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9.12.06


Fotos de ontem do Anjos do Picadeiro 5. O Teatro de Anonimo, os donos da festa. Regina, no ar no numero aéreo com a Angelica.

Mestre Moshe Cohen e o Rick do LUME

Final do espetáculo de gala, com todos os participantes.


8.12.06




Grupo NAMAKACA hoje ao meio dia no Largo da Carioca

É na makaca! É na makaca ! É na makaca!
O grupo circense NAMAKACA, de São Paulo, é a primeira vez que se apresenta no Anjos do Picadeiro. Nunca tinha ouvido falar deles. Fui conferir noLargo da Carioca hoje ao meio dia e fiquei fã deles para todo sempre.
São competentíssimos, entendem do seu métier como ninguém e o povo que não é bobo e sabe das coisas, soube que ali ia rolar ... e tanto que a Cinelandia parou - literalmente - num solaço de quarenta e tantos graus para ver e aplaudir esses três meninos maravilhosos.
Falo mais deles depois. Não sei quasi nada deles, preciso pesquisar sobre eles.
Agora estou indo para o Teatro Nelson Rodrigues para ver o espetáculo do Mestre MOSHE COHEN - bien sûr - da palhaça americana Hilary Chaptain, e do grupo Centro Teatral ETC e Tal.
E mais tarde, o espetáculo de gala com o Anonimo, o LUME, La Mínima e o Mestre Colombaioni. A noite promete.

7.12.06


Mestre Moshe Cohen

Eu fiz a oficina dele. Um Mestre na melhor acepção dessa palavra. O mestre faz acontecer. Clowns, aspirantes a clowns, bailarinos, atores, a oficina chegou em todos. Hoje, no ultimo dia, altas emoções rolando entre alunos e o mestre.
Mudei o foco da busca pela minha expressão artística, depois dessa oficina. E vou falar muito disso. Me aguardem.

MOSHE COHEN: estudou primeiramente com Kazuo Ohno em seu workshop em Yokohama como parte de uma bolsa de estudos de Bunka Cho, ministro da cultura do Japão em 1994. Ele continuou a explorar o butoh tanto com Ohno-sensei como com Hiroko Tamano em Berkeley, Califórnia, até o ano 2000. Moshe continua a investigar e a integrar o estilo de butoh de Ohno ao seu trabalho de clown.
Verônica Tamaoki, criou um b l o g especial para Anjos do Picadeiro 5, com os comentários diários de tudo o que está acontecendo no festival. Essa blogueira promete...

6.12.06

Encontro Internacional de Palhaços no Rio de Janeiro

O Anjos do Picadeiro, um dos mais importantes festivais da arte circense realizados no mundo, criado, produzido, bancado, suado pela intrépida turma do grupo Teatro de Anonimo do Rio de Janeiro, está completando 10 anos de atividades ininterruptas, tendo como tema A Diversidade Comica.

Acompanho esse festival desde a sua primeira edição modestíssima, no Teatro Carlos Gomes. Depois a segunda na capital paulista, e no interior, em São José do Rio Preto, em 1998. À essa época, eu iniciava os meus estudos das técnicas de clown com o saudoso Mestre Dacio Lima, que também foi a São José do Rio Preto, acompanhado dois alunos. Quem conheceu o Mestre sabe do tamanho dessa distinção.

A 5ª edição do Anjos do Picadeiro, desse festival que se realiza de dois em dois anos, começou nessa segunda e vai até domingo, dia 10 de dezembro com a apresentação de espetáculos nos Teatros Nelson Rodrigues, Teatro de Arena da Caixa, Armazém Teatro, Condominio Cultural, na Fundição Progresso - Espaço Teatro de Anônimo, e os espetáculos de rua que acontecem na Central do Brasil, Largo da Carioca, Largo de São Francisco, e Praça XV.
Na segunda teve espetáculo á tarde em São Gonçalo e uma outra extensão do festival na CUFA - Cidade de Deus.
" Durante 7 dias os participantes vão desfrutar de oficinas, espetáculos, exibição de filmes, debates, shows e troca, muita troca. A intenção é promover o escambo entre palhaços tradicionais de circo, cômicos, palhaços de rua, índios, doutores palhaços, palhaços de folia, palhaço-butoh, bufões, enfim...um encontro feito por palhaços e para os palhaços. Este é um espaço de reciclagem, intercâmbio, qualificação e requalificação profissional."

Palhaço-butoh é o meu lance...
Sorry, mas eu tenho o privilégio de estar participando da oficina do Mestre MOSHE COHEN, técnicas de clown com butô. Depois da oficina com o mestre de butô Tadashi Endo, na CAL, no mês passado, essa técnica é tudo o que eu queria aprender na busca da minha expressão artística. Bom demais. Depois eu conto mais.

5.12.06


Fui à Festa de entrega do Prêmio Eletrobras de Teatro, ontem, no Copacabana Palace. Na foto, Marieta Severo, o presidente da Eletrobras, alegre e faceiro com a mão no ombro da Marieta, o Ministro das Minas e Energia, os atores da peça etc. e tal. O grande ausente foi o Aderbal que não poude comparecer "por estar trabalhando", disse a Marieta. O Estadão dá em primeiríssima mão,(hoje) e o blog em primeira.
Jorginho de Carvalho, o grande homenageado

Eu não costumo ir a essas festas de traje a rigor, costume completo e que tais, de entregas de premios e coisas do gênero - cheiram a naftalina, e l'ambience ne me plaît pas.
Mas a festa, ontem foi especial. Fiquei muito feliz com as homenagens prestadas aos veteranos de teatro, especialmente pelo Jorginho de Carvalho o mestre dos mestres da iluminação.
Nos anos oitenta e noventa, Jorginho também dirigiu com talento e competencia vários espetáculos para adultos, adolescentes (a antologica montagem Porcos com Asas)e crianças, com o grupo Mixirico O leiteiro e a menina noite do João das Neves, e um espetáculo para crianças que ganhou oito indicações para Prêmio Mambembe e o Prêmio de Melhor Ator para Emanuel Santos: a adaptação do poema de Carlos Drummond de Andrade, O Elefante, do qual esta blogueira teve o privilegio de participar como atriz.

A Bárbara Stella, atriz do nosso grupo Mixirico, mandou beleza hoje lá na minha página do orkut: nós sabemos quantas pessoas ele iniciou na arte de pintar quadros efêmeros - que é a iluminação teatral: Ivan, Neném, Aurélio, Maneco, Kari, etc... Acho que ele está para a iluminação teatral no Brasil como a Aurora Boreal para as outras auroras. A boreal é primordial e absoluta.

Prêmio Eletrobrás de Teatro/2006, os premiados:
Peça: Púcaro Búlgaro
Atriz: Marília Pêra (Mademoiselle Chanel)
Ator: Gillrray Coutinho (O Púcaro Búlgaro)
Autor: Daniela Pereira de Carvalho, pelo texto "Não Existem
Níveis Seguros para Consumo Destas Substâncias";
Diretor: Aderbal Freire-Filho (O Púcaro Búlgaro)
Cenário: Paulo Moraes e Carla Berri (Toda Nudez Será Castigada)
Figurino: Rita Murtinho (Toda Nudez Será Castigada)
Iluminação: Maneco Quindaré (Toda Nudez Será Castigada)
Prêmio especial: Hélio Eichbauer, por seus 40 anos de carreira

21.11.06


O guri da foto é o marchand Renato Rosa

Festejando a vida e a arte

O prestigiado e respeitado marchand gaúcho Renato Rosa, comemora os seus bem vividos sessenta anos, organizando uma coletiva de 28 artistas, com o sugestivo título VISÃO 6.0, que abre hoje na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.

Renato Rosa, querido amigo desde os meus tempos de estudante de teatro no Instituto de Arte Dramática da UFRGS, e um dos integrantes do Cacho (grupo de jovens estudantes da UFRGS, que nos anos sessenta agitou todas na city) mora atualmente no Rio, e trabalha aqui na Bolsa de Arte, em Ipanema.

