzados e amordaçados (foi dificil falar com algum deles no meio daquelas cem mil pessoas, mas falei!), deixaram bem claro que eles não estavam lá somente para protestar contra Bush, mas também contra Blair.
Se a Inglaterra é aquela terra de loucos para onde o Príncipe da Dinamarca (Hamlet) é levado quando pira, ela ficou mais louca ainda essa semana com a presença de um cowboy despreparado, cujo único interesse, sabidamente é o lucro, o petróleo, o domínio total geopolítico e um sadismo que se lê em todas as suas expressões (está no seu sorrisinho macabro quando termina uma frase e espera que a claque o aplauda). É macabro.
Vê-lo aqui, na terra em que Cromwell e Disrealy e Shakespeare e Marlowe e Churchill e Chaplin e Orwell e Huxley criaram o que criaram a partir de um “problema” tão profundo e tão existencialista, é triste ver um idiota com sotaque texano trazer respostas tão simplórias e tão sangrentas.
Gerald Thomas

O site oficial do Plinio Marcos está prá lá de imperdível. Obrigatorio.

23.11.03

Deu no Le Monde, ontem
Com o título Todas as facetas de Caetano Veloso, cantor de invenção brasileira
uma crítica das mais elogiosas ao lançamento de um livro autobiografico e um CD duplo, que está sendo lançado na França. Muito chique o Caetano.

22.11.03


Uma cena de "O Judas em Sábado de Aleluia" pelo Grupo Tramedia

O Grupo Tramédia patrocinado pelo Prêmio Estímulo Carlos Miranda, estréia nesta segunda-feira, dia 24, às 20,00 hs. -- em única apresentação -- na Sala Dina Sfat do Teatro Ruth Escobar, O Judas em Sábado de Aleluia, seu segundo trabalho. O espetáculo faz parte do projeto "Origens da Comédia Brasileira - Martins Pena", da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
O ingresso para a estréia será 1 kg de alimento não perecível, e toda a arrecadação será doada ao Programa Fome Zero.

Carlos Miranda
Não posso deixar de parabenizar a Secretaria de Cultura do Estado pela iniciativa desse projeto e pela homenagem ao querido e saudoso Carlos Miranda. Nada mais apropriado do que um prêmio de estímulo ao teatro levar o seu nome. Eu tive o privilégio e a honra da convivencia pessoal e profissional com o Carlos no Serviço Nacional de Teatro/FUNDACEN/IBAC/FUNARTE, e sou testemunha da sua dedicação e trabalho em prol do teatro e da arte brasileira. Viva o Carlos Miranda!

O Signo do Caos detonando no Festival de Brasilia
O nosso filme (tô é muito exibida) abriu ante-ontem, a mostra competitiva do 36o. Festival de Cinema de Brasilia, um dos mais importantes do País e famoso pelas conhecidas e temidas vaias do público brasiliense. O Signo do Caos, um dos filmes mais esperados do festival, "não foi
aprovado pela platéia de Brasilia", segundo OGlobo houve gente saindo antes do fim da sessão, mas os experts estão elogiando o filme e a Helena Ignez já está concorrendo ao Candango de Melhor Atriz, e o Otavio Terceiro de Melhor Ator. Ator. Rogério, convalescendo, não poude comparecer mas mandou uma carta, lida pela Helena, e nesse trecho aqui ele antecipa a reação de determinado público:

“Existem várias maneiras de ver e viver o cinema. Essa é uma divina comédia às avessas”.

Na foto ao alto: Helena Ignez, Otávio Terceiro e Sálvio do Prado, numa cena do filme.

18.11.03

Ativa ou não, eis a questão
Vai um remédinho aí? Tem também em spray sub-lingual que será lançado ainda este ano por um laboratorio farmacêutico britânico. E a Holanda, desde o início deste ano, foi o primeiro país que disponibilizou a cannabis -- mediante receita médica -- para algumas doenças graves. Pacientes da Grã-Bretanha, dos EUA e do Canadá já estão reinvidicando os mesmos direitos.
MARTHA GRAHAM, a grande bailarina e coreógrafa norte-americana, uma das maiores do mundo, falou tudo nesse texto sobre a criação artística do bailarino, do ator, do performer ou de qualquer outra interpretação cênica:
" Existe uma vitalidade, uma energia, uma vivacidade que é traduzida em ação por seu intermédio, e como em todos os tempos só existiu uma pessoa como você, essa expressão é única. Se você a bloquear, ela jamais voltará a se manifestar por intermédio de qualquer outra pessoa, e se perderá."

16.11.03

Aviso aos navegantes
Desde ontem estou de banda larga. Uma semana confusa e tumultuada por conta da instalação do bicho. Nem acredito que eu posso navegar e blogar á vontade sem me preocupar com a conta do telefone.
E, nessa faina toda, além de outras providências inerentes, eu tive que mandar reformatar o computer. E cada vez que isso acontece, os técnicos instalam um monte de penduricalhos e somem com os meus arquivos mais importantes. Desta vez foi a minha pasta de arquivos pessoais com os e-mails todos que eu recebí e enviei e os não enviados que estavam separados para responder. Peço desculpas aos amigos que me mandaram e-mails e estão ainda sem resposta. Estou tentando recuperar essas pastas. Voilà.

Tenho muita coisa para postar aqui, mas não tá dando. Tô aqui enroladíssima.
E haja hoje para tanto ontem, como versejou o poeta Leminski. E eu ùltimamente não estou cabendo em mim de tanto ontem que ficou para hoje.
C'est tout par aujourd'hui. À demain, mes enfants.

15.11.03


Regina Oliveira numa cena de "Guardados"

Guardados
É o nome do espetáculo que estréia hoje (quinta) só para convidados, lá na Fundição Progresso, e eu não vou perder por nada. Já confirmei a presença da minha pessoa. Guardados é um trabalho da multi-artista REGINA OLIVEIRA -- trapezista, atriz, palhaça, artesã e brincante do Teatro de Anônimo -- no seu primeiro espetáculo solo dirigida pela mestra JULIANA JARDIM. Essa dupla promete -- muito.

De Ionesco bufão a Peer Gynt, de Ibsen -- exercícios de estilo de uma palhaçatriz.
Da Mestra Juliana Jardim, eu falei dela, várias vezes nos dois blogs. Fiz o curso de bufão com ela nos cursos de extensão -- Nucleo do Ator, na UNIRIO, durante o ano passado. Desse curso iria resultar a montagem de um texto de Ionesco, em linguagem de bufão, que começamos a trabalhar em fevereiro deste ano, e deveria estreiar em agosto na Fundição, mas o trabalho foi interrompido no final de março porque o patrocínio para a montagem do espetáculo, não rolou.
A tristeza só não foi maior porque eu pensava trabalhar simultâneamente com outro grupo que eu namorava há um tempão. E foi assim que eu comecei a trabalhar extamente no dia 1o. de abril, com o grupo de estudos do Tuninho Guedes, e rolou o Peer Gynt, de Ibsen, espetáculo que ficou em cartaz durante todo o mês de outubro no SESC-Tijuca.
Se o espetáculo de bufão tivesse estreiado em agosto na Fundição, não sei como eu ia me virar com os ensaios do Peer Gynt com estréia marcada para outubro, considerando os dias da semana que eu trabalho como professora de expressão corporal, em horário integral na Fundação Lar Francisco de Paula. Nesse nosso métier artístico tem que ter mil mãos para segurar as oportunidades quando elas surgem. A gente investe num trabalho durante mêses, anos, e não rola nada.
Um belo dia rola tudo ao mesmo tempo aqui agora. E haja hoje para tanto ontem, como diria o poeta Leminski.

8.11.03



"Velhinhos de castigo" -- uma homenagem à terceira idade ???!!!
No final da tarde, desta quinta-feira, fui ver a falada performance do 12o. Panorama de Dança, idealizada pela artista plastica e coreógrafa alemã Angie Hiesl. Grudados nos prédios, amarrados a um cinto de segurança em cima de uma cadeira de aço branca presa com potentes parafusos, os intrépidos artistas ficam suspensos durante uma hora e meia, executando gestos e movimentos ligados à sua rotina como ler um livro ou jornal, se espreguiçar, maquiar, e até depenar uma galinha. A performance no seu segundo dia já tinha se incorporado ao cotidiano daquela área, entre Praça Tiradentes e Lavradio. e já era motivo de piadas.

Fingindo não saber do que se tratava, representei a paspalha curiosa e fui direto à Rua Luiz de Camões esquina do prédio do Centro Cultural Helio Oiticica. Uma senhora de cabelos brancos vestido estampadão escuro, lia tranquilamente o seu livro, pendurada no prédio em frente ao Centro Cultural. Do outro lado da esquina um rapaz (esse aparentava no máximo uns quarenta) se contorcia na cadeira como quem acaba de acordar, e se espreguiça. No mesmo prédio dessa esquina, um senhor tirava do bolso de um avental ou algo parecido umas contas ou sei lá o quê. Acho que ele estava catando grãos de feijão.
As moças frequentadoras daquela esquina, disseram que ele era alemão, mas não souberam informar o significado do gestual. Uma morenona que parecia ser a porta voz do grupo, quando eu perguntei o significado de tudo aquilo, respondeu de pronto:
-- É uma peça de teatro dos gringos, vieram mostrar aqui no Rio.

Fui saindo de fininho, sem mais delongas, não pegava nem bem atrapalhar as meninas no cotidiano do seu trabalho.
Em frente ao Helio Oiticia, perguntei a um senhor idoso que passava por ali, completamente indiferente à l'ambience, e ele de pronto respondeu
-- Botaram eles aí de castigo pra não incomodar os outros.

