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28.4.03

Atenção profissionais e estudantes da arte circense: clowns, bufões & Cia. esse blog é leitura obrigatoria -- sempre
Você diz que sabe muito,
Vagalume sabe mais
Vagalume acende o cu,
Coisa que você não faz

[Meigos versinhos populares da infância]


Toda força aos artistas de rua. Viva os malabaristas de cruzamentos. Na falta de grana, pede-se não regatear aplausos na janela do carro.

Eu ia dormir. Mando um fio dental e uma escova no capricho, afinal é domingo. Mas, entre a cama e o computador, escolho o desgraçado. E agora me bate uma puta fome. Assim num dá.

Páscoa é chocolate mesmo. Qual é o problema? Para quem acredita na ressurreição do Grande Fodão, Páscoa é dia de festa. Então dá-lhe chocolate. Aos incrédulos, dá-lhes chocolate igualmente. Porque hoje também é o dia da grande festa profana do chocolate. A exceções são os fundamentalistas religiosos e as pessoas que detestam chocolate. Quanto aos primeiros, é favor não encherem o saco e ocupar o lugar que lhes cabe nos duros bancos das igrejas para puxar o saco do Grande Fodão. Chocolate não é coisa que se desperdice com essa espécie – e, claro, sobrarão ovos pra gente comprar na última hora. Pequenos, mas sobrarão. Quanto aos que odeiam chocolate, esses estão nos cálculos da indústria de ovos de Páscoa e nem sequer nos ajudam na última hora. São criaturas desprezíveis, com problemas de lubrificação vaginal ou ereção. Desconfio que a Marilena Chauí e o Geraldo Alckmin sejam dois exemplares do tipo. A eles a nossa compaixão, irmãos. Oremos enquanto mastigamos.
Sergio Faria...

Senhores, vamos deixar de hipocrisia. A baranga advogada do fulaninho beira-mar declarou que recebe dinheiro do narcotráfico para defendê-lo. Causou escândalo na OAB, como se essa fonte de remuneração fosse novidade. A novidade está em declarar. Advogado que defende bandido, assassino, estuprador, seqüestrador recebe grana de bandido, assassino, estuprador e seqüestrador mesmo, ora porra. Do Vaticano é que não é Caralho.
Sergio Faria...
.
É estranho o nome do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Parece alguém tossindo ao chamar uma anãzinha na rua.
Sergio Faria...
.
O spam que mais irrita, pela burrice, é aquele que abre com "amigo internauta". Amigo internauta é a puta que pariu.
Sergio Faria...
.
. . AVISO AO PÚBICO

ESTE ESTABELECIMENTO
ESTARÁ FECHADO NESTE DOMINGO
POR MOTIVO DE TESÃO QUE NOS
FORÇOU A FICAR FODENDO
A NOITE INTEIRA.
A Gerência

AVISO AO PÚBICO

O recesso de hoje deve-se a uma monumental ressaca. Tão logo se estabilize a zonzeira, voltaremos à nossa programação normal. Em nome da Green Catarro's Enterprises, Inc. e suas subsidiárias, desculpe então

Mas que bosta esse comercial "Vem ser feliz em São Luís", não? Puta duma verba pública jogada no lixo. Imagens sinistras do feudo do Zé Sarna, tudo produzido nas coxas, desencontrado da trilha vagaba. E locução do Cid Moreira, pra fechar a tampa do caixão. Dá meda. Parece que tão cantando "tem sí-fi-lis em São Luís".
Sergio Faria...
.
Chegou um spam com lição de moral, após meu pedido de exclusão: "Há três coisas que nunca voltam atrás. A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida!"

Tá, enfia o produto no cu do mesmo jeito.

Sergio Faria...
.
Querida, vamos chupar ferida?
Ferida não me seduz,
Prefiro um copo de pus.
Pus me causa pigarro,
Que tal um chá com catarro?
Meleca só no jantar,
Abra a boca que eu vou vomitar.
Hum, como seu vômito estava quentinho!
O que faltou?
Cocô no espetinho!
Tome um pouco desse biodegradável
Nada como uma comidinha saudável...

