Seguidores desse blog

22.3.02

Inscrições para o Porto Alegre em Cena

Estão abertas até o dia 29 as inscrições para o 9º Porto Alegre Em Cena, festival de teatro e dança realizado pela Prefeitura de Porto Alegre através da Secretaria Municipal de Cultura.

O projetos de espetáculos de teatro e dança podem ser inscritos até o dia 29 de março para serem apreciados pela comissão curadora do festival.

O requisito básico para os espetáculos integrarem a programação do Em Cena, é que os mesmos já tenham estreado. Os projetos enviados deverão apresentar ficha técnica, sinopse do espetáculo, histórico do grupo, fotos, vídeo em VHS e contatos (telefone, e-mail, site e endereço completo).

O festival acontece entre os dias 14 e 29 de setembro de 2002.

O material deverá ser enviado para a Coordenação Geral do Porto Alegre Em Cena
(Centro Cultural Usina do Gasômetro, av. Presidente João Goulart, 551/3º - Bairro Centro, CEP 90010-120, Porto Alegre).
Mais informações podem ser obtidas pelo tel. 0/xx/51/3212-5979, ramal 237 e 222, ou pelo e-mail poaemcena@smc.prefpoa.com.br

19.3.02

Atividades do LUME

Caros Amigos,

Apresentaremos nos dias 22, 23 e 24 de Março (sexta, sábado e domingo) o
espetáculo: DA TERRA, UMA MEMÓRIA, com a atriz convidada Yael Karavan(Israel).

O espetáculo será apresentado na sede do LUME, rua Carlos Diniz Leitão, 150,
Barão Geraldo, Campinas, próximo à moradia dos Estudantes da UNICAMP.
Confira os horários:
Dias 22 e 23 de Março (sexta e Sábado) às 21:00hs
Dia 24 de Março (domingo) às 20:00hs

Os ingressos serão vendidos a R$10,00 (inteira) e R$5,00 (estudantes) e
podem ser adquiridos com antecedência em nossa sede.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (19) 3289 9869 ou e-mail
lume@unicamp.br. Confira abaixo informações sobre a atriz convidada e também
sobre o espetáculo.

Dicas de como chegar em nossa sede, de carro ou ônibus, de São Paulo ou
Campinas e também para adquirir nossa revista e/ou livro recentemente
publicado, visite nosso site www.unicamp.br/lume
clicando em SEDE e também em PUBLICAÇÕES.

Abraços a todos!!!

LUME
Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais COCEN - UNICAMP
Tele/Fax: (19) 3289 9869
E-mail: lume@unicamp.br
Home-Page: www.unicamp.br/lume


Sobre a Atriz
Yael Karavan estudou no Japão com Kazuo Ohno, Teru Iwashita do grupo Sankai
Juku, Carlotta Ikeda entre outros. Atualmente faz parte do grupo Mamu Butoh
de Tadashi Endo e Ten Pen Chi de Yumiko Yoshioka.

Sobre o Espetáculo
Confira abaixo a crítica do espetáculo, publicada na Revista "Total Theatre
Magazine", no dia 11 de Março de 1999.

Desde o primeiro momento esta é uma peça que prende absolutamente a
atenção. Tem um pequeno foco, um tecido manchado e matizado no centro
esquerdo, e um ambiente pleno de expectativa. Os primeiras sinais de vida
começam ao som da música de Arvo Part e um nascimento mitológico está
acontecendo em nossa frente. Lembrando os momentos mais esotéricos de Red
Zone de Derevo, a platéia assisti fascinada a Yael Karavan embarcando numa
viagem de crescimento e transição.
Com elementos de Butoh e dança, a disciplina corporal de Karavan é
extraordinária. Cada pulso e movimento conta enquanto ela vai nos deixando
entrar no íntimo mundo/útero que ela ocupa. Conforme a criatura cresce,
Karavan brinca com sua platéia – camada após camada de tecido caem do seu
figurino, revelando que seu rosto continua oculto num véu de mistério – um
tipo de ‘striptease’ espiritual que deixa a platéia grudada.
O que é extraordinário nessa performer, é que com todas as camadas de
figurino, luz, som e máscaras potenciais que ela usa, ela ainda consegue
manter um nível simples de consciência, abertura, e vulnerabilidade, o que
cria uma comunicação e intimidade raras. A viagem é primordial e toca num
nível intuitivo sem se dirigir às complicações confusas do intelecto.
Durante esta obra sensual, nunca estamos em dúvida com relação ao que nós
devemos sentir – tudo é comunicado.

( Um espetáculo imperdível. Estou providenciando uma ida rapidinha a Campinas para ver este trabalho).


Taí uma notícia que eu não poderia deixar de registrar aqui pelo ineditismo do fato. DENISE STOKLOS dirigiu um monologo (quero crer que é a primeira direção fora da sua companhia) com a atriz de tv e cinema CAROLINA FERRAZ, cuja estréia aconteceu neste final de semana, em Curitiba, numa curtíssima temporada de apenas dois dias.
Reproduzo aqui na íntegra a crítica de ALESSANDRO MARTINS, de "O Estado do Paraná" de l6 de março. Vale dar uma confeira no estilo bate-pronto do Alessandro
.

Crítica
Carolina Ferraz imita (mal) Stocklos
Alessandro Martins

O público sempre está do lado do ator. Realmente, faria pouco sentido se, à entrada do teatro, fossem distribuídas pistolas d'água ou bolas de tênis para alvejar o artista, que ficaria a macaquear para se desviar dos projéteis, enquanto, ao mesmo tempo, tentaria dar seu texto. Mas não é assim, salvo em algumas peças experimentais de cunho atlético, dietético ou outra bobagem qualquer.

Na verdade, é como um jogo de futebol com uma torcida e um time apenas. Ninguém quer que o ator erre ou passe por enrascadas no palco e, se isso acontece, todos ficam um pouco nervosos, tensos, a imaginar como ele fará para se safar. Quando consegue, vibra-se. Isso acontece por diversos motivos, desde a identificação que existe entre os indivíduos da platéia com o ator e o personagem até o fato de se ter pago vintão para entrar no teatro. É saudável que seja assim e é assim desde os gregos, quando até os médicos receitavam idas ao teatro. Grosso modo, na tragédia, o herói era um coitado para que nós não precisássemos ser e, na comédia, um estúpido para que nós não o fôssemos. Identificação, catarse, torcida e essas coisas todas.

E foi isso o que proporcionou o melhor momento da estréia de Selvagem Como o Vento, monólogo com Carolina Ferraz e direção de Denise Stoklos, apresentada na última sexta e sábado, no Teatro do Palácio Avenida. A certa altura a atriz, adoentada, precisou tossir justamente em um momento verborrágico do texto e, sem perder o ritmo da fala nem o espírito do momento, conseguiu explicar ao público que estava fragilizada e que precisou tomar uma injeção desse tamanho antes de entrar no palco, para o deleite dele, o público. Foi aplaudida em cena aberta por seu desprendimento e desenvoltura.

De resto, o que se viu em Carolina Ferraz foi uma mini-Denise Stoklos, uma réplica da diretora só que sem o mesmo poder. Stoklos, quando abre os braços no meio do palco, é como se suas mãos abarcassem a boca de cena. O mesmo não aconteceu com Carolina Ferraz. O seu gesto carecia de energia.

É preocupante a reprise de recursos de outros espetáculos de Stoklos. Por exemplo, a repetição de um gesto até transformá-lo em um novo gesto, um gesto estilizado, uma espécie de coreografia em que o movimento perde seus significados em termos funcionais e ganha novos em termos estéticos, como no espetáculo Casa, do começo da década de 90, e também em outras apresentações. No chamado Teatro Essencial, a palavra passa por processo de transformação similar. Quem esteve em Selvagem Como o Vento viu isso novamente, mas feito por Carolina Ferraz, instruída pela diretora.

Talvez Stoklos devesse procurar um outro caminho para sua pupila que não o que ela próprio trilhou. De outro modo parecerá que a diretora está a se repetir e a prejudicar o avanço da aprendiz no que diz respeito à originalidade e autonomia artística. A diretora corre o risco de, com isso, ela mesma, passar a se repetir.

Mas o grande problema do espetáculo é o esforço aparente da atriz. Não que ele não possa aparecer. Ele pode, desde que o ator queira. Mas Carolina Ferraz não tem controle sobre isso. Que se dê o devido desconto por ela estar com algum problema de saúde na sexta-feria, gripe talvez, em alguns momentos sua interpretação foi histérica. Era quase como se o espetáculo fosse uma demonstração de atletismo e como se as tais pistolas de água e as bolas de tênis pudessem ser acionadas a qualquer momento uma vez que o que a atriz fizesse no palco não tivesse o efeito desejado.

A arte não precisa se prender a essas coisas de causa e efeito. O ator deveria agir preso somente à necessidade do ato e não à da reação. A reação já não seria problema dele e, assim, as coisas correriam melhor, mais sinceras e serenas. O momento em que a atriz se viu apuros, precisou tossir e se safou foi tocante porque, naqueles segundos, ela foi espontânea e fez o que precisava fazer. Dane-se o resultado e a reação do público.

Talvez por ainda não dominar isso, numa das passagens que poderia ter sido a mais engraçada da peça, quando o personagem passa uma receita de arroz de pato, notava-se que Carolina fazia uma força enorme para agradar. Quem sabe se, pelo mesmo motivo, olhou algumas vezes para onde estava sentada a sua diretora, quem sabe até sem perceber que fazia isso. A cena agradou, talvez por que as pessoas ainda não tinham visto algum espetáculo em que Stoklos fez coisa semelhante ou porque acham graça em ver uma bela atriz global a fazer caretas e macaquices ou porque pagaram para estar ali e se divertir.

O texto tem muitos lugares-comuns. Há pouca sutileza, qualidade que se esperaria de artistas que pretendem contar uma história pela qual a maioria dos viventes já passou. Nesses casos, o que importa não é a história ou a situação sempre iguais vivida pelo personagem, mas como ela é contada. As histórias não têm obrigação de ser novas, mas sim a forma como elas são vistas e propagadas pelo artista, nesse caso a autora. Talvez ela devesse aprender algo sobre isso lendo o texto 500 Vozes, de Zeca Corrêa Leite. Uma parte do texto fala da ausência do outro depois de uma separação e, nela, Leite dá uma aula sobre como escrever a respeito do tema.

Em certo momento, a autora nos brinda com uma citação de O Pequeno Príncipe. Aquela que fala sobre cativar e ser responsável por uma pessoa. Abstenho-me de comentário sobre isso, mas a receita de arroz de pato parece apetitosa.

Em resumo, a coisa toda foi um sucesso, todos aplaudiram de pé no final, Denise jogou em casa, Carolina também, a torcida ou o público estava toda do lado delas e isso até é bom porque ninguém espera que qualquer pessoa estivesse ali para destruir o espetáculo. Todos que entram no teatro o fazem para se divertir, salvo o crítico sádico e infeliz a esfregar suas mãozinhas brancas, sebosas e de dedos magros. Bem, na verdade, isso parece uma psicopatia dos tempos modernos, visto que no tempo de Shakespeare as pessoas traziam as leguminosas de casa. Quer dizer, eram mais espontâneas no que dizia respeito à aprovação ou não daquilo que viam e não se deixavam impressionar por nome algum. Fosse esse nome Carolina Ferraz, Denise Stoklos ou William Shakespeare. Selvagem Como o Vento não é uma peça para se passar na quitanda antes do espetáculo, mas está longe, muito lonte, de merecer aplausos de pé.

Jornal O Estado do Paraná l6/03/2002



12.3.02

Diretora do Théatre du Soleil pede "fogo da infância" no teatro.
Reportagem do competente VALMIR SANTOS (gosto muito do seu estilo e desconfio pela pertinência dos seus textos que ele é um ator também), enviado especial da Folha de São Paulo a Belo Horizonte.