Andei mais um pouco e passou uma moça tipo secretária executiva, e ela disse que tinha visto a chamada na televisão:
-- É uma divulgação da arte de uma artista alemã. Ela apresenta essa arte dela pelo mundo.
Chegando na esquina da Gonçalves Ledo com Luiz de Camões, rolava o maior pagode com caixas de som a todo volume, mesas no meio da rua e nas calçadas. E o povo na maior animação não dava a menor para esse velhinho da foto aí em cima. Sei que era ele porque o JB pulicou essa foto do ensaio geral na Gonçalves Ledo. Ele bebia uma cerveja em lata e se agitava na cadeira, imitando um rebolado som do pagode. Nesse momento eu temi pela sua integridade física. E se ele não estivesse bem amarrado?

E em outro prédio na mesma esquina do outro lado, uma senhora loura, aparentando uns sessenta e poucos anos, com um vestidinho leve, estampado claro toda diafana fazia e refazia a sua maquiagem se olhando em um espelhinho de mão. Fiquei olhando para cima, e como não tinha ninguém por perto resolvi chamar a atenção dela, e gritei várias vezes Hello Madame, e nada. Fingiu não ouvir.
E nisso, passa um casal de namorados, sem parar e sem olhar para cima, respondem prontamente à minha pergunta:
-- Não temos a menor idéia do significado dessa maluquice.

Cheguei do outro lado da esquina para fazer a pergunta ao pipoqueiro, e antes que ele respondesse um senhor aparentando mais de setenta anos, apressou-se na resposta:
-- Botaram eles aí de castigo.

E um outro, na mesma faixa etária, respondeu muito sério e convicto:
-- É propaganda do centro antigo do Rio.

Depois dessa, continuei andado e mais adiante pergunte para uma pagodeira de responsa, toda produzida para a naite, e ela capricou na resposta:
-- São uns gringos que vieram mostrar a cultura deles aqui no Brasil.

Continuei e fui andando dali até a Rua do Lavradio. E no paredão no início da rua, estava "instalada" uma senhora que enrolava uns paninhos. E ao primeiro passante que eu perguntei -- um jovem -- respondeu:
-- Foi o genro dela que botou ela aí. Tava incomodando muito em casa ...

Dito isso saiu andando rindo a passos largos, rindo da própria piada.
Andei mais um pouco e em frente ao Cenarium tinha outra pendurada essa de uma altura bem mais baixa dava para ver o cinturão que amarrava , depenava uma galinha. Na Rua do Lavradio, no final da tarde, as pessoas passavam apressadas, e nem sequer olhavam as inusitadas performances.
Perguntei a um senhor bem vestido, de terno, que estava no restaurante ao lado, e a sua resposta veio pronta:
-- Botaram elas aí de castigo. Tem outra lá no final...

Andei mais uma quadra e na Lavradio com a Rua do Resende, "a Outra", já estava acabando a sua performance, amparada por dois jovens que seguravam uma escada branca. Essa, uma senhora bem mais jovem, de vestido estampadinho bem ao estilo verão do Rio.
As exigências da coreógrafa na escôlha dos seus velhinhos
A coreógrafa e artista plastica Ingie Disl vem apresentando há mais de dez anos esse trabalho em vários paises, agregando pessoas da Colômbia, Suriname, Holanda, Alemanha, entre outros países, com idades entre 63 e 74 anos, e todas com disposição para colocar o pé na estrada e, volta e meia, enfrentar intempéries climáticas. A artista faz apenas apenas duas exigências aos seus intrépidos artistas: ter um certo preparo físico para subir as escadas que levam às cadeiras, e que sejam eles mesmos.
Quando entrevistada pelo JB, sobre o porquê dos velhinhos nessas performances, a explicação foi essa:
-- É uma maneira de homenagear a terceira idade.

5.11.03


Rachel, suas belas mãos e a sua expressividade
corporal transmitida por inteiro nesta foto.

A escritora Rachel de Queiroz, respondendo à pergunta de um reporter sobre como era viver a vida ao completar noventa anos de idade:
Quase todos os amigos já morreram. Mas é bom viver. Me interesso por qualquer pessoa que chegar aqui me contando histórias.
Lá na fazenda, escuto as histórias dos caboclos, tomo parte dos problemas. Gosto da humanidade. É o que me mantém viva.

Rachel de Queiroz
*17/11/1910
+04/11/2003

4.11.03

JESUS a.C. na mais perfeita "tradução" do poeta LEMINSKI

Falando em símbolos crísticos, o livro V I D A publicado pela Editora Sulina, reunindo em um único volume, as biografias de Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski, é dessas leituras imprescindíveis para quem quer entender melhor a contemporaneidade. Foi o primeiro livro que eu lí do Leminski, e foi um presente de aniversário que eu ganhei do meu irmão mais velho, o Ruy. Esse livro está sempre aqui em cima da minha mesa de trabalho, ou perto dela, para eventuais consultas.
"Vida", de Paulo Leminski, é um banquete raro com a competência literária aliada à militância zen-marxista desse grande poeta, considerado pelos experts, o mais completo escritor de sua geração.
Vale a pena transcrever aquí na íntegra, o prólogo sobre a vida de JESUS, chamado de Carta de Intenções. Essas intenções foram alcançadas com o brilho de quem traduziu os textos evangélicos diretamente do original grego, além de outros textos em latim, francês e inglês..

CARTA DE INTENÇÕES
Este livro é dirigido por vários propósitos.

Entre os principais, primeiro, apresentar uma semelhança o mais humana possivel desse Jesus, em torno de quem tantas lendas se acumularam, floresta de mitos que impede de ver a árvore.

Outra, a de ler o signo-Jesus como o de um subversor da ordem vigente, negador do elenco dos valores da sua época e proponente de uma utopia.

Outra ainda, seria a intenção de revelar o poeta que Jesus, profeta, era, através de uma leitura lírica de tantas passagens que uma tradição duas duas vezes milenar transformou em platitudes e lugares-comuns.


2.11.03


Assim é se lhe parece
Pois é, glauberianamente falando, assim não é o que lhe parece. Se você lançar um olhar mais esperto verá que além da sugestão cristica (eu disse cristica) há no conteúdo desse desenho a figura de uma mulher e alguns simbolos masculinos. Sou fascinada por esse desenho e a sacação do genial Glauber Rocha.

1.11.03


Diga lá meu santo!
Procissão de Todos os Santos -- a fé de todas as religiões

A Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, dirigida pela Ligia Veiga está convidando a população do Rio e a comunidade artística carioca para participar da Procissão de Todos os Santos, saindo do Condomínio Cultural, à Rua Luiz de Camões n.2 no Largo de São Francisco, as 11 hs. da manhã. A procissão percorrerá diversas ruas de especial significado na vida cultural do Centro da cidade do Rio de Janeiro, até chegar à Praça XV.

Trata-se de uma grande procissão não somente de santos católicos, mas também dos cultuados nas mais diversas tradições e religiões -- africana, indígena, budista, hinduísta, entre outras. A participação é aberta a todos os que queiram acompanhar ou participar vestindo uma roupa do seu santo predileto ou coisa que o valha. Uma banda de músicos vai acompanhar a procissão.
Soube ontem lá na Angel que essa procissão idealizada e produzida pela atriz e musicista Ligia Veiga -- diretora da Cia. Brasileira de Mysterios e Novidades e criadora do Condominio Cultura junto com a Lia Rodrigues -- já vem sendo realizada há dois anos. As meninas lá da Faculdade e Escola Angel Vianna estavam entusiasmadíssimas decidindo a escôlha de roupas e acessorios dos seus santos prediletos. Tem de anjo a Santa Barbara. Fiquei afim, mas não sei se terei coragem para pagar o mico de me fantasiar de santa. Blogando na madruga, nem sei a que horas vou dormir e acordar para estar lá às 11 hs. Voilà.

28.10.03

O Festival de Outono em Paris começou no dia 23 de setembro e vai até o dia 22 de dezembro deste ano. Obrigatório para quem vai à Europa nesse período. O melhor do mundo no teatro, na dança, na música, os melhores videos de dança e teatro e importantes exposições de artes, são apresentadas nesse evento que é o mais importante festival de artes da Europa. Esta é a 32a. edição do Festival d'Automne à Paris que acontece anualmente durante os três mêses do outono europeu, e que é um dos eventos multi-culturais mais importantes do planeta, foi criado em 1972 com o soutien de Georges Pompidou, o então presidente da França.

Em 1994 eu estava morando em Paris, e tive o privilégio inenarrável de assistir durante três mêses quasi todos os espetáculos de teatro e de dança, além de uma programação antologica de videos de dança no Centre Pompidou durante todo o festival. Essa vivência marcou profunda e definitivamente as minhas preferências estéticas e os meus valores artísticos.

Entre os espetáculos de teatro que mais me impressionaram estão o do Bob Wilson, peça de Dostoievski Une femme douce; um espetáculo maravilhoso do diretor alemão Peter Stein só com atores russos a tragedia de Esquilo Orestia; o espetáculo do diretor americano Peter Selars O mercador de Veneza de Shakespeare, e o do enfant terrible italiano, o famoso diretor Giorgio Barbieri Corsetti Descrição de uma Batalha três textos de Kafka adaptados por ele para o teatro. E em dança um espetáculo da bailarina contemporânea americana Trisha Brown que eu só conhecia de vídeo. A bailarina e coreografa carioca Lia Rodrigues também estava lá assistindo nesse dia.