Coisas das crianças brasileiras no interior de SP.
Sergio Faria...
.
Gripe? Coriza? Tens que olhar para o teclado ao digitar? Faz como eu. Mete um OB pequeno em cada narina e respira pela boca.
Sergio Faria...

Sete astronautinhas foram passear
Além das nuvens para pesquisar
Todos festejaram quá quá quá quá
Mas os astronautinhas não voltaram de lá
Sergio Faria...

Aviso aos neonavegantes. Aqui não se engana o freguês. Não escrevo ficção. Os relatos do Catarro são reais.
Sergio Faria...


UPDATE: Esses posts são simples mostragens do Catarroverde. Estou devendo um post sobre a importância desse blog na minha formação e estudo da difícil arte do bufão-clown. Sergio Faria, um Mestre.

24.4.03

TVE homenageia Mauro Rasi

A TVE ( Rio) prestou uma homenagem ao jornalista e dramaturgo Mauro Rasi no dia de sua morte, reprisou o depoimento que ele deu ao programa A Verdade, no dia 19 de janeiro deste ano -- sua última grande entrevista em um programa de televisão.

Esse depoimento vai ser reprisado novamente na TVE (Rio), no próximo domingo dia 27, às 22,30hs.

A entrevista mostra toda a carga de humor que sempre caracterizou o dramaturgo, um dos precursores do teatro besteirol brasileiro e autor de sucessos como Estrela do Lar, Cerimônia do Adeus, Pérola, Batalha de arroz num ringue para dois, entre outras.

Segundo a assessoria de imprensa da rede de televisão, nada foge às observações sempre afiadas de Mauro, nem mesmo o apresentador Fernando Pamplona, a quem ele declara: "sempre tive medo de vir a esse programa, tinha medo da sua voz, essa coisa meio do além. Me sinto assim como num processo de Kafka versão Atlântida, com essa obrigação de ficar respondendo às perguntas. Muitas vezes a gente não tem a resposta" .

Entre as perguntas que o atemorizaram, Mauro elegeu a que tratava de sua inquietação sobre as dificuldades do teatro brasileiro: " essa é uma das tais perguntas que eu não sei responder. Se me perguntar sobre as minhas tias, meus cachorros, do meu abacateiro, sobre Bauru, daí eu sei responder", disse.

Deu no "Estadão" de 24/04/03
Se a minha empregada falasse... foi o lançamento do autor no Rio de Janeiro
O Mauro chegava ao Rio com uma carreira bem sucedida em São Paulo, com sucesso de crítica e de público. A Massagem que ganhou o Prêmio Anchieta, quando Mauro tinha apenas 21 anos. Essa peça foi montada logo depois pela atriz e produtora Ruth Escobar. Ladies da Madrugada com direção de Amir Hadad foi produzida pelo cantor Ney Matogrosso e interpretada pelo Patrício Bisso, entre outros, e se constituiu também num grande sucesso de público e de crítica.

E a sua estréia aqui no Rio, com Se a minha enpregada falasse..., teve uma recepção morna, os críticos receberam com certa reserva, o autor, um dos precursores do teatro besteirol, que chegava aqui premiado e prestigiado em São Paulo. Da minha parte, responsável pelo seu lançamento aqui no Rio, eu fiz de tudo e mais um pouco no meu trabalho. Claro, estávamos amigos de infância, e além de tudo, Mauro era um sedutor, e eu estava completamente seduzida pelo amigo maravilhoso que ele sabia ser, e pelo autor talentoso e competente.
Eu sempre acreditei no talento dele, e à época eu fiquei chocada com as críticas e achei que foram injustos com ele. E nunca esquecí o que ele falou pra mim na ocasião, e repetia sempre que eu me chateava com as críticas ao espetáculo:

Eu vou fazer o maior sucesso, serei um dos maiores... um dos maiores, não. Serei o maior autor, terei as maiores atrizes e atores desse País trabalhando nas minhas peças. Ah, um dia eu vou dirigir as minhas peças. Eu vou ser carregado no colo pelo público. E não vai ser o sucesso de uma peça só, serão vários sucessos, vou ganhar o Molière, o Governador do Estado, Estácio, todos os prêmios e troféus. Relaxa, fica fria, e me aguarde, Ruth Mezeck! Depois disso, ríamos muito, e até nos divertíamos com o tom das críticas e comentários sobre a peça. E, embora acreditasse no seu potencial, descontava o que eu achava que seriam os exagêros e delírios do Mauro.

Pois não é que o danadinho do Mauro trouxe para a real todos os seus sonhos e delírios. Ganhou todos os mais importantes prêmios de teatro do País (Molière, Mambembe, Anchieta, APETESP), trabalhou com Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Nathalia Timberg, Cleide Iaconis, Paulo Goulart, Sergio Brito, Sergio Mamberti, Vera Holtz, entre outros importantes atores. Quanto a ser carregado pelo público, parece-me que lá em Baurú quando ele voltou lá autor consagrado para apresentar Pérola, esse lance aconteceu na real. Se não foi lá, foi em outro lugar.
Da minha convivência com ele, ficou o grande aprendizado para a minha vida toda: é possível trazer o nosso sonho para a real, quando amamos e acreditamos naquilo que fazemos, e vamos á luta!

23.4.03

A peça do Mauro Rasi que não foi mencionada por ninguém: SE A MINHA EMPREGADA FALASSE...
Se a minha empregada falasse, comédia em um ato interpretada pela atriz Thais Moniz Portinho, também figurinista e produtora do espetáculo, com a direção do Nelson Xavier, aquela época, recém chegado de uma temporada de estudos teatrais em Londres.
Cenários da Denise Weller.
A trilha sonora do Mauro Rasi e a execução da trilha Kaka Dyonisos ( brother Kaka do Asdrubal Trouxe o Trouxe o Trombone),
Fotos da peça e do cartaz: Ricardo Zoom ( brother Ricardo fotógrafo do Asdrubal Trouxe o Trombone). O Ricardo Zoom era o pseudônimo do atual diretor de nucleo da novelas da TV Globo, o RIcardo Wadington.
Iluminação - criação: Nelson Xavier
Produção executiva: Luiz Joseli
Divulgação e Promoção do espetáculo: Ruth Mezeck

Elenco: Thais Portinho (Ema), Ary Coslov, Nelson Xavier, Luiz Carlos Buruca, Jacqueline Laurence (vozes em gravação) e Sonia Claudia (Delizeth, a empregada).

Estreiou dia 5 de maio de 1978 no TEATRO DO MUSEU DE ARTE MODERNA - Sala Corpo-Som. ( O Teatro do MAM era administrado pelo Sidney Miller ).
A homenagem do adeus para Mauro Rasi

Conhecí o Mauro Rasi no final dos anos setenta através da atriz Patricia Travassos, integrante do elenco de Trate-me Leão, o terceiro espetáculo do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone. Estávamos numa festa em casa de amigos, e a Patricia que estava sem carro naquele dia, me convidou para irmos até o Cosme Velho para buscar um amigo dela, um paulista que estava morando no Rio. Era o Mauro Rasi.

Voltamos os três para a festa. Eu e o Mauro, calibradíssimos, com tudo o que tinhamos direito, muito alegrinhos e satisfeitos, fomos dos ultimos a sair dessa festa. E na saída, ao invés de nos dirigirmos para o meu carro, passamos por ele, e nem olhamos, como coisa que não tivesse nada a ver conosco, e continuamos andando, sem que nenhum de nós dois pronunciasse qualquer palavra. Nem precisava. Estávamos sintonizados na mesma onda, vibrávamos no mesmo diapasão, e a palavra era desnecessária, naquele momento.

