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18.1.03


Edmilson Santini conta cordel no Parque da Gávea

Contar história em cordel
vem da tradição oral,
ganhou fama em Portugal.
Da fala para o papel
manteve-se bem fiel
ao verso, à rima e à voz.
Até que aqui entre nós
teve sua evolução.
Prestem agora atenção:
Lá no Museu da Cidade
vai ter Cordel de verdade,
em bela apresentação.

É no dia dezenove,
verso rimado incendeia...
Compareça e comprove
domingo às onze e meia.



Parque da Cidade - Gávea.
Rua Santa Marinha, s/n.
Dia 19 de janeiro (neste domingo)
Horário: 11,30 hs.


BENVINDO SIQUEIRA ESTÁ DE VOLTA COM "O DOENTE IMAGINÁRIO"

O doente imaginário, de Molière, está de volta aos palcos. A comédia é dirigida por Jacqueline Laurence e tem o ator Bemvindo Siqueira no papel de Argan, o hipocondríaco. A história é a seguinte: a fim de passar o resto da vida cercado de médicos sem precisar desembolsar um tostão, ele tenta forçar a filha Angélica (Janaína Prado) a se casar com o doutor Diafoirus (Rogério Freitas), sobrinho de seu médico particular. A peça estreiou em agosto do ano passado no Teatro do Sesi, excursionou pelo sul, e agora voltou ao cartaz no mesmo teatro.

— Nesta peça, Molière ironiza, com o seu humor terrível, a medicina de seu tempo, que não era realmente nada. Os médicos eram charlatões que costumavam receitar sangrias e clister — diz Jacqueline, para quem o que há de mais atual na obra é a hipocondria de Argan. — A mania de doença e o ridículo a que as pessoas se expõem por causa disso é completamente atual.

A francesa Jacqueline, que já atuou em várias peças de Molière mas nunca havia dirigido uma, acredita que o fato de ter tido contato desde muito cedo com os textos do dramaturgo francês facilitou seu trabalho.

— Não me sinto perdida, lido com o texto com facilidade, não tenho problemas nem complexos — brinca Jacqueline, lembrando que esta montagem de “O doente imaginário”, traduzida por João Bethencourt e Bemvindo Siqueira, se resume à história em si. — Só no final incluímos uma das pantomimas.

O DOENTE IMAGINÁRIO De Molière. Direção: Jacqueline Laurence. Com Bemvindo Sequeira, Suely Franco e outros.

Teatro Sesi: Av. Graça Aranha 1, Centro — 2563-4163. Quinta, Sex e dom, às 19h30m. Sáb, às 20h30m. R$ 15 (qui), R$ 20 (sex e dom) e R$ 25 (sáb). 90 minutos.
Em tempo: Asistí a estréia e recomendo. Benvindo Siqueira em um dos melhores trabalhos da sua carreira, deita e rola -- literalmente -- no papel do hipocondriaco Argan. Não seria exagêro dizer que Benvindo deveria ter recebido um prêmio de ator por esta interpretação. Nunca tinha assistido nenhuma direção da Jacqueline
e foi uma grata surprêsa. Uma direção inteligente, segura, respeitando o texto de Molière, sem inventar nada.

17.1.03


Danças de Porão um dos dez melhores espetáculos do ano volta ao cartaz durante todo o mês de janeiro

O espetáculo de dança dos bailarinos e coreógrafos João Saldanha e Paula Nestorov volta ao cartaz no Paço Imperial - Sala dos Archeiros - durante todo esse mês de janeiro. Entrada franca. Espetáculo imperdível. Uma aula de dança,
uma aula de criação coreográfica. Um espetáculo de rara sensibilidade. Um dos melhores senão o melhor trabalho que eu tive a oportunidade de assistir no ano passado. Vou rever.

O espetáculo está na seleçao dos dez melhores espetáculos do ano pelo jornal OGlobo.


Uma exposição de passos

Reportagem de Adriana Pavlova (O Globo 29/12/2002)

Paula Nestorov e João Saldanha dançaram juntos uma única vez. Era meados dos anos 80 e a dupla de bailarinos ajudou a construir o espetáculo "Noturno", de Regina Miranda. Desde então, apesar das carreiras que seguiram paralelas, os dois sempre tiveram muitas conversas e afinidades. Pois esses encontros viraram a experiência coreográfica "Danças de porão" - que eles consideram uma exposição, não um espetáculo de dança - em cartaz no Paço Imperial.

- É um trabalho despretensioso, que nasceu da vontade de mostrarmos como é a criação coreográfica por dentro - avisa a tímida Paula, que promete conversar com a platéia em alguns momentos.

Para João, o encontro tem um sabor de retorno aos palcos, porque, há dez anos, ele tem ficado apenas nas coxias, como coreógrafo:

- Nós nos movimentamos mas não há construção coreográfica prévia. Na prática, trata-se de um diálogo de corpos bem diferentes.

DANÇAS DE PORÃO Os coreógrafos João Saldanha e Paula Nestorov mostram o avesso dos espetáculos, apresentam passos que revelam o processo de criação coreográfico.

Paço Imperial: Praça XV 48, Centro, Sala dos Archeiros — 2533-4401
Quintas e sextas , às 19h. Sábados e domingos, às 17h.
Entrada franca -- levar 1 quilo de alimento não perecível, se quiser.
(As senhas serão distribuídas com uma hora de antecedência). Até o final do mês corrente.

"Ela parece uma palhaça"

Essa ela aí sou eu. A frase eu ouvi durante a minha aula de expressão corporal para meninas adolescentes participantes de um projeto assistencial para menores infratores. Era tudo o que eu queria e precisava ouvir. Eu estou desenvolvendo um método próprio de trabalho misturando as técnicas de expressão corporal com técnicas teatrais e de clown com resultados muito animadores.

Durante o mês de janeiro os nosso alunos entram em férias, mas a FUNLAR mantém uma colonia de férias para crianças carentes e menores infratores. A grande maioria mora na comunidade vizinha da instituição -- o Morro dos Macacos. É um trabalho muito rico e estimulante. Um presente raro.

16.1.03




CEMITÉRIO OCUPA SÉRGIO PORTO


O dramaturgo paranaense Mário Bortolotto, diretor do grupo Cemitério de Automóves, um dos mais prolíficos dramaturgos brasileiros, radicado em São Paulo, com mais de 40 textos no currículo, ganhador do Prêmio Shell de 2.000 pelo espetáculo Nossa Vida não vale um Chevrolet e APCA pelo Conjunto da Obra, terá quatro de seus textos apresentados ao público carioca nos meses de Janeiro e Fevereiro (de 10 a 23 de fevereiro) no Espaço Sérgio Porto.
O Grupo conta hoje com cinco integrantes (Mário Bortolotto, Fernanda D´Umbra, Joeli Pimentel, Aline Abovsky e Wilton Andrade) e cerca de 70 atores agregados que sempre trabalham com o Grupo quando convidados. Para as apresentações no Rio de Janeiro o Grupo deve trazer ainda quatro desses agregados (Eucir de Souza, Laerte Mello, Gabriel Pinheiro e Francisco Eldo Mendes).

Em 2002 a atriz Fernanda D'Umbra produziu no Centro Cultural São Paulo a II Mostra de Teatro Cemitério de Automóveis com 26 espetáculos: 20 textos de Mário Bortolotto, cinco adaptações de grandes escritores da novíssima geração de contistas brasileiros (Marçal Aquino, Marcelo Mirisola, Reinaldo Moraes, Daniel Pellizzari e Daniel Galera) e um texto de Joeli Pimentel. A Mostra marcou ainda a estréia de Fernanda D'Umbra na direção com a adaptação do texto: Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica. Desta Mostra participaram 80 atores paulistas.

A primeira edição da Mostra foi realizada em 2000, no mesmo espaço com produção também assinada por Fernanda D'Umbra onde foram encenados 13 textos de Mário Bortolotto e uma adaptação do romance Tanto Faz de Reinaldo Moraes. Da primeira edição participaram 40 atores.

Durante a temporada no Espaço Cultural Sérgio Porto o Grupo exibe quatro espetáculos de seu repertório, realiza uma oficina de interpretação com Mário Bortolotto e Fernanda D'Umbra e promove a leitura de três textos inéditos de Mário Bortolotto. As leituras terão entrada franca.


ESPETÁCULOS:

Nossa Vida não vale um Chevrolet - de 10 19 de janeiro.
A história dos Irmãos Castilho, ladrões de automóveis que se envolvem com a mesma mulher. (o espetáculo, Prêmio Shell de Melhor Texto em 2000 fechou a mais recente edição do Rio Cena Contemporânea).

Texto, direção, sonoplastia e iluminação: Mário Bortolotto.

Produção: Fernanda D'Umbra

Elenco: Fernanda D'Umbra, Mário Bortolotto, Francisco Eldo Mendes, Gabriel Pinheiro, Laerte Mello, Aline Abovsky, Pablo Perosa e Paulo Jordão.



Diário das Crianças do Velho Quarteirão - de 24 de janeiro a 2 de fevereiro
Jaime, um saxofonista loser e Álvaro, um desenhista de histórias em quadrinhos, são dois amigos politicamente incorretos que passam as tardes tomando cerveja e falando mal de tudo e de todos. A amizade vai ser abalada com a entrada em cena de Tati, uma street girl por quem os dois se apaixonam. (Este texto foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Texto em 1998, ano de sua estréia).

Texto, direção, sonoplastia e iluminação: Mário Bortolotto.

Produção: Fernanda D'Umbra

Elenco: Eucir de Souza, Fernanda D'Umbra e Mário Bortolotto.



Vamos Sair da Chuva quando a Bomba Cair - de 7 a 16 de fevereiro Ângela é uma jovem produtora bem sucedida, típica nova mulher, que tenta manter um relacionamento com Hassim, um vagabundo incondicional, que embora a ame, não parece disposto a mudar de vida. Ângela tenta a todo custo e em nome de sua felicidade, reverter a situação.

Texto, direção, sonoplastia e iluminação: Mário Bortolotto

Produção: Fernanda D'Umbra

Elenco: Fernanda D'Umbra e Mário Bortolotto

E éramos todos Thunderbirds - de 21 a 23 de fevereiro
Quatro traficantes de maconha, losers de carteirinha, não conseguem vender droga nenhuma porque consomem todo o produto que deveriam vender, passam os dias esparramados num sofá tomando cerveja e assistindo MTV. Estão revoltados com o fato de sua emissora preferida não passar mais vídeo clips. Sofrendo de crise de abstinência de vídeo clip, um deles seqüestra uma performer por confundi-la com a Cantora Madona.

Texto, direção, sonoplastia e iluminação: Mário Bortolotto

Produção: Fernanda D'Umbra

Elenco: Fernanda D'Umbra, Mário Bortolotto, Joeli Pimentel, Aline Abovsky, Wilton Andrade e João Fábio Cabral.


ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

Rua Humaitá, 163 - Humaitá -Tel 2266-0896

DE 10 DE JANEIRO A 23 DE FEVEREIRO DE 2003

SEXTA E SÁBADO - 21horas

DOMINGO - 20 horas Ingresso: Cinco Reais

OBS: Apresentando o canhoto do ingresso de qualquer espetáculo ou show realizado pela Rio Arte no período de 10 de janeiro a 23 de fevereiro - desconto de 50% para outro espetáculo.

OFICINA DE INTERPRETAÇÃO - GRATUITA

Mário Bortolotto e Fernanda D'Umbra ministram oficina de interpretação durante a temporada de seus espetáculos no Sérgio Porto. O Objetivo desta oficina é familiarizar os atores com a linguagem do Grupo Cemitério de Automóveis: interpretação realista, composição detalhada de personagens contemporâneos e urbanos.