A Zero Hora de hoje dedicou várias páginas ao evento, e numa entrevista à Joana Saraiva ele afirma que Visão 6.0 é uma forma de recontar um pedaço de sua história. O revival começa com uma pintura do recém-falecido Henrique Fuhro, primeiro artista com o qual Rosa trabalhou, e segue com outros tantos nomes. Fragmentos de textos de Lya Luft, Ivo Bender e Walmir Ayala, nas paredes, traduzem angústias e dúvidas do homem das artes aos 60 anos e, de alguma forma, ilustram também algumas das obras. A relação da exposição - que traz trabalhos em pintura, gravura, objeto e fotografia - com seu título não é um mero acaso.
- São artistas e obras que batem com a minha visão de mundo, são coisas que eu gosto - define Rosa.

5.11.06


Cena de "O sonho de Andersen", espetáculo do Odin Teatret
Odin Teatret Festival
Até o dia 27 de novembro, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta um dos mais importantes grupos de teatro contemporâneo do mundo o Odin Teatret, com 42 anos de atividades ininterruptas, fundado em Oslo, na Noruega, em 1964, por Eugenio Barba. O grupo está no Rio para uma série de eventos intitulada Odin Teatret Festival, que inclui cinco espetáculos, seis demonstrações de trabalho, conferências, três workshops e 11 mostras de vídeo.
Criado e dirigido por Eugenio Barba, um dos maiores pesquisadores e diretores de teatro em atividade no mundo, o Odin Teatret ocupa um lugar de relevância não só pela sua produção teatral, mas também pelos métodos de trabalho, fundamentos da ISTA - International School of Theatre Anthopology, criada em 1979 pelo diretor.

O Sonho de Andersen espetáculo inédito nas Américas
Uma das maiores atrações do Festival Odin é o espetáculo O Sonho de Andersen,a mais recente montagem teatral do grupo, estreiado em 1994, e que está sendo apresentado pela primeira vez nas Américas.
A peça é falada em cinco idiomas (dinamarquês, inglês, espanhol, italiano e português) e traz os 14 atores do grupo em cena, e está em cartaz até a próxima sexta-feira, dia 10, na Casa França Brasi/
As 11 toneladas do cenário do espetáculo, só caberiam no espaço cênico da amplitude da Casa França Brasil. Os outros espetáculos serão apresentados nos Teatros I, e III do CCBB.
Os ingressos estão esgotados, mas tem uma cota diaria de vinte e dois ingressos colocados à venda na bilheteria do CCBB para o mesmo dia, desde as 10 hs. da manhã. Mas é bom ficar esperto e madrugar.
Na quinta feira, eu cheguei as nove da manhã para comprar ingresso para a demonstração de "Ecos do Silencio" com a atriz Julia Varley, e quasi fiquei de fora da festa. Tinha gente desde as seis e meia da madrugada, na fila para comprar ingressos da cota para o mesmo dia e para as demonstrações.
Eventos gratuitos com distribuição de senhas, uma hora antes.
Mostra de vídeos , de 01/11/2006 a 26/11/2006 sempre às 16:00 hs.
Palestra de Eugenio Barba dia 04/11/2006 às 14:00
Conferencia s com Lluís Masgrau de 31 a 3 das 18 às20hs;

Espetaculos
Sonho de Andersen , de 01/11/2006 a10 /11/2006 às 20:30 na Casa França Brasil
Judith , monologo da atriz Roberta Carreri dias 12, 15, 16, 17 e 18/11 sempre às 19 hs. Teatro III do CCBB
Itsi-Bitsi , com a atriz Iben Nagel Rasmussen, Kai Bertholt e Jan Ferslev
de 16/11/2006 a 19/11/2006 sempre às 19:00 Teatro I do CCBB
Branca como o Jasmin , com a atriz Iben Nagel Rasmussen de 22/11/2006 a 23/11/2006 sempre às 19:00 Teatro I do CCBB
Sal , com Roberta Carreri e Jan Ferslev de 23/11/2006 a 25/11/2006 às 19:00 Teatro III CCBB

Demonstrações de Trabalho no Teatro I do CCBB
O Eco do Silêncio , dia 02/11/2006 às 10:30
Os Caminhos do Pensamento , dia 03/11/2006 às 10:30
Irmão Morto , dia 04/11/2006 às 10:30
O Diálogo entre Dois Irmãos , dia 05/11/2006 às 10:30
O Tapete Voador , dia 08/11/2006 às 10:30
Carta ao Vento , dia 11/11/2006 às 19,00 hs.

Workshops - vagas limitadas (Inscrições encerradas)
Torgeir Wenthal , de 10/11/2006 a 12/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.
Torgeir Wenthal e Jann Ferslev , de 15/11/2006 a 17/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.
Roberta Carreri - A Dança das Intenções , de 26/11/2006 a 28/11/2006 de 10:00 às 14,00 hs.

4.11.06


A Pedra do Reino, adaptado do texto de Ariano Suassuna, por Antunes Filho.
A Pedra do Reino, em abril, aqui no Rio
A Pedra do Reino, em cartaz no SESC Consolação, Rua Dr. Vila Nova, 245 Tel. 011/3234-3000, grande sucesso de publico e crítica, virá ao Rio em abril do próximo ano, segundo a CAL, disse Antunes respondendo a perguntas da platéia. Espetáculo absolutamente imperdível, fica em cartaz até o dia 17 de dezembro. Os ingressos esgotam rapidamente, nas bilheterias do SESC.
Quando estive lá estavam esgotados, mas eu conseguí através de um ator do espetáculo, o Geraldo Mário, mais conhecido como Geraldinho tel. 9413 - 0967. Dica esperta da blog com o consentimento do Geraldinho. Podem telefonar sem susto.

A Pedra do Reino, é um espetáculo inspirado no Romance d'A Pedra do Reino de Ariano Suassuna, adaptado e dirigido por Antunes Filho - um projeto acalentado há mais de vinte anos pelo diretor. Lançado em 1971, o romance A Pedra do Reino segue o espírito do Movimento Armorial, criado pelo próprio Suassuna . A ação da peça se passa durante a ditadura do Estado Novo no País, em 1937, mas salta de forma livre no tempo. Bem de acôrdo com as idéias de tempo explanadas por Antunes no debate do CCBB, comentado aí em cima nesse blog
Ví quase todos os trabalhos de Antunes, mas esse é um dos mais belos e surpreendentes espetáculos que eu vi do diretor. Vou ler A Pedra do Reino até abril. Em alguns momentos, lembra muito Macunaíma. O espetáculo não tem cenário, mas a beleza das manifestações culturais populares está no colorido das bandeiras das cavalhadas, dos bois de reisados, na música especialmente composta e instrumentos tocados pelos próprios atores, um elenco afinadíssimo, num espetáculo marcadamente brasileiro.


Fotos do Antunes Filho no final do debate. Cliquei o pulo final, na foto aí em cima.
Momentos Decisivos do Teatro Brasileiro
Uma série de debates "Momentos decisivos do teatro brasileiro" aconteceu no CCBB do Rio, durante todas terças feiras de outubro. Um momento decisivo foi relembrado, analisado por personalidades que o vivenciaram. Barbara Heliodora falou sobre Vestido de Noiva; Nicette Bruno falou de Dulcina; Walmor Chagas do TBC; o Boal do Arena e Oficina; Antunes Filho de Macunaíma e encerrando os cinco encontros, o Hamilton Vaz Pereira falando do Asdrubal e a Influência no Teatro Contemporâneo. Só assistí aos dois últimos.

A performace corporal e vocal de Antunes Filho

E com vocês o maior diretor do mundo, assim foi anunciado pelo mediador do debate, a entrada do diretor Antunes Filho, no palco do Teatro I do CCBB. Contrariando a expectativa, ele desceu e se colocou de costas para o palco, em pé no corredor entre a primeira fila da platéia e o palco, por onde circulou muito á vontade durante quase duas horas.

O público que superlotava o Teatro I do CCBB assistiu uma surpreendamental performance corporal e vocal do diretor de Macunaíma. E a platéia, composta na sua maioria por jovens, atores e estudantes de teatro, e alguns atores nem tão jovens, (gente que eu não via há um tempão), intelectuais e mais o público curioso que circula pelo CCBB.

