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17.8.02

CONVITE


No dia 19 de agosto, próxima segunda, a partir das 19:30 hs., artistas e
simpatizantes do circo estarão se reunindo no espaço dos Sátiros ( Praça Franklin Roosevelt , 214 - Consolação) para

o lançamento do sítio pindoramacircus.arq.br de Verônica Tamaoki.


A programação do encontro será a seguinte:

Das 19:30 às 20:30 hs - apresentação do sítio

Das 20:30 ás 21:30 hs - apresentação do livro Circo Nerino, ainda não
editado, pelos autores (Verônica Tamaoki e Roger Avanzi), Eduardo Rascov e
Ivan Cabral, e leituras de trechos do livro por Pascoal da Conceição,
Rodrigo Matheus, Alexandre Roit, Gabriel Guimard, Camilo, Alex Marinho, e a
sensacional dupla Juju e Fafá.

Das 21:30 às 22.30 hs. - Debate - Tema: memória do circo brasileiro, seu
resgate, preservação e divulgação.




16.8.02




NÃO PERCAM : DOMINGO É DIA DE TEATRO NO ATERRO

Programação do dia 18 DE AGOSTO do Teatro de Marionetes Carlos Werneck

MÁGICOS II MR. FOX

Mr. Fox é um veterano do Ilusionismo brasileiro. É campeão brasileiro do
Festival de Circo do Rio de Janeiro e vice-campeão europeu, entre 34
concorrentes, do Festival Europeu de Mágicos, realizado em Portugal.
Apresentou-se em Portugal, na Espanha, na França, na Itália, na Suíça, na
Áustria, na Bélgica, na Inglaterra e na Finlândia, entre outros países.
Enquanto morava na Espanha, participou da ¨Noite dos Mil Milagres¨, um
festival itinerante que, a cada ano, reúne oito campeões entre os novos
talentos da Mágica na Europa, fazendo-os circular em um grande show noturno
por mais de 60 cidades 14 países. Dono de um estilo clássico, tradicional,
mas detentor de um grande repertório de truques, é um dos ilusionistas mais
versáteis do país, sendo capaz de montar diferentes espetáculos,
adaptando-se a diferentes temáticas e situações. É conhecido por ter
participado de todos os especiais da apresentadora Xuxa, com mágicas que se
adaptam a situações que vão do dia das mães ao Natal. Costuma usar da
participação de crianças e adultos em seus shows, como forma de envolver a
platéia no espetáculo. Morou em diferentes países da Europa e é um dos
mágicos de maior experiência no Brasil, dominando todas as categorias
mágicas: do close-up às grandes ilusões.

E eu vou lá conferir. A Valéria Seabra convidou e eu vou levar o meu pessoal para assistir. Mr FOX tem um curriculo respeitável.

TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
LOTAÇÃO 300 LUGARES
PROGRAMAÇÃO GRATUITA
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11H, SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.


24.7.02

Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belô

O grupo Close-Act, da Holanda abre, no dia 15 de agosto, com o monumental espetáculo de rua "Malaya", a 6ª edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte. Promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte - Secretaria Municipal de Cultura e Associação Movimento Teatro de Grupo de Minas Gerais (MTG), o Festival acontece no período de 15 a 25 de agosto e conta com o patrocínio do Banco Itaú/Bemge e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Além de Belo Horizonte, a programação do Festival se estende também à cidade de Vespasiano, na Grande BH, onde serão encenados um espetáculo de rua e um de palco, ambos gratuitos.
A cerimônia oficial de abertura do FIT-BH/2002 será no dia 14, às 19h, apenas para autoridades e convidados. Em seguida, às 22h, começa a funcionar o Estação em Movimento - Ponto de Encontro do Festival, com bar, shows e intervenções, até às 4h.
A programação de espetáculos começa no dia 15, às 20h, na Praça Sete, com concentração e apresentação dos grupos Guarda de Congo Feminina e Guarda de Congo de Moçambique, Trovão das Minas, Tambor Mineiro, Bloco Miguilim e Bloco Tambolelê (Belo Horizonte), Boi da Manta (Lagoa Santa), Boi de Reis (São Francisco) e Batuque de d. Maria (São Romão).
Às 21h, esses grupos saem em cortejo conduzido por dois integrantes do grupo Close-Act (emissários de Malaya), sobre pernas de pau, em direção à Praça Rui Barbosa (Praça da Estação). Lá, serão recebidos pelo restante do elenco holandês que, às 21h15 inicia a encenação de "Malaya".
Como nos anos anteriores, o Festival mantém como critério norteador para a escolha dos grupos, a qualidade dos trabalhos aliada à diversidade de origens, linguagens, estéticas e gêneros.

Palco e Rua
O evento vai contar com a participação de um total de 18 grupos, que apresentarão 12 espetáculos de palco e seis de rua. Os nove grupos estrangeiros vêm de sete países: Holanda, Espanha (dois), Argentina (dois), Rússia, Estados Unidos, França e Polônia. Do Brasil, participam cinco grupos (dois do Rio de Janeiro, dois de São Paulo e um do Rio Grande do Sul), além de quatro grupos locais.
Os nove espetáculos internacionais são: "Aux Pieds de la Lettre" (Cie. Dos à deux/França); "Dirty Fred" (Fred Roellig/EUA); "Femina" (Teatr Cogitatur/Polônia); "Gala" (grupo Gala de Buenos Aires/Argentina); "Jurujujaja: el Desastre Continua" (Nanny Cogorno/Argentina); "Madame et Monsieur" (Cia. Leandre-Claire/Espanha); "Rock & Clown" (Producciones Yllana/Espanha); "Malaya" (grupo Close-Act/Holanda) e "White Cabin" (Akhe - Russian Engineering Theatre/Rússia).
Os espetáculos nacionais são: "A Sua Melhor Companhia" (Cia. do Público/Rio de Janeiro); "Meu Destino é Pecar" (Cia. dos Atores/Rio de Janeiro); "Nossa Vida não Vale um Chevrolet" (Cemitério de Automóveis/São Paulo); "Deadly" (Cia. Circo Mínimo/São Paulo) e "O Pagador de Promessas" (Depósito de Teatro/Porto Alegre).
De Belo Horizonte, participam "O Homem da Cabeça de Papelão" (Grupo Trama de Teatro); "Perdoa-me por me Traíres" (Cia. Luna Lunera); "Sem Lugar" (Grupo 1º Ato) e "Urucubaca - Na Roda do Mundo" (Cia. SeráQuê?).
Uma das novidades do Festival nesta edição é o BH-FIT/Rua, uma série de atividades para discutir o teatro de rua e refletir sobre os motivos da sensível queda na produção de trabalhos desse gênero em Belo Horizonte. Constam da programação, além de palestras, a Mostra de Micropeças de Rua.
Reunidas em três blocos de três micropeças cada um - sendo cada bloco considerado uma apresentação - as encenações vão integrar a grade de espetáculos de rua. São elas:
Bloco I: "A Bolha de Sabão", de Daniel Furtado Simões; "As Alegres Meninas da Rua Quinze", de Myriam Campas de Faria e "Retrato na Janela", de Ana Caldas Lewinsohn.
Bloco II: "Corações Partidos ou Amor-em-pedaços", de Carloman Welliton Soares Bonfim; "Presente de Aniversário", de Cristiane Ferreira da Silva e "Círculo", de Luciene Magalhães Borges.
Bloco III: "Ai Meu Deus, me Dá um Trocadinho aí?", de Francisco Abreu Fernandes Alvarenga; "Esquina dos Aflitos", de José Ricardo Júnior e Luiz Carlos Garrocho e "Cânticos", de Cristiano Peixoto Gonçalves.
A proposta do evento é promover sempre o acesso do maior número possível de pessoas, das mais diferentes vertentes sociais aos espetáculos e eventos especiais. Nesta edição, estão programadas 89 apresentações dos 18 espetáculos e das nove micropeças de rua. Mais da metade das apresentações (47) é gratuita, apresentada em ruas, praças, feiras, mercados e até igrejas, nas nove regiões administrativas da cidade, além de duas apresentações na cidade de Vespasiano. E os preços dos ingressos para as 42 apresentações dos espetáculos pagos são acessíveis à maioria da população.

Histórico do FIT-BH
Desde 1994, quando foi criado, o FIT-BH vem alterando o cotidiano da cidade, que se transforma durante onze dias, num espaço de celebração e solidariedade, com o encontro de representantes dos mais diversos povos e culturas.
Nas cinco edições realizadas, o FIT-BH já recebeu 87 grupos nacionais e internacionais que trouxeram 108 espetáculos de 19 diferentes países (França, Itália, Suiça, Espanha, Polônia, China, Japão, Singapura, Togo, Colômbia, Cuba, Bolívia, Argentina, Chile, Uruguai, Suécia, Bélgica, Venezuela, Índia) promovendo encontros e trocas culturais significativos tanto para artistas quanto para o público.
Do Brasil, dez, dos 26 estados brasileiros, já estiveram representados no evento. Um total de 459 apresentações (250 de palco, 209 de rua) atingiram um público de aproximadamente 600 mil pessoas. Foi através do FIT-BH que muitas dessas pessoas tiveram seu primeiro contato com a arte de representar.

Eventos Especiais
Além dos espetáculos, o FIT-BH promove eventos especiais (programação à parte que será divulgada brevemente). Trata-se de uma proposta que procura socializar, através da reflexão sobre o fazer artístico, o conhecimento teórico-prático das artes cênicas, contribuindo assim para a formação dos profissionais que atuam nos setor. Neste ano, será criado também um espaço de encontro entre a tradição e a modernidade, possibilitando questionamento e reflexão sobre a cultura na sua mais ampla diversidade. Foram eleitas quatro frentes norteadoras:
Incentivo à arte de rua (Mostra de Micropeças de Rua e palestras);
Movimentos Urbanos (Mostra Movimentos Urbanos integrada por performances de teatro, música, vídeo, poesia, dança, artes plásticas e manifestações culturais populares tradicionais e contemporâneas como congado, maracatu, hip hop, break), no Estação em Movimento - Ponto de Encontro, no Parque Municipal. Para o local estão também programados shows musicais todas as noites;
Aperfeiçoamento: incentivo ao aperfeiçoamento e ao surgimento de novos profissionais, através da realização de cinco oficinas gratuitas: Os temas das oficinas são: "Arte e Educação", "Encontros do Corpo", "Do Batuque à Cena", "Lero Lero de Quioco" e "Maquiagem Teatral".
As inscrições ficam abertas até 26/07, somente através do endereço www.pbh.gov.br/cultura/fitbh, onde estão todas as informações necessárias.
Levantamento da memória do Teatro Mineiro: incentivo ao registro de nosso teatro, cuja memória é quase inexistente. Dessa proposta consta o lançamento do livro "Do Transitório ao Permanente - Teatro Francisco Nunes (1950-2000)", do professor e historiador Bernardo Novais da Mata Machado, que conta um período da história de nossas artes cênicas.
FIT-BH/2002

Teatro Francisco Nunes
Av. Afonso Pena, s/nº - Centro
Parque Municipal
Informações: 3277-4366
WWW.pbh.gov.br/cultura/fitbh

14.7.02





Google! DayPop! This is my blogchalk: Portuguese, Brazil, Rio de Janeiro, Vila Isabel, Ruth, Female!

6.7.02

Este blog esta em primeiro lugar aqui no TOP BLOG - os melhores blogs do Brasil.

E o Artimanhas, o blog pessoal desta escriba saiu aqui na coluna do Gravata no Caderno de Informatica de O Globo.

30.6.02

Curso e espetáculo de Mímica Corporal no LUME

Espetáculo de Mímica Corporal de Etienne Decroux: Mirrors
"Mirrors" é o resultado de quatro anos de pesquisa em Mímica Corporal. Em
uma montagem que abrange sequências de movimentos, textos de Lope deVega,
trechos do Livro do Apocalipse e de canções folclóricas brasileiras e
espanholas, é apresentada uma reflexão sobre a realidade das "Marias
Bíblicas", partindo do ponto de vista do imaginário da atriz.
Com um público de trinta pessoas sentadas em semicírculo no limite do espaço
cênico, com o palco vazio e uma iluminação discreta, a atmosfera íntima é
criada, convidando o público a uma viagem a um caminho de emoções secretas.
O espetáculo estreou em quatorze de abril de 2001 no Centro de Artes Cal
Poly, Pomona Downtown Center, Califórnia, e em agosto de 2001 fez parte do
"Catskill Festival for the New Theatre" em Nova York.

Selma Treviño, formada pelo Instituto de Artes Cênicas da Unicamp em 1992
(Campinas – SP), foi Pesquisadora-Assistente de Thomas Leabhart em Mímica
Corporal de Etienne Decroux, em Pomona College, Califórnia, de 1997 a 2001.
Sua formação em mímica corporal incluí igualmente aulas com Ivan Bacciochi e
Robert Bennet em Paris e com Luís Otávio Burnier no Brasil.