Ele entrevista também a brasileira Juliana Carneiro da Cunha, primeira atriz do Théâtre du Soleil. Tive o privilégio de assistir "LA VILLE PARJURE ou Le Réveil des Érinyes" , de Hélène Cixous, a famosa historia do escândalo do sangue contaminado, em 94,durante o "Festival de Outono", em Paris. E eu lembro com muita emoção da comovente interpretação da Juliana no papel de uma Mãe (ela é maravilhosa!) e do belíssimo espetáculo que tinha oito horas de duração (podia assistir parceladamente ou inteiro).

Foi disparado o melhor espetáculo do Festival de Outono, ( tinha de Peter Stein, Bob Wilson, Regis Debray a Giorgio Corsetti - um jovem diretor italiano de muito sucesso na época - entre outros) e o mais belo e pleno espetáculo que eu tive a oportunida de assistir na minha vida (texto, direção ,atores, cenário -inesquecível- músicas. Eu choro até hoje quando ouço um trecho de uma ópera cantada pela Feodora Barbieri e que entrava em alguns momentos). Assistí três vezes. Sendo que a primeira assistí as oito horas, direto, e na segunda e terceira parceladamente, quatro horas em cada dia. E isso porque eu estava me dividindo para assistir outros espetáculos do festival. Não fora isso, teria assistido outras vezes.

Gosto muito daquela comida lá do Soleil, com verduras e muito temperinho verde, plantado por eles lá na horta do Soleil, uns pãezinhos e uma sopa , hum... servida nos intervalos das sessões pelos próprios atores e administradores, e a Ariane ajuda também. Bateu a maior saudade do Soleil, e de Paris... vou parar por aqui antes de cometer alguma impertinencia de assuntos. Noblesse oblige. Voilà.
Viva o Carlos Paranhos

A materia do "Estadão", foi sinalizada pelo antenado Carlos Paranhos, em e-mail especial para esta escribauta. Valeu, gente boa! Não imaginas o tamanho do meu sorriso.
Ah, bendito Estadao, correu na frente e publicou segunda"Diretora do Theatre du Soleil emociona" !!!!

11.3.02

Sujou!

Dá uma passada lá no Artimanhas, o meu blog pessoal, que eu estou contando o
porquê.
Da Ariane Mnouchkine, nada...

Já pesquisei avidamente nos jornais (on line) de Belô, e nenhuma linha sobre a Ariane. Cheguei a pedir um help para o meu querido amigo blogueiro que mora lá, o Caio Cesar, e que foi um dos criadores do portal "Uai", e ele falou que os jornais impressos também não tinham nada. o JB, OGlobo, Folha, Estadão, nada também...

Como eu sou otimista e esperançosa, vou continuar pesquisando durante a semana, pode ser que o Macksen (crítico do JB) e a Barbara Heliodora (do Globo), tenham estado lá, e publiquem alguma coisa durante a semana. Voilà.

7.3.02

Ecos do ECUM 2002

Hoje, na parte da manhã, teve um aula-debate com a nossa Mestra Angel Vianna, um dos destaques nacionais da programação. Sábado, dia 9, de manhã, a esperada aula-debate da Ariane Minochkine, do Théatre du Soleil.

Os jornais de Minas, além da pouca cobertura, (no domingo não tinha uma linha sobre o ECUM), estão dando informações erradas, como nesta página aqui que confunde o leitor, informando que a Ariane é diretora do Cirque du Soleil. Trocou a entrevista de um francês pelo outro, no penultimo paragrafo do texto. Ainda bem que na troca, deram a voz ao Sthephane Brod, que sempre tem coisas interessantes para falar.

A programação foi alterada. Os japonêses que estavam anunciados não virão. Mas nada disso pode tirar o brilho desse evento que se firma a cada ano como um dos acontecimentos mais importantes das artes cênicas, no Brasil e no mundo.


Solos da dança carioca

Em sua terceira edição, o Projeto Solos de Dança, estreiou ontem no Teatro do SESC, em Copacabana, ( e na próxima semana, no Teatro Sergio Porto), trazendo trabalhos dos mais expressivos coreografos do Rio, misturando tendências e procedências. Ana Victória, Carlota Portela, Sylvio Dufrayer, o Paulo Mantuano lá da Escola (Angel Vianna), a atriz e bailarina Paula Águas, Marcia Milhazes, e dois diretores de teatro com incursões na área de dança, o Henrique Diaz e o Gilberto Garownski, vão mostrar os resultados de suas pesquisas

À moçada antenada nas pesquisas dos novos rumos da dança contemporânea e do teatro, é um programa imperdível. Detalhes aqui no Bzinho de hoje.

6.3.02

Assunto: [forum_teatro] (unknown)
Data: 05/03/2002 20:10:13 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Igo Ribeiro)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br


O atorzinho

Existem vários tipos de atorzinhos: aqueles que surtam que são artistas só porque "levam jeito pra coisa"; aqueles que alguém surta dizendo pra eles que eles são artistas; aqueles que são filhos de artistas mas nem por isto são também; aqueles que são bonitinhos e ao invés de fazerem curso de modelo e manequim, a mamãe bota num cursinho de teatro; aqueles que não querem nada com a vida, então vão fazer teatro; aqueles que querem ir pra Globo a qualquer preço; aqueles que começaram a andar com "gente de teatro", acharam bacana e resolveram tentar; aqueles que piram na maionese, surtam na batatinha, comem muito cocô e acham a parada muito maneira, a maior viagem...

Bom, se você se enquadra numa destas situações, então você é um atorzinho. Mas não se preocupe, você não está só! Na verdade, em cada esquina desta cidade maravilhosa você encontrará um parceiro, um ombro amigo. E se sua intenção é se aprimorar cada vez mais neste ofício, aqui vão umas dicas:

1. Matricule-se imediatamente num curso caríssimo de "Interpretação pra tv" com qualquer diretor famoso. Todo final de semana o jornal divulga uns quatro. Escolha o seu!!!

2. Matricule-se no Tablado DE QUALQUER MANEIRA. Mas não se incomode em prestar atenção às aulas e ouvir o que tanta gente experiente e bacana tem pra lhe dizer, apenas esteja lá.

3. Deixe seu currículo em montes de agências que anunciam no jornal, acredite piamente que vão lhe chamar pra trabalhar.

4. Faça um monte de eventos, recepções, animação infantil e recreação para garantir sua sobrevivência.

5. Não leia, afinal você tem pouco tempo.

6. Esteja sempre nos lugares da moda e nas festinhas badaladas como se isto fosse muito importante.

7. Nunca tenha opinião sobre nada, não critique, não arranje confusão, engula muito sapo. Você nunca sabe o dia de amanhã... Você pode precisar das pessoas...

8. Fuja de grupos de pesquisa e peças sem patrocínio, isto não chega a lugar algum.

9. Entre na academia onde a "tchurma" malha e vê se consegue se enturmar.

10. Faça-se sempre de humilde, mesmo quando estiver sendo sacaneado ou humilhado, todo mundo sabe que é falso, mas "pega bem".

11. Vá às estréias. O importante é ser visto.

12. Faça qualquer coisa para tirar o seu registro: montes de pecinhas infantis babacas adaptadas de filmes da Disney, Projetos Escola imbecis pra fuder mais ainda a cabeça desta geração, pontinhas em programas humorísticos, muita figuração, filme pornô rural, QUALQUER COISA pra tirar este maldito registro que não prova porra alguma e nem garante caralho algum.

13. Sorria, seja bacana com todo mundo e tenha muita fé. Se você acreditar nos seus sonhos , eles vão se concretizar, o universo todo conspirará a seu favor e blá blá blá...


Igo Ribeiro é ator e etc e tal, e como todos, luta para não acabar um atorzinho...

..................................


Assunto: [forum_teatro] "ingresso de classe"
Data: 04/03/2002 01:07:36 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (mariozinho)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Pelo que lembro foi alí pela década de oitenta que institui-se o "ingresso de classe", porque, antes, vivíamos um sentimento mais definido de família do teatro como se refere a Camila, era tradicionalmente franca a entrada de qualquer artista ou estudante de arte; nas boates, músicos que dessem canja não pagavam para beber e comer, como também, atores podiam ter gratuidades em alguns restaurantes e outras "regalias", facilitadoras da dura vida de artista, que, talvez alguns membros do forum ainda lembrem...

Estou falando das décadas de 60 e 70.

A famosa frase da Cacilda é de um período anterior, período de afirmação do teatro profisional no Brasil, da definição de produtores e da comercialização dos seus produtos que, naturalmente, não foi dirigida aos integrantes da "classe".

Justamente no período dos 80 a "classe" passou a aumentar muito, surgiram muitas escolas de teatro a despejar montões de novos artistas a cada seis meses, o mercado profissional desdobrou-se em novas áreas e o sentido de classe vem sendo diluido, particularizado, fragmentado, desde então...

Por outro lado, no período anterior, a ida a um espetáculo cumpria a função de um exercício de cidadania e de participação social, frequentemente aconteciam acalorados debates, a cidade transpirava os acontecimentos de cada uma daquelas casas e era possível com um banquinho e um violão, faturar o troco do aluguel numa bilheteria de teatro (Juca Chaves que o diga!).

Sofremos uma brusca mudança em nosso destino e temos atualmente as grandes corporações completamente instaladas em nossas vidas; durante algum tempo fomos capazes de resistir, graças ao nosso respeito mútuo (apesar das diferenças que sempre existiram) e o sentido definido de auto-preservação da classe acima de tudo, acima, até de um governo militar ditatorial absoluto e obscuro; resistíamos com a nossa corrente humana, mantivemos o "nosso jeito de ser", preservando a identidade íntegra do artista diante dos absurdos, dos desmandos e das artimanhas do poder.

Com toda a fragmentação perdemos a nossa propriedade participativa, voltamo-nos exclusivamente para as nossas produções e para as produções do nosso gueto, ao passo que, o público não está necessáriamente dividido nas mesmas tribos e trips, ele busca a diversidade, enquanto que, como classe, vamos desperdiçando a oportunidade de oferece-la com o teatro, reconhecendo apenas "o que é espelho", o que, para o público, representa pura mesmice.

O fato é que uma produção não pode resolver-se com o meio ingresso da classe, não é assim que se resolve a coisa, isso acaba virando uma autofagia e só contribui para uma fragmentação ainda maior de um meio profissional onde falta intercâmbio.

Alguns recursos como sessões, festas e eventos pró-produção, são viáveis e usuais, aí, aqueles que dispõe podem exercer a sua solidariedade, contribuindo.

Tanto a sessão para a classe, quanto o passe livre para os artistas são benéficos a qualquer temporada, em respeito a todas as opiniões colocadas sobre o assunto, essa é a minha.

abraços e beijos

mario---------------------------------------
(http://www.ilhagrande.com)




Assunto: [forum_teatro] Políticas para as artes cênicas
Data: 06/03/2002 18:16:11 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Maria Teresa Amaral)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Ficamos aqui discutindo - e sempre é bom discutir - a respeito de nossas
atitudes com relação às promoções e convites.
Depois da intervenção de Isis Baião julguei que não cabia escrever para
dizer: "Concordo", porque não acrecentaria nada à discussão. Mas obviamente
sou a favor de ingressos baratíssimos para alunos de escolas de teatro ( nos
meus espetáculos custam 1,00 ) e mesmo para jovens atores.Quanto aos que já
tem estrada - meia é de tradição. Fazê-lo é poupar-nos trabalho no futuro,
quando formos trabalhar com estes jovens, que muitas vezes quase não vão ao
teatro, não sabendo o que fazem nossas boas atrizes, atores, diretoras e
diretores e até nossas não tão felizes produções, porque é preciso ver de
tudo para saber julgar.
Mas este email é pra dizer que esquecemos da parte mais importante: não
vamos nos aperfeiçoar, pesquisar, fazer espetáculos arriscados, com autores
desconhecidos, atores que, muitas vezes, não fazem, ou quase não fazem TV
e não estou dizendo que não há ótimos atores na TV ), interiorizar o
teatro,se os nossos governos, em todas as instâncias, não investirem no
teatro de maneira planejada, metódica, visando o longo prazo, pagando a
tempo e a hora o que prometeram. Se não houver investimento em formação de
profissionais e plateia, informação, divulgação, investimento em grupos,
companhias, sedes.
Não, não é esmola. O teatro dá empregos, muitos, e principalmente mantem a
cultura de uma nação ( diferente de pais ) unida, mesmo e necessáriamente
respeitando as diferenças ( não estou falando aqui da maldita identidade
cultural ). E é pela cultura viva que se resiste ao genocídio cultural - um
dos efeitos mais doentios da inevitável globalização, se ela não for
encaminhada como quer, por exemplo o pessoal todo que se reuniu em Porto
Alegre.
A França considera a cultura o único item inegociável na Organização Mundial
do Comércio. A ponto de, querendo proteger sua agricultura teorizou-a como
cultura - por seus resultados nos queijos, vinhos e outras comidas e bebidas
que constituem-se partes da cultura francesa.
A França ganha muitíssimo dinheiro com cultura - é uma das primeiras fontes
da receita francesa.
A França, depois de anos de investimento, conseguiu que, em 2001, 40% do
público francês assistisse a filmes franceses.
Se algum de vocês se derem ao trabalho de entrar no site do Ministério da
Cultura francês vão achar num mapa o impressionante número de centros
culturais, em suas mais diversas formas, inclusive escolas, espalhados por
toda a França, que é apoiado pelas diversas instâncias do governo francês.
Tem até uma história engraçada, que me contaram: um pessoal invadiu um
prédio do governo francês e está sendo posto pra fora. Mas em vez de só
morar lá, eles fizeram um centro cultural. Daí o governo, põe eles pra fora,
mas, enquanto isso, dá dinheiro pro centro cultural.

