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4.11.06


A Pedra do Reino, adaptado do texto de Ariano Suassuna, por Antunes Filho.
A Pedra do Reino, em abril, aqui no Rio
A Pedra do Reino, em cartaz no SESC Consolação, Rua Dr. Vila Nova, 245 Tel. 011/3234-3000, grande sucesso de publico e crítica, virá ao Rio em abril do próximo ano, segundo a CAL, disse Antunes respondendo a perguntas da platéia. Espetáculo absolutamente imperdível, fica em cartaz até o dia 17 de dezembro. Os ingressos esgotam rapidamente, nas bilheterias do SESC.
Quando estive lá estavam esgotados, mas eu conseguí através de um ator do espetáculo, o Geraldo Mário, mais conhecido como Geraldinho tel. 9413 - 0967. Dica esperta da blog com o consentimento do Geraldinho. Podem telefonar sem susto.

A Pedra do Reino, é um espetáculo inspirado no Romance d'A Pedra do Reino de Ariano Suassuna, adaptado e dirigido por Antunes Filho - um projeto acalentado há mais de vinte anos pelo diretor. Lançado em 1971, o romance A Pedra do Reino segue o espírito do Movimento Armorial, criado pelo próprio Suassuna . A ação da peça se passa durante a ditadura do Estado Novo no País, em 1937, mas salta de forma livre no tempo. Bem de acôrdo com as idéias de tempo explanadas por Antunes no debate do CCBB, comentado aí em cima nesse blog
Ví quase todos os trabalhos de Antunes, mas esse é um dos mais belos e surpreendentes espetáculos que eu vi do diretor. Vou ler A Pedra do Reino até abril. Em alguns momentos, lembra muito Macunaíma. O espetáculo não tem cenário, mas a beleza das manifestações culturais populares está no colorido das bandeiras das cavalhadas, dos bois de reisados, na música especialmente composta e instrumentos tocados pelos próprios atores, um elenco afinadíssimo, num espetáculo marcadamente brasileiro.


Fotos do Antunes Filho no final do debate. Cliquei o pulo final, na foto aí em cima.
Momentos Decisivos do Teatro Brasileiro
Uma série de debates "Momentos decisivos do teatro brasileiro" aconteceu no CCBB do Rio, durante todas terças feiras de outubro. Um momento decisivo foi relembrado, analisado por personalidades que o vivenciaram. Barbara Heliodora falou sobre Vestido de Noiva; Nicette Bruno falou de Dulcina; Walmor Chagas do TBC; o Boal do Arena e Oficina; Antunes Filho de Macunaíma e encerrando os cinco encontros, o Hamilton Vaz Pereira falando do Asdrubal e a Influência no Teatro Contemporâneo. Só assistí aos dois últimos.

A performace corporal e vocal de Antunes Filho

E com vocês o maior diretor do mundo, assim foi anunciado pelo mediador do debate, a entrada do diretor Antunes Filho, no palco do Teatro I do CCBB. Contrariando a expectativa, ele desceu e se colocou de costas para o palco, em pé no corredor entre a primeira fila da platéia e o palco, por onde circulou muito á vontade durante quase duas horas.

O público que superlotava o Teatro I do CCBB assistiu uma surpreendamental performance corporal e vocal do diretor de Macunaíma. E a platéia, composta na sua maioria por jovens, atores e estudantes de teatro, e alguns atores nem tão jovens, (gente que eu não via há um tempão), intelectuais e mais o público curioso que circula pelo CCBB.

Nesse tempo que durou o debate, ele conseguiu reduzir idéias altamente sofisticadas das suas pesquisas no CPT aos termos mais cotidianos, utilizando outras referencias de comunicação, com o auxílio de sua expressão corporal e vocal, como giros de corpo, torções, saltos, pulos alternados com vozes e gestuais inusitados.

Intelectuais presentes, como a diretora teatral Ana Maria Taborda e a atriz e antropologa Solange Padilha preocupadas com o bom entendimento das idéias colocadas assim, digamos de forma tão inusitada, pedem um aparte, complementando a explanação do diretor. E entre agradecido e divertido, ele diz: mas é isso... isso mesmo, muito obrigado. E continúa no mesmo tom. Quem entendeu, entendeu. E quem não entendeu, entendesse...

Falando sobre a sua técnica de ressonância, ele diz: A ressonancia não deu certo nesse País por causa do trabalho de corpo e mais as condições teóricas que exige, e a seguir ilustra a sua teoria da ressoncia com movimentos do tronco e emite sons próximos aos de uma galinha cacarejando, entre outros sons muito estranhos.

Um ator, um clown, um bufão, tudo ali ao mesmo tempo agora.

E a performance continúa com muitas divagaçõses sobre espaço e tempo cósmico: O tempo é um só. O dia de ontem talvez seja amanhã. Será que eu lembrarei de mim daqui há 3000 anos?
Esse relogio aqui (apontando para o seu relógio) eu uso no tempo que eu quiser, onde eu quiser.
Encarnar um personagem é caso clínico. Tudo está lá dentro. Você é o todo. Nós somos uno. Eu represento o Bush eu não sou o Bush, embora no fundo eu seja também um pouco do Bush em outra dimensão.


Outras inesperadas peformances, mais divagações e uma demonstração prática sobre a teoria da realidade desdobrada. Pegou uma colherzinha de pau e pingou uma gota de um líquido e colocou num recipiente pequeno e girou, girou e girou para um lado, e depois voltou a girar muitas vezes em sentido contrario, voltando à posição inicial, diz enfático: Isto é a realidade desdobrada. Todas as dimensões devem estar aqui.
E a platéia boquiabrindo e boquifechando, como diria o Milor, num mixto de espanto e admiração.
O que me assusta é a alienação de todos nós. Vivemos alienados do nosso verdadeiro eu que é o todo.

Dito isso, dá por encerrado o debate, e finaliza com mais pulos, saltos, giros e contorções, e, mudando o tom de voz e a expressão corporal, pergunta com a maior singeleza: Será que eu correspondí pra vocês?. É aplaudido de pé.

Nem só de aplausos...
Nunca tinha assistido nenhum debate, aula, conferencia ou coisa que o valha do diretor Antunes Filho. A única vez que eu o ví em público, foi final dos anos 80 numa entrega do Prêmio Mabembe, em São Paulo, quando ele foi vaiado pela classe teatral ao receber o prêmio, mas subiu e desceu do palco abaixo de vaias e xingamentos como se nada de anormal estivesse acontecendo. Foi demais.
Antunes, para mim, está entre os cinco melhores diretores do mundo, ao lado dePeter Brook, Ariane Mnouchkine, Peter Stein e Bob Wilson. Já postei sobre isso aqui nesse blog.
Mas depois desse debate, eu não sei dizer se eu gostaria de trabalhar com ele. Eu não sei se eu sobreviveria nessa utopia (até rimou! rs)

Antunes Filho e Macunaíma
Macunaima mudou a vida do diretor Antunes Filho, vindo do TBC, onde trabalhou como assistente de direção de Ziembinski e Adolfo Celi. Macunaíma foi a primeira grande ruptura na carreira do diretor, até então com uma bem sucedida trajetoria no teatro comercial, seus atores eram premiados Eva Vilma e Raul Cortez, entre outros. E o Manuel Carlos (o autor de Paginas da Vida) também trabalhou com Antunes na sua época de teatro amador.
Um dia percebí que o teatro comercial era bom, mas não me satisfazia espiritualmente. Então eu disse: Basta! Vou fazer outra coisa, vou me dedicar aos jovens, quero um teatro que valha a pena, que tenha um sentido espiritual. Tudo o que eu estava fazendo não tinha nenhuma coerência. Era bom, mas não era isso.Foi aí que começou Macunaíma, lembra Antunes no programa do CCBB.

22.10.06


Cicloviaérea - bicicleta e palha. Da Baixada Fluminense para a Bienal, JARBAS LOPES, morador de Nova Iguaçu, onde nasceu em 1964. O livro Guia da Bienal( o catalogo ainda não estava pronto), não traz maiores informações sobre o artista, além de uma rápida entrevista (pag. 194) sobre suas intervenções públicas com fortes conotações socio-politicas, diz ele, "... seria muito bom ter todas as crianças na rua, as que estão soltas hoje dividiriam essa liberdade com as que estão presas e entretidas com as coisas do comércio, todas elas circulando mais livres garantiriam uma verdadeira intrvenção social".



Instalação da artista mineira LAURA LIMA. São vestimentas de plastico que ninguém usaria no seu dia-a-dia, mas de um efeito muito teatral. Não resistí. Bien-sûr c'est moi dans la photographie.

Sala de exposição das roupas da DASPU, da ong Davida do Rio de Janeiro, trazidas para esta BIENAL pelo artista TADEJ POGACAR dentro do projeto Code.Red. Esse projeto enfoca a auto-organização das minorias urbanas marginalizadas e o tráfico global.

Nessas duas áreas, o Brasil possui uma história significativa e tem uma posição importante. Até mesmo em alguns países da União Européia as mulheres brasileiras assumem um papel de liderança como ativistas dos direitos civís dos trabalhadores do sexo, diz o Tadej Popagar.