Uma característica forte do Grupo é trabalhar com o palco vazio utilizando principalmente a relação dos atores com os elementos fundamentais da encenação: som, luz e espaço cênico. O ator dentro desta linguagem é co- autor da encenação porque imprime sua marca em um trabalho que depende basicamente de sua interpretação e da relação que ele estabelece com os outros atores, com a luz, o som e principalmente com o texto.

Com exercícios de texto e de improviso Mário e Fernanda conduzirão os alunos numa busca de personalidade em seus trabalhos de interpretação, aumentando seu domínio da cena e fugindo a toda velocidade dos clichês de interpretação.

A oficina será ministrada de quinta a domingo entre os dias 13 e 16 de fevereiro de 2003 no período das 15 às 18 horas no Espaço Cultural Sérgio Porto.

Público alvo: atores maiores de 18 anos com alguma experiência em teatro.

Seleção: não há critério de seleção, basta que se faça parte do público alvo.

Número de vagas: 20.

LEITURAS

Serão lidos três textos inéditos de Mário Bortolotto. Serão três quintas feiras de leituras com entrada franca sempre às 21 horas:

Dia 16/01 - O MÉTODO

Dia 30/01 - BRUTAL

Dia 13/02 - HOMENS SANTOS E DESERTORES


5.1.03



Repercussão do discurso do Gil

Na sua coluna de hoje em Oglobo, com o sugestivo título Vozes do Poder MÁRCIO MOREIRA ALVES, faz uma análise dos discursos dos ministros empossados, e destaca o do Ministro da Cultura como o mais original e inteligente.

(...)

Não subestime o Gil. Ele vai nos surpreender. É um homem muito inteligente e tem um diploma em administração”, disse-me Cacá Diegues, quando lhe manifestei receios de que o novo ministro da Cultura não fosse capaz ou não tivesse paciência para lidar com a burocracia do ministério.

A julgar pelo discurso de posse, Cacá tem razão. Foi o mais original e inteligente de um dia que teve 21 outros pronunciamentos. Gil, no seu discurso, fez uma definição abrangente do que seja cultura, que não cabe ao Estado fazer, como no modelo estatizante, mas clarear caminhos, abrir clareiras, estimular e abrigar. Disse Gil sobre o papel de seu ministério:

— Avivar o velho e atiçar o novo. A cultura brasileira não pode ser pensada fora desse jogo, dessa dialética permanente entre a tradição e a invenção, numa encruzilhada de matrizes milenares e informações e tecnologias de ponta. A política cultural deste ministério passa a ser vista como parte do projeto geral de construção de uma nova hegemonia no nosso país. Como parte e essência de um projeto consistente e criativo de radicalidade social. Como parte e essência da construção de um Brasil de todos. Temos de completar a construção da nação. De incorporar os segmentos excluídos. De reduzir as desigualdades que nos atormentam. Aqui será o espaço da abertura para a criatividade popular e para novas linguagens. O espaço da disponibilidade para a aventura e a ousadia. O espaço da memória e da invenção.


Belo programa. Difícil é pô-lo em prática

Oglobo 05/01/2003




Fragmentos de um discurso rigoroso




Entre os ministros que tomaram posse, Gilberto Gil talvez tenha feito o pronunciamento mais contundente e crítico em relação ao governo que saía, assim como foi também o que mais inovou em matéria de reflexão cultural e sociológica.


JOTABÊ MEDEIROS

Mais que seus novíssimos ternos Armani, é o estilo tropicalizante do novo ministro da Cultura que já se sobrepõe à paisagem igual e plana da Esplanada dos Ministérios. Na solenidade de transmissão do cargo, as palavras do cantor baiano ministro de Estado causaram espécie entre os circunstantes - nem tanto por seu conteúdo, mas muito mais pela forma, inusitada para os padrões palacianos.

Gil, no entanto, foi contundente na sua avaliação crítica e mostrou-se mais rigoroso do que foram alguns severos críticos da condução cultural da Era FHC. "O ministério não pode, portanto, ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial", afirmou, sugerindo que sabe que existe uma "clientela preferencial", que a conhece e que ela deverá deixar de ser prioridade na sua gestão. Vai ser fácil medir essa promessa de inversão de prioridades já ao fim do primeiro ano.

Gil também foi duríssimo politicamente com o governo de Fernando Henrique (o qual tinha à sua esquerda um fiel representante, o ministro que saía), mas o "folclórico" (termo que ele condenou em seu discurso) pareceu se sobrepor à política no saldo final. "A pobreza até que diminuiu um pouco, como as estatísticas mostram. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil se tornou um dos países mais desiguais do mundo. Um país que possui talvez a pior distribuição de renda de todo o planeta. E é esse escândalo social que explica, basicamente, o caráter que a violência urbana assumiu recentemente entre nós, subvertendo, inclusive, os antigos valores da bandidagem brasileira."

O discurso ainda antecipou medidas, planos e projetos. "Ao investir nas condições de criação e produção, estaremos tomando uma iniciativa de conseqüências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas", afirmou o cantor, anunciando o desejo de retomar a capacidade de investimento direto do Estado no setor.

"As políticas públicas para a cultura devem ser encaradas, também, como intervenções, como estradas reais e vicinais, como caminhos necessários, como atalhos urgentes", considerou o cantor-ministro. Sua própria auto-exigência consta do discurso. "Na verdade, o Estado nunca esteve à altura do fazer de nosso povo, nos mais variados ramos da grande árvore da criação simbólica brasileira." Gil parece prometer fazer com que o Estado chegue a esse nível de igualdade.

Moda na gestão Francisco Weffort, a reflexão sobre a "identidade nacional", que gerou diversos livros financiados pelo ministério, também compareceu na apresentação da era Gil. "E o que entendo por cultura vai muito além do âmbito restrito e restritivo das concepções acadêmicas, ou dos ritos e da liturgia de uma suposta 'classe artística e intelectual'. Cultura, como alguém já disse, não é apenas 'uma espécie de ignorância que distingue os estudiosos'."

O cantor, além de clamar por uma visão menos burocrática da questão cultural, também prometeu empenhar-se pessoalmente nisso - amparado em sua projeção internacional, seu trânsito fácil e a simpatia notória. "Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos."

E o baiano também foi à política externa, ao embate com o espectro hegemônico da política internacional. "Sabemos que as guerras são movidas, quase sempre, por interesses econômicos. Mas não só. Elas se desenham, também, nas esferas da intolerância e do fanatismo. E, aqui, o Brasil tem lições a dar - apesar do que querem dizer certos representantes de instituições internacionais e seus porta-vozes internos que, a fim de tentar expiar suas culpas raciais, esforçam-se para nos enquadrar numa moldura de hipocrisia e discórdia, compondo de nossa gente um retrato interessado e interesseiro, capaz de convencer apenas a eles mesmos. Sim: o Brasil tem lições a dar, no campo da paz e em outros, com as suas disposições permanentemente sincréticas e transculturativas. E não vamos abrir mão disso", afirmou, peremptório.

Gil foi original no seu "do-in antropológico", barroco no seu "artefatos ou mentefatos", e também escorregou nos clichês mais batidos da área, como a expressão "não cabe ao Estado fazer cultura".

A questão maior é: sua disposição e demonstrada percepção do pepino cultural serão suficientes para levá-lo adiante ou apenas o colocarão em choque com seus pares do governo? Logo depois de fazer o seu discurso, Gil já tinha reuniões de gabinete com o pessoal do PT para o que seus assessores chamaram de "composição". Será isso a nomeação política de secretarias? Esse procedimento atende aos princípios enumerados na fala do ministro?

Caso seja assim, além do espaço para "aventura e a ousadia, a memória e a invenção", Gil precisará também acomodar o espaço da conveniência política, algo que não estava em seu discurso.


AE/Agencia Estado
O ESTADO DE SÃO PAULO
Sábado 04 de janeiro de 2003.








Já visitou o Artimanhas? É o meu blog pessoal. Visite-me ou se arrependerá para sempre.



Discurso de Gilberto Gil

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi a mais eloqüente manifestação da nação brasileira pela necessidade e pela urgência da mudança. Não por uma mudança superficial ou meramente tática no xadrez de nossas possibilidades nacionais. Mas por uma mudança estratégica e essencial, que mergulhe fundo no corpo e no espírito do país. O ministro da Cultura entende assim o recado enviado pelos brasileiros, através da consagração popular do nome de um trabalhador, do nome de um brasileiro profundo, simples e direto, de um brasileiro identificado por cada um de nós como um seu igual, como um companheiro.


É também nesse horizonte que entendo o desejo do presidente Lula de que eu assuma o Ministério da Cultura. Escolha prática, mas também simbólica, de um homem do povo como ele. De um homem que se engajou num sonho
geracional de transformação do país, de um negromestiço empenhado nas movimentações de sua gente, de um artista que nasceu dos solos mais generosos de nossa cultura popular – e que, como o seu povo, jamais abriu mão da aventura, do fascínio e do desafio do novo. E é por isso mesmo que assumo, como uma das minhas tarefas centrais, aqui, tirar o Ministério da Cultura da distância em que ele se encontra, hoje, do dia-a-dia dos brasileiros.


Que quero o Ministério presente em todos os cantos e recantos de nosso País. Que quero que esta aqui seja a casa de todos os que pensam e fazem o Brasil. Que seja, realmente, a casa da cultura brasileira.


E o que entendo por cultura vai muito além do âmbito restrito e restritivo das concepções acadêmicas, ou dos ritos e da liturgia de uma suposta "classe artística e intelectual". Cultura, como alguém já disse, não é apenas "uma espécie de ignorância que distingue os estudiosos". Nem somente o que se produz no âmbito das formas canonizadas pelos códigos ocidentais, com as suas hierarquias suspeitas. Do mesmo modo, ninguém aqui vai me ouvir pronunciar a palavra "folclore". Os vínculos entre o conceito erudito de "folclore" e a discriminação cultural são mais do que estreitos. São íntimos. "Folclore" é tudo aquilo que – não se enquadrando, por sua antigüidade, no panorama da cultura de massa – é produzido por gente inculta, por "primitivos contemporâneos", como uma espécie de enclave simbólico, historicamente atrasado, no mundo atual. Os ensinamentos de Lina Bo Bardi me preveniram definitivamente contra essa armadilha. Não existe "folclore" – o que existe é cultura.


Cultura como tudo aquilo que, no uso de qualquer coisa, se manifesta para além do mero valor de uso. Cultura como aquilo que, em cada objeto que produzimos, transcende o meramente técnico. Cultura como usina de símbolos de um povo. Cultura como conjunto de signos de cada comunidade e de toda a nação. Cultura como o sentido de nossos atos, a soma de nossos gestos, o senso de nossos jeitos.


Desta perspectiva, as ações do Ministério da Cultura deverão ser entendidas como exercícios de antropologia aplicada. O Ministério deve ser como uma luz que revela, no passado e no presente, as coisas e os signos que fizeram e fazem, do Brasil, o Brasil. Assim, o selo da cultura, o foco da cultura, será colocado em todos os aspectos que a revelem e expressem, para que possamos tecer o fio que os unem.


Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, proporcionar condições necessárias para a criação e a produção de bens culturais, sejam eles artefatos ou mentefatos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, promover o desenvolvimento cultural geral da sociedade. Porque o acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde, à vida num meio ambiente saudável. Porque, ao investir nas condições de criação e produção, estaremos tomando uma iniciativa de conseqüências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas – já que a criatividade popular brasileira, dos primeiros tempos coloniais aos dias de hoje, foi sempre muito além do que permitiam as condiçõs educacionais, sociais e econômicas de nossa existência. Na verdade, o Estado nunca esteve à altura do fazer de nosso povo, nos mais variados ramos da grande árvore da criação simbólica brasileira.