Lugares pequenos como o Margarida Rey, ou o Centro Cultural do grupo
dirigido pela Ana Maria Nunes - Carmo, por exemplo, receberiam, na França,
as honras da visita de uma comissão composta por vários ministérios - me
lembro do da Cultura e se não me engano da Economia Solidária, mas eram
três. Esta comissão faz uma monografia detalhadíssima sobre o lugar e suas
necessidades e o governo - apoia. E mais, considera que é destes lugares que
virá a renovação da arte francesa, também os considera determinantes para a
intergração da sociedade francesa.
Disse tudo isso para explicar que não vai ser dando mais ou menos convites -
discussão super válida -que vamos resolver o problema do teatro no Rio de Janeiro. Mas votando emgovernantes que sejam menos obtusos quanto às políticas culturais.Infelizmente estamos em falta, por aqui. Porque também, só organizados podemos garantir a continuidade de políticasculturais corretas.

E por favor ninguém venha me dizer que este típo de política será enterrado
com o "estado-abundância" e que é como as aposentadorias: um problema. Se os argumentos pacíficos não convenceram vocês, pensem na importância
estratégica que tem a cultura na luta dos USA para conservar sua hegemonia.

E nós não vamos resistir?
Não precisamos, nem devemos, ser xenófobos, basta fazer boa arte. Já é uma
p... resistência.

Maria Teresa Amaral














4.3.02

Assunto: [forum_teatro] (unknown)
Data: 03/03/2002 00:09:07 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Igo Ribeiro)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Não sei que coisa é esta que todo mundo acha que tem vocação e, principalmente no Brasil, se transformou numa vitrine de ostentação, futilidade, superficialidade e vulgaridade. Esta coisa que transcende o tempo, a história, a ciência e o racional humano.

Esta força extrema que o tempo passa e está lá: gritando, pulsando, doendo, incomodando, emocionando e TRANSFORMANDO.
Esta forma anárquica da representação e dos anseios humanos: ARTE.
Não, não posso admitir que qualquer um tenha este dom. Não é para todos. Deus escolhe bem seus representantes.
E vou continuar acreditando nisto.

Desprezo e dou as costas para enganadores, charlatões, canastrões e oportunistas. Sigo o meu caminho abençoado por Dionísio entre delírios bacantes e gritos ditirâmbicos. Sei que vai dar em algum lugar.
E quem quiser me acompanhar será bem vindo. Só posso garantir uma coisa: não é fácil. Muitas vezes dói, confunde, machuca e nos atira ao desespero. Poucas vezes nos faz sorrir das conquistas e acertos.
É nestas horas, que nos sentimos sendo ARTISTAS...


Igo Ribeiro.





3.3.02

Assunto: [forum_teatro] arapucas.. ( o livro)
Data: 03/03/2002 02:00:39 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Renata Azzi)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br (forum)

Ih, saiu enorme! (Quem ler inteiro ganha um doce)
É que eu achei que pudesse acrescentar... Me instigou um certo desabafo, que foi amplamente aderido,comentado,e ratificado. Eu, pessoalmente, fiquei imensamente feliz, pois acho que a ira pode ser algo muito positivo se ela te move, gosto de emoção e verdade.Senso de humor, então, me ganha na hora!

Então, eis o que posso acrescentar : mais dúvidas e confusão. Tipo: Que padrões são esses, e por que supostamente deveríamos segui-los? De vigor cênico? de saúde? (aliás,plástica é saúde?) ou de uma estética distorcida de corpo- mercadoria?( que aliás é feio pra burro?)
O corpo-mercadoria serve pra quê? Pra vender sabão em pó, ou cerveja?
Se é vender cerveja, é isso que se busca quando se vai estudar-anos-e- pesquisas-e- blablabla-Brecht-blabla-Barba...? Se não é , então serve a quem?

Mas importante mesmo, seria saber: De quem dependemos realmente? da globo? da shell? da audição? do colega de cena? Ou melhor dizendo, por que em São Paulo o movimento teatral é tão mais consistente do que aqui?
Por favor, não estou dizendo que não tenha gente fazendo, e companhias, e grupos etc aqui no Rio, mas sim que não dá pra comparar ! Ah, desculpa, pô, mas não dá!

Nada contra quem faz tv e adjacências, mas, gente, existem outras possibilidades.. Dá pra desligar a TV. (ou ao menos ligar o vídeo junto.) Desligar-se da tv. Digo isso porque por mais medonho que possa parecer , é o que mais se ouve nas coxias teatrais por aqui (Tv-tv-tv, quem come quem, quem é meu amiguinho, quem deu piti no baixo... ) Sinto que em muitos níveis, quem sustenta esse "poder" da tv são os próprios artistas (alguns- muitos) de fora e de dentro que são obcecados.

A cerveja do corpo-coisa é tão cotidiana que somos vendidos e somos comprados em seu nome sem nos dar conta. ( compliquei?) É algo mais profundo que o corpinho-troço-gostosinho. É sentir como se estar na tv fosse a grande meta ,ou o único reconhecimento, ou pior, como se fosse de verdade.(!) ( Pô, fala sério! )
E eu que achava que a globo era indústria..Indústria que quase nada tem a ver com arte! Como sou inocente... rolo de rir comigo! O que está deslocado, eu desconfio, não são os critérios deles...
E tudo em nome de quem?... Do público? Existe mesmo isso? ( Ah já sei! É aquele que bate-palminha-bate, de pé, é claro, pra qqr mico caça-níqueis, né?)( Nada contra quem gosta, mas um pouco de critério não mata né?)( Mas não, quem morreu mesmo foi o senso estético! E quem matou?)

E mais, ....botar o pé no chão é importante, um toque bacana,etc, mas, cara, serviço público tem limite. Quero dizer, pensa só..,temos mesmo que nos contentar, (digo, ficar contentes!) em ficar fazendo o que pintar, dar aulinhas qualquer-nota sem vontade ( Q alunos vão ser formados assim, jesus, maria, jose?!?),ou fazer teatro eu- odeio- crianças ,sem o menor jeito pra coisa?

Sim, gente ( que é pra brilhar e `n pra morrer de fome!) hai que ralar, hai que endurecerse, mas bem que ,podia ter mais perspectiva, dignidade e mais respeito.( um direitinho só, de algo assim, remoto.. digamos.. envelhecer!, ou morrer e ter onde cair..)
E se não tivermos essa BENDITA IRA , como vamos conquistá-los? (viva Pã!)
beijos, abraços
Renata - pânicoteatro


Assunto: [forum_teatro] (unknown)
Data: 02/03/2002 01:32:28 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Igo Ribeiro)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

A todos os queridos companheiros do Fórum:

queria me retratar esclarecendo que por se tratar de um desabafo, meu texto anterior era, obviamente, INFLAMADO e cheio de mágoas e declarações que podem ter soado agressivas. Sei que posso ter parecido pedante, não era a minha intenção.

1- Quando falei da Uni_Rio dei apenas um depoimento pessoal, citando um exemplo de dedicação e caminho percorrido. Existem muitos outros. Mas tem que haver o caminho do ESTUDO. SEMPRE.

2- Não tenho nada contra corpos sarados e rostinhos bonitos, apenas acho que esta não deve ser uma regra. E todos nós sabemos que é. Toda regra tem exceções. Mas não lutamos para ser exceções, não é mesmo?

3- Não tenho nada contra quem faz educação física ( me perdoe, Claudinha Rodrigues !!! ) , tenho contra quem a utiliza como fonte de experiências estéticas e fúteis. O ator não precisa ser sarado e gostoso, precisa ter TALENTO E INTELIGÊNCIA.

4- Vocação não significa "levar jeito" ou "gostar" de alguma coisa. Dancei por muitos anos, levo até jeito pra coisa, mas não me autoproclamo bailarino; seria uma sacanagem com a classe...

5- Precisamos reavaliar os critérios sim. O que se precisa para tirar um registro? Qual a avaliação? Um indivíduo que sai fazendo um monte de pecinhas infantis babacas e cursinhos mercenários tira o mesmo registro que um outro que ralou, estudou e tem talento e competência? No mercado, como se avalia o valor destes profissionais? Por meio de testes? Os testes realmente avaliam alguma coisa? Quanta gente boa não passa em testes? Todos nós conhecemos gente assim. "Ah, mas quem tem talento de verdade, uma hora consegue"... MENTIRA. Conheço muita gente com talento que já desistiu, não por covardia, mas porque tem contas pra pagar, remédios pra comprar, aluguel atrasado...

Não prego verdades, apenas levanto questões. Quero ter esta oportunidade. De errar se for preciso. Mas me calar nunca.

Um beijo no coração de todos,

Igo Ribeiro.


Assunto: [forum_teatro] Cortesia é fundamental
Data: 01/03/2002 17:13:18 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Isis Baião)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Vitor,
Cortesia não é "bicho papão", cortesia é fundamental. Eu não disse que era contra dar convites, tampouco que os atores frequentam restaurantes caros (infelizmente, não). Um dos problemas da nossa classe é a falta de entendimento entre nós mesmos. Seria ótimo se lessemos o que o outro realmente escreveu ou disse. Vamos clarear o assunto:

Eu não sou contra convites. Aliás, dar convites foi o que mais fiz na temporada do "Cenas Curtas". Acho que devemos ter os chamados ensaios abertos para convidados, acho que os convites para estréia devem ser válidos durante todo o primeiro fim de semana do espetáculo e que todos os participantes da montagem devem ter uma cota semanal de convites. E acho também que isto é suficiente e deve ficar por aí.

Se quase não há mais ingressos para a classe, devemos tentar ressuscitar esta saudável prática em todos os teatros.
Finalmente, não são só os atores que pedem convites. Portanto, não me referia aos colegas quando disse que tem gente que sai do teatro, onde descolou convite, e paga no restaurante uma conta de 50 paus, sem chiar. Já vi isso acontecer.
E mais: pagar, ainda que 5 ou 10 reais, pra ver o espetáculo do amigo, é cortesia com o amigo.
Um abraço,
Isis


Assunto: [forum_teatro] "cortesia" Resposta a Leda, Isis e José leon
Data: 01/03/2002 23:16:30 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Vitor Fraga)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Sei que a tarefa é difícil, mas vou tentar responder a todos de uma vez só.
(Ps: Vamos deixar "bem claro" que quando falo de "produtores" não estou dirigindo minhas críticas a nenhum "produtor" em especial)

Leda,
Os atores que têm um bom padrão de vida, carros novos, celulares dos mais caros, e freqüentam bons restaurantes, são muito poucos, considerando o universo de atores que estão por ai ainda tentando fazer teatro. Sendo assim, duvido que esses colegas sem consciência (mesmo achando que deveriam pagar) onerem tanto as bilheterias.
Obrigado pelo esclarecimento! Eu realmente não sabia que o "ingresso de classe" tinha mudado de nome.
Não eximo de culpa a classe dos atores pela desvalorização. Realmente para cada ator que se recusa a trabalhar por um salário de fome, existem cem que aceitam. Porem não vamos esquecer que para todo o corrompido, existe um corruptor, e talvez, apenas talvez, os produtores inescrupulosos que fomentam esses salários de fome, e promovem esse "quem dá menos", se aproveitando da desunião da categoria, sejam piores que os "atores desunidos".