O projeto CODE.RED já assumiu diferentes formas e linhas de ação em cidades como Tirana, Zagreb, Nova York, Bancoc. Esse projeto tem uma estrutura conceitual, numa instituição paralela, o P.A.R.A.S.I.T.E. Museum of Contempoprary Art criado em 1993 pelo Tadej Pogacar, "nascido em 1960, em Ljubljana, vive em Ljubljana", como
diz no livro Guia da Bienal. E eu confesso aqui não saber que país é esse.
Fonte: Guia da 27a.Bienal de São Paulo - pag. 232.

UPDATE: Esse blog recebeu a gentil colaboração da artista visual ANDRÉIA TEIXEIRA, que nos informou que fica na CROÁCIA, a cidade de Ljubljana. Valeu Andréia.

20.10.06




Uma das obras mais instigantes é esta instalação com madeira, papelão, plastico, pregos, martelos, lanternas, videos e megafones, entre outros materiais, e mais livros gigantes de quatro filosofos (Deleuze, Bataille, Gramsci e Spinoza) e fotos de mutilados, é do suiço THOMAS IRSCHHORN, intitulada Restore now.
Filas imensas, seguranças controlando rigorosamente a entrada de vinte em vinte pessoas, proibida para crianças.
Na quinta feira passada, dia 12 de outubro, a Bienal foi uma grande festa para a criançada, mas barrada nessa instalação, deu a maior trabalheira aos pais e esses aos seguranças que tentavam explicar o porquê da proibição aos mais estressados.
No cartaz afixado na entrada lia-se com esta obra o artista quer restabelecer a esperança, a fé, amor e paz.

Sala de gravidade do artista polonês JAROSLAW KOZLOWSKI, pioneiro da arte conceitual na Polonia. "Suas instalaçõesprocuram mostrar a interdependencia entre espaço e desenhos", assim diz o cartaz explicativo na entrada da sala.



Outra colagem fotografica que fez parte de uma exposição de Miralda, nesse ano,
em Havana, dentro do projeto Sabores y Lenguas.

Num passa fome, foi a mensagem desse colaborador anonimo no Projeto Sabores Y Lenguas, em São Paulo. E outro deixou um recado ecologico colocando um regador de plantas.

Colagem fotografica de Antoni Miralba. Essa é uma instalação dentro de uma geladeira,
e as latinhas de Coca têm Jesus no nome, e fez parte da exposição Topografia Culinária Urbana, nesse ano, em Havana.





Sabores y Lenguas" de ANTONI MIRALBA, Barcelona, 1942. Vive e trabalha em Barcelona e Miami, e esse é um projeto em processo, itinerante e coletivo inspirado na Cultura da Comida de diversos povos, "investigar , coletar,documentar,estabelecer as conexões entre a comida e a cultura" diz lá o cartaz dessa exposição.
Em agosto, num evento em São Paulo, distribuiu pratos ao público que foi convidado a decorá-los com suas próprias idéias. E o resultado está exposto aqui na 27a. Bienal.
Estão expostos aqui outros trabalhos do Projeto Sabores y Lenguas, já executado em
várias cidades da América Latina. Os trabalhos, no final, irão integrar o Miralda - Food Culture Museum, criado em 2002, pelo artista.

Desculpem, mas não acho aqui nos meus apontamentos o nome do artista. Voilà.Je reviens.
UPDATEEsse blog recebeu a visita e a gentil colaboração da ELLEN AMARAL, que deixou o seguinte comentário aqui: "Esta obra é do Jaroslaw também (foi encomendada para essa bienal), a sala sem gravidade ao lado é a pesquisa mais perene do artista...
Valeu, Ellen.




Nos vãos do prédio da Bienal, projetado por Oscar Niemeyer, o balão que faz o maior sucesso com adultos e crianças. Fiquei na fila um tempão nos dois dias, e não conseguí entrar no balão. A instalação é do argentino TOMAS SARACENO que vive trabalha em Frankfurt, Alemanha.


Cidade de açucar do artista africano,nascido em Cotonou, Benin, 1961, MESCHAC GABA, que vive e trabalha em Amsterdam. Esse trabalho foi concebido durante uma estadia aqui no nosso País, em Recife, todo feito de açucar, como uma metáfora do afeto.


Do artista baiano que já expôs no Beaubourg, em Paris, MAREPE que vive e trabalha em Santo Antonio de Jesus, cidade onde nasceu em 1970, os guarda-chuvas e as desemboladeiras - uma mistura das palavras desempoladeira - ferramenta usada nas construções em acabamentos de paredes e pisos, e embolada, uma canção nordestina cantada de improviso, repetindo uma mesma sequência ritmica.
E guarda-chuvas são abrigos e um está abrigando o outro. A primeira imagem que eu vi foi de pessoas saindo do trabalho de bicicleta num dia de chuva. São bonitos os guarda-chuvasse deslocando. O gancho é um símbolo forte, e há o pêndulo segurando todos eles, tentando um equilíbrio, uma justiça.
Fonte: Guia da 27a. Bienal de São Paulo, página 156 e Material Educativo da 27a. Bienal, pagina 66.

DE BUTÔ MA A BIENAL
Esta escriba foi para São Paulo na semana passada, ver um espetáculo de butô "MA" no Teatro do SESC de Santo André, sabado e domingo, com o Mestre Tadashi Endo - bailarino de butô, coreografo e diretor do MAMU Butoh Center, em Göttingen, Alemanha. O Mestre esteve no Rio dando um workshop na CAL para atores e bailarinos, e do qual eu tive o privilégio de participar. Sobre o Mestre, o workshop e o espetáculo (vi nos dois dias, as duas únicas apresentações e tô chapada até hoje com esse raro presente), falarei em outras postagens aqui neste blog.
Estando em Sampa, fui à 27a. Bienal de São Paulo, na quinta e sexta da semana passada. Mal deu para visitar os três pavimentos. O que mais eu gostei fotografei e vou postar aqui para o nosso deleite.

30.8.06


"Nada contra nada", Pedro II no CEP 20.000

Poeta Chacal em altas performances
Altas celebrações pelos 16 do CEP 20.000

Ontem, o Teatro Sergio Porto, no Humaitá - Rio de Janeiro, viveu uma noite historica e das mais significativas da arte e da cultura desse nosso País. O movimento artístico cultural denominado CEP 20.000, que surgiu no início de 1990, criado por uma intrepida turma liderada pelo poeta Chacal, bradava retumbante a chegada a los 16.
E esta escriba, sem palavras próprias para descrever tamanha façanha, passa a dita a quem de competência e direito - o Poeta Chacal.


16 anos essa noite

ah ... o cep dos 16 anos. completamente inesquecível. me lembrou muito o primeiro. em 1990, chovia. não havia notinha no jornal. eu quase achei que não ia ter. deu 10 da noite, lotado. ontem o filme passou de novo. 16 anos depois. choveu a manhã toda. frio e vento. pensava com minhas abotoaduras: bem, as árvores estão felizes. o jardim botânico sacia sua sede. deu 6 da tarde, chovia legal. a abertura do cep de aniversário com a querida turma do Pedro II, estava meia bomba. pouca gente mas um clima bem maneiro. abriu com o Gabriel mandão um texto quase longo. ele tem estilo e vai. depois as mina: carol e romã mandando machado de assis, numa cena bela: a agulha e a linha. pensar em machado a cento e tal anos atrás sendo falado por aquelas duas excelências. bem aí entrou para acabar com a farra, o ?nada contra nada?. foi pancadaria pra todo lado. no meio, o ernesto mandou de sopetão, um tremendo texto do augusto dos anjos. bem, o pedro II com mestra silvana delirando na platéia, disse ao que veio e muito me satisfez. aí o bicho foi pegando. as doidivinas barbarizaram. uns riffs de flavinha coury na guitarra me lembrando stones. e as mais gente-finas pernas grossas do rock carioca. depois veio qinho cantando ?meu cachorro paraíba? do waly e macalé. qinho é um jorge pra lá do bem. na ausência sentida de omar salomão, freddy ribeiro mandou no universo poemático de waly, sobrevoando a tudo. evoé, capitão. e o cep enchendo. quando a sessão ?dignossauros? começou com ?os outros?, a festa já estava a pleno vapor. vitor, botika, palhaço, papel subiram ao palco, a galera veio junto. e sorveu cada acorde e delirou com as cordas vocais do excelente crooner da banda: o verdadeiro boticário, aquele que comeu uma sereia no aquário. vitor e ele comemorando os 16 do cep a rigor. eles, legítimos representantes da terceira geração do cep, assim como amigo domingos, pulando no meio da galera. depois os antiquados chacal e mimi lessa fazendo um stones amalucado. dignossauros. chacal, emocionado, esqueceu
uma letra aqui outra ali. entrou a turma da pesada: maurição, carluxo, nietzche, priscila e maristela. o público em pé, sorvendo cada palavra. tavinho e brandão brandindo armas alhures mataram aula na modern sound. foi quando entrou o dado e o sergio porto teve uma das maiores voltagens de performance poética dos últimos anos. dado é fundador, onde o cep se baseia. boato a toda prova, dado demonstrou o grande poeta e performer que sempre foi. fez um texto inacreditável de bom. ?o que eu estou fazendo aqui?? berrou lá pelas tantas. e me condecorou com um adesivo do tricolor Lenny. muito agradecido dado. foi inesquecível aquela noite. quando começou a sessão ?achados e pedidos?, o sérgio porto era onda total. a rapaziada toda: zerbini, tantão, nervoso, pedro lage. os amigos. meu filho júlio. meus sobrinhos paulo e inês. a galera sangue bom do pedro II. e todos dançaram com o Flu, esse cara, essa trigonometria ambulante, acompanhado de marcelo callado e benjão. o sérgio porto entrou em alfa ao funk severo de Flu cantando ?freedom?. ah.. como eu gosto disso. e todo mundo dentro.
o palco pulou pro chão. a galera pulou pra dentro. tudo era um centro de experimentação poética de alta voltagem. quando os deflagradores de andorinhas, Dudu Tererê e Dan Magrão entraram na roda, o espanto foi muito. Gritaram como Tarzan, dançaram e cantaram poemas. Cataldo entrou, performou, fez a festa. Poesia Zaum, transmental. Russa. Ah ... o Cep dos 16.
Entrou Dansa Densa. Renatinha e Marcus, só alegria. Subiu Aimberê, nosso marechal zen nudista. Com um capa de chuva transparente em nada cobrindo sua zen nudez e mandando um mantra: Arte e Suor. Arte e Suor. Entrou Patrícia Carvalho Oliveira, que delícia. Performance internacional. Como ela manda bem. E trouxe o Igor Cotrim que fez um rap com Bush, Blair e Bin Laden. Sensacionalíssimo. E então, fechou quem um dia começou. Fundador do CEP. A base: Osvaldo Pereira, o maior sambista da Jovem Guarda. O poeta que canta sambas.