Estudante pobre em Paris eu batalhava quasi diariamente pela compra de ingressos mais baratos. Os kiosques nas estações do metrô abriam às 11 hs da manhã, e para conseguir os ingressos por menos da metade do preço normal, eu chegava as oito horas, e algumas vezes não conseguia. Eram disponibilizados sòmente 30 desses ingressos por sessão, e teve uma vez que eu já estava na fila há mais de três horas, e os ingressos acabaram justo na minha vez. Eu nem me abalava, e voltava lépida e fagueira no dia seguinte. E nessa ambience dos teatros, eu me enturmei com uns estudantes da Sorbone, e acabei amiga de um casal -- uma japonesa estudante de artes plasticas e um francês estudante de arquitetura -- e eles que conseguiam os ingressos bem mais baratos, e passaram a comprar pra mim lá na Universidade. E vou parando por aqui porque bateu agora a maior saudade dessa época da minha vida. Voilà.

25.10.03

Isto é a Super Maria
Aqui na íntegra, o "release-convite" para as comemorações do aniversário da atriz Maria Pompeu.

Pompeu COMEMORANDO
Pois é, ainda não é desta vez que estarei “reabrindo os salões”, mas vou oferecer várias oportunidades de você vir comemorar comigo mais um aniversário - de vida ( 27.10.) - e de profissão (12.11).
A grande comemoração será no dia 12 de novembro, às 19 horas, no “Memórias do Rio”, nova casa da Lapa que fica na Avenida Gomes Freire 289. Vamos fazer uma edição de “Cabaré, Café, Sarau e etc. e tal” em homenagem a Ary Barroso, com a participação de vários dos cantores e músicos que trabalharam comigo no Café do Teatro Gláucio Gill. O couvert de R$ 10,00 será distribuído por todos os artistas e não há consumação mínima.

Mas antes, há mais, MUITO MAIS:
No dia 28 de outubro , terça-feira, às 18 horas, estarei lendo contos de escritores italianos contemporâneos, com Rogério Froes e Amaury de Lima, com direção de Maria Helena Kühner. Será no Instituto Italiano de Cultura, na Av. Pres. Antonio Carlos 40 / 4o. Andar. A entrada é franca, mas leve sua carteira de identidade, porque será pedida na entrada. De lá, pretendo ir até o Rio Scenarium, Lavradio 20, para ouvir ( e dançar?) Paulo Moura. Lá começa às 21 horas, o couvert é de R$ 15,00 e o cardápio do Rodolfo Bottino não exige consumação mínima.

No dia 31 de outubro, sexta-feira, às 15 horas, no Teatro Raimundo Magalhães Júnior da Academia Brasileira de Letras, estarei recebendo o Diploma de Personalidade Cultural ( com outros premiados). Todos os amigos serão benvindos para manifestações de apoio ( vaias, não).

Pensaram que acabou? Para aqueles que perderam o “Cabaré” no Café do Gláucio ou que querem repetir a dose, mas estarão ocupados no dia 12 de novembro, teremos com Celina Lago e Ricardo Guimarães, dentro do “Paixão de Ler” da Prefeitura, a versão Ary Barroso do Cabaré, nos seguintes horários e locais:
Dia 10 de novembro, 2a. feira, às 15 horas – Biblioteca de Botafogo
( em frente à Universidade Santa Úrsula)
Dia 11 de novembro, 3a. feira, às 18,30 horas – Centro Cultural IBEU
(Eu estava com saudades da Av. Copacabana 690, 11o. andar)
Se você quiser comparecer a TODAS, eu vou adorar!
Beijos Pompeu

24.10.03

Maria Pompeu


Maria Pompeu e Teuda Bara -- duas atrizes da pesada!

Esse post é uma homenagem a duas atrizes brasileiras no auge da sua arte, e em plena forma física. Maria Pompeu comemora o seu aniversário de nascimento, dia 27 deste, e de carreira, dia 12 do próximo mês, trabalhando em vários espetáculos, e recebendo da ABL o título de Personalidade Cultural, e a atriz mineira Teuda Bara, do grupo Galpão, acaba de ser contratada pelo Cirque du Soleil, e embarca em novembro "viajo com o coração apertadinho" para o Canadá.
Elas estão aí, gloriosas, para atestar do alto de seus sessenta e tantos anos que a maturidade é um bem maior.


Teuda Bara em "Rua da Amargura", espetáculo do grupo Galpão.
Bom de Boneco: MANOEL KOBACHUK
Dentro da programação do IV Festival Bom de Boneco este blog tem o prazer de recomendar o Teatro de Bonecos Dr. Botica, de Curitiba, com o espetáculo de marionetes intituladoMúsica Maestro, dirigido pelo premiadíssimo (inclusive o Prêmio MINC-Troféu Mambembe) bonequeiro Manoel Kobachuk, no próximo domingo, dia 26, no Teatro Carlos Werneck.

Música Maestro é um musical apresentado com marionetes altamente requintadas, criadas e manipuladas por alguém que conhece o seu métier. O publico terá a oportunidade de apreciar diferentes manifestações musicais
-- da musica regional brasileira aos classicos de jazz e rock, além de dança, vocais e jazz, estão presentes nesse espetáculo para a alegria e o encanto das crianças e adultos.
Acompanho a carreira do Kobachuk, desde quando ele ainda morava aqui no Rio. Depois mudou-se para Curitiba e continuou lá o seu trabalho com teatro de bonecos, conseguindo realizar a incrível façanha de sobreviver da sua arte.
Manoel Kobachuk dirige o espetáculo e manipula juntamente com os marionetistas Bernardo Sicuro e Jorge Miyashiro.

TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11 hs.,
SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.

22.10.03

Sob o signo de Ventura
Blogueiro, jornalista, e dos bons, o Mauro Ventura assina aqui em O Globo, uma bela e marcante entrevista com o Rogério Sganzerla.

21.10.03

Aqui no blog da jornalista Auricelia, o Cinemania, detalhes da ficha técnica do Signo do Caos que nem eu sabia. Vale dar uma passada lá, porque a danadinha da Auri entende mesmo do métier e dá umas dicas ótimas de cinema em "Filmes pra lá de bons" e "Filmes inesquecíveis".

Signo do Caos estreiou ontem em São Paulo

Rogerio Sganzerla, em entrevista à Folha de São Paulo: Nós não temos um cinema à altura de nosso século -- e regional --Aqui em São Paulo, perdeu-se a sintaxe do cinema e perdeu-se também até a dignidade do cinema .

18.10.03

Ói nóis aqui no BACANTE. Aproveita a visita para ler um ótimo texto sobre Bertolt Brecht (clica lá em cima à esquerda, em Bastidores) da autoria do dono do blog -- o Fabio Rodrigues, um expert nesse autor alemão que revolucionou o teatro moderno.

Ricardo Pucetti do Lume

LUME no México
O grupo Lume, da UNICAMP, embarcou ontem para o México, onde representará o Brasil no Festival Internacional de Teatro de Zacatecas, com os espetáculos "Parada de Rua" e "La Scarpetta" e um curso de "Voz e Ação Vocal".
LUME no Crato (CE)
De 15 a 22 de novembro o Lume estará participando do Festival do
Crato, no Ceará.
Workshops de fevereiro na sede do LUME
Estão abertas as inscrições para os 7 workshops que serão ministrados pelos atores do Lume em fevereiro de 2004, na Unicamp. Os formulários de inscrição serão aceitos até o dia 02 de novembro de 2003!!!
Se você tem interesse em participar, não deixe para a última hora.
Todas as informações necessárias sobre a inscrição nos workshops
podem ser encontradas em www.unicamp.br/lume clicando em AGENDA.

17.10.03



Bons de Boneco para a alegria das crianças de todas as idades
Bonecos gigantes, mini bonecos, marionete, bonequeiros de várias procedencias e tendências, nacionais e internacionais, estarão reunidos no Rio, a partir do próximo domingo, dia 19, até o dia 16 de novembro para um dos maiores eventos de teatro de bonecos já realizados na city. Tudo isso para a realização da IV Festival BOM DE BONECO e a II Mostra Internacional de Teatro de Animação que trará ao Rio grupos vindos da Argentina, Chile e Uruguai.

O Festival tem a participação de 23 espetáculos espalhados em vários locais de Santa Teresa e em outros teatros da cidade. O Festival não ficará restrito aos espetáculos, incluirá cursos, oficinas e workshops gratuitos com artistas bonequeiros nacionais e internacionais, além de palestras e exposições. Confira toda a programação, aqui nesse sítio.

A abertura do evento acontece no domingo às 18hs. no Largo das Neves com uma festa aberta ao público com exibições circenses e a performance de vários artistas bonequeiros, entre eles os famosos atores bonequeiros Gabriel Bezerra e Emmanuel Santos.

Boa de Boneco
"A mostra é um momento de encontro de pessoas que desenvolvem o mesmo trabalho, em que os bonequeiros trocam experiências. A idéia desse projeto surgiu da necessidade dos bonequeiros do Rio se encontrarem", diz Susanita Freire, a produtora e idealizadora do evento.
Sou testemunha do empenho, da dedicação e das lutas dessa artista bonequeira, uma ferrenha batalhadora pela arte bonequeira no Brasil. Já nos cruzamos em muitas batalhas pela arte e cultura nesse País. Susanita foi presidente da Associação Rio de Teatro de Bonecos -- ARTB, quando foi uma das principais articuladoras da movimentação da classe pela reabertura do espaço permanente para teatro de bonecos, o Teatro Carlos Werneck no Aterro do Flamengo, que esteve fechado vários anos. E quem lê esse blog vê anunciado sempre aqui os espetáculos de bonecos que se apresentam lá. Aquele espaço é uma conquista de toda uma classe de artistas.
Compañera Susanita, meus efusivos parabéns e muita merda para o IV Festival Bom de Boneco e a II MOstra Internacional de Teatro de Animação.