Isis,

Só pra te esclarecer: Não enderecei meu E-Mail a ninguém ,e mais de uma pessoa havia se pronunciado antes de eu escrever. Por acaso uma delas falou claramente sobre os "colegas", por isso toquei no assunto. Por tanto faço minhas, as suas palavras: " Seria ótimo se lêssemos o que o outro realmente escreveu ou disse".
Tenho certeza que existem pessoas que podem pagar e assim mesmo pedem convites. Mas por outro lado nada impede que neguemos "a esses" a cortesia! Minha colocação é que tenho reservas quanto a acabar com a cortesia ou a meia entrada. Se você tem uma unha encravada, a atitude sensata é, quando muito, arrancar a unha, e não amputar o dedo.
Por fim,acho que a maioria dos atores dá convites de seus espetáculos, e vai de graça no dos amigos por uma questão de falta de dinheiro, ou por simples "cortesia" no verdadeiro sentido da palavra.

José Leon,
A maioria dos atores de teatro já trabalha de graça!!!! Isso quando não paga para trabalhar!!!! portanto vou repetir para você minha frase anterior:
"Podemos sim afixar na bilheteria a frase da Cacilda Becker (não me peça de graça a única mercadoria que tenho para vender) . Mas deveríamos antes afixa-la no borderô."

Um Grande Abraço
Vitor Fraga



















2.3.02

A discussão continúa rolando até hoje (sábado) lá no forum, a partir do assunto da Coluna do Xexéo, domingo passado, em "O Globo". Vou continuar pinçando alguns depoimentos, ( não tem espaço para publicar tudo) entre os mais significativos, e vou continuar publicando aqui, na íntegra.
O Forum Virtual de Teatro Brasileiro está vivendo um grande momento da sua história, debatendo com a maior seriedade, as questões do artista contemporâneo e o fazer artístico no Brasil de hoje. Tá bonito de ver, as pessoas mostrando a cara prá valer, se expondo, falando o que pensam. Bom demais. E chega de muito bla-bla-bla, os depoimentos falam por si
.

Assunto: Re: [forum_teatro] A coisa vai mal...
Data: 01/03/2002 16:28:09 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Claudia Rodrigues)
To: ('Airam Pinheiro'), ('Igo Ribeiro'),
forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Oi !
Acompanho as discussões do forum há mais de um ano, e se me permitem essa é
uma das raras vezes que tenho vontade de me pronunciar.
Concordo que a coisa mal... tem tempo...
Sou formada em Educação Física, lecionei por quase quatro anos, entre
colégios, academias, APAE... Me formei em teatro no TERG ( curso
profissionalizante de três anos),fiz muito projeto escola, festa de
aniversario, promoções- acreditem já fui um "telefone" entre outras- fiz
prova de reingresso na UNI RIO, que infelizmente não cheguei a cursar por
falta de tempo - pois precisava dar aulas de natação teatro pra crianças,
adolescentes, etc...
Faço teatro desde 15 anos e hoje tenho 31. Um espetáculo atras do outro.
Durante esses anos parei nos últimos sete meses apenas, mas GRAÇAS A DEUS-
volto a ensaiar em setembro. Já fiz muitos fracassos: de publico, texto, e
também muitos sucessos... já gastei muito mais do que ganhei pra atuar.
Estou no sexto ano de contrato com a TV Globo, uma dúzia de prêmios no
escritório. Tanto de TV como teatro...Não tenho um corpo lindo, uma cara
linda, não conhecia ninguém na Globo, não sou casada com nenhum diretor da
casa, etc. E meu maior talento não é atuar, mas acreditar nele.

Desejo pra nossa galera de talento e capacidade sorte e paciência, pois arte
aqui é difícil mesmo... e quanto as "colegas" que "ganham" registros etc...
só lamento. Quanto a empresas que preferem patrocinar espetáculos com
elenco "global", vamos entende-las porque, lamentavelmente o "publico" quer
ver de perto os "protagonistas" já tão conhecidos por eles e poucos sabem o
que é arte...
Fazer o que? A TV Globo elege presidente, não vai escolher os que fazem
"sucesso" no teatro?
Que seja então, cabe a nós , continuarmos a bater palmas pros verdadeiros
colegas e ensinar aos nossos
filhos, amigos e alunos a reconhecer um verdadeiro artista.

É isso.
Claudinha Rodrigues

Assunto: Re: [forum_teatro] A coisa vai mal...
Data: 01/03/2002 22:43:36 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Andréa Stark)
To: ('Airam Pinheiro'), ('Igo Ribeiro') , (Claudia Rodrigues)

Para ser escritor, Ariano Suassuna resolveu ser tb professor. Para ser poeta, Manuel Bandeira tb dava aulas na Faculdade de Letras, na Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Jacob do Bandolim era escrivão, acordava cedo, serviço público, aquela coisa... Mario de Andrade, professor de música no Conservatório. Nélida Pinon é professora na Universidade de Miami, além de membro da Academia Brasileira de Letras o q lhe confere o prestígio de valorizar o seu pro-labore em palestras.

E todos são e foram comprometidos com sua arte e nunca deixaram de realizá-la. A coisa é e sempre será difícil pois estaremos sempre à margem.
Qdo se enxerga isso, tudo fica claro e o universo passa a conspirar a favor.
É essa minha opinião. Sorte a todos e muita arte, sem ilusões.
Abraços.
Andrea Carvalho Stark


Assunto: [forum_teatro] Igor e amigos
Data: 02/03/2002 17:24:54 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (magicat)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br (Forum de Teatro)

Não dá prá ficar rancoroso numa profissão de risco como essa, senão a gente perde o prumo.
Já perdi o saco de ficar reclamando das vias oficiais(governo, empresas, Globo). Acredito que tá na hora de ser realmente independente, descobrir alternativas fora da rota conhecida.
Se as grandes empresas não querem me patrocinar porque sou pequena, vamos procurar as pequenas empresas que não podem patrocinar os grandes.
Se a mídia oficial não dá importância pro meu release, vamos procurar a mídia alternativa.
O povo está nas ruas e sabe o acontece nelas, não se ilude mais só com o silicone das belas atrizes.
Podes crer que existe vida inteligente além do Projac.
Cuide do seu talento e continue trabalhando.

Gatti















1.3.02

Assunto: RES: [forum_teatro] A coisa vai mal...
Data: 01/03/2002 10:18:04 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Airam Pinheiro)
To: ('forum_teatro@yahoogrupos.com.br')


Vai mal mesmo, pessoal... Igo, faço meu o seu desabafo. Fazemos teatro como profissão ou porque acreditamos que a arte deve fazer parte do cotidiano de um povo ? A segunda opção não nos deixa numa posição muito confortável quanto à sobrevivência.
Enquanto escrevia esse mail, assistia ao jornal da manhã na Record e passaram alguns trechos da Família Trappo. Jô Soares, Golias e cia., levavam as platéias (era feito ao vivo) e os telespectadores ao delírio com um humor ingênuo, porém genuíno, chegando a alcançar 95% (!!!) de audiência. Um era gordo e o outro feio. Não eram carinhas bonitas, nem corpos malhados. Entre as mulheres até tinha loura, mas longe de ser só uma gostosa. Longe de ser uma mera exposição, um trampolim para um contrato com uma revista masculina, ou pior, para fazer parte de um book das meninas que estão na mídia e que fazem programas por quantias astronômicas com altos executivos.

Perdoem-me os inocentes, mas isso rola sim. E consegue ser mais triste que projeto escola e animação de festa, juntos !!! Esse fenômeno da imagem em primeiro lugar (prefiro chamar assim porque fenômeno é uma coisa que um dia acaba) chegou a um ponto em que colocaram no ar um programa que não tem história (tem roteiro, mas o pessoal não consegue seguir, pois não são atores - perdoem-me os inocentes mais uma vez). É só imagem !! Selecionaram uma meia dúzia de pessoas com uma imagem razoável e colocaram no ar. No lugar onde poderia estar passando alguma coisa interessante, como às vezes até acontece. Vide Brava Gente e algumas micro-séries. (...)

Ou como eu ouvi mês passado, durante um teste (não vou citar qual a produção, obviamente, por questões éticas): - "não tem problema. Quem a gente gostar, se não tiver registro, manda tirar na hora." Então eu ralo que nem um corno. Estudo que nem uma besta. Me formo em artes cênicas. Continuo estudando. Praticando. Fazendo teatro sabe-se lá como. Correndo atrás. E depois vem alguém, passa num teste e "ganha" o registro ??!!! Brincou.

Cada vez mais eu chego a conclusão que conhecimento é tudo. Claro, você vai dizer: Mas é assim em todas as áreas !
Concordo. Mas na nossa profissão é mais. Pode acreditar. Ontem mesmo eu estava pensando: agora quando perguntarem o que eu faço, vou responder que estou querendo ser ator. Porque eu quero ser, mas tá difícil. E se a pessoa insistir, explico: sou ator profissional, mas você já pegou o dicionário para ver o significado da palavra "profissional" ? "Pessoa que exerce determinada profissão - Profissão, s. f. Meio de vida que cada um exerce publicamente". (...) E se, definitivamente, não é o meu meio de vida, como é que posso dizer que sou ator ? Ainda mais profissional ? Não dá, né ?
Já estou na fase do "professores de aulinhas de teatro em cursinhos de pouca repercussão". Meu próximo passo é o "projeto-escola"... Só rindo.

Um grande abraço e me perdoem o desabafo,

Airam Pinheiro
_____________________________________________

Assunto: [forum_teatro] Resposta
Data: 01/03/2002 00:49:47 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Paulo Duek)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br


Como vai Igor e Forenses?

Adorei seu desabafo/crítica e concordo plenamente!

Quando alguém me pergunta: Como ser ator? ou Quero fazer TV e Cinema?

Eu só sei dizer: LEIA MENOS! ESTUDE MENOS! NÃO INTERESSA SE VC TEM OU NÃO
FORMAÇÃO! DRT É POSSÍVEL POR OUTROS MEIOS... (TODOS NÓS SABEMOS!).

VÁ MALHAR! 5, 6, 7, 8... BÍCEPS, TRÍCEPS, SUPINO RETO, ESTEIRA!

ACADEMIA JÁ!

QUE BRECHT? STANISLAVISK, DIDEROT E TOUCHARD! ISSO NÃO IMPORTA!
LER MUITO DÁ BARRIGA! O MÍNIMO QUE VC VAI SER É UM PROFESSORZINHO FRUSTRADO
OU UM CRÍTICO GORKIANO!

VÁ MALHAR! VÁ MALHAR!

Um Abraço!

Paulo Duek
_________________________________________________________________
Assunto: [forum_teatro] A coisa vai mal...
Data: 01/03/2002 11:48:46 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Fabio Rodrigues)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br (Forum Teatro)

Sou um desses professores barrigudos que dá 54 horas/aula de teatro por semana na rede estadual, na municipal e em cursinhos de pouca repercussão como meio de sobrevivência e, pasmem, para poder continuar fazendo teatro, viabilizando meus próprios projetos.

Como sei que a Petrobrás e a Brasil Telecom não vão viabilizar meus projetos teatrais, já que os profissionais da minha companhia sequer apareceram nas simulações do Linha Direta, vou resistindo, montando nossos espetáculos com recursos que vem de nossos próprios bolsos.