Enfim, o CEP dos 16 extrapolou. Foram longas quatro horas de puro êxtase. Grato. Gracias. Obrigado a todo mundo. La nave vá. Com a mistura de sempre. Agora Pedro II na parada. E os dignossauros juntos. Um não vive sem o outro. A chuva cai. Deixa cair. O CEP é que nem bambu. Verga mas não quebra. E, como diz meu chapa Ronaldo Bastos:


enquanto houver bambu, tem flecha !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

27.8.06

Quintana e outros gaúchos
Vi na segunda-feira passado esse espetáculo doGrupo Repertorio da atriz Maria Pompeu, e posso recomendar sem reservas, especialmente, aos meus conterraneos gáuchos que irão se identificar de imediato com os "causos", a poesia do nosso poeta maior, o Mario Quintana e aquelas músicas do Lupicinio Rodrigues, (Noel Rosa o reverenciava e preconizou o sucesso do nosso ilustre conterrâneo) que ouvimos sempre para aplacar todas as nossas dores de amor. E ainda na parte musical, uma homenagem no centenário de outro conterrâneo músico que deixou a sua marca inconfundível, transitando com igual competência pela musica erudita e a popular: Radamés Gnatalli. E para finalizar, os textos dos dois Veríssimos dispensam apresentações.

Quintana e outros gaúchos, é desses espetáculos que o público sai do teatro, alegre, cantando, de bem com a vida, com a arte e a cultura brasileira.

O espetáculo está em cartaz no TEATRO DO SESI, na Av Graça Aranha, esquina com a Rua Santa Luzia, sempre as segundas-feiras às 19 hs, até o dia 2 de outubro.

Sinopse: O espetáculo apresenta o programa de televisão fictício "SEM MENTIRA", onde Mário Quintana, Érico Veríssimo e Luiz Fernando Veríssimo são entrevistados e interpretam seus textos. Os autores são vividos por Maria Pompeu, Amaury de Lima e Marcia Bloch.Na parte musical, uma homenagem ao centenário Radamés Gnatalli e o eterno Lupicínio Rodrigues, interpretados pelo pianista Ricardo Guimarães.
O espetáculo tem pesquisa e criação do Grupo Repertório, roteiro de Maria Pompeu, figurinos de Neiva Motta, fotos de Eryck Machado, programação visual de Eneida Leão, direção musical de Ricardo Guimarães e supervisão geral de Amaury de Lima.
O Grupo Repertório ( Maria Pompeu, Márcia Bloch e Amaury de Lima), braço de Oficina Emepê Produções Artísticas Ltda. que já produziu homenagens a Stanislaw Ponte Preta, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Fernando Sabino, associa-se este ano às comemorações do centenário do grande poeta Mário Quintana. Em dezembro de 2005, foi comemorado o centenário de nascimento de Érico Veríssimo. Este ano, seu filho Luiz Fernando Veríssimo, completa 70 anos.

Por onde andou, e ainda vai andar QUINTANA E OUTROS GAÚCHOS
No Rio de Janeiro, a estréia aconteceu no projeto Música nos Museus, no dia 3 de abril, na Biblioteca Nacional e em maio, foi levado a dez Escolas Estaduais sob o patrocínio da Secretaria de Estado de Educação e ao Fórum de Poesia na UFRJ.
Em julho, foi apresentado no Espaço Cultural Furnas, e no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias no SESC Rio. Em agosto, foi apresentado no Centro de Referência de Educação Pública, para professores do Município do Rio de Janeiro e no Colégio Pedro II - Unidade Engenho Novo.
De 3 a 6 de agosto, o espetáculo foi apresentado no Centro Cultural da Justiça Federal e de 14 de agosto a 2 de outubro, faz temporada somente às segundas-feiras, no Teatro do SESI, no horário de 19 horas. Outras apresentações entre agosto e setembro: Colégios Cruzeiro e Corcovado, PUC RIO, Feira do Livro de Itaboraí e Usina Cultural em Friburgo.
Em outubro, o espetáculo participará do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, fará apresentações em Veranópolis, Farroupilha e Caxias do Sul.
O espetáculo chega à Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, nos dias 7 e 8 de outubro.
Ufa! Isso é coisa da Super Maria


Eu vou...

pra Sampa... agora eu vou... (cantando aquela musiquinha daquele desenho infantil - lembrei da música mas não lembro qual o desenho) ver o espetáculo da Pina Bausch, no
findi próximo. Já comprei o meu ingresso há um mês atrás pela internet. Me aguardem.
PINA BAUSCH - Para as crianças de ontem, hoje e amanhã
O espetáculo estréia no Teatro Alfa, em São Paulo, na próxima segunda dia 28, ficando em cartaz até domigo, dia 3 de setembro. Em seguida, segue para a capital gaúcha para apresentações no maior festival de teatro do País: o POA EM CENA, de 5 a 17 de setembro. E o Rio de Janeiro, mais uma vez fica fora dessa.

Em um cenário todo branco, sugerindo histórias infantis, brincadeiras de crianças, com um castelo de areia de mentira e bailarinos fazendo aquilo que já vimos em espetáculos anteriores. Explora com humor o mundo da criança e o aprendizado do afeto, constituindo-se em um verdadeiro tratado de paixões. A montagem enlaça amor e infância, questionando o que ocorreria se nos deixássemos levar até a felicidade. Bausch fala em descobrir todas possibilidades voltando ao princípio da vida.
Para as crianças de ontem, hoje e amanhã, Pina Bausch, trata do amor e da infância e nos faz uma provocação: O que aconteceria se nos deixássemos levar até a felicidade? E se voltássemos a ser crianças?
O espetáculo de Pina Bausch, mais uma vez traz música brasileira de dois dos nossos expoentes máximos: NANA VASCONCELOS e CAETANO VELOSO.

Teatro Alfa
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Tel. 5693-4000
Santo Amaro
28 de agosto a 3 de setembro

segunda a sábado, 21h domingo, 18 h - Duração 1,30 hs.
Setor I = R$ 200,00, Setor II = R$ 150,00, Setor III R$ 100,00, Setor IV = R$ 30,00

* Direção Artística e Coreografia: Pina Bausch
* Cenografia: Peter Pabst
* Figurino: Marion Cito
* Colaboração Musical: Matthias Burkert, Andréas Eisenschneider
* Assistentes de direção artística: Marion Cito, Daphnis Kokkinos, Robert Sturm

* Elenco: Rainier Behr, Lutz Förster, Ditta Miranda Jasjfi, Melanie Maurin, Dominique Mercy, Pascal Merighi, Nazareth Panadero, Helena Pikon, Azusa Seyama, Julie Anne Stanzak, Fernando Suels, Kenji Takagi.

* Músicas: Félix Lajko, Nana Vasconcelos, Caetano Veloso, Bugge Wesseltoft, Amon Tobin, Mari Boine, Shirley Horn, Nina Simone, Lisa Ekdhal, Gerry Mulligan Uhuhboo Project (Corée), Cinematic Orchestra, Goldfrapp, Gotan project, Guem, Hughscore, Koop, Labradford, T.O.M., Prince, Marc Ribot.

* Textos: Harmonia Coelestis et Keepers of the Night de Péter Esterhazy, Native American Stories and Nocturnal Activities for Children de Michael J. Caduto e How the Bat Came to Be de Joseph Bruchac.

10.8.06


Cena de "Romeu e Julieta" direção de Gabriel Vilella para o Galpão

Concurso transformará histórias pessoais em peça de teatro
Em novembro de 2007 o Grupo Galpão comemora 25 anos de atuação. Para comemorar a data, o grupo iniciou no dia 14 de julho de 2006 a campanha CONTE SUA HISTÓRIA, que visa a mobilizar e incentivar o público,especialmente o mineiro, a enviar histórias curtas, verídicas, que pareçam ficção, para que sirvam de base para o próximo espetáculo do Galpão, que estreará no primeiro semestre de 2007.