E assim, silenciosos, ficamos andando de madrugada pelas ruas desertas de Ipanema pelo simples prazer de andar, sentindo o cheiro, os ruidos, os sons da madrugada, e curtindo a companhia um do outro, como se fossemos amigos de infância. Às vezes, ele acelerava e ia na frente, outras vezes, eu me adiantava, mas estávamos sempre juntos, e esse lance era um simples jôgo que estabelecemos para sacar a nossa ligação em determinados momentos.

Teve um gesto inesquecível do Mauro quando estávamos passando em frente a um muro com grossas grades de ferro, e daí ele levantou um braço e foi passando a mão espalmada por cada uma daquelas grades, produzindo um efeito sonoro. E assim como duas crianças -- livres, leves e soltas, continuamos o nosso passeio na madrugada, e quando nos demos conta já estavamos em pleno Canal, quasi chegando no Leblon. Dalí, voltamos no mesmo clima até a rua onde o meu fusquinha nos aguardava.

Esse nosso encontro originou uma bela amizade, nem longa e nem duradoura, mas muito intensa enquanto durou. E tanto, que algum tempo depois eu fui responsável pela divulgação e a promoção (promoter na linguagem atual ) da primeira peça do Mauro apresentada aqui no Rio -- um monólogo. A vida nos afastou, e há muito tempo que eu não via o Mauro, mas acompanhava a sua vida pelas notícias dos jornais. No meio teatral, acontece muito disso, a gente convive uma determinada época, em determinado trabalho e depois a gente se separa. A gente volta a se encontrar em outro trabalho, ou não.

Hoje, eu estou postando esse texto aqui com uma imensa tristeza e uma dolorida saudade do Mauro, tendo na minha memoria emotiva a imagem muito vívida daquele menino lindo e esperto do passeio naquela madrugada. Esse post, além de uma homenagem, é para dizer da importância da nossa convivência e da minha gratidão pelo quanto eu aprendí com ele.

20.4.03

Dicas de espetáculos que eu vi

Um espetáculo imperdível:Novas diretrizes em tempos de paz, de Bosco Brasil, no Teatro do Leblon, é o encontro entre um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. O que acontece a seguir é um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade.Toni Ramos e Dan Stulbach dão uma aula de teatro.

Cabaré, Café, Sarau Etc e Tal no Café do Teatro Glaucio Gil com a atriz Maria Pompeu e a cada semana um cantor músicos convidados. Um grande momento da carreira dessa atriz que sem o menor pudor faz uma restropectiva bem humorada da sua trajetoria artística contando e interpretando fatos e causos desconhecidos até dos seus amigos mais íntimos. O roteiro vai desde a sua infância, passando pela fase inicial no Teatro Duse aos 15 anos, teatro de revista, Certinha do Lalau, cinema, etc. até à contadora de histórias. E de quebra, o público escolhe os contos selecionados no programa -- de Drumond a Stanislaw Ponte Preta. O público adora o espetáculo e aplaude em cena aberta. Um trabalho digno e corajoso, merece uma ida ao Glaucio Gil para ver quantos cabarés, saraus, teatro, etc e tal são necessários para a sobrevivência de uma atriz brasileira em mais de quarenta anos de carreira.

Comemoração Dia do Índio, com tribo umutina e 50 anos do Museu

O Dia do Índio, comemorado hoje, gerou uma série de atividades no Museu do Índio, hoje, amanhã, segunda e quarta feira, quando dará à criançada -- e adultos interessados, a chance de conhecer, em pleno feriadão, um pouco mais sobre a vida dos integrantes da tribo umutina, que vive em Barra do Bugres, no Mato Grosso.
O museu não só comemora o Dia do Índio, mas também seus 50 anos de existência. A festa começou hoje, às 13h, com a abertura da mostra Umutina que reúne fotos, filmes, peças e documentos sobre a tribo. Pouco depois, às 15h, as crianças participaram de uma oficina de confecção de cerâmica ministrada pelo índio Antonio Uapodunepá e ouviram histórias sobre os umutina.
MUSEU DO ÍNDIO - Exposição, oficina de cerâmica e contação de histórias sobre a tribo Umutina. Rua das Palmeiras 55, Botafogo — 2286-8899. Sábado, domingo, segunda e quarta, a partir das 15h. Entrada franca.