Enquanto não enquadro meu corpo na estética dominante, enquanto não caso com nenhum diretor global, enquanto não faço social com diretores teatrais, enquanto a democratização de patrocínios e seleção de elencos não triunfar, foi a solução que encontrei. Quem mandou perder tanto tempo estudando e engordando?

Abraços afetuosos e solidários,

Fabio Rodrigues



Assunto: [forum_teatro] sua mensagem para o fórum
Data: 01/03/2002 01:02:30 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (nanda rovere)
To: forum_teatro@yahoogrupos.com.br

Oi Paulo, Igor e Forenses e todos os colegas do Fórum
Concordo que, infelizmente, talento e esforço hoje em dia vale pouco, mas ao mesmo tempo vejo pessoas com talento com reconhecimento.
Sorte é muito importante só que nunca deixe de lutar pelos seus objetivos e perca as esperanças de um mundo melhor.
Conheço artistas de enorme talento que são parentes de gente famosa (lógico, isso ajuda muito) e outros que tiveram de ralar pra caramba. Admiro todos eles.
O que me chateia é essa chuva de pessoas sem nenhum talento invadindo o meio artístico. Isso ocorre em todas as áreas.
Acredito que uma das maneiras de prestigiarmos pessoas de talento é ajudarmos na divulgação de seus trabalhos e esse é um dos meus objetivos ao participar do fórum, além de trocar idéias.
abraço e sucesso a todos vcs
nanda.













Assunto: [forum_teatro] Cortesia é bicho papão?
Data: 28/02/2002 23:28:39 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Vitor Fraga)
To: forum_teatro

Acho que quem faz teatro hoje em dia acaba caindo no paradoxo do ovo ou da galinha.
Gostaria de fazer apenas algumas considerações:

1) Será que diminuir ou extinguir os convites é a solução para valorizar nosso trabalho?

2) Não sei se vivo uma realidade diferente, mas a maioria dos atores que conheço nem carro têm, e dificilmente gastariam cinqüenta reais por cabeça em um jantar.

3) Já a algum tempo não escuto falar em ingresso para classe.E como atores não têm direito a meia entrada fica difícil chegar na bilheteria e tentar pagar meia.

4) A maioria das produções paga muito mal aos atores. E considerando que com o seu cachê você não consegue pagar o ingresso do espetáculo do seu colega (Que por sua vez também não consegue pagar o ingresso do seu), não vejo nada demais nessa troca de gentilezas.

5) Se eu recebo um cachê que não dá para pagar nem a entrada do meu próprio espetáculo, o produtor desse espetáculo deveria ter vergonha de barrar algum convidado meu.

6) Antes de se pensar em moralizar a profissão acabando com meias entradas ou cortesias, deveríamos pensar em valorizar o profissional que todos os dias dá seu suor, e sua emoção para fazer o espetáculo acontecer.

Na hierarquia do teatro o Autor é um profissional e precisa receber, o Iluminador, o Operador de Som, o Maquinista, o Figurinista, todos são profissionais e na maioria das vezes recebem mais do que o ator, sempre relegado a categoria de "amador" ou seja "aquele que tem que fazer por amor". Podemos sim afixar a frase da Cacilda Becker na bilheteria. Mas deveríamos antes afixa-la no borderô.
Fala-se no quanto é triste que o público pague um ingresso de cinema, e não pague para ver um grupo de pessoas atuar ao vivo. Se estes que fazem ao vivo não são valorizados pelos seus pares, quem sou eu para criticar o público?

Um Grande Abraço
Vitor Fraga
**********************************
FORUM VIRTUAL DE TEATRO BRASILEIRO
**********************************

COMO SE REGISTRAR NO FÓRUM:
Faça seu registro no site: http://www.yahoogroups.com
Depois mande um e-mail(em branco)para:
forum_teatro-subscribe@yahoogroups.com



Assunto: [forum_teatro] (unknown)
Data: 01/03/2002 00:34:38 Hora padrão leste da Am. Sul
From: (Igo Ribeiro)
To: forum_teatro

A COISA VAI MAL, MINHA GENTE, MUITO MAL...

Tenho sido acometido ultimamente de um ódio quase que xiita da classe artística, sem exceções: não tenho poupado atores, diretores, músicos, bailarinos e poetas. Ninguém. Tenho tido delírios noturnos de um homicídio lento e doloroso, de um massacre coletivo. Meu ódio aumenta quando não posso tomar uma atitude fria e distanciada, já que sou ator formado e faço parte deste "time". Ou melhor, não faço. Mesmo que eu queira.

Deixe eu me explicar: faço parte de um grupo que escolheu um caminho - o único que acredito possível - lento e árduo para se autoproclamar artista: fiz uma faculdade. Que muito pouca gente que se diz apreciadora de teatro conhece: a Uni-Rio. Ali, durante quatro anos, estudamos o teatro e a arte da representação diariamente e passamos por vários níveis de aprendizado para subir ao palco. Estudamos História da Arte, do Teatro Moderno, Estética Clássica, Psicologia, Artes Plásticas, Folclore, Técnicas de Expressão Vocal e lemos, lemos muito.
Quando nos formamos, estamos aptos para encarar qualquer desafio e derramar nossos talentos pelos palcos e telas de todo o país e do mundo, mas, nos faltou uma aula: educação física. Esquecemo-nos de ficar com o corpinho perfeito. Demos tanto valor aos livros e conceitos teatrais que nossos corpinhos não nos acompanharam.

Alguns colegas de faculdade com o corpo bonitinho até têm conseguido um ou outro trabalho na tv, mas nunca como protagonistas, porque, infelizmente, nos anos de estudo, adquiriram algum talento, coisa que muito dificulta para que você consiga um bom papel numa novela.

Eu achava que este fenômeno acéfalo era próprio da televisão e que o teatro era um templo inatingível e indomável; claro que sempre existiram espetáculos absurdamente comerciais que lotaram salas com rostos conhecidos e "comediantes" vulgares que tinham como única função fazer rir um público que se contentava com um texto chulo e uma interpretação simplória e caricata. Mas isto era uma parcela muito insignificante. Porém, o "templo teatral" tem sido profanado por uma horda de rostinhos bonitos, corpos perfeitos e inexperientes de todos os tipos que juram amar ao teatro sobre todas as coisas.

Até diretores que por muito tempo respeitei e admirei têm se apoiado no sucesso destes "artistas" para obter mais sucesso ainda ( $$$ ) em suas peças. A grande maioria dos espetáculos oferecidos e indicados ( ! ) nas últimas temporadas fazem parte deste fenômeno. Galãs sorridentes e mocinhas carismáticas, corpos bonitos, nu artístico, texto consagrado ou de fácil assimilação, nomes conhecidos na ficha técnica, muita grana de um patrocínio ou incentivo cultural cruel e mafioso e... voilá: sucesso garantido! O público ama, a crítica elogia, a mídia dá espaço demais e os verdadeiros artistas estão na platéia ( se tiverem grana pro ingresso ) ou trabalhando atrás de um balcão de shopping center.

Tenho conversado com alguns amigos que também se formaram e nenhum está trabalhando, não em teatro. São animadores infantis ( que ódio desta profissão, quem inventou tinha que levar um tiro na testa! ), professores de aulinhas de teatro em cursinhos de pouca repercussão, fazem "projeto escola" ( antes, a morte! ), trabalham em telemarketing, pensam em fazer concurso público ou estão desempregados mesmo. Todos assistindo pasmos ao nosso espaço sendo invadido e ocupado por indivíduos que nunca poderiam desempenhar a função, simplesmente porque não estão habilitados. Um médico não opera sem seus anos de estudo, sem residência, diploma, habilidade. Com um ator não poderia ser diferente. E não é.

Vivemos num país onde qualquer pessoa se torna notória do dia pra noite; basta ser político, piranha, traficante, jogador de futebol ou ator de novela. Não importa o seu passado, sua índole, seu talento, se você matou sua família e foi ao cinema ou se tem pacto com o demo: tá na mídia, tá valendo.

A coisa vai mal, muito mal e a tendência é piorar. E quem tiver soluções, dicas, ou qualquer luz para esta situação, que aja rápido. Espalhe sua indignação por emails, fax, fanzines, ondas piratas, telepatia, cartas aos jornais ou código morse. Vale tudo pra salvar o planeta. A arte agradece.


Ps: Igo Ribeiro é ator, diretor, autor, coreógrafo de teatro, professor de interpretaçao, acrobata aéreo, dublador desempregado e tá pensando em trabalhar na CeA ou mudar de país.

**********************************
FORUM VIRTUAL DE TEATRO BRASILEIRO
**********************************






28.2.02

Assunto: [forum_teatro] COLUNA DO XEXEO
Data: 27/02/2002 00:07:15 Hora padrão leste da Am. Sul
From: vivaldofranco
To: forum_teatro
O artigo abaixo foi escrito por mim em outubro de 2000. Enviei para este fórum e foi publicado em alguns tablóides alternativos na ocasião. Como agora o assunto volta à baila no artigo do global Xexeo, achei interessante reproduzi-lo mais uma vez para a discussão.

Abraços,

Vivaldo Franco.


COMO GANHAR DINHEIRO FAZENDO TEATRO (NO BRASIL)

Que o teatro está em crise e que não se ganha dinheiro fazendo teatro é o que todo aspirante ao palco aprende logo em sua primeira lição. Mas este quadro está mudando graças a uma fórmula mágica (ou será o jeitinho brasileiro?) surgida a partir da criação da Lei de Incentivo à Cultura - LEI ROUANET. Grosso modo a Lei funciona assim: o interessado em produzir um evento cultural, que pode ser um produtor, ator, companhia, etc. mas que aqui vou chamar genericamente de PRODUTOR, envia um projeto para o Ministério da Cultura pleiteando o enquadramento na Lei. O Ministério analisa e aprova ou não.

Aprovado o projeto, o PRODUTOR "corre" atrás do patrocinador. Conseguido o patrocínio, monta-se o espetáculo. (Vou me ater à área teatral que é o meu quintal) Ganham os dois lados: o primeiro porque garante trabalho a atores, técnicos, ceno-técnicos, artistas, artesãos e etc e ainda faz a festa dos donos de teatro; O segundo - o patrocinador - fica muitíssimo satisfeito porque tem seu nome ligado a um produto cultural de qualidade (nem sempre) e a um grande nome de repercussão nacional (leia-se televisivo, quase sempre) e mais satisfeito ainda porque o dinheiro "investido" na produção do espetáculo, além do marketing em torno do seu nome, voltará na forma de desconto sobre o imposto de renda devido por sua empresa. É um ótimo negócio.

Mas a Lei de Incentivo à Cultura produz distorções, ou melhor, possibilita distorções que em outro contexto poderia ser confundida - ou assemelhada - ao execrável tráfico de influências, acesso privilegiado de informações, etc. Vejamos um exemplo concreto e que aliás, foi o que me motivou a escrever este pequeno manifesto. Assistindo ao programa do Jô Soares no último dia 20/10/00, fiquei perplexo de como o consagrado ator José de Abreu descrevia sua aventura para conseguir patrocínio para a montagem da peça "A MULHER SEM PECADO" de Nelson Rodrigues. Perplexo fiquei não por desconhecer os bastidores da produção teatral que com os meus 22 anos de carreira tenho a pretensão de conhecer, mas por ter assistido, pela primeira vez, um relato tão claro, evidente e de forma tão cândida como foi relatado. Resumindo: o ator contava como quase não fora recebido pelo Dr. Pimenta da Veiga, Ministro das Comunicações do governo FH, pelo fato de ter sido confundido com um outro José de Abreu, este um político.

Enfim, desfeito o mau-entendido o ator foi muitíssimo bem recebido pelo Dr. Pimenta da Veiga que, ao saber do que se tratava, providenciou imediatamente uns contatos com os presidentes de algumas empresas públicas para que estas viabilizassem o patrocínio para o projeto. O resultado está aí: um excelente espetáculo patrocinado pela Caixa Econômica Federal, Eletrobrás, ECT(correios), Governo do Estado do Rio de Janeiro e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Ufa! Palmas para o Dr. Pimenta da Veiga! Este, é claro, não é o único exemplo e se aqui foi citado é por ser, talvez, o mais recente.