15.10.03

Professora Maria da Vitória, uma aula de amor ao próximo

A vida seria mais fácil de ser vivida e o mundo seria melhor, se houvessem mais pessoas como essa professora aposentada entrevistada aqui pelo Edney Silvestre. Com um trabalho voluntário, sem ajuda oficial, a professora Maria da Vitória não se deixa vencer. Ela enfrenta a pobreza, a violência e a falta de escolas para alfabetizar jovens e adultos numa comunidade carente de professores e de escolas.
Triste Dia do Professor

As comemorações do Dia do Professor não tiveram motivos para manifestações alegres e festivas. Em quasi todo o País, a data foi lembrada com atos de protestos contra os baixos salários, greves, mobilizações por uma escola pública de qualidade, etc.
E nós, os professores da FUNLAR, aqui no Rio, não tivemos a menor chance de qualquer tipo de comemoração, pois tivemos que abandonar às pressas a instituição (e bota pressa nisso), logo depois do almoço. Pelo telefone, o chefe do tráfico, gentilmente, avisou à direção que estava prestes a acontecer outro confronto entre policiais e a rapaziada lá do Morro dos Macacos, acusados de matar dois policiais na madrugada desta terça.

13.10.03

A tradição da corda no Círio de Nazaré

Os fotógrafos gaúchos Fabio Del Re e Lucas Moura estiveram no ano passado na Festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará. Não se preocuparam em registrar o evento em si, e quiseram antes perceber o que acontecia pela cidade, como ela se transformava, como reagiam seus moradores e turistas. Esse trabalho resultou em uma exposição com 50 fotos em preto-e-branco, expostas durante todo o mês passado na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

A festa do Círio de Nazaré se realiza há mais de duzentos anos. Está vinculada a uma lenda, de raízes lusas, sobre uma imagem da Virgem que, à noite, misteriosamente, se transportava sozinha de um ponto a outro. A romaria ocorria à noite - daí o círio ("vela", do latim cereus). Na metade do século 19, depois de uma chuva que apagou as velas e deixou todo mundo no escuro, a marcha foi transferida para o dia.

A tradição da corda surgiu na festa em que atolou a carroça que conduzia a imagem da santa. O carro teve que ser puxado por uma corda de embarcação. Desde então, a corda se integrou à festa.

Para conseguir um lugar na corda, os primeiros romeiros chegam à Catedral da Sé por volta das três da madrugada. A procissão, que só se inicia pela manhã, consiste em caminhar - em um empurra-empurra, de pés descalços - em fila indiana, sem soltar a mão da corda, homens e mulheres suados, ao longo de horas, roçando os corpos uns nos outros. No final da marcha, a corda é destruída e cada pessoa leva consigo um fiapo.

- A igreja não gosta - conta Del Re. - Já tentaram proibir, mas o povo insiste.
Lucas e Del Re não pegaram na corda, mas tiveram direito a fios que sobraram.

- As pessoas são muito generosas, diz Del Re, durante a festa, as portas ficam sempre abertas e as pessoas te convidam para almoçar.

- É uma festa onde a gente se envaidece de ser brasileiro - entusiasma-se Lucas.

Este post é uma homenagem à professora paraense Maria Elisa Guimarães.

12.10.03



Hoje tem criançada ? T e m ... e marmelada também

O grande mestre PICASSO sabia das coisas. Não foi atoa que ele pintou uma
criança segurando delicadamente o símbolo da paz. É de sua autoria, aquela famosa frase proferida quando ele já tinha completado quasi noventa anos de vida e sabedoria: Como custa ser criança!.

E o melhor do mundo são as crianças, falou outro grande da poesia e da literatura, o FERNANDO PESSOA.

11.10.03



Pirandellianamente falando, "Assim é, se lhe parece..."
é a tradição da corda no Círio de Nazaré -- a grande festa
religiosa comemorada hoje, em Belém.
Essa foto do Fábio Del Re, foi tirada no ano passado,
e fez parte de uma exposição do fotógrafo
gaúcho na galeria da Usina do Gasometro, em Porto Alegre.


Ronaldo Correia Júnior um exemplo
raro de luta, tenacidade e coragem.
Como tratar com naturalidade e respeito o seu semelhante em cadeira de rodas

Hoje, 11 de outubro é o Dia do Deficiente Físico, e como não poderia deixar de ser, esse blog não poderia deixar passar a data em brancas nuvens. Quem lê o meu blog sabe o porquê. Sobre o assunto falei aqui no mês passado, num post intitulado "Coisas do Destino". Trabalho com portadores de lesão medular e outras dificuldades especiais na Fundação Lar Francisco de Paula - FUNLAR, e vejo o meu trabalho como instrumento de evolução, dando outros parâmetros para me situar no mundo, com outro olhar para a vida e para a arte.

Aproveito para dar algumas dicas de como abordar e agir com uma pessoa deficiente, seja no trabalho, estudo, lazer ou relações pessoais.
O deficiente físico com uma lesão medular, é uma pessoa normal como qualquer outra, com a mesma personalidade, forma de pensar, agir e desejos, como antes da lesão.

* Trate naturalmente, converse com naturalidade, fale a respeito de todos os assuntos, mesmo aqueles em que o deficiente não pode atuar fisicamente, como algumas modadlidades esportivas, danças, etc...

* Olhe nos olhos;

* Nunca converse ao lado da pessoa ou atrás, pelas costas, fora da linha de visão;

* Não tente ajudar o deficiente sem que ele peça ajuda - "não avance o sinal" - isso pode significar pena ou super proteção;

* Nunca empurre sua cadeira de rodas, sem que ele peça;

* Nunca pegue ou mexa em sua cadeira de rodas sem o seu consentimento, a não ser que você tenha uma grande proximidade pessoal ou uma relação estreita;

* Nunca pegue no braço de alguém usando bengalas, muletas ou andadores, pois isso poderá derrubá-lo;

* Quando o deficiente estiver acompanhado por uma ou mais pessoas e você pretender perguntar algo a ele, dirija a palavra diretamente a ele, nunca pergunte sobre ele para pessoas que o estão acompanhando;

* Caso tenha curiosidade sobre o defeito físico, pergunte com naturalidade, sem ficar se lamentando sobre o que gerou o defeito físico ou o que isso traz de dificuldades no dia a dia.

10.10.03

Dan Stulbach já interpretou Peer Gynt no teatro

Assistí Novas Diretrizes em Tempos de Paz, em março desse ano, numa apresentação especial no Auditorio da EMERJ -- Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Após o espetáculo, houve um debate com o autor Bosco Brasil, com o Dan, o Tony Ramos e a diretora Ariela Goldmann. Fiz umas anotações rápidas com lápis de sobrancelha (anta que sou, justamente nesse dia eu esquecí a caneta) e ficou uns borrões quasi indecifráveis. Copiei o que era inteligível e guardei aqui com o Arakem (my computer), mas quando procurei para fazer um post especial sobre esse debate aqui no blog, o arquivo das anotações tinha sumido. Sobre o espetáculo Novas Diretrizes em Tempos de Paz eu comentei aqui no outro blog, o a®timanhas.

O Arakem vive aprontando dessas gracinhas comigo, some misteriosamente com os arquivos mais preciosos, e faz aparecer tempos depois através de outras manhas e artes que não têm nada a ver com as propaladas conquistas da tecnologia. Está mais para as artes da feitiçaria ou sei mais lá o quê.
E ontem, quando eu estava procurando uns textos antigos, apareceu saltitante na telinha o arquivo que continha as preciosas anotações do debate em questão. E sobre o Dan Stulbach, anotei lá o que o próprio -- ao vivo -- falou sobre a sua carreira:

DAN STULBACH - Foi acompanhar uma amiga num teste para a montagem de Peer Gynt, de Henrik Ibsen, e foi convidado pelo diretor Roberto Lage para fazer um teste, e acabou ficando com o papel de protagonista do espetáculo. Foi no papel de "Peer Gynt" a sua estréia no teatro profissional, em 1991. E de lá para cá, não parou mais de trabalhar no teatro. É um dos produtores de "Diretrizes". Gosta de trabalhar em grupo porque é um trabalho mais consequente. Nunca cursou nenhuma escola de teatro, mas estuda muito. É um predestinado. Essa última frase estava lá no final das minhas anotações, impressionada com a trajetoria do ator.

Ganhou o Premio Shell e APCA de Melhor Ator em São Paulo, no ano passado, pela sua interpretação em Novas Diretrizes em Tempos de Paz, e atualmente excursiona pelo País com o espetáculo. O ator ainda encontra tempo para trabalhar em novela, na ótima performance do Marcos, o marido ciumento da novela "Mulheres Apaixonadas".


Dan Stulbach em "Novas Diretrizes em Tempos de Paz".
A mão que segura o livro é do Tony Ramos.

8.10.03

Algumas montagens e intérpretes de Peer Gynt

Peer Gynt, de Henrik Ibsen, é a saga do anti-herói nórdico, que dos 17 aos 76 anos vive fantásticas aventuras em vários continentes, saindo pelo mundo em busca de si mesmo. Embora escrita na metade do seculo 19, a peça é atualíssima, com uma contemporaneidade e transcendência admiráveis. O musicista Edvard Grieg, contemporâneo e amigo de Ibsen compôs as músicas de Peer Gynt.