É preciso ter humildade, portanto. Mas, ao mesmo tempo, o Estado não deve deixar de agir. Não deve optar pela omissão. Não deve atirar fora de seus ombros a responsabilidade pela formulação e execução de políticas
apostando todas as suas fichas em mecanismos fiscais e assim entregando a política cultural aos ventos, aos sabores e aos caprichos do deus-mercado. É claro que as leis e os mecanismos de incentivos fiscais são da maior importância. Mas o mercado não é tudo. Não será nunca. Sabemos muito bem que em matéria de cultura, assim como em saúde e educação, é preciso examinar e corrigir distorções inerentes à lógica do mercado – que é sempre regida, em última análise, pela lei do mais forte. Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos. Sabemos que é preciso suprir as nossas grandes e fundamentais carências.


O Ministério não pode, portanto, ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial. Tenho, então, de fazer a ressalva: não cabe ao Estado fazer cultura, a não ser num sentido muito específico e inevitável. No sentido de que formular políticas públicas para a cultura é, também, produzir cultura. No sentido de que toda política cultural faz parte da cultura política de uma sociedade e de um povo, num determinado momento de sua existência. No sentido de que toda política cultural não pode deixar nunca de expressar aspectos essenciais da cultura desse mesmo povo. Mas, também, no sentido de que é preciso intervir
Não segundo a cartilha do velho modelo estatizante, mas para clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de "do-in" antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do país. Enfim, para avivar o velho e atiçar o novo. Porque a cultura brasileira não pode ser pensada fora desse jogo, dessa dialética permanente entre a tradição e a invenção, numa encruzilhada de matrizes milenares e informações e tecnologias de ponta.


Logo, não se trata somente de expressar, refletir, espelhar. As políticas públicas para a cultura devem ser encaradas, também, como intervenções, como estradas reais e vicinais, como caminhos necessários, como atalhos urgentes. Em suma, como intervenções criativas no campo do real histórico e social. Daí que a política cultural deste Ministério, a política cultural do Governo Lula, a partir deste momento, deste instante, passa a ser vista como parte do projeto geral de construção de uma nova hegemonia em nosso País. Como parte do projeto geral de construção de uma nação realmente democrática, plural e tolerante. Como parte e essência de um projeto consistente e criativo de radicalidade social. Como parte e essência da construção de um Brasil de todos.


Penso, aliás, que o presidente Lula está certo quando diz que
a onda atual de violência, que ameaça destruir valores essenciais da formação de nosso povo, não deve ser creditada automaticamente na conta da pobreza. Sempre tivemos pobreza no Brasil, mas nunca a violência foi tanta como hoje. E esta violência vem das desigualdades sociais. Mesmo porque sabemos que o que aumentou no Brasil, nessas últimas décadas, não foi exatamente a pobreza ou a miséria. A pobreza até que diminuiu um pouco, como as estatísticas mostram. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil se tornou um dos países mais desiguais do mundo. Um país que possui talvez a pior distribuição de renda de todo o planeta. E é esse escândalo social que explica, basicamente, o caráter que a violência urbana assumiu recentemente entre nós, subvertendo, inclusive, os antigos valores da bandidagem brasileira.


Ou o Brasil acaba com a violência, ou a violência acaba com o Brasil. O Brasil não pode continuar sendo sinônimo de uma aventura generosa, mas sempre interrompida. Ou de uma aventura só nominalmente solidária. Não pode continuar sendo, como dizia Oswald de Andrade, um país de escravos que teimam em ser homens livres. Temos de completar a construção da nação. De incorporar os segmentos excluídos. De reduzir as desigualdades que nos atormentam. Ou não teremos como recuperar a nossa dignidade interna, nem como nos afirmar plenamente no mundo. Como sustentar a mensagem que temos a dar ao planeta, enquanto nação que se prometeu o ideal mais alto que uma coletividade pode propor a si mesma: o ideal da convivência e da tolerância, da coexistência de seres e linguagens múltiplos e diversos, do convívio com a diferença e mesmo com o contraditório. E o papel da cultura, nesse processo, não é apenas tático ou estratégico – é central: o papel de contribuir objetivamente para a superação dos desníveis sociais, mas apostando sempre na realização plena do humano.


A multiplicidade cultural brasileira é um fato. Paradoxalmente, a nossa unidade de cultura – unidade básica, abrangente e profunda – também. Em verdade, podemos mesmo dizer que a diversidade interna é, hoje, um dos nossos traços identitários mais nítidos. É o que faz com que um habitante da favela carioca, vinculado ao samba e à macumba, e um caboclo amazônico, cultivando carimbós e encantados, sintam-se – e, de fato, sejam – igualmente brasileiros. Como bem disse Agostinho da Silva, o Brasil não é o país do isto ou aquilo, mas o país do isto e aquilo. Somos um povo mestiço que vem criando, ao longo dos séculos, uma cultura essencialmente sincrética. Uma cultura diversificada, plural – mas que é como um verbo conjugado por pessoas diversas, em tempos e modos distintos. Porque, ao mesmo tempo, essa cultura é una: cultura tropical sincrética tecida ao abrigo e à luz da língua portuguesa.


E não por acaso me referi, antes, ao plano internacional. Tenho para mim que a política cultural deve permear todo o Governo, como uma espécie de argamassa de nosso novo projeto nacional. Desse modo, teremos de atuar transversalmente, em sintonia e em sincronia com os demais ministérios. Alguns dessas parcerias se desenham de forma quase automática, imediata, em casos como os dos ministérios da Educação, do Turismo, do Meio Ambiente, do Trabalho, dos Esportes, da Integração Nacional. Mas nem todos se lembram logo de uma parceria lógica e natural, no contexto que estamos vivendo e em função do projeto que temos em mãos: a parceria com o Ministério das Relações Exteriores. Se há duas coisas que hoje atraem irresistivelmente a atenção, a inteligência e a sensibilidade internacionais para o Brasil, uma é a Amazônia, com a sua biodiversidade – e a outra é a cultura brasileira, com a sua semiodiversidade. O Brasil aparece aqui, com as suas diásporas e as suas misturas, como um emissor de mensagens novas, no contexto da globalização.


Juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, temos de pensar, modelar e inserir a imagem do Brasil no mundo. Temos de nos posicionar estrategicamente no campo magnético do Governo Lula, com a sua ênfase na afirmação soberana do Brasil no cenário internacional. E sobretudo temos de saber que recado o Brasil – enquanto exemplo de convivência de opostos e de paciência com o diferente – deve dar ao mundo, num momento em que discursos ferozes e estandartes bélicos se ouriçam planetariamente. Sabemos que as guerras são movidas, quase sempre, por interesses econômicos. Mas não só. Elas se desenham, também, nas esferas da intolerância e do fanatismo. E, aqui, o Brasil tem lições a dar – apesar do que querem dizer certos representantes de instituições internacionais e seus porta-vozes internos que, a fim de tentar expiar suas culpas raciais, esforçam-se para nos enquadrar numa moldura de hipocrisia e discórdia, compondo de nossa gente um retrato interessado e interesseiro, capaz de convencer apenas a eles mesmos. Sim: o Brasil tem lições a dar, no campo da paz e em outros, com as suas disposições permanentemente sincréticas e transculturativas. E não vamos abrir mão disso.


Em resumo, é com esta compreensão de nossas necessidades internas e da procura de uma nova inserção do Brasil no mundo que o Ministério da Cultura vai atuar, dentro dos princípios, dos roteiros e das balizas do projeto de mudança de que o presidente Lula é, hoje, a encarnação mais verdadeira e mais profunda. Aqui será o espaço da experimentação de rumos novos. O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens. O espaço da disponibilidade para a aventura e a ousadia. O espaço da memória e da invenção.
Muito obrigado.

(Este blog agradece comovido ao Marinildadas, blog da minha amiga blogueira, a jornalista Marinilda Carvalho que conseguiu o furo. A cobertura mais completa da posse de Lula está lá nesse blog. Visita obrigatória).





Discurso de Gil é sucesso

Objetivo é fazer do ministério 'a casa da cultura popular'

Leandro Fortes (Jornal do Brasil)



Agência Brasil

Gilberto Gil


BRASÍLIA - De paletó e gravata e unhas de cerâmica na mão direita, justo a que usa para dedilhar o violão, Gilberto Gil subiu no palco do Ministério da Cultura às 15h em ponto de ontem. Diante de uma platéia basicamente formada de artistas e agentes culturais, Gil fez da cerimônia um raro show de lirismo político. O discurso do compositor baiano, cheio de figuras de linguagens, neologismos e engajamento social, conseguiu arrancar aplausos e teve um toque diferente em relação às demais cerimônias de posse. Em nove laudas, Gil girou sua bússola cultural para a luta contra a violência e pela inserção dos excluídos sociais nos planos da pasta.
No auditório lotado onde foi empossado, Gil desconstruiu com sutileza toda a história do Ministério da Cultura até aquele momento, o que provocou um desconforto quase físico em Francisco Weffort, o ministro que saía.

Ato contínuo, no pior momento da cerimônia, Weffort teve a péssima idéia de acender um charuto na mesa de autoridades. A platéia, espremida e atônita, começou a tossir em protesto. Gil passou a ler ainda mais calmamente o texto do discurso enquanto, constrangido, o ex-ministro se viu obrigado apagar o charuto e a escondê-lo num cinzeiro, sob a mesa.

Contraponto ao longo e burocrático discurso de despedida de Weffort, a fala de Gil enveredou pelos floreios e pela crítica direta - mas elegante. Ele se autodenominou um ''negro mestiço'' para falar do sonho de sua geração e da tarefa de fazer do ministério uma casa da cultura popular. Criticou a ferocidade do ''deus-mercado'' e prometeu acabar com a distância que, segundo ele, separa a pasta da Cultura do dia-a-dia dos brasileiros.

- Desta perspectivas, as ações deverão ser entendidas como exercícios de antropologia aplicada - disse.

Na primeira fileira, o senador baiano eleito Antônio Carlos Magalhães (PFL) era mais um numa platéia que, aos poucos, foi sendo dominada pelo ritmo do discurso. Gil disse que pretende se posicionar estrategicamente no ''campo magnético'' do governo Lula, e que o ''escândalo social'' provocado pela má distribuição de renda no país está na origem da violência.

- Isso explica, basicamente, o caráter que a violência urbana assumiu recentemente entre nós, subvertendo, inclusive, os antigos valores da bandidagem brasileira - disse Gil, arrancando risadas.

Ele disse que pretende rever a ações do ministério, inclusive a lei de incentivos fiscais - a chamada Lei Rouanet - mudando a política de investimentos no setor cultural. Prometeu voltar-se para os setores populares e tirar das grandes empresas e dos centros desenvolvidos a primazia sobre os financiamentos culturais.

- Aqui será o espaço da memória e da invenção. Viva o povo brasileiro! - bradou Gil ao terminar o discurso.

Jornal do Brasil
[03/JAN/2003]



29.12.02



ANJOS DO PICADEIRO -- A CELEBRAÇÃO DO RISO E DA ARTE DO ENCONTRO

Anjos do Picadeiro é um Encontro Internacional de Palhaços que se realiza no Brasil a cada dois anos, um grande congresso de circo, teatro e comicidade popular que reúne centenas dos mais importantes artistas/cômicos e estudiosos provenientes das ruas, circos, universidades e cabarés de várias partes do Brasil e do mundo.

Acreditando na importância de um espaço para discussão das criações artísticas, realizamos o encontro pela primeira vez em 1996, no Rio de Janeiro, em iniciativa independente, para comemorar os dez anos de atividades do Teatro de Anônimo. Graças a participação de parceiros que o grupo cultivou ao longo de seus 10 anos de existência, criou-se assim, um espaço de reciclagem, intercâmbio, qualificação e requalificação profissional, investindo na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Em sua primeira edição, Anjos do Picadeiro, homenageou Benjamim de Oliveira, o 1º palhaço negro do mundo e, segundo algumas fontes, um dos ícones da artes cênicas no Brasil, criador do Circo-Teatro Brasileiro.
A grande estrela do encontro foi a generosidade, o desejo de artistas se reunirem para discutir e trocar experiências de seus diferentes processos de criação, realizar oficinas de aperfeiçoamento, apresentar seus espetáculos e confrontar idéias e metodologias.