Dando uma rápida olhada no Diário Oficial, especificamente na relação de projetos aprovados pelo Ministério da Cultura, fica-se imaginando quantos destes terão, digamos, a sorte de serem recebidos pelo Dr. Pimenta da Veiga ou por qualquer outro político influente. Na verdade, menos de 10% dos projetos aprovados nos últimos 10 anos chegaram efetivamente aos palcos. Motivo: falta de patrocínio. É claro que dentro deste universo existem também aqueles que conseguem patrocínio sem a "influência" de Brasília; Mas destes, 95% têm, ainda assim, um nome "global" encabeçando o elenco.

Um outro aspecto da aplicação da Lei e que me parece bastante ineficaz e nebuloso é em relação à contra-partida. Explico: já vimos que dois lados se beneficiam da Lei, o produtor e o patrocinador. Mas e o terceiro vértice deste triângulo, o público? Já ouvi algumas autoridades competentes dizendo que o público ganha a oportunidade de ver bons espetáculos (?), que a Lei possibilita que textos considerados "não-comerciais" possam ser montados (Hum.... você se lembra de algum?), que a Lei democratiza o acesso do público ao teatro (HUM...!!!) Mas que público é esse? O mesmo que já ia ao teatro antes da Lei e que pode pagar R$ 20,00, R$ 30,00, R$ 40,00, por um ingresso! É fácil comprovar. Houve um aumento significativo no número de espectadores de teatro desde que a Lei foi aprovada? Não, não houve. Já ouvi também outras autoridades competentes dizendo que ingressos mais baratos é uma decisão da produção do espetáculo, que o governo não pode intervir... Mas como? O dinheiro "doado" pelo patrocinador não vem da renúncia fiscal e é o mesmo dinheiro que (teoricamente) seria empregado, via imposto, na educação, saúde, saneamento (Oh, utopia!). Se é dinheiro de imposto, é dinheiro público! Tem que ter contra-partida sim! E qual é a contra-partida que nós temos?

Vejamos: há uns três ou quatro anos atrás a atriz Vera Fisher produziu a peça "GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE" de Tenneessee Williams, com patrocínio da EMBRATEL (empresa pública = dinheiro público), apresentada no Teatro Villa-Lobos (Teatro público mantido com dinheiro público) cobrando um ingresso no valor de quarenta reais!!! O ingresso mais caro de toda a temporada carioca e patrocinado integralmente com dinheiro público! Na época, fui informado pela diretora de teatros da FUNARJ (responsável pelo Teatro Villa Lobos) de que a contra-partida da produção vinha na forma de ingressos grátis para instituições de caridade embora, na ocasião, ela não tenha lembrado do nome de nenhumas destas instituições e nem o número exato de ingressos grátis que eram distribuídos.

Mas os exemplos são muitos. Novamente a peça "A MULHER SEM PECADO": patrocínio público, teatro público (Teatro Nelson Rodrigues, mantido pela Caixa Econômica Federal). Ingresso: R$20,00 !! Contra-partida? Promoção com ingressos populares (somente na primeira semana) a R$10,00. E desde quando dez reais é ingresso popular?! Outra: peça "QUEM TEM MEDO DE WIRGINIA WOOLF?". Patrocínio público (EMBRATEL), teatro público (João Caetano, FUNARJ). Ingresso: R$ 25,00 e R$ 30,00!!!! Os exemplos são muitos nos últimos 10 anos. Dezenas. Quiçá, centenas.

Deixo aqui uma sugestão: os diretores dos teatros públicos das Zonas Norte e Oste do Rio e também os da Baixada Fluminense adorariam oferecer temporadas (realmente) populares para suas comunidades... Devo avisar que não tenho medo da acusação de pieguice ou demagogia pois sou nascido e criado na Zona Oeste do Rio onde dediquei oito anos de teatro amador e pelo menos há quinze anos tenho apresentado todos os meus espetáculos em quase todos os bairros da periferia do Rio (e sem patrocínio!).

Enfim, a Lei está aí. (Muito) melhor com ela do que sem ela. O que proponho é uma ampla discussão de todos os setores envolvidos e que gire em torno de dois pontos básicos: o aperfeiçoamento da Lei de forma a torná-la mais eficaz, justa e democrática, corrigindo possíveis imperfeições e evitando distorções e uma auto avaliação da classe teatral carioca, em todos os sentidos: ético, profissional, de qualidade, de honestidade, de solidariedade, de profundo sentimento artístico que é o que realmente deveria nortear o trabalho de todo artista.

Sei que este assunto é um tabu dentro da própria classe teatral porque ninguém quer jogar pedra numa lei que foi feita para beneficiar a cultura, ainda mais quando existem interesses muito bem satisfeitos e acomodados com a atual situação. Sei também que é difícil abrir mão de privilégios... Mas isto não nos deve impedir de questionar e procurar transformar as coisas, mesmo ferindo suscetibilidades. Afinal, não é esta a grande meta de todo artista, a transformação? De minha parte, estou aberto ao diálogo e pronto para dar a minha contribuição.

Ah, sim. Já ia me esquecendo da fórmula para ganhar dinheiro com o teatro. Vamos lá: primeiro você tem que estudar muito, ler muito, tudo o que cair em suas mãos, ver muito teatro, principalmente bons espetáculos como os que eu citei aí em cima. Ensaiar muitas madrugadas; ter a sorte de, aí sim, fazer uma novelinha aqui outra lá e aos poucos você vai se tornando bem conhecido... então, depois de 30 anos de ralação....(...) Bom, seja qual for o caminho que você escolher, você tem que se tornar famoso, muito famoso. Depois é fácil! Basta um vôo para Brasília e um encontro com um político influente, às vezes, alguns telefonemas bastam, e o patrocínio está garantido. O teatro é mais fácil ainda (tem de ser público, FUNARJ, FUNARTE ou os da prefeitura, porque sobra mais dinheiro, não se esqueça!). Político carioca é bem provinciano e se baba todo quando fala com artista famoso. Conseguido o patrocínio e o teatro você está pronto para ganhar dinheiro, muito dinheiro! Boa sorte!

Vivaldo Franco - Ator, Diretor e Produtor de Teatro
.**********************************
FORUM VIRTUAL DE TEATRO BRASILEIRO
**********************************
PS. Em outubro do ano passado, quando foi escrito este texto, estava em cartaz no Teatro Museu da República, a peça O PRÊÇO de OSCAR WILDE, com direção e produção do autor.






Ainda ecos da coluna do Xexéo no Forum Virtual de Teatro Brasileiro

Maria Teresa Amaral, diretora, produtora, figurinista e autora de O PENHOR DESTA IGUALDADE, e uma das fundadoras e criadoras da Casa de Cultura Margarida Rey.

Nós, lá na Casa de Cultura Margarida Rey, fomos parcamente patrocinados,
pela primeira vez este ano.
Nossos ingressos, mais caros - inteira - custam hipotéticamente 15,00.
Hipoteticamente porque a maioria é promoção de 5,00 e até de 1,00. Nosso
último espetáculo foi ensaiado 5 meses, com atores que recebiam, não o
necessário para viver, infelizmente, mas recebiam. (...) E agora
ainda estamos devendo, como muitíssimos daqui do Rio, por razões que são
públicas e notórias. Envergonhados, embora a vergonha não seja nossa. (...)

Canso de ver gente procurando vaga lá no teatro, com carros novinhos ( vendi o meu velho por causa deste último espetáculo ) e depois pagando meia. Canso de ver gente, que podia não ser "convidado", entrando de graça - e a gente ainda fica feliz de ver o teatro cheio. Porque foi um sucesso nosso último espetáculo. Verdade que o teatro é
pequeno, mas teve dias de mandar gente embora. E sem associação de
espectadores, nem divulgação. E durava 3 horas! E teve gente que viu 6,5,4,3
vezes! Gente, muita gente, que nos dizia obrigada antes de sair. E estamos
falidos.

Mas voltemos aos ingressos: a maioria das pessoas que vai a maioria dos teatros paga menos que no cinema. Que se dê meio ingresso, ingresso de graça, mas que sejamos compensados por
isso e sem esperar meses pelo recebimento incerto. E que o público saiba que
aquele ingresso gratuito custa, por exemplo 30,00 ou 40,00 reais, porque
cinema de shopping custa 12,00. No teatro, temos gente, de carne e osso,
todo dia trabalhando, criando. Cada dia é um espetáculo diferente: "hand
made", donde mais caro.

Nos outros paises que conheço o teatro é caro. E quando é um pouco mais
barato é sustentado pelo governo a tempo e a hora. Se tivessemos melhores condições de trabalho, um maior número de espetáculos
seria melhor ensaiado, melhor produzido, com melhores e mais instigantes
textos. E tenho certeza que o público voltaria a ter o encanto de ir ao
teatro. Parece que na cidade de S. Paulo as condições profissionais são mais
esperançosas. Aqui, para a maioria de nós profissionais ( sem dinheiro, por
exemplo, para pagar boas aulas de corpo, dicção e canto, necessárias, quase
ininterruptamente, ao bom exercício da profissão de ator, ou para comprar
livros ) estamos longe da luz no fim do túnel. Mais perto do último que sair
apaque a luz.
Quando é que vamos dizer basta?
Maria Teresa Amaral

EDVARD VASCONCELLOS, ator da nova geração -- também sociologo, e é dele aquela sugestão da pesquisa do perfil do espectador, que eu comento no outro post -- numa réplica aqui com outro forense.

Subject: Re: Globo de Domingo - Coluna do Xexeo


É assustador as produções raclamarem de terem que dar desconto para
estudante ou idoso. Como você bem diz, uma ida ao teatro, não é só o custo do
ingresso. Normalmente é um casal que vai, mais ônibus, metrô, ou taxi, ou
gasolina mesmo, mais estacionamento, lanche ou o jantar, depois.

Sou da nova geração, mal sabia o que era teatro quinze anos atrás, mas
muito me preocupa tal situação, pois sempre se transmite uma idéia de que não há como voltar atrás e recuperar esse poder de fogo da profissão. E aí ficamos
numa encruzilhada, em que temos de um lado a poderosa Rede Globo, com seus muitos papéis para serem preenchidos pelos seus mais do que estranhos
critérios de seleção, e do outro, uma expectativa de quase mendicância, porque ao que parece, mesmo quando se tem patrocinado um espetáculo, o ator,
é em geral, o que menos ganha. O que se vê normalmente são investimentos
maçiços em grandes cenários, figurinos, equipe técnica, divulgação e os
atores ganhando salários pequenos levando, quase sempre, levando meses
para receber.

Será que ainda é possível fazer uma curva no tempo e retomar esse caminho
de quando os teatros dependiam do seu público e o público não os deixava na
mão? Hoje em dia conseguir levantar um produção já é motivo de festa...Ninguém mais consegue permanecer em espaço algum para fazer um
repertório, no entanto tem que ensaiar meses sem nada receber. E o profissional, como fica? Como se atualiza, como evolui tecnicamente sem recursos para aulas, cursos, etc.

Além disso, é justo os teatros públicos serem ocupados pelas grandes
produções, com os grandes atores e diretores? Não é abusivo o aluguel de um
teatro particular? É possível haver um denominador comum? Dúvidas, dúvidas,
dúvidas...

**********************************
FORUM VIRTUAL DE TEATRO BRASILEIRO
**********************************
ISIS BAIÃO, premiada autora teatral, autora entre outros textos de "As chupetas do Senhor Refém", antologica montagem com direção do João das Neves.

É isso aí, Maria Teresa. E tem gente que chega e fica por alí zanzando até que você apareça para dar um convite. E você dá, por puro constrangimento de dizer não. Os amigos deviam colaborar (pagando preço de classe ou meia entrada) e não onerar mais ainda. Acho que devíamos fechar a questão no seguinte: fora o(s) espetáculo(s) para convidados, convites durante a temporada só dentro de uma cota restrita. Vamos resgatar aquela famosa frase da Cacilda Becker, que é mais ou menos assim: Não me peçam de graça a única mercadoria que tenho para vender (é assim mesmo? Por favor, quem souber, me corrija). Vamos afixar a frase na bilheteria.

