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14.6.03



A ousadia de expor a essência do dialógo
'Prêt-à-Porter 5' reflete sobre como romper a incomunicabilidade e chegar ao
outro


MARIANGELA ALVES DE LIMA
Especial para o Estado

Na quinta rodada de apresentações públicas dos exercícios para atores do
Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, a postura pedagógica do núcleo se
reafirma nos mesmos termos. Para poder interpretar é preciso que o ator
domine o mecanismo de construção da obra dramática com os seus problemas de estrutura, de organização verbal, de disposição temporal e espacial. Ao
mesmo tempo em que se instrumentalizam para integrar elencos de grandes
espetáculos, os atores exercitam internamente o mecanismo de construção de
peças. A dramaturgia criada pelos intérpretes é assim um primeiro passo para
o resgate do lugar central que o ator, de acordo com a filosofia do diretor
Antunes Filho, deve desempenhar na construção do espetáculo. O ator
virtuose, aquele que expressa com habilidade o desígnio alheio, seja o do
diretor ou o do dramaturgo, não poderia corresponder às exigências maiores
de uma obra de arte coletiva. Com esse objetivo em vista, os exercícios
apresentados são resultado do trabalho dos intérpretes para forjar
personagens e travar o primeiro embate que, em uma perspectiva clássica, dá
origem à criação dramatúrgica.

Tal como nas versões anteriores, o atrativo peculiar dessa comunicação
pública de um método de aprendizagem é a ascese da encenação que dispensa os recursos cenográficos, a iluminação matizada e os diversionismos que
permitem a fuga para outros tempos e espaços imaginários. As três histórias
são só isso: narrativas concentradas em um presente cênico, circunscritas
pelo embate de duas personagens à procura de um contato eficaz. Três peças
curtas, apresentadas em seqüência, se referem a uma única situação em que
uma das figuras em cena procura eludir a solidão através de uma tentativa
dialógica. O que interessa mais nessas cenas não é, portanto, o núcleo
temático, que se repropõe de um modo semelhante nas diferentes histórias,
mas a densidade dos confrontos e a pureza cênica com que se apresentam. Uma
vez mais os freqüentadores da série de exercícios apresentada pelo centro de
pesquisas silenciam sob o magnetismo da representação densa, feita em vozes
que não se exaltam, restritas a um espaço diminuto e, ainda assim, capazes
de criar no seu entorno uma concentrada expectativa.

É uma expectativa que não se apazigua no tempo da representação. Toda a
tensão projetada nas narrativas se encaminha para uma faísca de interação,
um breve momento em que se rompe o abismo da solidão sem que se possa saber das conseqüências desse contato momentâneo. O esforço repetido, o malogro do diálogo, as fugas intermediárias para o território defendido dos hábitos constituem a maior parte da matéria dramática e funcionam como elemento de propulsão das cenas. Em grande parte o inatingível, aquilo que não se consegue apesar da vontade e da ação, constitui a ferramenta expressiva que
substitui a peripécia da organização clássica do drama. Nas três narrativas
há um ritmo polarizado: alguém que fala muito enquanto outra figura, no seu
resistente mutismo, parece obstruir ou neutralizar o fluxo do entendimento.

Como todos os artistas que refletem sobre a sua vocação e o seu ofício, os
intérpretes do CPT exprimem, pela constância com que se referem ao assunto,
a preocupação com a eficácia dos recursos do teatro para romper a
incomunicabilidade e chegar ao outro. E o público é, no sentido figurado, a
alteridade radical. Há, assim, um componente metafórico que se desprende do
conjunto de cenas representadas desde o primeiro Prêt-à-Porter até este, 5.

Não basta ao intérprete equipar-se tecnicamente, mas é preciso deslindar
internamente, no âmbito da personalidade, o nó da essência dialógica. Em
resumo, na formação do intérprete não são suficientes a competência técnica
e intelectual para a expressão. O alvo, como em toda a relação interpessoal,
é a interação eficaz que produz mutações simultâneas no artista e no
público. É o caráter transitivo da arte do teatro que parece assombrar os
participantes desse grupo de pesquisa. Entreter ou mesmo esclarecer são, ao
que parece, objetivos desdenhados por esse propósito essencialista.

Por ter a ousadia de expor, com franqueza e de modo ascético esse âmago
angustiado que afeta toda a aspiração ao diálogo, as criações dos atores do
CPT provocam também a incômoda sensação de que nós, os espectadores,
sentados passivamente na outra ponta do circuito, não os alegramos com a
nossa presença expectante. Eles não nos lisonjeiam, e a formalização das
cenas não admite sedução. Alguma coisa deveríamos ter feito além de estar
ali. Cumpre, por dever de delicadeza, dar uma resposta a esses jovens tão
graves e exigentes consigo mesmos. Sentimos que a reação mecânica dos
aplausos não basta. Mas o que fazer? Somos os outros, a porta fechada contra
a qual se esfolam os nós dos dedos dos artistas.

Prêt-à-Porter 5. Apresentação de três espetáculos criados e desenvolvidos
pelos atores e coordenados por Antunes Filho.

UP-DATE: Na quinta, fui ao Teatro do SESC-Copa batalhar ingressos para Pret-a-porter espetáculo do Antunes Filho, que só fica no Rio esse findi, e já estava com lotação esgotada todos os dias. Não teve divulgação na classe, e soube por acaso nesse mesmo dia por uma matéria no jornal "O Globo".

7.6.03

Belô tem FESTIN em julho

Bruno Motta, esteve aqui visitando o blog e pediu a divulgação dêsse evento, do qual é um dos organizadores. Resistir quem há de, um site de divulgação do festival que tem um blog, também, além da simpatia e o charme do Bruno. E além disso, essas iniciativas têm todo o meu apoio. Então, vai lá:

As Inscrições para o 8º FESTIN Novos Horizontes estão abertas até o dia 7 DE JUNHO. Não deixe seu talento fora dessa. O FESTIN!, é um Festival de Teatro Intercolegial independente que surgiu em 1996, no Colégio Municipal Marconi. Tem o objetivo de formação de público-- único na cidade.
Não é realizado, oficialmente, por nenhum colégio ou reunião de colégios - sua “intercolegialidade”, por assim dizer, dá-se através da diversidade de colégios representados pelos grupos inscritos no festival.
Sua primeira edição foi realizado no Colégio Marconi e no Teatro do MAI, no ano seguinte, no Teatro da Assembléia, e a partir de 2000 tem seu encerramento no Teatro Alterosa. Neste encerramento contamos com a presença de artistas como Pedro Paulo Cava, Leila Ferreira, Tutti Maravilha, Carlos Nunes, Dudu, Luiz Artur, Wilson Oliveira, Saulo Laranjeira, Dadá Maravilha, Wilson Sideral...

10 espetáculos serão selecionados para se apresentar durante o FESTIN! Novos Horizontes, que acontecerá de de 17 a 27 de julho no Teatro da Assembléia. Em sua oitava edição o Festival contará com diversas palestras e oficinas, se encerrando na tradicional Festa de Premiação no Teatro Alterosa. Todos os inscritos, selecionados ou não, poderão participar das oficinas e assistir às palestras e espetáculos do Festival gratuitamente.

Os grupos inscritos têm até o dia 15 de junho para a apresentação de um projeto do espetáculo para a seleção. A melhor peça será premiada com um final de semana num dos teatros participantes. Monte seu grupo e inscreva-se!

Não se esqueça que este ano, após a inscrição, você terá uma semana para entregar o Projeto de seu espetáculo. Para fazê-lo siga as instruções do formulário que está aqui no site.

QUEM SE INSCREVE?

O FESTIN! tem o objetivo de formar público. Assim, os grupos inscritos têm desde alunos de 5ª série, com 12 anos, até alguns alunos de faculdades, na faixa dos 24 anos. Isso garante ao festival um aspecto diversificado, com propostas que vão desde a comédia de costumes de Martins Penna ou espetáculos de pura experimentação de linguagem, entre textos clássicos e originais dos próprios alunos.
FESTIN! Novos Horizontes - BH/MG - Contato: (31) 9114-3574 ou por email: contato@festin.com.br
www.festin.com.br

5.6.03

"Shakespeare, a Justiça e a Cidadania" -- curso com a Bárbara

Falou no mestre bardo e falou Bárbara, só pode ser ela: a BÁRBARA HELIODORA. É o óbvio ululante como diria o nosso Shakespeare: Nelson Rodrigues. Pois é, esse lance é imperdível. Sabe-se lá quando na vida teremos uma oportunidade como essa.

Durante quatro semanas, sempre às quintas feiras, dias 5, 12, 26 de junho, e dia 3 de julho, das 18h30 as 20h30, curso livre e gratuito com a professora de teatro, crítica teatral do jornal "O Globo" e a maior autoridade em Shakespeare do País. O curso é uma promoção do Departamento Cultural da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, sob a competente coordenação da atriz e psicologa Sílvia Monte que há dois anos vem desenvolvendo uma programação de atividades artísticas e culturais, visando estimular o diálogo entre o pensamento jurídico e as diversas áreas do conhecimento e da arte.

Foi lá no auditorio do EMERJ, no final do mês de março, que eu assistí "Novas diretrizes em tempos de paz", dentro da programação cultural dessa instituição, conforme eu já comentei aqui no blog.

Shakespeare, a Justiça e a Cidadania
O tema será desenvolvido em quatro encontros de duas horas com a seguinte programação:

5/6 – Introdução: a presença da idéia da justiça na obra de Shakespeare.
12/6 – Justiça e Misericórdia: a letra e o espírito da lei.
26/6 – A aplicação da lei e a participação do cidadão.
3/7 – A transgressão da lei natural na tragédia.
INSCRIÇÕES GRATUITAS

Bárbara Heliodora

Crítica teatral, doutorada em Artes pela Universidade de São Paulo, é professora titular aposentada da Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO. Desde 1980 é orientadora de alunos candidatos a Mestrado e a Doutorado da Universidade de São Paulo. É professora emérita da Universidade do Rio de Janeiro.
Especialista em Shakespeare, conceituada internacionalmente, desenvolve atividades diversificadas: docência, crítica teatral, ensaios, conferências em congressos internacionais e tradução da obra do dramaturgo.

Obras publicadas: A Expressão dramática do homem político em Shakespeare (1978) e Falando de Shakespeare (1997).
Tradução de mais de vinte peças do dramaturgo.

Inscrições e informações pelo tels. 2588-3368 e 2588-3366
EMERJ - Departamento Cultural
Av Erasmo Braga 115, 4o. andar - Centro - Rio de Janeiro

emerjcultural@tj.rj.gov.br

27.5.03

Et Eu Tu

Sabado às cinco horas já estavam esgotados os ingressos para os dois dias do show do ex-Titãs, Arnaldo Antunes e grupo, para o lançamento do seu livro de poemas "Et Eu Tu", no CCBB. Eu estava curiosa para ver a tal da performance porque eu quero entender o porquê dessa badalação toda em torno do Arrepiadinho Antunes. Eu não acho que o cara esteja com essa bola toda. Assistí em São Paulo o primeiro show-solo dele depois da separação do grupo, e detestei. Eu e meus amigos paulistas saimos desse show completamente irados -- no antigo e verdadeiro sentido dessa palavra.
Fiquei no foyer do CCBB onde o AAA (ele é bem bonitinho, apesar daqueles tufinhos arrepiadinhos de cabelo) estava autografando o livro, antes da performance no teatro do segundo andar. Compreensívelmente não tinha fila de autógrafos. Aos pouquinhos, ia chegando algum fã com dinheiro suficiente para comprar o livro pelo precinho antipático de cento e trinta e nove reais. Ficamos folheando o livro fingindo que íamos comprar. Deu vontade de comprar só pelas fotos e o projeto grafico -- belíssimos. Tinha um poema lá que falava no movimento dos pés e me amarrei nas fotos que ilustravam esse poema, interessantíssimas, com pés em movimento, como se fosse uma continuação do poema. Um pouco sobre o óbvio, mas muito belo.
Antonio Cícero, esse sim, um poetaço, desfilava faceiro pelo foyer empunhando o livro. E sem o livro nas mãos caminhava apressado, o irrequieto produtor musical Ezequiel Neves.

Caetaneando o próprio
Estou folheando "Et Eu Tu", e de repente, olho para o lado e vejo de costas, um rapaz magrinho de cabelos grisalhos (eu disse rapaz -- nem de perto parecia um senhor cincoentão), elegante e sòbriamente vestido com calça cinza de listras fininhas, camisa de mangas compridas cinza clara e uma sueter de lã preta jogada nos ombros, sendo assediado por umas cinco ou seis mocinhas e uma outra fotografando freneticamente a cena. Era ele, o belo Caetano. Dava para sentir pela sua expressão corporal que ele estava louco para sair daquela, quando a fotógrafa correu e deu a maquina para uma das intrépidas, a tempo de ser fotograda junto dele. Livre das moças, caminha apressado e vai para um cantinho daqueles ali do foyer onde outras pessoas o aguardavam. Logo depois, foi embora e não me deu a chance de ir caetanear o próprio -- de perto.