Nesse tempo que durou o debate, ele conseguiu reduzir idéias altamente sofisticadas das suas pesquisas no CPT aos termos mais cotidianos, utilizando outras referencias de comunicação, com o auxílio de sua expressão corporal e vocal, como giros de corpo, torções, saltos, pulos alternados com vozes e gestuais inusitados.

Intelectuais presentes, como a diretora teatral Ana Maria Taborda e a atriz e antropologa Solange Padilha preocupadas com o bom entendimento das idéias colocadas assim, digamos de forma tão inusitada, pedem um aparte, complementando a explanação do diretor. E entre agradecido e divertido, ele diz: mas é isso... isso mesmo, muito obrigado. E continúa no mesmo tom. Quem entendeu, entendeu. E quem não entendeu, entendesse...

Falando sobre a sua técnica de ressonância, ele diz: A ressonancia não deu certo nesse País por causa do trabalho de corpo e mais as condições teóricas que exige, e a seguir ilustra a sua teoria da ressoncia com movimentos do tronco e emite sons próximos aos de uma galinha cacarejando, entre outros sons muito estranhos.

Um ator, um clown, um bufão, tudo ali ao mesmo tempo agora.

E a performance continúa com muitas divagaçõses sobre espaço e tempo cósmico: O tempo é um só. O dia de ontem talvez seja amanhã. Será que eu lembrarei de mim daqui há 3000 anos?
Esse relogio aqui (apontando para o seu relógio) eu uso no tempo que eu quiser, onde eu quiser.
Encarnar um personagem é caso clínico. Tudo está lá dentro. Você é o todo. Nós somos uno. Eu represento o Bush eu não sou o Bush, embora no fundo eu seja também um pouco do Bush em outra dimensão.


Outras inesperadas peformances, mais divagações e uma demonstração prática sobre a teoria da realidade desdobrada. Pegou uma colherzinha de pau e pingou uma gota de um líquido e colocou num recipiente pequeno e girou, girou e girou para um lado, e depois voltou a girar muitas vezes em sentido contrario, voltando à posição inicial, diz enfático: Isto é a realidade desdobrada. Todas as dimensões devem estar aqui.
E a platéia boquiabrindo e boquifechando, como diria o Milor, num mixto de espanto e admiração.
O que me assusta é a alienação de todos nós. Vivemos alienados do nosso verdadeiro eu que é o todo.

Dito isso, dá por encerrado o debate, e finaliza com mais pulos, saltos, giros e contorções, e, mudando o tom de voz e a expressão corporal, pergunta com a maior singeleza: Será que eu correspondí pra vocês?. É aplaudido de pé.

Nem só de aplausos...
Nunca tinha assistido nenhum debate, aula, conferencia ou coisa que o valha do diretor Antunes Filho. A única vez que eu o ví em público, foi final dos anos 80 numa entrega do Prêmio Mabembe, em São Paulo, quando ele foi vaiado pela classe teatral ao receber o prêmio, mas subiu e desceu do palco abaixo de vaias e xingamentos como se nada de anormal estivesse acontecendo. Foi demais.
Antunes, para mim, está entre os cinco melhores diretores do mundo, ao lado dePeter Brook, Ariane Mnouchkine, Peter Stein e Bob Wilson. Já postei sobre isso aqui nesse blog.
Mas depois desse debate, eu não sei dizer se eu gostaria de trabalhar com ele. Eu não sei se eu sobreviveria nessa utopia (até rimou! rs)

Antunes Filho e Macunaíma
Macunaima mudou a vida do diretor Antunes Filho, vindo do TBC, onde trabalhou como assistente de direção de Ziembinski e Adolfo Celi. Macunaíma foi a primeira grande ruptura na carreira do diretor, até então com uma bem sucedida trajetoria no teatro comercial, seus atores eram premiados Eva Vilma e Raul Cortez, entre outros. E o Manuel Carlos (o autor de Paginas da Vida) também trabalhou com Antunes na sua época de teatro amador.
Um dia percebí que o teatro comercial era bom, mas não me satisfazia espiritualmente. Então eu disse: Basta! Vou fazer outra coisa, vou me dedicar aos jovens, quero um teatro que valha a pena, que tenha um sentido espiritual. Tudo o que eu estava fazendo não tinha nenhuma coerência. Era bom, mas não era isso.Foi aí que começou Macunaíma, lembra Antunes no programa do CCBB.

22.10.06


Cicloviaérea - bicicleta e palha. Da Baixada Fluminense para a Bienal, JARBAS LOPES, morador de Nova Iguaçu, onde nasceu em 1964. O livro Guia da Bienal( o catalogo ainda não estava pronto), não traz maiores informações sobre o artista, além de uma rápida entrevista (pag. 194) sobre suas intervenções públicas com fortes conotações socio-politicas, diz ele, "... seria muito bom ter todas as crianças na rua, as que estão soltas hoje dividiriam essa liberdade com as que estão presas e entretidas com as coisas do comércio, todas elas circulando mais livres garantiriam uma verdadeira intrvenção social".



Instalação da artista mineira LAURA LIMA. São vestimentas de plastico que ninguém usaria no seu dia-a-dia, mas de um efeito muito teatral. Não resistí. Bien-sûr c'est moi dans la photographie.

Sala de exposição das roupas da DASPU, da ong Davida do Rio de Janeiro, trazidas para esta BIENAL pelo artista TADEJ POGACAR dentro do projeto Code.Red. Esse projeto enfoca a auto-organização das minorias urbanas marginalizadas e o tráfico global.

Nessas duas áreas, o Brasil possui uma história significativa e tem uma posição importante. Até mesmo em alguns países da União Européia as mulheres brasileiras assumem um papel de liderança como ativistas dos direitos civís dos trabalhadores do sexo, diz o Tadej Popagar.

O projeto CODE.RED já assumiu diferentes formas e linhas de ação em cidades como Tirana, Zagreb, Nova York, Bancoc. Esse projeto tem uma estrutura conceitual, numa instituição paralela, o P.A.R.A.S.I.T.E. Museum of Contempoprary Art criado em 1993 pelo Tadej Pogacar, "nascido em 1960, em Ljubljana, vive em Ljubljana", como
diz no livro Guia da Bienal. E eu confesso aqui não saber que país é esse.
Fonte: Guia da 27a.Bienal de São Paulo - pag. 232.

UPDATE: Esse blog recebeu a gentil colaboração da artista visual ANDRÉIA TEIXEIRA, que nos informou que fica na CROÁCIA, a cidade de Ljubljana. Valeu Andréia.

20.10.06




Uma das obras mais instigantes é esta instalação com madeira, papelão, plastico, pregos, martelos, lanternas, videos e megafones, entre outros materiais, e mais livros gigantes de quatro filosofos (Deleuze, Bataille, Gramsci e Spinoza) e fotos de mutilados, é do suiço THOMAS IRSCHHORN, intitulada Restore now.
Filas imensas, seguranças controlando rigorosamente a entrada de vinte em vinte pessoas, proibida para crianças.
Na quinta feira passada, dia 12 de outubro, a Bienal foi uma grande festa para a criançada, mas barrada nessa instalação, deu a maior trabalheira aos pais e esses aos seguranças que tentavam explicar o porquê da proibição aos mais estressados.
No cartaz afixado na entrada lia-se com esta obra o artista quer restabelecer a esperança, a fé, amor e paz.

Sala de gravidade do artista polonês JAROSLAW KOZLOWSKI, pioneiro da arte conceitual na Polonia. "Suas instalaçõesprocuram mostrar a interdependencia entre espaço e desenhos", assim diz o cartaz explicativo na entrada da sala.



Outra colagem fotografica que fez parte de uma exposição de Miralda, nesse ano,
em Havana, dentro do projeto Sabores y Lenguas.

Num passa fome, foi a mensagem desse colaborador anonimo no Projeto Sabores Y Lenguas, em São Paulo. E outro deixou um recado ecologico colocando um regador de plantas.