Segundo o diretor convidado pelo Grupo Galpão para a nova montagem, Paulo de Moraes, integrante da Armazém Cia de Teatro, as histórias devem revelar pequenos milagres cotidianos, coincidências curiosas, tramas surpreendentes, lances improváveis, acontecimentos que se recusam a obedecer às leis do senso comum, coisas grandes ou pequenas, trágicas ou cômicas. Vale qualquer experiência que tenha sido importante o suficiente para ser posta no papel, orienta Paulo de Moraes.

As histórias enviadas, que deverão ter no máximo duas páginas, passarão por uma triagem. As selecionadas serão utilizadas em improvisações para adequação à linguagem teatral. Após esse processo que, naturalmente,enriquecerá o material, será a vez de alinhavar as histórias em uma dramaturgia coerente e impactante que ajudará a determinar a mensagem verbal do espetáculo, enfatizando a poesia de situações, personagens e conflitos, diz o diretor. A dramaturgia do novo espetáculo ficará a cargo de Maurício Arruda Mendonça.

Você certamente tem na sua vida ou na vida de alguém que você conhece uma história verídica, que pareça ficção. Conte-a para o Galpão e faça parte da história do novo espetáculo do grupo.
O fim do prazo para recebimento é 15 de setembro de 2006 e as histórias podem ser enviadas para o seguinte endereço:
Rua Pitangui, 3.413, Sagrada Família, Belo Horizonte, MG, CEP 31.030-210, e escrever no envelope Campanha conte sua história, ou enviar os textos para o e-mail: contesuahistoria@grupogalpao.com.br.
Informações pelo telefone: (31) 3463-9186

8.8.06

Apagão em Cuba e o jeitinho cubano no espetáculo do Buendía

O grupo Buendia está vindo ao Rio trazido pela Corpus in Scena Prod. Artísticas do diretor e professor VIVALDO FRANCO, que conheceu o grupo em junho 2005 quando esteve em Cuba como convidado-palestrante do IV Congresso Internacional de Cultura e Desenvolvimento. Com a palavra, Vivaldo Franco:

" Após o congresso permaneci em Havana por mais 10 dias para conhecer um pouco mais os movimentos culturais (particularmente o teatro) e então conheci o BUENDÍA.
Fiquei completamente maravilhado. Eles têm sua sede em uma antiga igrejinha
transformada em teatro, em um bairro fora do centro. Fui assistir a um espetáculo inspirado em MARAT MARAT e que incluía outros textos sobre a revolução francesa, a revolução cubana e afins.

No dia em que fui assistir ao espetáculo houve um apagão (em Cuba, atualmente, há apagões por regiões, todos os dias, por causa da falta de energia - leia-se petróleo - já que toda energia provém desta fonte e é caríssima, pode-se imaginar), eles então apresentaram o espetáculo à luz de velas e lanternas! Improvisando toda a iluminação na hora. Foi fantástico, talvez melhor do que com a luz dos refletores.

Acredito, pelo pouco que pude observar e me inteirar, que o teatro de Cuba hoje é um teatro de resistência (como todo o resto, obviamente) mas não um teatro mambembe no sentido do improviso ou do amador. Ao contrário, é um teatro depesquisa,extremamente contemporâneo e profissional. Muito parecido com um tipo de teatro que se produz no Brasil (infelizmente muito raro aqui no Rio) e que foge da fórmula fácil docomercial sem qualquer compromisso com a qualidade. É um teatro altamente reflexivo, de qualidade técnica e dramatúrgica excelente, sem ser chato, manequeístaou "engajado".
Ao contrário, como toda arte produzida hoje em Cuba (as artes plásticas, o balé,amúsica, etc.), o teatro também possui um grau surpreendente de crítica e auto-crítica da realidade cubana, do seu sistema de governo, do bloqueio, de Fidel, de tudo que diz respeito ao seu modo de vida, seu sistema político, sua realidade, tanto para o bem como para o mal.

Aliás, Cuba é muito mais - tanto para o bem como para o mal - do que podemos
imaginar em nossa mesquinha visão de um paraíso utópico de liberdade ou de
uma ditadura cruel e anacrônica. Mas isso é outra história... VIVA CUBA!
VIDA LONGA A FIDEL! VIVA A REVOLUÇÃO! "

José Antonio Alonso em "A Oitava Porta"

Teatro de Cuba no Rio
Para uma temporada relâmpago aqui no Rio, uma das mais importantes e respeitadas companhias teatrais cubanas: O TEATRO BUENDÍA DE CUBA. O grupo estará se apresentando na próxima sexta, sábado e domingo, dias 11, 12 e 13 de agosto, no TEATRO GLAUCE ROCHA (Av. Rio Branco, 179, em frente ao Metrô Carioca) com dois
espetáculos solos interpretados pelo premiado ator JOSE ANTONIO ALONSO, fundador e dramaturgo da companhia.

Para esta mini-temporada no Rio, o Buendía de Cuba traz dois monólogos interpretados pelo ator e dramaturgo Jose Antonio Alonso, DE PARIS UM CAVALHEIRO, conta de forma poética e dramática a história do Cavalheiro de Paris - o último mendigo cubano, um personagem real que vindo de Paris se instala em Havana, é preso, enlouquece e como indigente, caminhando pelas ruas da cidade, acompanha com um olhar humano e crítico toda a transformação na recente história cubana,desde a revolução até os dias atuais.

No segundo monólogo, A OITAVA PORTA uma comédia crítica, o ator interpreta vários personagens que trazem muito do jeito cubano de ser mais que possuem em si as questões universais de todo ser humano: quem somos, para onde vamos e o quanto estamos dispostos a pagar para conseguirmos aquilo que queremos. Através das máscaras sociais e reais reconhecemos nos personagens aquilo que nos emociona e nos faz rir, como se ríssemos de nós mesmos.

O TEATRO BUENDÍA DE CUBA foi fundado em 1986 com atores formados pelo Instituto Superior de Arte de Cuba, sob a direção da atriz, professora e atual diretora
artística FLORA LAUTEN. Desde sua fundação, a companhia tem desenvolvido duas linhas de trabalho: a produção de espetáculos teatrais e a manutenção de um centro de investigação sobre as tradições culturais na América Latina e Caribe, os meios expressivos do ator e a renovação das linguagens cênicas. O estudo das relações entre a música, a dança e a interpretação, assim como a formulação de novos desenhos cênicos e uma nova dramaturgia têm consolidado o prestígio internacional em diversos festivais na América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia, África e Austrália.

Teatro: GLAUCE ROCHA, Av Rio Branco, 179 - em frente ao Metrô Carioca)
Telefone 2220-0259
Dias: 11, 12 E 13 de agosto às 19 hs. (sexta sabado e domingo)
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 - Estudantes, classe artística e maiores de 65 anos.
Classificação etária: 14 anos.
Nas ondas do radio...

a cultura brasileira tem agora um site oficial, o CANAL FUNARTE, com direito a uma radio com entrevistas nas áreas de teatro, circo, dança, música,etc. Vale uma visita.
Procurei lá e não encontrei ainda, o Tom Jobim tocando com Radamés, conforme o Anselmo Gois anunciou ontem na coluna dele. Mas vi coisas preciosas tocadas lá como
o disco infantil com o coro de crianças do Teatro Municipal com músicas e regência de Villa Lobos. Esse disco (esgotadíssimo há anos) eu utilizo muito nas minhas aulas com as crianças portadoras de necessifdades especiais.

6.8.06

Mostra Beckett on Film no CCBB

A Mostra Beckett on Film é uma das vertentes do Festival Becket 100 Anos que vai acontecer de 8 a 13 de agosto no CCBB no Rio de Janeiro, uma homenagem ao dramaturgo cuja obra, corrosiva e pictórica, provocou efeitos demolidores sobre todo o projeto do teatro moderno.
O projeto Beckett on Film foi lançado em 2001. Michael Colgan, diretor artístico do Gate Theatre Dublin (na Irlanda), produziu 19 filmes das 19 peças de Becket em parceria com a Blue Angel Films e o canal de TV Channel 4.

Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 Centro RJ
Tel. 21/3808-2020
De 8 a 13 de agosto de 2006, terça, quarta, quinta, sexta e domingo às 17,00 e 19,00 hs.
sábado às 19,00 hs. Censura: 14 anos.


-- Cinema - dia 8 às l7,00 hs e 13 de agosto às 19,00 hs.

Esperando Godot (Waiting for Godot), de Samuel Beckett. Com Barry McGovern, Johnny Murphy e Stephen Brennan. 14 anos.

-- Dia 8 às 19,00 hs.

Aquela Vez (That Time), de Samuel Beckett. Com Niall Buggy.
Passos (Footfalls), de S. Beckett. Com Suzan Fitzgerald e Joan O?Hara.
Fragmento de Monologo (A Piece of Monologue), de de Samuel Beckett. Com Stephen Brennan.
Cadeira de Balanço (Rockaby), de Samuel Beckett. Com Penelope Wilton
Improviso de Ohio (Ohio Impromptu), de Samuel Beckett. Com Jeremy Irons. anos.
Catástrofe (Catastrophe), de Samuel Beckett. Com John Gielgud, Rebeca Pidgeon e Harold Pinter.-
Quê Onde (What Where), de Samuel Beckett. Com Gary Lewis e SeanMcGinley.