Caetaneando o que há de bom na música para crianças: Paulo Tatit e Sandra Peres
Meninos, eu vi sabado às 15 hs. no CCBB o show de lançamento da coleção Siricutico, "Pindorama e O Rato" que conta e canta histórias infantís com a apresentação das músicas ao vivo pelos autores desse projeto: Paulo Tatit e Sandra Peres. Aproveitei comprei três discos que faltavam para a minha coleção.
Quem vai gostar desse lance é o meu querido vizinho blogueiro, o Ale Boechat. Viu, Ale ganhei autógrafo e tudo.

Caetaneando os provectos do Teatro de Anônimo
Depois dos agitos musicais, fui para a Rua do Mercado, ali atrás do CCBB, pra ver os meus colegas circenses, os Valdevinos de Oliveira numa apresentação para crianças. E á noite no mesmo local a peça circense Tomara que não chova. Não choveu e depois do espetáculo rolou um grande baile. Bom demais. A festa acabou ontem (domingo). O circo móvel de propriedade do provecto grupo cômico Teatro de Anônimo, in comemoração aos 15 anos de persistência desses intrépidos jovens, fica guardado para a próxima apresentação. Sabe-se lá quando. Quem não foi se arrependerá pra sempre.

17.5.03


Divulgação do Teatro de Anonimo no Forum de Teatro, devidamente surrupiada aqui para o blog de artes cênicas

Atenção ! Atenção! Muita atenção !

Mas muita atenção mesmo !

A crítica não viu! O público não pediu!

Só se fala em outra coisa na cidade!

Mas para o bem de todos e felicidade geral da galera, foi prorrogada a temporada do Mercado do Riso por mais um final de semana! Não percam 23, 24 e 25 últimos dias!
Tudo de graça! É só alegria!


UPDATE por mim: MERCADO DO RISO projeto do Teatro de Anonimo em comemoração aos 15 anos do grupo. Durante quatro semanas, desde o dia 25 de abril, (agora prorrogadas para cinco) foram apresentados três espetáculos e uma exposição Pequena Miscelânia de Anônimo, com entrada franca.

O Pregoeiro as sextas às 20 hs.

Tomara que não chova aos sabados e domingos às 19 hs.

Os Cenouras aos sabados e domingos às 16 hs. com Valdevinos de Oliveira -- grupo convidado.

Local: Rua do Mercado 45 -- Centro (atrás do CCBB) - Digratis. Chegue cedo para pegar a sua senha ou o seu lugar na fila. Certo?.
Corra ! Só tem essse final de semana e o outro. Depois não reclamem que eu não avisei.

14.5.03


Depoimento de um ator e autor brasileiro sobre um curso do método de Stanislavsky em Moscou

Há três anos que eu vinha "babando" de expectativa de poder fazer um
curso de teatro em Moscou. Sabia que alguns amigos e colegas de profissão já
tinham feito o curso, como Cacá Mourthé e Clóvis Levy, e sempre tentava
articular a minha participação mas nunca dava. Esse ano deu ! Ajeitei toda a
minha vida profissional e pessoal e parti para Moscou. O curso em questão se chamava Fundamentos do Método de Stanislavsky, seria um curso de aperfeiçoamento, com carga horária de 120 h/a, e iria traçar um apanhado geral do famoso método e como ele é utilizado hoje em dia na Rússia pelos seguidores diretos do famoso mestre.

Um outro motivo me impulsionava: como além de ator e autor trabalho como professor de interpretação há alguns anos, sempre tive dúvidas sobre alguns pontos dos livros do Stanislavsky que me pareciam, e depois descobri que a muitos outros colegas também, um pouco nebulosos, pois o que temos é uma tradução do russo para o inglês-americano e deste para o português. Alguns conceitos não ficavam muito claros para mim.

Em Moscou, os mestres nos informaram que isso é uma reclamação mundial, pois quando o Stanislavsky estava com o filho doente e precisando de dinheiro, topou escrever suas obras vendendo seus direitos para os americanos. Ou seja, ninguem na familia do mestre ou na Rússia recebe pela obra, são só os americanos. Houve até um congresso na década de 90 em Moscou, onde pessoas do mundo inteiro reclamavam da impossibilidade de se traduzir direto do russo, pois os americanos não deixam. Todos reclamavam, menos os americanos!

Assim, liguei para a agencia em São Paulo que estava organizando a viagem
e me inscrevi. A história dessa agencia é curiosa. Gustavo, o dono da agencia
é um brasileiro fanático pela Rússia, morou lá 5 anos e sabe tudo sobre tudo
dos russos, inclusive teatro, apesar de nunca ter feito nada pessoalmente
nessa área. Assim ele montou uma agencia especializada em leste europeu e
leva grupo específicos ( pessoal de teatro , arquitetura, etc,...) para conhecer Moscou e fazer um curso especifico da área num local de reconhecimento mundial, oferecendo tradução simultânea do russo para o português.

A mais importante escola de formação de atores do planeta

Assim, aportei no GITIS - Academia Russa de Arte Teatral, conceituada por
muitos como a mais importante escola de formação de atores do planeta.
Nemirovith- Dantchenko deu aulas lá, Meiahold e Grotovsky ( este somente por
um ano) foram alunos. Vartangof, Efremov e tantos outros deixaram suas
passagens por lá.

Assim o grupo de brasileiros ( atores, professores e diretores do Rio e
São Paulo) foi com 15 pessoas para Moscou. O curso era feito da seguinte forma : aulas de Segunda á Sábado pela manhã aula de corpo e voz em dias alternados e à tarde aulas de interpretação, seguindo o método de Stanislavsky.
À noite íamos assistir sempre a um espetáculo. No total, devo ter assistido uns trinta espetáculos, pois ficamos 38 dias na capital Russa ( com uma fugidinha para a belíssima São Petesburgo, que também possui um movimento teatral intenso).

As aulas de corpo que tivemos, apesar do mal cheiro do professor ( que eu
chamava , carinhosamente de "cheiro do fim do planeta") eram as aulas que são
oferecidas aos alunos do GITIS. Se baseiam numa preparação física intensa,
valorizam o malabarismo, ensina tapas cênicos, caídas, cambalhotas, etc e se
baseia muito no método da Bio-Mecânica do Meiahold.. Eles trabalham pouco na
parte corporal o lado lúdico do corpo. São mais técnicos, diretos, uns ginastas. Faz parte da cultura russa, né?

As aulas de voz ( a professora era uma senhora simpática e cheirosa-
graças a Deus!) eram excelentes. Utilizam como base a respiração para se conse guir relaxar e emitir as sonorirades necessárias. Se utilizam de técnicas
diversas, inclusive orientais, chinesas e japonesas, yoga, etc. Moscou, por
estar alí, na boca da Àsia também recebe muitos alunos da Índia, Coréia,
Japão e China.

Método da Analise Ativa

Na parte da tarde tínhamos as famosas aulas de interpretação com David
Liviniev, que é considerado hoje um dos maiores especialistas do planeta em
Stanislavsky. Ele tem um livro chamado "O Método Stanislavsky Hoje", que só
está com tradução em russo, e fala como os russos evoluíram , se
aperfeiçoaram e como trabalham hoje o método de Stan. E foi isso que ele
trabalhou com a gente. Além dele, que era mais teórico, tivemos aula com
outro assombro, que foi o Valentim Trepliakov, também um dos mais
conceituados diretores e professores do método. Ele é o decano da escola e dá
aulas no mundo interiro. Basicamente o que é trabalhado hoje é o método da Análise Ativa, que no Brasil foi introduzido pelo Kusnet.

O método das ações físicas já foi abandonado há uns 20 anos na Rússia. Nenhum aluno lê os livros do Stanislavsky, pois todos consideram hoje em dia como uma obra científica, quase de Museu, e o que se trabalha é o avanço desse método que Stan no final da vida já dava indicações e que foram desenvolvidas pelos seus alunos.
É óbvio que os alunos que não leram os livros de stan, possuem culturalmente
um conhecimento prévio da obra, não é nada desconhecido para eles. Acho
arriscado no brasil não orientarmos nossos alunos a lerem e a conhecerem a
obra de Stan.
No primeiro ano de curso ( são 4 anos) os alunos só trabalham individualmente, NUNCA sendo personagens. Trabalham o famosos "SE" do stan. Os exercícios são todos baseados em " SE você, ator, estivesse vivendo essa situação o que vc faria". Eles tentam a todo custo tirar os arquétipos e estereótipos de representação que os alunos já chegam trazendo. Tive a oportunidade de ver trabalhos belíssimos dos alunos que , sozinhos, e sem super representarem, pensavam em cena, agiam em cena e provocavam com a extrema simplicidade, um real NATURALISMO, uma emoção em quem assistia.

Vivência naturalista
Tenho a impressão que no Brasil temos um certo preconceito com o naturalismo. É como que se o ator que não fosse capaz de criar logo um personagem, fosse um ator menor, sem criatividade, como se o naturalismo fosse fácil e o encontrar o personagem mais difícil, e por isso, mais digno. Os russos não se preocupam com isso. Durante um ano, o ator vai trabalhar sozinho, se auto-entendendo, conhecendo seu próprio pensamento e deixando que suas ações nasçam naturalmente dessa sua vivencia naturalista, pois assim, todos irão acreditar no que acontece em cena.

No segundo ano, os alunos começam a trabalhar em dupla, ainda como eles
mesmos, para começar a exercitar o lado mais importante do ato de
representar, segundo os russos, que é a troca real, o jogo , a verdadeira
interação entre os atores.

No terceiro ano, começa a se introduzir texto dramático e o trabalho de
aproximação do ator como personagem do texto. Tudo de uma forma lenta e
trabalhada, para que no quarto ano, o aluno esteja apto a interpretar uma
montagem da escola, com verdade de atuação.

É emocionante perceber que os alunos entendem perfeitamente a filosofia
da escola e trabalham duro para se aperfeiçoarem. Anualmente 25.000 alunos
tentam ingressar no Gitis, gente do mundo todo e só 120 conseguem. È difícil
entrar, mas quem se forma lá ( diploma vermelho é para alunos excelentes e
diploma azul para bons alunos) tem muita facilidade para conseguir emprego no
mercado de trabalho.

Cada teatro russo tem a sua própria companhia

O mercado de trabalho teatral russo existe, é forte, mas também tem
problemas. O teatro é cultural. Todos vão assistir a peças quase todos os dias.
Existem uns 180 teatros em Moscou, a gente tropeça neles e nas trinta peças
que eu fui assistir, nos teatros mais próximos e mais pertos, maiores ou
menores, EM TODAS AS APRESENTAÇÕES OS TEATROS ESTAVAM LOTADOS. E eu quase não vi nenhuma divulgação das peças na imprensa, pois não precisa. O povo compra o manual das peças e as escolhe para assistir.

Assim como no Brasil a televisão tem uma aceitação cultural inegável, é o
meio escolhido pela maioria de nosso povo, na Rússia é o teatro. O respeito
do povo russo com os artistas também é emocionante. Em todos os teatros
existe uma companhia daquele teatro que trabalha alí e em seus corredores,
fotos de todos os artistas que já trabalharam alí, ou ainda trabalham. É uma
galeria de artistas. No Teatro de arte de Moscou, ví fotos enquadradas de
artistas do começo do século até o ano de 2002.

Não existem longas temporadas nas peças, ou seja, cada teatro com sua
companhia tem um repertório de várias peças que são apresentadas durante todo o mês. Ou seja, se vc for ao mesmo teatro em Moscou durante 1 mês, vc
assistira de 10 a 15 espetáculos diferentes, representados pelos mesmos
atores. Cada peça se apresenta durante 2 ou 3 dias por mês.
Assim temos em Moscou atualmente uns 800 espetáculos ativos ! Numa recente
pesquisa, descobriu-se que se vc fosse assitir a todos os espetáculos que
estão ativos em Moscou hoje, vc demoraria quase 3 anos, indo ao teatro todos
os dias.