Em 1971, em São Paulo, foi apresentada no Teatro Itália, numa montagem e produção do genial diretor ANTUNES FILHO, com STENIO GARCIA no papel de Peer Gynt. E olhem que elencaço:
Ariclê Perez, Ivete Bonfá, Analy Alvarez, Jonas Bloch, Carlos di Simoni, Ricardo Blat, Clemente Viscaíno, Isa Kopelman, Clarice Piovesan, Ciro Correa e Castro, Ewerton de Castro, Isadora de Faria, Paulo Hesse, Lucia Capuani, Roberto Frota, Norberto Fayon.
Figurinos da artista plastica Maria Bonomi, cenarios de Laonte Klawa e músicas do Maestro Diogo Pacheco. O Antunes bancou essa produção, o SESC ainda não tinha entrado nesse circuito.
Tenho inveja de quem viu esse espetáculo.

E aqui no Rio, no Teatro Glória, há uns sete ou oito anos atrás -- nunca conseguí entender porque os programas das peças não têm data -- Peer Gynt teve a tradução e adaptação da Clara Góes, e foi produzida pelo seu irmão MOACYR GÓES, tendo o JOSÉ MAYER como protagonista.
E mais os atores Antonella Batista, Floriano Peixoto, Gaspar Filho, Ivone Hoffman, Leon Góes, Letícia Spiller, Patrícia França, Paula Lavigne, e em participação especial o Italo Rossi.
Eu vi essa montagem e não gostei da concepção do espetáculo, apesar da produção caprichosa com música do Maestro Wagner Tiso, cenários e figurinos dos premiadíssimos José Dias e Samuel Abrantes. Eram oito ou dez atores fazendo vários personagens. E eu só lembro do trabalho do outro irmão, o Leon -- ótimo -- e da Ivone Hofman, na Aase, a mãe do Peer Gynt.

Nos anos quarenta, uma interpretação de Peer Gynt, comentadíssima pelos experts foi a do famoso ator inglês, RALPH RICHARDSON, em 1944 no Old Vic, em Londres. No mesmo ano e no mesmo teatro em que Laurence Olivier também brilhou na sua inesquecível interpretação de "Hamlet".

Em 1994, cincoenta anos depois, na França, em Charleville-Mézières, teve uma apresentação por um grupo irlandês, de Peer Gynt em teatro de bonecos, no 10e. Festival Mondial des Théâtres de Marionettes. Eu estava lá e não vi. Pois é, ora vejam só, eram dezenas de espetáculos por dia, a função começava as nove da manhã e ia até a meia noite.

POST SCRIPTUM: Por favor se alguém viu alguma outra montagem de Peer Gynt aqui ou no estrangeiro, comente aqui no "Comente", no livro de visitas ou pelo meu e-mail.

7.10.03



Henrik Ibsen -- textos e montagens no Brasil
Dramaturgo norueguês (1828-1906). Um dos maiores representantes do realismo no teatro, tendo exercido à sua época, uma grande influencia no teatro europeu. Natural de Skien, uma pequena cidade marítima do sul da Noruega. Filho de abastado comerciante, que faliu quando Ibsen tinha apenas sete anos. Em virtude disso, Ibsen foi á luta desde muito jovem, conseguindo trabalho como aprendiz de farmacêutico, e estudou sozinho para entrar na Universidade.

Em 1850, de namôro com a literartura escreve poesia e, lança sua primeira peça, Catilina, inspirada nas revoluções européias de 1848, e nos escritos do romano Cícero. Segundo alguns biografos, por essa época, ele dirige o Teatro de Bergen, segunda cidade mais importante do país. E em 1857, assume a direção do Teatro Norueguês de Oslo.

Escreve três outras peças conhecidas como a trilogia lírico-filosofica, recuperando os ideais românticos e o estilo de vida escandinavo. A Comédia do Amor em 1862, Brand em 1866 e Peer Gynt em 1867.
Seguem-se depois em 1869 União dos jovens, Imperador e Galileu e As colunas da Sociedade.

Em 1879, escreve Casa de Bonecas, a sua peça mais conhecida e a mais encenada no mundo, tendo como uma das suas primeiras intérpretes a grande atriz italiana Eleonora Duse. Aqui no Brasil foi montada várias vezes -- de Tonia Carrero a Ana Paula Ariosio. A peça aborda a emancipação feminina e a personagem principal, a Nora, é considerada a precursora do movimento feminista. Se a minha memória funciona, a peça teve também adaptações para o cinema e a ópera. E se não foi adaptada para ópera, o que eu não tenho certeza, Grieg contemporâneo de Ibsen e seu amigo, deve ter pelo menos pensando no assunto.

Depois seguem-se outros textos dramáticos Os Espectros, O inimigo do povo, O pato Selvagem (este último drama, o Paulo Autran montou aqui há uns dez ou quinze anos atrás) Romosmersholm e A Dama do Mar.

A Dama do Mar foi montada aqui no Rio, há uns cinco anos, pela louvável ousadia da Cristiana Guinle que bancou a produção e fez o personagem principal. Na direção, o diretor paulista Ulysses Cruz que protagonizou uma inusitada performance, quando barrou a crítica Bárbara Heliodora na estréia dessa peça. A montagem ganhou uma ambientação especial no pier da praia do Flamengo. Essa eu marquei. Não vi, mas gostaria de ter assistido.

Em 1890, Hedda Gabler , intepretada por grandes atrizes a começar pela Eleonora Duse no teatro e Ingrid Bergman no cinema. E aqui que eu lembre a Dina Sfat no teatro. Eu não tenho certeza se foi uma leitura da peça ou montagem. Ah, e o Grieg compôs música para essa peça.

Em 1892, Solness, o construtor. A primeira peça dele que eu li para um trabalho na escola de teatro. E não consigo lembrar quem montou aqui no Rio, nos anos oitenta. Desconfio que foi o Eduardo Tolentino, do grupo TAPA.

E, é de l899, sua ultima peça Quando nós os mortos acordamos que eu tive o privilégio de assistir numa montagem antologica do Antonio Guedes (é ele mesmo, o Tuninho Guedes, diretor da atual montagem de Peer Gynt) com uma ambientação cênica e uma iluminação belíssimas, no Teatro Sergio Porto, há não sei quantos anos atrás. Acho que uns dez ou mais. Ah, e lembro do pai do Pedro -- o Dudu Sandroni, ótimo como ator.

POST SCRIPTUM: Se alguém viu alguma uma dessas peças do Ibsen aqui ou no exterior, por favor colabore com esta escriba, postando aqui no "comente" ou por e-mail ou no livro visitas.

5.10.03

Já rolou o primeiro bilhete de fã do espetáculo

Hoje, depois do término do espetáculo, uma moça desconhecida entregou ao Antonio Guedes, o nosso diretor, um bilhetinho escrito atrás do ingresso. Aqui na íntegra, o seu conteúdo:

O que seria da vida, se não houvesse em nós, um pouquinho de "PEER GYNT"?
Vocês deram um show! Parabéns !!!
Eu, como aluna de teatro (Marília Martins e Isabel Cavalcanti, do SESC), fico encantada por ver tantos novos talentos.
Valeu a pena ter vindo ao SESC, numa noite de domingo. Valeu mesmo!!!
Um beijão,
IRACEMA
Rio, 05/10
"Primaverão de 2003"

EM TEMPO: IBSEN aprovou, com certeza.


Peer Gynt de Ibsen -- estudo para montagem, já está em cartaz .

Estreiamos ontem. Uma emoção inenarrável, quando o público levantou no final e aplaudiu legal. Pela primeira vez nessa minha vida de atriz -- bissexta --uma estréia normal e um ensaio geral sem estresse.
No ensaio geral, quando costumam acontecer todas as maluquices, ninguém teve os pitís costumeiros, e até desculpáveis da ocasião, e eu estava estranhamente bem comportada. Não briguei e nem impliquei com ninguém, e nem tive dor de barriga.
Ontem á tarde, quando demos uma repassada na iluminação do espetáculo, eu já saí de casa um tanto estranha. Voltei do elevador para ir ao banheiro, pela décima quinta vez no dia. Cheguei ao SESC, ví que não era a única, um colega tomava remédio para os intestinos, outra estirada no palco com dor de cabeça, outro com dor de estomago, e outros disfarçando o nervossimo -- eu inclusive, atacavam o lanche com bolo de baunilha e chocolate, sucos e cafézinho -- uma cortesia especial do SESC.
E o Antonio Guedes, o nosso inacreditável diretor estava rouco. O inacreditável é por conta do seu alto grau de equilíbrio, sabedoria, elegância e bom humor. Durante esses sete mêses de trabalho até o dia da estréia, nunca -- eu disse nunca - eu vi o Tuninho (para os íntimos), siquer alterar o som da sua voz.

3.10.03


Com as bençãos da Santa Elenora Duse, uma das maiores interpretes de Ibsen, hoje é o ensaio geral de Estudo para montagem - Peer Gynt de Ibsen, no Palco de Experimentação do Teatro do SESC da Tijuca.


A historia da humanidade recriada com máscaras

"A mais Bela História de Adeodata" é o espetáculo solo da atriz e bailarina Rosane de Almeida que está em cartaz em São Paulo no Teatro Brincante, na Vila Madalena. Rosane que é casada com o músico, bailarino e ator Antonio Nóbrega, conta através de máscaras e sob o ponto de vista feminino a evolução da humanidade. Torço para que o espetáculo seja mostrado aqui no Rio. O público carioca merece esse presente.