-- Cinema - dias 9 e 12 de agosto, às 19h

Vaivem (Come and Go), de Samuel Beckett. Com Anna Massey e Sian Phillips.
Sopro (Breath), de Samuel Beckett. Com Keith Allen.

-- Teatro I

(Rough For Theatre I). Direção Kieron J. Walsh. Com David Kelly e Milo O?Shea.
Teatro II

(Rough For Theatre II), de Samuel Beckett. Com Jim Norton, Timothy Spall e Hugh B. O?Brien.
Ato Sem Palavras I + A Última Gravação de Krapp + Ato Sem Palavras II

-- Cinema - dia 10, às 17h e 11 de agosto, às 19h

Ato Sem Palavras I (Act Without Words I), de Samuel Beckett. Com Sean Foley.
A Última Gravação de Krapp (Krapp's Last Tape), de Samuel Beckett. Com John Hurt.
Ato Sem Palavras II (Act Without Words II), de Samuel Beckett. Com Pat Kinevane e Marcello Magni.
Dias Felizes + Comédia.

--Cinema - dia 10, às 19h e 11 de agosto, às 17h

Dias Felizes (Happy Days), de Samuel Beckett. Com Rosaleen Linehan e Richard Johnson.
Comédia (Play), de Samuel Beckett. Com Alan Rickman, Kristin Scott Thomas e Juliet Stevenson.
Vaivem + Sopro + Eu não + Teatro I + Teatro II

-- Cinema - dias 9 e 12 de agosto, às 19h

Vaivem (Come and Go), de Samuel Beckett. Com Anna Massey e Sian Phillips.
Sopro (Breath), de Samuel Beckett. Com Keith Allen.

-- Teatro I

(Rough For Theatre I). Direção Kieron J. Walsh. Com David Kelly e Milo O?Shea.

Teatro II

(Rough For Theatre II), de Samuel Beckett. Com Jim Norton, Timothy Spall e Hugh B. O?Brien.
Aquela Vez + Passos + Cadeira de Balanço + Improviso de Ohio + ...

-- Cinema - dia 8, às 19h, e 13 de agosto, às 17h

Aquela Vez (That Time), de Samuel Beckett. Com Niall Buggy.
Passos (Footfalls), de Samuel Beckett. Com Suzan Fitzgerald e Joan O?Hara.
Fragmento de Monologo (A Piece of Monologue), de de Samuel Beckett. Com Stephen Brennan.
Cadeira de Balanço (Rockaby), de Samuel Beckett. Com Penelope Wilton.

-- Cinema - dia 8, às 17h, e 13 de agosto, às 19h

Esperando Godot (Waiting for Godot), de Samuel Beckett. Com Barry McGovern, Johnny Murphy e Stephen Brennan.
Improviso de Ohio (Ohio Impromptu), de Samuel Beckett. Com Jeremy Irons.
Catástrofe (Catastrophe), de Samuel Beckett. Com John Gielgud, Rebeca Pidgeon e Harold Pinter.
Quê Onde (What Where), de Samuel Beckett. Com Gary Lewis e SeanMcGinley.

5.8.06

Extra! Extra! Extra!

Volta ao cartaz TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, peça de Nelson Rodrigues, com direção de Paulo de Moraes, que conquistou o Prêmio Shell de Teatro/2005 na categoria de Melhor Direção e Melhor Iluminação.
O espetáculo que esteve no CCBB, na Fundição Progresso, e agora volta ao cartaz na próxima quinta feira, dia 10 até o dia 7 de setembro, na Sala Marilia Pêra do Teatro do Leblon, sempre às quartas e quintas às 21,00 hs.
Compareçam, não percam e depois não digam que não foram avisados.
Não venha ou se arrependerá para sempre...

1.8.06


CHAPLIN'S BECKET
Uma gota de orvalho
em tua face

solitária
desce até
a ponta do nariz

em teu colo
c
a
i

abandonada
em luz

Esse poema é do Marco Guayba, um jovem ator e poeta que participou ativamente de quasi todas as palestras, debates, workshops, etcs. Nem sabia do seu lado poeta. Ontem ele mandou por e-mail esse poema. Essa foto do Beckett, aí em cima, com esse clima chapliniano saiu em toda a programação do festival. Ave, Samuel Beckett!
O poema do Marco tem toda um diagramação com letras caindo, descendo, enfim, ao postar aqui no blog não deu para sair como o original que ele enviou. Marco, merci par le cadeau.

23.7.06


O Festival Beckett 100 Anos até agora, sem dúvida, é o acontecimento cultural mais importante do ano. Assistí a todas as palestras com as mais diferentes abordagens: das peça radiofonicas, televisivas, à prosa e a poesia, ao Filme com Buster Keaton em 1964, e mais a influencia das artes plasticas na obra beckettiana. Me deu outros parametros para o entendimento e a pesquisa de Samuel Beckett. Sobre isso falarei depois.
O Beckett de Gerald Thomas

Ontem, o workshop com o Gerald Thomas foi como um bate-papo entre amigos, com a irreverencia, a ousadia e a informalidade conhecidas do diretor. Começou com provocações à platéia, implicando com uma menina na primeira fila que ele achou que estava com cor de doente ou de quem tinhado tomado crack, depois perguntas à platéia porque tinham vindo ao workshop e uma inusitada pergunta: o que é um workshop?.
Provocações de ambos os lados estabelecidas, começou contando os famosos encontros com Beckett (não foi só aquele flagrante famoso da foto) aquele já era o terceiro ou quarto, e como se deu o primeiro encontro.
Saiu de New York para Paris encontrar Beckett, e chegando lá, este estava na sua casa de campo, e a angustia da espera de um telefonema num quartinho de hotel, de nove da manhã às quatro da tarde. E, quando a fome apertou, ele desceu para um rápido lanche. Quando voltou tinha um recado do Beckett que voltaria a telefonar às 19 hs. E de fato às 19 hs em ponto tocou o telefone. Do outro lado da linha, Beckett marcava um encontro às onze da manhã do dia seguinte, num bar da Boulevard Saint Jacques, o mesmo local da famosa foto.
Falou dos vários encontros, inclusive do privilégio de ver Beckett dirgir novelas:

-- Eu vi Beckett dirigir as novelas da tv alemã. E se confessou horrorizado de como os atores iniciantes eram desrespeitosos com Beckett. Eu falei e ele mandou chamar outros atores que conheciam a obra do maior dramaturgo e não berravam perguntas tipo porque eu tenho que ir pra a direita?.
Menciona o fato de como Beckett odiava ser chamado de teatro do absurdo:
-- Beckett era clownesco, não gostava dessas montagens prá baixo, as pessoas transformam num bicho de sete cabeças, e não é nada disso.
A seguir faz uma declaração no mínimo inusitada, porque nas várias abordagens pelos demais palestrantes desse festival, nenhum mencionou tal fato.
-- Beckett esrevia para figuras longilineas como ele.

Fala de Dias Felizes que ele escreveu pra Madeleine Renaud e a dirigiu nesse espetáculo, mas não gostou dos resultados. Imita Madeleine Renaud, e a seguir detona o teatro frances:
-- Todo o teatro francês é careta. Patrice Chéreaux é chatíssimo.
Conta ainda como Beckett o provocava ficando de cabeça baixa, curvado um tempão sem dizer nada:
-- E e eu sem saber o que fazer ou dizer, e daí ele levantava a cabeça e me olhava com aqueles olhos muito azuis, e vinha uma pergunta inesperada. Ele me checava pra saber se de fato eu conhecia as obras dele. À época, eu fazia a adaptação das suas prosas para o teatro, ainda não tinha montado nenhuma peça dele.
Sobre os intelectuais e Beckett:

-- Beckett reclamava muito dos acadêmicos, dos semiologos que fazem de uma página de Godot, noventa livros. Beckett é o mais mal interpretado autor do século vinte.

Conta a inspiração de Beckett para o título da peça Esperando Godot.
-- Godaux (pronuncia-se Godô em francês) era um ciclista, campeão na década de trinta. E uma vez num tour de France ele não apareceu, e o publico lá esperando Godô, e nada. Ele desapareceu para sempre.
Menciona ainda o fato de como Beckett custou a ser aceito.

-- Ele foi rejeitado por mais de cem editores, levou não de não sei quantos teatros. Na primeira montagem de Godot tinha setenta pessoas na platéia e trinta e cinco sairam na metade do espetáculo. Montavam com muita seriedade o Beckett, ninguém destacava o humor. Ele era um sujeito muito amargo. Quando ele passou a ser aceito, o figado já estava comprometido. É historica, uma montagem de uma peça de Beckett em Nova York , todo o mundo dormiu e o ator também.
Sobre as decantadas fumacinhas das suas peças:
-- Eu não aguentava mais respirar fumaça. Fala ainda sobre Electra Concreta que ele destaca como comédia.
Sobre a famosa repercusão da ópera bufa no Municipal:
-- A história da bunda no Municipal foi uma grande piada, e ficou uma coisa de criminoso -- eu e o Marcola.
Sobre a representação e a interpretação:
-- Teatro é um grande fingimento, uma mentira assumida, um grande jôgo, tem que ter esse prazer de mentir falando a verdade, tem que ter a necessidade orgânica de se expressar. E se você se leva muito a sério, muita pesquisa... não acontece esse jôgo.