Pão com caviar vernelho e vodka no cardapio dos restarurantes dos teatros
Percebe-se que tem um mercado de trabalho real. Quando os alunos de teatro se
formam, preparam um texto e apresentam ao diretor artístico do teatro para
serem contratados. Se eles não conseguirem emprego naquele teatro, terão mais
179 oportunidades, nos outros restantes.Todos os espetáculos começas as 7 da noite e as pessoas correm para lá, também porque tem aquecimento ! Uma das vantagens do teatro russo, é o rigoroso inverno. Todos saem dos trabalhos e antes de se congelarem indo pra casa, dão uma pausa no teatro, guardam seus pesados casacos e comem um pão com caviar vermelho e vodka ( duas das poucas coisas gostosas de se comer por lá ! Que saudades do feijão preto, couve, banana e farofa que eu fiquei ! Nossa!) Se não fosse a vodka, não haveria Rússia. Agora pude entender bem melhor
Dostoiévsky e Tchecov!!!

Agora o fato triste. Das trinta peças que assití, 25 eram ruins, de sair no
meio muitas vezes. E digo isso não porque eu não entendo russo, mas sim
porquê existe uma ingenuidade cênica risível, espetáculos sem nada a dizer,
burocráticos e sem criatividade. Há um problema grave de falta de diretores
criativos na Rússia atual. E há um fazer teatral "industrial", pois eles tem
uma demanda forte de público que precisam ser atendidos !!!

Teatro sem tesão
Enquanto no Brasil, com nossas imensas dificuldades, inclusive de se levar
público ao teatro, a impressão que eu tenho é que sempre há uma "tese" por
trás de um espetáculo. Ou seja, se eu só vou fazer 1 ou 2 espetáculos por
ano, vou querer que eles sejam interessantes, que tenham algo a dizer. Se eu
vou conseguir ou não é outro assunto, mas o DESEJO existe.
Me parece que em Moscou, não há tanto tesão. Sabem que terão público mesmo. Tratam o teatro como uma indústria de emprego em primeiro lugar e como arte em segundo.


Por isso eu digo, sem medo, que o teatro brasileiro BOM é muito mais
instigante, criativo, libertário, interessante, questionador e feliz do que o
dos russos atualmente. Além disso, os espetáculos em Moscou prezam muito conceitos rígidos de se montar clássicos, poucas ou nenhuma pesquisa além disso. A formação de ator deles é muito superior, mas o "fazer" deles não, ou pelo menos questionável.

Os próprios professores russos falam que se no Brasil nós tivéssemos a
formação deles, com o talento de nossos artistas, seríamos os melhores do
mundo. Eles acham os brasileiros muito criativos e muito indisciplinados !!!!!!
Agora, dos 5 espetáculos ótimos que eu ví, com GRAAAANDESSS
atores e atrizes, um é IMPRESSIONANTE : A Gaivota, de Tchecov, no Teatro de
Arte de Moscou. É um espetáculo do Efremov, um dos mais importantes
continuadores do mestre Stan, que eu pude ver um NATURALISMO real em cena,
como nunca vi na vida. Impressionante. Genial. Fantástico. Chorei.

Resumidamente posso dizer que eles tem uma formação de ator estupenda,
espetáculos questionáveis e um naturalismo cênico perfeito, continuando a
serem os melhores do mundo quando se propõem a levar o teatro com o BE-A-BÁ do iluminado Stanislavsky.
Espero que essa impressão muito pessoal minha seja de interesse de vcs.
Aproveitro para dizer que estou oferecendo oficinas de 3 dias até 7 dias para
grupos no Brasil inteiro que queiram saber mais sobre o método de Stan na
Rússia de hoje. Quem quiser, por favor, me escreva ou me indique.

Rodrigo Rangel
rodriran@aol.com

11.5.03

Primeiro show do CAIXA 3!!!
Estou aproveitando aqui o espaço da minha tia Ruth para informar que dia 24 de maio será a estréia da minha banda nos palcos.
O show será no Colégio Pedro II do Humaitá, que fica na rua Humaitá, não sei que número, às 18:00h, e a entrada custa $ 5,00.
A banda será a primeira a se apresentar, pois vai ser no sarau do colégio. Para entrar na página da banda clique aqui.
Já visitou o meu outro blog, o Artimanhas? Sim ou não, tem post -- texto -- novo lá! Vai nessa e não te arrependerás.!

8.5.03

Inclusão cultural
[Helena Katz]

Artista deve fazer prioritariamente o que sabe, isto é, sua arte e, evidentemente ter esse direito assegurado. Essa arte deve poder chegar aos que dela estão apartados. Quando se assiste a um espetáculo de dança, teatro, circo, música, ópera, quando se vai à uma exposição, quando se lê, se ouve música, se vai ao cinema, pratica-se uma educação dos sentidos. Entra-se em contato com idéias que nos levam a pensar melhor sobre o mundo que nos cerca.

Um cidadão que tem acesso à produção artística do seu tempo consegue enfrentar com mais clareza a complexidade da sua vida e qualifica-se para aprender a reivindicar melhor a sua participação na sociedade. A arte é uma estratégia evolutiva que o homem desenvolveu para garantir a sua permanência no seu hábitat. Ela é tão indispensável quanto a alimentação, a saúde e a segurança. E é realizada por trabalhadores especializados, cujo produto final tem enorme poder de inclusão social. Para que eles próprios não se tornem o próximo nicho de excluídos, devemos implementar a inclusão cultural imediatamente.


(Parte de um artigo da brilhante escritora, pesquisadora Helena Katz -- crítica de dança do "Estadão")

7.5.03

1 M A N I F E S T O


CULTURA É DIREITO DO CIDADÃO. COMO SAÚDE, COMIDA E EDUCAÇÃO.

CULTURA É PERSPECTIVA DE CRIAÇÃO, PENSAMENTO E CONSTRUÇÃO DE UM POVO !

CULTURA É SOCIAL ! CULTURA DEVE SER PRIORIDADE !



1% PARA A CULTURA (federal estadual municipal)

ORÇAMENTO MÍNIMO E OBRIGATÓRIO POR LEI !



ARTE É QUESTÃO DE SAÚDE MENTAL ! Reorganiza o mundo interno da pessoa.

ARTE É QUESTÃO DE EDUCAÇÃO ! Estimula a criatividade. Educa os sentidos.

ARTE É QUESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA ! Despotencializa a violência. Hip urra hip hop!

ARTE É QUESTÃO DE ECONOMIA ! Gera trabalho e renda.



Pela inclusão cultural. Queremos salas, cinemas, galerias no centro e nas periferias para expor nossos trabalhos e viver dignamente de bilheteria.


Pela diversidade cultural ! Cultura não é só indústria e mercado. Cultura é expressão de vida !

Pela união de TODA a classe artística em torno de novas relações de trabalho.



Contra a globalização e a evangelização que invadem nossas casas de espetáculo.

Pela elevação do piso cultural !

Chega de achatamento e massificação ! Eu não sou cordeiro não !

Chega de colonialismo cultural ! Somos antropófagos de última dentição.

A sábia indolência apimentada pela mais fina tecnologia: - Mangue beat !


Por um ensino contemporâneo de arte.

Por um circuito de eventos artísticos estimulantes nas escolas e faculdades públicas.

Pela ampliação de uma rede pública de teatros, bibliotecas e museus no país


Por um programa de cultura para os próximos 15 anos.

Saber, definir, informar quais são as atribuições, responsabilidades, compromissos legais e constitucionais dos municípios, estados e federação.



O TEMPO URGE! A FOME RUGE! A ARTE SE INSURGE!

FORUM DAS ARTES - RIO DE JANEIRO, 1º DE MAIO DE 2003.


Manifesto lido, declamado, repetido pelos artistas e o público presente nos três dias do agito no Teatro Experimental Cacilda Becker, no Rio de Janeiro.

4.5.03


Catarroverde -- um blog transparente

Sergio Faria manda lá no melhor estilo bufo com todas as bufonnéries, a que tem direito, brincando com as nossas ambiguidades, parodía significativamente fatos, situações do cotidiano, acontecimentos politicos -- foi o Catarroverde que detonou o famoso caso do plágio do discurso de renúncia do ACM. Faz paródia até mesmo da sua própria pessoa, revelando assim a dualidade de todo ser, ou seja a face do bufão que existe em cada um. E assim mostrando uma outra face da nossa realidade, ele vai dando o seu recado com muita manha e arte. E sem se perder na trilha, ele passa do personagem bufo ao do lord inglês com a maior desenvoltura, competência e bom humor. Um mestre.

Hoje eu sou uma admiradora incondicional do Catarroverde, mas nem sempre foi assim. E já houve um tempo em que eu ousei reclamar dos posts quando ele com a maior liberdade, carregava nas suas boufonnéries, falando de índios, anões e outros excluídos A primeira vez, depois de pensar e repensar alguns dias, pois tinha medo de levar um fora daqueles ao seu melhor estilo, mandei um cuidadoso e-mail reclamando de um post sobre índios. E para minha surprêsa, ele respondeu. E ainda para completar, educadamente. Era a deixa para um segundo e-mail, dessa vez, à cause de um post sobre anão. Depois disso, encarnei a plantonista dos excluídos, e virei freguêsa de caderninho. Depois de algum tempo, ele chegou a comentar no Catarro, um desses e-mails com essas minhas investidas.

Acabamos ficando amigos. Trocamos idéias em alguns e-mails, e ele me deu alguns toques que foram úteis posteriormente, quando em busca da minha expressão artística fui estudar as técnicas do bufão. Hoje, reavaliando as minhas atitudes, eu penso que ele teve muita elegância, paciência e educação com a anta aqui. Um perfeito gentleman.

O Ator Transparente

Eu passei a ver o Catarroverde com um outro olhar, um ôlho mais límpido, a partir do curso O ATOR TRANSPARENTE, no Nucleo de Pesquisa do Ator, da UNIRIO, realizado durante todo o ano passado. Antes disso, eu vinha de um trabalho de três anos com o Mestre Dácio Lima, O jôgo do clown no trabalho do ator, o qual foi interrompido com o seu trágico desaparecimento em janeiro do ano passado. Fiquei perdidona, ia jogar tudo fora, parei com as aulas de flauta, com tudo, até esse curso na UNIRIO.

Para chegar à transparência do ator -- a verdade do jôgo do ator, fizemos uso das técnicas do bufão e do clown. No bufão, trabalhamos as três máscaras bufas: o anão, o corcunda e o barrigudo, na busca do nosso inconsciente, o lado animal, cruel. E no estudo do clown trabalhamos a leveza da criança -- o resgate da nossa criança. E a parte teórica foi embasada por filosofos como Foucault, Adorno, entre outros, passando pelas teorias psicanalíticas de Jung, Lacan, Freud, e o teatro de Dario Fo, Jerzy Grotowski, Peter Brook, etc.

O bufão rejeitado ou condenado simboliza uma parada na nossa evolução ascendente,
diz o séríssimo filosofo Adorno. O bufão trabalha com a poética das sombras, brinca com as nossas ambiguidades -- eu sou delicada, e sou escrota. E, para quem reclamava dos pots do Catarro, me imaginem fazendo um personagem bufo -- uma anã com cotocos de braços, completamente feroz, primitiva, e das mais escatologicas, mandando ver todas. Foi um trabalho difícil em todos os níveis, a começar pelo complicado uso corporal, além de assumir o meu lado grotesco e mais o meu lado negro -- o prazer na crueldade. E, não tinha escôlha, ou assumia esse outro lado, ou desistia de tudo. Um trabalho difícil e dolorido, e a partir dele, mudei muitos dos meus valores, e esse post em homenagem ao Sergio Faria é uma prova disso.

1.5.03


DIA DO TRABALHO É UM DIA DE ARTE
"VC VV DQ"

1% para a Cultura




Dia 1 de maio - Largo do Machado - 17 horas - Entrada Franca

PALHASSEATA DE FLORES E ALEGRIA

TEATRO DE ANONIMOS/INTRÉPIDA TRUPE/ COOPERATIVA DE ABAYOMI/

20 PALHAÇOS

Dias 1, 2 e 3 de maio - Teatro Cacilda Becker - Das 19h às 22 h R$ 1,00

Teatro/Musica/Poesia/Dança

O 1º de maio, dia do trabalho, ganhou este ano uma comemoração especial dos artistas do Rio. De forma lúdica e criativa, atores, poetas, músicos, bailarinos e artistas circenses estarão se apresentando na maratona cultural "VC VV DQ" nos dias 1, 2 e 3 de maio, das 19 às 22 horas, no Teatro Cacilda Becker.

"VC VV DQ" provoca às questões tão comuns nesses tempos de incerteza e que são cotidianas na vida de todo trabalhador brasileiro: você vive de quê? . Com a maratona, a classe artística carioca dá a partida na campanha pela regulamentação, em forma de lei, do valor de 1% do orçamento público municipal, estadual e federal para a cultura.