2.10.03



Hoje tem marmelada?
O Teatro Carlos Werneck no Atêrro do Flamengo iniciou na semana passada uma série de apresentações, homenagenando o circo. Passou por lá a Carroça de Mamulengos da família Gomide, um espetáculo absolutamente imperdível. Se eles estiverem ainda no Rio vale conferir.
No próximo domingo, 5 de outubro tem o grupo Metamorfaces outra companhia familiar e itinerante um casal e seus dois filhos traz o espetáculo CLOWN SHOW onde utiliza as técnicas de marionetes e mímica. A peça conta a história de Clown, personagem que através da mímica conta para as crianças o começo da sua vida nos picadeiros do circo. De sua mala Clown vai tirando diferentes objetos que lembram passagens de sua infância junto a seu pai, e de como foi aprendendo o seu ofício de palhaço. O espetáculo é estruturado em vários quadros cômicos.
E no domingo próximo vindouro, 12 de outubro é a vez do Circo Navegador uma companhia paulista de repertorio com dois espetáculos:
11hs. HOJE TEM MARMELADA
12hs. LAVOU TÁ NOVO
Com premiações de melhor espetáculo e melhor ator coadjuvante," Hoje Tem Marmelada" propõe um misto de resgate e homenagem aos palhaços do circo tradicional. A dupla de palhaços Dum-Dum e Surubin (Fernando Mastrocolla que assina também o roteiro e a direção, e Luciano Draetta) brindam o público com números tradicionais de circo -- acrobacia, malabares, mágicas e perna-de-pau. "Lavou Tá Novo", com direção musical de Celso Nascimento, é o resultado de uma pesquisa com a musicalidade espontânea nas situações cotidianas com elementos como vassouras, marmitas, baldes, e ainda, o sapateado e a percussão corporal. Os personagens são dois varredores de rua que ao criarem dificuldades na realização de suas tarefas diárias propõem a reflexão da automatização e mecanização das relações humanas.
TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
Lotação: 300 LUGARES
PROGRAMAÇÃO GRATUITA
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11H, SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.

UPDATE: O professor, diretor, ator e autor teatral, Carlos Cartaxo, leitor desse blog, e uma autoridade em cultura popular, mandou hoje ao forum de teatro, o email que eu transcrevo na íntegra:

Eu moro em João Pessoa, mas gostaria de estar no Rio de Janeiro, nesse
domingo 5, para assistir ao trabalho de bonecos que será apresentado pelo
grupo da Valéria. Parabéns pessoal! Mais um grupo que explora uma linguagem
tão rica.
Porém, me pergunto porque insistem em denominar Clown? Será se nosso idioma Latino perdeu forças, ou nos fazemos colonizados? Pallhaço, além de soar bem faz parte da raiz latina do nosso idioma.
Alguns me respondem: Se toque cara é a internacionalização, você precisa se tornar globalizado. Eu continúo com a dúvida: globalizado ou colonizado?
Como trabalho o popular, como essência de identidade cultural, fico
entristecido quando transformam nossos palhaços em ......bom quando eu
estiver em um pais de lingua inglesa pronunciarei...aqui continuo com os
lindos e charmosos PALHAÇOS.


1.10.03



Mostra Rio/SP de Teatro de Rua em Paraty

Sexta, sabado e domingo vai acontecer na paradisíaca Paraty a II Mostra Rio São Paulo de Teatro de Rua tomando conta das praças e do Centro Histórico de Paraty. Vale a pena ir passar o findi lá aproveitando essa deixa para assistir os melhores grupos de teatro de rua (veja programação aqui) e de brinde ainda vai ter o privilégio de assistir o poalhaço Cuti-Cuti em "O Pregoeiro" e Roberto Berindelli com a peça de Dario Fo "Il primo Miraccolo", e mais oficina de clown com o Márcio Libar do Teatro de Anonimo e o ator, diretor e professor teatral Fabio Rodrigues que vai dar aulas de Brecht.
No comando da festança o curador da Mostra, o ator e diretor teatral Ailton Amaral.


Grupo Fuzarca da Lyra - RJ

30.9.03

Sob o signo de Rogério Sganzerla

O maior tititi na porta de entrada do Odeon BR. Os que não tinham convite nem ingresso batalhando para entrar, e eu -- me achando -- adentrando pelo tapete vermelho, sendo recebida pelos recepcionistas e pelos amigos. No saguão, Rogério Sganzerla, dava entrevistas, recebia abraços e carinhos dos amigos. Ele está convalescendo de uma operação na cabeça para a retirada de um tumor. A grande maioria não sabia que ele estava doente e estava usando cadeira de rodas, e para alguns foi difícil segurar esse tipo de emoção. Antes do início da sessão, falando com certa dificuldade e microfonia vigente, ele fez a apresentação do filme. A platéia toda levantou e aplaudiu de pé, homeageando um dos maiores diretores da atualidade e que marcou definitivamente o cinema brasileiro.
O sub titulo anti-filme cai bem porque ele é anti tudo, detona geral, mas sem perder o bom humor, debocha do próprio cinema e dele mesmo. Tem umas sacações e piadas geniais, numa estética dos anos 40 e 50, com a marca do talento e a competência do Rogerio Sganzerla. Da minha participação, como sempre, não gostei. Muitas partes cortadas, claro. Mas as pessoas que vieram me cumprimentar pela minha participação parece que gostaram. E no final da sessão, os atores, as atrizes (Helena Ignês, Camila Pitanga, Jill Sganzerla, Giovana Gold e esta escriba) e equipe técnica foram chamados ao palco para as apresentações à imprensa e ao público. Foi um afago e tanto para o meu ego. Muita emoção para uma noite, e tanta, que eu nem quís ficar para assistir a outra sessão com o filme sobre o livro do Chico, o "Benjamin".

27.9.03

Óia eu aqui nas telas: O SIGNO DO CAOS

O SIGNO DO CAOS:O ANTIFILME DE ROGÉRIO SGANZERLA está sendo apresentado no Festival BR.
Eu participei como atriz desse filme em maio de 1997. Eu caprichei no visual anos 50. Se a minha participação não foi muito cortada vai ser bem legal. O Rogério levou mais de sete anos para terminar esse filme. Nunca vi nem em copião. Cinema não é a minha praia, mas resistir a um convite do Rogério Sganzerla, quem há de.

Passa na segunda feira às 19 hs. no Cine Odeon BR na Cinelandia.

24.9.03

Saudação à primavera

Chegou a primavera. Vamos saudar a primavera. E a saudação completamente inusitada está aqui no Catarroverde, blog do Serjones Catarrento. Um Mestre.
Falando nele, atenção colegas bufos, clowns, circenses, e todos os cultores da arte da bobagem, já recomendei esse blog aqui. Depois não digam que eu não avisei.

23.9.03

O ATOR E O TEATRO DO SÉCULO 21

Quem lê esse blog sabe que desde a sua criação em dezembro 2001, eu venho batendo na mesma tecla, enfatizando o trabalho do ator do século 21, e o novo fazer teatral. E o Teatro ETC. & Tal sempre seguiu apoiando e destacando os espetáculos alinhados com as minhas idéias. Agora que os archives voltaram, eu andei relendo o que escreví nesses dois anos, a propósito de uma matéria que saiu aqui no Estadão -- uma entrevista com Hans-Thies Lehmann, professor da Universidade de Frankfurt, um dos mais importantes teóricos do teatro europeu. Ele veio ao Brasil para realizar um trabalho de uma semana, em São Paulo, com a Companhia do Latão, sobre a obra de Heiner Müller. Destaquei um trecho da sua entrevista pertinente com o meu pensamento:

(...)" Não estou seguro de que vá seguir existindo a representação teatral do jeito que a gente conhece. Desde Brecht, há a idéia de ir além da apresentação teatral, de acrescentar palestras, discussões, manifestações. Eu acho que a apresentação deixará de ser o centro do fenômeno teatral. Como a sociedade de comunicação produz uma quantidade inacreditável de representações, o teatro tem de procurar sua especificidade, que está na possibilidade de estabelecer comunicação, diálogo. "

Há muito a representação teatral no Brasil não é aquela "do jeito que a gente conhece", conforme refletiu o teórico e pensador alemão Hans- Thies Lehmann. O fazer teatral vem se modificando aqui no nosso País há alguns anos, e notadamente, a partir do final dos anos 80, havendo muitas formas de fazer teatro, dentro do teatro. Nenhuma outra arte incorporou tantas linguagens. Há outras formas de interpretação teatral, seja fazendo dança, mímica, circo, performance, teatro de marionettes, show -- o teatro abraça estas expressões artísticas num outro tipo de jôgo. O teatro é a essencia de tudo, e o jôgo teatral vai estar sempre presente, seja na dança, no clown, no mímico, no performer, etc. E o que eu quero dizer é que esse mix teatro, dança, circo, performance e que tais, é uma outra forma de fazer teatro dentro do teatro.

O fazer teatral é que vem mudando ao longo desses anos, ao ocupar outros espaços não convencionais de teatro, ao abandonar o palco italiano e a platéia convencional, e assim rompendo com algumas das mais importantes convenções do teatro como espetáculo. O teatro vai ocupar outros espaços, indo para as ruas, parques, praias, praças, calçadão, a bordo de avião, ônibus, barca, metrô, etc., mas o que vai prevalecer sempre em qualquer espaço é a arte da representação, da comunicação. Acho que é por aí, a reflexão...

E quando eu falo aqui desde a abertura desse blog -- vejam os archives -- no ator do novo milênio, estou falando de uma geração que está surgindo agora ávida de conhecimentos em busca da sua identidade artística. Eu sou de outra geração, mas tenho convivido muito com eles nesse longo aprendizado em busca da minha expressão artística.