Gerald detonou geral e se confessou derrubado, numa exposição pessoal e um desabafo como raras personalidades têm a coragem para falar pùblicamente:

-- Eu tô vendo uma terceira guerra mundial ... com Bush no poder eu não sei mais o que fazer, e o Gil no Ministério da Cultura não fez nada. Eu tô derrubado, derrubado mesmo, num momento de reavaliação depois 77 peças pelo mundo todo19 óperas, acabei de recusar a direção de uma ópera na Alemanha. Me confesso num momento terrível, uma depressão misturada com pânico, e tô aqui com um Rivotril no bolso. Levei cinco dias para sair de casa, e descer oito andares para comprar água mineral.

Alguem da platéia perguntou pelo seu blog se tinha encerrado mesmo e ele disse que sim que não aguentava mais. Pipocam algumas perguntas da platéia, e a seguir pediu dez minutos para o público dizendo que já voltava, e pegou a sua mochila e saiu rápido em direção aos camarins.

Ousadia total. Se alguém da platéia foi embora ? Não. Ficaram todos esperando pelos mais de dez minutos, com exceção de um cineasta que estava sentado na primeira fila e que falava o tempo todo, pareciam amigos, sabiam muito um da vida do outro - era o Azulay diretor de "O Judeu".
Quando voltou ao palco, sem a mochila, de cabelos molhados, encerrou simplesmente o encontro prometendo mais para hoje, inclusive a tal "prática" do workshop, e sumiu para o camarim.
Espero anciosamente a "palestra" de hoje á noite, as 19,30 hs. Hoje, a entrada é gratuita com distribuição de senhas, meia hora antes. Quem quiser garantir o seu lugar no pequeno teatro do Centro Cultural Telemar, deve chegar com no mínimo três horas de antecedência. Fiquem espertos.

14.7.06

FESTIVAL BECKETT 100 ANOS

Leituras, oficinas, workshops, performances, projeções, debates, palestras na maior celebração do dramaturgo irlandês no ano de seu centenário
De 10 a 23 de julho, artistas e acadêmicos vão discutir, encenar, lembrar e celebrar Samuel Beckett, referência primária e divisor de águas do teatro ocidental, no Centro Cultural Telemar, á Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo, Rio de Janeiro.

Entre os convidados, José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas, Enrique Diaz e a Cia dos Atores, a Cia Dos à Deux, Moacir Chaves, Flora Süssekind, Rubens Rusche, Ricardo Blat, Fábio de Souza Andrade, Aderbal Freire-Filho, Angela Materno, Enoch Brater (presidente da Samuel Beckett Society)

Nascido em Dublin, em 13 de abril de 1906, de família protestante, SAMUEL BARCLAY BECKETT tornou-se um pilar do teatro ocidental, um marco divisório da cena mundial, um gênio inquestionável. A realização do Festival é da dupla de atrizes Isabel Cavalcanti e Marta Metzler, em parceria com a Lúdico Produções Artísticas. Serão três mesas-redondas, cinco palestras, duas oficinas, três workshops, três sessões de leitura, performances teatrais e o lançamento do livro de Isabel Cavalcanti (Eu Que Não Estou Aí Onde Estou: O Teatro de Samuel Beckett / O Sujeito e a Cena no Entreato do Traço e do Apagamento, Ed. 7 Letras) na abertura da série de eventos.
Entre os temas desafiadores do encontro estão a intensa e pouco conhecida relação do dramaturgo com as artes plásticas (mesa com Ronaldo Brito, Flora Süssekind e Luis Camilo Osório), seu trabalho com a poesia (com a prof. Marjorie Perloff, trazendo textos traduzidos especialmente para festival), a leitura de três peças radiofônicas (uma delas também especialmente vertida do inglês, Embers), a exibição de Film, única produção cinematográfica de Beckett, com Buster Keaton.
A obra plural e diversificada de Samuel Beckett será vista por diversos ângulos. "No Brasil quase que só se conhece Beckett apenas como o autor de Esperando Godot, e despropositadamente como ligado ao 'Teatro do Absurdo'", dizem Isabel e Marta. "A pluralidade de seu trabalho é imensa, vastíssima, e esperamos estar proporcionando uma homenagem digna do seu porte artístico - e certamente vai ser uma oportunidade privilegiada para o público em geral e os profissionais do teatro".

Os workshops serão realizados por José Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas e Rubens Rusche.
As oficinas, pelas Cias Teatrais Dos à Deux e Irmãos Guimarães; as leituras dramatizadas de três textos radiofônicos serão dirigidas por Enrique Diaz, Aderbal Freire-Filho e Rubens Rusche.

Entre mesas e palestras, entre filmes e leituras, os atores Rafael Leal, Juliana Guimarães e Renato Carrera ocuparão o espaço do Centro Cultural Telemar com performances baseadas na oficina de Isabel Cavalcanti sobre Beckett.

Maiores informações site do evento.

26.6.06

"SÃO ALGUMAS IDÉIAS FIXAS QUE DÃO FORÇA ÀS TORCIDAS DO CÉU E DA TERRA"

NELSON RODRIGUES: TEATRO E FUTEBOL

Um fato que chama a atenção na obra de Nelson Rodrigues é justamente sua diversificação por estes dois campos aparentemente tão semelhantes: o teatro e o futebol. O teatro, cuja condição fundamental é a relação viva entre ator/espectador, está totalmente afastado da massa populacional brasileira. E o futebol é a "alegria do povo", um "espetáculo das massas, o esporte nacional por excelência". Enquanto o teatro brasileiro é instável em termos financeiros e vai-se tornando um verdadeiro indigente, o futebol é encarado como empresa, como meio de se alcançar lucros: "Todo mundo mete a mão no dinheiro do futebol. As arrecadações estão aí para provar: monstro. Todo mundo ganha. Ganha cronista, ganha escoteiro, ganha Deus e o mundo". (Opinião, 29/10/76)

(...) São inumeros entretanto os pontos de diferenciação. Enquanto no jôgo o torcedor procura, de alguma maneira, participar e se exprimir livremente (xingamentos, gritos de incentivo, conselhos ao técnico, exigindo a entrada ou saída de jogadores, cantorias de hinos, batucadas), o espectador teatral esforça-se por continuar calado e passivo e, se chamado a participar, mostra-se comumente contrariado. A peça teatral vai estar marcada pelo respeito a um programa, pela repetição, já o jogo é configurado pelo acaso, pelo improviso, pela surprêsa.

(...) Por isso Nelson, enquanto cronista esportivo, procura questionar a linguagem aceita (" o futebol é imprevisível ") e transformá-la ("estava escrito"). Neste sentido podemos aproximar seu trabalho de cronista ao de dramaturgo.
Em ambas as atividades haverá um movimento na direção da quebra com a opinião pública, com o senso comum, com a cristalização. Em frases como "Observei:- Nada como um dia depois do outro" "Isso não queria dizer grande coisa, e, direi mesmo, que não queria dizer nada" (Globo), fica patente em Nelson-cronista a quebra com a proverbial linguagem habitual.

(...) Escrevia em uma de suas cronicas em novembro de 76: "Em cada geração temos, nas nossas barbas, uns três sujeitos cada um dos quais pode ser considerado o maior jogador do mundo. O nosso povo, porém, exige que os três sejam consagrados lá fora...". Cita então os exemplos de PELÉ, RIVELINO e ZICO, todos os três só reconhecidos depois de aclamados pela cronica esportiva estrangeira. Ainda nesta cronica Nelson faz uma digressão que parece passar do terreno meramente esportivo para nossa cultura de uma maneira geral: "Desde Pero Vaz Caminha que o brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem". Daí sua crítica aos elementos que cospem/constroem tal imagem: o jornal, o radio, a crítica, os doutores.

(...) ... a uma cultura que não consegue construir parâmetros próprios para se ver, só resta não se ver através de uma visão outra, deformada de si mesma. E o que se vê no teatro de Nelson, é justamente uma tentativa de acabar com os pontos de apoio dessa visão deformada.

Fonte:"NELSON RODRIGUES E O FUNDO FALSO" de Maria Flora Sussekind - monografia premiada no I Concurso Nacional de Monografias - 1976, pelo Serviço Nacional de Teatro - FUNARTE - MEC.

25.6.06

Vai Falar o Óbvio Ululante

Sonhei que Deus chegava perto de mim e perguntava: - "O que é que você fez na vida?" Tratei de vasculhar todas as províncias do meu passado. Na infância andei roubando goiabas e raspando pernas de passarinho a canivete. Todavia, nem uma coisa, nem outra, me pareceram dignas de menção. Não seria eu o primeiro ladrão de goiaba, nem o primeiro estripador de passarinho.