Esquetes de espetáculos de circo dos grupos Intrépida Trupe e Teatro de Anônimo estarão abrindo o evento na praça do Largo do Machado, às 17 horas, dando início à maratona cultural, que reunirá cerca de 10 a 15 atrações em cada uma das três noites. Em cada noite, o público terá a oportunidade de assistir teatro, poesia, performance, leitura de textos, solos de dança, musica e circo. Grupos, companhias e artistas independentes farão parte dessa maratona e o ingresso será R$ 1,00.

"VC VV DQ?" é a primeira ação artística do Fórum das Artes-Rio que desde sua organização, em 13 de janeiro de 2003, vem discutindo questões referentes às políticas públicas para a cultura e as condições atuais de trabalho para os artistas. A maratona cultural "VC VV DQ" quer ter o seu melhor parceiro por perto: o público.

Com a campanha "1% no orçamento para a cultura" a classe artística
pretende oferecer ao público o que ele merece e tem por direito: o acesso à arte.

Programação - Programe-se

Dia 1 de Maio :
17 h : Largo do Machado. Entrada franca
Teatro de anônimo / Intrépida Trupe e Cooperativa Abayomi
19 h : Cacilda Becker. 19 às 22 h - R$ 1,00
Realização: Fórum das Artes Rio

1 - Elaine Tomazzi - música e vinhetas musicais
2 - Júlia / Joana Cseko - audiovisual. Intervenção Jogo de Dentro" - Veja, Vista, Experimente, Viva, Seja Atento
3 -Cia Teatral do Movimento, Grupo Alice 118 e Rio Maracatu. Cena direção de Ana Kfouri.
4 - Dupla de Dança Ikswalsinats - dança. Cena de Cem Águas coreógrafos intérpretes Frederico Paredes e Gustavo Ciríaco
5 - L.C. Cseko - "canções do alheamento 8" uma homenagem a Jimi Hendrix.
6- Grupo Moitará - Teatro de Máscara
7 - Lúcia Pardo - cena.
8 - Cenas de "Palhaços"com Augusto Madeira e Claudio Mendes e "Um pelo outro "com Vladimir Brichta e Ana Paula Bouzas. Direção André Paes Leme.
9 - Cabaret Pé Sujo - poesia e música
10 - Demétrio Nicolau - texto.
11 - Allan Castelo - cena.
12 - Viviane Mosé - poesia.
13 - Os Dezequilibrados - cena. "18 minutos de obsessão" .Com Cristina Flores . Direção Ivan Sugahara
14 - Felipe Rocha e Miss Guanabara - música.
15 - Teatro do Pequeno Gesto - Medeia - Direção Antonio Guedes com Cybele Jacome.
16 - Tropel - cena.
17 - Um manifesto - cena.

Dia 2 de maio :
Cacilda Becker. 19h às 22 h.


1 - Stúdio Stanilaviski - cena - direção Celina Sodré
2 - As Marias da Graça - circo.
3 - Cia. Teatro Autônomo - direção Jefferson Miranda com Malu Galli.
4 - Helena Vieira - dança.
5 - Bia Grabois - violão e voz
6 -Pedro Rocha - poesia.
7 - Verônica Diaz - poesia.
8 - Cláudia Muller - dança.
9 - Laso Cia de Dança .
10 - Pessoal do Elefante - teatro.
11 - Cláudia Petrina - dança.
12 - Josué Soares - mímica.
13 - Esther Weitzman - dança.
14 - Maria Resende e Rodrigo - poesia /Música

Dia 3 de maio :
Cacilda Becker. 19h às 22 h.


1 - Cia. Trágica - cena
2 - Jonas Sá - música.
3 - Domingos Guimaraens - performance.
4 - Duplex - música eletrônica.
5 -Andréa Maciel - dança.
6 -Chacal - poesia.
7 - Grande Jam - DJ Felipe Rocha e M.C. Gustavo Ciríaco
Andrea Jabor, Dani Lima, Andréa Maciel e convidados.
8 - UM Manifesto - cena final.

.

28.4.03

Atenção profissionais e estudantes da arte circense: clowns, bufões & Cia. esse blog é leitura obrigatoria -- sempre
Você diz que sabe muito,
Vagalume sabe mais
Vagalume acende o cu,
Coisa que você não faz

[Meigos versinhos populares da infância]


Toda força aos artistas de rua. Viva os malabaristas de cruzamentos. Na falta de grana, pede-se não regatear aplausos na janela do carro.

Eu ia dormir. Mando um fio dental e uma escova no capricho, afinal é domingo. Mas, entre a cama e o computador, escolho o desgraçado. E agora me bate uma puta fome. Assim num dá.

Páscoa é chocolate mesmo. Qual é o problema? Para quem acredita na ressurreição do Grande Fodão, Páscoa é dia de festa. Então dá-lhe chocolate. Aos incrédulos, dá-lhes chocolate igualmente. Porque hoje também é o dia da grande festa profana do chocolate. A exceções são os fundamentalistas religiosos e as pessoas que detestam chocolate. Quanto aos primeiros, é favor não encherem o saco e ocupar o lugar que lhes cabe nos duros bancos das igrejas para puxar o saco do Grande Fodão. Chocolate não é coisa que se desperdice com essa espécie – e, claro, sobrarão ovos pra gente comprar na última hora. Pequenos, mas sobrarão. Quanto aos que odeiam chocolate, esses estão nos cálculos da indústria de ovos de Páscoa e nem sequer nos ajudam na última hora. São criaturas desprezíveis, com problemas de lubrificação vaginal ou ereção. Desconfio que a Marilena Chauí e o Geraldo Alckmin sejam dois exemplares do tipo. A eles a nossa compaixão, irmãos. Oremos enquanto mastigamos.
Sergio Faria...

Senhores, vamos deixar de hipocrisia. A baranga advogada do fulaninho beira-mar declarou que recebe dinheiro do narcotráfico para defendê-lo. Causou escândalo na OAB, como se essa fonte de remuneração fosse novidade. A novidade está em declarar. Advogado que defende bandido, assassino, estuprador, seqüestrador recebe grana de bandido, assassino, estuprador e seqüestrador mesmo, ora porra. Do Vaticano é que não é Caralho.
Sergio Faria...
.
É estranho o nome do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Parece alguém tossindo ao chamar uma anãzinha na rua.
Sergio Faria...
.
O spam que mais irrita, pela burrice, é aquele que abre com "amigo internauta". Amigo internauta é a puta que pariu.
Sergio Faria...
.
. . AVISO AO PÚBICO

ESTE ESTABELECIMENTO
ESTARÁ FECHADO NESTE DOMINGO
POR MOTIVO DE TESÃO QUE NOS
FORÇOU A FICAR FODENDO
A NOITE INTEIRA.
A Gerência

AVISO AO PÚBICO

O recesso de hoje deve-se a uma monumental ressaca. Tão logo se estabilize a zonzeira, voltaremos à nossa programação normal. Em nome da Green Catarro's Enterprises, Inc. e suas subsidiárias, desculpe então

Mas que bosta esse comercial "Vem ser feliz em São Luís", não? Puta duma verba pública jogada no lixo. Imagens sinistras do feudo do Zé Sarna, tudo produzido nas coxas, desencontrado da trilha vagaba. E locução do Cid Moreira, pra fechar a tampa do caixão. Dá meda. Parece que tão cantando "tem sí-fi-lis em São Luís".
Sergio Faria...
.
Chegou um spam com lição de moral, após meu pedido de exclusão: "Há três coisas que nunca voltam atrás. A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida!"

Tá, enfia o produto no cu do mesmo jeito.

Sergio Faria...
.
Querida, vamos chupar ferida?
Ferida não me seduz,
Prefiro um copo de pus.
Pus me causa pigarro,
Que tal um chá com catarro?
Meleca só no jantar,
Abra a boca que eu vou vomitar.
Hum, como seu vômito estava quentinho!
O que faltou?
Cocô no espetinho!
Tome um pouco desse biodegradável
Nada como uma comidinha saudável...

Coisas das crianças brasileiras no interior de SP.
Sergio Faria...
.
Gripe? Coriza? Tens que olhar para o teclado ao digitar? Faz como eu. Mete um OB pequeno em cada narina e respira pela boca.
Sergio Faria...

Sete astronautinhas foram passear
Além das nuvens para pesquisar
Todos festejaram quá quá quá quá
Mas os astronautinhas não voltaram de lá
Sergio Faria...

Aviso aos neonavegantes. Aqui não se engana o freguês. Não escrevo ficção. Os relatos do Catarro são reais.
Sergio Faria...


UPDATE: Esses posts são simples mostragens do Catarroverde. Estou devendo um post sobre a importância desse blog na minha formação e estudo da difícil arte do bufão-clown. Sergio Faria, um Mestre.

24.4.03

TVE homenageia Mauro Rasi

A TVE ( Rio) prestou uma homenagem ao jornalista e dramaturgo Mauro Rasi no dia de sua morte, reprisou o depoimento que ele deu ao programa A Verdade, no dia 19 de janeiro deste ano -- sua última grande entrevista em um programa de televisão.

Esse depoimento vai ser reprisado novamente na TVE (Rio), no próximo domingo dia 27, às 22,30hs.

A entrevista mostra toda a carga de humor que sempre caracterizou o dramaturgo, um dos precursores do teatro besteirol brasileiro e autor de sucessos como Estrela do Lar, Cerimônia do Adeus, Pérola, Batalha de arroz num ringue para dois, entre outras.

Segundo a assessoria de imprensa da rede de televisão, nada foge às observações sempre afiadas de Mauro, nem mesmo o apresentador Fernando Pamplona, a quem ele declara: "sempre tive medo de vir a esse programa, tinha medo da sua voz, essa coisa meio do além. Me sinto assim como num processo de Kafka versão Atlântida, com essa obrigação de ficar respondendo às perguntas. Muitas vezes a gente não tem a resposta" .

Entre as perguntas que o atemorizaram, Mauro elegeu a que tratava de sua inquietação sobre as dificuldades do teatro brasileiro: " essa é uma das tais perguntas que eu não sei responder. Se me perguntar sobre as minhas tias, meus cachorros, do meu abacateiro, sobre Bauru, daí eu sei responder", disse.

Deu no "Estadão" de 24/04/03
Se a minha empregada falasse... foi o lançamento do autor no Rio de Janeiro
O Mauro chegava ao Rio com uma carreira bem sucedida em São Paulo, com sucesso de crítica e de público. A Massagem que ganhou o Prêmio Anchieta, quando Mauro tinha apenas 21 anos. Essa peça foi montada logo depois pela atriz e produtora Ruth Escobar. Ladies da Madrugada com direção de Amir Hadad foi produzida pelo cantor Ney Matogrosso e interpretada pelo Patrício Bisso, entre outros, e se constituiu também num grande sucesso de público e de crítica.

E a sua estréia aqui no Rio, com Se a minha enpregada falasse..., teve uma recepção morna, os críticos receberam com certa reserva, o autor, um dos precursores do teatro besteirol, que chegava aqui premiado e prestigiado em São Paulo. Da minha parte, responsável pelo seu lançamento aqui no Rio, eu fiz de tudo e mais um pouco no meu trabalho. Claro, estávamos amigos de infância, e além de tudo, Mauro era um sedutor, e eu estava completamente seduzida pelo amigo maravilhoso que ele sabia ser, e pelo autor talentoso e competente.
Eu sempre acreditei no talento dele, e à época eu fiquei chocada com as críticas e achei que foram injustos com ele. E nunca esquecí o que ele falou pra mim na ocasião, e repetia sempre que eu me chateava com as críticas ao espetáculo:

Eu vou fazer o maior sucesso, serei um dos maiores... um dos maiores, não. Serei o maior autor, terei as maiores atrizes e atores desse País trabalhando nas minhas peças. Ah, um dia eu vou dirigir as minhas peças. Eu vou ser carregado no colo pelo público. E não vai ser o sucesso de uma peça só, serão vários sucessos, vou ganhar o Molière, o Governador do Estado, Estácio, todos os prêmios e troféus. Relaxa, fica fria, e me aguarde, Ruth Mezeck! Depois disso, ríamos muito, e até nos divertíamos com o tom das críticas e comentários sobre a peça. E, embora acreditasse no seu potencial, descontava o que eu achava que seriam os exagêros e delírios do Mauro.