19.4.03




DANÇANDO AS MAIS SAGRADAS

Levei hoje para a aula de danças sagradas, a minha maraca e o cocar. Estamos tendo aula com a professora substituta, a Valéria, enquanto a titular está viajando. Ela tinha pedido na aula passada que levassemos algum instrumento indígena.
Levei a maraca e mais o meu cocar. E não foi um privilégio meu, apareceram mais umas quatro maracas que foram para o centro da roda, antes de iniciarmos as danças.
E a Valéria levou uma plantinha com as sementes de urucum, para pintarmos o rosto e algumas partes do corpo, como bem entendessemos. Foi a festa !
O urucum dá um ótimo batom, com uma cor linda. E, além disso, pode ser usado também como sombra, dando o maior realce para os olhos. E, òbviamente, eu peguei discretamente algumas sementinhas a mais e vou usar na maquiage, em dias especiais.

Com o som das nossas maracas, com as pinturas de urucum, dançamos como nunca. Hoje, foi a vez das danças dos guaranís.
É a tribo mais suave, ao contrário das outras tribos, que batem forte com o pé no chão, os guaranis deslisam os pés pelo chão.
Dançamos deles, uma dança chamada Tangara, com movimentos e gestos delicados, imitando um pássaro prestes a voar. Foi a que mais me tocou. Dançamos ainda outra dos tupinambás, e, encerramos com o Toré, dos kariri-Xocó.
posted by Ruth Mezeck 22:38
archived 24.9.01
UPDATE: Em homenagem ao DIA DO ÍNDIO, um post antigo de uma aula de danças sagradas na Faculdade e Escola Angel Vianna.

18.4.03



Se a moda pega...

Está em cartaz no Teatro Tivoli, em Lisboa PUPPETRY OF THE PENIS , um espetáculo hilariante e surpreendente e cujo único instrumento utilizado é o penis que se transforma em variados objetos, formas, situações e conceitos.
Poucos imaginam do que a dupla de atores australianos David Friendy Friend e Simon Morley é capaz de fazer com os seus orgãos genitais, ou melhor, com os seus penis amestrados.

É bizzarro mas é engraçado, diz lá no forum de teatro, o meu conterrâneo Celso Jr, ator e diretor teatral, atualmente morando em Salvador (BA) que descobriu o site do grupo "estava procurando umas coisas na internet e me deparei com o site do grupo"
http://www.puppetryofthepenis.com/

Se a moda pega e vem prá cá, esta escriba vai batalhar para ser juri na seleção de atores para o espetáculo.

O ator e diretor Maurício Brito comentou no forum de Teatro:

Realmente é muito engraçado! Vi vários recortes do espetáculo na TV a
cabo e é realmente hilariante o que esses caras podem fazer com os pênis
deles! Eu diria que são contorcionistas de pênis! Mas acho que o mais engraçado que vi no programa foi eles fazendo seleção de atores para o espetáculo! Foi muito engraçado!

A atriz Andrea Carvalho, comentou também no forum :

Não tem mais o que inventar, se essa moda pega, o que vai ser das discussões neste forum? Algo como: tenho drt, fiz angel viana, escola de circo,CAL, aulas de voz e contorcionismo de penis... CRUZES!!!!!!! Me poupe!!!
Bjos Andrea

6.4.03


Se vocês só tivessem um dia a mais para viver, fariam o quê?