Data: 10 e 11 de agosto
Local: Sede do Lume (Barão Geraldo)
Horário: Sábado às 21:00 horas e Domingo às 21:00 horas


CURSO EM MÍMICA CORPORAL DE ETIENNE DECROUX COM SELMA TREVIÑO

A proposta do workshop é fazer uma introdução à técnica de mímica corporal
de Etienne Decroux, aplicada ao treinamento e criação do ator, segundo os
métodos de Thomas Leabhart. Cada sessão inclui aquecimento, aprendizado da
Técnica de Mímica Corporal improvisações e pesquisa do movimento.
O objetivo principal do curso é desenvolver a presença cênica do ator por
intermédio de um trabalho corporal consciente dos princípios básicos da
técnica de Mímica Corporal: mudanças de planos e níveis, oposições, pontos
fixos, equilíbrio precário, imobilidade dinâmica e torções.
O aquecimento consiste em uma sequência de exercícios desenvolvida por
Thomas Leabahrt baseada em Yoga, Técnica de Alexander, Pilates e
Feldenkrais.
A etapa de aprendizado da técnica de Mímica Corporal é voltada somente ao
aprendizado da técnica pura.
A última parte do curso é dedicada a improvisações e à pesquisa do
movimento. Ambas atividades oferecem aos participantes a oportunidade de
experimentar a utilização da técnica no processo criativo cênico.
Ao final, cada participante terá desenvolvido uma pequena cena que será
apresentada para convidados, como resultado do trabalho realizado durante o
workshop.
O workshop é aberto a todas as pessoas interessadas, com idade mínima de 18
anos, participação no máximo de 20 pessoas.

Período: de 12 a 18 de agosto (segunda a domingo) Carga Horária: 28 horas
Vagas: máximo 20 pessoas
Valor: R$150,00
Local: Sede do Lume

Informações e inscrições:
LUME - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais COCEN - UNICAMP
Tele/Fax: (19) 3289 9869 - E-mail: lume@unicamp.br
Home-Page: www.unicamp.br/lume







HISTÓRIA DA TRAGÉDIA GREGA: UMA ABORDAGEM SOCIAL, POLÍTICA E FILOSÓFICA DO SURGIMENTO E DECADÊNCIA DO TEATRO GREGO

O professor, ator, diretor teatral e agitador cultural VIVALDO FRANCO, vai dar um curso de férias no Estação das Letras, de 29 de julho a 2 de agosto, com aulas de segunda a sexta, das 17 hs. às 19,30 hs. Imperdível para o público em geral, atores, estudantes de teatro, bailarinos, circenses, porque estudar esse período da história da humanidade é mais do que importante, é fundamental. O Vivaldo Franco, é um cara da maior responsa, com um curriculo respeitável na área.

O curso tem por objetivo traçar um amplo e abrangente painel sobre os fenômenos sociais, políticos, filosóficos e religiosos que engendraram e possibilitaram o surgimento da Tragédia Grega - gênero original do Teatro Universal - e as consequências deste fato para a sociedade grega e o mundo ocidental.

Vivaldo Franco é Bacharel em Artes Cênicas formado pela Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO), com pós-graduação em Teoria da Arte (UERJ) e extensão em Teatro Grego pela University de La Verne, Atenas, Grécia. Estudou Teatro Grego com o Professor Junito Brandão e História do Teatro com a crítica teatral Barbara Heliodora.

ESTAÇÃO DA LETRAS - RUA DO CATETE, 228/318, TEL.: 2285 7224
PERÍODO : DE 29/07 À 02/08 (SEGUNDA À SEXTA) DAS 17:00 ÀS 19:30 HS.
INVESTIMENTO: R$ 120,00

Programa do Curso: PARTE I: INTRODUÇÃO
Esta introdução tem por finalidade contextualizar e informar o aluno sobre algumas das formas de Dramas Ritualísticos que antecederam o surgimento do Teatro Grego de forma que este possa ter elementos de comparação que o ajudem a entender a importância deste gênero completamente original: a Tragédia Grega.
- A IDADE DA MAGIA (NATURALISMO - PERÍODO PALEOLÍTICO)
- ANIMISMO (SIMBOLISMO - PERÍODO NEOLÍTICO)
- ARTE SAGRADA X ARTE PROFANA
- A ÉPOCA HOMÉRICA E A EPÓCA HERÓICA
- O PERÍODO ARCAICO GREGO (SECs. VII e VI a.C.)
- A ARISTOCRACIA E A TIRANIA
- O TEATRO LITÚRGICO GREGO (MISTÉRIOS DE ELÊUSIS)
- O CULTO A DIONISO: OS DITIRAMBOS E OS DRAMAS SATÍRICOS

PARTE II: O SÉCULO V
- O HOMEM TRÁGICO
- A GUERRA CONTRA OS PERSAS
- A DEMOCRACIA ATENIENSE
- APOLO X DIONISO; LOGOS X EROS
- MATRIARCADO X PATRIARCADO; DEUSES NOVOS X DEUSES ANTIGOS
- O GNÓTHI SAUTÓN (CONHECE-TE A TI MESMO)
- ÉSQUILO (ANÁLISE DE A ORESTIA)
- SÓFLOCLES ( ANÁLISE DE ÉDIPO)
- EURÍPEDES (ANÁLISE DE MEDÉIA)
- DEUS EX MACHINE: A "DECADÊNCIA" DA TRAGÉDIA

PARTE III: OS ELEMENTOS DA TRAGÉDIA
- A ORIGEM DOS DEUSES (TEOGONIA)
- O HERÓI TRÁGICO E OS MITOS
- VISÃO TRÁGICA DO MUNDO, CONFLITO TRÁGICO, SITUAÇÃO TRÁGICA
- A CATARSE
- O TEATRO DE DIONISO
- FIGURINOS E CENÁRIOS
- A FUNÇÃO DOS ATORES E A ESTRUTURA DO CORO
- OS GRANDES CONCURSOS DE TRAGÉDIAS
- FOTOS, SLIDES, TRANSPARÊNCIAS E VÍDEOS DAS RUÍNAS GREGAS: TEATROS, TEMPLOS, MONUMENTOS E ESTÁTUAS







Tem Cabaçal chegando na Broadway!!!!!

A Cia. Vatá, de Fortaleza, está viajando para Nova York, na próxima quinta feira, para apresentações no II NEw York Tap City Festival, no Teatro 42th, que vai acontecer na capital americana de 6 a 14 de julho. Esta é a segunda vez que a companhia é convidada para participar. A primeira, foi em 1999, no Teatro La Mama. Além da apresentação do espetáculo, a diretora da Vatá, a VAL PINHEIRO, vai ministrar um workshop de cinco dias, com os ritmos brasileiros. Com a palavra, a diretora e fundadora da Cia. Vatá do Ceará:

-- Dessa vez estarei levando minha Cia. Vatá, récem formada, com sapateadores que estão no mercado comigo há pouco mais de um ano, mas que com a experiência de Bagaceira nosso último trabalho que já teve oportunidade
de circular por alguns dos principais Teatros do Nordeste , além de
uma outra temporada no Teatro Dragão do Mar em Fortaleza, e teatros do sul e centro-sul. Fizemos o que estamos fazendo em studio há alguns
meses: "Teatro de Pesquisa" e tal, que só nos aumenta e muito a
experiência e recursos pra buscar cada vez mais o nosso corpo híbrido,
o que mais me atrai pra continuar pesquisando e estudando em
nossos corpos essa possibilidade, onde o sapateado seja ferramenta e não
ponto final de um trabalho.

Vou ministrar aulas em cima de dois ritmos especiais, e que venho pesquisando
e trabalhando nesses últimos dois anos, o CABAÇAL,ritmo típico do sertão
cearense onde Mestres de Reisado de congo e de careta vêm cada vez mais
divulgando e aproximando da população em geral
e E O MARACATU, nesse último levarei duas levadas, o Maracatu cearense que é feito em baque simples e o Maracatu pernambucano que caracteristicamente é feito em baque virado.

Tenho certeza que os amigos novaiorquinos que vierem a fazer o meu workshop irão adorar o entusiasmo que esses dois ritmos provocam em nosso corpo e alma. É... amigos, acho que de uma forma ou de outra nós brasileiros vamos abrindo portas pro nosso trabalho lá fora em terras estrangeiras e isso, no meu ponto de vista, só nos une ainda mais pra uma conquista de uma política que nos
coloque de vez no mercado cultural brasileiro, é a nossa união que falará
mais alto e nos colocará num patamar que hoje está a Dança Contemporânea
Brasileira por exemplo que cada vez mais diminui fronteiras e aproxima
continentes.

Acredito que é na cultura de nosso País que está a chave de nossas
conquistas, e assim vou estudando cada vez mais essa cartografia de tradições
que me surpreende a toda hora. E viva a tradição cultural brasileira que tem
sempre o novo a oferecer!
.


25.6.02

O ator transparente

Ainda restam algumas vagas para o curso da JULIANA JARDIM atriz e pesquisadora paulista, mestre em interpretação pela USP com a pesquisa O ator transparente, co-autora do livro Prática do ator no Brasil lançado pela Editora Ucitec., atriz de Madrugada, Esperando Godot, Oração, É o fim do mundo, Pericles , entre outros trabalhos. Juliana veio ao Rio para ministrar um curso para atores e estudantes de teatro: o ator transparente.

O curso tem a duração de quatro mêses, com aulas todas as quintas-feiras das 9,30 hs. às 12,30 hs, e consta de treinamento com as máscaras do Bufão e do Palhaço. Os estados das duas máscaras permitem ao ator buscar a sua essência cômica sob variados aspectos -- da parodia, pela via do grotesco, à simplicidade e magnitude da graça ingênua. O curso utiliza técnicas de abordagem de histórias de vida e da escrita total.

Local: UNIRIO - Escola de Teatro, Av Pasteur 436 fundos Sala 201
Horário: às quintas das 9,30hs. às 12,30hs.
Inscrições no local pela manhã às 9,30hs de quinta-feira ou pelo fax 2252-6329 ou
jujardim@uol.com.br (enviar carta de interesse e curriculo resumido)
25 vagas - setenta reais por mês. (Restam pouquíssimas vagas).

PS. -- Esta escriba teve o privilégio de assistir o monologo Madrugada no final de janeiro que ficou em cartaz de 24 a 27 de janeiro no Sergio Porto, dentro do projeto Via Dutra - teatro de São Paulo no Humaitá que trouxe ao Rio quatro trabalhos. Inclusive o do Grupo Lume que eu comentei aqui neste blog.

O trabalho da Juliana Jardim em Madrugada me impressionou profundamente não só pelo seu talento de atriz, mas pela alta qualidade interpretativa. E fiquei o tempo todo pensando em quais técnicas de interpretação e métodos de uso corporal teriam sido utilizados para tal resultado. No final, fui à cata de um programa do espetáculo para fazer um comentário do trabalho aqui no blog. Não tinha programa. E o mínimo que eu conseguí foi saber que o trabalho da atriz era o resultado de uma tese de mestrado. Daí, eu arrefecí o meu ânimo, fiz vários ensaios, mas acabei não fazendo o devido comentário. Um tremendo vacilo.
Um contador de histórias, simplesmente.

SOTIGUI KOUYATÉ surpreendeu, na sua aula-espetáculo, domingo, no Teatro Carlos Gomes, aqueles que esperavam uma aula de Shakespeare, (Barbara lhe adora e não poupa elogios ao Prospero de A Tempestade ) ou sobre o método de Brook, ou ainda da sua brilhante carreira como ator. No cinema trabalhou com Bertolucci, entre outros importantes diretores, tendo sido premiado em Cannes. Ainda diretor (Antigona de Sofocles) cantor, compositor (trilhas sonoras de vários filmes), coreografo,cenografo e dramaturgo. Não bastasse isso tudo, trabalha com Peter Brook há mais de vinte anos, atuando nas suas principais peças e filmes.

Durante quasi duas horas, sentado no palco do Carlos Gomes -- ladeado por duas belas mulheres atuantes na área cultural do Rio: ANGELA PECEGO coordenadora artística da RIOARTE e da bailarina, coregrafa e atriz CARMEN LUZ -- falou simplesmente da tradições africanas, e da importância fundamental da civilização africana para o mundo hoje. "No Brasil, me sinto em casa, eu sou brasileiro, a cultura nos aproxima".

A sua explanação foi entremeada por dois vídeos, um deles sobre alguns trabalhos com Brook, e o outro uma belíssima cerimonia religiosa quando os mortos dos seus antepassados - os griots Kouyaté - são lembrados e reverenciados. É uma cerimonia belíssima com cantos e danças, e a medida que vão sendo mostrados fica evidente as similitudes culturais. No final, contou três três contos de gênio.

SOTIGUI deu uma aula de simplicidade e de sabedoria. Simplesmente isso. E fiquei com duas frases que eu gravei na memória: Cada dia descobrir o melhor de si mesmo no encontro com os outros e a outra, O mais difícil neste mundo é o conhecimento de si mesmo.

22.6.02

Kafka puro -- batalha do ingresso para a aula-espetáculo no Teatro Carlos Gomes

Hoje, assim que acordei às onze e tantas da manhã começa a operação telefonema. E o telefone da bilheteria do Carlos Gomes, 2232-8701 chama, chama e ninguém atende. Tomo o café da manhã, e volto. Nada. Lá pelas tantas depois dos trocentos telefonemas, e o telefone dando sempre ocupado, afinal uma voz avisa que o telefone mudou para 2220-0250. Insisito e não desisto. Depois de outros trocentos telefonemas, e direto aquele barulhinho irritante de
ocupado, e já passando de uma hora da tarde, enfim atendeu um rapaz que informou laconicamente: só a partir das 14hs. tá Senhora? Tá. O que posso fazer? Já estava arrependida de não ter acreditado na informação de ontem, e ter acordado cedo e ido pra lá às 10 hs. da manhã.