Pois não é que o danadinho do Mauro trouxe para a real todos os seus sonhos e delírios. Ganhou todos os mais importantes prêmios de teatro do País (Molière, Mambembe, Anchieta, APETESP), trabalhou com Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Nathalia Timberg, Cleide Iaconis, Paulo Goulart, Sergio Brito, Sergio Mamberti, Vera Holtz, entre outros importantes atores. Quanto a ser carregado pelo público, parece-me que lá em Baurú quando ele voltou lá autor consagrado para apresentar Pérola, esse lance aconteceu na real. Se não foi lá, foi em outro lugar.
Da minha convivência com ele, ficou o grande aprendizado para a minha vida toda: é possível trazer o nosso sonho para a real, quando amamos e acreditamos naquilo que fazemos, e vamos á luta!

23.4.03

A peça do Mauro Rasi que não foi mencionada por ninguém: SE A MINHA EMPREGADA FALASSE...
Se a minha empregada falasse, comédia em um ato interpretada pela atriz Thais Moniz Portinho, também figurinista e produtora do espetáculo, com a direção do Nelson Xavier, aquela época, recém chegado de uma temporada de estudos teatrais em Londres.
Cenários da Denise Weller.
A trilha sonora do Mauro Rasi e a execução da trilha Kaka Dyonisos ( brother Kaka do Asdrubal Trouxe o Trouxe o Trombone),
Fotos da peça e do cartaz: Ricardo Zoom ( brother Ricardo fotógrafo do Asdrubal Trouxe o Trombone). O Ricardo Zoom era o pseudônimo do atual diretor de nucleo da novelas da TV Globo, o RIcardo Wadington.
Iluminação - criação: Nelson Xavier
Produção executiva: Luiz Joseli
Divulgação e Promoção do espetáculo: Ruth Mezeck

Elenco: Thais Portinho (Ema), Ary Coslov, Nelson Xavier, Luiz Carlos Buruca, Jacqueline Laurence (vozes em gravação) e Sonia Claudia (Delizeth, a empregada).

Estreiou dia 5 de maio de 1978 no TEATRO DO MUSEU DE ARTE MODERNA - Sala Corpo-Som. ( O Teatro do MAM era administrado pelo Sidney Miller ).
A homenagem do adeus para Mauro Rasi

Conhecí o Mauro Rasi no final dos anos setenta através da atriz Patricia Travassos, integrante do elenco de Trate-me Leão, o terceiro espetáculo do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone. Estávamos numa festa em casa de amigos, e a Patricia que estava sem carro naquele dia, me convidou para irmos até o Cosme Velho para buscar um amigo dela, um paulista que estava morando no Rio. Era o Mauro Rasi.

Voltamos os três para a festa. Eu e o Mauro, calibradíssimos, com tudo o que tinhamos direito, muito alegrinhos e satisfeitos, fomos dos ultimos a sair dessa festa. E na saída, ao invés de nos dirigirmos para o meu carro, passamos por ele, e nem olhamos, como coisa que não tivesse nada a ver conosco, e continuamos andando, sem que nenhum de nós dois pronunciasse qualquer palavra. Nem precisava. Estávamos sintonizados na mesma onda, vibrávamos no mesmo diapasão, e a palavra era desnecessária, naquele momento.

E assim, silenciosos, ficamos andando de madrugada pelas ruas desertas de Ipanema pelo simples prazer de andar, sentindo o cheiro, os ruidos, os sons da madrugada, e curtindo a companhia um do outro, como se fossemos amigos de infância. Às vezes, ele acelerava e ia na frente, outras vezes, eu me adiantava, mas estávamos sempre juntos, e esse lance era um simples jôgo que estabelecemos para sacar a nossa ligação em determinados momentos.

Teve um gesto inesquecível do Mauro quando estávamos passando em frente a um muro com grossas grades de ferro, e daí ele levantou um braço e foi passando a mão espalmada por cada uma daquelas grades, produzindo um efeito sonoro. E assim como duas crianças -- livres, leves e soltas, continuamos o nosso passeio na madrugada, e quando nos demos conta já estavamos em pleno Canal, quasi chegando no Leblon. Dalí, voltamos no mesmo clima até a rua onde o meu fusquinha nos aguardava.

Esse nosso encontro originou uma bela amizade, nem longa e nem duradoura, mas muito intensa enquanto durou. E tanto, que algum tempo depois eu fui responsável pela divulgação e a promoção (promoter na linguagem atual ) da primeira peça do Mauro apresentada aqui no Rio -- um monólogo. A vida nos afastou, e há muito tempo que eu não via o Mauro, mas acompanhava a sua vida pelas notícias dos jornais. No meio teatral, acontece muito disso, a gente convive uma determinada época, em determinado trabalho e depois a gente se separa. A gente volta a se encontrar em outro trabalho, ou não.

Hoje, eu estou postando esse texto aqui com uma imensa tristeza e uma dolorida saudade do Mauro, tendo na minha memoria emotiva a imagem muito vívida daquele menino lindo e esperto do passeio naquela madrugada. Esse post, além de uma homenagem, é para dizer da importância da nossa convivência e da minha gratidão pelo quanto eu aprendí com ele.

20.4.03

Dicas de espetáculos que eu vi

Um espetáculo imperdível:Novas diretrizes em tempos de paz, de Bosco Brasil, no Teatro do Leblon, é o encontro entre um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. O que acontece a seguir é um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade.Toni Ramos e Dan Stulbach dão uma aula de teatro.

Cabaré, Café, Sarau Etc e Tal no Café do Teatro Glaucio Gil com a atriz Maria Pompeu e a cada semana um cantor músicos convidados. Um grande momento da carreira dessa atriz que sem o menor pudor faz uma restropectiva bem humorada da sua trajetoria artística contando e interpretando fatos e causos desconhecidos até dos seus amigos mais íntimos. O roteiro vai desde a sua infância, passando pela fase inicial no Teatro Duse aos 15 anos, teatro de revista, Certinha do Lalau, cinema, etc. até à contadora de histórias. E de quebra, o público escolhe os contos selecionados no programa -- de Drumond a Stanislaw Ponte Preta. O público adora o espetáculo e aplaude em cena aberta. Um trabalho digno e corajoso, merece uma ida ao Glaucio Gil para ver quantos cabarés, saraus, teatro, etc e tal são necessários para a sobrevivência de uma atriz brasileira em mais de quarenta anos de carreira.

Comemoração Dia do Índio, com tribo umutina e 50 anos do Museu

O Dia do Índio, comemorado hoje, gerou uma série de atividades no Museu do Índio, hoje, amanhã, segunda e quarta feira, quando dará à criançada -- e adultos interessados, a chance de conhecer, em pleno feriadão, um pouco mais sobre a vida dos integrantes da tribo umutina, que vive em Barra do Bugres, no Mato Grosso.
O museu não só comemora o Dia do Índio, mas também seus 50 anos de existência. A festa começou hoje, às 13h, com a abertura da mostra Umutina que reúne fotos, filmes, peças e documentos sobre a tribo. Pouco depois, às 15h, as crianças participaram de uma oficina de confecção de cerâmica ministrada pelo índio Antonio Uapodunepá e ouviram histórias sobre os umutina.
MUSEU DO ÍNDIO - Exposição, oficina de cerâmica e contação de histórias sobre a tribo Umutina. Rua das Palmeiras 55, Botafogo — 2286-8899. Sábado, domingo, segunda e quarta, a partir das 15h. Entrada franca.

19.4.03




DANÇANDO AS MAIS SAGRADAS

Levei hoje para a aula de danças sagradas, a minha maraca e o cocar. Estamos tendo aula com a professora substituta, a Valéria, enquanto a titular está viajando. Ela tinha pedido na aula passada que levassemos algum instrumento indígena.
Levei a maraca e mais o meu cocar. E não foi um privilégio meu, apareceram mais umas quatro maracas que foram para o centro da roda, antes de iniciarmos as danças.
E a Valéria levou uma plantinha com as sementes de urucum, para pintarmos o rosto e algumas partes do corpo, como bem entendessemos. Foi a festa !
O urucum dá um ótimo batom, com uma cor linda. E, além disso, pode ser usado também como sombra, dando o maior realce para os olhos. E, òbviamente, eu peguei discretamente algumas sementinhas a mais e vou usar na maquiage, em dias especiais.

Com o som das nossas maracas, com as pinturas de urucum, dançamos como nunca. Hoje, foi a vez das danças dos guaranís.
É a tribo mais suave, ao contrário das outras tribos, que batem forte com o pé no chão, os guaranis deslisam os pés pelo chão.
Dançamos deles, uma dança chamada Tangara, com movimentos e gestos delicados, imitando um pássaro prestes a voar. Foi a que mais me tocou. Dançamos ainda outra dos tupinambás, e, encerramos com o Toré, dos kariri-Xocó.
posted by Ruth Mezeck 22:38
archived 24.9.01
UPDATE: Em homenagem ao DIA DO ÍNDIO, um post antigo de uma aula de danças sagradas na Faculdade e Escola Angel Vianna.

18.4.03



Se a moda pega...

Está em cartaz no Teatro Tivoli, em Lisboa PUPPETRY OF THE PENIS , um espetáculo hilariante e surpreendente e cujo único instrumento utilizado é o penis que se transforma em variados objetos, formas, situações e conceitos.
Poucos imaginam do que a dupla de atores australianos David Friendy Friend e Simon Morley é capaz de fazer com os seus orgãos genitais, ou melhor, com os seus penis amestrados.

É bizzarro mas é engraçado, diz lá no forum de teatro, o meu conterrâneo Celso Jr, ator e diretor teatral, atualmente morando em Salvador (BA) que descobriu o site do grupo "estava procurando umas coisas na internet e me deparei com o site do grupo"
http://www.puppetryofthepenis.com/

Se a moda pega e vem prá cá, esta escriba vai batalhar para ser juri na seleção de atores para o espetáculo.

O ator e diretor Maurício Brito comentou no forum de Teatro:

Realmente é muito engraçado! Vi vários recortes do espetáculo na TV a
cabo e é realmente hilariante o que esses caras podem fazer com os pênis
deles! Eu diria que são contorcionistas de pênis! Mas acho que o mais engraçado que vi no programa foi eles fazendo seleção de atores para o espetáculo! Foi muito engraçado!

A atriz Andrea Carvalho, comentou também no forum :

Não tem mais o que inventar, se essa moda pega, o que vai ser das discussões neste forum? Algo como: tenho drt, fiz angel viana, escola de circo,CAL, aulas de voz e contorcionismo de penis... CRUZES!!!!!!! Me poupe!!!
Bjos Andrea

6.4.03


Se vocês só tivessem um dia a mais para viver, fariam o quê?

Eu acordaria bem cedo pegaria o primeiro avião para Porto Alegre, e iria me despedir da minha Mãe, de toda a minha família e os meus amigos gaúchos, e estaria pegando o avião de volta ao meio dia. Ainda de Porto Alegre, telefonaria ao homem que eu amo fazendo todas as declarações inimagináveis, e marcando o nosso encontro derradeiro. Periga ele não acreditar, e é bem provável que não acredite, pensando que é mais uma armação. Ficaria muito triste, mas conformada, imaginado que ele iria ficar louco da vida, só em pensar que eu o surprendera pela última vez com o maior apronto de todos, do qual, ele não teria a menor chance de revide.

Chegando á tarde no Rio, do aeroporto eu iria direto para o Largo da Carioca. E enfim, teria a ousadia e a coragem suficiente para realizar o meu maior sonho de consumo artístico-cultural-existencial:
uma performance clownesca no Largo da Carioca, disputando público com o Ligeirinho que vende catuaba e dá saltos mortais, com o atleta atirador de facas, com o mágico que transforma uma folha de jornal em nota de cincoenta reais, com o tocador de sanfona, e com toda aquela galera de artistas populares. Sem figurino e maquiage especiais, usando a mesma roupa que eu saíra de casa. Com um detalhe: pés descalços (meu estilo performático) e a ponta do meu nariz pintada com batom vermelho. Como acessório, o meu chapéu coco de feltro preto com uma rosa vermelha plantada no cocoruto, para ser usado na performance, e depois passar ao público no final. Bom demais.

Do Largo da Carioca, faria um passeio clownesco até o calçadão da Rua Uruguaiana com a Sete de Setembro, em frente ao MacDonald's, e com a ajuda dos meninos de rua (daria a eles o que eu arrecadasse passando o chapéu). E desta vez, uma performance só com o uso corporal, sem texto, uma palhaça que se contorce tanto que não consegue voltar ao normal, e vira uma estátua toda retorcida. A estátua vai movimentar sòmente a parte que for tocada -- um leve toque em alguma parte do seu corpo, até ir voltando ao normal. As crianças adoram. Os grandinhos sacaneiam. Ia ser o máximo se encontrasse alguns colegas do curso de bufão na UNIRIO que baixam ali, ou os que fizeram as oficinas e o estagio com o Mestre Dacio Lima (saudosa memória).
Acabada a performance na Uruguaiana, faria outro passeio clownesco até a Av. Rio Branco, torcendo para não encontrar pelo caminho aqueles perigosos confrontos entre guardas e camelôs.