Colagem fotografica de Antoni Miralba. Essa é uma instalação dentro de uma geladeira,
e as latinhas de Coca têm Jesus no nome, e fez parte da exposição Topografia Culinária Urbana, nesse ano, em Havana.





Sabores y Lenguas" de ANTONI MIRALBA, Barcelona, 1942. Vive e trabalha em Barcelona e Miami, e esse é um projeto em processo, itinerante e coletivo inspirado na Cultura da Comida de diversos povos, "investigar , coletar,documentar,estabelecer as conexões entre a comida e a cultura" diz lá o cartaz dessa exposição.
Em agosto, num evento em São Paulo, distribuiu pratos ao público que foi convidado a decorá-los com suas próprias idéias. E o resultado está exposto aqui na 27a. Bienal.
Estão expostos aqui outros trabalhos do Projeto Sabores y Lenguas, já executado em
várias cidades da América Latina. Os trabalhos, no final, irão integrar o Miralda - Food Culture Museum, criado em 2002, pelo artista.

Desculpem, mas não acho aqui nos meus apontamentos o nome do artista. Voilà.Je reviens.
UPDATEEsse blog recebeu a visita e a gentil colaboração da ELLEN AMARAL, que deixou o seguinte comentário aqui: "Esta obra é do Jaroslaw também (foi encomendada para essa bienal), a sala sem gravidade ao lado é a pesquisa mais perene do artista...
Valeu, Ellen.




Nos vãos do prédio da Bienal, projetado por Oscar Niemeyer, o balão que faz o maior sucesso com adultos e crianças. Fiquei na fila um tempão nos dois dias, e não conseguí entrar no balão. A instalação é do argentino TOMAS SARACENO que vive trabalha em Frankfurt, Alemanha.


Cidade de açucar do artista africano,nascido em Cotonou, Benin, 1961, MESCHAC GABA, que vive e trabalha em Amsterdam. Esse trabalho foi concebido durante uma estadia aqui no nosso País, em Recife, todo feito de açucar, como uma metáfora do afeto.


Do artista baiano que já expôs no Beaubourg, em Paris, MAREPE que vive e trabalha em Santo Antonio de Jesus, cidade onde nasceu em 1970, os guarda-chuvas e as desemboladeiras - uma mistura das palavras desempoladeira - ferramenta usada nas construções em acabamentos de paredes e pisos, e embolada, uma canção nordestina cantada de improviso, repetindo uma mesma sequência ritmica.
E guarda-chuvas são abrigos e um está abrigando o outro. A primeira imagem que eu vi foi de pessoas saindo do trabalho de bicicleta num dia de chuva. São bonitos os guarda-chuvasse deslocando. O gancho é um símbolo forte, e há o pêndulo segurando todos eles, tentando um equilíbrio, uma justiça.
Fonte: Guia da 27a. Bienal de São Paulo, página 156 e Material Educativo da 27a. Bienal, pagina 66.

DE BUTÔ MA A BIENAL
Esta escriba foi para São Paulo na semana passada, ver um espetáculo de butô "MA" no Teatro do SESC de Santo André, sabado e domingo, com o Mestre Tadashi Endo - bailarino de butô, coreografo e diretor do MAMU Butoh Center, em Göttingen, Alemanha. O Mestre esteve no Rio dando um workshop na CAL para atores e bailarinos, e do qual eu tive o privilégio de participar. Sobre o Mestre, o workshop e o espetáculo (vi nos dois dias, as duas únicas apresentações e tô chapada até hoje com esse raro presente), falarei em outras postagens aqui neste blog.
Estando em Sampa, fui à 27a. Bienal de São Paulo, na quinta e sexta da semana passada. Mal deu para visitar os três pavimentos. O que mais eu gostei fotografei e vou postar aqui para o nosso deleite.

30.8.06


"Nada contra nada", Pedro II no CEP 20.000

Poeta Chacal em altas performances
Altas celebrações pelos 16 do CEP 20.000

Ontem, o Teatro Sergio Porto, no Humaitá - Rio de Janeiro, viveu uma noite historica e das mais significativas da arte e da cultura desse nosso País. O movimento artístico cultural denominado CEP 20.000, que surgiu no início de 1990, criado por uma intrepida turma liderada pelo poeta Chacal, bradava retumbante a chegada a los 16.
E esta escriba, sem palavras próprias para descrever tamanha façanha, passa a dita a quem de competência e direito - o Poeta Chacal.


16 anos essa noite

ah ... o cep dos 16 anos. completamente inesquecível. me lembrou muito o primeiro. em 1990, chovia. não havia notinha no jornal. eu quase achei que não ia ter. deu 10 da noite, lotado. ontem o filme passou de novo. 16 anos depois. choveu a manhã toda. frio e vento. pensava com minhas abotoaduras: bem, as árvores estão felizes. o jardim botânico sacia sua sede. deu 6 da tarde, chovia legal. a abertura do cep de aniversário com a querida turma do Pedro II, estava meia bomba. pouca gente mas um clima bem maneiro. abriu com o Gabriel mandão um texto quase longo. ele tem estilo e vai. depois as mina: carol e romã mandando machado de assis, numa cena bela: a agulha e a linha. pensar em machado a cento e tal anos atrás sendo falado por aquelas duas excelências. bem aí entrou para acabar com a farra, o ?nada contra nada?. foi pancadaria pra todo lado. no meio, o ernesto mandou de sopetão, um tremendo texto do augusto dos anjos. bem, o pedro II com mestra silvana delirando na platéia, disse ao que veio e muito me satisfez. aí o bicho foi pegando. as doidivinas barbarizaram. uns riffs de flavinha coury na guitarra me lembrando stones. e as mais gente-finas pernas grossas do rock carioca. depois veio qinho cantando ?meu cachorro paraíba? do waly e macalé. qinho é um jorge pra lá do bem. na ausência sentida de omar salomão, freddy ribeiro mandou no universo poemático de waly, sobrevoando a tudo. evoé, capitão. e o cep enchendo. quando a sessão ?dignossauros? começou com ?os outros?, a festa já estava a pleno vapor. vitor, botika, palhaço, papel subiram ao palco, a galera veio junto. e sorveu cada acorde e delirou com as cordas vocais do excelente crooner da banda: o verdadeiro boticário, aquele que comeu uma sereia no aquário. vitor e ele comemorando os 16 do cep a rigor. eles, legítimos representantes da terceira geração do cep, assim como amigo domingos, pulando no meio da galera. depois os antiquados chacal e mimi lessa fazendo um stones amalucado. dignossauros. chacal, emocionado, esqueceu
uma letra aqui outra ali. entrou a turma da pesada: maurição, carluxo, nietzche, priscila e maristela. o público em pé, sorvendo cada palavra. tavinho e brandão brandindo armas alhures mataram aula na modern sound. foi quando entrou o dado e o sergio porto teve uma das maiores voltagens de performance poética dos últimos anos. dado é fundador, onde o cep se baseia. boato a toda prova, dado demonstrou o grande poeta e performer que sempre foi. fez um texto inacreditável de bom. ?o que eu estou fazendo aqui?? berrou lá pelas tantas. e me condecorou com um adesivo do tricolor Lenny. muito agradecido dado. foi inesquecível aquela noite. quando começou a sessão ?achados e pedidos?, o sérgio porto era onda total. a rapaziada toda: zerbini, tantão, nervoso, pedro lage. os amigos. meu filho júlio. meus sobrinhos paulo e inês. a galera sangue bom do pedro II. e todos dançaram com o Flu, esse cara, essa trigonometria ambulante, acompanhado de marcelo callado e benjão. o sérgio porto entrou em alfa ao funk severo de Flu cantando ?freedom?. ah.. como eu gosto disso. e todo mundo dentro.
o palco pulou pro chão. a galera pulou pra dentro. tudo era um centro de experimentação poética de alta voltagem. quando os deflagradores de andorinhas, Dudu Tererê e Dan Magrão entraram na roda, o espanto foi muito. Gritaram como Tarzan, dançaram e cantaram poemas. Cataldo entrou, performou, fez a festa. Poesia Zaum, transmental. Russa. Ah ... o Cep dos 16.
Entrou Dansa Densa. Renatinha e Marcus, só alegria. Subiu Aimberê, nosso marechal zen nudista. Com um capa de chuva transparente em nada cobrindo sua zen nudez e mandando um mantra: Arte e Suor. Arte e Suor. Entrou Patrícia Carvalho Oliveira, que delícia. Performance internacional. Como ela manda bem. E trouxe o Igor Cotrim que fez um rap com Bush, Blair e Bin Laden. Sensacionalíssimo. E então, fechou quem um dia começou. Fundador do CEP. A base: Osvaldo Pereira, o maior sambista da Jovem Guarda. O poeta que canta sambas.