Dei um tempo, e fui abrir a mail-box e lá estava um convite da RIOARTE repassado ao Forum de Teatro pelo Mariozinho Telles, dizendo que os ingressos para o Master Class já estavam á venda e o telefone de contato era o fatídico 2232-8701.
Outro e-mail da Super Maria - minha amiga Maria Pompeu, gentilmente, avisando da aula-espetáculo. Ela não lê o meu blog, a danadinha. Se tivesse lido, não perderia o seu precioso tempo, mandando esta informação.

Depois disso volto ao telefone que continuava na mesma -- ocupado. E lá pelas tantas já passavam das 14hs, atende uma voz gravada com a seguinte informação: Este telefone, temporàrtiamente não está recebendo chamadas. Estamos providenciando o reparo. Por favor, tente mais tarde.Caramba. Já conhecia esta informação, é a mesma gravação do sabado passado, quando eu tentava a informação da venda de ingressos na segunda-feira.

Parei a operação telefone e fui me preparar para ir acampar lá em frente à bilheteria até conseguir comprar o meu ingresso. Antes de sair de casa, às 15,30hs. resolvi fazer uma última tentativa. E não é que desta vez atendeu uma voz feminina, ao vivo, e confirmou que estariam á venda hoje até às 18hs. Nem acreditei no que ouví. Nova ligação, desta vez para pegar o nome da bilheteira. Ocupado, ocupado, outra voz feminina confirma as informações. Agradeço e mando a clássica pergunta: Com quem eu falei ? -- Com Nina.

Em menos de meia hora, eu estava estacionando em frente ao Carlos Gomes e antes de eu descer do carro, um simpático senhor de cabelos grisalhos se aproxima e pergunta discretamente : tem algum ingresso sobrando?. Arrisquei perguntar se ele sabia se ainda teria ingressos para a aula-espetáculo, e um para hoje á noite, porque eu queria assistir novamente o espetáculo. Ele nem respondeu, foi se afastando e um outro se aproximou, e começou a me mandar estacionar, e daí veio outro grandalhão nervoso, estaciona ali, estaciona ali na frente do outro. Um clima pesado e estranho.

Enfim, a batalha estava chegando ao seu final. Consegui comprar os ingresssos. E ao me retirar perguntei à bilheteira, se ela era a Nina. Não era. E adivinhem quem estava ali ao vivo na minha frente : Dona Fátima. Relatei a ela os acontecimentos todos, e ela falou simplesmente que isto se devia a pessoas que não eram da bilheteria, não saberem informar. Mencionei o rapaz de ontem, o Leonardo, que foi confirmar com ela e voltou com a informação fornecida por ela mesma. Daí ela disse que ele era o guarda de lá. Portanto, na categoria dos que não sabem informar.

Foi uma conversa muito aflitiva, porque ela falava muito baixo e eu não ouvia direito o que ela respondia, e a todo o momento eu tentava enfiar a cara ou encostar o ouvido naquele buraco redondo da bilheteria para ouvir melhor. Dona Fátima foi educada, mas as suas explicações foram muito evasivas. Desistí de entender. Mesmo porque já tinham três pessoas atrás de mim, e um rapaz aflitíssimo, querendo ingresso pra hoje. Agradecí e saí portando o precioso troféu: os dois ingressos para amanhã às 11hs. na Master Class do Sotigui Kouyaté.

150 reais, o preço do ingresso para assistir o último dia do Hamlet de Peter
Brook


Eu disse cento e cincoenta reais, o preço que está sendo cobrado pelos cambistas, hoje. E eles estão com pouquíssimos ingressos á venda, por isso estão a postos lá na frente do Carlos Gomes desde cedo. Bem que eu estranhei a pergunta daquele senhor. O normal seria ele oferecer o ingresso e não o contrário. Que os deuses do teatro tenham compaixão dos pobres mortais que não conseguiram comprar o seu ingresso ao prêço normal de 15 reais.
Aula-espetáculo de SOTIGUI KOUYATÉ, do elenco do Hamlet de Peter Brook.

Começou outra batalha por ingresso no Teatro Carlos Gomes. Desta vez para a aula-espetáculo, no domingo, às 11hs, de Sotigui Kouyaté -- o ator que faz o Polonio e o segundo coveiro e que trabalha há mais de vinte anos com Peter Brook. Sotigui, natural de Mali na Africa Ocidental, além de ator, autor,compositor,cantor e dramaturgo -- Barbara lhe adora, foi lembrado com destaque ontem na crítica de Hamlet, o magistral Próspero na Tempestade de Brook em Paris -- é também contador de histórias e pertence a uma tradicional familia de Griots.

Ele já deu uma oficina de quatro dias que acabou hoje. Eu fiquei numa fila de espera para essa oficina, mas não rolou. Hoje, ficamos sabendo pela reportagem de O GLOBO, que haveria essa aula-espetáculo no domingo. Uma amiga telefonou para o Carlos Gomes e disseram que os ingressos a dez reais, estariam á venda na bilheteria no mesmo dia do evento, domingo, a partir das 10hs. Ela me telefonou, sabendo da minha vocação para enfrentar filas, pedindo que comprasse para ela, o seu ingresso.

Ressabiada, telefonei para confirmar, e disseram que era amanhã, sábado, a partir das dez horas, a venda para domingo. Mencionei a informação que fora dada à minha amiga, e o rapaz que me atendeu, solícito foi confirmar e volta dizendo que a bilheteira Dona Fátima (assim mesmo, Dona Fatima, ele falou) confirmara a informação de sábado a partir das 10hs., dizendo que estariam á venda também no domingo, a partir das 10 hs. Algumas horas depois, telefonei para confirmar quantos ingressos seriam vendidos por pessoa. Atenderam da recepção (a bilheteria já estava fechada), e o rapaz muito educado e atencioso que se identificou como Juanildo informa que a bilheteria, amanhã, (sábado) abria às 14 hs. Repeti para ele as informações anteriores, e ele falou que até ontem não tinha conhecimento do evento de domingo, e não sabia informar desse horário extra da bilheteria. Sugeriu que eu telefonasse manhã a partir de nove horas, quando os funcionários da bilheteria já estariam a postos, e deveriam saber informar. Voilà.

"Historinha" do Hamlet contada por Peter Brook

Meninos, eu vi. Eu vi ontem, na estréia, o Hamlet de Shakespeare contado por Peter Brook. Foi lindo e emocionante. Um presente raro. O espetáculo é de uma simplicidade de criança brincando de fazer teatro, mas com o requinte e a competência da direção de um dos maiores ícones do teatro moderno. Ele mostra como Shakespeare é fácil e divertido, e não é nenhuma novidade que ele possa tirar boas gargalhadas da platéia. No final, os atores voltaram à cena várias vezes para agradecer os aplausos do público que superlotou o Teatro Carlos Gomes.

William Nadylam, o ator que faz o Hamlet é simplesmente inesquecível. Após o espetáculo houve um concorrido coquetel para convidados, no mezanino do Carlos Gomes, quando eu tive a honra de conversar e trocar idéias com Nadylam. Fui eleita a interprete oficial da gALLera para os cumprimentos, beijos, abraços, e todos os afagos ao William Nadylam. Saí de lá mais duas e meia da madruga, e a festa continuava no auge.
Bouffonneries à cause d' Hamlet do Peter Brook - ou 5 hs. na fila do Tetro Carlos Gomes

I. Saí de casa antes do meio dia, mas peguei um transito brabo do final do jôgo. Entrei na rua do Carlos Gomes, e já tinha uma fila respeitável. Estacionei o Abelardo ali mesmo, e fui pra fila às 12,40hs. E nisso, atrás estacionam vários outros. De repente, sumiram os carros, e só dava o Abelardo estacionado e um caminhão descarregando material lá na frente. E nisso vêm passando alguns PMS apressados, e eu naquela saí da fila e tratei de ir tirar o carro dali, e com o apoio da galera da fila em coro:" Vai, vai estacionar que guardamos o lugar". Saí batida, faltavam vinte minutos para abrir a bilheteria. Rápida pesquisa nas cercanias e descobri por pura sorte uma garagem que não precisava deixar a chave do carro.


II. Às 13,30 hs., antes de abrir a bilheteria, um simpático e educado jovem percorria a fila fazendo anotações. Pensei que fosse um jornalista, mas quando chegou perto soube que ele estava anotando os nomes das pessoas, e a ordem numérica da fila. Fui o número 68. Como seriam vendidos dois ingressos por pessoa, e corria o boato que tinha só uns duzentos, o meu estava garantido. Logo depois disso, vêm mais cinco ou seis PMS novamente correndo em direção aos lados do BNH, e comenta-se na fila que estava havendo uma confusão ali perto na Petrobras por causa da greve dos funcionários.


III. Mais ou menos às 14,30 hs. abriu a bilheteria, e a fila começou a andar. Nesse momento, entrou em cena um guarda da PM que interrompeu a fila, e abriu uma clareira em frente à calçada da Relojoaria Tupy. Eu fiquei na ponta da fila em frente a uma papelaria, parada até a ordem do PM que liberava de três em três para a outra ponta da fila. E, de repente, eu ví sair de dentro da Relojoaria Tupy uma senhora de cabelos brancos, muito elegante na sua blusa de renda branca e saia preta longa, carregando uma cadeira para sentar na calçada com toda a pompa e circunstância, e ficar observando como uma rainha sentada no seu trono, o movimento da fila. O pessoal lá do final da fila, vendo aquela movimentação, achou que tinham acabado os ingressos. Aí o PM explicava que estava atendendo o pedido da dona da Relojoaria Tupy para a fila não parar em frente à loja, atrapalhando os clientes. Quando ele chegou perto lí a sua identificação: VIEIRA. Um personagem importantíssimo no desenrolar das cenas seguintes: o Guarda Vieira.


IV. A fila parou de andar, passando alguns minutos das 15 hs. e a galera começou a se impacientar. Uma atriz atrás de mim, diz para o Guarda Vieira que passava naquele momento: " Olha aí Seu Guarda, daqui a pouco esse povo vai ficar agressivo". Ao que ele responde provocador: "A Polícia também pode ficar agressiva". Foi a deixa para esta escriba retrucar: "O papel da Polícia é o de conter a agressividade e não ser agressiva". Dei esse texto, olhando dentro do ôlho dele, que me olhou fundo, não falou nada, mas a sua expressão corporal deu o texto: "Mandei mal, não?". A atriz, esperta, sugere a ele procurar alguém da produção para vir dar uma satisfação para o povo. Ele concordou prontamente, e somem os dois. Volta a atriz dizendo que dali a pouco viria alguém da produção dar explicações.


V. Às 15,30hs mais ou menos entra em cena, no alto das escadarias da porta principal, acompanhado do Guarda Vieira, agora portando uns óculos pretos estilo punk, alguém que se apresentou "Sou da produção do espetáculo", ( leia-se o diretor teatral Luiz Fernando Lobo ) e pede um pouco de paciência que o atraso se devia a mais de duzentos ingressos que estão vindo on-line, da RIOARTE. A pergunta estava no ar: como a RIOARTE anuncia pela imprensa, e na segunda-feira ainda não estão disponíveis todos os ingressos na bilheteria. Um distinto senhor de cabelos brancos, atrás de nós, comentava: É normal isso, hoje é tudo via Internet. Nessa hora, eu avistei lá em cima nas escadarias, o cambista que me vendeu o ingresso na quinta-feira passada. Após as explicações da "produção do espetáculo", ele desce as escadas e vem conversar com mais cinco sorridentes colegas cuja expressão corporal dos pés à cabeça mostrava uma alegria e felicidade inusitadas, constrastando com a nossa, numa fila há quasi quatro horas, e aquelas alturas, cansados, caidos e angustiados .


VI. Quasi às 16 hs. a fila começa a andar. Gritos de alegria e aplausos, mas durou pouco essa euforia, dali há uns 15 minutos, a fila parou. Tinham acabado os ingressos, diziam alguns que no número 29, outros, que no número 45. Desta vez eu ja estava em frente ao T. C. Gomes. A estas alturas, a galera estava mais do que impaciente. E o pessoal que estava na fila lá atrás começa a vir pra frente do teatro, foi quando veio um pessoal lá da Angel e uma menina começa a fazer uns movimentos estranhos com o corpo, e a leitura corporal foi ficando clara: ela expressava com o corpo o seu descontentamento. E pela segunda vez, passeia pela fila uma simpática senhora dizendo baixinho: se não quiser ficar na fila eu tenho ingressos prá vender.