Apanharia um taxi na Rio Branco, seguindo direto para o jornal "O Globo", onde subiria até o quarto andar. Adentraria a redação na performance clownesca intitulada " Em busca da autora perdida ". Em cada cabine, em cada colega de redação a pergunta seria mais ou menos essa: Onde eu encontro a autora de "Um, dois três... já!" e "Sapomorfose" que ganhou o Prêmio Mambembe de Teatro Infantil?. Repetições da pergunta, e muitos improvisos pertinentes e impertinentes até encontrar alguém que soubesse a resposta, e me encaminhasse ao Caderno de Informática e à sua editora, e à autora procurada: Cora Rónai! E se ninguém soubesse a resposta, eu teria uma ótima deixa para uma exarcebada improvisação. O ideal seria a performance em cima dos textos, mas como eu não teria tempo pra estudar, inventaria essa, e assim iria me despedir e conhecer pessoalmente, a minha querida amiga blogueira, e posaria ao seu lado, para o InternETC. Sorry, gALLera!

Da redação de O Globo, eu seguiria direto para uma performance na Cinelandia, começando nas escadarias da Câmara com um personagem dramatico, um texto de Zaratustra que eu interpretei na Divina Comedia de Dante, no MAM -- espetaculo dirigido pela diretora e coreografa Regina Miranda). Dali o público seria conduzido, ainda dentro da performance, até as escadarias do Teatro Municipal, dando continuação com outros textos, ou o que pintasse de acôrdo com a reação do público. A performance final seria botar o povo todo para cantar e dançar numa grande roda de ciranda, e outras danças populares na praça da Cinelândia, em frente ao Amarelinho. Nessas adjacências, seguramente deveria encontrar alguns dos meus colegas e amigos que viriam participar da roda. E assim acabaria as minhas ultimas vinte e quatro horas, numa grande celebração à vida, à arte e a cultura popular brasileira.

5.4.03

O escritor gaúcho, precursor mundial do teatro do absurdo

QORPO-SANTO, como se auto-denominou José Joaquim de Campos Leão (1829/1883), o genial autor gaúcho que viveu em Alegrete, onde foi vereador e delegado de polícia, e depois em Porto Alegre, no século dezenove, o verdadeiro criador do teatro do absurdo, o precursor do gênero nonsense, cem anos antes do movimento vanguardista europeu disseminado pelo mundo através dos europeus Alfred Jarry, Ionesco, Beckett , considerados até então, os precursores desse movimento.
Na conservadora sociedade gaúcha no início do século dezenove, não é difícil imaginar a estranheza e o escandalo que foi o surgimento desse audacioso autor, detonando todas numa sem cerimonia impressionante, e uma modernidade assustadora para a época. Para citar apenas uma das minhas preferidas, A separação de dois esposos, comédia em três artos, abordando a separação de um casal através de um pacto de morte, morrem abraçados, ambos recitando o mesmo texto:
-- Já que a Terra nos foi ingrata, procuraremos a felicidade no Céu!
E os nomes dos personagens são hilariantes, Esculápio o marido, Farmácia, a esposa, e o namorado da esposa, o Fidélis; as filhas do casal Plinia, Lidia e Idalina; mais dois personagens o Invidividuo e Certo Individuo. E a suprema audácia coloca dois criados da casa, o
Tatu e o Tamanduá, como dois homens casados, fato revelado ao final da peça, em um dialogo louquíssimo desses dois personagens. Com o divorcio e a separação de Tatu e Tamanduá acaba a comédia "A separação dos dois esposos".

José Joaquim de Campos Leão Qorpo Santo, (*Triunfo, 1829 +Porto Alegre 1883) agitou todas. Ativíssimo, foi vereador, delegado de polícia, comerciante, professor e dono de colégio, escritor e dono do periodico A Justiça, onde expôs todas as suas mágoas e feridas. Ninguém mexe com o poder impunemente, e aos trinta e cinco anos no apogeu de sua carreira, foi considerado louco, internado e interditado judicialmente. Recorre e consegue ser mandado para aqui, no Rio de Janeiro, para um novo exame de sanidade na Casa de Saúde Dr. Eiras. Ganha mais essa parada, sendo declarado apto para gozar do seu livre arbitrio.
Com o salvo conduto, retorna a Porto Alegre, à sua familia e a retomadas dos seus bens.
Um mês depois, um juiz de PortoAlegre cismou de pedir um novo exame e dessa vez é reprovado, declarado inapto para gerir sua pessoa e seus bens, tendo de obedecer a imposições do curador, privado do convívio familiar, Qorpo Santo dedica toda a sua energia às atividades literárias. Aos cincoenta teve a sua doença agravada -- tuberculose pulmonar, e morre aos cincoenta anos.

Nem depois de morto, Qorpo-Santo foi poupado. Falavam dele como um mito, um doido que havia escrito poesias de doido. A verdade é que ninguém se ocupou, a sério, de suas peças. Com o Movimento Modernista ele voltou á tona, servindo aos contrários à Semana de Arte Moderna, e nada melhor para esses trevosos, do que transcrever alguns maus versos de QorpoSanto para compará-los aos de Oswald e Mário de Andrade, também considerados malucos como ele.
Depois disso, sumiram das bibliotecas e arquivos do Estado do Rio Grande do Sul e do País, todos os textos da autoria de Qorpo Santo. Essa foi a constatação do Professor Guilhermino Cesar quando escreveu A historia da literatura do Rio Grande do Sul em 1956. Alguns anos depois, o Professor Guilhermino encontrou o pesquisador e professor Anibal Damasceno que vai clarear a busca, fornecendo novas e importantes pistas de Qorpo Santo, até chegar à publicação e divulgação das obras completas do teatro de Qorpo-Santo.

A primeira montagem de Qorpo Santo, no mundo, foi realizada por alunos formados Instituto de Arte Dramática da UFRGS, três peças Matheus e Matheusa, Hoje sou um: e amanhã outro e Relações Naturais , dirigidas por Antonio Carlos Sena. Esse espetáculo veio ao Rio, em 1968 para participar do V Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado pelo Paschoal Carlos Magno. Uma atriz gaúcha morando no Rio, agitou uma apresentação extra festival para convidados especiais. Num pequeno teatro, á meia noite, em precaríssimas condições técnicas, o espetáculo foi um sucesso. Televisões, radios, jornais deram a maior cobertura a um dos mais importante acontecimentos artísticos da década.
Vale a pena citar aqui alguns trechos do comentário de Yan Michalski, (saudosa memória) do Jornal do Brasil:
A julgar pela mostra apresentada, a descoberta de Qorpo Santo é um acontecimento de notável importância, que, não só torna parcialmente obsoletos todos os livros de hitoria da dramaturgia brasileira, que não mencionam a sua obra, como também transcende as fronteiras do Brasil e merece ser estudado dentro de um contexto internacional: o autor gaúcho é, muito provàvelmente, o primeiro precursor mundial do teatro do absurdo, uma vez que algumas décadas antes de Alfrfed Jarry ele colocava em prática idéias de antiteatro baseado no mais violento nonsense, algumas das quais dignas de fazer inveja ao próprio Ionesco e aos seus seguidores.

A precocidade, o modernismo, a ousadia de Qorpo Santo são verdadeiramente fenomenais, se considerarmos a época em que ele escrevia as suas peças e o ambiente em que vivia. Seria errado, considerá-loi apenas sob esse ponto de vista. O mais importante é a quaçidade intrínseca de suas peças, o seu espantoso instinto cênico, a sua fantástica imaginação, e a lucidez com a qual, dentro do mais delirante clima de aparente loucura, ele desfecha impedosos golpes contra alguns dos aspectos mais rançosos do seu meio ambiente. Digno de nota é também a eficiência do seu humor. Qorpo Santo mantém a platéia num quase permanente estado de hilaridade, que não exclui, bem entendido, uma reflexão crítica, nem impede que de vez em quando um misteriosos vento de trágica ameaça sopre na platéia, e nos faça pensar em Beckett e Pinter
.
Dialogo da dentadura debaixo com a dentadura de cima
Da lavra e autoria do ABSURDO MATUSALÉM MATUSCA.

Cheguei na idade em que nunca se sabe se estamos dormindo e tendo sonhos malucos ou acordados pensando maluquices, o que dá no mesmo.
Devia estar dormindo, de outra maneira elas não poderiam ficar com esse papo todo no copo.

Dentadura de cima: - Faz um tempão que não como carne.

Dentadura de baixo: - Nem eu!

De cima: - A gente podia parar de brigar, não?

De baixo: - É, vamos sair juntas outra vez?

De cima: - Vamos sim, dá um beijinho.

De baixo: - Na boca?


UPDATE: Qualquer semelhança com diálogos de alguma comédia de Qorpo Santo, não é mera coincidência. Estou sèriamente desconfiada que o nosso vizinho blogueiro, o Matusalém Matusca é o "cavalo" daquele gaúcho louco e genial que viveu no século dezenove, considerado o verdadeiro pai do teatro do absurdo.
Desconhecido no Brasil até o início do século vinte, quando surgiu o movimento de teatro da absurdo na Europa através de Alfred Jarry, Eugène Ionesco e Samuel Beckett, as peças de Qorpo Santo foram lidas na Semana de Arte Moderna em 1922, dando subsídios aos detratores da Semana. Depois disso, foi completamente esquecido até a década de sessenta, quando foi redescoberto pelo Professor Guilhermino César da UFRGS e pelo pesquisador Anibal Damasceno.

27.3.03

Hoje, Dia Internacional do Teatro -- Dia T -- Manifesto pela Paz nos Arcos da Lapa, a partir das dezesete horas

Oração para o DIA T

... que a nossa presença pacífica, de branco, dedicando o Dia
Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, o nosso DIA T, à causa
da paz mundial, ecoe mais forte e mais distante do que todas as bombas e
canhões;

... que a nossa simples presença seja uma grande festa pela Paz, que a
nossa leitura conjunta da a letra da música A cidade dos artistas de
Henriquez, Bardotti e Chico Buarque Cidade dos Artistas, nossos cantos,
danças e preces, nossa singela cerimônia, leve aos quatro cantos do mundo
a nossa mensagem!!!

... que a partir das 17:00h estejamos chegando e ocupando o espaço dos
Arcos da Lapa com as nossas atividades artísticas, distribuindo-nos
pelos diversos pontos do espaço com números, cenas e performances, para
convergirmos às 19:00h ao grande encontro em que faremos a(s) nossa(s)
leitura(s), cantaremos nossos cânticos e nossas orações pela paz,
marcando com a simplicidade das nossas intenções a comemoração do nosso
dia!!!

... que nessa hora, das 19:00h, acendamos velas e tochas para
iluminarmos o nosso ato e as nossas intenções!!!

... que convidemos todos os nossos amigos, vizinhos, familiares e
companheiros de trabalho a virem conosco de branco participar do
Manifesto de Paz no Dia T!!!

... que ao voltarmos possamos levar conosco, para nossas casas, do nosso
encontro, alguma esperança em nossos corações, de arte, de paz e de
futuro!!!

Nós artistas cênicos, do Rio de Janeiro, juntamente com nossos movimentos
e entidades, Fórum Virtual de Teatro Brasileiro, Fórum da Artes-Rio,
SATEDRJ, FETAERJ, SBAT, convidamos toda a população a participar do
Manifesto de Paz no DIA T, nos Arcos da Lapa, nesta quinta feira, dia 27
de março de 2003, a partir das 17:00h; iremos de branco para não passarmos
este dia em branco, com velas para serem acesas às 19:00h.

Assim falou em oração o diretor e ator Mariozinho Telles.

(Mais um furto lá do Forum de Teatro)

.
Novas diretrizes em tempos de Paz

Estou em estado de graça, de afetos e perceptos, de bençãos dos deuses do teatro, fui assistir hoje (quarta-feira) a premiada peça do Bosco Brasil com o Toni Ramos e o Dan Stulbach Novas diretrizes..., no luxuoso auditorio da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro -- em uma apresentação especial, abrindo as atividades culturais dessa instituição. Ao final do espétáculo, um raro presente: debate com o autor, os atores e a diretora do espetáculo.

Novas diretrizes em tempos de Paz é o encontro de um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. O que acontece a seguir é um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade. Fiquei chapada com o espetáculo, e há muito não me comovia tanto. A abordagem comovente do teatro como resgate da emoção e do afeto, do teatro que nos faz lembrar que somos seres humanos. A peça é uma celebração à vida, à arte e ao teatro.