Enfim, o CEP dos 16 extrapolou. Foram longas quatro horas de puro êxtase. Grato. Gracias. Obrigado a todo mundo. La nave vá. Com a mistura de sempre. Agora Pedro II na parada. E os dignossauros juntos. Um não vive sem o outro. A chuva cai. Deixa cair. O CEP é que nem bambu. Verga mas não quebra. E, como diz meu chapa Ronaldo Bastos:


enquanto houver bambu, tem flecha !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

27.8.06

Quintana e outros gaúchos
Vi na segunda-feira passado esse espetáculo doGrupo Repertorio da atriz Maria Pompeu, e posso recomendar sem reservas, especialmente, aos meus conterraneos gáuchos que irão se identificar de imediato com os "causos", a poesia do nosso poeta maior, o Mario Quintana e aquelas músicas do Lupicinio Rodrigues, (Noel Rosa o reverenciava e preconizou o sucesso do nosso ilustre conterrâneo) que ouvimos sempre para aplacar todas as nossas dores de amor. E ainda na parte musical, uma homenagem no centenário de outro conterrâneo músico que deixou a sua marca inconfundível, transitando com igual competência pela musica erudita e a popular: Radamés Gnatalli. E para finalizar, os textos dos dois Veríssimos dispensam apresentações.

Quintana e outros gaúchos, é desses espetáculos que o público sai do teatro, alegre, cantando, de bem com a vida, com a arte e a cultura brasileira.

O espetáculo está em cartaz no TEATRO DO SESI, na Av Graça Aranha, esquina com a Rua Santa Luzia, sempre as segundas-feiras às 19 hs, até o dia 2 de outubro.

Sinopse: O espetáculo apresenta o programa de televisão fictício "SEM MENTIRA", onde Mário Quintana, Érico Veríssimo e Luiz Fernando Veríssimo são entrevistados e interpretam seus textos. Os autores são vividos por Maria Pompeu, Amaury de Lima e Marcia Bloch.Na parte musical, uma homenagem ao centenário Radamés Gnatalli e o eterno Lupicínio Rodrigues, interpretados pelo pianista Ricardo Guimarães.
O espetáculo tem pesquisa e criação do Grupo Repertório, roteiro de Maria Pompeu, figurinos de Neiva Motta, fotos de Eryck Machado, programação visual de Eneida Leão, direção musical de Ricardo Guimarães e supervisão geral de Amaury de Lima.
O Grupo Repertório ( Maria Pompeu, Márcia Bloch e Amaury de Lima), braço de Oficina Emepê Produções Artísticas Ltda. que já produziu homenagens a Stanislaw Ponte Preta, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Sabino, associa-se este ano às comemorações do centenário do grande poeta Mário Quintana. Em dezembro de 2005, foi comemorado o centenário de nascimento de Érico Veríssimo. Este ano, seu filho Luiz Fernando Veríssimo, completa 70 anos.

Por onde andou, e ainda vai andar QUINTANA E OUTROS GAÚCHOS
No Rio de Janeiro, a estréia aconteceu no projeto Música nos Museus, no dia 3 de abril, na Biblioteca Nacional e em maio, foi levado a dez Escolas Estaduais sob o patrocínio da Secretaria de Estado de Educação e ao Fórum de Poesia na UFRJ.
Em julho, foi apresentado no Espaço Cultural Furnas, e no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias no SESC Rio. Em agosto, foi apresentado no Centro de Referência de Educação Pública, para professores do Município do Rio de Janeiro e no Colégio Pedro II - Unidade Engenho Novo.
De 3 a 6 de agosto, o espetáculo foi apresentado no Centro Cultural da Justiça Federal e de 14 de agosto a 2 de outubro, faz temporada somente às segundas-feiras, no Teatro do SESI, no horário de 19 horas. Outras apresentações entre agosto e setembro: Colégios Cruzeiro e Corcovado, PUC RIO, Feira do Livro de Itaboraí e Usina Cultural em Friburgo.
Em outubro, o espetáculo participará do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, fará apresentações em Veranópolis, Farroupilha e Caxias do Sul.
O espetáculo chega à Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, nos dias 7 e 8 de outubro.
Ufa! Isso é coisa da Super Maria


Eu vou...

pra Sampa... agora eu vou... (cantando aquela musiquinha daquele desenho infantil - lembrei da música mas não lembro qual o desenho) ver o espetáculo da Pina Bausch, no
findi próximo. Já comprei o meu ingresso há um mês atrás pela internet. Me aguardem.
PINA BAUSCH - Para as crianças de ontem, hoje e amanhã
O espetáculo estréia no Teatro Alfa, em São Paulo, na próxima segunda dia 28, ficando em cartaz até domigo, dia 3 de setembro. Em seguida, segue para a capital gaúcha para apresentações no maior festival de teatro do País: o POA EM CENA, de 5 a 17 de setembro. E o Rio de Janeiro, mais uma vez fica fora dessa.

Em um cenário todo branco, sugerindo histórias infantis, brincadeiras de crianças, com um castelo de areia de mentira e bailarinos fazendo aquilo que já vimos em espetáculos anteriores. Explora com humor o mundo da criança e o aprendizado do afeto, constituindo-se em um verdadeiro tratado de paixões. A montagem enlaça amor e infância, questionando o que ocorreria se nos deixássemos levar até a felicidade. Bausch fala em descobrir todas possibilidades voltando ao princípio da vida.
Para as crianças de ontem, hoje e amanhã, Pina Bausch, trata do amor e da infância e nos faz uma provocação: O que aconteceria se nos deixássemos levar até a felicidade? E se voltássemos a ser crianças?
O espetáculo de Pina Bausch, mais uma vez traz música brasileira de dois dos nossos expoentes máximos: NANA VASCONCELOS e CAETANO VELOSO.

Teatro Alfa
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Tel. 5693-4000
Santo Amaro
28 de agosto a 3 de setembro

segunda a sábado, 21h domingo, 18 h - Duração 1,30 hs.
Setor I = R$ 200,00, Setor II = R$ 150,00, Setor III R$ 100,00, Setor IV = R$ 30,00

* Direção Artística e Coreografia: Pina Bausch
* Cenografia: Peter Pabst
* Figurino: Marion Cito
* Colaboração Musical: Matthias Burkert, Andréas Eisenschneider
* Assistentes de direção artística: Marion Cito, Daphnis Kokkinos, Robert Sturm

* Elenco: Rainier Behr, Lutz Förster, Ditta Miranda Jasjfi, Melanie Maurin, Dominique Mercy, Pascal Merighi, Nazareth Panadero, Helena Pikon, Azusa Seyama, Julie Anne Stanzak, Fernando Suels, Kenji Takagi.

* Músicas: Félix Lajko, Nana Vasconcelos, Caetano Veloso, Bugge Wesseltoft, Amon Tobin, Mari Boine, Shirley Horn, Nina Simone, Lisa Ekdhal, Gerry Mulligan Uhuhboo Project (Corée), Cinematic Orchestra, Goldfrapp, Gotan project, Guem, Hughscore, Koop, Labradford, T.O.M., Prince, Marc Ribot.

* Textos: Harmonia Coelestis et Keepers of the Night de Péter Esterhazy, Native American Stories and Nocturnal Activities for Children de Michael J. Caduto e How the Bat Came to Be de Joseph Bruchac.