Na idade adulta, andei escrevendo peças, romances, crônicas. Mas nem as peças eram dignas de um Shakespeare, nem os romances dignos de Proust. E a verdade, a lamentável verdade, é que eu não encontrava, em toda a minha biografia, nada que surpreendesse o Altíssimo e merecesse o seu espanto. Eis, senão, quando, de repente, baixa em mim uma luz genial. Alço a fronte e digo: "Eu promovi, eu consagrei o óbvio!"

Aí está o grande feito de toda a minha vida. O óbvio vivia relegado a uma posição secundária ou nula. Fui eu que, com minha pertinácia, arranquei-o da obscuridade, da insignificância. Hoje, o óbvio tem trânsito em todas as áreas, é citado nas esquinas, botecos e retretas. Ainda outro dia, escrevia-me, de Filadélfia, um universitário americano. Queria saber apenas o seguinte - "Quem é esse óbvio tão falado no Brasil? Podia me dizer quais suas obras, seus livros, seus feitos?" Essa consulta, que me chegou de outro continente, prova que o óbvio já adquiriu personalidade internacional. Frank Sinatra não será tão popular nos Estados Unidos. Todavia, ao apresentar o óbvio, eu fiz a seguinte e fundamental ressalva: - ninguém o enxerga de sujeitos são cegos para ele. E acrescentei: "Gênio, santo ou profeta é aquele que enxerga o óbvio."

Faço esta introdução a propósito do que li sobre o Fluminense. Diz um colega que o Tricolor está sem níquel para comprar nem mesmo um único e escasso cabeça de bagre. A qualquer momento, nós o veremos numa esquina, tocando realejo, com um periquito de tirar sorte. Eu li e reli. E nada descreve o meu espanto e o meu horror.

Tudo o que foi escrito é de uma inveracidade total e estarrecedora. Cabe, então, a pergunta - como pode um jornalista agredir os fatos, como pode ele ignorar a evidência? Explico: - como tantos outros, o colega é cego para o óbvio. O que é o Fluminense? O maior clube do Brasil e do mundo. Repito - o maior clube do Brasil e do mundo. Isso é o óbvio mais que ululante.

Chega a ser cômico falar nos seus problemas. De todos os clubes, o Tricolor é o que tem melhor saúde econômica, melhor saúde financeira. Se ainda usássemos o chapéu, teríamos que tirá-lo em sentida e obrigatória reverência, sempre que falássemos no seu nome. Os outros, todos os outros, estão vergados ao peso de dívidas como uma árvore ao peso dos frutos.

O Fluminense, não. O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, só o Tricolor não passará, jamais.

Quem diz é o óbvio ululante.

Nelson Rodrigues
João Saldanha e o cronista esportivo Nelson Rodrigues

Nelson deu uma nova e grandiosa dimensão à crônica esportiva. Valorizou-a com suas geniais invenções, e com sua violenta imaginação. Embora ele diga sempre que não tem nenhum compromisso com os fatos, Nelson só rompe com os fatos no segundo, terceiro parágrafo de suas crônicas.
Ele cria exatamente sobre os fatos - e, se os retifica, e em seguida os reapresenta devidamente valorizados - ele faz hitoria. A historia do esporte de nossos dias. Onde cada pontapé ou cabeçada, tem de ser devidamente interpretada, e não simplesmente retratada. Como já observaram os críticos literários e sociólogos, Nelson faz com que um simples jogo de futebol, deixe de ser um jogo manjado de 22 sujeitos correndo atrás de uma bola, e se transforme na suprema manifestação artística e criativa de todo um povo.

João Saldanha

16.6.06

Nelson Rodrigues e futebol



Grã-Fina das Narinas de Cadáver

Amigos, pensam vocês que o futebol tem a simplicidade dos outros esportes. Não, não tem. Não é apenas técnico e tático como os outros. O futebol é mágico. Quantas vitórias, quantas derrotas, desafiam todo o nosso raciocínio e toda a nossa experiência?

Vocês se lembram de 50 e quem não se lembra de 50? O Brasil não podia perder. Técnica e psicologicamente estava em condições muito superiores às do adversário. Só a presença da nossa torcida (duzentos e cinquenta mil brasileiros) bastava, ou devia bastar para esmagar o Uruguai. Mas perdemos o jogo. Não podíamos perder e perdemos. Aconteceu o seguinte: - vitoriosa, a "Celeste" ainda fez a volta olímpica. Tivemos que aplaudir a nossa própria humilhação. Pois este episódio negro na nossa história esportiva foi um milagre contra nós, um milagre pró-Uruguai.

Aí está dito tudo: - há milagres no futebol. E a reação da torcida é a mais imprevisível. Amanhã, há um Fla-Flu, mais um Fla-Flu. É um clássico que magnetiza toda a cidade. Ontem, encontrei-me com a grã-fina das narinas de cadáver. Ela veio para mim feliz do encontro. Disse: - Vou ao Fla-Flu. Imaginem vocês que, outro dia, ela me entra no "Mário Filho" e pergunta:- " Quem é a bola? " Não sabia quem era a bola, mas era tocada pela magia do Fla-Flu. Sabe quem é o Fla-Flu e não sabe quem é a bola.

Venho acompanhando o destino do clássico, desde a minha infância profunda. Naquele tempo, era Flamengo x Fluminense. Foi Mário Filho que alguns anos depois criou o diminutivo fascinante : - Fla-Flu. Eu queria dizer que o Fla-Flu apaixona até os neutros. Ou por outra: - diante do formidável clássico não há neutros, não há indiferentes. Há sujeitos que não gostam do Fluminense, não gostam do Flamengo, mas estão lá. Encontrei um desses, no último Fla-Flu. No intervalo, fui tomar um café. No caminho, vi o meu conhecido num canto, estrebuchante. E mais: - babava na gravata. Aquilo me escandalizou: - "O rapaz! Você não é Flamengo não é Fluminense. Estás torcendo por quem?" Arquejou: - "Torço contra os dois". Mas torcia, o desgraçado...

Não interessa que seja ou não um grande jogo. Só as partidas medíocres precisam ter qualidade. O Fla-Flu vale emocionalmente. Ou por outra: - é Fla-Flu e basta.


NELSON RODRIGUES

10.6.06


Patricia Selonk e Fabiano Medeiros em "Toda nudez será castigada"

Thales Coutinho e Raquel Karro em "Toda nudez" de Nelson Rodrigues

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA

O Armazém Cia. de Teatro, termina a temporada de "Toda Nudez Será Castigada", neste domingo. Eu assistí esse espetáculo e não posso deixar de recomendar. Não deixe de ver o texto do Nelson Rodrigues que já fez sucesso até na França, e por aqui é das mais representados. Faça sua reserva ou informe-se no (21)7819-4359 / 7819-4358.
Hoje, amanhã e domingo sempre às 20hs, no Espaço Armazém, na Fundição Progresso, na Lapa. Os ingressos custam R$ 20,00, e tem meia entrada pra estudante, idosos e a classe artística.
Esse espetáculo foi indicado em quatro categorias para o Prêmio Shell de Teatro, e já esteve em cartaz com sucesso de púbico e crítica em Brasilia, Belo Horizonte e no Festival de Curitiba, e deverá viajar por outras capitais brasileiras. Não Percam. Fiquem espertos.

UPDATE:TOUTE NUDITÉ SERA CHÂTIÉE
Encontrei na rev. Folhetim 7 (de maio-ago 2000 Edição Especial com Nelson Rodrigues), a foto do cartaz da montagem de "Toda nudez..." em Paris, onde teve a direção de Alain Olivier e a protagonista foi a atriz brasileira Lorena da Silva.
Folhetim é uma revista de ensaios sobre teatro que nasceu dos programas que o Teatro do Pequeno Gesto elaborava para suas produções. Fátima Saadi, Antonio Guedes, Ângela Leite Lopes e Walter Lima Torres integram o Conselho Editorial. Pode ser encontrada nas livrarias do Estação Unibanco, Museus, CCBB, Timbre, Dazibao, etcs... leitura obrigatória para todos.


Cartaz da encenação francêsa de Toda nudez será castigada. (Foto da Folhetim pèssimamente reproduzida por mim, nem dá para reconhecer o autor - é ele mesmo -sentado na cadeira de balanço).

6.6.06


CINEMA E DANÇA NO ODEON

Na próxima quinta feira, dia 8 de junho, no ODEON-BR na Cinelandia, uma sessão beneficiente do filme Vamos todos dançar para arrecadar verbas para os projetos sociais dirigidos por Angel Vianna.
Adquira seus ingressos: R$ 10,00 na secretaria da Escola/Faculdade
Rua: Jornalista Orlando Dantas, 02 - Botafogo

Além do filme, danças breves e supresas muitas, com apresentação dos alunos da Faculdade e Escola Angel Vianna. Vamos todos dançar!
Como disse a Mestra Angel Vianna, numa entrevista ao Michel Melamed no Re-corte Cultural da TVE, que foi ao ar na semana passada:

- Dançar a vida é o grande sentido da vida.

Sinopse do filme VAMOS TODOS DANÇAR
Mad Hot Ballroom, de Marilyn Agrelo
E.U.A, 2005. 105?
Em 1994, duas escolas públicas de Nova York começaram a oferecer aulas de dança de salão. Em 2004, já eram 60 instituições de ensino com essa matéria no currículo. Ao final do curso, as escolas escolhem cinco pares de alunos para uma grande competição de dança de salão. O documentário acompanha, do início das aulas até o fim do campeonato, a trajetória dos alunos de três dessas instituições. Com média de 11 anos, os garotos e garotas, saindo da infância e entrando na adolescência, enfrentam seus limites em ritmo de tango, swing, rumba, merengue e foxtrote.