Meu avô paterno era imigrante polonês chegado aqui na Segunda Guerra, e pela primeira vez na minha vida, fiquei imaginando o que ele deveria ter passado para conseguir o seu visto de permanência. E eu via o meu avô (eu aprendí a falar polonês com o meu avô, desde as minhas primeiras palavras) até no sotaque encarnado no personagem do Clausevitz, o imigrante polonês interpretado brilhantemente pelo ator Dan Strulbach. As inseguranças, o medo do personagem poderiam ter sido as mesmas do meu avô ao enfrentar situação semelhante a do personagem.

Voltarei ao assunto da peça para falar da minha reconciliação com o "teatrão", a partir desse espetáculo.

Um agradecimento muito especial à minha querida amiga blogueira, Cora Rónai, a primeira pessoa que me deu o toque sobre esse espetáculo, quando comentou lá no InternETC a respeito.

25.3.03

Sobre "O Atorzinho" - depoimento do jovem ator Rafael Rodriguez

É pura verdade o que o Igo escreveu. Fui no ano passado procurar um curso legal no Rio e só encontrei cursinhos água com açúcar (não eram ruins, o problema é que a maioria dos alunos estavam ali para aparecer e falar que é melhor que o outro, o pior era e é ver criança assim). Estava muito triste e frustrado com isso tudo... fiz interpretação para vídeo, etc... Até que na semana passada encontrei um curso muito bacana de formação profissional e o melhor sem ser caro.
* Este depoimento do Rafael estava aqui no comentários do Teatro ETC & Tal, ele fala por si, corroborando o texto do Igo Ribeiro. Rafael Rodriguez é ator e blogueiro. É o criador do ótimo blog a escada onde ele posta os melhores textos sobre teatro. Aquela aula de teatro do ator Rubens Correa postada aqui eu peguei lá no blog do Rafael.
* Esse post da Rosinha-Sadam foi um presente do David. Foi criado especialmente para o meu blog. Estreiou aqui. Se alguém quiser levar, sinta-se á vontade.
David Lima é ator (formado pela CAL) blogueiro, webdesigner, poeta dos bons e escritor. Escreve muito bem, tem textos teatrais, ainda inéditos. É o jovem (apenas 21 anos) mais velho que eu conheço. Impressionantemente maduro para a sua idade, inteligente, bem informado. É o meu mais recente amigo de infância. Gosto muito de trocar idéias com ele. Estamos sempre conversando pelo ICQ, trocando idéias sobre a guerra, teatro, artes e artistas e amigos em comum.



23.3.03





Exceções à regra
Não estou postando mais notícias de cursos e oficinas porque estou mudando a cara deste blog. E mesmo porque depois que abriu o site Tramedia, do meu amigo Edu Castanho, ator e webmaster, não teve pra mais ninguém. Arrasou geral. É o mais completo noticiário de teatro.

Estou publicando a Oficina do Bufão porque é ministrada pela minha Mestra, a Juliana Jardim. Comecei o trabalho de bufão com ela no Nucleo do Ator, na UNIRIO, de maio a novembrodo ano passado. A partir de dezembro, fevereiro até hoje estamos na Fundição Progresso, preparando o trabalho que iremos apresentar em julho.

E a publicação da nota da oficina do Teatro Pequeno Gesto é uma homenagem ao diretor Antonio Guedes e à Fátima Saadi, criadores e fundadores do grupo. Acompanho o trabalho do Teatro do Pequeno Gesto desde a sua fundação. É um dos grupos mais atuantes, sérios e competentes, com um trabalho coerente e consistente. Aquela montagem de A Serpente de Nelson Rodrigues, foi antologica. Ví várias vezes, e merecia ganhar todos os prêmios teatrais do ano. E o Henrique IV de Pirandello, ví duas vezes.

E quanto à oficina da montagem de Medéa do diretor Vivaldo Franco , também não poderia deixar de postar aqui pelo trabalho sério e competente do seu diretor. Admiro a sua luta e persistência. Publiquei aqui no blog no ano passado, uma oficina ministrada por ele sobre mitologia grega, na íntegra, fiquei com pena de cortar detalhes, tal a qualidade da apresentação dos tópicos do curso. Ali já começava a aula.
Além disso, tem outro motivo especial, a minha amiga Sonia, , jovem e talentosa atriz, leitora assídua deste blog, eu quero que ela leia esta notícia quando veir aqui e vá correndo fazer a inscrição e o teste. Corre la Soninha.
Oficina de montagem para atores e jovens diretores

Com o objetivo de iniciar a pesquisa para o próximo espetáculo do Teatro do Pequeno Gesto, do Rio de Janeiro, o diretor ANTONIO GUEDES, fundador e diretor do grupo, realizará uma oficina de longa duração envolvendo atores e jovens diretores na discussão sobre cenas da peça Peer Gynt, de Henrik Ibsen.

A idéia é criar um espaço no qual experimentaremos várias possibilidades de leitura deste texto, por meio da construção física de pequenas cenas nas quais atores e diretores colocarão em prática suas idéias sobre as possibilidades de construção de Peer Gynt.

A oficina irá de abril a setembro. O resultado do trabalho será apresentado ao público em outubro, no Sesc-Tijuca, integrando o projeto Palco de Experimentação. A carga horária total será de 150 horas, com dois encontros semanais nos quatro primeiros meses, e três encontros por semana a partir de agosto.

A oficina custará R$ 100,00 por mês ou R$ 500,00 se for paga de uma só vez.
As aulas serão às terças e quintas de 10 às 13 horas, no Espaço Pequeno Gesto à Rua Aristides Lobo (em cima da Malharia Zarcos) - Rio Comprido - Rio de Janeiro.
Inicio do curso: dia 1 de Abril. Nao e primeiro de abril.
As inscrições estão abertas. Informações com Márcia - Tel.: 9784-8384
teatro@pequenogesto.com.br
marciaalves@pequenogesto.com.br

Medéa - Oficina de Montagem Teatral

A Companhia de Teatro Corpus in Scena Produções do Rio de Janeiro está abrindo inscrições para uma oficina de montagem teatral com o objetivo de preparar atores e atrizes para a pesquisa e estudo da Tragédia Medéia, de Eurípedes, com estréia prevista para agosto/2003.
As aulas serão as quintas e sextas-feiras no horário das 19:00 as 22:00 horas e sábados das 14:30 as 18:30 hs durante os meses de abril e maio e segundas, terças e quintas das 18:00 as 21:00 durante os meses de junho e julho. Os interessados deverão ter disponibilidade para viajar a partir de outubro/2003. Durante a oficina os atores terão aulas de:
- corpo: preparação corporal específica para a montagem;
- voz: treinamento vocal voltado para as necessidades dos personagens;
- interpretação: construção de personagens a partir de textos selecionados.

Estão sendo oferecidas 12 vagas para a oficina, sendo: 06 atrizes e 06
atores. Daremos preferência para a ocupação das vagas por atrizes acima de
20 anos e atores acima de 25 anos, sem limite máximo de idade.


A coordenação da oficina e direção do espetáculo resultante do projeto será
do diretor VIVALDO FRANCO. Os interessados poderão ter maiores informações
através do telefone: (21) 2222 4029.

18.3.03

Oficina O jôgo do bufão

O jôgo do bufão -- prática para o ator é o título do workshop que será ministrado pela atriz e pesquisadora paulista, Mestre em Interpretação pela USP, JULIANA JARDIM, na Fundição Progresso - Espaço 1 , no Rio de Janeiro, de 20 a 23 de março, tendo como público-alvo atores e estudantes de teatro. Vagas limitadas.

Este workshop propõe a Iniciação ao jogo do Bufão. O worshop leva o participante a entrar em contato com o estado da máscara, a partir de suas caracterizações físicas básicas e da paródia pela via do grotesco.

Local: Fundição Progresso - Espaço1 - Rua dos Arcos s/n. - Lapa
de 20 a 23 de março
5a. e 6a. das 19:30 as 22:30 horas sáb. e dom. das 10 as 15 horas
Público alvo: atores e estudantes de teatro - 18 vagas - 15 horas.
Preço R$ 150,00 (cento e cincoenta reais).
Informações e inscrições com Fabiana celular 9795-9187

Juliana Jardim é atriz e pesquisadora paulista, Mestre em Interpretação pela USP com a pesquisa "O ator transparente". Co-autora do livro "Práticas do ator no Brasil" Editora Hucitec, 2003. Atriz de de "Madrugada", "Esperando Godot" , "Oração", "É o fim do mundo", "Péricles", entre outros.

16.3.03

O atorzinho
ou Como ser um atorzinho na vida

Primeiro: Matricule-se num cursinho da moda. Vale tudo: interpretação pra tv com diretor famoso, técnicas psicobiofísicas do teatro contemporâneo, acrobacia aérea no teatro elisabetano e qualquer coisa que entre Nelson Rodrigues. O importante é ser cult e ser caro, muito caro.

Segundo: Frequente o Baixo Gávea, o Posto 9, Santa Teresa (morar lá então é o must), qualquer show de forró ou chorinho (que tá na modinha) e a Lapa dia de semana. Estar nestes lugares em dias e horas extravagantes é a grande dica.

Terceiro: Chegue sempre atrasado em qualquer compromisso. Diga que estava num ensaio e complete com frases do tipo: - Ai, minha vida está uma loucura...não tenho tido tempo pra nada!

Quarto: Tenha amigos em todo lugar. Talento não abre portas. Seja sempre conhecido de fulano, ex-namorado de sicrana ou sicrano, primo de beltrano ou cunhado da filha do irmão do padrinho de qualquer pessoa. Se for filho de alguém então, você está feito!

Quinto: Aceite qualquer trabalho para tirar o registro. Vale tudo: não importa o número de peças infantís retardadas que você fez, junte tudo num envelope bem bacana, anexe umas declarações de uns cursos que você nunca fez, mas conhece o cara que deu, e garanta o seu passaporte para o sucesso!

Sexto: Faça muito "Projeto Escola" canalha. Junte um grupinho e monte uma pecinha sobre drogas ou ensinando criança a escovar os dentes ou cuidar da mamãe natureza. Ganhe muito dinheiro com isto e diga a todos que você, pelo menos, tá fazendo teatro!!!

Sétimo: Guarde suas opiniões sempre para você (se é que você tem alguma). Ator tem que ser bonitinho, carismático, mudo, surdo, cego e burro.

Oitavo: Não fique indignado quando aparecer outros na sua frente iguais a você, tirando o seu espaço. Isto se chama inveja e é muito feio!

Nono: Idolatre tudo que estiver na mídia. E ponto.

Décimo: Faça o esforço que for para ser visto em estréias concorridas e diga que recebeu o convite da produção. Vá com uma roupa bem chamativa, mas mantenha um ar de despojado... Antes da peça começar, fale com todos os conhecidos que encontrar para denotar popularidade. Quando sentar na cadeira, estale o pescoço e gire os ombros. Ator vive se alongando!

Pronto. Você já é um ator! Todos já lhe notaram. Está preparado para ser um astro! Se Almodovar ainda não lhe colocou num filme, é porque não lhe conhece ainda!
Como quem é Almodovar??? Mulheres a beira de um ataque de nervos, Fale com ela...
Ah, deixa pra lá!!!

PS - Esse texto é do ator, diretor e professor de teatro, o IGO RIBEIRO. Eu roubei lá do Forum de Teatro, onde está rolando ainda aquela discussão sobre a profissão de ator. Não resistí. O texto do Igo é genial, muito bem sacado e com muito bom humor. Mas também é ácido e contundente, a marca inconfundível do Igo, que quando entra no forum arrasa numa boa ou detona geral. Adoro ele. É brilhante. E torço pela sua carreira.

11.3.03

Sob o famíliar, descubra o insólito,
Sob o cotidiano, desvende o inexplicável.

Bertolt Brecht em "A Exceção e a Regra".

8.3.03

A diretora Maria Teresa Amaral responde aos "gênios da Broduey"

Como ando dando rumos novos a minha vida, leio o forum de teatro, mas pouco me pronuncio. Estou como que em hiato.

Mas me pareceu cumplicidade se eu não escrevesse sobre o meu repúdio, escândalo, e desprezo às palavras citadas, neste forum, a respeito de um teatro que o público não gosta, porque pendura pessoas no lustre e as faz berrar pelos chãos. Alicerçados no alto da sua ignorâncias, os ditos gênios da Broduvey, tão aguerridos que já deveriam estar nas fronteiras do Iraque babando, não entenderam ainda que a questão é como se usa o plano alto, o plano baixo, os berros ou o lustre: bem ou mal, com competência ou não. Quem usar sabendo sua profissão vai ter o público gostando.