Participantes

Parlapatões Patifes e Paspalhões (SP),
Grupo Lume (SP), Gabriel Guimard (SP),
Luís Carlos Vasconcelos (PB), Antônio Nóbrega (SP),
Irmãos Brothers (RJ), As Marias da Graça (RJ),
Cia. do Público (RJ), Trampolim (MG), Armatrux (MG),
Beti Rabetti (RJ), Alice Viveiros de Castro (RJ),
Santiago Galassi (Argentina) e Toto Fabris (Italia).







ANJOS DO PICADEIRO 2 -- O Oficio de Ser Palhaço


A segunda edição teve a oportunidade de verticalizar as discussões sobre a verdadeira arte do palhaço, o riso e as relações pertinentes ao fazer rir.

Espetáculos, oficinas e debates, tomaram as ruas, o SESC de São José do Rio Preto e o SESC Ipiranga, e tornaram essas cidades, por alguns dias, a capital do riso, proporcionando ao grande público, momentos singulares de alegria e poesia, dado o grau de excelência e dedicação que seus participantes conferem à sua arte.

A grande homenagem foi à uma memória viva: a família Nani Colombaioni - representantes da quinta geração Colombaioni cujas origens remontam a Commedia dell'Arte , e no encontro foram referência para as discussões sob o ofício de ser palhaço. Nani Colombaioni, parceiro de Federico Fellini nos filmes I Clowns, La Strada e Amacord foi uma das principais atrações do evento.

Como resultado final do encontro fizemos a Revista Anjos do Picadeiro 2 , mais uma vez com a preciosa parceria do SESC , onde artistas e intelectuais registraram suas reflexões e pensamentos em conjunto com uma belíssima memória visual de Celso Pereira. Outro surpreendente resultado foi o vídeo produzido pela TVE, com depoimentos e cenas dos espetáculos do "Anjos" que lá estiveram.













ANJOS DO PICADEIRO 3 -- O PALHAÇO E A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE MAIS ALEGRE, AFETIVA E GENEROSA


Na terceira edição do Anjos do Picadeiro tivemos como tema "o palhaço e a construção de uma sociedade mais alegre, afetiva e generosa ."


Como havia prometido aí está o primeiro da Revista Anjos 3, difícil foi escolher qual, modestia à parte, a revista está uma delícia de ler, de apreciar. Tá valendo ter na mão, no banheiro, no escritório, no consultório, no quarto , na sala e na cozinha. Porque além das maravilhosas fotos de Celso Pereira tem Chaco Vachi, Alice Viveiros de Castro, Verônica Tamaoki, Paulo Meríssio, Edmundo Pereira entre outros .

E o escolhido foi... A entrevista com Leo Bassi, MARAVILHOSA.

E é com grande satisfação e orgulho que os deixo saboreando esse pedacinho da REVISTA ANJOS DO PICADEIRO 3.

Shirley Britto



Aqui você encontra a Revista Anjos do Picadeiro 3

Livraria Mario de Andrade
R. da Imprensa, 16 - Térreo - Centro

Livraria Carlos Miranda
Av. Rio Branco, 179 - Centro

Cine Clube Estação Botafogo
R. Voluntários da Pátria, 88 - Botafogo

Espaço Unibanco
R. Voluntários da Pátria, 35 - Botafogo

Livraria Museu da República
R. do Catete, 153 - Catete

Centro Cultural Banco do Brasil
R. 1º de Março, 66 - Centro

























ANJOS DO PICADEIRO 4

Lançamento Anjos 2004 - Dias 17 e 18 de janeiro, o palhaço espanhol TORTEL POLTRONA, CIA. DO PÚBLICO E TEATRO DE ANÔNIMO estarão no Teatro Carlos Gomes, às 20h abrindo os serviços do ano novo e lançando o Encontro Internacional de Palhaços Anjos do Picadeiro


AGENDA 2003 -- TEATRO DE ANONIMO

17/01 e 18/01 às 20:00 hs. Lançamento Anjos do Picadeiro 2004
Teatro Carlos Gomes Anjos do Picadeiro

17/02 a 21/02
19:00 às 22,00
Oficina: O Ator no Picadeiro
Espaço 1 - Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa Ateliê de Comicidade

10/3 a 15/03
19,00 às 22,00 hs
Oficina: A Nobre Arte do Palhaço
Espaço 1 - Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa Ateliê de Comicidade
19/03 a23/03

19,00 às 22,00 hs.
Oficina: O Jogo do Bufão coordenação de Juliana Jardim
Espaço 1 - Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa Ateliê de Comicidade


07/04 a 15/04
19:00 às 22,00

Oficina: A Nobre Arte do Palhaço
Espaço 1 - Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa Ateliê de Comicidade

02/06 a 06/06
19,00 às 22:00
Oficina: A Nobre Arte do Palhaço
Espaço 1 - Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa Ateliê de Comicidade





10.12.02

DECLARAÇÃO DO RISO DA TERRA

Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens.
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma.
(de um papiro egípcio)


Palhaços do mundo uni-vos!

Vivemos um momento em que a estupidez humana é nossa maior ameaça.

Palhaços não transformam o mundo, quiçá a si mesmos.

E nós, palhaços, tontos, bufões, que levamos a vida a mostrar toda essa estupidez, cansamos.

O palhaço é a expressão da alegria,
o palhaço é a expressão da vida no que ela tem de instigante, sensível, humana.
Alegria que o palhaço realiza a cada momento de sua ação,
contribuindo para estancar, por um momento que seja,
a dor no planeta Terra.

O palhaço é a única criatura no mundo que ri de sua própria derrota
e ao agir assim estanca o curso da violência.
OS PALHAÇOS AMPLIAM O RISO DA TERRA.

Por esse motivo, nós, palhaços do mundo, não podemos deixar de dizer
aos homens e mulheres do nosso tempo, de qualquer credo, de qualquer país:
CULTIVEMOS O RISO.

Cultivemos o riso contra as armas que destroem a vida.
O riso que resiste ao ódio, à fome e às injustiças do mundo.
Cultivemos o riso. Mas não um riso que discrime o outro pela sua cor,
religião, etnia, gostos e costumes.
CULTIVEMOS O RISO PARA CELEBRAR AS NOSSAS DIFERENÇAS.
Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso.
Enquanto rirmos estaremos em paz..


CARTA DA PARAÍBA - João Pessoa, 2 de dezembro de 2001

Declaração do Riso da Terra, documento gerado no Festival Mundial de Circo, realizado no ano passado em João Pessoa. O festival que reuniu palhaços de várias partes do planeta foi idealizado, produzido e dirigido pelo PALHAÇO XUXU (a sua benção, Mestre!) -- o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos.

4.12.02


NUCLEO DE PESQUISA DO ATOR --VIII ENCONTRO COM ESPETÁCULOS E OFICINAS

O Núcleo de Pesquisa do Ator é um projeto de extensão localizado na UNI-RIO (Rio de Janeiro) e que tem como objetivo realizar atividades que se debrucem tanto sobre o processo criativo do ator (o que é um ato criativo do ponto de vista do ator ?) quanto sobre a pedagogia teatral (qual o lugar do professor quando o que está em jogo é um 'processo criativo', sempre desconhecido, e não simplesmente um 'procedimento produtivo'?).

O projeto estará realizando diversas atividades gratuitas na semana de 9 a 12 de dezembro na Escola de Teatro - Av. Pasteur,436 - fundos - Urca

Participe e divulgue !!

Atividades do Nucleo de Pesquisa do Ator no
"VIII Encontro e V Feira de Extensao"


O9/l2 (segunda-feira)

Complexiótica Hermética, nível I
com Nadam Guerra

Espetáculo teatral criado na ação permanente "Cena de Ator", construído a partir da ênfase no trabalho do ator e orientado pela prof. Tatiana Motta Lima.
Às 20h, na Escola de Teatro, sala 3zero2


lO/l2 (terca-feira)

Tapetes Contadores de Histórias: Cenário da Memória Brasileira
coordenado por Carlos Eduardo Cinelli e Warley Goulart (Grupo Raconte-Tapis).

Palestra e contação de histórias com o Grupo RaconteTapis apresentando seu novo projeto de confecção de tapetes artesanais como suporte para a narração de histórias brasileiras.

Das 10:30 às 12h, no CCH - sala 314
35 vagas

Oficina de Contação de Histórias
coordenado por Andrea Pinheiro, Carlos Eduardo Cinelli e Warley Goulart (Grupo Raconte-Tapis).

O Grupo Raconte-Tapis aborda alguns dos princípios da narração de histórias a partir do seu material: os tapetes contadores de histórias.

Das 14 às 17h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
18 vagas


Estudos de Concerto para Corpo e Alma: "Vestimenta Soslaio Sangue no Rectum de Poe"
com Marilene Vieira
Performance solo de caráter biográfico.
Às 20h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
Esta atividade é realizada em parceria com a Cia Riscados do Mapa.

ll/l2 (quarta-feira)

Oficina Prática: O Corpo em Jogo
coordenada por Carlos Eduardo Cinelli (Teatro da Passagem).

O objetivo é trabalhar a consciência corporal, a percepção de tensões físicas, exercícios de respiração, relação espacial, improvisações coletivas e individuais.

Das 14 às 18h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
15 vagas

Treinamento Físico do Ator/Bailarino
coordenado por Joana Levi (Pólo Sul Americano do Ator Contemporâneo).

Aula aberta onde se levará o participante a experimentar um treinamento que investiga as qualidades físico-dinâmicas do movimento e a relação entre corpo e imaginação.

Das 19 às 21:30h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
15 vagas


Estudos de Concerto para Corpo e Alma: "Performance Solo - em processo"
com Sylvia Heller e "Los cuentos intimos de Casimira" com Rosana Reategui
Performances solo de caráter biográfico.
Às 20h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
Esta atividade é realizada em parceria com a Cia Riscados do Mapa.

l2/l2 (quinta-feira)


Estudos de Concerto para Corpo e Alma: "Pequena Epifania 2"
com Carlos Eduardo Cinelli.

Performance solo de caráter biográfico.
Às 20h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
Esta atividade é realizada em parceria com a Cia Riscados do Mapa.

l3/l2 (sexta-feira)

Roda de Histórias Indígenas
coordenação de Rute Casoy.

Serão realizadas atividades de corpo (relaxamento, respiração, integração do grupo, danças, ritmo); voz(cantos e sonoridades); mãos (desenhos, argila, instrumentos); e pensamento (poesias, histórias, leituras, reflexão, depoimentos e diálogos), a partir de lendas, mitos e histórias indígenas.

Das 16 às 18h, no Jardim do CLA
20 vagas

Obs. Recomendo sem reservas, esta oficina. Conheço de perto o trabalho da RUTE CASOY. Já fiz parte do grupo de estudos que originou esta oficina, no LISE (Laboratorio do Imaginário Social na Educação), na UFRJ.


Estudos de Concerto para Corpo e Alma: "Transformazol"
com Cristiane Moura

Performance solo de caráter biográfico.
Às 20h, na Escola de Teatro - sala 3zero2
Esta atividade é realizada em parceria com a Cia Riscados do Mapa.



Os eventos serão gratuitos. Distribuição de senha no local 15 minutos antes.

Coordenação: Prof. Tatiana Motta Lima
Bolsista: Helena Contente
Colaboradores: Aline Magioli e Bruno Perlatto
Contato: nucleodepesquisadoator@hotmail.com



3.12.02



"ENCANTERIAS" CELEBRAM O TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO CONDOMINIO CULTURAL

O pesquisador Câmara Cascudo definia o termo encanterias como uma espécie de pajelança, cerimonial do ''pajé'' para alcançar fórmulas terapêuticas por meio de espíritos. E esse foi o nome escolhido pela organização do Condomínio Cultural para celebrar o terceiro aniversário de resistência do espaço que há algum tempo não recebe apoio nem recursos financeiros para manter sua programação. E quem sabe com a festa eles não chamam espíritos patrocinadores?