E, essa nova geração, na procura da sua expressão, estuda técnicas de clown e outras artes circenses com os artistas do Teatro de Anonimo na Fundição Progresso; cursou a Escola Nacional de Circo; fez cursos de clown com o Mestre Dácio Lima (saudosa memória); curso de bufão com a Mestra Juliana Jardim; os cursos de clown, mímesis corpórea e outros do grupo LUME da UNICAMP; os cursos de dança contemporânea da Faculdade e Escola Angel Vianna; o curso de teatro da UNIRIO, UFRJ e CAL. Essa geração, está se preparando para dar o seu recado sem ficar presa a nenhuma dessas técnicas. Ao contrário, serve-se delas para buscar a sua expressão artística, quer seja nos espaços convencionais de teatro, ou fora deles.
O ator do século 21, rompe com as convenções do mundo do espetáculo, vai ao encontro do espectador, e onde o encontra, ele cria um palco, abre a roda e manda ver.

22.9.03

Papo na Redação do Comunique-se, adivinhem com quem

Famosa jornalista e blogueira, além de premiada autora teatral vai estar na próxima quarta-feira, dia 24, às 15 hs, no Comunique-se o maior portal de jornalistas do País, para um bate-papo informal com
os leitores.
Para quem ainda não sabe, foi ganhadora do Prêmio Mambembe Infantil 1986, pela autoria da peça Um, dois, três e já... No ano anterior, quatro indicações para o mesmo Mambembe, pela montagem da peça Sapomorfose com cenários do Millôr Fernandes. Detalhes do histórico dessas premiações aqui nos arquivos implacáveis do Artimanhas.
Acertou quem pensou nela, a nossa queridíssima Cora Rónai.
Nesse horário estou dando aula no trampo, mas gostaria de poder estar lá para fazer algumas pergunas óbvias, mas necessárias à autora de reconhecido talento e competência, que depois de uma breve e promissora carreira abandonou o teatro.

20.9.03

O V Flash Blog já tá rolando hoje aqui no Jornal do Blogueiro. Começa hoje a meia noite e vai até as 21 hs. de domingo. Artimanhas da animadíssima Mels.

19.9.03

MOMENTO ADOLESCENTE

Roubei do meu sobrinho Ernesto que roubou da Aline.
Festa de Jongo no Quilombo de São José na Serra da Beleza

Dia 20, sabado, no Quilombo da Fazenda São José, na Serra da Beleza, distrito de Santa Isabel, no municipio de Valença, (interior do Rio de Janeiro) grande festa de jongo com missa afro, roda de jongo, baile de calango, roda de capoeira, etc. em homenagem à inesquecível MÃE ZEFERINA, a grande líder espiritual e dona do jongo do Quilombo de São José, falecida no último mês de julho, uma das maiores representantes da cultura afro-brasileira.

O Quilombo da Fazenda São José da Serra é uma comunidade de 200 negros da mesma família que moram nessa terra desde a escravidão.

Todos os moradores vivem da agricultura de subsistência, em casas de barro com telhado de palha e preservam importantes manifestações da cultura afro-brasilieira como o jongo (dança de roda trazida de Angola pelos escravos considerada um dos pais do samba) e a umbanda.

Até seis meses atrás a comunidade não possuía luz elétrica. O candeeiro, o ferro à brasa e o fogão de lenha ainda fazem parte do cotidiano.

Informações pelos tels. 3852.0043 / 0053 ou 2531.9292.
e aqui no site do Jongo da Serrinha



Crianças da Escola de Jongo da Serrinha, numa aula.
Em tempo: Foi o Mestre Darcy da Serrinha (saudosa memória), o introdutor de crianças nas rodas de jongo, até então restritas aos adultos.

17.9.03

Estudo para montagem -- Peer Gynt, de Ibsen

A partir de um estudo prático sobre o texto PEER GYNT, de Henrick Ibsen, o Teatro do Pequeno Gesto vai apresentar uma série de cenas que torna concreta a pesquisa sobre a narrativa pela qual o espetáculo poderá optar.
Levando-se em consideração uma abordagem épica -- em contraposição a uma abordagem dramática -- Estudo para montagem terá o formato de uma demonstração de trabalho na qual Antonio Guedes e alguns alunos-diretores vão explicitar as propostas e aplicá-las às cenas que serão mostradas.

Cordenação Geral: Antonio Guedes
Diretora assistente: Joana Lebreiro
Alunos-diretores: Isa Vianna e Marco de Aquino

Atores: Alexandre Dantas / Ana Alkimin / Claudia Ventura / Cristine A'Gape / Fabio Gonzalez / Fernanda Maia / Kelsy Ecard / Márcia Alves / Maria Amélia /
Massê Lcordén / Pamela Jean Croitorau / Rafael Gnome / Thais Vaz / Vanessa Arruda / Viviane Rocha e esta escriba que vos tecla.

Estréia: dia 4 de outubro às 20 hs
Teatro SESC da Tijuca - Rua Barão de Mesquita, 539 Tel. 3238-2072
Horário e preços : às 20 hs aos sábados e domingos Ingresso: R$ 6,00
Todos os sabados e domingos, até o dia 26 de outubro.
Projeto Palco de Experimentação - espaço dedicado à investigação artística.
Os três paspalhos na Linha do Equador, esquina com o Rio Amazonas, número zero...

Vocês sabem onde fica esses confins do Brasil? Eu não sabia. Estou aprendendo muita coisa desse nosso Brazilzão, de sua realidade artistico-socio-cultural nos relatos do Márcio Libar que está viajando com o espetáculo-solo "O Pregoeiro" e ministrando oficinas. Os três paspalhos do título são o Márcio Libar, os seus dois assistentes nessa excursão, o Fabricio Dornelles (o Guma ou Fabrismo, representante do movimento ... (op's! é piada dos cara, hein) e o Reinaldo Facchini (o Jeca - cientista politico). Detalhes de todos os conteúdos (conteúdos é o que não pode faltar) aqui no blog diario do Mundo ao Contrário. Vão lá para aprender. Não resisto publicar alguns trechos:

***** Chegamos em MACAPÁ, cidade cortada pelo marco zero. A linha imaginária do equador divide o campo do estádio de futebol. É o único estádio do mundo onde no primeiro tempo você joga no verão e o segundo no inverno, ou vice versa. E pior que essa energia é bem concreta. Quem tá no hemisfério norte e liga a torneira de casa, o redemoinho de água roda no sentido anti-horário, já no sul roda no sentido horário. Não sei se é essa a sensação estranha que acontece quando a gente fica bem no meio da linha no marco zero ou se é coisa de viagem...
***** Isso sem falar na exuberância do Rio Amazonas que nos brindou com três noites de lua cheia seguidas. É isso mesmo, essa cidade que tem o seguinte endereço no mapa,
linha do equador, esquina com o Rio Amazonas, número zero, marco zero. Entenderam ou quer que desenhe?

***** Um fenômeno que ocorre todo dia no centro de Macapá. As andorinhas pousam nos postes quando a noite começa e ficam ali até o dia raiar. Ficamos achando que é um ponto de descanso na rota de imigração...o foda é passar embaixo e não tomar uma cagada...


"O Pregoeiro" na praça com direito à lua cheia e debate depois em mesa de bar

Santana é um município a 20 minutos de Macapá. Distância que no Rio poderia equivaler a um bairro do subúrbio. Embora seja mais pobre e menor, a realidade cultural é outra. São os artistas que estão ocupando os cargos importantes. (...)
Pra vocês terem um idéia no início do espetáculo não se via muita gente, mas logo dobrou da esquina um cortejo com palhaços e pernas de pau formados pelos artistas locais arrastando centenas de jovens que se misturaram a outros jovens, velhos, crianças, casais, skatistas formando uma roda absoluta e foi aí que o pregoeiro se consagrou mais uma vez, agora no seu habitat natural.

E assim o "Pregoeiro" se apresentou na praça cívica de Santana, sob a lua de lua cheia, para uma platéia de fortes traços indígenas. Foi ducaralho. E depois o debate foi feito numa mesa de bar, um dos únicos e o melhor debate da turnê, tal era o interesse da galera local em aprender e se reciclar.

16.9.03

Pelo Gerald, não pela bunda

16.Set.2003 | Fernanda, a grande Fernanda Montenegro, me telefona para falar de Gerald Thomas, que foi seu diretor, genro e continua seu amigo. Ela propõe que se faça alguma coisa em sua defesa diante dessa absurda situação em que se encontra. Na sexta-feira, 12, o Tribunal de Justiça do Rio aceitou denúncia contra ele. Antes, o Ministério Público lhe propusera um acordo: o processo seria arquivado se ele doasse cinco salários-mínimos a uma instituição de caridade. Gerald recusou porque isso significaria admitir a culpa.

Que culpa? A de ter mostrado a bunda após o espetáculo “Tristão e Isolda” que ele dirigiu no Teatro Municipal do Rio e que foi vaiado e xingado por parte do público. Nem Fernanda nem eu, nem o próprio, já arrependido, pretendemos negar que ele fez uma bobagem. Mas será justo transformar uma falta em crime?! O atentado de Gerald não foi contra a moral e os bons costumes, mas contra os bons modos e o bom gosto; não foi uma agressão moral, mas estética, já que a sua (dele) bunda não merece ser mostrada em público - aliás, nem em privado, mas isso não é problema meu.