10.8.06


Cena de "Romeu e Julieta" direção de Gabriel Vilella para o Galpão

Concurso transformará histórias pessoais em peça de teatro
Em novembro de 2007 o Grupo Galpão comemora 25 anos de atuação. Para comemorar a data, o grupo iniciou no dia 14 de julho de 2006 a campanha CONTE SUA HISTÓRIA, que visa a mobilizar e incentivar o público,especialmente o mineiro, a enviar histórias curtas, verídicas, que pareçam ficção, para que sirvam de base para o próximo espetáculo do Galpão, que estreará no primeiro semestre de 2007.

Segundo o diretor convidado pelo Grupo Galpão para a nova montagem, Paulo de Moraes, integrante da Armazém Cia de Teatro, as histórias devem revelar pequenos milagres cotidianos, coincidências curiosas, tramas surpreendentes, lances improváveis, acontecimentos que se recusam a obedecer às leis do senso comum, coisas grandes ou pequenas, trágicas ou cômicas. Vale qualquer experiência que tenha sido importante o suficiente para ser posta no papel, orienta Paulo de Moraes.

As histórias enviadas, que deverão ter no máximo duas páginas, passarão por uma triagem. As selecionadas serão utilizadas em improvisações para adequação à linguagem teatral. Após esse processo que, naturalmente,enriquecerá o material, será a vez de alinhavar as histórias em uma dramaturgia coerente e impactante que ajudará a determinar a mensagem verbal do espetáculo, enfatizando a poesia de situações, personagens e conflitos, diz o diretor. A dramaturgia do novo espetáculo ficará a cargo de Maurício Arruda Mendonça.

Você certamente tem na sua vida ou na vida de alguém que você conhece uma história verídica, que pareça ficção. Conte-a para o Galpão e faça parte da história do novo espetáculo do grupo.
O fim do prazo para recebimento é 15 de setembro de 2006 e as histórias podem ser enviadas para o seguinte endereço:
Rua Pitangui, 3.413, Sagrada Família, Belo Horizonte, MG, CEP 31.030-210, e escrever no envelope Campanha conte sua história, ou enviar os textos para o e-mail: contesuahistoria@grupogalpao.com.br.
Informações pelo telefone: (31) 3463-9186

8.8.06

Apagão em Cuba e o jeitinho cubano no espetáculo do Buendía

O grupo Buendia está vindo ao Rio trazido pela Corpus in Scena Prod. Artísticas do diretor e professor VIVALDO FRANCO, que conheceu o grupo em junho 2005 quando esteve em Cuba como convidado-palestrante do IV Congresso Internacional de Cultura e Desenvolvimento. Com a palavra, Vivaldo Franco:

" Após o congresso permaneci em Havana por mais 10 dias para conhecer um pouco mais os movimentos culturais (particularmente o teatro) e então conheci o BUENDÍA.
Fiquei completamente maravilhado. Eles têm sua sede em uma antiga igrejinha
transformada em teatro, em um bairro fora do centro. Fui assistir a um espetáculo inspirado em MARAT MARAT e que incluía outros textos sobre a revolução francesa, a revolução cubana e afins.

No dia em que fui assistir ao espetáculo houve um apagão (em Cuba, atualmente, há apagões por regiões, todos os dias, por causa da falta de energia - leia-se petróleo - já que toda energia provém desta fonte e é caríssima, pode-se imaginar), eles então apresentaram o espetáculo à luz de velas e lanternas! Improvisando toda a iluminação na hora. Foi fantástico, talvez melhor do que com a luz dos refletores.

Acredito, pelo pouco que pude observar e me inteirar, que o teatro de Cuba hoje é um teatro de resistência (como todo o resto, obviamente) mas não um teatro mambembe no sentido do improviso ou do amador. Ao contrário, é um teatro depesquisa,extremamente contemporâneo e profissional. Muito parecido com um tipo de teatro que se produz no Brasil (infelizmente muito raro aqui no Rio) e que foge da fórmula fácil docomercial sem qualquer compromisso com a qualidade. É um teatro altamente reflexivo, de qualidade técnica e dramatúrgica excelente, sem ser chato, manequeístaou "engajado".
Ao contrário, como toda arte produzida hoje em Cuba (as artes plásticas, o balé,amúsica, etc.), o teatro também possui um grau surpreendente de crítica e auto-crítica da realidade cubana, do seu sistema de governo, do bloqueio, de Fidel, de tudo que diz respeito ao seu modo de vida, seu sistema político, sua realidade, tanto para o bem como para o mal.

Aliás, Cuba é muito mais - tanto para o bem como para o mal - do que podemos
imaginar em nossa mesquinha visão de um paraíso utópico de liberdade ou de
uma ditadura cruel e anacrônica. Mas isso é outra história... VIVA CUBA!
VIDA LONGA A FIDEL! VIVA A REVOLUÇÃO! "

José Antonio Alonso em "A Oitava Porta"

Teatro de Cuba no Rio
Para uma temporada relâmpago aqui no Rio, uma das mais importantes e respeitadas companhias teatrais cubanas: O TEATRO BUENDÍA DE CUBA. O grupo estará se apresentando na próxima sexta, sábado e domingo, dias 11, 12 e 13 de agosto, no TEATRO GLAUCE ROCHA (Av. Rio Branco, 179, em frente ao Metrô Carioca) com dois
espetáculos solos interpretados pelo premiado ator JOSE ANTONIO ALONSO, fundador e dramaturgo da companhia.

Para esta mini-temporada no Rio, o Buendía de Cuba traz dois monólogos interpretados pelo ator e dramaturgo Jose Antonio Alonso, DE PARIS UM CAVALHEIRO, conta de forma poética e dramática a história do Cavalheiro de Paris - o último mendigo cubano, um personagem real que vindo de Paris se instala em Havana, é preso, enlouquece e como indigente, caminhando pelas ruas da cidade, acompanha com um olhar humano e crítico toda a transformação na recente história cubana,desde a revolução até os dias atuais.

No segundo monólogo, A OITAVA PORTA uma comédia crítica, o ator interpreta vários personagens que trazem muito do jeito cubano de ser mais que possuem em si as questões universais de todo ser humano: quem somos, para onde vamos e o quanto estamos dispostos a pagar para conseguirmos aquilo que queremos. Através das máscaras sociais e reais reconhecemos nos personagens aquilo que nos emociona e nos faz rir, como se ríssemos de nós mesmos.

O TEATRO BUENDÍA DE CUBA foi fundado em 1986 com atores formados pelo Instituto Superior de Arte de Cuba, sob a direção da atriz, professora e atual diretora
artística FLORA LAUTEN. Desde sua fundação, a companhia tem desenvolvido duas linhas de trabalho: a produção de espetáculos teatrais e a manutenção de um centro de investigação sobre as tradições culturais na América Latina e Caribe, os meios expressivos do ator e a renovação das linguagens cênicas. O estudo das relações entre a música, a dança e a interpretação, assim como a formulação de novos desenhos cênicos e uma nova dramaturgia têm consolidado o prestígio internacional em diversos festivais na América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia, África e Austrália.

Teatro: GLAUCE ROCHA, Av Rio Branco, 179 - em frente ao Metrô Carioca)
Telefone 2220-0259
Dias: 11, 12 E 13 de agosto às 19 hs. (sexta sabado e domingo)
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 - Estudantes, classe artística e maiores de 65 anos.
Classificação etária: 14 anos.
Nas ondas do radio...

a cultura brasileira tem agora um site oficial, o CANAL FUNARTE, com direito a uma radio com entrevistas nas áreas de teatro, circo, dança, música,etc. Vale uma visita.
Procurei lá e não encontrei ainda, o Tom Jobim tocando com Radamés, conforme o Anselmo Gois anunciou ontem na coluna dele. Mas vi coisas preciosas tocadas lá como
o disco infantil com o coro de crianças do Teatro Municipal com músicas e regência de Villa Lobos. Esse disco (esgotadíssimo há anos) eu utilizo muito nas minhas aulas com as crianças portadoras de necessifdades especiais.