"Encanterias de dezembro" traz uma vasta programação cultural de hoje até 15 de dezembro, com produção de artistas independentes até espetáculos de artistas já consagrados como a coreógrafa Patrícia Noronha e o grupo Circo Branco, ambos de São Paulo.

Os destaques da programação ficam por conta do Grupo Hombu (com seu espetáculo infantil baseado em Cecília Meirelles), Gero Camilo (prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília pelo filme “Bicho-de-sete-cabeças”); o Teatro do Anônimo; Seresta Carioca; Fuzarca da Lira, a Cooperativa Abayomi (de bonecas negras); o centenário Jongo da Serrinha; a coreógrafa e bailarina Angel Viana; o Circo Branco (de São Paulo); e um convidado ilustre: Pedro Luis.

Mas o maior objetivo do evento é mostrar que com pouco dinheiro se consegue fazer espetáculos de qualidade.

- Queremos que as pessoas pensem: "Sem nenhum dinheiro, eles conseguiram fazer isso; o quanto eles não fariam com patrocínio?". São três anos trabalhando realmente por amor à arte, pagando do próprio bolso despesas que muitas vezes não podemos arcar. Temos muitas dívidas, sim, mas também muito gás para dar à cultura - desabafa a diretora e criadora da Grande Companhia Brasileira de Mysterios & Novidades, Ligia Veiga, uma das fundadoras do Condomínio Cultural.

Os ingressos custam R$ 5 e o Condomínio Cultural fica na Rua Luiz de Camões 2, Centro.
Programação:
Dia 1 - domingo

17h - "Ou isto ou aquilo": espetáculo infantil baseado na obra de Cecília Meireles, com o Grupo Hombu

20h - Show da banda de palhaços populares Fuzarca da Lira: " Nóis viemo aqui pra quê?"

Dia 2 - segunda-feira

14h às 18h - Oficina "Corpo no ritmo, ritmo no corpo" com Paula Nestorov e António Saraiva

20h - "Pois é, vizinha" (experimento teatral). Peça baseada na obra "Una donna sola" de Dario Fo e Franca Rame. Direção, adaptação e interpretação de Débora Finocchiaro (RS)

Dia 3 - terça-feira

14h às 16h - Oficina de percussão com Virginia Barbosa

20h - "De dentro", peça teatral com manipulação de bonecos. Com Astrid Toledo e Alexandre Boccanera.

21h - Leitura da peça de José Agripino "Rito do amor selvagem" com direção de Julio Braga

Dia 4 - quarta-feira

14h - Oficina "Corpo-Improvisação", com Denise Stutz

18h - No Largo de São Francisco, show de música com o grupo Hapax (percussão afro-industrial e música eletrônica).

20h - Fragmento da peça "Deste meio todo o teu ser" com o Grupo Panapanam (SP)

Dia 5 - quinta-feira

14h às 17h - Oficina "Corpo e criação" com Patrícia Noronha (SP)

18h - No Largo de São Francisco: "O artista ideal", performance de Bruno Lima

20h - "Inscrito", espetáculo de dança contemporânea baseada em escrito de Jorge Luiz Borges. Com Angel Vianna, Alexandre Franco e Ana Vitória

Dia 6 - sexta-feira

19h - Fado da Machadinha

20h - Show de lançamento do CD "Ponto sem nó" de Lucina

Dia 7 - sabado

17h - "Dom Quixote", peça com a Cia. Corpo na Contramão

20h - Seresta Carioca: show de choros, samba-canções, clássicos da MPB

Dia 8 - domingo

18h - Lançamento da ONG Transformarte com a apresentação da peça teatral "Marculino chega ao purgatório", com o grupo Grapaar.

Dia 9 - segunda-feira

14h às 17h - Oficina "O corpo dá voz" com Marília Fellipe e Alba Lírio

20h - "Balacubaco" - Música e poesia com Daniel Gonzaga, Chacal, Pedro Rocha, Vitor Paiva, Jhales Coutinho, Tavinho Teixeira, Guilherme Levi, Cabaré Pé Sujo, Botika, Alex Hamburger, Cabelo, Dado, Eber, Yeda, Tarso, Tavinho Pais e o grupo Carne de Segunda

Dia 10 - terça-feira

14h - Oficina de balé-afro com Menina G'leu ( Ilhéus-Bahia)

18h - No Largo de São Francisco - "Navelouca", espetáculo de rua com a Grande Companhia Brasileira de Mysterios & Novidades (fotos)

19h30m - "Rio Abierto no Rio", oficina com Maria Adela Palcos (psicóloga argentina e diretora do Instituto Rio Abierto, em Buenos Aires)

Dia 11 - quarta-feira

14h - Oficina "Corpos instáveis" com João Saldanha

20h - Programa duplo, com dois espetáculos de dança: "Qual é a música", com Paula Águas, e "Um estudo", com Márcia Rubin

21h - Show de Pedro Luis

Dia 12 - quinta-feira

14h - Oficina de balé-afro com Menina G'leu ( Ilhéus-Bahia)

20h - "Procissão", espetáculo premiado do ator Gero Camilo (SP)

Dia 13 - sexta-feira

18h - No Largo de São Francisco - "O pregoeiro", com Marcio Libar (Palhaço Cuti-Cuti), do Teatro do Anônimo.

20h - Espetáculo "Povo de rua", com Marise Nogueira e Flavia Reis

Dia 14 - sabado

17h - "As Velhinhas de Santa Teresa". Espetáculo infantil apresentado por Emmanuel Santos e Gabriel Bezerra que, caracterizados como velhas senhoras, manipulam marionetes, contam histórias e recitam poesias de autores nacionais consagrados.

20h - "Auto da Paixão" peça com o grupo Circo Branco (SP)

Dia 15 - domingo

20h - "Auto da Paixão", peça com o grupo Circo Branco (SP)

ENCANTERIAS DE DEZEMBRO “De dentro”. Direção: Astrid Toledo e Alexandre Boccanera. Com Astrid Toledo, Andrea Elias e outros.

Condomínio Cultural: Rua Luiz de Camões 2, Centro —Tel. 2242-9942.
































3.11.02


A Menor Máscara do Mundo

Os palhaços da Companhia do Gesto em novo espetáculo, estreiou terça no Teatro Laura Alvim, ficando em cartaz sempre as terças e quartas ate o dia 18 de dezembro.

Depois de "Os Clowns" (1986) e "Cláun! Palhaços Mudos" (2000), a Companhia do Gesto – RJ, coloca em cena oito novos palhaços no seu mais novo espetáculo: "A Menor Máscara do Mundo" (o nariz vermelho do palhaço, considerado a menor de todas as máscaras cênicas).
A idéia do espetáculo surgiu ainda em 2001, dentro das oficinas do projeto "Jogo de Máscaras e Clowns" coordenado por Dácio Lima, introdutor do jogo do clown como linguagem cênica nos palcos brasileiros, e agora chega ao palco do Teatro Laura Alvim, que estreiou dia 22 de outubro, com elenco formado por palhaços saídos das oficinas do projeto.

Este foi o último espetáculo que começou a ser dirigido por Dácio Lima antes de ser morto, em fevereiro deste ano.

O trabalho com "A Menor Máscara..." teve continuidade garantida por Luís Igreja, ator integrante do núcleo da Companhia do Gesto há 15 anos, que assumiu a direção do espetáculo e da Companhia após um ano de viagem pelos Estados Unidos, Europa e Ásia com um espetáculo solo de clown.

O grupo é formado por sete palhaças e um palhaço que, a exemplo dos espetáculos anteriores da companhia, transformam situações simples e cotidianas em motivo para jogo e riso, numa abordagem inusitada e poética acentuada pela linguagem do teatro gestual pesquisada pela Companhia.

Um simples tropeço, a vontade de comer um pão ou uma dancinha enamorada se transformam em fatos surpreendentes, motivos para o riso e comoção, para a exploração do patético e do poético pelos palhaços. Revirar o cotidiano do avesso é, aliás, uma das bases clássicas dos números de clown utilizadas como jogo teatral, capaz de expor sem pudores o que existe de mais humano em cada um.

A poesia ganha espaço numa partida de futebol feminino (capaz de "enlouquecer" qualquer juiz ou torcedor desavisado) que constrói um elo direto com a memória afetiva brasileira, resgatando o futebol arte de outros tempos, tão bem retratado pelo Canal 100. Utilizando o recurso da movimentação em câmera lenta para obter um resultado estético mais apurado, a cena tem sua força no conjunto da ação do grupo.

Os palhaços também se arriscam numa ópera improvável em que brincam com os códigos estabelecidos do mundo lírico para contar uma história de amor trágica e banal, como deve ser toda boa história de amor.

Uma rave de palhaços traz impacto e envolvimento sensorial da platéia na ação e abre espaço para a crítica totalmente atual, exibindo o que há de surreal, grotesco e hilário nos personagens que buscam novas emoções sensoriais nas festas.

"A Menor Máscara do Mundo" dá prosseguimento e aprofunda a linha de pesquisa desenvolvida pela companhia carioca há 17 anos, na opção por jogos teatrais pouco habituais como máscaras e clowns, abdicando das palavras para explorar ao máximo a comunicação gestual, permitindo a aproximação cada vez maior de um estado mais revelado das pessoas em cena.

O espetáculo provoca riso e comoção das platéias com ironia, lirismo, graça e simplicidade. Sob medida para agradar a todas as idades.

A Companhia

O diretor Dácio Lima iniciou seus trabalhos no teatro em Brasília, no ano de 1975,. Após um período de estudos na França, fixou-se no Rio de Janeiro, onde desenvolveu pesquisa sobre a linguagem de clown e máscaras de teatro. Em 1986, após um ano de experimentações, estreou o espetáculo "Os Clowns", inaugurando o Teatro Porão Cultural da Casa de Cultura Laura Alvim.

Foi, possivelmente, o primeiro espetáculo brasileiro a utilizar a linguagem clown como técnica e tema, inspirando outros grupos pelo Brasil que hoje desenvolvem trabalhos com a mesma linguagem (o clown), ajudando a firmar essa técnica no país.

No repertório do grupo também constam, entre outros, os espetáculos "As Máscaras" (1989), "O Baile" (1993), "McBeth – A Tragédia da Ambição" (1996) e "Cláun! Palhaços Mudos", montagem do ano 2000 que marcou a comemoração dos 15 anos da Companhia do Gesto no Rio de Janeiro.


A Menor Máscara do Mundo

Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim de 29 de outubro a 18 de dezembro

Todas as terças e quartas-feiras às 21 hs. Ingressos a R$ 10

Ficha Técnica

DIREÇÃO E ROTEIRO:Dácio Lima e Luís Igreja

ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO:Thelma Nascimento

ILUMINAÇÃO: Luís Igreja

ELENCO: Ana Carina / André Marcos / Cecília Ripoll/ Fárida Rosendo/ Jaqueline Caldas / Tânia Gollnick / Maria Clara Wermelinger /Janaína Moraes

PRODUÇÃO: Companhia do Gesto
Contatos: Ana Carina (21) 2285-4930/9854978 carinasantos@hotmail.com
Luís Igreja (21) 2247-1288/96565110 luisigreja@yahoo.com.br












11º PANORAMA RIOARTE DE DANÇA

Estreiou nesta quinta, e se estende ate o dia a 10 de novembro a decima primeira versao do Panorama de Dança com direçao geral e artistica da incansavel Lia Rodrigues. Este ano tem bailarinos da Alemanha, da França (Jerome Brel) da Inglaterra, da Holanda. Ingressos a um real - eu disse um real. Maiores detalhes aqui em "O Globo" na otima reportagem da Adriana Pavlova.