Na audiência com o juiz, Gerald disse que não infringiu o artigo 233 do Código Penal, no qual foi enquadrado, argumentando não ter cometido ato obsceno em lugar público. “Não é normal condenar um artista pelo que ele faz no palco. É a castração da liberdade de expressão”. De fato, se é obscenidade passível de condenação mostrar a bunda num recinto fechado como ele fez rapidamente, como devem ser classificadas as cenas que se podem ver na televisão: a câmera passeando vagarosa e detalhadamente por vários recônditos femininos em filmes que são exibidos por certos canais da tv não tão tarde da noite?

Mas na terra da impunidade, em que a preferência nacional é a bunda, mostrada a torto e a direito até para vender o país lá fora, com uma polícia que não dá conta de prender nem a justiça de julgar os verdadeiros criminosos, os de colarinho sujo e os de colarinho branco, Gerald Thomas corre o risco de ser condenado e ir para a cadeia. Como se a Justiça não tivesse mais nada a fazer. Há processo mais ridículo do que esse?

Como somos cheios de cuidados com a nossa imagem lá fora - não gostamos nem de que se fale que aqui tem violência - fico imaginando a repercussão desse incrível caso em países onde Gerald tem o prestígio e a fama de ser um dos maiores encenadores do mundo, como a própria Fernanda já testemunhou ao percorrer cidades européias interpretando uma de suas peças, “The flash and the crash days”. Com 18 óperas encenadas na Europa - Viena, Frankfurt, Munique, Weimar, Copenhague - o criador da Companhia Ópera Seca é uma de nossas glórias culturais. Só não se vê isso com mais nitidez pela rejeição que ele provoca ao se esconder atrás de uma falsa arrogância para se defender de sua fragilidade emocional.

Com o discreto humor que não perde nunca, Fernanda tem uma tese que ajuda a explicar o absurdo do rigor hipócrita que está sendo usado nesse caso do Municipal. Ela acha que é a falta de costume. “Os Estados Unidos têm a tradição de mostrar a bunda em protesto”, explica entre risos. “Contra qualquer coisa, os americanos reagem mostrando o bumbum. Já nós, não temos essa tradição de mostrar. Temos a de dar”. Vai ver que é isso. Gerald, que é espada, errou de tradição.

Para manter o clima de humor, vou terminar citando o poema de Carlos Drummond de
Andrade “A bunda, que engraçada”. Diz assim: “A bunda, que engraçada./Está sempre sorrindo, nunca é trágica(...)/ Não lhe importa o que vai/ pela frente do corpo. A bunda basta-se./Existe algo mais? Talvez os seios,/Ora - murmura a bunda - esses garotos/ainda lhes falta muito que estudar”.

A cultura brasileira faz votos para que a Justiça se inspire em Drummond e trate esse caso ridículo sorrindo, não de forma trágica. Que não se impressione com a parte de trás caída e sem graça do Gerald, mas com a graciosa e divertida bunda dos versos de nosso poeta maior.

no mínimo ZUENIR VENTURA
Ecos da ópera bufa do Gerald Thomas

Na sua coluna de ontem aqui no JOtaBe o mefistotélico Gerald detona todas.

14.9.03

Um mestre bonequeiro que partiu

Fiquei triste com a notícia da morte do Alvaro Apocalypse, em Belo Horizonte, na semana passada. Ele deu uma contribuição definitiva ao desenvolvimento dessa arte rara que é o teatro de bonecos, como criador e como professor, repassando seus conhecimentos para várias gerações de bonequeiros. Espetáculos como "Cobra Norato", "A Bela Adormecida", "As Relações Naturais" entre outros espetáculos do GrupoGiramundo, ganharam as platéias do mundo, apresentando-se em festivais, e em temporadas nos teatros da Europa e EEUU. Eu tive a oportunidade comprovar isso, em Washington num festival da UNIMA, e na França.

Embora reconhecido internacionalmente, aqui era pràticamente ignorado pela mídia. Há alguns mêses atrás vi uma entrevista do Alvaro com o seu grupo no Jô Soares, e fiquei chocada com a ignorância desse entrevistador -- também ator, autor e diretor teatral -- sobre o teatro de bonecos, e também com o tratamento dispensado por ele ao Alvaro e aos integrantes do grupo.

A importância do grupo, várias vezes premiado, a sua trajetoria nacional e internacional passaram em negras nuvens. E para turvar mais ainda, teve uma apresentação de cenas curtas de um texto difícill como "As Relações Naturais", do Qorpo Santo, também sem maiores explicações, passando uma imagem destorcida do espetáculo do Giramundo.

Para não dizer que não falei de flores, o teatro de bonecos nesse programa, fugiu um pouco ao estereótipo da mídia, que vê o teatro de bonecos como aquela coisinha bonitinha, engraçadinha, para encantar crianças e adultos, já que o texto do genial Qorpo Santo manda ver na sexualidade, com muito erotismo, sensualidade, e o grupo escolheu as cenas mais picantes da peça.
Bem, o grande mestre bonequeiro partiu, mas eu acredito que as sementes plantadas pelo seu nobre espirito continuarão a dar ótimos frutos.


Cena do espetáculo "Cobra Norato" do Giramundo Teatro de Bonecos.

13.9.03

Cultura se faz na rua,
tem sensacionais atrações e de brinde, os palhaços do Anonimo apresentando um espetáculo de graça -- tudo isso no cirquinho armado mais ou menos em frente ao
numero 45 da Rua do Mercado - Praça Quinze - atrás do CCBB. Confere a programação aqui e vai á luta, chegando cedo para pegar as senhas para os 150 lugares. Biscoito finíssimo e de graça, quem não quer?

Palhaço Bicudo que foi hoje às 20hs.
Amanhã, sábado,
às 16 hs. tem Juliana Manhães no espetáculo solo "Divino Emaranhado".

Eu já vi e vou rever o belo trabalho sobre a cultura do Maranhão, numa pesquisa da atriz Juliana Manhães, minha colega do curso de bufão e do grupo de cacuriá e do curso de clown do Mestre Dacio Lima (saudosa memória).

17 hs. Oficina de Cacuriá com a Juliana Manhães.

Juliana foi uma das fundadoras do grupo DivinaCurriola -- hoje existente só na saudade -- do qual esta escriba teve o privilégio de fazer parte. Cacuriá para quem não sabe é uma dança do folclore do Maranhão.

19 hs. Grupo Fuzarca da Lira e seus músicos maravilhosos, espetáculo para todas as idades, com abertura d'O Charles com seu número na perna-de-pau.

No domingo,
às 16 hs. Valdevinos de Oliveira com o espetáculo "Os cenouras".

Já vi e gostei do espetáculo desses dois paspalhos, colegas desta paspalha aqui no curso de bufão e nos treinamentos circenses -- um semestre inteiro há quatro anos atrás -- lá no Espaço da Companhia do Gesto, juntamente com o agora "doutor da alegria" Luiz Igrejas, e mais os palhaços Intervalo e Muzzarela. Ah, e sem esquecer o nosso mestre dos malabares, o professor Eugenio - da Escola Nacional de Circo. Eu fiquei mais ou menos craque no diabolô.
17 hs. Oficina de circo

19 hs. Os maravilhosos artistas circenses do Teatro de Anônimo apresentam o sensacional, fenomenal, surpreendamental espetáculo "Tomara que não chova".

E tomara que não chova, porque o cirquinho não tem cobertura. Mas isso não constitui problema. Assistí "O Pregoeiro" do Márcio Libar abaixo de chuva, e o público firme, só quando não deu mais para aguentar -- artista e público -- se retiraram. Mas a maioria do público não foi embora, ficando por ali em baixo das marquises e no bar. E daí o espetáculo continuou ali em frente ao cirquinho, no espaço da Casa do Anônimo, na Rua do Mercado 45, que está sendo reconstruido depois do incêndio. Circense é artista até debaixo d'água -- literalmente.

Grupo Galpão,
de Belô, está na city, em cartaz no Teatro Villa Lobos, com o espetáculo O Inspetor Geral, de Gogol, direção do meu conterrâneo de guerra, o Paulo José. Esse menino ainda vai longe...

Il primo miracolo,
o espetáculo solo do ator gaúcho-uruguaio Roberto Birindelli na comédia de Dario Fo, voltou ao cartaz nesse findi no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gavea. Vale a pena conferir.
Eu assistí no mês passado, e o espetáculo não correspondeu a minha espectativa, mas não posso deixar de recomendar pelo texto de Dario Fo, e pelo trabalho de pesquisa gestual e de movimento do ator Roberto Birindelli.

12.9.03

A reivindicação das meninas do PETI

Trabalhar com os meninos e meninas do PETI -- Programa de de Erradicação do Trabalho Infantil -- dentro da FUNLAR foi uma longa e sofrida conquista. Tudo aconteceu em janeiro deste ano, quando durante a colônia de férias eu dei aulas para as meninas do PETI. Gostei da experiência e queria continuar trabalhando com essas meninas, mas isso não era possivel por razões várias -- de administrativas a politicas. Em fevereiro, eu fui agradávelmente surpreendida (e bota agradável nisso) com a iniciativa das meninas indo à coordenação reivindicar a permanência nas minhas aulas durante o ano todo. A partir desse fato, teve início uma série de negociações, mas sem nenhum sucesso até três mêses atrás quando foi aumentada a carga horária do Projeto Angel Vianna na instituição.

Vou ficar devendo um post sobre o trabalho que eu estou desenvolvendo com as meninas, e agora também com os meninos do PETI -- um presente raro.


Cartaz desenhado pelas crianças do PETI, em Itaguaí, no Rio de Janeiro.