VII. Mais ou menos 16,30 hs, volta à cena o Guarda Vieira, acompanhado da "produção do espetáculo" que desta vez dava outra versão para os fatos: está havendo um problema técnico, e só quem pode resolver é um ator de Peter Brook que está chegando de São Paulo para liberar uma parte da platéia -- as três primeiras filas para vendermos ao público. Mandou mal. A galera começa a cobrar a informação anterior sobre os duzentos ingressos que estariam chegando on-line e os ânimos se exaltaram. E o Guarda Vieira, levanta os braços e faz gestos pedindo calma. Aquele distinto senhor agora mudando de idéia, diz: É tudo 171. A partir daí, as filas praticamente inexistiam, e muitos debandavam. Outros cansados, com fome, sentados nas escadarias, (nunca comi com tanto gôsto aqueles biscoitos de polvilho Globo) acompanhado de uma Coca-Cola que uma amiga trouxe do bar em frente, onde uma menina faminta, ousou comer um pastel.


VIII - Às 17hs. o caos era completo,e o pessoal das filas de trás vinha pra frente, eesta vez ,furando a fila, e corriam boatos os mais inusitados, desde que os ingressos tinham acabado até outros bem malucos. Alguém gritava nas escadarias em frente à bilheteria (as duas bilheteiras estavam sumidas): Chamem o Vieira para ligar para RIOARTE. Cadê o Vieira?. A estas alturas até o Guarda Vieira também tinha sumido. Alguém sugeriu ligar para a imprensa e eu consegui com um amigo, o telefone da Geral de OGlobo, e uma atriz amiga nossa foi ligar, mas não conseguiu, estava sempre ocupado. E nessa hora, eu agradecia aos deuses do teatro pelo ingresso comprado com o cambista. E teve até um amigo meu querendo saber se eu tinha o telefone desse cambista, porque ele não estava aguentando mais ficar na fila.


IX - Passando uns dez minutos das 17 hs. aparece novamente nas escadarias , "a produção do espetáculo", e desta vez o Guarda Vieira estava ausente da cena. E a explição era nestes termos Não é culpa da RIOARTE, não é culpa do Teatro Carlos Gomes. A culpa é da produção do Peter Brook. Estamos entrando em contato com eles para liberar a venda de ingressos para o ensaio geral da quarta-feira.Como das outras vezes, ele não sabia responder quando perguntado, a que horas voltariam a venda dos ingressos. Foi interrompido nas suas explicações, por alguém que gritou um sonoro palavrão, e outros começaram a gritar, pedindo uma senha para voltarmos no outro dia. A solução mais sensata, e mais uma vez "a produção do espetáculo" faz ouvidos de mercador. Vaias seguidas de outros palavrões, ao que a "produção do espetáculo" revida ameaçando fechar o teatro. Para quê? Se ele não sai de cena rápido, a sua integridade física correria altos perigos. Nesse momento, entraram em cena seis PMs nada amistosos, e ficaram ali no saguão, á espreita. E o Guarda Vieira? Era a pergunta que estava no ar. A estas alturas, em movimento contínuo passava pela frente do Carlos Gomes, aqueles que cansados e desesperançados desistiram da empreitada.


X - Às 17,20hs. as bilheteiras já podiam ser vistas na bilheteria, e a galera que estava deitada ou sentada nas escadarias corre para os seus respectivos lugares na fila, e recomeçam a venda dos ingressos. Uma ligeira confusão, logo desfeita porque os ingressos eram vendidos pela ordem numérica e pelo nome com a apresentação da carteira de identidade. E às 17,35 hs eu estava na posse dos meus dois ingressos.


PS. - Soube hoje (terça-feira) na aula da Angel que os cambistas estavam oferecendo ingressos a sessenta reais, no barato, quando acabaram as vendas na bilheteria, e ameaçando cobrar cem reais na estréia, e que houve um tumulto as sete horas da noite. O povo que não conseguiu comprar ingresso, queria derrubar as portas do Carlos Gomes, e que a PM conseguiu controlar a situação.




20.6.02

WILLIAM SHAKESPEARE, Barbara lhe adora. PETER BROOK, Barbara não lhe adora.


Um Shakespeare com assinatura Peter Brook
Barbara Heliodora

Se em “Romeu e Julieta” se faz a pergunta “o que há em um nome?”, o espetáculo que o grupo do CICT Théâtre des Bouffes du Nord, sediado em Paris, apresenta em rápida temporada no Rio — de hoje a sábado, no Teatro Carlos Gomes, com ingressos já esgotados — deixa bem claro que pode haver muita coisa implícita em uma simples mudança de nome: William Shakespeare escreveu “A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca”; o que nos visita agora é “A tragédia de Hamlet”, uma adaptação de Peter Brook, provavelmente o nome de maior prestígio internacional no campo da direção, que trabalhou com o texto traduzido para o francês por Jean-Claude Carrière e Marie-Hélene Estienne (também assistente e colaboradora na direção). Cada vez mais adepto do despojamento cênico, o Brook adaptador aparentemente quis levar seu trabalho nessa área aos mesmos extremos mas, ao mexer com o texto, acabou perdendo de vista a considerável diferença existente entre despojar e simplesmente empobrecer.

Adaptação concentra ação no personagem principal

É possível que nada faça tanto Shakespeare destacar-se de seus contemporâneos quanto o fato de ele criar suas ações e seus personagens firmemente plantados em um universo sociopolítico sólido, com o qual interagem os personagens e pelo qual são influenciadas as ações; a “adaptação” de Brook consta justamente em cortar todas as informações e todos os aspectos que formam o universo específico da tragédia original de Shakespeare, deixando o que resta (a estrita história da vingança) boiando no espaço, em uma espécie de simplificação da linha de “Reader's Digest” (com a ressalva de que esta última evitaria as inversões de ordem que o espetáculo contém). A encenação desse novo e redutivo texto é realizada em tom que dá a nítida impressão de ter sido pensada para mostrar como Shakespeare é fácil e divertido, em algum projeto de teatro nas escolas: tudo é feito no sentido de a peça inteira ficar concentrada apenas no personagem principal, sem a complexidade e a abrangência da obra do poeta.

O espetáculo começa com o primeiro monólogo de Hamlet. Este fica um tanto difícil de ser apreciado por quem não tiver suficiente intimidade com a peça para se lembrar de todas as informações básicas dadas no total da primeira cena e na metade da segunda, que foram cortadas. A terceira cena (na casa de Polônio) também é cortada, como o início da quarta (os personagens menores já haviam sido eliminados), e logo depois... Não vale a pena continuar a detalhar os cortes; o que podemos chamar de “a historinha” de Hamlet continua a se desenrolar sem noção de passagem de tempo e sem maior atenção ao desenrolar do processo em que está envolvido o personagem principal: o famoso “ser ou não ser” é arbitrariamente jogado para o momento em que Hamlet já está em outro patamar de pensamento e deve ir para a Inglaterra, sendo — não dá para saber por quê — concluído com os versos finais do último monólogo.

Peça termina com fala da primeira cena

É claro que onde não há Dinamarca não há preocupação de Hamlet com o governo de seu país, não há Fortimbras e nem o voto que Hamlet lhe dá ao morrer. A cena final apresenta uma constrangedora solução para as várias mortes: como o diretor quer deixar Hamlet sozinho em cena, a Rainha, o Rei e Laertes são ridiculamente ajudados a sair de cena, quando mortos, andando de costas até a coxia. Acabar a peça com “Boa noite, doce príncipe etc” é corrente, principalmente em versões românticas que querem apenas glorificar o protagonista; mas Brook acrescentou um dos detalhes mais gratuitos que se possa imaginar: Horacio deixa Hamlet morto, avança e dirige-se à platéia para dizer: “Mas vejam, a manhã vestida de vermelho pisa do orvalho daquela colina a leste”, do final da primeira cena da peça. Com muita imaginação e boa vontade, talvez seja possível que esse momento final seja incluído como a promessa de um novo dia, mas como não há referência ao futuro, não se encontra no que acontece efetivamente no palco qualquer razão para isso.

Qualquer coisa que se diga a respeito de “A tragédia de Hamlet”, portanto, não é bem sobre a peça de Shakespeare. Para o espetáculo, a proposta de Brook de que para fazer qualquer dos grandes papéis de Shakespeare é preciso esquecer a assinatura e ler o texto como se fosse uma peça nova é válida e realmente fundamental; mas nesta “Tragédia de Hamlet”, a idéia foi levada a um exagero infeliz — ainda para mostrar o quanto o bardo é bom moço, fácil e simpático, a grande novidade fica sendo o número de ocasiões em que tudo é feito de modo a tirar boas gargalhadas da platéia: até uma boa metade do espetáculo, o tom da comédia é o dominante e para isso se esforçam o reduzido elenco e principalmente o protagonista.

Entre a idéia de encarar o texto como novo e fazer o ator em grande parte responsável por sua interpretação, a direção de Peter Brook opta por uma leitura simples mas sempre voltada para um tom de quem quer explicar tudo para a platéia, talvez por julgá-la incapaz de apreciar o que vê.

Encenação, visualmente, é um prazer

Visualmente, “A tragédia de Hamlet” é um prazer: um grande tapete, algumas almofadas, alguns tapetes menores e figurinos simples, tudo com cores e tecidos da Índia. A atraente música é criada e executada por Antonin Stahly, que também faz o papel de Horácio. O elenco é de oito atores, que fazem dois ou três papéis cada. O protagonista é o ótimo William Nadylam, que, dentro de todas as restrições que têm de ser feitas ao conceito da direção, executa muito bem o que lhe é pedido. Igualmente bom é Emile Abossolo-Mbo, que faz tanto o Fantasma quanto o Rei, e muito bom também é Bruce Meyers, que faz Rosencranz, o primeiro ator e o primeiro coveiro. Sotigui Koyaté, que há alguns anos fez um magistral Próspero na “Tempestade” de Brook em Paris, está muito sacrificado com uma linha ridícula para Polônio (e um pouco melhor em um caricato segundo coveiro). O Horácio de Stahly é simpático e discreto, mas o resto do elenco é mais fraco: Lilo Baur (a Rainha) e Véronique Sacri (Ofélia) são bastante inexpressivas e Rachid Djaïdani é simplesmente muito ruim como Guildenstern e, principalmente, como o segundo ator e Laertes.

Mexer com texto de Shakespeare, conclui-se, é muito difícil até mesmo para um Peter Brook; é uma pena que a visita não seja feita com algum de seus outros e mais bem-sucedidos trabalhos, como a sua fascinante montagem de “A tempestade”. É claro que quando se faz restrições a um espetáculo como esse, elas são feitas a partir de um patamar já muito alto em si.

Jornal O GLOBO - 20 de junho de 2002. Íntegra da crítica de Barbara Heliodora.






15.6.02

O ARTIMANHAS, o outro blog desta escriba ta na midia de novo. Desta vez saiu aqui na coluna do Gravata, no Caderno de Informatica de O Globo.
CAÍ NO BOATO DE CAMBISTA!...

A maior surprêsa ao ler hoje em O Globo a matéria da Roberta Oliveira sobre o Hamlet de Peter Brook que no final, informava: "Para quem ainda não comprou as entradas que restam serão vendidas na bilheteria do Carlos Gomes na segunda-feira."

Telefonei para lá e a bilheteira confirmou que ainda havia ingressos disponíveis para os três dias, e seriam vendidos segunda-feira, na bilheteria do T.C.Gomes, das 14hs. as 18hs. E pediu que chegasse antes da bilheteria abrir. Mencionei que eu havia comprado ingresso de um cambista na quinta feira, a uma e meia da tarde, e ela disse que eles (os cambistas) se encarregam de espalhar que os ingressos estão esgotados.

Fiquei sabendo também que só venderam de segunda até quarta-feira para não tumultuar a bilheteria nos outros dias. E outra, a fila "E" do balcão é a última fileira, e pediu para eu mandar por fax o meu bilhete para verificar se não seria falsificado. Só me faltava essa. Segunda-feira, eu só vou trabalhar á tarde, então vou aproveitar e encarar a fila do Carlos Gomes para comprar para a estréia, quinta-feira, no dia 20. Não vou assistir da última fileira do balcão e no último dia. E vou tentar passar adiante este ingresso.

Peter Brook transforma HAMLET em tragicomédia

São Paulo (Reuters) - O teatrólogo inglês Peter Brook buscou ir além do drama "ser ou não ser" em sua nova montagem que estréia nesta quinta-feira em São Paulo, transformando "A Tragédia de Hamlet", um clássico de William Shakespeare, numa tragicomédia contemporânea.

Brook, tido como uma lenda viva do teatro moderno, revela o príncipe da Dinamarca como um jovem negro de dreadlocks, cuja aflição mais pungente vai além da obsessão de vingar a morte do pai. Nesta montagem, a verdadeira tragédia são os percalços que atrapalham os planos de Hamlet de chegar a seu objetivo.

Para obter esse efeito com uma estética moderna, ele conta apenas com oito atores, um tapete vermelho, algumas almofadas coloridas e uma trilha sonora feita ao vivo com alguns instrumentos, como cítara e bongô.

Essa não é a primeira incursão inventiva do diretor de 77 anos no repertório shakesperiano. O reconhecimento mundial para seu trabalho veio em 1962 justamente com "Rei Lear", através do qual se destacou por sua ênfase na movimentação física dos atores.

Vivendo em Paris desde anos 1970, onde comanda o Théâtre des Bouffes du Nord e o Centro Internacional de Criações Teatrais, ele é considerado um dos principais representantes do teatro austero, que se contrapõe ao teatro espetáculo -- voltado ao mercado e às cifras de bilheteria, como as montagens da Broadway.