4.6.06

...LOUVAÇÃO DA DESMEMÓRIA

Boa é a desmemória!
Sem ela, como iria
deixar o filho a mãe que lhe deu de mamar,
que lhe emprestou força aos membros
e que o retinha para o experimentar.

Ou como iria o aluno deixar o mestre
que lhe emprestou o saber?
Com o saber emprestado,
cumpre ao discípulo pôr-se a caminho.

Na casa velha
os novos moradores entram;
se lá estivessem ainda os que a construíram,
seria a casa pequena demais.

O forno esquenta, e do oleiro
ninguém se lembra mais. O lavrador
não reconhece o pão depois de pronto.

Como levantar-se de novo o homem de manhã, sem
o esquecimento que apaga os rastros da noite?
Como iria, quem foi ao chão seis vezes,
levantar-se pela sétima vez
para amanhar o pedregoso chão,
para subir ao perigoso céu?

É a fraqueza da memória que dá
força à criatura humana.

(Brecht, Bertold - Poemas e Canções. Tradução de Geir Campos. Editora Civilização Brasileira, 1996. p.120.)


O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

Poema de Berthold Brecht - tradutor desconhecido.

30.5.06


Da esquerda para a direita, Paolo Grassi, Bertolt Brecht e Giorgio Strehler
Trio punk num agito dos anos 50
Esta foto histórica reuniu Bertolt Brecht (1898-1956), ao centro, ladeado da esquerda para a direita pelo Paolo Grassi (1919-1981), co-fundador em 1947, do Piccolo Teatro de Milão juntamente com Giorgio Strehler (1921-1997), este, considerado um dos maiores diretores do mundo, e o responsável pela renovação do teatro italiano conhecido mundialmente pelos seus memoráveis espetáculos, especialmente o "Arlechino" em cartaz há mais de cincoenta anos. Esse espetáculo esteve aqui no Rio, há uns quatro anos no Teatro Municipal, e cujos cenários foram concebidos pelo Gianni Ratto. Paolo Grassi, ator, produtor e agitador cultural, foi também diretor mais de vinte anos do Scala de Milão, onde o Giani trabalhou muitos anos como cenografo e vice-diretor artístico. O Piccolo, atualmente tem três espaços, o historico endereço na Via Rovello, hoje chamado Sala Grassi, o estudio experimental chamado Teatro Studio e o mais novo espaço, o Teatro Strehler.

E o alemão B.B., Eugen Berthold Friedrich Brecht , nascido na Baviera, considerado por alguns estudiosos o maior dramaturgo do século 20, (há controvérsias...) diretor teatral, escritor, poeta, contista, que mudou o rumo do teatro no mundo com as suas revolucionarias teorias sobre teatro e politica. Fugindo do nazismo, ele e sua familia deixam a Alemanha, em 1933, e iniciam um longo exilio de doze anos. Primeiro circulam em várias capitais da Europa, e em seguida vão para os Estados Unidos, e instalam-se na California, onde B.B. trabalhou na produção de roteiros para Holywwood, e colaborou entre outros, com o genial cineasta Fritz Lang (1890-1976).

Sem maiores detalhes da foto acima, eu acredito que esse histórico flagrante, de raríssima oportunidade, foi produzido em alguma das turnês do Berliner Ensemble pela Europa, em 1954, excursões essas generosamente subvencionadas pelo govêrno da Alemanha Oriental que também subvencionava o grupo. O Berliner Ensemble, foi criado logo depois de sua volta do exílio em 1949, junto com a atriz Helene Weigel (1900-1971), companheira de Brecht, desde o início das suas atividades nos anos 20, e interprete de inumeros personagens das peças brechtianas, como Mãe Coragem, Os fuzís da Senhora Carrar e A Mãe, entre outras.

Herança genética
Ah, e agora uma notícia de fonte fidedigna, o italiano Paolo Grassi tem parentesco com um ator brasileiro. Fácil, fácil de saber - pelo sobrenome. Só podia ser o Antonio Grassi, ator de teatro, cinema e televisão, e atual presidente da FUNARTE. Esse italiano morenão de bigode não lembra aquele personagem que o Grassi fez na novela do Gilberto Braga, "A fôrça do desejo", ou é viagem minha? Voilà. Ça va sens dire.

Fontes de pesquisa: Histoire des spectacles, Encyclopédie de la pléiade, Paris, Gallimard 1965, e o programa da apresentação de Arlechino - servitore de duo padroni, do Piccolo Teatro de Milão, em excursão ao Brasil, em junho de 2002 no Theatro Municipal, do Rio, e Teatro Alfa, de São Paulo.

28.5.06




UM HOMEM É UM HOMEM
Assistí nesta semana, "Um homem é um homem" uma adaptação livre do texto de Bertolt Brecht, com a produção do Galpão, e recomendo o espetáculo embora faça algumas ressalvas, mas vale pelo coletivo desse grupo mineiro com uma respeitável trajetoria de 23 anos de existencia e 16a montagem, com reconhecimento de público e crítica, tendo conquistado os mais importantes prêmios teatrais do País, e é claro, pelo texto do BB.
Mas vale também ressaltar pela bagagem artística do meu conterraneo, o ator e diretor Paulo José , que trabalha com o grupo pela segunda vez, tendo assinado a direção em 2003, de "O Inspetor Geral", de Gogol. Na atual montagem, ele assina a direção e a adaptação, além da concepção cenografica do espetáculo juntamente com os cenografos Alexandre Rousset e Tereza Bruzzi.
Na adaptação do texto para os dias de hoje - no original, se passa na Índia, Paulo Jose diz no programa da peça " E as armas de destruição em massa que Sadam Hussein teria, mas não tinha, foram o argumento definitivo para a invasão do Iraque. A farsa Bush, Blair et caterva motivou nossa adaptação da comedia ou tragicomedia de "Um homem é um Homem", ambientando-a num pais imaginário, o Urbequistão, em cuja capital Dagbá estão aquartelados cem mil soldados ocidentais".

"Um Homem é um Homem", fica em cartaz sòmente até o próximo domingo, dia 4, no Teatro Carlos Gomes, aqui no Rio. De quinta a domingo às 19,30hs.

Depois do Rio, Alemanha,
"Um Homem é um Homem" estreou em outubro de 2005, em Belo Horizonte, e já esteve em cartaz em São Paulo, em Ribeirão Preto, passou por algumas cidades do nordeste, no Festival de Curtiba, entre outros lugares, e mais recentemente fez uma apresentação em Nova Iguaçu.

O espetáculo abriu nesta quarta feira, dia 24, a pré-estréia da 5ª Semana de Artes Cênicas da Baixada Fluminense (de 8 a 24 de junho), O Encontrarte, no ginásio da Vila Olímpica, em Nova Iguaçu, sendo assistido por cerca de três mil pessoas.

O Galpão foi convidado para apresentar o espetáculo na Alemanha, e no início do mês de agosto o diretor e o grupo viajam para lá, onde vão apresentar o espetáculo em praça pública, na cidade de Berlim. O convite foi feito por produtores alemães que assistiram "Um Homem é um Homem" no Instituto Goethe, quando o espetáculo estava em cartaz em São Paulo.

23.5.06


Cena da peça O Cristo Proclamado de Francisco Pereira da Silva que levou pela primeira vez para o palco do Teatro Copacabana Palace retirantes nordestinos, montagem do Teatro dos Sete, em 1960, com direção e cenários de Gianni Ratto, e direção musical de Geni Marcondes. A peça ficou uma semana em cartaz. Foi um iluminado fracasso, declarou o sábio diretor.

Na foto, Fernanda Montenegro, Sergio Brito e Italo Rossi.
Fernanda Montenegro estreou no teatro sob a direção de Gianni Ratto, na peça de Jorge de Andrade A Moratoria. No documentário, ela dá um contundente depoimento sobre o diretor:
- Pegou a mim como uma massa bruta, sem exibicionismo, sem codificar uma técnica para safar a onça, sem domesticar, me abriu para vida, me educou para o teatro. Isso eu devo a ele, professor de interpretação, sociologia, antropologia, história do teatro, e um homem prático de carpintaria de teatro.

Cena da historica montagem de O Mambembe de Artur Azevedo, estreada dia 12/11/1959 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção e cenários de Gianni Ratto. Figurinos de Napoleão Monis Freire. Produção do Teatro dos Sete, do qual Gianni foi um dos fundadores.
Da esquerda para a direita, os atores, Yara Côrtez, Labanca, Fernanda Montenegro, Italo Rossi, Sergio Brito e Grace Moema.
Update: Recebí um e-mail da escritora e dramaturga Maria Inez Almeida, corrigindo a minha informação sobre a peça de estréia da atriz Fernanda Montenegro. Informa a minha amiga e conterranea, na sua abalisada intervenção:
- Ela fazia teatro desde 16 anos, como Cacilda, estreou na peça As alegres canções da montanha.
Valeu,Inezinha!