Neste domingo, as 19 hs destaque para a apresentaçao da Mestra Angel Vianna e sua ex-aluna a Maria Alice Poppe (do Stacatto) dançando uma coregografia do Alexandre Franco intitulada" Impromptu" Imperdivel.


Dia 31 abertura no Teatro Carlos Gomes.
*Carlos Gomes Ocupado
Série de performances com artistas cariocas em diferentes espaços do Teatro Carlos Gomes
*Inauguração do Panorama Lounge
Ponto de encontro do Panorama que terá a cada noite um DJ diferente + bar + restaurante
Dia 1 de novembro - sexta
21:00 hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
* Criadores-Curadores
Programação com curadoria da Dupla de Dança Ikswalsinats (RJ)
Dia 2 de novembro - sábado
19 hs - TEATRO CARLOS GOMES - Sala Paraiso
PANORAMA PARAISO
Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)
20hs - TEATRO CARLOS GOMES - Palco
* "The show must go on" - Jerome Bel (França)
* Platéia Foyer
conversa com o coreógrafo logo após o espetáculo, coordenada pelo
Grupo de Estudos em Dança do Rio de Janeiro

Dia 3 de novembro - domingo

18 hs - TEATRO CARLOS GOMES - Sala Paraiso
PANORAMA PARAISO
Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)

19 hs - TEATRO CARLOS GOMES - palco

* Angel Vianna e Maria Alice Poppe
coreografia de Alexandre Franco ( Rio de Janeiro)


* Danças Rubens Barbot ( Rio de Janeiro)



21:00 hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Cie. Felix Ruckert (Alemanha)




Dia 4 de novembro - segunda

21:00 hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Cie. Felix Ruckert (Alemanha)

* Platéia Foyer
conversa com o coreógrafo logo após o espetáculo, coordenada pelo
Grupo de Estudos em Dança do Rio de Janeiro

Dia 5 de novembro - terça

18h - Centro de Arte Hélio Oiticica

Palestra com Nicky Childs ( Reino Unido )
Com tradução simultânea
Produtora da Artsadmin, uma agencia de produtores que representa artistas de vanguarda no Reino Unido
dia

21 hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Novíssimos
A nova geração de coreógrafos cariocas selecionada através de uma oficina de curadoria com 3 jovens estudantes universitários de dança Bruno Beltrão (UniverCidade), Dani Saad (UniverCidade) e Juliana Ribeiro (Faculdade Angel Vianna)

Dia 6 de novembro - quarta

18h - Centro de Arte Hélio Oiticica
Palestra com Gary Stevens ( Reino Unido )
Com tradução simultânea


19 hs - TEATRO CARLOS GOMES -Sala Paraiso

PANORAMA PARAISO
Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)

20 hs - TEATRO CARLOS GOMES - palco
* Basirah ( Brasilia)


22hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Novíssimos
A nova geração de coreógrafos cariocas selecionada através de uma oficina de curadoria com 3 jovens estudantes universitários de dança Bruno Beltrão (UniverCidade), Dani Saad (UniverCidade) e Juliana Ribeiro (Faculdade Angel Vianna)

Dia 7 de novembro - quinta

19 hs - TEATRO CARLOS GOMES - Sala Paraiso

PANORAMA PARAISO
Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)


20hs - TEATRO CARLOS GOMES- palco

*Solos Cariocas - Auto Retrato

Patricia Niedermeier
Giselda Fernandes
Alexandre Franco
Henrique Schuller
Paula Águas

22 hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Wagner Schwartz ( Uberlandia/ Minas Gerais)

* Paulo Mantuano e Kylie-Jane Wilson ( Rio de Janeiro /Australia)


Dia 8 de novembro - sexta

de 18 às 22 h - Centro de Arte Hélio Oiticica

*Apresentação de AND, Gary Stevens (Reino Unido)


19 hs - TEATRO CARLOS GOMES -Sala Paraiso


PANORAMA PARAISO
* Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)



20 hs - TEATRO CARLOS GOMES - palco

* Thomas Lehmen (Alemanha)



22hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Thembi Rosa ( Belo Horizonte/ Minas Gerais)

* Andrea Jabor (Rio de Janeiro)

Dia 9 de novembro - sabado


de 14 às 18 h - Centro de Arte Hélio Oiticica

* Apresentação de AND, Gary Stevens (Reino Unido)


19 hs - TEATRO CARLOS GOMES - Sala Paraiso

PANORAMA PARAISO
Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)


20 hs - TEATRO CARLOS GOMES - palco

* Kaiowas ( Santa Catarina)


22hs - ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

* Cristina Moura ( Brasilia/Dinamarca)

Dia 10 de novembro - domingo

de 14 às 18 h - Centro de Arte Hélio Oiticica

* Apresentação de AND, Gary Stevens (Reino Unido)

14 hs - TEATRO DO JOCKEY

* apresentação do resultado da residencia com Thomas Lehmen


19 hs - TEATRO CARLOS GOMES -Sala Paraiso

PANORAMA PARAISO
*Marcela Levi e Claudia Garcia ( Rio de Janeiro)


20 hs - TEATRO CARLOS GOMES - palco


* Marcia Rubin Companhia de Dança ( Rio de Janeiro)

* Cristian Duarte ( São Paulo/Bélgica)


* GARY STEVENS (Reino Unido)
Centro de Arte Hélio Oiticica
dia 16 de outubro - encontro com Gary Stevens, de 16 às 18 h
de 17 de outubro a 07 de novembro, de 2a. a sábado
horário: de 9 às 13 h


* THOMAS LEHMEN ( Alemanha)
Centro de Arte Hélio Oiticica
de 21 a 29 de outubro, de 2a. a sábado
horário : de 14 `as 19 ( horário a ser alterado ....)
Teatro do Jockey
de 30 de outubro a 09 de novembro, de 2a. a sábado
de 14 às 19 h

* JEROME BEL (França)
De 4 a 9 de novembro - de 14 às 19 h
(Teatro Maison de France)


PANORAMA SPRINGDANCE DIALOGUE

THOMAS LEHMEN ( Alemanha) E JAN RITSEMA ( Holanda)

Centro de Arte Hélio Oiticica - Sala de Palestras
de 11 a 13 de novembro
de 10 às 16 h













28.10.02


Holandeses trazem seu teatro silencioso ao Brasil

São Paulo nesta sexta, sabado e domingo no Testro SESC Anchieta, e no Rio no próximo fim de semana no Teatros SESC Copacabana, os paulistas e cariocas verão pela primeira vez dois representantes do chamado Teatro do Movimento da Holanda, que usa técnicas da dança e da mímica moderna

Festivais de teatro vêm abrindo cada vez mais espaços para um tipo de espetáculo que prescinde do idioma. Uma poética silenciosa com tramas muitas vezes até complexas, fundadas em linguagens como a mímica, a dança e o circo. Na Holanda, o desenvolvimento dessa estética - para a qual existe um importante nicho de mercado nos festivais do mundo inteiro - vem recebendo apoio do governo, que subsidia o chamado Movement Theater (Teatro Movimento), que conta até mesmo com um festival internacional, o Moving Mime.

Em parceria com o governo holandês, os Sesc Regionais em São Paulo e no Rio trazem pela primeira vez ao Brasil dois representantes do chamado Teatro do Movimento da Holanda - os grupos Karina Holla e Bambie.

Há 20 anos Karina Holla vem desenvolvendo sua pesquisa teatral, um teatro feito de poucas palavras e forte expressão gestual. Amanhã, às 21 horas, ela apresenta no Teatro do Sesc Anchieta o espetáculo City Life, criado em 1999. Em cena, os bailarinos Marcelo Evelin, Natasha Lusetic e Dries van der Post utilizam técnicas da mímica moderna e da dança contemporânea para falar do choque entre a busca do amor e a correria do dia-a-dia na luta pela sobrevivência. "O ócio é atributo do amor. O amoroso precisa de tempo", já dizia Nélson Rodrigues.

Amanhã ainda, às 14 horas, a atriz e bailarina Karina Holla realizará uma videopalestra sobre seu trabalho, com entrada gratuita, que pode interessar principalmente aos profissionais do chamado Teatro Físico, da mímica, do circo e da dança.

A companhia Bambie foi criada em 1996 por Jochem Stavenuiter e Paul van der Laan, quando ainda eram estudantes de mímica. A curiosidade em torno dessa companhia é que recriam o mesmo espetáculo, Bambie, atualmente já na sétima versão. O público brasileiro verá Bambie 6, que fala sobre a passagem da infância para a idade adulta.

Três meninos querem crescer, mas ficam indecisos diante do mundo masculino adulto. Como qualquer garoto, buscam inspiração em ídolos. No caso deles, Elvis Presley, um general soviético e seus pais. Bambie 6 ganhou o Prêmio Holandês de Mímica em 1999. No palco, além dos fundadores da companhia, está o mímico Gerindo Kamid Kartadinata. A vinda dos grupos ao Brasil faz parte do Programa de Relacionamento Sociocultural Brasil-Holanda, produzido pelas empresas WZM Projetos Culturais e Central de Produção.

Teatro do Movimento - Holanda. Sexta, às 21 horas, City Life. Texto e direção Karina Holla. Duração: 65 minutos; sábado e domingo, às 21 horas. Bambie 6. Direção Jochem Stavenuiter, Paul van der Laan e Gerindo Kamid Kartadinata. Duração: 75 minutos. R$ 20,00 (cada espetáculo); sexta, das 14 às 16h30, videopalestra com coordenação de Karina Holla. Grátis (retirar convites com 1 hora de antecedência). Teatro Sesc Anchieta. Rua Doutor Vila Nova, 245, São Paulo, tel. (0xx11) 3234-3000.

Reportagem de Beth Néspoli para "O Estado de São Paulo".



19.10.02



FOLHETIM 14

Embora envergonhada com o atraso desta notícia, tenho a alegria de anunciar neste número uma das melhores entrevista que a minha Mestra Angel Vianna, deu em toda a sua trajetoria, Até falei isso numa aula dela e recomendei este número do ótimo Folhetim, produzido pelo Teatro do Pequeno Gesto. Este numéro é antológico. Difícilmente outro número poderá superar este que tem Peter Brook, Juliana Carneiro da Cunha e uma análise do Fernando Marques para o teatro de Caio Fernando Abreu. Corram para garantir o seu exemplar. Se estiverem esgotados nas livrarias, peçam direto pelo reembolso postal.

A preocupação com o trabalho em grupos estáveis está presente tanto no texto de Peter Brook, Da liberdade fácil à liberdade difícil, quanto no ensaio de Josette Féral, Os gregos na Cartoucherie, que analisa a encenação de Ariane Mnouchkine para a Oréstia, em estreita relação com o modo de estruturação e funcionamento do Théâtre du Soleil. O tema é retomado na entrevista de Juliana Carneiro da Cunha que fala de sua trajetória como atriz e de seu trabalho na trupe do Soleil.
A dramaturgia está presente em Paraísos íntimos - teatro e subjetividade em Caio Fernando Abreu, de Fernando Marques e em A apresentação artística da liberdade, um estudo sobre a teoria e o teatro de Schiller, de Pedro Süssekind.