Na nova versão da história de Hamlet, que chega ao Brasil encenada em francês, Brook cortou mais de 40 por cento da obra original, reduzindo-a a duas horas e meia, que passam quase despercebidas graças aos diálogos regados de humor traduzidos para o português em legendas exibidas no alto do palco.

O protagonista da peça, o negro William Nadylan, busca não apenas chocar o espectador ao surgir como um príncipe nórdico, mas também dar sua contribuição pessoal ao texto enquanto interpreta.

Nadylan é capaz de reverenciar o fantasma do pai como um verdadeiro membro da realeza, ou pular sobre a tumba de Ofélia transbordando de ira, e até se fingir de louco, mas em grande parte da peça movimenta-se mais com a informalidade de um jovem de subúrbio de qualquer grande cidade.

"Esse ator é excelente", elogiou o ator Paulo Autran à Reuters depois de assistir o ensaio aberto para convidados na tarde de quarta-feira, em São Paulo. "Não sou crítico, mas saí encantado com a peça".

"A Tragédia de Hamlet" excursionou por diversos países em 2001, sendo encenada principalmente em inglês, e foi considerada pela crítica especializada como um marco entre as inúmeras reinvenções dos textos de Shakespeare.

O espetáculo estréia no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com ingressos esgotados. Depois viaja ao Rio de Janeiro, onde será exibido no TeatroCarlos Gomes de 20 a 22 de junho.

(Por Thiane Loureiro)

PS. Este post é uma contribuição do antenado ator Paulo Duek.

14.6.02

Ballet da Opera de Paris no Teatro Municipal do Rio e Sao Paulo e em BrasiliaDebora Biggio conta aqui.
O Hamlet negro de Peter Brook

O espetáculo estreiou dia 7 de maio, em Zurique, passou pela Alemanha e Itália e está chegando para apresentações em São Paulo, nesta semana, e aqui no Rio, no Teatro Carlos Gomes, de quinta a sábado da próxima semana, com ingressos esgotados desde ontem.
Aqui no Estadão, Sérgio Roveri entrevista Nadylam, o ator que vive o Hamlet nesta montagem.
Hamlet, de Peter Brook estréia na próxima semana com ingressos esgotados

É isso mesmo. Agora só na mão de cambistas. E pela primeira vez na minha vida eu compro um ingresso para um espetáculo teatral na mão de cambista. Os ingressos para os três dias foram postos á venda na terça, e ontem á tarde já estavam esgotados. Até a semana que vem quando sairem as reportagens dos jornais e TVs estarão valendo quatro ou cinco vezes mais.

Saiu uma notinha em O Globo, e o boca-a-boca se espalhou entre os mais antenados. Soube hoje lá na UNIRIO que já tinham se esgotado, ontem. Corrí de lá para o Teatro Carlos Gomes e comprei -- com muita sorte -- pelo dobro do prêço, e na quinta fila do balcão, para o último dia, sábado, dia 22, um dos poucos ingressos que restavam na mão do cambista.

Ah, vai rolar também uma oficina para atores, de quarta a sabado de 9 às 12 hs. com um dos principais atores do Peter Brook, a cento e quarenta reais, e que também já está esgotada. Esta não saiu no jornal, só foram avisados os amigos dos organizadores. Eu e mais uns vinte estamos na fila de desistência. Se eu conseguir este milagre, vou faltar pela primeira vez, o meu trabalho.

11.6.02

Um espetáculo cincoentão

Um Teatro Municipal lotado, ontem á tarde, para assistir Arlecchino servitore di due patroni de Goldoni, dirigido pelo Giorgio Strehler, fundador do Piccolo Teatro di Milano, na montagem original que vem sendo representada há cincoenta anos.

Eu demorei um pouco para me situar nesta montagem. É muito estranho para a gente ver um espetáculo criado há cincoenta anos atrás. Estranhei dos figurinos (todos em tom pastel, com direito a muitos brilhos de lantejoulas nas roupas dos nobres) à direção. Para completar, o público era qualquer nota -- aplaudia e ria nos momentos mais inesperados. Superados os estranhamentos todos, embarquei na proposta e as três horas de espetáculo passaram rapidamente.

Os atores desta montagem são um espetáculo á parte. Dão uma aula de teatro. Ótimos, com pleno domínio do seu personagem, uso corporal compentente (eles são circenses também, aliás, as origens do circo ficam evidentes no espetáculo), e além disso, cantam muito bem. E o maravilhoso, o sensacional, o supreendamental Ferruccio Soleri quando tirou no final, a máscara do Arlequim, mostrando os seus cabelos brancos nos seus gloriosos sessenta e tantos anos, o público delirou.

Que passes de mágica conservam esse distinto senhor na melhor performance de um jovem atleta -- dá saltos, cambalhotas, faz parada de mão (apoiar as mãos no chão e levantar os pés para cima, sustentando a posição) e outras manhas e artes na pele do Arlequim, durante três horas de espetáculo? Mistérios da arte e da vida. Ah, não poderia deixar de falar aqui da marcação do agradecimento no final. Um dos mais belos agradecimentos que eu tive a oportunidade de ver no teatro.

Atenção povo de Sampa ! Dias 13 e 14 nesta quinta e sexta, o espetáculo vai estar em cartaz no TEATRO ALFA.

1.6.02

Balanço do Festival Internacional de Londrina

Reportagem de Beth Néspoli - Agencia Estado - 27/05/02.

Atriz espanhola é destaque em Londrina
Solo de Marta Carrasco, também coreógrafa, sobressaiu no festival de teatro marcado pela diversidade de linguagens

Londrina - A diversidade cultural foi a marca da 35.ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo), que terminou no fim de semana. Na programação, desde a mais avançada pesquisa de linguagem, como no caso dos três espetáculos trazidos pela atriz e coreógrafa espanhola Marta Carrasco, até a expressão mais visceral e contundente de um grupo de detentas do 2.º Distrito Policial de Londrina. Ao longo de 30 dias, foram mais de 104 apresentações de espetáculos do Brasil e de outros 11 países da América e da Europa.

Uma digital e um olho humano foram os signos escolhidos para o cartaz do Filo 2002. Sabe-se que hoje a íris serve para identificar um homem tanto quanto sua digital. O conceito do olhar do artista sobre o mundo como símbolo de identidade cultural orientou a programação do festival, perpassou palestras e outras manifestações, como exposições de fotos feitas por garotos da periferia, e, como desejado, acabou por interferir no olhar do espectador. Desde sua 30.ª edição, o Filo ambiciona tornar-se mais que mera mostra de espetáculos avaliados por critérios x ou y de evolução de linguagem cênica. Ambiciona ser painel de expressões de diferentes culturas - cultura entendida no sentido mais amplo, como escala de valores, modos de vestir, padrões de comportamento e pensamento - e também estímulo a expressão culltural de grupos comumente sem acesso a esse tipo de manifestação.

Dentro do contexto do festival, a cena final do espetáculo das presidiárias (uma mulher alta e bonita que, com gestos lentos e teatrais, acaricia sua barriga de grávida, ao som da canção francesa Ne me Quitte Pas) transforma-se num imagem tão expressiva quanto a mais requintada criação da espanhola Marta Carrasco, um dos destaques da programação internacional.

"Não gosto do rótulo teatro-dança, mas mesmo na Europa as pessoas têm dificuldade para enquadrar esteticamente o tipo de arte que faço", comentou Marta Carrasco em entrevista coletiva em Londrina, após apresentação de Aiguardent, um dos três espetáculos apresentados no festival. Aiguardentconquista pela intensidade já no primeiro movimento, no qual Marta literalmente dança com uma cadeira e uma mesa que têm rodinhas nos pés. Sobre a mesa, um copo e uma tentadora garrafa de aguardente, à qual ela tenta resistir. Ainda em cena, um baú, um colchão de casal na posição vertical, várias garrafas de aguardente e um vestido de noiva pendurado num cabide. "Esse solo, à primeira vista, parece ser sobre uma alcoólatra. Mas na verdade é sobre a solidão. Um mulher solitária tem de aferrar-se a alguma coisa. Ela aferra-se à bebida."

Várias facetas dessa mulher são exploradas em diferentes momentos do espetáculo. A inocência da menina, o despertar da sexualidade na adolescência e o domínio pleno da sedução já na maturidade. Que aparecem não necessariamente nessa ordem. Cada mudança de roupa é feita diante de um espelho imaginário, cuja moldura está de frente para a platéia, que pode assim acompanhar a transformação da personagem a partir do figurino. Num dado momento, Marta veste uma roupa que permite que ela "literalmente" suba pelas paredes, "grudando" no colchão colocado na vertical, onde faz uma "coreografia" da insônia. No momento seguinte, ela se embebada com dezenas de garrafas de aguardente. Valorizado por uma iluminação belíssima, o líquido retido na mesa permite ainda uma deslumbrante "coreografia de desespero".

Ressalte-se que nenhum efeito em Aiguardent é gratuito. Nenhum objeto de cena apenas decorativo. Marta consegue deixar o público siderado com a intensidade de emoções que traz à cena. O único elemento cênico não utilizado é justamente o vestido de noiva. Ali, pendurado no palco, torna-se um signo pleno de significados, a presença de uma ou muitas ausências.

Cuba - Se comparado de forma fria aos espetáculos de Marta, a concepção do diretor cubano Pepe Santos para Severa Vigilância (texto de Jean Genet que flagra três homens e um jogo de sedução e poder dentro de uma cela de presídio), a interpretação dos atores - seja na caracterização do homossexual ou do xerife da cela - fica quase ingênua. No entanto, no Filo a arte é vista como manifestação de uma cultura, o que aguça e amplia a percepção do espectador. Isso permite perceber que há em Severa Vigilância uma grande ousadia na forma como os atores se tocam em cena, na abordagem corajosa de um tema que ainda representa forte tabu na machista sociedade cubana. Sem contar que levar Jean Genet ao palco tem um significado em Cuba todo especial. Atualmente os teatros estão lotados em Cuba. E o público interessa-se especialmente por peças como As Três Irmãs, de Chekhov, ou Entre Quatro Paredes, de Sartre, assim como todas as que, metaforicamente ou não, abordam o tema da prisão e do desejo de transformação, argumentou o diretor.

Um clima de absurdo (relações aparentemente cotidianas vistas sob ângulos bizarros e comportamentos que repentinamente escapam do "controle da normalidade") tornou-se a marca, o elo comum entre três diferentes espetáculos trazidos pelos argentinos. Embora tenham sido escritos pouco antes do acirramento da crise no País, refletem o olhar dos portenhos sobre seu país. Na comédia La Escala Humana, uma mãe de família assassina uma vizinha na feira, por um motivo banal. Ninguém a denuncia, seus filhos enterram o corpo no jardim, mas começam a ter muito trabalho, porque ela torna-se uma serial killer. O espetáculo foi escrito e dirigido a seis mãos por jovens artistas argentinos - Javier Dualte, Rafael Spregelburd e Alejandro Tantanian. "Atualmente seria até patético tentar levar a política ao palco de forma direta. A realidade muda a cada dia."

Sobre uma estranha família que vive num banheiro, basicamente dentro de uma banheira, gira o tema da peça 1.500 Metros sobre El Nivel de Jack, do autor e diretor Federico Léon. E estranhas fantasias eróticas arrancaram gargalhadas em Hermosura, uma espécie de show de variedades portenho criado pela companhia El Descueve.

A sofisticação técnica e a beleza das imagens chamaram atenção no espetáculo Mémoire Vive, do grupo canadense Les Deux Mondes. Uma menina morta resgata sua infância antes de fazer "a passagem" para o outro mundo. Nessa espécie de Valsa n.º 6 canadense, sobressai o requinte técnico. Câmeras que entram no palco acopladas a brinquedos da infância, como um trenzinho cujos vagões são feitos de miniaturas de eletrodomésticos, teatro de sombras, várias técnicas mesclam-se na criação de imagens que deslubram o olhar a cada novo movimento. No texto, delicado e poético, uma morta alerta-nos sobre o valor da vida. Guerras, chacinas na periferia, fome, seca - certamente nenhum desses problemas afeta a sociedade canadense. Mas são preocupantes as estatísticas de suicídio. Um grupo talentoso na utilização dos recursos técnicos hoje disponíveis, que concentra sua arte na criação de belas imagens para falar sobre a importância de estar vivo.

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida podia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita", cantou Beth Carvalho no palco do Cabaré, o espaço cenográfico que abrigou os shows musicais que na última semana encerravam, a cada noite, a programação do Filo. Outro jeito de dizer o mesmo que a trupe canadense Le Deux Mondes.

Pode parecer meio estranho que um festival de artes cênicas abrigue shows de música. Mas o Cabaré do Filo funciona como ponto de encontro de todas a trupes e todos os públicos do festival no fim da noite. Mais que isso, atrai um público variado que acaba conhecendo artistas pelos quais jamais seriam atraídos num show convencional. O Cabaré, este ano, abrigou músicos diferentes entre si como o DJ Thaíde, o grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, o cantor Jorge Benjor e Beth Carvalho, entre outros.