Eu acordaria bem cedo pegaria o primeiro avião para Porto Alegre, e iria me despedir da minha Mãe, de toda a minha família e os meus amigos gaúchos, e estaria pegando o avião de volta ao meio dia. Ainda de Porto Alegre, telefonaria ao homem que eu amo fazendo todas as declarações inimagináveis, e marcando o nosso encontro derradeiro. Periga ele não acreditar, e é bem provável que não acredite, pensando que é mais uma armação. Ficaria muito triste, mas conformada, imaginado que ele iria ficar louco da vida, só em pensar que eu o surprendera pela última vez com o maior apronto de todos, do qual, ele não teria a menor chance de revide.

Chegando á tarde no Rio, do aeroporto eu iria direto para o Largo da Carioca. E enfim, teria a ousadia e a coragem suficiente para realizar o meu maior sonho de consumo artístico-cultural-existencial:
uma performance clownesca no Largo da Carioca, disputando público com o Ligeirinho que vende catuaba e dá saltos mortais, com o atleta atirador de facas, com o mágico que transforma uma folha de jornal em nota de cincoenta reais, com o tocador de sanfona, e com toda aquela galera de artistas populares. Sem figurino e maquiage especiais, usando a mesma roupa que eu saíra de casa. Com um detalhe: pés descalços (meu estilo performático) e a ponta do meu nariz pintada com batom vermelho. Como acessório, o meu chapéu coco de feltro preto com uma rosa vermelha plantada no cocoruto, para ser usado na performance, e depois passar ao público no final. Bom demais.

Do Largo da Carioca, faria um passeio clownesco até o calçadão da Rua Uruguaiana com a Sete de Setembro, em frente ao MacDonald's, e com a ajuda dos meninos de rua (daria a eles o que eu arrecadasse passando o chapéu). E desta vez, uma performance só com o uso corporal, sem texto, uma palhaça que se contorce tanto que não consegue voltar ao normal, e vira uma estátua toda retorcida. A estátua vai movimentar sòmente a parte que for tocada -- um leve toque em alguma parte do seu corpo, até ir voltando ao normal. As crianças adoram. Os grandinhos sacaneiam. Ia ser o máximo se encontrasse alguns colegas do curso de bufão na UNIRIO que baixam ali, ou os que fizeram as oficinas e o estagio com o Mestre Dacio Lima (saudosa memória).
Acabada a performance na Uruguaiana, faria outro passeio clownesco até a Av. Rio Branco, torcendo para não encontrar pelo caminho aqueles perigosos confrontos entre guardas e camelôs.

Apanharia um taxi na Rio Branco, seguindo direto para o jornal "O Globo", onde subiria até o quarto andar. Adentraria a redação na performance clownesca intitulada " Em busca da autora perdida ". Em cada cabine, em cada colega de redação a pergunta seria mais ou menos essa: Onde eu encontro a autora de "Um, dois três... já!" e "Sapomorfose" que ganhou o Prêmio Mambembe de Teatro Infantil?. Repetições da pergunta, e muitos improvisos pertinentes e impertinentes até encontrar alguém que soubesse a resposta, e me encaminhasse ao Caderno de Informática e à sua editora, e à autora procurada: Cora Rónai! E se ninguém soubesse a resposta, eu teria uma ótima deixa para uma exarcebada improvisação. O ideal seria a performance em cima dos textos, mas como eu não teria tempo pra estudar, inventaria essa, e assim iria me despedir e conhecer pessoalmente, a minha querida amiga blogueira, e posaria ao seu lado, para o InternETC. Sorry, gALLera!

Da redação de O Globo, eu seguiria direto para uma performance na Cinelandia, começando nas escadarias da Câmara com um personagem dramatico, um texto de Zaratustra que eu interpretei na Divina Comedia de Dante, no MAM -- espetaculo dirigido pela diretora e coreografa Regina Miranda). Dali o público seria conduzido, ainda dentro da performance, até as escadarias do Teatro Municipal, dando continuação com outros textos, ou o que pintasse de acôrdo com a reação do público. A performance final seria botar o povo todo para cantar e dançar numa grande roda de ciranda, e outras danças populares na praça da Cinelândia, em frente ao Amarelinho. Nessas adjacências, seguramente deveria encontrar alguns dos meus colegas e amigos que viriam participar da roda. E assim acabaria as minhas ultimas vinte e quatro horas, numa grande celebração à vida, à arte e a cultura popular brasileira.