Só acrescentando um dado ao que você diz abaixo: com carros novinhos, sim, e quando saem do teatro, onde descolaram convites, vão jantar em restaurante caro e encaram tranquilamente uma conta tipo 50 paus por cabeça.
Abraços a todos,
Isis Baião










A deixa do Xexéo

O assunto do momento no Forum de Teatro -- lista de discussão da classe teatral pela Internet, com mais de setecentos participantes de todo o Brasil -- é a coluna do Artur Xexéo "Cartas Marcadas" (já citada aqui neste blog), abordando o patrocínio teatral. Os fazedores de teatro de todas as tendências e procedências estão se manifestando sobre o assunto, com direito a réplicas e tréplicas, virando palanque de um animado debate. Nomes respeitados e admirados no meio com depoimentos pessoais, os mais contundentes, estão dando sua contribuição para o enriquecimento deste debate.

E aproveitando a deixa do Xexéo, os atores da nova geração, subiram no palanque, mostrando a sua cara, e falando das dificuldades do jovem em comêço de carreira, muito mal pagos, até trabalhando em espetáculos muito bem patrocinados. E nessa linha, rolou o comovente depoimento de um jovem ator que entre outras, mandou esta: "cansei de pagar para fazer teatro".

Ainda da ala jovem, a proposta de um ator que é também sociologo, sugerindo à SBAT uma pesquisa de campo com o perfil do espectador teatral. Ele se dispõe a formar uma equipe de especialistas nesse tipo de pesquisa. O resultado dessa pesquisa iria ajudar na formulação de uma politica para o teatro experimental, ou seja aqueles fora dos padrões dos patrocínios.

Enfim, a roda tá animada ... e eu, maravilhada com os benefícios das conquistas tecnologicas da modernidade, quando penso que a deixa para este oportuno e conveniente debate, foi um e-mail enviado para o forum no domingo: " Queridos : Leram o Xexeo hoje no Globo. Disse tudo o que eu acho ! Abraços Joaquim Vicente". Simples assim.

27.2.02

Este blog tá na mídia. Depois da Folha de São Paulo, agora no Caderno de Informática de "O Globo" na coluna do Luiz Antonio Gravatá, em "Trechos de blog que mais se destacaram esta semana".
E não é que a coluna do Gravatá dá o maior IBOPE. Pessoas que nem sabiam que eu tinha um blog, e outros conhecidos, amigos e ex-amigos vieram comentar a notícia, e até reclamar de só saberem do fato pela coluna. Adorei. Alguns desses até sabiam, mas nunca dera a menor para o meu blog.

26.2.02

Projeto "Teatro Francês Contemporâneo" traz artistas francêses em espetáculos e oficinas até março de 2003

A partir do próximo mês e até março de 2003, estão previstas a apresentação de
cinco espetáculos e a realização de pelo menos 11 oficinas de dramaturgia,
interpretação ou direção, todas com artistas que ganharam destaque nos
últimos anos no teatro francês. O evento é uma iniciativa da AFAA (Associação Francêsa de Ação Artística), e coordenada pelo serviço cultural do Consulado Geral da França, em São Paulo, com o apoio do SESC e o Teatro Alfa, também em São Paulo. Além de São Paulo, os eventos chegarão ao Rio de Janeiro, Curitiba, Londrina, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Segundo o adido cultural do consulado francês em São Paulo, Jacques Peigné,
"existe, de uma maneira geral, a vontade de acentuar o intercâmbio artístico
entre a França e o Brasil nos próximos anos. Trata-se de uma das muitas atividades que antecedem a realização de um grande evento previsto para 2005, na França, e que terá o Brasil como tema principal".

TEATRO MAISON DE FRANCE REABRE COM DRAMATURGO FRANCÊS

Ainda segundo Jacques Peigné, "no mês que vem, os atores Paulo Autran e Cecil Thiré contracenam no espetáculo "Variações Enigmáticas", de Eric-Emmanuel Schmitt, dramaturgo que despontou na França no início da década passada.
A montagem com Autran tem estréia prevista para o dia 28, dentro da
programação de reabertura do teatro Maison de France, no centro do Rio de
Janeiro, edifício fechado há 17 anos".































Oficina com o Teatro de Anônimo

De 9 a 23 de março, no Espaço 1 da FUNDIÇÃO PROGRESSO, oportunidade única (vagas limitadas) para encontrar em contato com o método de um dos mais importantes grupos circenses do País. Não bastasse isso, eles são os criadores e organizadores do maior festival internacional de circo, Anjos do Picadeiro, que em dezembro deste ano vai para a sua quarta edição. Com a palavra os "Anônimo":
-- O Teatro de Anônimo entende que A Arte do Palhaço está antes
de tudo, ligada à exposição das fragilidades, das limitações e da estupidez
humanas. Por isso, busca, em seus exercícios, colocar situações em que o ator se mostre indefeso expondo seu ridículo às pessoas, onde eliminar o ego e as
máscaras socialmente estabelecidas se torna fundamental. Aliada a essa "malhação afetiva" está a técnica- elemento fundamental do Riso.

Continuando o processo temos a O Ator no Picadeiro onde o
foco central é o ator e sua relação sincera e aberta com o espectador, através
de exercícios como o jongo, as técnicas de circo e o exercício do picadeiro.
Buscando com o ator um estado de representação extra-cotidiana que permita
saltar sobre o mero virtuosismo técnico e atingir um estado humano, sincero e
generoso com o espectador.

LOCAL: Fundição Progresso- Espaço 1
LIMITE DE VAGAS : 15 participantes
Informações e inscrições: 38527022/ 98812932 com Ivana
/Chris
@xé

24.2.02

Cartas marcadas é o título da coluna do XEXÉO, hoje em O Globo. Falou por toda uma galera que é excluida desses patrocínios todos. Tudo a ver. Mandou beleza.

22.2.02

Curso do Felipe Martins

Na próxima segunda-feira, dia 25, noEspaço Cultural Lugar Comum à rua Alvaro Ramos, 408, em Botafogo, entre as 17 hs. e 19,30 hs., começam as inscrições para a participação no CURSO DE TEATRO E PREPARAÇÃO PARA A TV, ministrado pelo ator FELIPE MARTINS, que vai estar lá para receber e conversar com as pessoas interessadas.

O Curso de Teatro e Preparação para a TV, terá início no dia 10 de março, com a duração de quatro mêses, carga horária de 68 hs, uma vez por semana, quatro horas aulas por dia, sempre aos domingos das 14 às 18 hs, no Espaço Cultural Lugar Comum, em Botafogo.

Entre os status do curso, é autorizado pelo SATED, e o certificado de conclusão do curso válido para o registro artístico e para fins de requerimento profissional, agenciamento de atores, indicação para testes, etc... e tem muito mais coisa... a experiência profissional de alguém que conhece o seu métier e construiu uma carreira séria, consequente e inteligente, tendo muito o que repassar dos seus conhecimentos aos alunos deste curso.

FELIPE MARTINS iniciou a sua trajetoria profissional no teatro, passando pelo Tablado, Grupo Tapa e a Escola Prática do Damião, indo depois para a televisão e cinema, conquistando várias premiações, entre elas, nos primórdios de sua carreira (acho que foi sua estréia como ator) o Prêmio MEC Troféu Mambembe/83 como REVELAÇÃO DE ATOR, em Os 12 Trabalhos de Hércules, antologica montagem infanto-juvenil dirigida pelo saudoso Carlos Wilson (o Damião), formador dos melhores atores de toda uma geração. E em 1985, ganhou outro Mambembe , desta vez o de MELHOR ATOR no espetáculo Beto e Teca, concorrendo com outros feras da sua geração, o Claudinho Baltar (falo dele aqui) e o Luiz Carlos Tourinho. E, chega...

"Enquanto isso, leio o "O Ator Invisível" do Yoshi Oida, cuido do meu quintal, ouço música..." Pois é, Felipe, isto se chama " cuidar bem do seu "cavalo", como dizia o nosso inesquecível Rubens Corrêa", e muito bem lembrado por você.


Maiores informações sobre o curso com a Michelle no tel. 2610-3674 e 9802-0569, ou o Marcelo no tel 9995-0313, ou também no dia da inscrição, pessoalmente com o Felipe Martins, lá na Rua Alvaro Ramos 408, em Botafogo.

Em tempo: Para quem não sabe o Lugar Comum fica ali quasi ao lado do estudio da TV Bandeirantes. Fácil de achar. Vindo pela Rua da Passagem, em Botafogo, é só dobrar á direita no final dessa rua, e vai dar na Alvaro Ramos. E o Espaço Cultural Lugar Comum fica quasi no final da rua, numa bela casa antiga. Este espaço vem se firmando como um local de referência de qualidade nos eventos ali apresentados.


21.2.02

E o Prêmio MEC-Troféu Mambembe, nenhum sinal de sua recuperação. Você sabia quem foi indicado para Melhor Cenógrafo em 1985, estreiando como cenógrafo num espetáculo para crianças? Alguém lembra quem levou o Mambembe/86 na categoria de Melhor Autor? A resposta tá aqui no Artimanhas.

16.2.02

No dia 15 de fevereiro de 1922, na abertura da Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, há exatos 80 anos e um dia, o escritor maranhense José Pereira de Graça Aranha, subiu ao palco para ler o texto-manifesto de sua autoria, " A emoção estética na arte moderna", detonando todas numa brilhante defesa da galera modernista. Tudo a ver. Mandou beleza.

Thanks especiais ao diretor Mariozinho Telles que divulgou o texto, por e-mail, alertando os fazedores de arte diante da oportunidade para um debate "neste texto, encontram-se muitos conceitos determinantes do fazer artístico e que merecem especial atenção"


A EMOÇÃO ESTÉTICA NA ARTE MODERNA

Para muitos de vós a curiosa e sugestiva exposição que gloriosamente inauguramos hoje é uma aglomeração de " horrores". Aquele Gênio supliciado, aquele homem amarelo, aquele carnaval alucinante, aquela paisagem invertida se não são jogos da fantasia de artistas zombeteiros, são seguramente desvairadas interpretações da natureza e da vida. Não está terminado o vosso espanto. Outros "horrores" vos esperam. Daqui a pouco, juntando-se a esta coleção de disparates, uma música extravagante, mas transcendente, virão revoltar aqueles que reagem movidos pelas forças do Passado. Para estes retardatários a arte ainda é o Belo. (...)

Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que o da Beleza. Os que imaginam o belo abstrato são sugestionados por convenções forjadoras de entidades e conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma noção exata e definitiva. Cada um que se interrogue a si mesmo e responda que é a beleza? Onde repousa o critério infalível do belo? A arte é independente deste preconceito. É outra maravilha que não é a beleza. É a realização da nossa integração no cosmos pelas emoções derivadas dos nossos sentidos, vagos e indefiníveis sentimentos que nos vêm das formas, dos sons, das cores, dos tatos, dos sabores e nos levam à unidade suprema com o Todo Universal. Por ela sentimos o Universo, que a ciência decompõe e nos faz somente conhecer pelos seus fenômenos. Por que uma forma, uma linha, um som, uma cor nos comovem, nos exaltam e transportam ao universal? Eis o mistério da arte, insolúvel em todos os tempos, porque a arte é eterna e o homem é por excelência o animal artista. O sentimento religioso pode ser transmudado, mas o senso estético permanece inextinguível, como o Amor, seu irmão imortal. (...)

E eis chegado o grande enigma que é o de precisar as origens da sensibilidade na arte moderna. Este supremo movimento artístico se caracteriza pelo mais livre e fecundo subjetivismo. É uma resultante do extremado individualismo que vem vindo na vaga do tempo há quase dois séculos até se espraiar em nossa época, de que é feição avassaladora.(...)