Debates- A diversidade cultural que tomou conta dos palcos do teatro ou do Cabaré foi tema de uma série de debates. Presidida por Nitis Jacon, a diretora e fundadora do Filo, a Rede Cultural do Mercosul promoveu em Londrina, durante cinco dias, um Fórum de discussão cujo tema foi O Lugar Público da Cultura. Dois palestrantes destacaram-se na programação do Fórum: o mexicano Rafael Segovia, representante da Rede Internacional pela Diversidade Cultural (INDC, www.incd.net) e o embaixador brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães.

Depois de dar uma definição ampliada de cultura - na qual a arte encaixa-se como uma de suas manifestações - Segovia fez uma interessante analogia entre cultura e ecologia. "Hoje sabemos que cada espécie extinta significa um grave desequilíbrio no ecossistema. Hoje sabemos que os recursos naturais, com água, não são infindáveis. Mas ainda é frágil a consciência das graves conseqüências do desaparecimento de um idioma ou da extinção de uma manifestação cultural." Foram quase três horas de palestras na qual Segovia destacou a cultura como motor que impulsiona todas as outras atividades humanas, principalmente política e economia. "Temos de lutar para termos representantes da área cultural em organismos como OEA. A cultura tem de interferir em acordos econômicos e comerciais." A palestra de Segovia foi complementada de forma brilhante pelo embaixador Guimarães, que falou sobre Hegemonia Cultural. Tomando como base principalmente a imposição da cultura americana através da exportação maciça da indústria audiovisual - cinema, TV, vídeo - chamou atenção para a "colonização do olhar".

Colonização claramente percebida na natural tendência dos espectadores a ver, na mostra, com "melhores olhos" a presença de espetáculos europeus do que latino-americanos. "O olhar colonizado afeta a auto-estima, volta-se contra nós mesmos", alertou o embaixador. Lição reforçada pela incotestável qualidade dos espetáculos uruguaios, chilenos e argentinos no festival.




III CIRCUITO CARIOCA DE DANÇA e l DANÇA EM TRÂNSITO

Estréia no dia 12 de junho e vai até o dia 30, o III Circuito Carioca de Dança, e tem como objetivo esse ano, levar a dança para as ruas , ao mesmo tempo em que comemora o passaporte de entrada do Rio de Janeiro grande circuito internacional Ciudades que dansan.

O projeto CIUDADES QUE DANSAN foi criado em 1992, na Espanha, por Juan Eduardo Lopez, de Barcelona, é realizadoanualmente em 12 cidades na Europa e América Latina. Participam destecircuito Lisboa/Portugal; Londres/Inglaterra; Dro Trento, Bolonha e
Ravenna/Itália; Buenos Aires/Argentina; Marsella, Barcelona, Santiago de
Compostella e Getafe/Espanha; La Habana/Cuba; Bogotá e
Bucaramanga/Colombia.

No Rio de Janeiro o projeto foi batizado de Dança em trânsito e será
realizado dentro do III Circuito Carioca de Dança reúne 32 companhias
nacionais e três internacionais apresentando 42 trabalhos divididos em
duas vertentes: a inserção na vida urbana e a ocupação de três teatros da
prefeitura.

O III Circuito Carioca de Dança receberá três companhias internacionais:
Willie Dorner, da Inglaterra; Provizional Danza, da Espanha e o Grupo
AUO, da Argentina. Dos grupos nacionais, Dani Lima, Rubens Barbot, Andrea Jabor,Tanzhaus Cia de Dança,
Zikzira (SP), Henrique Schuller, Dupla Ikswalzinats, Paulo Mantuano Cia
de Dança, Cia Aérea de Dança, Giselda Fernandes, Evelyn Moreira, Ana
Vit'ória Cia de Dança, Vinicius Salles, Alexandre Franco, Andrea Maciel
Cia de Dança, Cia Aérea, Flávia Meireles e Micheline Torres, Projeto
Dança Amorfa, Grupo Ribalta, Maria Alice Poppe, Bia Gaspar, Flávia
Tápias, Esther Weitzman, Cia Vacilou Dançou, Aloisio Flores, Paula Águas
e Humas Cia de Dança.

A festa de abertura acontecerá no dia 12 de junho, a partir de 20 h, no
Parque das Ruínas, onde se poderá ver um pouco do que acontece nas
outras cidades através da exposição fotográfica "CIUDADES QUE DANSAN".
Oito dos curadores europeus estarão nesta festa e assistindo a toda a
mostra. Cinco cias cariocas, espalhadas pelo parque, mostrarão novos
trabalhos.

Programação nos Teatros

Três espaços da Rede de Teatros do Rio, da Prefeitura, integram o programa do III
Circuito Carioca de Dança : Espaço Sérgio Porto, Teatro do Jockey e
TeatroZiembinski.

Nestas casas, serão apresentados sete espetáculos e quinze
coreografias conjugados em programas mistos e distribuídos em pautas de
dois a três dias em cada um dos espaços. As programações para o Teatro do
Jockey e Espaço Sérgio Porto acontecem sempre às 21h e as do Teatro
Ziembinski às 20h. Elas ocorrerão nos três teatros simultaneamente mas
poderão ser apreciadas na sua totalidade pelo público dada à estrutura de
sua grade.
Dança em Trânsito na Praça XV, Saens Pena e Lagoa Rodrigo de Freitas

O Dança em Trânsito acontecerá nos dias 14 (sexta-feira), 15 (sábado) e
16 (domingo) de junho na Praça XV, Praça Saens Pena e Lagoa Rodrigo de
Freitas, respectivamente. Para os três locais há um percurso específico
previsto, composto de uma média de 12 coreografias/dia que serão
apresentadas em seqüência e interligadas por sinalizadores para o público
que deseje acompanhar todo o percurso.




26.5.02


Festival de Performances - o uso do corpo como objeto de arte

Reportagem de Caroline Schafer
Fonte : BBC de Londres para o Brasil -- BBC BRASIL(23/maio/2002).

Sentada em uma sala que mais parecia a sala de espera de um hospital, com uma ficha na mão, esperando meu número ser chamado, eu estava experimentando o início da performance mais polêmica de um festival bastante controvertido.

O Fierce Festival ("Festival da Ferocidade", em inglês), que vai até o dia 9 de junho, na cidade britânica de Birmingham, reúne 15 artistas de todo o mundo que têm em comum o uso do corpo como objeto de arte. O festival provocou polêmica antes mesmo de ser aberto, especialmente pela performance do italiano FRANKO B., que mora em Londres.

Comigo, outras 18 pessoas estavam esperando para que um homem vestido de enfermeiro nos levasse, um a um, até outra sala para passar três minutos com Franko B., sozinhos. Ajoelhado e nu, com o corpo pintado de branco, Franko B. recebeu a platéia com uma redoma em volta da cabeça, daquelas usadas por cachorros, para evitar que cocem suas feridas. Na altura do estômago, há um corte sangrando.

Feridas invisíveis

Cada visitante teve três minutos com Franko B.
Desconfortável é a palavra mais usada pelos espectadores para descrever a performance.

Um deles, Steve Palmer, disse que ficou bem nervoso e não sabia o que esperar. Quando a porta abriu e eu vi o artista coberto de tinta e sangue, foi um choque, disse ele. Mas quando conversou um pouco com Franko B., ficou mais à vontade.

O próprio Franko B. diz que sua performance, intitulada Aktion 398, é como uma escultura em uma galeria, mas uma escultura viva. Meu trabalho tem como base levantar questões, mais do que encontrar respostas, disse à BBC Brasil.

Espero que as pessoas saiam das minhas performances pensando nas feridas invisíveis que cada um leva consigo, afirmou.

Controvérsia

Trabalhos como o dele e o do japonês Tadusa Takamine, que mostra em vídeo um deficiente físico sendo masturbado, geraram muitas críticas entre o público do festival. Não só pela natureza das performances, mas também porque o evento é financiado com dinheiro público.

Deidre Alden, uma vereadora do Partido Conservador, se disse surpresa com o fato de ter gente querendo pagar para ver as performances, que ela considera "doentias".
Para mim, nada disso é arte. Ir para um palco para se cortar e sangrar não é o que eu chamo de divertimento, afirmou Aldren à BBC Brasil. "Fico supresa com o fato de haver gente que pague por isso."

Segundo ela, cada centavo tirado dos cofres públicos é demais para financiar o evento. O curador do Fierce Festival, Mark Ball, discorda. Para ele, existe um público ávido para ver trabalhos diferentes.

"A arte tem a obrigação de provocar o debate e os artistas não querem chocar", disse Ball. "Pelo contrário, os trabalhos levantam a questão sobre a posse do próprio corpo que, para mim, precisa ser debatida."

Um brasileiro entre os artistas participantes do Festival

Outra das atrações do festival é o brasileiro MICHEL GROISMAN, que participa com duas performances.

Em Transferência, Michel transfere a chama de uma vela para outra, através do lento movimento de seu corpo. Já Polvo é um jogo de cartas no qual os jogadores -- que são o público -- usam seus próprios corpos.

Na opinião de Groisman, a polêmica não faz necessariamemte parte da arte performática de hoje.

Acho que o escândalo faz parte de cada pessoa, se ela quiser ser escandalizada, disse à BBC Brasil. O escândalo é decorrente de uma incapacidade do público de estabelecer algum distanciamento.

Os organizadores do Fierce Festival sabem que a polêmica atrai público. Mas garantem que o objetivo do evento é explorar a identidade social e sexual das pessoas.










HAMLET de Brook vem ao Brasil

Reportagem de Alberto Guzik - Agencia Estado - 26/maio/2002.

Companhia do diretor inglês, um dos principais nomes do teatro do século 20, encenará espetáculo em São Paulo e no Rio, em junho

São Paulo - Uma das mais importantes obras de um dos supremos mestres do teatro contemporâneo chegará ao Brasil em três semanas. La Tragédie d´Hamlet, de William Shakespeare, dirigida por Peter Brook, vai apresentar-se em São Paulo e no Rio. De 13 a 16 de junho, no Teatro Sesc Vila Mariana. E de 20 a 22, no Teatro Carlos Gomes, na capital carioca. La Tragédie d´Hamlet será mostrado aqui em versão francesa, com legendas em português. Recém-estreado, o espetáculo iniciou carreira no dia 5 em Zurique, está agora em Viena e em seguida viajará para o Brasil. A vinda da companhia de Brook, sediada em Paris, foi possibilitada pelo Sesc de São Paulo e pela carioca RioArte. Sem o patrocínio dessas entidades, "não haveria a menor possibilidade de vermos esse Hamlet", afirma o produtor e diretor gaúcho Luciano Alabarse, responsável pelo sucesso das negociações que concretizaram a temporada da criação de Brook no Brasil.

Com elenco multirracial integrado por Emile Abossolo-Mbo, Lilo Baur, Rachid Djaïdani, Sotigui Kouyaté, Bruce Myers, William Nadylam, Véronique Sacri e Antonin Stably, esta Tragédie d´Hamlet retoma a produção inglesa que Brook fez do mesmo texto, com atuação elogiadíssima de Adrien Lester (que esteve no Brasil com a companhia Cheek by Jowl).

Estreado em 2000, Hamlet foi saudado por alguns críticos como uma espécie de ritual de passagem do encenador, sua cerimônia de fechamento do século e do milênio. O espetáculo que veremos, com 2 horas e 25 minutos de duração, é uma produção da CICT/Théâtre des Bouffes du Nord. Esse é o teatro ocupado por Brook desde 1974, quando o encenador inglês, já então considerado um dos maiores do século 20, trocou Londres por Paris, criou um projeto de investigação teatral e deu início a nova fase em sua carreira.

Sem limites - Até então, Brook já havia dirigido dezenas de montagens que fizeram época. Filho de russos, nascido na Inglaterra em 1925, Brook é figura de proa de uma geração que expandiu até a radicalidade os limites do espetáculo teatral. Para citar montagens suas que fizeram história, basta lembrar duas da fase londrina: Marat-Sade (1964), texto de Peter Weiss em que o diretor testou com sucesso idéias do "teatro da crueldade", do francês Antonin Artaud, e Sonho de uma Noite de Verão (1970), comédia de William Shakespeare na qual Brook fundiu o teatro com artes circenses, dando início a uma tendência cujos desdobramentos até hoje estamos testemunhando.

Na fase parisiense, criou produções que deixaram evidentes as novas fronteiras que explorava, transitando pela simplicidade, pelo foco absoluto no ator, e pela multirracialidade dos elencos. Mahabharata, Os Iks, O Homem Que, O Terno, A Tempestade estão entre essas realizações. Autor de vários filmes, entre eles Encontros com Homens Notáveis, O Senhor das Moscas, Mahabharata e Rei Lear, famoso também como diretor de óperas, artista admirado por atores referenciais do porte do japonês Yoshi Oida, Brook é ainda escritor, e registrou suas reflexões teatrais em O Teatro e Seu Espaço, O Ponto de Mudança, A Porta Aberta e Fios do Tempo, todos traduzidos no Brasil.