NESTE NÚMERO:
Tradução: Os gregos na Cartoucherie: a pesquisa das formas, de Josette Féral
Paraísos íntimos - teatro e subjetividade em Caio Fernando Abreu, de Fernando Marques
A apresentação artística da liberdade - um estudo sobre a teoria e o teatro de Schiller, de Pedro Süssekind
Da liberdade fácil à liberdade difícil, de Peter Brook
Na seção EM FOCO: 4 perguntas de Helena Varvaki a Angel Vianna
Entrevista: Juliana Carneiro da Cunha e o intérprete do teatro total

FOLHETIM pode ser encontrado nas seguintes livrarias:

No Rio

Livraria do Espaço Unibanco

Livraria do Museu da República

Livraria Folha Seca - Centro de Arte Hélio Oiticica

Livraria Travessa do CCBB

Livraria Mário de Andrade - Palácio Gustavo Capanema

Livraria Carlos Miranda - Teatro Glauce Rocha

Livraria Timbre - Shopping da Gávea

Livraria Ligue Livros - Campus Uni-Rio

Casa das Artes de Laranjeiras - CAL
Em São Paulo:
Livraria Cultura - Conjunto Nacional

Em Belo Horizonte:

Sede do Grupo Galpão

Livraria Scriptum

Em Curitiba:

Livraria Solar do Rosário

Em Recife

FETEAPE

Em Salvador

Teatro Vila Velha

Ou por reembolso postal através do telefax: (21) 2558-035
Acompanhe nossas atividades através do site www.pequenogesto.com.br

TEATRO DO PEQUENO GESTO
Antonio Guedes / Fátima Saadi
Fones: (21) 2205-0671 - 9607-5845 - Fax: (21) 2558-0353
e-mail: teatro@pequenogesto.com.br





15.10.02



ENTRE NÓS

Estréia nesta quinta-feira, no Teatro do Jockey, o espetáculo do bailarino, coreógrafo e professor Alexandre Franco -- meu ex-professor no profissionalizante de dança contemporânea, ainda no pré, lá na Angel Vianna. Não vi e já gostei. O pessoal lá da Angel de professores a alunos estão todos envolvidos de alguma forma nesse trabalho. A ficha técnica é da maior responsa. E dá para sentir o alto nível desse trabalho.

O movimento não está só no corpo que dança, está também na cor e em
todas as estruturas
. Este é o ponto de partida que o
Alexandre Franco usa em seu trabalho que, com a companhia criada em 95, tem participado das mais importantes mostras e festivais de dança de todo
país, e estará no Teatro do Jóquei , a partir do dia 17 de outubro,
quinta-feira até o dia 27, domingo
, com o espetáculo ENTRE NÓS que utiliza-se de música, discurso literário, discurso físico, cenografia, iluminação e figurino. Alexandre e seus intérpretes revisitaram células coreográficas de seu repertório buscando uma releitura, bem como a construção de novas estruturas. Utiliza-se de música, discurso literário, discurso físico, cenografia,
iluminação e figurino. Tendo a Colagem como elemento constante na
construção do discurso

Sinopse
Entre Nós investiga percursos solitários, permeados pela construção
sonora de Tiago Didaq e por textos, poemas e prosas de Caio Fernando
Abreu, Alejandra Pizarnick, Alexandre Franco.
O ser urbano, o indivíduo, a solidão, a relação e criação da realidade
são os focos de interesse despertados por camelôs diferentes que vendem
objetos usados e quebrados, aparentemente sem nenhuma utilidade e sua
postura, como a de qualquer outro vendedor, seus objetos tão usados,
descartáveis e cheios de memória, num comércio intrigante no bairro da
Glória, Rio de Janeiro.

A coreografia tem o gesto como base da pesquisa do movimento, que
dilatada e sofrendo interferência de peso e tempo, apresentam um corpo
fragmentado e fluido em trajetórias no espaço. As peças apresentadas,
seqüencialmente ou em justaposição, organizadas a partir de matérias e
discursos de várias origens, criam e expõem um terceiro universo entre
as fontes e o coreógrafo.


Ficha Técnica
Direção e Coreografia - Alexandre Franco
Intérpretes - André Masseno, Luk Monteiro, Stela Guz,
Simone Nobre, Tânia Castilho e Alexandre Franco
Figurino - André Masseno
Projeto Cenográfico - Alexandre Franco e Cissa Feijó
Desenho de Luz - Renato Machado
Trilha Sonora - Composição e colagem - Tiago Didaq
Design Gráfico ­ Paulo César Rocha
Gerência de Produção de Artes - Luk Monteiro
Assistência de Direção e Coreografia - André Masseno, Luk Monteiro
Assit. de Produção / Camarim ­ Valéria Peixoto / Michelli Franco /
Márcio Franco
Pesquisa de Movimento - André Masseno, Luk Monteiro, Stela Guz, Simone
Nobre,Teresa Taquechel, Tânia Castilho e Alexandre Franco
Fisioterapia - Núbia Barbosa
Técnica de Pilates - Mariana Lobato e Tânia Castilho
Direção de Artes - Alexandre Franco
Produção - Luk Monteiro, Maria Brezensky, Alexandre Franco


Estréia : Dia 17 de outubro, quinta-feira
Temporada : de 17 a 27 de outubro, quinta a domingo
Horário: 20 horas
Local : Teatro do Jóquei ­ Rua Mário Ribeiro,410 ­ Gávea. Tel: 2540.9853
Ingressos : R$ 10,00 . Dia 27 de outubro, domingo, o ingresso custará
R$1,00.


Alexandre Franco
Formado nos cursos de Dança Contemporânea e Recuperação Motora e Terapia através da Dança pela Escola Angel Vianna, Alexandre Franco, que assina a direção e coreografia
dos espetáculos da Companhia, tem as primeiras referências de pesquisa
de movimento
no pensamento de Angel e Klauss Vianna, e mais tarde, através de
João Fiadeiro (Lisboa ) e Angela Guerreiro ( Lisboa / Hamburgo ), coreógrafos portugueses, com os quais trabalhou
em turnês pela
Europa em 94 e 95 - espetáculos produzidos e co-produzidos pelo
Sommertheater Festival
Hamburg - como intérprete e assistente de coreografia, respectivamente -
recebendo elementos da nova dança européia, da dança-teatro alemã e do
teatro-físico belga.

A Companhia foi convidada para o Festival Frestas, cidade do Porto - Portugal, Capital Européia da Cultura 2001 e para a Edição de 2002.

PS. Tenho a grata satisfação de declarar que fui aluna do Alexandre Franco,
no curso profissionalizante de dança contemporânea, ainda no pré. Acompanho a sua trajetoria profissional há vários anos e tenho a maior admiração pelo talento e a competência do Franco Alexandre, como eu o chamo. Recomendo sem reservas, e estarei lá pra abraçar a turma lá da Angel, a Taquechel, a Nubia (minha ex-professora na Recuperação Motora), Renato, a Stela. E fico na torcida para um grande
e merecido sucesso.

11.10.02

ESTRÉIA DA TRUPE LEVANTANDO A LONA NO CIEP DE IPANEMA

A Trupe Levantando a Lona, formada por 26 jovens integrantes da comunidade do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo faz sua estréia no picadeiro amanhã com Circo etéreo. O espetáculo mistura de teatro de rua e circo, resgatando um pouco da história do Cantagalo e de sua comunidade, que vive num morro que tem vista privilegiada da Zona Sul.

O espetáculo é o resultado de seis mêses de trabalho com as maravilhosas intrépidas Beth Martins e Vanda Jacques (diretoras e fundadoras da Intrépida Trupe) que fazem a direção circense, a coreografia é do ótimo Steven Harper e tem ainda o pessoal de teatro que colaborou no projeto: a Alice Viveiros de Castro (madrinha dessse blog) e o Amir Hadad e Paulo Mazzoni, entre outros intrépidos, fagueiros e audaciosos que conseguiram transformar um anfi-teatro sem nada, numa casa de espetáculos com 200 lugares, luz, som, estrutura para aparelhos circenses, piso de madeira, etcs. e tal. Muito é muito pouco para tal façanha.

Dica: Chegue cedo para apanhar as senhas às 18 hs e conseguir sentar nos melhores lugares.

Idade: Crianças a partir de 2 anos.

Onde: Anfiteatro Benjamin de Oliveira — Rua Alberto de Campos 12, Ipanema - CIEP de IPanema - Tel. 3472-4092.

Estréia neste sabado, dia 12 de outubro, às 19h. Grátis (senhas a partir das 18h).
Sextas e sabados às 19 horas -- até o dia 9 de novembro


Se eu vou nessa? Logicamente claro e evidente. Estarei lá amanhã na primeira fila. Comentarei aqui depois. Aguardem.





O JÔGO DO BUFÃO

O jôgo do bufão -- prática para o ator é o título do workshop que será ministrado pela atriz e pesquisadora paulista, Mestre em Interpretação pela USP, JULIANA JARDIM, na Fundição Progresso - Espaço 1 , de 31 de outubro a 3 de novembro, tendo como público-alvo atores e estudantes de teatro. Vagas limitadas.

Este workshop propõe a Iniciação ao jogo do Bufão. O worshop leva o participante a entrar em contato com o estado da máscara, a partir de suas caracterizações físicas básicas e da paródia pela via do grotesco.

Local: Fundição Progresso - Espaço1 - Rua dos Arcos s/n. - Lapa

De 31 de outubro a 3 de novembro.
quinta e sexta de 19 hs. às 22 hs.
sábado e domingo de 10 hs às l5 hs.

Público alvo: atores e estudantes de teatro - 18 vagas - 15 horas.
Preço R$ 150,00 (cento e cincoenta reais).

Informações e inscrições : Tels. 2215-1689 2224-8831 9923-6737, com Chris Alcântara.
Ou com Juliana pelo e-mail jujardim@uol.com.br

Juliana Jardim é atriz e pesquisadora paulista, Mestre em Interpretação pela USP com a pesquisa O ator transparente. Co-autora do livro Práticas do ator no Brasil, Editora Hucitec, 2003. Atriz de de Madrugada, Esperando Godot, Oração, É o fim do mundo, Péricles, entre outros.


PS. Recomendo com todos os louvores. Faço parte do fã-clube carioca da Mestra Juliana Jardim.

6.10.02


O povo do gueto mandou avisar...

... que vai rolar a festa!!!

Logo depois da votação:

Grande confraternização democrática suprapartidária neste
domingo às 18:00h, na Praça do Leme (final),
no Rio de Janeiro, evento
artístico cultural popular espontâneo,
poético-musical-cênico-coreográfico, interativo, com a presença de
eleitores e candidatos de todos os partidos;
Ensaio aberto do TEATRO DE RODA, com cirandas, cantigas, choro, pagode, seresta e você,
avise aos amigos, venha com a família
e traga o seu instrumento!!!






5.10.02


O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
(Bertold Brecht)



29.9.02

Haja hoje para tanto ontem

Cantar, e como queria o Paulo Leminski: ensandançar:

Sassasaricando todo mundo leva a vida no arame.
Porque sem sassaricar
esta vida é mesmo um nó, nó, nó.

O estado de bem estar está aberto para quem dele queira fazer algum dispor, falou o poeta Leminski em "Catatau".

Aproveito a deixa para dispor desse estado, e volto agora á tarde ao Arpoador para assistir o encerramento da temporada do circo do Anônimo, com o espetáculo RODA SAIA*GIRA*VIDA embalado pela musica ao vivo de Pixinguinha, Sinhô e Villa-Lobos.

Quem não foi lá ontem e não vai hoje não sabe o que está perdendo de beleza, alegria, humor, magia, e da poesia desta vida.

O circo é o patrimonio afetivo da humanidade.
Esta eu ouví do palhaço Cuti-Cuti, (Marcio Libar), em "O pregoeiro", ontem lá no cirquinho do Anônimo.

28.9.02

Hoje tem fuzuê no Arpoador

O sol voltou a brilhar ! Parou a chuva, e eu tô indo ver O pregoeiro às seis e meia e Tomara que não chova, às 21 hs. no cirquinho( duzentos lugares) do Anonimo armado no Parque Garota de Ipanema, comemorando os 15 anos do grupo. Não é pouca coisa. Que grupo de teatro ou o que seja já comemorou essa idade? Vale ir lá conferir e chegar uma hora antes para pegar a senha para assistir o espetáculo.

Tô feliz, e me achando. Depois do circo, eu vou descolar um forró ou outro agito dançante. Dançar é preciso.


>>>

COMPANHIA DO LATÃO

apresenta

CENAS DA OCUPAÇÃO

Leituras Cênicas

Entrada franca Sábados, 21 horas Domingos, 19 horas.