Desde Rousseau o indivíduo é a base da estrutura social. (..)O individualismo freme na revolução francesa e mais tarde no romantismo e na revolução social de 1848, mas a sua libertação não é definitiva. Esta só veio quando o darwinismo triunfante desencadeou o espírito humano das suas pretendidas origens divinas e revelou o fundo da natureza e as suas tramas inexoráveis. O subjetivismo mais livre e desencantado germinou em tudo.(...) É toda a magia interior do espírito que se traduz na poesia, na música e nas artes plásticas. Cada um se julga livre de revelar a natureza segundo o próprio sentimento libertado. Cada um é livre de criar e manifestar o seu sonho, a sua fantasia íntima desencadeada de toda a regra, de toda a sanção. (...) O gênio se manifestará livremente, e esta independência é uma magnífica fatalidade e contra ela não prevalecerão as academias, as escolas, as arbitrárias regras do nefando bom gosto, e do infecundo bom-senso.

Destes, libertados da tristeza, do lirismo e do formalismo, temos aqui uma plêiade. Basta que um deles cante, será uma poesia estranha, nova, alada e que se faz música para ser mis poesia. De dois deles, nesta promissora noite, ouvireis as derradeiras 'imaginações'. Um é GUILHERME DE ALMEIDA, o poeta de ' Messidor", cujo lirismo se distila sutil e fresco de uma longínqua e vaga nostalgia de amor, de sonho e de esperança, e que, sorrindo, se evola da longa e doce tristeza para nos dar nas Canções Gregas a magia de uma poesia mais livre do que a Arte. O outro é o meu RONALD DE CARVALHO, o poeta da epopéia da 'Luz Gloriosa' em que todo o dinamismo brasileiro se manifesta em uma fantasia de cores, de sons e de formas vivas e ardentes, maravilhoso jogo de sol que se torna poesia! (...) A remodelação estética do Brasil, iniciada na música de VILLA-LOBOS, na escultura de BRECHERET, na pintura de DI CAVALCANTIi, ANITA MALFATI, VICENTE DO REGO MONTEIRO, ZINA AITA, e na jovem e ousada poesia, será a libertação da arte dos perigos que a ameaçam do inoportuno arcadismo, do academismo e do priovincialismo. (...)

Ignoro como justificar a função social da Academia. O que se pode afirmar para condená-la é que ela suscita o estilo acadêmico, constrange a livre inspiração, refreia o jovem e árdego talento que deixa de ser independente para se vazar no molde da Academia. (...) Ah! Se os novos escritores não pensassem na Academia, se eles por sua vez a matassem em suas almas, que descortino imenso para o magnífico surto do gênio, enfim liberto de mais esse terror. Esse 'academismo' não é só dominante na literatura. Também se estende às artes plásticas e à música. Por ele tudo o que a nossa vida oferece de enorme, de esplêndido, de imortal, se torna medíocre e triste.
(...)
Da libertação do nosso espírito sairá a arte vitoriosa. E os primeiros anúncios da nossa esperança são os que oferecemos aqui à vossa curiosidade. São estas pinturas extravagantes, estas esculturas absurdas, esta música alucinada, esta poesia aérea e desarticulada. Maravilhosa aurora!
(...)
O que hoje fixamos não é a renascença de uma arte que não existe. É o próprio comovente nascimento da arte no Brasil, e, como não temos felizmente a pérfida sombra do passado para matar a germinação, tudo promete uma admirável 'florada' artística. E, libertos de todas as restrições, realizaremos na arte o Universo. A vida será, enfim, vivida na sua profunda realidade estética. O próprio Amor é uma função da arte, porque realiza a unidade integral do Todo infinito pela magia das formas do ser amado. No universalismo da arte estão a sua força e a sua eternidade.(..). Que a arte seja fiel a si mesma, renuncie ao particular e faça cessar por instantes a dolorosa tragédia do espírito humano desvairado no grande exílio da separação do Todo, e nos transporte pelos sentimentos vagos das formas, das cores, dos sons, dos tatos e dos sabores à nossa gloriosa fusão no Universo.

(Conferência com que GRAÇA ARANHA inaugurou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, em 15 de fevereiro de 1922. - "Espírito Moderno". São Paulo, Cia. Gráfica Editora Monteiro Lobato. 1925.)
"Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro" Gilberto Mendonça Telles. Rio, Ed. Vozes. 1973.

Em tempo: fiz uma compliação do texto original (o recebido lá do Forum de Teatro), mas ressaltei o essencial. Sorry, não teve outro jeito.


















Drummond: um homem por detrás dos óculos

estreiou hoje no Julieta Café, na Casa da Gávea, com direção de ANTONIO GUEDES (diretor e fundador do Teatro do Pequeno Gesto, e por si uma garantia de qualidade para este trabalho) "Drummond: um homem por trás dos óculos". E tem também que destacar a Casa da Gávea, sempre uma referencia de bons espetáculos. E uma atração a mais deste espetáculo: o público é brindado com uma legitima cachaça mineira e concorre a um livro.
O espetáculo tem o roteiro de MARCOS FRANÇA, desvendando temas explorados pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, como a memória, a solidão, o desejo e o amor. França escolheu também poemas que mostram uma face pouco conhecida do poeta: a pornográfica. Com MARCOS FRANÇA e JOANA LEBREIRO, também assistente de direção do Antonio Guedes.
Casa da Gávea (Julieta Café) - Pça. Santos Dumont, ll6 Tel. 2239-3511
De sexta a domingo, às 21 hs. Preço: 10 reais. Até 17 de março.
A luta secreta de Maria da Encarnação

texto inédito do sempre engajado GIANFRANCESCO GUARNIERI, que estréia hoje às 19 hs - de gratis, ensaio aberto para o público, até domingo, no TEATRO CARLOS GOMES, na Praça Tiradentes. A peça que vem de uma temporada em São Paulo, fica em cartaz aqui sòmente sete (7) dias, até quinta-feira, dia 21.

Este espetáculo traz de volta o dramaturgo, 42 anos depois da estréia de "Eles não usam black-tie" -- peça que revolucionou a dramaturgia brasileira no final dos anos 50, tão engajado quanto antes, usando o tema da batalha da identidade da mulher, na luta para assegurar os seus direitos e sua participação politica na sociedade. Guarnieri, convidou o jovem diretor carioca MARCUS VINICIUS FAUSTINI para dirigir esta sua nova peça, após ver o que ele fez com a montagem de "Black-tie", há um ano atrás, aqui no Rio, segundo declarou aqui.

Para encenar este musical feminista, ( termo rejeitado pelo autor de "Botequim", "Um grito parado no ar", "Arena conta Tiradentes", entre outras peças marcantes da década de 60 e 70, e pelo diretor Faustini ), contando a trajetoria de "Maria da Encarnação", foram produzidos 160 figurinos, e mais 30 músicos da Orquestra Jovem Tom Jobim do Estado de São Paulo, executam a trilha ao vivo especialmente composta para a peça por Renato Teixeira (imortalizado na voz de Elis Regina em "Sou caipira, pira pora"), um coral de 34 vozes, os cenários têm fotos de Sebastião Salgado e reprodução de obras de Dali. Encabeçando o elenco de 30 atores, SUELY FRANCO no papel-título, EWERTON DE CASTRO, ENIO GONÇALVES, CHICO MARTINS, entre outros.

Teatro Carlos Gomes - Praça Tiradentes, s.n. Tel. 2232-8701
De sexta a domingo às 19 hs. grátis - ensaio aberto para o público.
Segunda-feira - estréia para convidados às 21,30hs.
De terça a quinta-feira às 19 hs. - 10 reais.

Atenção Galera! Corram todos para garantir o seu ingresso, porque um espetáculo com estas qualidades todas -- do autor, ao elenco e a produção ,etc & tal -- e acessível a todos os bolsos, seria inviável se não fossem os patrocínios do Instituto Takano de Projetos (produtores, atenção para esse nome) que é o responsável pela realização do espetáculo (bancou geral) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e mais o patrocínio da Petrobrás.


A outra estréia de hoje: "De Getúlio a Getúlio: a história de um mito

também na Praça Tiradentes, no Teatro João Caetano, outro musical, escrito pelo SERGIO BRITO e CLOVIS LEVI, "De Getúlio a Getúlio: a história de um mito". O autor é também diretor e ator do espetáculo que não se limita a contar a vida de Getúlio Vargas, mas aborda os problemas de uma companhia teatral que precisa estreiar uma peça sobre Getulio, a toque de caixa. Realidade e ficção acabam se misturando, como diz aqui.No elenco, OSMAR PRADO, DILL COSTA, SAMIR MURAD, JALUSA BARCELLOS, entre outros.
Teatro João Caetano - Praça Tiradentes s/n. Tel. 2221-1223
De quinta a sábado às 20hs. e domingos às 19 hs.
Preços: 10 reais às quintas, sextas e domingos, e 15 reais aos sábados.

14.2.02

ENCONTRO MUNDIAL DAS ARTES CÊNICAS EM BELÔ

Com a participação de onze países e tendo como tema centralA Discussão
das Artes Cênicas sob o Olhar Oriente-Ocidente
, o Encontro Mundial das
Artes Cênicas - ECUM 2002 será realizado em Belo Horizonte entre os dias
01 e 10 de março, no Centro de Cultura Nansen Araujo/Teatro Sesiminas.

Nesta terceira edição, o evento terá representantes do Brasil, França,
Honduras, Índia, Indonésia, Irã, Itália, Japão, Rússia, Sri Lanka e
Taiwan. A programação inclui oficinas, fórum de debates com palestras,
conferências e mesas-redondas, encontro paralelo de representantes de
escolas de artes cênicas, espetáculos e exposições.

Um dos destaques do ECUM 2002, é ARIANNE MNOUCHKINE, a criadora e diretora do Théâtre du Soleil, de Paris, que congrega atores de várias nacionalidades, e uma trajetoria brilhante, marcando definitivamente a história do teatro ocidental. No dia 9, no sábado, ao lado da primeira atriz do Soleil, a brasileira Juliana Carneiro da Cunha (premiada por sua atuação no filme "Lavoura Arcaica") vai dar uma conferencia em forma de debate com o público, e um presente a mais para a platéia previlegiada, o filme de Éric Darmon sobre os ensaios do "Tartufo", antologico espetáculo do Soleil.

Dos destaques nacionais, a presença no debate do dia 7, da Mestra ANGEL VIANNA, palestrando "Trajetória: formação em movimento", com direito às performances ilustrativas dos ótimos bailarinos e professores lá da Escola, a Maria Alice Poppe e o Alexandre Franco.

Ainda nos destaques nacionais, vale ressaltar a QUASAR CIA. DE DANÇA, de Goiânia, dirigida pelo ótimo Henrique Rodovalho, dançando na estréia do evento, "Coreografia para ouvir", e a Cia. Luna Lunera, de Belô, com o espetáculo "Perdoa-me por me traires".

Exposição de fotos, figurinos e objetos cênicos na mostra Trajetoria de um sonho, contando a história de um dos mais importantes grupos de teatro do Brasil, o mineiríssimo GRUPO GALPÃO, e 26 anos construindo uma utopia, é a vez dos bailarinos do GRUPO CORPO, mostrarem com quantas utopias construiram uma brilhante carreira internacional.

Corram para fazer as suas inscrições para as oficinas e os debates através do site www.ecum.com.br
Coloquei um link lá no início do texto, mas não sei até quando vai funcionar.
































7.2.02

Dácio Lima

Este blog cumpre o triste e doloroso dever de comunicar o brutal assassinato no Rio de Janeiro, ( em circunstancias ainda não esclarecidas ) do diretor teatral DÁCIO LIMA --"O Baile", " As Máscaras", "Cláun ! Palhaços Mudos", etc. e um dos introdutores no Brasil, das técnicas de jogo com máscaras e clowns, diretor e criador da Companhia do Gesto.

A Missa de Sétimo Dia, será amanhã, dia 7, às 11hs, à Rua da Alfâdega n. 54 - Irmandade Mãe Homens - quasi esquina da Av. Rio Branco.

3.2.02

Você conhece Bem no fundo, o poema do Paulo Leminski ? Está postado aqui neste blog.
A autora deste blog sente-se muito honrada e distinguida pela publicação na íntegra na revista,INTERPALCO, do comentário crítico feito aqui sobre o espetáculo da Maria Teresa Amaral, "O penhor desta igualdade".