Aliás tem gente que vai todo ano a Nova York, Londres e não aprende nem a montar musical careta. Cada erro técnico que a gente vê, meus deuses! Tem que prestar atenção pra copiar direito. Eu falo dos que fingem que não copiam tudinho, porque os outros tem os gringos na cola pra fazer tudo igualzinho.
E o Brasil, que podia ser o pais dos musicais com cheiro de louro, canela, outros temperos - tem boa música, já tem bons cantores-atores e bons bailarinos. É só juntar e inventar!

Mas, por falar em peça que, segundo estes senhores, não valeria absolutamente a pena montar, alguém viu 4.48 Psychose, com Isabelle Huppert, em S.Paulo? Eu vi na França, queria muito ir de novo, mas os ingressos acabaram em pouquissimas horas. Gostaria de saber o que acharam, porque foi das maiores emoções teatrais que eu tive nos últimos anos. Um deslumbramento.
Abraços aos que gritam e se penduram nos lustres com competência e emoção, ou procurando pelas duas.
Maria Teresa Amaral

PS. Esse e-mail foi postado dia 1/03/2002 no forum de teatro ( está rolando há duas semanas, uma acirrada discussão sobre a profissão de ator ) pela diretora Maria Teresa Amaral, atualmente morando em Paris, e de passagem pelo Rio de Janeiro. No final do ano passado, ela alugou o seu teatro, a Casa de Cultura Margarida Rey, em Copacabana) e saiu do País. Na ocasião da sua despedida, ela escreveu esse contundente depoimento sobre as razões que a obrigaram a abandonar todos os seus projetos de teatro.

FAMILIA QUE SE MUDA

Aluga-se a Casa de Cultura Margarida Rey, teatro com de 60 a 80 lugares, em Copacabana, projeto de iluminação feito por Jorginho de Carvalho, de modo que qualquer lugar do espaço cênico possa ser iluminado, porque as cadeiras e o palco são móveis. Quatro ares refrigerados, sendo que dois funcionando - o que já provoca reclamações da plateia, por frio demasiado. Quem conhece o lugar sabe com quanto amor foi feito e com quanto profissionalismo foi trabalhado.

(...) Não se pode trabalhar em teatro vendendo a cada vez um apartamento.
Alhures vamos, talvez, continuar a fazer teatro, mas pensamos, se preciso for, em nos dedicar únicamente à jardinagem. Preferimos o trato de flores, pomares e outras plantas à vida de mendicância, que o teatro nos obrigou a levar, nesta mui amada cidade, embora pai e avô nos tivessem deixado alguns haveres.
Levaremos conosco a presença solidária de todos os que trabalharam conosco, da categoria, que nos prestigiou, e do público, que já tinhamos formado amigos, apesar do descaso da maioria da imprensa, e dos assessores de imprensa.

É que trabalhamos, por assim dizer, num "nicho" que só sobrevive, no mundo inteiro, patrocinado pelo estado: o teatro profissional de grupo, com sede para o seu trabalho, cuidado de produção e tempo de ensaio limitado sòmente pela necessidade do espetáculo. Ora sabemos que não é este o caso nesta cidade, neste estado.O ótimo grupo, que conseguimos, depois de 5 anos de afinco continua junto no sonho de voltar a ver-se noutro lugar, noutro país.
A Companhia Instável de Teatro atravessa um tempo de instabilidade.
Mas nós, de verdade, estamos doídos, mas aliviados e cheios de esperança. Como quando um caso de amor se acaba e nos sentimos vazios mas plenos de liberdade e portas que se abrem.
Já nem estamos mais aqui - a cabeça longe e o corpo que tá indo.
Abraços
Maria Teresa Amaral
( que a vida inteira gostou de queimar os navios, pra nunca ter como voltar )."

4.3.03


* Esse post de Pocotó, postado aqui na íntegra, é a minha participação no forum permanente de debates do COMUNIQUE-SE -- o maior portal de encontro de jornalistas brasileiros. A discussão lá está acirrada, rolando desde a quarta-feira da semana passada na seção EM PAUTA, sobre o artigo do jornalista, escritor, cartunista e publicitário Luciano Pires, com o título: A baixaria dominou tudo ( tá tudo dominado) .
Trouxe aqui para o blog pela pertinência do assunto. Vamos continuar aqui. Certo? Esse mesmo artigo já foi publicado lá no Forum de Teatro, mas sem muita repercussão.

Pocotó, Lacraia e MCSerginho

Eguinha Pocotó é muito mais do que uma musiquinha sucesso do momento, ela é o retrato do nosso Pais, ela é a nossa cara, com todos os nossos problemas politico-socio-culturais-educacionais. Desculpem a obviedade, mas é isso aí. A gente fala muito do óbvio, mas não pensa o óbvio -- ululante, como diria o nosso Shakespeare, o genial Nelson Rodrigues. Para o gôsto elitista, pequeno-burguês, o sucesso de músicas como essa, é ver o triunfo da vulgaridade, da
mediocridade, da imoralidade, etc. e tal. e todos esses parâmetros da nossa moral pequeno-burguêsa, acomodada e preconceituosa. Serginho, Lacraia, Pocotó mexeram com todos esses valores.

Agora, Pocotó, MCSerginho e Lacraia, vistos sob outra ótica, com um outro olhar, um olhar despojado de preconceitos e voltado para a compreensão e o entendimento, e com muito mais atenção para essa outra realidade, procurando ver além disso, como o estudante João Pequeno Bandeira de Mello falou aqui com muita propriedade, quando disse que não foi o Gugu e nem Faustão que deram o sucesso para eles. Eles batalharam essa conquista. Foi batalhada, conquistada palmo a palmo. Vi na internet, uma entrevista do Serginho e Lacraia no bate-papo do Uol, onde ele conta isso. Foi frentista, DJ, sendo que nessa última função foi onde tudo começou, "quando o baile tava fraco a Lacraia começava a dançar". Daí à composição foi um passo.

Conta também que sempre fizeram sucesso com o povão e as crianças - sempre elas, os nossos mestres, sem preconceito. Nessa entrevista, ele fala com muita honestidade o seu relacionamento-casamento com o Lacraia, há doze anos, e os preconceitos que ambos enfrentaram antes do sucesso. Só pelo fato de ter sempre assumido esse relacionamento, já é merecedor de todo o nosso respeito.

Não vejo televisão, por opção e algumas vezes por falta de tempo ( trabalho e estudo). Não vi esses programas, e nem ouvi no rádio, mas tenho acompanhado o ti-ti-ti em tôrno. Agora, depois do que a goiana Auri falou aqui, eu também tenho sangue mestiço, não posso ouvir nenhuma batida que já saio balançando o esqueleto, vou dar um jeito de ouvir logo.

Quanto a letra da eguinha Pocotó eu acho um primor de afetuosidade, carinho e delicadeza, quando manda beijinhos para a filhinha e a vovó. Adorei. Na entrevista ele fala que Pocotó foi feita para a sua filha, a Carol. A Carol, parece-me que é cuidada pela avó. Ele era casado, separou-se, e um tempo depois conheceu o Lacraia, na quadra do Salgueiro, aqui no Rio de Janeiro

Entre os valores abordados, vale ressaltar o companheirismo, sem discriminação de sexo ou classe social, quando canta que o cavalinho e o jumento levam a eguinha para passear. Vale mencionar que não foi esquecido aqui o amiguinho jumento (também chamado de burro) de outra classe social. Na hierarquia social equina, o jumento é considerado de baixa classe social. Além disso, a delicadeza, o carinho e o cuidado com a amiga, a eguinha Pocotó, levada junto com eles, para passear. Os quadrupinhos, têm um comportamento digno de elogios, e quantos bípedes pensantes mereceriam ser elogiados por um comportamento semelhante

Por outro lado, ele merece o respeito pela conquista do sucesso, nada fácil. Ralaram muito antes disso. Jornada essa duplamente díficil, considerando-se o seu assumido homosexualismo. Sou também atriz, bacharel em artescênicas, pela UFRGS, e vim para o Rio fazer teatro, e enveredei por outros caminhos por questões de sobrevivência. Portanto, eu sei muito bem o que significa ser artista, ou ter aspirações a tal nesse nosso País.

Quanto ao primarismo, etc. etal apontado nas letras, queriam o quê de um cara semi-alfabeto, sem nenhuma instrução ou qualquer tipo de orientação educacional ou cultural. Para quem não teve orientação, além do funk e dos bailes funks que ele adora, o seu gôsto é bastante eclético. Gosta de pagode, música sertaneja e música clássica. E declaro aqui que espero anciosamente as outras músicas da dupla para o próximo CD: " Cavalo da pata quebrada " - a resposta do cachorrinho, e " Cafetão de Puta Pobre ".

Finalisando eu quero dizer que nessa diversidade cultural de várias procedências e muitas tendências, tenho o maior orgulho e o prazer de constatar nesse cenário artístico-musical brasileiro, o grupo originário do município de Arco Verde - porta de entrada do sertão pernambucano, o Cordel de Fogo Encantado. Como muito bem disse o João P. Bandeira de Mello é inesquecível, principalmente quando o jovem vocalista e pandeirista do grupo, o Leirinha recita lindamente os versos de cordel nordestino. Lindo demais. Para complementar a a lista de músicos e compositores, postada aqui pela goiana Auri, o João, o Talis, Cyntia Cruz, Fabio de Mello e Marcos Farias, citarei os da antiga, Ismael Silva, Vadico, Assis Valente, Geraldo Perreira, Sinhô; da moderna geração Chico Science, Zeca Baleiro, entre outros; o cearense Fagner, os mineiros Wagner Tiso e o grupo instrumental Uakti; os gaúchos Ney Lisboa, Victor Ramil e Lupiscinio Rodrigues; os paulistas Adoniran Barbosa e Renato Teixeira; o baiano avô do rock nacional, o Raul Seixas e os geniais curitibanos, vanguarda da vanguarda, o "nêgo dito" Itamar Assumpção e o "tubarão" Arrigo Barnabé.
E para finalizar deixo aqui esse verso - o meu preferido - do poeta Octávio Paz:

Me olho no que vejo / como entrar por meus olhos / com um olhar mais puro / é todo o meu desejo.

1.3.03

Só até domingo

TEATRO EM CIMA E EMBAIXO DO PALCO: GRUPO SOBREVENTO COMEMORA 15 ANOS
ENCENANDO A PEÇA ‘SUBMUNDO’ A 80 CENTÍMETROS DO CHÃO NO TEATRO DO JOCKEY
um espetáculo onde os atores utilizam desde uma folha de jornal
para criar bonecos, até lenços que ganham movimentos, sempre falando de
questões relativas ao Terceiro Mundo, invariavelmente com linguagem
poética. O cenário revela a idéia de um mundo subjacente a um outro,
através da utilização de dois planos. A ação se passa sobre a estrutura de
ferro. Sua preparação, porém, tem lugar ao nível do chão, coberto de areia.
Por meio de alçapões se dá a comunicação entre os dois planos.

O Sobrevento, um dos melhores e mais importante grupos de teatro de bonecos do País, conhecido internacionalmente e várias vezes premiado no Brasil e exterior, encerra temporada no domingo do espetáculo Submundo, e inicia no segundo semestre uma excursão por vários estados brasileiros e encerra temporada em São Paulo. IMPERDÍVEL. Esse grupo eu recomendo de olhos fechados. Ainda não vi.


“É um espetáculo experimental, nada fácil tecnicamente e que explora muitas técnicas diferentes. Mas, todo esse desafio nos dá muito prazer”, observa Luiz Cherubini, fundador do Sobrevento com Sandra Vargas e Miguel Vellinho.

SUBMUNDO Coletânea de textos. Dreção: Luiz André Cherubini. Com o grupo de teatro de bonecos Sobrevento.
Teatro do Jockey/ Teatros do Rio: Rua Mário Ribeiro 410, Gávea — 2540-9853. Sex e sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 10. 70 minutos.


UPDATE:

Um e-mail do diretor do Grupo Sobrevento, informa que o espetáculo continúa
até esse domingo, dia 9 de março.

Esta é a última semana para assistir ao espetáculo SUBMUNDO, do GRUPO SOBREVENTO, no Rio de Janeiro.

O espetáculo está em cartaz no Teatro do Jockey, com apresentações nesta
sexta e neste sábado, às 21h, e neste domingo, às 20h.

Submundo foi um dos quinze projetos selecionados pela Programa Petrobras
de Artes Cênicas e estará circulando por várias cidades brasileiras, entre
julho e agosto deste ano.
Maiores informações estão disponíveis no site do Sobrevento (http://www.sobrevento.com.br)

Abraços
Luiz André Cherubini