5.4.03

O escritor gaúcho, precursor mundial do teatro do absurdo

QORPO-SANTO, como se auto-denominou José Joaquim de Campos Leão (1829/1883), o genial autor gaúcho que viveu em Alegrete, onde foi vereador e delegado de polícia, e depois em Porto Alegre, no século dezenove, o verdadeiro criador do teatro do absurdo, o precursor do gênero nonsense, cem anos antes do movimento vanguardista europeu disseminado pelo mundo através dos europeus Alfred Jarry, Ionesco, Beckett , considerados até então, os precursores desse movimento.
Na conservadora sociedade gaúcha no início do século dezenove, não é difícil imaginar a estranheza e o escandalo que foi o surgimento desse audacioso autor, detonando todas numa sem cerimonia impressionante, e uma modernidade assustadora para a época. Para citar apenas uma das minhas preferidas, A separação de dois esposos, comédia em três artos, abordando a separação de um casal através de um pacto de morte, morrem abraçados, ambos recitando o mesmo texto:
-- Já que a Terra nos foi ingrata, procuraremos a felicidade no Céu!
E os nomes dos personagens são hilariantes, Esculápio o marido, Farmácia, a esposa, e o namorado da esposa, o Fidélis; as filhas do casal Plinia, Lidia e Idalina; mais dois personagens o Invidividuo e Certo Individuo. E a suprema audácia coloca dois criados da casa, o
Tatu e o Tamanduá, como dois homens casados, fato revelado ao final da peça, em um dialogo louquíssimo desses dois personagens. Com o divorcio e a separação de Tatu e Tamanduá acaba a comédia "A separação dos dois esposos".

José Joaquim de Campos Leão Qorpo Santo, (*Triunfo, 1829 +Porto Alegre 1883) agitou todas. Ativíssimo, foi vereador, delegado de polícia, comerciante, professor e dono de colégio, escritor e dono do periodico A Justiça, onde expôs todas as suas mágoas e feridas. Ninguém mexe com o poder impunemente, e aos trinta e cinco anos no apogeu de sua carreira, foi considerado louco, internado e interditado judicialmente. Recorre e consegue ser mandado para aqui, no Rio de Janeiro, para um novo exame de sanidade na Casa de Saúde Dr. Eiras. Ganha mais essa parada, sendo declarado apto para gozar do seu livre arbitrio.
Com o salvo conduto, retorna a Porto Alegre, à sua familia e a retomadas dos seus bens.
Um mês depois, um juiz de PortoAlegre cismou de pedir um novo exame e dessa vez é reprovado, declarado inapto para gerir sua pessoa e seus bens, tendo de obedecer a imposições do curador, privado do convívio familiar, Qorpo Santo dedica toda a sua energia às atividades literárias. Aos cincoenta teve a sua doença agravada -- tuberculose pulmonar, e morre aos cincoenta anos.

Nem depois de morto, Qorpo-Santo foi poupado. Falavam dele como um mito, um doido que havia escrito poesias de doido. A verdade é que ninguém se ocupou, a sério, de suas peças. Com o Movimento Modernista ele voltou á tona, servindo aos contrários à Semana de Arte Moderna, e nada melhor para esses trevosos, do que transcrever alguns maus versos de QorpoSanto para compará-los aos de Oswald e Mário de Andrade, também considerados malucos como ele.
Depois disso, sumiram das bibliotecas e arquivos do Estado do Rio Grande do Sul e do País, todos os textos da autoria de Qorpo Santo. Essa foi a constatação do Professor Guilhermino Cesar quando escreveu A historia da literatura do Rio Grande do Sul em 1956. Alguns anos depois, o Professor Guilhermino encontrou o pesquisador e professor Anibal Damasceno que vai clarear a busca, fornecendo novas e importantes pistas de Qorpo Santo, até chegar à publicação e divulgação das obras completas do teatro de Qorpo-Santo.