6.8.06

Mostra Beckett on Film no CCBB

A Mostra Beckett on Film é uma das vertentes do Festival Becket 100 Anos que vai acontecer de 8 a 13 de agosto no CCBB no Rio de Janeiro, uma homenagem ao dramaturgo cuja obra, corrosiva e pictórica, provocou efeitos demolidores sobre todo o projeto do teatro moderno.
O projeto Beckett on Film foi lançado em 2001. Michael Colgan, diretor artístico do Gate Theatre Dublin (na Irlanda), produziu 19 filmes das 19 peças de Becket em parceria com a Blue Angel Films e o canal de TV Channel 4.

Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 Centro RJ
Tel. 21/3808-2020
De 8 a 13 de agosto de 2006, terça, quarta, quinta, sexta e domingo às 17,00 e 19,00 hs.
sábado às 19,00 hs. Censura: 14 anos.


-- Cinema - dia 8 às l7,00 hs e 13 de agosto às 19,00 hs.

Esperando Godot (Waiting for Godot), de Samuel Beckett. Com Barry McGovern, Johnny Murphy e Stephen Brennan. 14 anos.

-- Dia 8 às 19,00 hs.

Aquela Vez (That Time), de Samuel Beckett. Com Niall Buggy.
Passos (Footfalls), de S. Beckett. Com Suzan Fitzgerald e Joan O?Hara.
Fragmento de Monologo (A Piece of Monologue), de de Samuel Beckett. Com Stephen Brennan.
Cadeira de Balanço (Rockaby), de Samuel Beckett. Com Penelope Wilton
Improviso de Ohio (Ohio Impromptu), de Samuel Beckett. Com Jeremy Irons. anos.
Catástrofe (Catastrophe), de Samuel Beckett. Com John Gielgud, Rebeca Pidgeon e Harold Pinter.-
Quê Onde (What Where), de Samuel Beckett. Com Gary Lewis e SeanMcGinley.

-- Cinema - dias 9 e 12 de agosto, às 19h

Vaivem (Come and Go), de Samuel Beckett. Com Anna Massey e Sian Phillips.
Sopro (Breath), de Samuel Beckett. Com Keith Allen.

-- Teatro I

(Rough For Theatre I). Direção Kieron J. Walsh. Com David Kelly e Milo O?Shea.
Teatro II

(Rough For Theatre II), de Samuel Beckett. Com Jim Norton, Timothy Spall e Hugh B. O?Brien.
Ato Sem Palavras I + A Última Gravação de Krapp + Ato Sem Palavras II

-- Cinema - dia 10, às 17h e 11 de agosto, às 19h

Ato Sem Palavras I (Act Without Words I), de Samuel Beckett. Com Sean Foley.
A Última Gravação de Krapp (Krapp's Last Tape), de Samuel Beckett. Com John Hurt.
Ato Sem Palavras II (Act Without Words II), de Samuel Beckett. Com Pat Kinevane e Marcello Magni.
Dias Felizes + Comédia.

--Cinema - dia 10, às 19h e 11 de agosto, às 17h

Dias Felizes (Happy Days), de Samuel Beckett. Com Rosaleen Linehan e Richard Johnson.
Comédia (Play), de Samuel Beckett. Com Alan Rickman, Kristin Scott Thomas e Juliet Stevenson.
Vaivem + Sopro + Eu não + Teatro I + Teatro II

-- Cinema - dias 9 e 12 de agosto, às 19h

Vaivem (Come and Go), de Samuel Beckett. Com Anna Massey e Sian Phillips.
Sopro (Breath), de Samuel Beckett. Com Keith Allen.

-- Teatro I

(Rough For Theatre I). Direção Kieron J. Walsh. Com David Kelly e Milo O?Shea.

Teatro II

(Rough For Theatre II), de Samuel Beckett. Com Jim Norton, Timothy Spall e Hugh B. O?Brien.
Aquela Vez + Passos + Cadeira de Balanço + Improviso de Ohio + ...

-- Cinema - dia 8, às 19h, e 13 de agosto, às 17h

Aquela Vez (That Time), de Samuel Beckett. Com Niall Buggy.
Passos (Footfalls), de Samuel Beckett. Com Suzan Fitzgerald e Joan O?Hara.
Fragmento de Monologo (A Piece of Monologue), de de Samuel Beckett. Com Stephen Brennan.
Cadeira de Balanço (Rockaby), de Samuel Beckett. Com Penelope Wilton.

-- Cinema - dia 8, às 17h, e 13 de agosto, às 19h

Esperando Godot (Waiting for Godot), de Samuel Beckett. Com Barry McGovern, Johnny Murphy e Stephen Brennan.
Improviso de Ohio (Ohio Impromptu), de Samuel Beckett. Com Jeremy Irons.
Catástrofe (Catastrophe), de Samuel Beckett. Com John Gielgud, Rebeca Pidgeon e Harold Pinter.
Quê Onde (What Where), de Samuel Beckett. Com Gary Lewis e SeanMcGinley.

5.8.06

Extra! Extra! Extra!

Volta ao cartaz TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, peça de Nelson Rodrigues, com direção de Paulo de Moraes, que conquistou o Prêmio Shell de Teatro/2005 na categoria de Melhor Direção e Melhor Iluminação.
O espetáculo que esteve no CCBB, na Fundição Progresso, e agora volta ao cartaz na próxima quinta feira, dia 10 até o dia 7 de setembro, na Sala Marilia Pêra do Teatro do Leblon, sempre às quartas e quintas às 21,00 hs.
Compareçam, não percam e depois não digam que não foram avisados.
Não venha ou se arrependerá para sempre...

1.8.06


CHAPLIN'S BECKET
Uma gota de orvalho
em tua face

solitária
desce até
a ponta do nariz

em teu colo
c
a
i

abandonada
em luz

Esse poema é do Marco Guayba, um jovem ator e poeta que participou ativamente de quasi todas as palestras, debates, workshops, etcs. Nem sabia do seu lado poeta. Ontem ele mandou por e-mail esse poema. Essa foto do Beckett, aí em cima, com esse clima chapliniano saiu em toda a programação do festival. Ave, Samuel Beckett!
O poema do Marco tem toda um diagramação com letras caindo, descendo, enfim, ao postar aqui no blog não deu para sair como o original que ele enviou. Marco, merci par le cadeau.

23.7.06


O Festival Beckett 100 Anos até agora, sem dúvida, é o acontecimento cultural mais importante do ano. Assistí a todas as palestras com as mais diferentes abordagens: das peça radiofonicas, televisivas, à prosa e a poesia, ao Filme com Buster Keaton em 1964, e mais a influencia das artes plasticas na obra beckettiana. Me deu outros parametros para o entendimento e a pesquisa de Samuel Beckett. Sobre isso falarei depois.
O Beckett de Gerald Thomas

Ontem, o workshop com o Gerald Thomas foi como um bate-papo entre amigos, com a irreverencia, a ousadia e a informalidade conhecidas do diretor. Começou com provocações à platéia, implicando com uma menina na primeira fila que ele achou que estava com cor de doente ou de quem tinhado tomado crack, depois perguntas à platéia porque tinham vindo ao workshop e uma inusitada pergunta: o que é um workshop?.
Provocações de ambos os lados estabelecidas, começou contando os famosos encontros com Beckett (não foi só aquele flagrante famoso da foto) aquele já era o terceiro ou quarto, e como se deu o primeiro encontro.
Saiu de New York para Paris encontrar Beckett, e chegando lá, este estava na sua casa de campo, e a angustia da espera de um telefonema num quartinho de hotel, de nove da manhã às quatro da tarde. E, quando a fome apertou, ele desceu para um rápido lanche. Quando voltou tinha um recado do Beckett que voltaria a telefonar às 19 hs. E de fato às 19 hs em ponto tocou o telefone. Do outro lado da linha, Beckett marcava um encontro às onze da manhã do dia seguinte, num bar da Boulevard Saint Jacques, o mesmo local da famosa foto.
Falou dos vários encontros, inclusive do privilégio de ver Beckett dirgir novelas:

-- Eu vi Beckett dirigir as novelas da tv alemã. E se confessou horrorizado de como os atores iniciantes eram desrespeitosos com Beckett. Eu falei e ele mandou chamar outros atores que conheciam a obra do maior dramaturgo e não berravam perguntas tipo porque eu tenho que ir pra a direita?.
Menciona o fato de como Beckett odiava ser chamado de teatro do absurdo:
-- Beckett era clownesco, não gostava dessas montagens prá baixo, as pessoas transformam num bicho de sete cabeças, e não é nada disso.
A seguir faz uma declaração no mínimo inusitada, porque nas várias abordagens pelos demais palestrantes desse festival, nenhum mencionou tal fato.
-- Beckett esrevia para figuras longilineas como ele.