Valor de Troca,
um experimento lírico.
28 e 29.09



O Grande Circo da Ideologia,
baseado em Marx e Engels.
28 e 29.09



João Fausto,
de Hanns Eisler.
12 e 13.10




Os Dias da Comuna,
de Bertolt Brecht.
19 e 20.10


Teatro Cacilda Becker

Rua Tito, 295 - Lapa 3864-4513





21.9.02

Tomara que não chova

Estou torcendo pra não chover hoje á tarde e á noite. Tô indo lá para o cirquinho a céu aberto do Anônimo no Arpoador. Às seis e meia tem o palhaço Cuti-Cuti (tão fofo e engraçado como o seu nome já diz) com o Marcio Libar em O Pregoeiro. Á noite às 21 hs. Tomara que não chova, espetáculo cômico-circense com os cinco artistas do Anônimo. Ver o palhaço Seu Frô do João Carlos Artigos, fazendo um galã daquelas historinhas de circo-teatro brasileiro da primeira metade do século passado, não tem preço. É muito hilário.

15.9.02

Festa dos 15 anos do Teatro de Anônimo

Num clima de grande alegria, (tá pensando o quê? 15 anos de grupo não é pra qualquer uns não) de celebração, aconteceu a festa na quinta-feira com a apresentação do espetáculo Tem fuzuê na cumbuca, seguido de um coquetel e o lançamento da revista comemorativa dos 15 anos de vida do grupo no circo sem lona, mais conhecido como 'tomara que não chova', com capacidade para 200 pessoas, armado no Arpoador.

A partir desta semana até o fim do mês, e tudo de gratis no Parque Garota de Ipanema, no Arpoador (entrada pela praia), onde está armado o circo do Anonimo com uma exposição permanente Pequena Miscelânea de Abônimo, e cinco espetáculos de graça durante três semanas:

Tomara que não chova , uma variedade de jogos cômicos, recuperando o circo-teatro brasileiro da primeira metade do século XX com uma encenação teatral na segunda parte, magia, equilibrismo, trapézio, acrobacia, dança, etcs e tal.

O pregoeiro,um olhar sobre a história do grupo, com Márcio Libar percorrendo a sua própria história que se confunde com a do Anonimo. Passando pelas praças da Zona Norte vai ao encontro da Escola Nac. de Circo até revelar o palhaço Cuti-Cuti, brindando o público com muita delicadeza, sem perder a sua principal característica : a irreverência.

Roda saia gira vida (vencedor do Mambembe de melhor espetáculo, em 1995) mergulha com humor e poesia no universo do palhaço e do circo, embalado pela música ao vivo de Pinxiguinha, Villa Lobos e Sinhô.

In concerto, trio de palhaços-músicos chega para dar um pequeno concerto mas só realiza desastres. O espetáculo investe na tradição do jôgo dos velhos palhaços e da sofisticação dos numeros e das gags.


TEATRO DE ANÔNIMO, 15 ANOS - Parque Garota de Ipanema, Arpoador (entrada pela praia), até o último domingo de setembro (dia 29).
Distribuição de senhas 1 hora antes dos espetáculos. Capacidade:200 pessoas

Na sexta, dias 13, 20 e 27 às 21 hs In Conserto,
No sábado, dias 14, 21 e 28 às 18,30 hs. O pregoeiro e às 21 hs, Tomara que não chova.
No domingo, dias 15, 22 e 29 às 18,30 hs. Roda saia gira vida.
























11.9.02




Música cênica para crianças no Teatro Carlos Werneck do Aterro do Flamengo

O Projeto "Primeiros Contatos", no seu segundo ano, estará acontecendo nos teatros Glória e
Carlos Werneck, numa promoção da Prefeitura do Rio

O Passo - programa do dia 15 de setembro no Teatro Carlos Werneck

O Bloco do Passo é um grupo de percussão composto por jovens de 11 a 14
anos e tem como principal objetivo pesquisar, ampliar e divulgar o método
da educação musical O Passo. Este método, criado por Lucas Ciavatta,
diretor do Bloco do Passo, é atualmente utilizado por vários professores em
várias regiões do país e parte do simples andar para que se possa aprender
não apenas a tocar, mas, principalmente, a entender o que se toca.
Maracatus, Sambas, Cirandas e muitos outros ritmos surgem das referências
construídas e, na vivência em grupo, nos aproximam da música e da cultura
do Brasil.
Lucas Ciavatta é mestre em educação pela UFF e licenciado em Música pela
UNIRIO. Na Escola Oga Mitá, trabalha como professor de música (ensino
fundamental 2o Seg) e supervisor(ensino fund 1o. Seg e educação
infantil). É professor dos cursos de extensão “A Música da cena, no projeto
“Enfermaria do Riso”da Faculdade de Teatro da UNIRIO, e “Opasso, no
Conservatório Brasileiro de Música(CBM). É diretor musical dos Doutores da
Alegria Rio de Janeiro

Ficha Técnica:
Direção Musical: Lucas Ciavatta
Direção de Cena: Ana Ashcar
Figurino e Programação Visual: Flávio Souza
Iluminação: Renato Machado
Integrantes: Aline Fernandes, Amanda Cunha, Camila Camacho, Débora Martini,
Felipe Fiorini, Felipe Reznik, Joana Duboc, Kalindi Delia, Lara Cunha,
Layla Waltenberg, Luis Felipe Rodrigues, Marina paiva, Mateus Xavier,
Natália Searfim, Paula Allevato, Pedro Costa, Pedro Henrique Dias, Priscila
Lacerda, Renan Takenouchi, Tainã Miranda, Vitor Sulzar, Yana Mitsu.

Obs. desta escriba : Pela ficha técnica, o nome e curriculo das pessoas envolvidas neste projeto, o espetáculo é imperdível. Isto sem falar que é tudo de gratis. O que mais querem ? Não venha ou se arrependerá para sempre ...
A programção subsequente também é imperdível, o José Mauro Brant, a Bia Bedran, etc e talz....

PROGRAMAÇÃO TEATRO CARLOS WERNECK

15/09 - O PASSO ( LUCAS CIAVATTA - TEL. 9105 1515)
22/09 - O MELHOR DE BIA BEDRAN( MAURÍCIO TEL. 9983 7800)
29/09 - PATATIVA DO ASSARÉ (ALAN CASTELO / ROSE 9174 9007)
6/10 - CONTOS, CANTOS E ACALANTOS (JOSÉ MAURO BRANT 9634 8105
13/10 - FÁBULAS MUSICAIS (DAVID MIGUEL TEL. 9922-9251)




TEATRO DE MARIONETES CARLOS WERNECK
Aterro do Flamengo, altura do n.o 300 da Praia do Flamengo
LOTAÇÃO 300 LUGARES
PROGRAMAÇÃO GRATUITA
SEMPRE AOS DOMINGOS, SEMPRE ÀS 11H, SEMPRE GRÁTIS, COM SOL OU CHUVA.



Imperdível! Eu vou nessa.

O Teatro de Anônimo está fazendo 15 anos!!!
Dia 12 de setembro será a grande estréia da temporada de seu repertório que termina no dia 29.

Nesta noite teremos a participação especialíssima do espetáculo TEM FUZUÊ NA CUMBUCA, com os grupos Diadokai, Cia do Público, Cordão do Boitatá, Teatro de Anônimo e Boi Cascudo. Depois do espetáculo faremos o lançamento da revista DE ANÔNIMO 15 ANOS.

Você é nosso convidado especial para esta noite que será apenas para convidados. Ficaremos muito felizes com sua presença.



TEATRO DE ANÔNIMO 15 ANOS
12/09
20H
PARQUE GAROTA DE IPANEMA - ARPOADOR
Entrada pela praia
Lembre-se que nosso cirquinho tem apenas 200 lugares!!!


Oficinas do Anonimo no SESC-Niteroi

Os prestimosos artistas do Anonimo atravessam a Baia de Guanabara e aportam no SESC-Niteroi nos dias 11, 18 e 25 deste mês, e nos dias 2 e 4 de outubro, para ministrar oficinas de técnicas circenses para a garotada - sempre às 14 hs.











9.9.02

Ja foi no outro blog, o Artimanhas ? Se voce frequentou o Circo Voador vai saber de uma historia de bastidor.
P A R L A P A T Õ E S

Depois da temporada de duas semanas no Rio com sucesso de público e merecendo até uma crítica da Barbara Heliodora, (quem diria que ela gostaria) o espetáculo excursiona pelo Sul, e participa ainda de um dos mais importantes festivais de teatro do País, o Porto Alegre em Cena. uma parceria com a Brasil Telecom os Parlapatões apresentam seu espetáculo SARDANAPALO nas seguintes cidades:


Curitiba
Teatro Guaíra - 06, 07 e 08 de Setembro de 2002.

Brasilia
Teatro Nacional - Sala Martins Penna - 14 e 15 de Setembro de 2002.

Festival de Teatro: 9 Porto Alegre em Cena
26, 27 e 28 de setembro de 2002

Santa Maria (RS)
Teatro Municipal - 29 e 30 de Setembro de 2002

'Sardanapalo': Uma breve visita circense, insana, divertida e objetiva


Barbara Heliodora (O Globo 01/09/2002

No Espaço Cultural Sérgio Porto, o alegre grupo dos Parlapatões nos vem de São Paulo fazer uma breve visita, depois de ter coberto chão bastante até para se apresentar no Festival de Edimburgo. Com forma circense, que o grupo domina muito bem, “Sardanapalo” é mais uma versão de um texto que Hugo Possolo começou a escrever já faz tempo. E é preciso admitir que tudo o que o grupo faz no palco é melhor do que o texto, que funciona mais sempre que a linguagem fica puramente circense. E cai quando, em termos de texto, tenta desenvolver a suposta “biografia” estranha e insensata de Alexandre, o Grande.

O título do espetáculo vem da idéia de se fazer Alexandre por acaso dar com uma suposta estátua de Sardanapalo, nome de um suposto último rei de Nínive, notório por ser efeminado e devasso. Durante a duvidosa parada diante do duvidoso rei, Alexandre passaria em revista sua vida, provocado por uma espécie de domador que vai forçando a passagem do tempo até revelar-se como a Morte. O fato de o texto não chegar a ser 100% satisfatório não quer dizer que ele não contenha piadas inteligentes e boa dose crítica assimiladas no caos aparente que é a própria essência da encenação.

Nada disso é importante porque é o alto nível de loucura de cada episódio que faz viver o espetáculo.

Hugo Possolo é responsável pelo texto, pela gostosa cenografia que cria o circo onde tudo se passa e pela direção. Naturalmente, como tudo isso era pouco, ele faz parte do elenco, junto com Raul Barreto (os dois são o único núcleo realmente permanente dos Parlapatões), Claudinei Brandão e Pedro Guilheme.

É natural que se pense apenas em palhaçadas quando se diz que atores usam recursos circenses, mas não é bem assim. Malabarismos, inclusive com facas voando de um lado para outro, também são parte do repertório. Com os figurinos de Adriana Vaz Ramos, os adereços de Fernando Leite, a música de Abel Rocha e Miguel Briamonte e a luz de Eliane Koseki, o circo toma vida, e Alexandre, o Grande — que no caso sempre prefere ser chamado de Alexandre, o Bom, apesar de toda a sua sanha conquistadora e de sua sanguinolência — passa por experiências que lhe devem fazer tremer, esteja ele agora onde esteja.

A energia e a capacidade cômica dos Parlapatões são imensas; a breve visita de Sardanapalo é uma ótima oportunidade para se tomar contato com essa insanidade tão divertida e objetiva.

SARDANAPALO Texto e direção: Hugo Possolo. Com Raul Barretto, Hugo Possolo, Claudinei Brandão e Pedro Guilherme.

A companhia paulista Parlapatões transforma o Sérgio Porto num misto de picadeiro de circo e palco de teatro de rua para apresentar seu espetáculo de humor rasgado.