Esta é a segunda criação de Brook que Luciano Alabarse e sua empresa, a Mais Produções Artísticas, trazem ao Brasil. Há dois anos ele conseguiu levar, apenas para Porto Alegre, O Terno. Foi um feito considerável, que atraiu a atenção de toda a imprensa brasileira. Muita gente tentou trazer trabalhos de Brook para cá ao longo das últimas décadas. Uma das pessoas que mais lutaram para isso foi a empresária Ruth Escobar. Chegou a organizar a vinda de Brook em pessoa ao Brasil, há duas décadas, mas não conseguiu fazer com que uma das encenações do artista fosse vista aqui. O sucesso da empreitada de Alabarse deve ser creditado à boa agenda que criou trabalhando com a produção cultural, e especialmente teatral, no Rio Grande do Sul, onde dirigiu por vários anos o festival internacional Porto Alegre em Cena.

"Conheço a produtora de Brook", diz ele. "Chama-se Clara Bauer, e é argentina." Esse contato tornou menos complicadas as negociações com a companhia tanto no caso de O Terno, quanto agora, com Hamlet. "Depois que ela foi trabalhar com Brook", acrescenta Alabarse, "ficou mais fácil conversar com sua equipe." Segundo o produtor brasileiro, os integrantes da trupe de Brook "são tranqüilos e obsessivos. Todos educadíssimos, falam baixo, são muito gentis, têm uma aura zen-budista. Mas demonstram, sem exceção, uma obsessão magnífica pelo trabalho. São profissionais de altíssimo nível, sem qualquer dúvida". Há evidente rigor nas linhas pelas quais se pauta a equipe brookiana. Requerem da imprensa, por exemplo, que noticie os nomes dos atores por ordem alfabética de sobrenomes. Não há estrelas na turma.

Várias faces- A informação oficial é de que Peter Brook não acompanhará sua companhia na viagem ao Brasil. Mas Alabarse pensa que talvez isso possa mudar. "Ele tem muita vontade de voltar para cá, e nos últimos dias surgiu um sinal de que talvez venha com o grupo. Mas não há nada de certo nisso. Até onde sei, Brook não virá ao Brasil", diz. Esta não é a primeira vez que Brook monta Hamlet. Para ele, a peça permite uma redescoberta constante. "São facetas infinitas, como uma bola de cristal a girar no ar, mostrando a cada instante uma nova possibilidade", afirmou em entrevistas à imprensa européia.

Embora Porto Alegre tenha sido a primeira e até agora única cidade brasileira a ver uma produção de Brook, pois O Terno não passou por São Paulo nem pelo Rio, desta vez a capital gaúcha não receberá Hamlet. É uma produção cara, afirma Alabarse, com 18 pessoas na equipe, entre técnicos e artistas. E infelizmente não vamos poder mostrá-la em Porto Alegre por causa da questão financeira, mesmo. Sem patrocínio é impossível. Por isso, quero ressaltar o papel do Sesc e da RioArte, que estão dando esse presente ao público brasileiro.



25.5.02

Uma atriz brasileira batalhando no Japão

Se trabalhar aqui no Brasil já é aquela batalha, imaginem no Japão. E a autora de tamanha façanha é a atriz brasileira SONIA LUNNA, com um curriculo respeitavel,trabalhando no teatro e no cinema em Toquio. Reproduzo aqui na íntegra o que ela postou aqui no blog:
Oi Ruth. Oi gente.
Ruth, muito obrigada pela sua gentileza em oferecer esse maravilhoso espaço para a divulgação do meu trabalho. Viver no Japão não é fácil, ainda mais quando você se sente sozinha, querendo fazer teatro. Estou na batalha para levar um pouco de arte e cultura para a comunidade brasileira e apresentar um pouco da nossa safra artística ao povo japonês. Um tanto difícil, mas tenho colhido já alguns frutos.
Também tenho trabalhado com artistas de diversas nacionalidades, que também, como eu, têm lutado para levar um pouco de lazer e cultura para a comunidade internacional. Meu último trabalho foi a participação na produção americana CALIFORNIA SUITE, uma das mais bem escritas comédias de Neil Simon, patrocinada pela Coca-Cola e pelas embaixadas dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e India. Também estou envolvida na produção do filme STAY, com uma equipe australiana. Claro, a embaixada da Australia também entra como patrocinadora nesse filme australiano. Até agora estou esperando que a nossa embaixada tambem comece a dar uma olhadinha para a carência cultural e artística que a nossa comunidade brasileira está mergulhada e responda meus emails, meus fax e minhas cartas.

Será que um dia o Brasil vai ter coragem de mudar essa situação e dar ao nosso povo, as mínimas condições para que os artistas possam produzir arte??? Deviam lembrar que nós, produtores de arte, fazemos um bem enorme à população, porque a cultura que um povo tem, também se mede pelo seu prazer em apreciar a arte. É uma vergonha, muitos brasileiros que estão aqui no Japão, nunca foram assistir uma peça de teatro, nunca se preocuparam em ir, porque nunca aprenderam na escola, que povo desenvolvido é povo culto e bem informado. Continuo na luta e espero poder contar com o apoio da comunidade artística brasileira.

Se, por ocasião da Copa, ou por outra ocasião qualquer, alguém vier ao País do Sol Nascente, não deixe de visitar a CASA DO ATOR - a sua casa aqui no Japão. Não importa se você é ator, diretor, produtor, cineasta, bailarino, artista plástico, artista circense, escritor ou seja lá o que for. Venha tomar um chá e deixar a marca da sua passagem aqui na CASA.
Será um grande prazer e com certeza, será bom para todos nós.
Basta escrever antes e avisar que vem, nós poderemos arranjar alguma coisa para ser feita por aqui, e unir o útil ao agradável.
Abraços Dionísicos
Sonia Lunna
(Toquio, Japão)

-Sonia Lunna
-May 23 2002, 12:44 am # e-mail (sonialunna@casadoator.tv)
homepage http://www.casadoator.tv
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17.5.02

Maria Peregrina, em única apresentação dia 30 de maio

Este é um espetáculo que eu gostaria de poder assistir - pelo autor (sou fã dele desde "Vem buscar-me que ainda sou teu"), e pela concepção da direção do Claudio Mendel. Atenção pessoal de Sampa ou quem viaja e vai estar lá no dia 30 de maio, não perca Maria Peregrina.

Dia 30 de maio às 19h30, no Teatro Fernando Azevedo na Praça da República - Prédio da Secretaria de Educação, ÚNICA apresentação do espetáculo "MARIA PEREGRINA", texto inédito de Luís Alberto de Abreu com direção de Claudio Mendel A entrada é gratuita.

Claudio Mendel fala sobre a peça: "Três histórias distintas narram o universo
de Maria Peregrina. Conhecida como Nega do Saco ou Maria do Saco, Maria
Peregrina viveu mais de 20 anos nas ruas de Santana, um dos bairros mais
antigos de São José dos Campos. Após a sua morte, ocorrida em 1964, passou a ser considerada santa popular e, atualmente, faz parte do universo
folclórico da região do Vale do Paraíba.

A montagem reúne técnicas do teatro oriental e ocidental, mesclando a estrutura do teatro clássico japonês com a narrativa encontrada em Brecht e no teatro épico. Os artistas narram e vivenciam as histórias ao mesmo tempo, ora no passado (atores-narradores), ora no presente (personagens-narradores)".

Espetáculos em cartaz no Rio

Estréias da semana:

UM BONDE CHAMADO DESEJO Texto: Tennessee Williams. Direção: Cibele Forjaz. Com Leona Cavalli, Milhem Cortaz, Isabel Teixeira, João Signorelli e outros.

Depois de uma série de perdas, Blanche Dubois vai morar na casa de sua irmã e acaba vivendo uma relação neurótica com o cunhado, por quem sente atração e repulsa ao mesmo tempo.

Teatro Sesc-Copacabana: Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana — 2547-0156. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 10 e R$ 5. 120 minutos. Até 30 de junho

ISSO ASSIM ASSADO NO INFERNO Texto e direção: José Carvalho. Com Anna Wiltgen, Isabel Themudo, Joca D’ Avila e outros.

Cinco paranormais são contratadas pela polícia para desvendar uma série de assassinatos.

Sala Paraíso do Teatro Carlos Gomes: Praça Tiradentes s/n, Centro — 2232-8701. Qui a sáb, às 20h. Dom, às 18h. R$ 10.

Reestréia
DEU A LOUCA NO HAMLET Texto e direção: Cláudio Filiciano. Com o grupo Cabeça de Prata.

Um diretor estressado resolve montar “Hamlet”", de Shakespeare, sem patrocínio, o que gera enormes confusões.

Espaço Cultural Constituição: Rua da Constituição 34, Centro — 2242-3102. Qui, às 19h. R$ 10 e R$ 6 (terceira idade). 80 minutos.

Última semana em cartaz:

É... Texto: Millôr Fernandes. Direção: Camilo Áttila. Com Elizabeth Savalla, Otávio Augusto e outros.

Após 22 anos de casamento, um homem se apaixona por uma jovem com idade para ser sua filha.

Sala Baden Powell: Av. Nossa Senhora de Copacabana 360, Copacabana — 2548-0421. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 15. 90 minutos. Até 19 de maio.

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO Texto: José Saramago. Adaptação: Maria Adelaide Amaral. Direção: José Possi Neto. Com Maria Fernanda Cândido, Walderez de Barros, Paulo Goulart e outros.

Na peça, Deus discute com o Diabo a respeito do Bem e do Mal.

Teatro Villa-Lobos: Av. Princesa Isabel 440, Copacabana — 2541-6799. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 18h30m. R$ 30. 120 minutos.

NAVEGAR É PRECISO... Coletânea de textos. Supervisão: Eduardo Wotzik. Com Tony Correia.

Reunião de textos dos poetas Fernando Pessoa, Camões, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Participação da cantora de fados Maria Alcina.

Teatro do Leblon (Sala Marília Pêra): Rua Conde Bernadotte 26, Leblon (2294-0347). Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 25. 75 minutos.

Continuam em cartaz:

AS ARTIMANHAS DE SCAPINO Texto: Molière. Direção: Daniel Herz. Com a Cia. dos Atores de Laura.

O esperto Scapino cria uma trama mirabolante que permite aos jovens Leandro e Otávio se casarem com as moças que amam.

Teatro Miguel Falabella: Av. Dom Helder Câmara 5.332, 2 piso, Norte Shopping — 2595-8245. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 15. 90 minutos. Até 2 de junho.

BODAS DE OURO Texto e direção: Vicente Maiolino. Com Ida Gomes e Carlos Alberto.

Casal vê o sonho de uma velhice tranqüila ameaçado por um erro da previdência social.

Teatro do Centro Cultural Justiça Federal: Av. Rio Branco 241, Centro — 2510-8848. Qui a sáb, às 20h. Dom, às 19h. R$ 15. 60 min.


BONITINHA MAS ORDINÁRIA Texto: Nelson Rodrigues. Direção: Ivan Sugahara. Com a companhia teatral Os Dezequilibrados.

O público literalmente acompanha o dilema de Edgar pelos vários cômodos da Casa da Matriz. São só 15 espectadores por sessão.

Casa da Matriz: Rua Henrique Novaes 107, Botafogo — 2266-1014. Qui a sáb, às 20h. R$ 10. 120 minutos. Até 29 de junho.

CASA DE BONECA Texto: Henrik Ibsen. Direção: Bia Lessa. Com Betty Gofman, José Mayer, Júlia Lemertz, José Wilker e outros.

Filme-peça que conta a história de Nora, mulher que decide abandonar marido e filhos para mudar de vida.

Teatro 1 do Centro Cultural Banco do Brasil: Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a dom, às 19h. R$ 10. 100 min.

CÓCEGAS Direção: Aloísio de Abreu, Sura Berditchevsky, Luiz Carlos Tourinho, Régis Faria e Marcelo Saback. Texto e atuação: Heloísa Perissé e Ingrid Guimarães.

As duas atrizes continuam sua temporada de sucesso, encarnando suas hilariantes personagens.

Teatro das Artes: Shopping da Gávea, 2 piso. Rua Marquês de São Vicente 52, Gávea — 2540-6004. Qua a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 25 (qua e qui), R$ 30 (sex e dom) e R$ 35 (sábado). 100 minutos.

CONVERSA PRIVADA Direção: Beto Brown. Texto e atuação: O Grelo Falante.

A peça mostra o que as mulheres fazem e conversam na intimidade. Prepare-se: há número de platéia.

Teatro dos Grandes Atores (Sala Azul: Shopping Barra Square. Av. das Américas 3.555, Barra — 3325-1645. Qui a sáb, às 21h30m. Dom, às 20h30m. R$ 20 (qui), R$ 25 (sex e dom) e R$ 30 (sáb). 80 minutos.

A DIABÓLICA MOLL FLANDERS Adaptação e direção: Charles Möeller. Com Ary Fontoura, Leandro Ribeiro, Wilson de Santos e outros.

A história de uma mulher inescrupulosa que fez tudo para subir na vida.

Teatro dos Quatro: Shopping da Gávea, 2 piso. Rua Marquês de São Vicente 52, Gávea — 2274-9895. Qui a sáb, às 21h30m. Dom, às 20h. R$ 20 (qui), R$ 25 (sex e dom) e R$ 30 (sáb). 80 minutos. Até 28 de julho.

UMA DUPLA DE 2 Texto: Duda Ribeiro. Direção: Luiz Carlos Tourinho. Com Eduardo Galvão e Duda Ribeiro.

Sete esquetes cômicos retratam a mentalidade masculina.

