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4.9.03

Educação inclusiva e historinha esperta de uma mãe e professoras.

Trabalho com crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais na Fundação Lar Francisco de Paula - FUNLAR, como professora de expressão corporal contratada pela Fac. Escola Angel Vianna, e sei o avanço que significa a matricula compulsoria na rede regular de ensino. Apesar dessas conquistas significativas, ainda têm muitas etapas para serem vencidas, que vão desde o preconceito e a descriminação, ao despreparo completo do corpo docente.

A proposito, vale relatar aqui as peripécias da mãe de um aluno meu, adolescente, hoje com 14 anos, que vagou durante quatro anos sem conseguir matricular o seu filho. Ela só teve sucesso na empreitada, quando resolveu omitir no ato da matricula que o seu filho era deficiente. Foi assim que ela conseguiu matricular o seu filho numa escola pública do município. Foi descoberto pelas professoras no primeiro dia de aula, na maneira de andar e na linguagem resumida a gritos e repetições.

Esse fato chegou ao meu conhecimento através do prontuário desse aluno -- prontuário é onde se encontra todo o historico do aluno, desde a sua entrada na instituição. Lá estava relatado o depoimento das duas professoras que resolveram assumir o caso. Por razões óbvias não poderei citar o nome da escola e das professoras, mas são pessoas como elas que honram e dignificam a profissão. Copiei partes do relatorio onde elas contam a notável façanha. Eis o seu relato:

"Sua Mãe foi chamada, falou das várias terapias, sem precisar o diagnostico. Nosso trabalho foi baseado no ensaio-erro, uma vez que não dispunhamos de conhecimento para esse tipo de dificuldades, e nenhuma assessoria ou acompanhamento dos níveis intermediários. Ficavamos com ele, pegando sua mão e fazendo guardar os objetos que eram jogados no chão, repetindo: pegou-guardou. Ao final de vários "pegou-guardou", já guardava os brinquedos. Ele continúa a jogar as coisas, mas é só falar "pegou-guardou" e ele guarda.

Seu comportamento é hiper-ativo. Através do tatear algumas descobertas.
Começou a cantar músicas, repetindo a última silaba. Para ouvir histórias, alguém fica perto dele, acariciando-o levemente, e ele fica quieto. A princípio, era uma de nós que fazia isso, agora uma das crianças encarrega-se da atividade. Para ele permanecer sentado na cadeira ao merendar, é só colocar a mão no seu joelho, e ele fica.

Entramos em contato com o psicologo do João (nome fictício) que falou da importância da imposição de limites, e indicou bibliografia para consulta. Hoje, o
João é bem aceito pela turma que inclusive ajuda muito. Estamos felizes com os resultados obtidos e ansiamos por qualquer ajuda que permita que sejam melhores ainda".


Toque sutil

O que essas duas professoras não sabiam ao tocar levemente o João, era o fato de que elas estavam usando uma técnica corporal sofisticadíssima: o toque sutil -- da alemã Gerda Alexander. Essa técnica era relegada a um segundo ou terceiro plano, até o dia em que eu resolvi testar com um aluno hiper-ativo como no caso do João. A partir desse dia a eutonia da Gerda Alexander passou a ser uma das técnicas corporais mais utilizadas por mim.



Aqui é uma aula individual da Monica, nossa ex-colega do Nucleo Angel Vianna, na FUNLAR. A foto mostra uma parte da nossa sala. Na parede oposta estão os espelhos e as outras barras.

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