A primeira montagem de Qorpo Santo, no mundo, foi realizada por alunos formados Instituto de Arte Dramática da UFRGS, três peças Matheus e Matheusa, Hoje sou um: e amanhã outro e Relações Naturais , dirigidas por Antonio Carlos Sena. Esse espetáculo veio ao Rio, em 1968 para participar do V Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado pelo Paschoal Carlos Magno. Uma atriz gaúcha morando no Rio, agitou uma apresentação extra festival para convidados especiais. Num pequeno teatro, á meia noite, em precaríssimas condições técnicas, o espetáculo foi um sucesso. Televisões, radios, jornais deram a maior cobertura a um dos mais importante acontecimentos artísticos da década.
Vale a pena citar aqui alguns trechos do comentário de Yan Michalski, (saudosa memória) do Jornal do Brasil:
A julgar pela mostra apresentada, a descoberta de Qorpo Santo é um acontecimento de notável importância, que, não só torna parcialmente obsoletos todos os livros de hitoria da dramaturgia brasileira, que não mencionam a sua obra, como também transcende as fronteiras do Brasil e merece ser estudado dentro de um contexto internacional: o autor gaúcho é, muito provàvelmente, o primeiro precursor mundial do teatro do absurdo, uma vez que algumas décadas antes de Alfrfed Jarry ele colocava em prática idéias de antiteatro baseado no mais violento nonsense, algumas das quais dignas de fazer inveja ao próprio Ionesco e aos seus seguidores.

A precocidade, o modernismo, a ousadia de Qorpo Santo são verdadeiramente fenomenais, se considerarmos a época em que ele escrevia as suas peças e o ambiente em que vivia. Seria errado, considerá-loi apenas sob esse ponto de vista. O mais importante é a quaçidade intrínseca de suas peças, o seu espantoso instinto cênico, a sua fantástica imaginação, e a lucidez com a qual, dentro do mais delirante clima de aparente loucura, ele desfecha impedosos golpes contra alguns dos aspectos mais rançosos do seu meio ambiente. Digno de nota é também a eficiência do seu humor. Qorpo Santo mantém a platéia num quase permanente estado de hilaridade, que não exclui, bem entendido, uma reflexão crítica, nem impede que de vez em quando um misteriosos vento de trágica ameaça sopre na platéia, e nos faça pensar em Beckett e Pinter
.
Dialogo da dentadura debaixo com a dentadura de cima
Da lavra e autoria do ABSURDO MATUSALÉM MATUSCA.

Cheguei na idade em que nunca se sabe se estamos dormindo e tendo sonhos malucos ou acordados pensando maluquices, o que dá no mesmo.
Devia estar dormindo, de outra maneira elas não poderiam ficar com esse papo todo no copo.

Dentadura de cima: - Faz um tempão que não como carne.

Dentadura de baixo: - Nem eu!

De cima: - A gente podia parar de brigar, não?

De baixo: - É, vamos sair juntas outra vez?

De cima: - Vamos sim, dá um beijinho.

De baixo: - Na boca?


UPDATE: Qualquer semelhança com diálogos de alguma comédia de Qorpo Santo, não é mera coincidência. Estou sèriamente desconfiada que o nosso vizinho blogueiro, o Matusalém Matusca é o "cavalo" daquele gaúcho louco e genial que viveu no século dezenove, considerado o verdadeiro pai do teatro do absurdo.
Desconhecido no Brasil até o início do século vinte, quando surgiu o movimento de teatro da absurdo na Europa através de Alfred Jarry, Eugène Ionesco e Samuel Beckett, as peças de Qorpo Santo foram lidas na Semana de Arte Moderna em 1922, dando subsídios aos detratores da Semana. Depois disso, foi completamente esquecido até a década de sessenta, quando foi redescoberto pelo Professor Guilhermino César da UFRGS e pelo pesquisador Anibal Damasceno.