Teatro Candido Mendes: Rua Joana Angélica 63, Ipanema — 2267-7295. Qui a sáb, às 21h30m. Dom, às 20h. R$ 15 (qui, sex e dom) e R$ 20 (sáb). 80 minutos. Até 30 de junho.

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO Texto: João das Neves. Direção: Marcelo Bonis. Com o grupo Trama.

Inspirada num conto do escritor João do Rio, a peça retrata as desventuras de um jovem que é discriminado por ser honesto.

Teatro Glaúcio Gill: Praça Cardeal Arcoverde s/n , Copacabana — 2547-7003. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 15. 80 minutos.

INTIMIDADES 2 Texto e direção: Aloisio de Abreu. Com Sylvia Bandeira, Betty Erthal e Fabio Pilar.

A montagem reúne quadros da primeira edição com outros novos.

Teatro Sesi: Av. Graça Aranha 1, Centro — 2563-4164. Qui, sex e dom, às 19h. Sáb, às 20h. R$ 10 (qui), R$ 15 (sex e dom) e R$ 20 (sáb). 60 minutos. Até 26 de maio.

UMA MULHER VESTIDA DE SOL Texto: Ariano Suassuna. Direção: Maira Jeannyse. Com Elísio Filho, João Feitosa e outros.

Tragédia nordestina que retrata uma batalha de morte entre pessoas da mesma família.

Rio Scenarium, Pavilhão da Cultura: Espaço Ariano Suassuna, 2 piso. Rua do Lavradio 20, Centro — 3852-5516. Qui a sáb, às 18h30m. R$ 10. 60 minutos. Até 1 de junho.

UMA MULHER PARA DOIS MARIDOS Texto e direção: Campana. Com Chaguinha, Ana Paula Mattos e Anderson Ribeiro.

Comédia sobre uma mulher bonita que acaba se envolvendo num triângulo amoroso.

Teatro Henriqueta Brieba: Rua Conde Bonfim 451, Tijuca — 2570-1012 ramal: 281. Qua e qui, às 19h. Sex, às 19h e 21h. R$ 10 (qua e qui) e R$ 15 (sex).

NAMORO Texto: Ílder Miranda Costa. Direção: Renato Castro Barbosa. Com Carem Daniela, Fernanda Zeeh e outros.

Comédia adolescente que retrata diferentes situações vividas por três irmãs com idades entre 14 e 18 anos.

Teatro Princesa Isabel: Av. Princesa Isabel 186, Copacabana — 2275-3346. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h30m. R$ 15. 60 minutos.

NOITES DO VIDIGAL Texto: Luís Paulo Corrêa e Castro. Direção: Guti Fraga e Fernando Mello da Costa. Com o grupo Nós do Morro.

A trágica história de amor entre Tião e Aparecida, mestre-sala e porta-bandeira da Escola de Samba Acadêmicos do Vidigal.

Teatro do Planetário/Maria Clara Machado: Rua Padre Leonel Franca 240, Gávea — 2274-7722. Qui, sex e sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 10. 75 minutos. Até 2 de junho.

A PRISÃO E O TEMPO Texto e direção: Bruno Rodrigues. Com Anna Stelman, Fernanda Fernandes, Gustavo Chermont e Ziza Fagundez.

Uma funcionária misteriosa induz o público a viagem fiolosófica.

Teatro do Museu da República: Rua do Catete 153, Catete — 2558-6350. Qua e qui, às 19h. R$ 10. 70 minutos. Até 26 de junho.

A PROVA Texto: David Auburn. Direção:Aderbal Freire-Filho. Com Andréa Beltrão, José de Abreu, Emilio de Mello e Gisele Froes.

Uma jovem mulher, filha de um gênio da matemática que acaba de morrer, decide estudar as teorias do pai.

Teatro do Leblon (Sala Fernanda Montenegro): Rua Conde Bernadotte 26, Leblon — 2274-3536. Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 25 (qui), R$ 30 (sex e dom) e R$ 35 (sáb). 100 minutos.

A REVOLTA DOS ANU'S... ACABOU EM NÁDEGAS Texto e Direção de Gugu Olimecha. Com André Rangel.

Comédia inspirada na fixação do brasileiros pelo “derrière” feminino.

Teatro América: Rua Campos Sales 118, Tijuca — 2567-1572. Qui, às 21h. Sex e sáb, às 21h30m. Dom, às 20h30m. R$ 15 (qui, sex e dom) e R$ 18 (sáb). 100 minutos.

SANTA TERESA DE ÁVILA: SETA DE FOGO Texto e direção de Ciro Barcelos. Com Carmen Del Rio, Roseane Milani e outros.

Musical inspirado nas poesias de Santa Teresa De Ávila.

Teatro Ipanema: Rua Prudente de Moraes 824, Ipanema — 2523-9794. Qui, sex e sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 15 (qui), R$ 20 (sex e dom) e R$ 25 (sáb). 70 minutos.

TANGO, BOLERO E CHÁ-CHÁ-CHÁ Texto: Eloy Araújo. Direção: Bibi Ferreira. Com Eduardo Martini, Maria Helena Dias e Leonardo Franco.

Dez anos depois de abandonar a mulher e o filho, homem reaparece assumindo sua condição de transexual.

Teatro dos Grandes Atores (Sala Vermelha): Shopping Barra Square. Av. das Américas 3.555, Barra — 3325-1645. Qui a sáb, às 21h30m. Dom, às 20h. R$ 20 (qui), R$ 25 (sex e dom) e R$ 30 (sáb). 100 minutos.

VARIAÇÕES ENIGMÁTICAS Texto Eric-Emmanuel Schmitt. Direção: José Possi Netto. Com Paulo Autran e Cecil Thiré.

O encontro entre um repórter e um escritor, vencedor do prêmio Nobel de Literatura, que vive isolado em uma ilha nos mares da Noruega.

Teatro Maison de France: Av. Presidente Antônio Carlos 58, Centro — 2262-7527. Qui e sex, às 19h30m. Sáb, às 21h. Dom, às 18h. R$ 25 (qui), R$ 30 (sex e dom) e R$ 35 (sáb). 90 minutos. Até 2 de junho.







Teatro de Anonimo faz e acontece na city

Depois de bombar na Serrinha, o Teatro de Anonimo foi agitar na Maré. Eles contam:
A Maré é realmente muito complexa . Não sei se podemos dizer que estivemos na Maré. Estivemos em parte dela, mais precisamente no Timbau e na Nova Holanda . Mas, com certeza, todo o Complexo com seus 120 mil habitantes, ficou sabendo da presença do Território Cultural. Derrubamos fronteiras e trincheiras armados de arte, alegria e fortes emoções. Uma batalha foi vencida, mas a guerra continua.

Agora vamos invadir a zona sul. A partir do próximo sábado estaremos no Vidigal. Cortejos , espetáculos e oficinas, para todos os sexos, religiões, faixas etárias. Tem pra todos, agradando geral.


















O meu blog pessoal, o Artimanhas, tá na mídia. Hoje aqui na coluna da Beta Correa no Caderno Internet do Jornal do Brasil. De maneiras que depois de tamanha distinção, não estou me cabendo, fico... fico besta.

4.5.02

Maratona de Contos

Gente, tá demais essa maratona ! Os melhores contadores e os melhores grupos de contação de histórias nacionais e internacionais estarão se revezando no palco, amanhã e domingo, das 9 às 21hs na BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO, à Av Presidente Vargas 1261 (perto da Central). Também será aberto um espaço para que o público presente também possa contar as suas histórias.

Sábado - 4 de maio
Mestre de Cerimônias - o mímico e ator Jiddu Saldanha.

9hs - Grupo Mil e Umas ( integrado pela Flavia Berton (oi Flavinha!), a Livia de Almeida, outros três ou quatro integrantes, é um dos grupos mais famosos e atuantes, com apresentações nacionais e internacionais; criador e organizador do I Festival Internacional de Contadores de Historias, em outubro/99, quando o meu grupo "Ao pé da fogueira" se apresentou no Espaço Aberto). É, eu tive um grupo de contadores de histórias. Foi muito bom, enquanto durou.

10hs - Daniela Chindler ( contadora de historias e produtora de eventos, criadora do " Manhãs de Histórias em Copacabana ", sabados e domingos no Glaucio Gil. O grupo "Ao pé da fogueira" fez bonito nesse evento, foi nesse evento que nos firmamos como grupo. Daniela foi a criadora de outro projeto de sucesso, a contação de histórias na Academia Brasileira de Letras).

10h30m- Grupo Abayomi (mulheres da Cooperativa Abayomi -- boneca negra sem cola ou costura. Elas se apresentam cantando e dançando ciranda, e no final acaba com o público numa roda de ciranda. Quem participou não esquece jamais. Uma celebração à vida e à arte).

11h - As Velhinhas de Santa Teresa (Ainda não vi, mas tenho as melhores referências. Uma das velhinhas, é o premiado --vários Mambembe de Melhor Ator- EMANUEL SANTOS que foi do Grupo Hombu).

12hs - Palco Aberto

13hs - Fátima Café ( famosa contadora de histórias, atriz e diretora teatral. Minha primeira professora de contação de histórias, e a quem devo algumas descobertas que influenciaram o meu estilo de contadora).

14hs- Priscila Camargo (atriz e contadora de histórias que vem se apresentando com sucesso no Brasil e em Portugal com o espetáculo "Boca a Boca" , tanto que já criou o "Boca a Boca II").

15hs- Joaquim de Paula (músico, cantador e contador da melhor qualidade, além de professor, escritor e arte-educador).

16hs - O misterioso rapto da flor do sereno com Renato Peres, Cecilia Lage e
Leo Alves
(não conheço o trabalho do grupo).

17hs - Grupo Repertório ( Maria Pompeu, Amaury de Lima e Marcia Bloch. Criado pela atriz, contadora e produtora Maria Pompeu, vem se apresentando com sucesso em multiplos espaços -- praças, igrejas, escolas, teatros, etc...)

18hs- Celso Sisto (um Mestre. Integra o Grupo Morandubetá desde a sua criação, além de contador e ator, escritor premiadíssimo e especialista em literatura infantil e juvenil).

19hs - Do pau-brasil a Oswaldo Cruz, é o cordel que vem à luz com Edmilson
Santini
(este eu não conheço, mas o título é bem sacado e merece conferir).

19h40m - Fernando Lébeis e Augusto Pessôa (Dois Mestres. Lébeis contando o mito da Ceyuci e o mito do Serpentario é inesquecível, e o Augusto, contando os contos do Artur Azevedo não tem pra mais ninguém. Tive o privilégio de ser aluna dos dois, na Casa de Leitura).

Domingo - 5 de maio
Mestre de Cerimônias - o mímico e ator Jiddu Saldanha

9hs - Cores, Cantos e Contos de Brasil com Rita Porto, Fáthima Rodrigues e
Renato Peres
(não conheço o grupo, mas conheço a Rita -- uma ótima atriz -- e este trabalho é o resultado de uma pesquisa do grupo).

10hs - Augusto Pessôa e Rodrigo Lima (onde tem o contador de histórias, ator, cenografo, figurinista e arte-educador Augusto Pessoa tem qualidade e divertimento garantido. O Rodrigo eu não conheço).

10h40m - Nelson Pimenta> (não tenho referências, sorry).

11hs- Sônia Travassos (idem, sorry).

12hs - Palco Aberto

13hs - Raquel Nader e Laerte Vargas (O Laerte é um ótimo contador -- contando cordel é um arraso -- e se não me engano foi do "Confabulando" e da Raquel tenho uma vaga lembrança).

14hs- Bia Bedran (uma das pioneiras dessa arte, conta, canta e encanta).

15hs- Grupo Confabulando ( formado pela Ana Creton, Maria Clara, Maria Ignês e Olívia Dornelles, um dos mais destacados e atuantes com apresentações em todo o País. Trabalha com a pesquisa de contos populares. O grupo publicou o livro "Contos como a gente conta"-Ed.Memórias Futuras).

16hs - Oswaldo Felipe(Espanha) e Márcio Moura (contos da tradição espanhola e Márcio, sorry, não tenho referências).

17hs - Yoshihira Hioki (Japão) e Maria Clara Cavalcanti (estou curiosa para ver a contação de japonês, e Maria Clara -- ótima contadora, integrante do grupo Confabulando, desde a sua fundação em 1995).

18hs- Jean Michel Hernandez (França) e Benita Prieto (a tradição francêsa e a ótima contadora de histórias Benita, integrante do Morandubetá, desde a sua fundação, especialista em literatura infantil e juvenil, além de organizadora deste evento. Ela é a minha referência primeira de contadora de histórias).

18h30m -Mano Melo (poeta, escritor e contador -- tem um repertório de contos porno/eroticos muito divertidos).

19hs - Horácio Santos (Cabo Verde) e Celso Sisto a dupla promete.

20hs - Diana Tarnofky (Argentina) e Eliana Yunes ( uma dupla respeitável -- a contadora argentina e a Eliana, integrante do Morandubetá, doutora em linguistica e em literatura portuguesa, criadora do PROLER e uma ótima contadora de Shakespeare. Inesquecível o espetáculo do Morandubetá, contando textos de Shakespeare no Teatro II do CCBB. Um grande momento do grupo, e especialmente da contadora de historias e atriz Eliana Yunes).