Fala de Dias Felizes que ele escreveu pra Madeleine Renaud e a dirigiu nesse espetáculo, mas não gostou dos resultados. Imita Madeleine Renaud, e a seguir detona o teatro frances:
-- Todo o teatro francês é careta. Patrice Chéreaux é chatíssimo.
Conta ainda como Beckett o provocava ficando de cabeça baixa, curvado um tempão sem dizer nada:
-- E e eu sem saber o que fazer ou dizer, e daí ele levantava a cabeça e me olhava com aqueles olhos muito azuis, e vinha uma pergunta inesperada. Ele me checava pra saber se de fato eu conhecia as obras dele. À época, eu fazia a adaptação das suas prosas para o teatro, ainda não tinha montado nenhuma peça dele.
Sobre os intelectuais e Beckett:

-- Beckett reclamava muito dos acadêmicos, dos semiologos que fazem de uma página de Godot, noventa livros. Beckett é o mais mal interpretado autor do século vinte.

Conta a inspiração de Beckett para o título da peça Esperando Godot.
-- Godaux (pronuncia-se Godô em francês) era um ciclista, campeão na década de trinta. E uma vez num tour de France ele não apareceu, e o publico lá esperando Godô, e nada. Ele desapareceu para sempre.
Menciona ainda o fato de como Beckett custou a ser aceito.

-- Ele foi rejeitado por mais de cem editores, levou não de não sei quantos teatros. Na primeira montagem de Godot tinha setenta pessoas na platéia e trinta e cinco sairam na metade do espetáculo. Montavam com muita seriedade o Beckett, ninguém destacava o humor. Ele era um sujeito muito amargo. Quando ele passou a ser aceito, o figado já estava comprometido. É historica, uma montagem de uma peça de Beckett em Nova York , todo o mundo dormiu e o ator também.
Sobre as decantadas fumacinhas das suas peças:
-- Eu não aguentava mais respirar fumaça. Fala ainda sobre Electra Concreta que ele destaca como comédia.
Sobre a famosa repercusão da ópera bufa no Municipal:
-- A história da bunda no Municipal foi uma grande piada, e ficou uma coisa de criminoso -- eu e o Marcola.
Sobre a representação e a interpretação:
-- Teatro é um grande fingimento, uma mentira assumida, um grande jôgo, tem que ter esse prazer de mentir falando a verdade, tem que ter a necessidade orgânica de se expressar. E se você se leva muito a sério, muita pesquisa... não acontece esse jôgo.

Gerald detonou geral e se confessou derrubado, numa exposição pessoal e um desabafo como raras personalidades têm a coragem para falar pùblicamente:

-- Eu tô vendo uma terceira guerra mundial ... com Bush no poder eu não sei mais o que fazer, e o Gil no Ministério da Cultura não fez nada. Eu tô derrubado, derrubado mesmo, num momento de reavaliação depois 77 peças pelo mundo todo19 óperas, acabei de recusar a direção de uma ópera na Alemanha. Me confesso num momento terrível, uma depressão misturada com pânico, e tô aqui com um Rivotril no bolso. Levei cinco dias para sair de casa, e descer oito andares para comprar água mineral.

Alguem da platéia perguntou pelo seu blog se tinha encerrado mesmo e ele disse que sim que não aguentava mais. Pipocam algumas perguntas da platéia, e a seguir pediu dez minutos para o público dizendo que já voltava, e pegou a sua mochila e saiu rápido em direção aos camarins.

Ousadia total. Se alguém da platéia foi embora ? Não. Ficaram todos esperando pelos mais de dez minutos, com exceção de um cineasta que estava sentado na primeira fila e que falava o tempo todo, pareciam amigos, sabiam muito um da vida do outro - era o Azulay diretor de "O Judeu".
Quando voltou ao palco, sem a mochila, de cabelos molhados, encerrou simplesmente o encontro prometendo mais para hoje, inclusive a tal "prática" do workshop, e sumiu para o camarim.
Espero anciosamente a "palestra" de hoje á noite, as 19,30 hs. Hoje, a entrada é gratuita com distribuição de senhas, meia hora antes. Quem quiser garantir o seu lugar no pequeno teatro do Centro Cultural Telemar, deve chegar com no mínimo três horas de antecedência. Fiquem espertos.

14.7.06

FESTIVAL BECKETT 100 ANOS

Leituras, oficinas, workshops, performances, projeções, debates, palestras na maior celebração do dramaturgo irlandês no ano de seu centenário
De 10 a 23 de julho, artistas e acadêmicos vão discutir, encenar, lembrar e celebrar Samuel Beckett, referência primária e divisor de águas do teatro ocidental, no Centro Cultural Telemar, á Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo, Rio de Janeiro.

Entre os convidados, José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas, Enrique Diaz e a Cia dos Atores, a Cia Dos à Deux, Moacir Chaves, Flora Süssekind, Rubens Rusche, Ricardo Blat, Fábio de Souza Andrade, Aderbal Freire-Filho, Angela Materno, Enoch Brater (presidente da Samuel Beckett Society)

Nascido em Dublin, em 13 de abril de 1906, de família protestante, SAMUEL BARCLAY BECKETT tornou-se um pilar do teatro ocidental, um marco divisório da cena mundial, um gênio inquestionável. A realização do Festival é da dupla de atrizes Isabel Cavalcanti e Marta Metzler, em parceria com a Lúdico Produções Artísticas. Serão três mesas-redondas, cinco palestras, duas oficinas, três workshops, três sessões de leitura, performances teatrais e o lançamento do livro de Isabel Cavalcanti (Eu Que Não Estou Aí Onde Estou: O Teatro de Samuel Beckett / O Sujeito e a Cena no Entreato do Traço e do Apagamento, Ed. 7 Letras) na abertura da série de eventos.
Entre os temas desafiadores do encontro estão a intensa e pouco conhecida relação do dramaturgo com as artes plásticas (mesa com Ronaldo Brito, Flora Süssekind e Luis Camilo Osório), seu trabalho com a poesia (com a prof. Marjorie Perloff, trazendo textos traduzidos especialmente para festival), a leitura de três peças radiofônicas (uma delas também especialmente vertida do inglês, Embers), a exibição de Film, única produção cinematográfica de Beckett, com Buster Keaton.
A obra plural e diversificada de Samuel Beckett será vista por diversos ângulos. "No Brasil quase que só se conhece Beckett apenas como o autor de Esperando Godot, e despropositadamente como ligado ao 'Teatro do Absurdo'", dizem Isabel e Marta. "A pluralidade de seu trabalho é imensa, vastíssima, e esperamos estar proporcionando uma homenagem digna do seu porte artístico - e certamente vai ser uma oportunidade privilegiada para o público em geral e os profissionais do teatro".

Os workshops serão realizados por José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e Rubens Rusche.
As oficinas, pelas Cias Teatrais Dos à Deux e Irmãos Guimarães; as leituras dramatizadas de três textos radiofônicos serão dirigidas por Enrique Diaz, Aderbal Freire-Filho e Rubens Rusche.

Entre mesas e palestras, entre filmes e leituras, os atores Rafael Leal, Juliana Guimarães e Renato Carrera ocuparão o espaço do Centro Cultural Telemar com performances baseadas na oficina de Isabel Cavalcanti sobre Beckett.

Maiores informações site do evento.